Archive for the 'Pablo Neruda – Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto' Category

kalu

[sáb] 6 de junho de 2015

sabe quando você demora para dormir porque tua cabeça está girando sem parar em muitos pensamentos… coisas que não deviam estar lá as três da manhã… algo do tipo que caminho seguir? como dizer as palavras? se sigo em silêncio ou se aceno?

***

e ai pela manhã, cedo, tu é acordado pelo toque do telefone. alguém te acordou e não foi teu despertador. você estragou tudo. você ferrou o dia… os planos, os compromissos. você se desencontrou de alguém. você dormiu demais no ponto. você perdeu. e desapontou… você furou algo que poderia ter sido bacana… certamente seria.

***

e então, de forma indolor, pragmática… já que não vou sair mais. e terei mesmo que pedir desculpas pessoalmente mais tarde. não vou ficar na fossa por cá não. vou é escrever este textinho, registrar isto. ter claro… que, as vezes, por querer ou não, eu sou esse cara que deixa as pessoas na mão… em furadas. mas sem me apenar… vou tirar para mim este dia, e por tudo em ordem… tudo que deixei de lado nestes tempos de greve. e tentar fazer desse dia algo mais pragmático e menos sonhador…

mesmo que minha cabeça insista em ficar girando e haja esse monte de coisas engasgadas aqui que precisam ser ditas…

***

tentei encontrar aquele trecho em que chico buarque canta humberto teixeira… para falar sobre as coisas tácitas, sobre nossas palavras ditas, não ditas, esperadas, e por serem ditas…

Kalu /// Composição: Humberto Teixeira // Kalu, Kalu / Tira o verde desses óios di riba d’eu / Não me tente se você já me esqueceu / Kalu, Kalu / Esse oiá despois do que se assucedeu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu /.

e lembrei desta canção aqui também: Que Nem Kalu.

ps: vou ali fora dar um giro no mundo… e quando voltar termino as notas que ficaram por publicar. e cada verbo encapsulado dentro de uma garrafa lançarei ao mar, desde esta ilha de única árvore, e seguirão, os verbos engarrafados rumo ao desconhecido… para o diálogo futuro com os seres de outros mares, doutras ilhas…

***

o sobre o diálogo gatuno {que tem me instigado um bocado}:

O GATO, poema de Mário Quintana

«O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara…hesita…avança…

Fita-me.
Fitamo-nos.

Olhos nos olhos…
Quase com terror!

Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.»

ODA AL GATO, poema de Pablo Neruda

«Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.

El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.

No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.

Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.

Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.

Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.»

***

e os próximos poemas?

¿quién quiere ser eterno testigo?

[dom] 10 de agosto de 2014

dias dos pais. ganhei presente e abraço da filha – de dois pais. e dei meu meio-abraço no meu pai. mas no fim do dia ficou aquela sensação de que não foi um bom dia… tantos pensamentos, tantas incertezas… tantas dúvidas sobre tudo e todos… e longe daquela sensação de pertencimento e tranquilidade da semana passada. hoje sinto uma tristeza profunda sob esta aparente calma. o meu silêncio e minha indiferença é uma frágil película de segurança. auto-seguro. o mundo é dor.

e hoje senti-me pequeno e só. há certos momentos que não possuímos a capacidade de comunicar, de fazer vazar o mágico e o trágico que temos cá dentro. e só nos cabe silenciar os soluços e adeuses.

yo me voy. estoy triste; pero siempre estoy triste.

o guardador de rebanhos

[dom] 15 de junho de 2014

#1 não tirei os pontos ainda. não entreguei o poster-explicativo. não toquei em nenhum material produzido pelos alunos. não fiz um monte de coisas necessárias. apenas rastejo lentamente entre os escombros diários. tudo me distrai… não há foco (ou coragem para subverter-se); e  indicando alguns livros ao meu primo, colega de casa, encontrei, posto que andava perdido,  em um livro de alberto caeiro (o ponto de partida desta postagem) um recado carinhoso dobrado que dizia assim:

«A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos. ou dedo nas pontas das palavras. Minha linguagem treme de desejo. A emoção vem de um duplo contato; de um lado, toda uma atividade de discurso vem, discretamente, indiretamente, colocar em evidência um significado único que é “eu te desejo”, e liberá-lo, alimentá-lo, ramificá-lo, fazê-lo explodir (a linguagem goza ao tocar a si mesma); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras, eu o acaricio, o roço, me esforço em fazer durar o comentário ao qual submeto a relação.» Roland Barthes. Fragmentos de um discurso amoroso.

#2 o pensar:

e mergulho no tempo… ontem, ouvindo skank, mergulhei 15 anos no tempo. hoje, 6 – lendo este bilhete. assim a vida segue… fragmentária, aleatória, ordinária… não sou a promessa de 8 anos atrás – o jovem que se lançava apaixonadamente num universo novo… tampouco sou o sonho de 16 anos atrás – rebelde e infantil. sou apenas o labirinto caduco e sempre marginal, aislado, incapaz de estabelecer relações profundas e duráveis… «no fundo uma eterna criança que não sabe amadurecer…» sempre escapando de qualquer ser humano. e eu que já fiz terapia, já percorri intelectual e emocionalmente – mesmo que de forma momentânea e parcial – este caminho… que já visualizei a quantidade de feridas abertas, medos, traumas, violências sofridas e guardadas… tenho auto-consciência, mas me faz falta uma força, uma gana para emergir, para abrir-me. e essa vida é um simulacro, um espelho, nada é profundo… destarte os atrasos e os silêncios, este habitus.

#3 memórias afetivas incidentais:

Sofrer é outro nome / do ato de viver. Carlos Drummond de Andrade..

