Archive for the 'Lenine – Oswaldo Lenine Macedo Pimentel' Category

retroativo

[ter] 8 de novembro de 2016

Leia o poema de Adélia Prado

“Explicação de Poesia Sem Ninguém Pedir”.

“Um trem- de- ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.”

***

retroativo…

#umpoetaumpoemapordia #003

Lindolf Bell
(Timbó, 2 de novembro de 1938 – Blumenau, 10 de dezembro de 1998)

PROCURO A PALAVRA PALAVRA

Não é a palavra fácil
que procuro.
Nem a difícil sentença,
aquela da morte,
a da fértil e definitiva solitude.
A que antecede este caminho sempre de repente.
Onde me esgueiro, me soletro,
em fantasias de pássaro, homem, serpente.

Procuro a palavra fóssil.
A palavra antes da palavra.

Procuro a palavra palavra.
Esta que me antecede
E se antecede na aurora
De na origem do homem

Procuro desenhos
dentro da palavra.
Sonoros desenhos, tácteis,
Cheiros, desencantos e sombras.
Esquecidos traços. Laços.
Escritos, encantos re-escritos.
Na área dos atritos.

Dos detritos.
Em ritos ardidos da carne
e ritmos do verbo.
Em becos metafísicos sem saída.

Sinais, vendavais, silêncios.
Na palavra enigmam restos, rastos de animais,
Minerais da insensatez.
Distâncias, circunstâncias, soluços,
Desterro.

Palavras são seda, aço.
Cinza onde faço poemas, me refaço.

Uso raciocínio.
Procuro na razão.
Mas o que se revela, arcaico, pungente,
eterno e para sempre, vivo,
vem do buril do coração.

#umpoetaumpoemapordia #004
Oodgeroo Noonuccal
(3 November 1920 – 16 September 1993)

Aboriginal Charter Of Rights¹

We want hope, not racialism,
Brotherhood, not ostracism,
Black advance, not white ascendance:
Make us equals, not dependants.
We need help, not exploitation,
We want freedom, not frustration;
Not control, but self-reliance,
Independence, not compliance,
Not rebuff, but education,
Self-respect, not resignation.
Free us from a mean subjection,
From a bureaucrat Protection.
Let’s forget the old-time slavers:
Give us fellowship, not favours;
Encouragement, not prohibitions,
Homes, not settlements and missions.
We need love, not overlordship,
Grip of hand, not whip-hand wardship;
Opportunity that places
White and black on equal basis.
You dishearten, not defend us,
Circumscribe, who should befriend us.
Give us welcome, not aversion,
Give us choice, not cold coercion,
tatus, not discrimination,
Human rights, not segregation.
You the law, like Roman Pontius,
Make us proud, not colour-conscious;
Give the deal you still deny us,
Give goodwill, not bigot bias;
Give ambition, not prevention,
Confidence, not condescension;
Give incentive, not restriction,
Give us Christ, not crucifixion.
Though baptized and blessed and Bibled
We are still tabooed and libelled.
You devout Salvation-sellers,
Make us neighbours, not fringe-dwellers;
Make us mates, not poor relations,
Citizens, not serfs on stations.
Must we native Old Australians
In our land rank as aliens?
Banish bans and conquer caste,
Then we’ll win our own at last.

Nota 1: This poem was prepared for and presented to the 5th Annual General Meeting of the Federal Council for the Advancement of Aborigines and Torres Strait Islanders, held in Adelaide, Easter 1962.

more poems in http://www.poetrylibrary.edu.au/po…/noonuccal-oodgeroo/poems

#umpoetaumpoemapordia #005
Nico Fagundes
Antonio Augusto da Silva Fagundes (Alegrete, 4 de novembro de 1934 – Porto Alegre, 24 de junho de 2015)

Canto Alegretense

Não me perguntes onde fica o alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão
Pra quem chega de rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no rio Ibirapuitã

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduí

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduí

https://www.youtube.com/watch?v=S0IsJO61Tns

#umpoetaumpoemapordia #006
Ella Wheeler Wilcox
(Johnstown, Wisconsin, 5 de novembro de 1850 – 30 de outubro de 1919)

THE SPEECH OF SILENCE
The solemn Sea of Silence lies between us;
I know thou livest, and thou lovest me;
And yet I wish some white ship would come sailing
Across the ocean, bearing word from thee.

The dead-calm awes me with its awful stillness.
No anxious doubts or fears disturb my breast;
I only ask some little wave of language,
To stir this vast infinitude of rest.

