Posts Tagged ‘José Pacheco’

quando vier a primavera

[qua] 12 de novembro de 2014

citações:

Alberto Caeiro // Quando Vier a Primavera

«Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.»

mais trecho do livro do pacheco:

«[…] Fala-se muito de desenvolvimento, de cooperação e de reforço do poder dos professores, as as tendências dominantes continuam a ser a centralização, a uniformização e a racionalização”¹. O discurso da autonomia pode desempenhar uma poderosa função ideológica “estimulando o sentido de eficácia pessoal, mas também promovendo a subordinação do indivíduo ao controle organizativo”². Será necessário, portanto, promover a distinção entre uma autonomia formal e uma concepção democratizante de autonomia geradora de modalidades de intervenção formativa distintas da participação formal de professores em ações condicionadas pela instrumentalidade e a racionalidade técnica. […] No círculo, é essa autonomia de novo tipo que realça a inutilidade de controle exterior. Os professores detêm um efetivo controle sobre o seu próprio trabalho e o entendimento de que a inteligibilidade do real sofre uma erosão constante. […] 

Temos de mudar e a mudança faz-se à custa de sofrimentos e compreensão de nós próprios e dos outros […] precisamos de ser profissionais e não professores em part-time […] ao longo de todo o ano escolar, travei uma luta comigo no sentido de ser diferente, como professor, mais autônomo e mais ativo. Penso que não o consegui totalmente e que ainda estou a aprender a ser autônomo para criar alunos autônomos.»

1. APPLE, M. & JUNGCK. ‘No hay que ser maestro para enseñar esta unidad‘. Revista de educación, 291, 1990, p.149.
2. BALL, A. (1989). ‘La micropolítica de la escuela‘. Apud CORREIA, J. Formatividade e profissionalidade docentes. Porto, 1993, p. 13 [mimeo.].

***

e para fechar… mais um video do projeto “Um Poema por Semana” – é uma ideia de Paula Moura Pinheiro – confira mais em: www.rtp.pt/umpoemaporsemana;

O Sentimento dum Ocidental // Cesário Verde «[...] Nas nossas ruas, ao anoitecer, Há tal soturnidade, há tal melancolia, Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.[...]»

 

 

 

por vezes, o nosso destino parece uma árvore de fruto no inverno…

[sáb] 4 de outubro de 2014

As inserções no ‘uma natureza indócil‘ deveriam ter sido continuadas… mas o dia foi cheio e depois surgiram tantas coisas…

Acordei cedo hoje… E tive tempo para pensar. Eu, um mate e o tempo livre.

Faço esse registro – enquanto aguardo Izabel – com algumas citações que venho adiando e ponderações outras. Só por fazer… Só para não deixar o registro para algum outro dia. Essa semana foi tão agitada, com atentados ao estado policialesco e horário reduzido no transporte público. Foi uma semana sem aula… Para ser exato, apenas as três primeiras de segunda-feira. Foi, logo, uma semana de respiro. O acumulado virá semana próxima. Mas isto é próxima semana. E cadernos e leituras me dedicarei somente amanhã. Hoje é dar uma volta e jardinar – as preocupações são práticas e instantâneas.

A primeira citação era essa – uma citação feita por uma aluno na avaliação, de um texto do livro didático que menciona algumas ideias de Émile Durkheim, o sociólogo francês, um dos clássicos da sociologia:

«O mercado, adverte Durkheim, precisa de um ética que deverá ser mais forte do que a pura lógica econômica. Deixado sem freio, sem regra, sem norma, o mercado não tem limite. Tudo se vende e tudo se compra, se houver quem compre”»

***

Outra citação que faço é na verdade duas citações de outros e um fragmento de texto do próprio autor retiradas da leitura do livro – mencionado nesta postagem aqui: PACHECO, José. Escola da Ponte: Formação e transformação na educação. Petrópolis, RJ: 3ª ed. Vozes, 2010.

«E o desencanto, que começava a fazer-se sentir, atenuou-se, dissipou-se […] Por vezes, o nosso destino parece uma árvore de fruto no inverno. Ninguém diria que aqueles ramos hão de ficar verdes e florir novamente, mas nós temos confiança, nós sabemo-lo […] mas, juntamente, podemos refletir melhor e com mais profundidade. É preciso não estar sozinho.

Poder-se-á considerar sinal seguro do que além dos esquemas positivistas, ou mecanicistas, a circulação dos afetos […] constitui uma consolidação eficaz da estruturação social’; Esta poderá vir a ser, no futuro, menos dominada pela estreiteza racionalizadora das análises de circuitos de solidariedade, testemunhando um querer viver coletivo.
[…] A partilha mais profunda é aquela em que cada partilhante continua, o mais possível, ele próprio; na qual cada um possibilita rumos seguros a outras vidas, inventando sua própria existência no seio de práticas quotidianas tão seguras quanto incertas.

Talvez seja uma utopia, mas os professores estão precisando de construir novas utopias para a escola… A utopia é uma meta, é um desafio que obriga a grandes debates e a uma nova postura na profissão. Uma maneira de estar não-acomodada, como crítica e aberta… É preciso repensar tudo isto e por em causa o sistema: o que existe não funciona.»

***

E a canção de fundo: Ya estoy en la mitad de esta carretera / Tantas encrucijadas quedan detrás / Ya está en el aire girando mi moneda /Y que sea lo que /Sea / Todos los altibajos de la marea / Todos los sarampiones que ya pasé / Yo llevo tu sonrisa como bandera / Y que sea lo que / Sea / Lo que tenga que ser, que sea / Y lo que no por algo será / No creo en la eternidad de las peleas / Ni en las recetas de la felicidad / Cuando pasen recibo mis primaveras / Y la suerte este echada a descansar / Yo miraré tu foto en mi billetera / Y que sea lo que / Sea / Y el que quiera creer que crea / Y el que no, su razón tendrá / Yo suelto mi canción en la ventolera / Y que la escuche quien la quiera escuchar / Ya esta en el aire girando mi moneda / Y que sea lo que / Sea // Jorge Drexler.

Uma receita de felicidade [Rir muito e com frequência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças…] e Notas sobre utopia.

audições incidentais:

Sea - Pilar Cabrera
Sea - Jorge Drexler e Mercedes Sosa
Nowhere Man - Beatles


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dos fragmentos pensados dias desses… motes para futuras poesias: #estou descascando como cobra; #um amor à prova de vento; #a história não é uma linha reta…

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