Una noche se acuestan con la muerte / en el lecho del mar… Pablo Neruda

Three o’clock in the morning / It’s quiet and there’s no one around
Just the bang and the clatter / As an angel runs to ground… U2

inti illimani e quilapayun

[qua] 1 de maio de 2013

INTI ILLIMANI + QUILAPAYUN MUSICA EN LA MEMORIA.  Invitados especiales: Los Bunkers / Chancho en Piedra / Mecánica Popular / Pancho Sazo de Congreso // Trabajo, que recoge en 19 temas lo que fueron las intensas e históricas jornadas de música en el Estadio Víctor Jara el 20, 21 y 22 de Agosto de 2004. // setlist: 1. Palimpsesto. Huelga deciros que yo os quiero más / en la profunda pulpa de antesueño, /  cuando el glacial se reconvierte en sol  / y se nos va la esperma en el empeño,   / y se nos cuaja el ceño de cenizas  / ávidas de hendir el cavilar de leño.  // Huelga deciros, libertad os una,   / que os sueño arando en hierro y sabio azote,  / volviendo a errar y a errar sin miramientos   / sobre un caballo y sobre un brioso brote,  / que es una forma de entender amar  / y otra jornada que vencéis al trote  / con ansia de echar la tierra a mugir, la luz a rodar.// Huelga dudar que libertad amando  / me vuelva a herir  / la gana regresando.// Qué hambre tener qué libertad os una  / os una en la memoria del ultraje,  / os rememore y os despierte al vuelo,  / os calce el corazón con los corajes,  / os arremeta, sin parar, la estancia  / oscura en que bebéis  / la injuria y su brebaje.// Qué hombre volver para que os una libre  / libre su nombre y su veloz corpiño,  / su vientre cuarzo y su agonía historia,  / y sus cadenas, su reloj, su niño.  / Y os avecine, os una, y os ausculte  / con sus dos manos y sus tres cariños,  / y su refulgir  / su oficio de herir  / la luz por venir. // Si nos va a arder la gana en toda luna  / y hemos de andarla junto tierra a tierra  / que en las raíces libertad nos una /// 2. El tinku. Sisi machai cuni ñañitai / Machai cuya nila / Sisi machai cuni ñañitai / Machai cuya nila  // Machai cuna nila ñañitai / Matayahuan quita / Machai cuna nila ñañitai / Matayahuan quita // Sisi tusi situ ñañitai / Matusiki situ / Sisi tusi situ ñañitai / Matusiki situ // Matusiki situ ñañitai / Eso si axi tu / Matusiki situ ñañitai / Eso si axi tu // Ay tunitai tuna ñañitai / Tucu yucui tuna / Ay tunitai tuna ñañitai / Tucu yucui tuna // Tucu yucui tuna ñañitai / Amke tuyai tuna / Tucu yucui tuna ñañitai / Amke tuyai tuna  /// 3. Tatati (instrumental)///4. Simón Bolívar. Simón Bolívar, Simón, / caraqueño americano, / el suelo venezolano / le dio la fuerza a tu voz. / Simón Bolívar, Simón, / nació de tu Venezuela / y por todo el tiempo vuela / como candela tu voz. / Como candela que va / señalando un rumbo cierto / en este suelo cubierto / de muertos con dignidad // Simón bolívar, Simón, / revivido en las memorias / que abrió otro tiempo la historia, / te espera el tiempo Simón. / Simón Bolívar, razón, / razón del pueblo profunda, / antes que todo se hunda / vamos de nuevo Simón. / Simón Bolívar, Simón, / en el sur la voz amiga, / es la voz de José Artigas / que también tenía razón /// 5. Cándidos. Rompió el ávido su cántaro / Y no hay médico en lo póstumo, / Impondrán célebre los cándidos, / Su vorágine más poética, / Su vorágine. // Vive esta plebe autóctona / Como un desolado páramo, / ´Viéndose tan mísera y decrépita / Sin un santo fiel en la cúspide, / Sin un santo fiel. / Sufriendo leyes maléficas / No hay más que subir los ánimos / Al compás de un danzar telúrico, / Al cielo gritar nuestros cánticos, / Al cielo gritar: / Presiento que por lo empírico / Se ha enloquecido la brújula, / El clamor que tuerce los estómagos / Va azuzando al fin los espíritus / Va azuzando al fin. // Cándido, libera tu rabia, cándido, / Tu vieja ternura o, úsala / Para revertir tu lóbrega vida de / Lázaro. / Cándidos, con tanta esperanza / cósmica, / Venid porque al fin / El ávido rompe su cántaro. // Antes que morir famélico / Mártir de un destino trágico, / Más valdrá reconquistar por último / El honor de ser pueblo intrépido, / El honor de ser: // Cándido, libera tu rabia… /// 6. Danza di calaluna. (instrumental)/// 7. Medianoche. Ven a beber conmigo en doce copas / doce campanas esta medianoche / escucharás el bronce congelado / tañendo nuestro adiós en doce copas. // Ven a besar conmigo en doce copos / la nieve amarga que fundió el invierno / sobre la altura de mis sienes y este / desamparado corazón que tengo. // Ven a morder conmigo en doce gritos / los labios de un dolor ya redoblado / será la última boca que tú beses / cuando vayas camino del ocaso. // No bien bebas conmigo el sorbo amargo / en la voz gris de los metales ciegos / vendrá esta medianoche repicando / la eternidad de nuestros dos destierros /// 8. La exiliada del sur. Un ojo dejé en los lagos / por un descuido casual, / el otro quedó en parral / en un boliche de tragos, / recuerdo que mucho estrago / de niña vio el alma mía, / miserias y alevosías / anudan mis pensamientos, / entre las aguas y el viento / me pierdo en la lejanía. / Mi brazo derecho en buín / quedó, señores oyentes, / el otro en san vicente / quedó, no sé con qué fin; / mi pecho en curacautín / lo veo en un jardincillo, / mis manos en maitencillo / saludan en pelequén, / mi falda en perilauquén / recoge unos pececillos. / Se m’enredó en san rosendo / un pie el cruzar una esquina, / el otro en la quiriquina / se me hunde mares adentro, / mi corazón descontento / latió con pena en temuco / y me ha llorado en calchuco, / de frío por una escarcha, / voy y enderezo mi marcha / a la cuesta ‘e chacabuco. / Mis nervios dejo en granero, / la sangr’en san sebastián, / y en la ciudad de chillán / la calma me bajó a cero, / mi riñonada en cabrero / destruye una caminata / y en una calle de itata / se me rompió el estrumento, / y endilgo pa nacimiento / una mañana de plata. / Desembarcando en riñihue / se vio a la violeta parra, / sin cuerdas en la guitarra, / sin hojas en el colihue; / una banda de chirigües / le vino a dar un concierto; / con su hermanito roberto / y cochepe forman un trío / que cant’al orilla del río / y en el vaivén de los puertos. /// 9. El arado. Aprieto firme mi mano / Y hundo el arado en la tierra / Hace años que llevo en ella / ¿cómo no estar agotado? // Vuelan mariposas, cantan grillos, / La piel se me pone negra / Y el sol brilla, brilla, brilla. / El sudor me hace surcos, / Yo hago surcos a la tierra / Sin parar. // Afirmo bien la esperanza / Cuando pienso en la otra estrella; / Nunca es tarde me dice ella / La paloma volará. // Vuelan mariposas, cantan grillos, / La piel se me pone negra / Y el sol brilla, brilla, brilla. / Y en la tarde cuando vuelvo / En el cielo apareciendo / Una estrella. // Nunca es tarde, me dice ella, / La paloma volará, volará, volará, / Como el yugo de apretado / Tengo el puño esperanzado / Porque todo / Cambiará. /// 10. Canto negro. Ooooooo / o yambambó yambambó yambambé. // Repica el congo solongo / repica el negro bien negro / congo solongo del songo / baila yambó sobre un pie. // Mamatomba mamatomba / serembe cuseremba. // Ooooooo / o yambambó yambambó yambambé. // El negro canta y se ajuma / el negro se ajuma y canta / el negro canta y se ajuma / el negro canta y se va. // Acuememe serembó / ae / acuememe serembó / aé / yambó ae, yambó ae, yambó. // Tamba tamba tamba tamba / tamba del negro que tumba / tumba del negro caramba / carba que el negro tumba / yamba yambó yambambé / ae / yamba yambó yambambé / ae yamba ae yambó ae / yambambó ae yambambé ae… /// 11. Premonición a la muerte de Murieta. (Pablo Neruda – Eduardo Carrasco)  Escucha la arena  / que mueve el desierto  / escucha el reloj  / que entierra a los muertos.  / Atrás bandolero  / la muerte te aguarda,  / llegaron los galgos,  / murió una guitarra,  / tu sangre invisible  / será derramada.  / ¿Oíste Murieta? // Ya no montarás,  / ya no correrás,  / ya no vengarás,  / ya no vivirás. // La tierra te advierte  / se cumple el destino,  / los galgos te acechan,  / termina tu suerte,  / te siguen las huellas,  / no traigas la rosa,  / el llanto en la luna  / la lluvia prepara,  / se acerca la muerte  /  te aguarda la fosa.  / ¡Murieta deténte! /// 12. Oguere. Oguere Oguere. / La campana a la sei’ / ta’ resona’ batei. / Y lo’negro’ e dotacio’ / va’ a reza’ la oracio’. / Oguere Oguere. / Oguere drume ri’ / que yo’ tie’ que surci’ / y ripue’ hacer eco’ / pa’ compra’ barraco’. /// 13. Entre morir y no morir.Entre morir y no morir   / me decidí por la guitarra   / y en esta intensa profesión   / mi corazón no tiene tregua.  // Porque donde menos me esperan   / yo llegaré con mi equipaje   / a cosechar el primer vino   / en los sombreros del otoño.  // Entre mourir, ne pas mourir,   / j’ai pris parti pour la guitare   / et cette intense profession   / m’a fait battre le coeur sans cesse.  // Car là où m’attend le moins   / j’arrive avec mon équipage   / pour récolter le premier vin   / dans le grand chapeau de l’automne. /// 14. Ventolera.  (instrumental) /// 15. La vida total. La vida es un espacio entre dos muertes  / La muerte es un silencio del amor  / El amor es un orgasmo entre dos lágrimas  / La lágrima es un lago sin su canto  / El canto es un misterio de la boca  / La boca es un abismo antes del pecho  / El pecho es otro abismo entre dos sangres  / La sangre es el motor que nutre el acto  / El acto es una danza contra el tiempo  / Y el tiempo es lo que mide los espacios  / hasta aquí enumerados. // La selva es el ancestro del desierto  / El desierto es un cuerpo ya bebido  / Beber no amaga el fuego en la conciencia  / La conciencia es un reloj de arena antiguo  / Lo antiguo nos modela como a un niño  / Un niño es el pasado de los cuerpos  / El cuerpo es un combate que se pierde  / Se pierde sin retorno a lo increíble  / Lo increíble será lo que no podemos  /  Y lo que no podemos será lo que siempre queramos. /// 16. El canto de la cúculi.  (instrumental) /// 17. La muralla. Para hacer esta muralla,   / tráiganme todas las manos   / los negros, sus manos negras   / los blancos, sus blancas manos.  // Una muralla que vaya   / desde la playa hasta el monte   / desde el monte hasta la playa,   / allá sobre el horizonte.  // —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —Una rosa y un clavel…   / —¡Abre la muralla!   / —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —El sable del coronel…   / —¡Cierra la muralla!   / —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —La paloma y el laurel…   / —¡Abre la muralla!   / —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —El gusano y el ciempiés…   / —¡Cierra la muralla!  // Al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al veneno y al puñal:   / cierra la muralla;   / al mirto y la yerbabuena:   / abre la muralla;   / al diente de la serpiente:   / cierra la muralla;   / al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al ruiseñor en la flor…  // Alcemos esta muralla   / juntando todas las manos;   / los negros, sus manos negras   / los blancos, sus blancas manos.  // Una muralla que vaya   / desde la playa hasta el monte   / desde el monte hasta la playa,   / allá sobre el horizonte.  // Al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al veneno y al puñal:   / cierra la muralla;   / al mirto y la yerbabuena:   / abre la muralla;   / al diente de la serpiente:   / cierra la muralla;   / al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al ruiseñor en la flor…ABRE LA MURALLA! /// 18. El aparecido. Abre sendas por los cerros,   / Deja su huella en el viento,   / El águila le da el vuelo   / Y lo cobija el silencio.  // Nunca se quejó del frío,   / Nunca se quejó del sueño,   / El pobre siente su paso   / Y lo sigue como ciego.  // Correlé, correlé, correlá   / Por aquí, por allí, por allá,   / Correlé, correlé, correlá,   / Correlé que te van a matar,   / Correlé, correlé, correlá.  // Su cabeza es rematada   / Por cuervos con garra de oro   / Como lo ha crucificado   / La furia del poderoso.  // Hijo de la rebeldía   / Lo siguen veinte más veinte,   / Porque regala su vida   / Ellos le quieren dar muerte. /// 19. Canción final. Me falta la compresión  / para explicar el grandioso  / momento tan venturoso  / que dentra por mi razón.  / Se embarga mi corazón  / en este siglo moderno  / veo que aflojan los cuernos,  / los toros quedan sin astas  / y el pueblo diciendo basta  / pa’l pobre ya los infiernos. // América aquí presente  / con sus hermanos de clase  / que empiece la fiesta grande  / de corazones ardientes.  / Se abracen los continentes  / por este momento cumbre  / que surja una perdidumbre  / de lágrimas de alegría.  / Se baile y cante a porfía  / se acaben las pesadumbres. // Entremos en la columna  / humana de este desfile.  / Miles y miles de miles  / de voces fundida en una.  / De todas partes los hurra,  / aquí todos son hermanos  / y así estarán: de la mano  / como formando cadena  / porque la sangre en las venas  / fluirá de amor sobrehumano. // Todo estará en armonía  / el pan con el instrumento  / el beso y el pensamiento  / la pena con la alegría  / la música se desliza  / como cariño de madre  / que se embelezcan los aires  / desparramando esperanzas.  / El pueblo tendrá mudanza  / lo digo con gran donaire. /// Faltou tempo de cada canção, e autoria de cada letra. Outro dia coloco. Show monumental. Salve Inti e Quilapayun!

azul gauguin

[sáb] 2 de outubro de 2010
isto é ficção. [edição de fragmentos. pintura]
13:50. cena um. chuva.  próximos ao mar. próximos a amar. um casal e o narrador-personagem. ao longe. ou perto, dentro de um close-up. ‘cê foi pega em flagrante. olhavas o quê? e o olhar era como uma gota lançada ao ar, quase espuma, sabe?! mas para ele devia fazer sentido, algum sentido. riam-se. é, para mim, porção indeterminada de vento era apenas espuma. ou gota fadada a morte. a ser mar. volto. eles se desprenderam de mim. errei.

14:02. cena dois. bar. dia frio. janelas, com vista ao mar. distantes. um casal e o narrador-personagem. perto. quase esbarrando, na mesma cena. vocês não conversaram. os olhos frente a frente fugiam. esquivavam-se mutuamente. tu era uma flor roxa… qual? penso… me falta… um botânico te decifraria. tu vai embora, enquanto prendo-me no movimento dos teus pelos soltos no ar, que delimitam o movimento do corpo e um desejo, que é no fundo uma falta.

em alguma hora da tarde. cena três. praia. silêncio. apenas “ouça barulho bravio das ondas que batem na beira do mar”. um homem caminha. alternado por uma praia vazia. transcorri pela praia como uma onda que insiste em partir-se na beira do mar. no fundo, insisto nisto. nesta poesia de partida e encontro.

15:08. cena quatro. sozinho. insisto. papel. bar. mesa. insisto e as palavras não vem. insisto. insisto. esqueço. é o mar azul.

segunda-feira. que virá. cena cinco. tarde. chuva. um barco, pequeno, parte para pesca, some no branco indeterminado do mar.

referências incidentais:
Aunque me llames / Aunque vayamos al cine / Aunque reclames / Aunque ese amor no camine / Aunque eran planes y hoy yo lo siento
Si casi nada quedó / Fue sólo um cuento / Fue nuestra historia de amor / Y no te voy a decir si fue lo mejor / Pues / Sólo quiero saber lo que puede dar cierto / No tengo tiempo a perder //
Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia donde voy.

… Desde tu corazón me dice adiós un niño.
y yo le digo adiós.

// Go Back / Composição de Sérgio Britto e Torquato Neto / Trecho do poema ‘farewell’ de Pablo Neruda.

Paul GAUGUIN, “In The Waves”, 1889

memória

[seg] 13 de abril de 2009

E segue uma seqüência de fragmentos de poetas que criam um tecido aberto e pulsante. Falam sobre o amor-camarada, a memória, a ação, a semente-viva germinando neste vasto mundo…

Todo o valor do ser humano está ligado à faculdade de se superar, de existir além de si mesmo, de existir no outro e para o outro.” Milan Kundera

“Los filósofos se han limitado a interpretar el mundo; mientras de lo que se trata es de transformarlo” Carlos Marx.

“Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos, ya no se endulzará junto a ti mi dolor. Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada y hacia donde camines llevarás mi dolor. Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos un recodo en la ruta donde el amor pasó. Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame, del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo… ” Pablo Neruda

A MÃO-LIVRE: [ou como vos disse ontem, somos um recorte profundo no ser e fazer deste mundo!] Assim, num recorte destes dias, onde a vida se aprofunda e o significado “intensifica-se”… e “o sem sentido apelo do não… [Mesmo com o livro ao lado, e sabendo do poema, fui buscar na rede algo mais e me deparo com isto aqui, que segue abaixo, que trás alguns elementos para reflexão, concordo com algumas coisas, outras não… E  não pensei tanto no poema sobre o amor-a-dois, mas no poema sobre a memória, sobre a história, sobre a consciência coletiva, sobre a realidade concreta, sobre o valor que o homem, a humanidade… Um exercício além.].

Amar o perdido!

Ler um poema é deduzir referências que o poeta deixa implícitas ou que vamos suprindo por conta própria, como se junto de cada frase do poema houvesse um asterisco remetendo para uma nota ao pé da página – só que a nota está em branco, e cabe ao leitor preenchê-la. Tem um poema de Carlos Drummond de Andrade que parece um dos mais simples, mas sempre me deixou com a pulga atrás da orelha. É o poeminha “Memória” (em “Claro Enigma”), talvez um dos primeiros que li do poeta, pois aparecia manuscrito em fac-símile na Enciclopédia Delta-Larousse, que foi a Internet da minha infância. Diz o poema: “Amar o perdido / deixa confundido / este coração. // Nada pode o olvido / contra o sem sentido / apelo do Não. // As coisas tangíveis / tornam-se insensíveis / à palma da mão. // Mas as coisas findas, / muito mais que lindas, / essas ficarão”.
Quatro estrofezinhas, cada uma com quinze sílabas métricas, numa cadência 5-5-5 cujo ritmo implacável é reforçado pelo “ão” com que se encerram. A estrofe inicial não tem mistério: “Amar o perdido deixa confundido este coração”. À primeira vista é o tema da perda da pessoa amada, um dos grandes lugares comuns da poesia lírica. Mas eu penso que CDA se refere a algo mais sutil: o amor que só brota após a perda. Como ocorre com a amante do poema “Caso do vestido” (em “A Rosa do Povo”), que confessa à mulher cujo marido roubou: “Eu não tinha amor por ele / ao depois amor pegou”. Ou então a fórmula que ele estabelece no poema “Perguntas” (também em “Claro enigma”), em que o Poeta vê um “fantasma” no espelho trazendo-lhe recordações da infância e dizendo-lhe, ao se despedir: “Amar, depois de perder”. O que talvez seja a versão drummondiana para outro lugar comum: “eu era feliz e não sabia”.
Amar o perdido confunde o coração do poeta porque insinua a possibilidade de que na verdade só amamos o que não temos. Nosso objeto preferencial de amor é o sonho, a utopia, o inalcançável – ou, mais realistamente, o ainda inalcançado. Somos todos Don Juans a quem a conquista fascina e a posse provoca o tédio. Ou então somos crianças freudianamente impelidas por pulsões de tal magnitude que nada as satisfaz, nem mesmo a conquista do objeto desejado. O desejo que não foi satisfeito hoje nunca poderá ser satisfeito amanhã, porque nesse caso estaremos satisfazendo apenas o desejo de amanhã. Basta ter desejado em vão por um minuto para continuar desejando por toda a Eternidade.

O verdadeiro desejo nunca é satisfeito, porque o que no fundo desejamos é um objeto total, um arquétipo platônico que funde em si todas as possibilidades daquele ser – e o que obtemos na vida real é o objeto real, com suas incompletudes e defeitos. É como desejar o Oceano e poder apenas encher as mãos em concha. Amamos o que é conquistado, mas amamos ainda mais o que não conquistamos, porque é um sonho que não se desvalorizou em realidade.

Nada pode o olvido

A segunda estrofe do poema “Memória” de Carlos Drummond de Andrade (em “Claro Enigma”) diz: “Nada pode o olvido / contra o sem sentido / apelo do Não”. É um poema sobre a perda amorosa, à primeira vista muito simples, mas a facilidade de Drummond é enganosa. Seu método criativo parece com o de Paul MacCartney, que dizia: “Eu pego uma idéia simples e vou complicando, vou complicando… Então, quando ela está bem complexa, eu começo a simplificar de novo”. É escusado dizer que a simplicidade que se obtém no final do processo é de caráter distinto da que o artista teve como ponto de partida.

Voltando ao poema, é preciso deixar claro que o poeta se refere ao Olvido, o Esquecimento. Já vi esse poema transcrito por aí com o absurdo erro de dizer: “Nada pode o ouvido…” É o típico caso da contaminação oral da pronúncia, agravado pelo fato de que, enquanto aqui no Nordeste a gente em geral pronuncia “ól-VI-do”, no Sudeste muita gente diz “ôl-VI-do”, o que ajuda a confundir.

Portanto, o Esquecimento nada pode contra o apelo absurdo, o apelo sem significado do Não. Eu sempre empanquei diante deste verso. Por mais que tente analisá-lo, nunca chego a fechar um resultado. É uma verdadeira dízima periódica poética, a gente pode continuar dividindo por todos os “século seculóro”, como diz o matuto, e nunca vai fechar a conta.

O Poeta parece estar dizendo que o Não (a negação, a impossibilidade, a proibição, a ausência, todos os correlatos dessa idéia básica) tem um apelo sem sentido. Esse “apelo” do Não não é uma imagem poética que me diga alguma coisa. Podia ser uma porção de coisas relativas ao Não, mas… apelo? Posso explicar racionalmente o uso dessa palavra, mas um verso, como uma piada, não é para ser explicado, é para ser apreendido num segundo. Se isto não acontece, de nada adianta explicar. O “apelo do Não”, portanto, é uma imagem poética que me entra por um ouvido e sai pelo outro.

Mas enfim – o Poeta nos garante que o apelo do Não existe, e que é algo contra o qual nada pode o Esquecimento, o Olvido. O Não impõe suas próprias regras às quais não podemos fugir, e à luz da primeira estrofe (“Amar o perdido deixa confundido este coração”) podemos aceitar que este Não se refere à perda, à ausência, à impossibilidade de ter ou de continuar tendo. E contra isto, nada pode o esquecimento. É inútil (ou é impossível) esquecer a perda, mesmo que ela seja sem sentido.

Analisar um poema desse jeito é uma coisa chata, que eu comparo com querer interpretar um quadro da Van Gogh analisando a composição química das tintas. A gente só deve fazê-lo quando o poema for opaco, quando a gente não estiver encaixando as frases, quando a conta não bater. Aí, vale parar e tentar ler o poema como se fosse a resolução de uma equação, onde cada linha é um resultado lógico de uma operação invisível que ocorreu na mente do autor entre uma linha e a seguinte.
As coisas tangíveis

A terceira estrofe do poema de Drummond, “Memória”, diz assim: “As coisas tangíveis / tornam-se insensíveis / à palma da mão”. Sendo um poema sobre a perda amorosa, a primeira leitura destes versos refere-se à ausência – nossa mão, que antes sentia a presença de algo concreto, tocável, tangível, não a sente mais. Vejo uma sutileza curiosa no uso desta imagem da “palma da mão”. Porque me parece que o ato de tocar, experimentar, acariciar algo se dá primeiro pelas pontas dos dedos, que funcionam para nós como as antenas de alguns insetos. O tato que temos nas pontas dos dedos é muito mais refinado e mais reconhecedor de diferenças do que a palma da nossa mão. Por que a palma da mão? Porque ela serve, mais do que para tocar, para reter. Para estabelecer a posse. Na informalidade dos bate-papos amorosos vangloriamo-nos dizendo: “Fulana tá aqui, olha, na minha mão” – e estendemos a palma para reforçar. Se algo não pode mais ser sentido na palma da nossa mão, não nos pertence mais.

Essa imagem me lembra os versos de outro poema do mesmo livro (“Claro Enigma”), o belíssimo “Campo de Flores”, onde o poeta diz: “Seu grão de angústia amor já me oferece / na mão esquerda. / Enquanto a outra acaricia / os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura / e o mistério que além faz os seres preciosos / à visão extasiada”. Esta imagem da mão acariciante me evoca os versos sensuais de Bob Dylan em “I Threw it All Away” (“Eu Joguei Tudo Fora”), canção de 1969: “Um dia eu tive montanhas na palma da minha mão / e rios que fluíam o dia inteiro…” E vejam com que delicadeza Drummond passa da mera posse física para a posse em seu sentido mais pleno, a posse da pessoa total e de tudo que ela inclui, ao dizer que a mão não acaricia apenas os “cabelos”, mas também a “voz”, o “passo”, a “arquitetura”…

E tem mais. Observem o duplo sentido da palavra “insensível”. Insensível é aquilo que não sente (“você é uma pessoa insensível”), e também aquilo que não pode ser sentido, imperceptível (“houve uma mudança insensível de temperatura”). Portanto, as coisas que antes eram tocadas com as mãos já não são sentidas – nem sentem. A ausência, como a presença, é um fenômeno recíproco. Tudo que toca é tocado. Toda mão que acaricia é também acariciada no mesmo gesto. E tudo que não podemos sentir também não nos sente.

É como a reciprocidade da dor, registrada em outro poema do mesmo livro, “A Um Varão, Que Acaba de Nascer”: “Este é de resto o mal / superior a todos: / a todos como a tudo / estamos presos. E / se tentas arrancar / o espinho de teu flanco, / a dor em ti rebate / a do espinho arrancado”. Quando a ausência se instaura, não existe mais sofrimento mútuo nem prazer mútuo: apenas a falta de contato entre duas “coisas” que, mesmo tangíveis, mesmo possíveis de alcançar com a mão, não se sentem mais uma à outra.
Mas as coisas findas

O poema “Memória” de Carlos Drummond de Andrade (no livro “Claro Enigma”) se encerra com esta singela estrofezinha: “Mas as coisas findas / muito mais que lindas / estas ficarão”. É uma estrofe perfeita, em todos os sentidos, para fechar este poema sobre a perda e a ausência. Como falei no primeiro comentário, o poema tem quatro estrofes, cada estrofe três linhas, cada linha cinco sílabas. A contagem das sílabas métricas varia de leitor para leitor; eu as leio assim: “Amar o perdido (2-3) / deixa confundido (1-4) / este coração (1-4). // Nada pode o olvido (3-2) / contra o sem sentido (1-4) / apelo do Não (2-3). // As coisas tangíveis (2-3) / tornam-se insensíveis (1-4) / à palma da mão (2-3). // Mas as coisas findas (3-2) / muito mais que lindas (3-2) / essas ficarão (3-2).” A leitura métrica da última linha (que teoricamente seria 1-4, “es – sasficarão”) vira “essasfi-carão”, claramente influenciada pela das duas linhas anteriores, o que não ocorre com a última linha da segunda estrofe, quando isto forçaria um cacófato (“apelu-donão”).

É um poema minúsculo e de grande simetria, mesmo admitindo as variações de ritmo descritas acima. A simetria é reforçada pela reiteração de rimas toantes centradas na vogal “I” nas linhas 1 e 2 de cada estrofe, e na sonoríssima rima em “ÃO” nas terceiras linhas. (Se eu fosse escrever um Decálogo para jovens poetas eu incluiria: “Economize a rima em “ÃO”, a qual, como as armas de fogo, só deve ser usada em casos de absoluta necessidade”).

O poeta fala da perda daquilo que foi amado, mas se consola dizendo que existe algo mais importante do que as coisas lindas: são as coisas findas. “Findas” significa encerradas, terminadas. As coisas que acabaram, ficarão. Vejam que belo paradoxo! Nossa sensação intuitiva é de que se essas coisas se acabaram, não ficaram. Drummond sugere o contrário. As coisas findas ficarão porque provavelmente se cristalizaram, despregaram-se da realidade (que é fluxo, transformação, incerteza) e tornaram-se Forma, Idéia – tornaram-se Memória. Vejam com que segurança o poeta usa este termo no futuro, “ficarão”. Me lembra o que disse Mário Quintana: “Esses que aí estão / atravancando meu caminho / eles passarão / eu passarinho”. É como se dissesse: “eles passarão, eu ficarei”.

Que passarinho é este que fica? Maldo eu que seja o rouxinol cantado celebremente pelo inglês John Keats, no poema “Ode To a Nightingale”, que examino no capítulo “S” do meu “ABC de Ariano Suassuna” (e que examinei em maior detalhe nesta coluna: “A eternidade dos pássaros”, 8.9.2004). É o pássaro imortal que canta o mesmo canto por toda a eternidade. É a memória, que preserva em seu âmbar as coisas findas. Que na ficção científica foi assim definida por Frank Herbert (“Duna”): “Arrakis ensina a mentalidade da faca: cortar aquilo que está incompleto e dizer – Agora está completo porque termina aqui”. Braúlio Tavares


OU NÃO!

la arena traicionada

[sex] 16 de janeiro de 2009

ouvindo muitos conselhos, bem atento.

refletindo bastante sobre o caminho que me aguarda, ou mais precisamente… o caminho que vou construindo.

HOJE ao acordar: Qual será a sensação do pássaro verde quando pelo vão aberto da janela entra e defronta-se com a parede azul?

tontura e aflição?

pelas minhas mãos senti seu coração pulsar e seu impulso ao vôo… perdeu-se na árvore de pássaros ou no azul do mar. Como ficamos mais fortes e serenos quando assumimos e escolhemos dar o passo e continuar o caminho. me voy.

poema da manhã:

La crema

Grotescos, falsos, aristócratas
de nuestra América, mamíferos
recíen estucados, jóvenes
estériles, pollinos sesudos,
hacendados malignos, héroes
de la borrachera en el Club,
salteadores…

transcrevo o restante logo mais. É de neruda.

las manos del día

[sex] 9 de janeiro de 2009

10h18

uma noite fria arranhando esta garganta!
dão-me alguns minutos para escrever sobre o breve espaço da manhã:

mais um dos longos dias me aguarda,
um dia de cada vez,
todos iguais.

quantas surpresas seremos hoje?

o gatuno preto e branco mira-me,
por um só instante, dentro deste peito.
indaga sobre os passos,

vou ao café e deixo-o
em seu sonho branco de sofá.


hoje, ontem e amanhã:

uma senhora me mira
uma criança me mira
uma mulher me mira
um homem me espera,

enquanto visto a armadura dessa era,
abro o peito para as coisas desse mundo
construo nossa sina nessa jornada humana

e vivo a coragem de ser gente,
o amor [tão cheio de formas],
e a humildade [sabedoria maior]!

e se ouso esquecer por um instante,
da graça da vida presente
em tudo e todos,

uma senhora me vela
uma criança me aguarda
uma mulher me ama!
um mundo me anseia

e o homem presente, passado
e porvenir luta por ser!

avante!

—-

Veo las plantas, las personas vivas,
las ramas del recuerdo,
el saludo en los ojos de las cosas,
la cola de mi perro,

Veo el silencio de mi casa, abierto
a mi voz, y no rompo las paredes
con un grito de piedra o de pistola:
ando por el terreno que conoce mis pies,
toco la enredadera que subió
por los arcos oscuros de granito
y resbalo en las cosas,
en el aire,
porque sigue mi sombra en otra parte
o soy la sombra de un porfiado ausente.

La sombra. Las manos del Día. Neruda, Pablo (1968).

—-

… me vou a luta, me gusta aprender enseñando. e aos meus pais. obrigado.


11h00

gostaria de conhecer suas avós.
isto me lembra julio cortázar.
como sempre vou em atraso,
mas vou – com raios dentro do peito.
sou poeta. sou teu, sou do mundo… ‘té.

vou salgado pelo vento

[sáb] 3 de janeiro de 2009

Às vezes pensamos. Noutras épocas, como nestes dias últimos, apenas levanto e vou. O CORPO exausto do trabalhador segue sua rotina.

11h00.

entoces yo seré tu poeta, llegaré con mi lira a cantar en tu aroma y dormiré en tu cinta de platino, en tu arena incomparable, en la frescura azul del abanico que abrirás en mi sueño como las alas de una gigantesca mariposa marina. Neruda. Oda a Rio de Janeiro.

Às 17h30.

o vento verga a crista do galinácio  e os braços longos da grande figueira…arremessa o mar dentro de mim.

vou salgado pelo vento.

19h00.

encuentro en el mar con las aguas de chile

[ter] 26 de agosto de 2008

tua vontade de longos poemas…

Encuentro en el mar con las aguas de Chile
PABLO NERUDA

A medio mar te vuelvo a ver, mar mío,
en medio de las aguas otras aguas,
otro azul entre azules, otra espuma.
Siento de pronto como si tocaran
mi corazón con una luz profunda,
siento el aire en mi boca y son tus besos,
algo en mi sangre y es tu sal nutricia.

Océano perdido
por mi razón errante,
vuelvo a encontrar sin tregua
rodeándome,
abrazando en tu círculo mi vida
y de vuelta a la patria abandonada
ya te desconocía entre los mares
cuando sin ver me tocas
y es en mi frente un golpe
de pájaro, de viento, de ala fría.

Oh desnudo elemento
sin huella de palabras ni de naves,
esencia sola, espuma,
movimiento, distancia,
a ningún mar, a ninguna medida,
a planeta ninguno te comparas.

Aquí creciste, grave
rosal del infinito,
aquí junto a las tierras mineral
esse colmaron tus copas cristalina
se inabarcable se extendió en el tiempo
tu desarrollo azul, tu idolatría.
Los Andes elevaronsus edificios, sus ojos de nieve,
la soledad, la sombra con sus pumas,
el desorden huraño de la roca.

Aquí a los pies de la tierra estrellada
la piel del mar creció como ninguna
y entre el aire más alto y el abismos
e extendió tu pradera,
tu paz azul, tu movimiento blanco,
interminable esposo de la tierra.
Vuelvo de largos viajes,
amé a lo largo de la larga vida
todas las calles y todo el silencio,
la costa y el zafirode las islas distantes,
olor a miel y a corazón de abeja
tuvo la lejanía
y crepitantes acontecimientos
me hicieron ciudadano donde estuve.
No fui extranjero de ojos muertos:
compartí el pan y todas sus banderas

Pero es el mar de Chile
que entre otras olas sube
penetrando el océano del norte:
en estas agua viene
mi desesperación y mi esperanza.
Estas aguas del frío
elaboradas bajo las estrellas
más heladas del cielo,
este mar que en los pies del mundo
estableció su estado tempestuoso
y subió con el viento,
fugaz, frío y frenético,
corriendo como potro de la nieve
sobre las olas y entre las ballenas:
este mar, en la ausencia,
me llama con sus truenos
y antes de tocar patria
me sacude
con su respiración y sus espumas.

A medio mar, de pronto, en el camino,
entre las otras aguas extendidas,
anchas como las manos de la luna,
el mar, mi mar, me dedicó su beso.
Lo recibí en la frente y en la boca
y estalló la salmuera y la frescura
en todos los caminos de mi sangre,
desperté de la noche y de la ausencia,
creció mi corazón como una ola,
y a pleno sol sentí que me empujaba
a cumplir con mi tierra y con los míos.

Por eso estoy aquí y ésta es mi casa.
Por eso voy por todos los caminos.
Cumplo lo que me dijo el mar de Chile
a medio mar, cuando venía lejos.

dió su fruto…

[ter] 29 de julho de 2008

Pero cuando
entre los áridos
sistemas de las cumbres
aparece
el hombre,


transformado,
cuando
de la yurta
sale el hombre
que luchará con la naturaleza,
al hombre que es no sólo
de una tribu,
sino de la encendida masa humana,
no el errante
prófugo de las altas soledades,
jinete de la arena,
sino mi camarada,
asociado al destino de su pueblo,
solidario de todo el aire humano,
hijo y continuador de la esperanza,
entonces,
se cumplió la tarea
entre las cicatrices de los montes:
allí también el hombre es nuestro hermano.

Allí la tierra dura dió su fruto

NERUDA, Pablo

crime e castigo

[dom] 24 de fevereiro de 2008

“Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som”

EM VIAGEM, RECEBO CARTAS.

“Escrevo-te coisas… coisas que me passam voando pelos pensamentos, coisas que insistem em martelar… apenas coisas. (…) me liga quando chegar… preciso olhar teus olhos… até amanhã ou quando der… te espero, e te deixo com Neruda… (crime e castigo é um livro que exige poesia nos intervalos…)

Soneto XLVNo estés lejos de mí un solo día, porque cómo,
porque, no sé decirlo, es largo el día,
y te estaré esperando como en las estaciones
cuando en alguna parte se durmieron los trenes.
No te vayas por una hora porque entonces
en esa hora se juntan las gotas del desvelo
y tal vez todo el humo que anda buscando casa
venga a matar aún mi corazón perdido.
Ay que no se quebrante tu silueta en la arena,
ay que no vuelen tus párpados en la ausencia:
no te vayas por un minuto, bienamada,
porque en ese minuto te habrás ido tan lejos
que yo cruzaré toda la tierra preguntando
si volverás o si me dejarás muriendo.

Pablo e Manu…

[ter] 18 de dezembro de 2007

Pablo e Manu. Ela ilha, ele mar [só porque ando escrevendo muito]

“…
Regressei de minhas viagens
com os novos cachos.

E o vento.

O vento sacudia
a terra, as raízes.

Eu viajei com o vento.

Eu trouxe a semente
de escolas transparentes,
a folhagem acerada
das novas usinas,
o latejo
da tenacidade e o movimento
da extensão povoando-se de aroma.

Num lugar qualquer
vi o pão diminuído
e mais além estender-se
os reinos da espiga.

Vi nos povos a guerra
como despedaçada
dentadura
e vi a paz redonda
noutras terras
crescer como uma taça
como o filho na mãe.

Eu vi.

Ali onde estive, ainda
nos espinhos
que quiseram ferir-me,
achei que uma pomba
ia cosendo
em seu vôo
meu coração com outros
corações.
Achei por toda parte
pão, vinho, fogo, mãos,
ternura.

Dormi sob todas
as bandeiras
reunidas
como debaixo dos ramos
de um só bosque verde
e as estrelas eram
minhas estrelas.

De minhas encarniçadas
lutas, de minhas dores,
não conservo nada
que não possa servir-vos.

Também como a terra,
eu pertenço a todos.
Não há uma só gota
de ódio em meu peito. Abertas
vão minhas mãos
espargindo as uvas
no vento.

Regressei de minhas viagens.
Naveguei construindo
a alegria.

Que o amor nos defenda.
Que levante suas novas
vestiduras
a rosa. Que a terra
continue sem fim florida
florescendo.

Que seja repartido
todo canto na terra.

Que subam os cachos.
Que os propague o vento.

Assim seja.”

Pablo Neruda, “O canto repartido”

sabrás que no te amo y que te amo

[qui] 28 de junho de 2007

SABERÁS que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo paracomeçar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo todavia.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desditoso

Meu amor te duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

xliv. neruda, pablo.
cien sonetos de amor

SABRÁS que no te amo y que te amo
puesto que de dos modos es la vida,
la palabra es un ala del silencio,
el fuego tiene una mitad de frío.

Yo te amo para comenzar a amarte,
para recomenzar el infinito
y para no dejar de amarte nunca:
por eso no te amo todavía.

Te amo y no te amo como si tuviera
en mis manos las llaves de la dicha
y un incierto destino desdichado.

Mi amor tiene dos vidas para armarte.
Por eso te amo cuando no te amo
y por eso te amo cuando te amo.

Já contamos hoje..
só que é uma poesia proto-humana, parte-humana, pseudo-humana… Poesia pré-histórica…

E há de vir o tempo em que a poesia não apenas cantará, mas será sentida, vivida, realizada todo o tempo por nós, “quase-humanos”, que enfim seremos humanos. E ser humano é ser poético… Hoje somos quase poesia… E vou lutando, peleando, campeando, trabalhando para que a lavra que sangra da terra seja vida e não morte, seja poesia e não estupidez.
Poeta… te espero neste horizonte, e até lá, vamos arregaçar nossas mangas, calejar nossas mãos e palavras por um mundo humano :
Onde o amor sem posse, sem cor ou credo ou condição social seja possível… Onde amar, seja amar o outro que é parte de nós, e nós como parte do outro (o todo), que já são tantos outros como nós, capazes, proto-humanos… lutadores.

Verde folha…

[qua] 25 de outubro de 2006

i

meu espírito está cansado,
e meus pés doem por andarem atrás de pensamentos distantes.

meu corpo repulsa o ser, e vou indo para o fim..

Se é hora de partires;
e se é assim, com dor,
com mágoa, com angústia;
O que posso eu?
Longe do corpo abandono este ao cego andar
e a mente longe da realidade deste instante
querendo, tentando absurdamente tocar algo sólido
talvez um sonho, talvez uma promessa…

Quero vomitar sangue e lágrimas
quero vomitar meu corpo, meu agora,
meu passado e minha história..
E não sei se o corpo aguentará mais um passo?
se não cairá frio, imóvel… triste
como todo o fim…

ii

ontem cantando aos teus ouvidos mar negro disse o poeta «fuy tuyo, fueste mía, que más… Juntos hicimos un recodo el la ruta donde el amor pasó…» Meu peito gela, meus olhos estão mareados,
meu pensamento é triste e cego – cego
porque não vê sol, porque não vê noite,
só um vazio, e triste
porque sou triste, sempre triste…

Todas as palavras que o mar brandou o dia todo ficam fundas…
há sempre verdade!

Se partes… Digo vai, mas vai devagar…
fica bem, deixando a água levar…
deixa o vento levar
que eu já não sei se o meu barco segue,
ou chegou a hora de afundar…

Fico!
O Passado não se apaga, se guarda
e se recorda ou se esquece, mas não se apaga…

«Eu vou passando, pela grama verde, pela rua cheia de gente
pela dor que sou agora. Pelo amor que tenho..

talvez eu não sei…

[qua] 24 de maio de 2006

Eu talvez eu não sei, talvez não pude, não fui, não vi, não estou:
― que é isto? E em que Junho, em que madeira
cresci até agora, continuarei crescendo?

Não cresci, não cresci, segui morrendo?

Eu repeti nas portas
o som do mar,
dos sinos,
eu perguntei por mim, com encantamento
(com ansiedade mais tarde),
com chocalho, com água,
com doçura,
sempre chegava tarde.
Já estava longe minha anterioridade,
já não me respondia eu a mim mesmo,
eu me havia ido muitas vezes.

Eu fui à próxima casa,
à próxima mulher,
a todas as partes
a perguntar por mim, por ti, por todos
e onde eu estava já não estavam,
tudo estava vazio
porque simplesmente não era hoje,
era amanhã.

Porque buscar em vão
em cada porta em que não existiremos
porque não chegamos ainda?

Assim foi como soube
que eu era exatamente como tu
e como todo mundo…
[neruda]

xlix

[ter] 9 de maio de 2006

DOIS ROMPANTES DE PALAVRAS SOLTAS E UM SONETO DE NERUDA PARA ENCERRAR MEU PRIMEIRO DIA DE CASA NOVA.

A rã salta com suas asas de trigo – quero tua boca como o sopro que imprimo e prosa e verso e certo, como o jasmim e o hortelã que florescem ao sol e à chuva e aos dias – olhos teus, que divinal figura. O bobo por si traz o rir e fico. Na bruma da noite longa, no néctar rubro, na tua boca ébria, no meu juízo maldito, nos poemas de neruda…

A rã salta com suas patas e folhas… Sussurram, diante de meus olhos, os pensamentos que dizem qualquer coisa que não ao insanos desejos. Lamber a mão que toca meu cabelo, distrair-me em teus pêlos, e poréns, e teu corpo, exposto, como um pétala em outra pétala, em carne ferida, em êxtase… mulheres, todas as mulheres
[Desisti deste texto por ora…]

São belos e densos os sonetos que tocam-me o peito, os dentes, os olhos… E o leito, só, da noite longa, quando dia claro, noite longa, aquece-me e me busca como os olhos da moça do outro lado, como os dentes da fera que quer meu corpo, como o peito da virgem que delimito o ângulo e sonho sentir, como o ópio, como o leite, como o sonho espacial – de estrelas, sorrisos, vinho e canções…

E só me entrego aos lapsos de claridade. Aos inevitáveis olhares – únicos, móveis… sono. Uma morna letargia. um passional torpor, um grito alto e longe guardado para um depois…
São belos e azuis os sonetos… Tempestade de ruídos e silêncios.
[pela preguiça de levantar depois de uma noite de vinho]

É HOJE: todo o ontem foi caindo
entre dedos de luz e olhos de sonho,
amanhã chegará com passos verdes:
ninguém detém o rio da aurora.
Ninguém detém o rio de tuas mãos,
os olhos de teu sonho, bem amada,
és tremor do tempo que transcorre
entre luz vertical e sol sombrio

e o céu fecha sobre ti suas asas
levando-te e trazendo-te aos meus braços
com pontual, misteriosa cortesia:

por isto canto ao dia e à lua
ao mar, ao tempo, a todos os planetas,
a tua voz diurna e a tua pele noturna.

neruda, por carlos nejar in cem sonetos de amor

presente de carol. 🙂

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