I am oppressed with this great sense of loving;
So much I give, so much receive from thee,
Like subtle incense, rising from a censer,
So floats the fragrance of thy love round me.

All speech is poor, and written words unmeaning;
Yet such I ask, blown hither by some wind,
To give relief to this too perfect knowledge,
The Silence so impresses on my mind.

How poor the love that needeth word or message,
To banish doubt or nourish tenderness;
I ask them but to temper love’s convictions
The Silence all too fully doth express.

Too deep the language which the spirit utters;
Too vast the knowledge which my soul hath stirred.
Send some white ship across the Sea of Silence,
And interrupt its utterance with a word.

Poems of Passion by Ella Wheeler
Chicago : Belford, Clarke & Co, 1883.
http://www.ellawheelerwilcox.org/pindex.htm

#umpoetaumpoemapordia #007
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Porto, 6 de novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004)

Navegavam sem o mapa que faziam

(Atrás deixando conluios e conversas
Intrigas surdas de bordéis e paços)

Os homens sábios tinham concluído
Que só podia haver o já sabido:
Para a frente era só o inavegável
Sob o clamor de um sol inabitável

Indecifrada escrita de outros astros
No silêncio das zonas nebulosas
Trémula a bússola tacteava espaços

Depois surgiram as costas luminosas
Silêncios e palmares frescor ardente
E o brilho do visível frente a frente

[“As ilhas”, VI, Navegações]
https://www.youtube.com/watch?v=V4C5IiL1QxM
http://purl.pt/19841/1/galeria/indice-poemas.html

#umpoetaumpoemapordia #008
Cecília Meireles
(Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…

– mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…

– palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

– que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…

– e um dia me acabarei

http://www.escritas.org/pt/t/1727/timidez

#umpoetaumpoemapordia #009
Teófilo Dias (Caxias, 8 de novembro de 1854 — São Paulo, 29 de março de 1889)

Aspiração

No espaço, em cada ser, que um centro atraia e prenda,
Há sempre o despontar de uma asa, que o suspenda.
Ascender! Ascender! — dizem todas as cousas,
As estrelas nos céus, os vermes sobre as lousas.
É o hino, que tudo, em sôfregos suspiros,
Canta: — férvida a fonte, em sinuosos giros,
Sobre pedras quebrando o trépido carinho,
A ave, inquieta e meiga, em volta do seu ninho,
O ninho sob o ramo, o ramo sob as flores,
As flores no perfume, — e a gruta nos vapores
Que em frouxas espirais às amplidões alteia.
A vida não se esgota, e vai perpetuamente
Do esboço às perfeições, harmônica, ascendente.
O imóvel não existe. A floresta pompeia
O luxo exuberante, a gala festival,
A verdura febril, do mundo vegetal.
Fixo? Não. Ei-lo em flor; — e em êxtases secretos
Dispersa-se em aroma, e voa nos insetos.
Enfim, por toda parte há íntimos palpites,
Ímpetos de romper barreiras e limites.

Fatal gravitação tolha-me embora os pés.
Hei de também subir dos mundos através,
Hei de também transpor os tempos e os espaços,
Na esperança de além colher-te nos meus braços,
A ti, que és para mim a força ascensional,
Oh Glória! — A aspiração! O porvir! O ideal!

Publicado no livro Fanfarras (1882). Poema integrante da série Flores Funestas.

In: DIAS, Teófilo. Poesias escolhidas. Sel. introd. e notas Antonio Candido. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 196

http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/autores/?id=385

a linha fria do horizonte

[qua] 4 de novembro de 2015

2h44 depois de três dias sem fazer absolutamente nada. deixando o tempo se amontoar pelos papeis no chão, sobre a mesa, na pilha de roupa suja, no desarrumar da cama, na solidão diária das madrugadas sem dormir e dos dias dormidos que passam diretos… eu não fiz nada, nem sequer cogitei pensar – vegetei, da cama para tv para o pc para cama. e agora, ouvindo victor ramil e marcos suzano, e diante de mais uma madrugada acordado… já pressentindo aquela pressão que amanhã chegara com aquela angustia de sentir que falta tempo para fazer tudo que é preciso… eu anoto qualquer coisa aqui… porque do silêncio, em que vivi, e vivo, é necessário fazer um tempo e logo mais será preciso falar qualquer coisas que faça sentido… mas sabe, disso tudo… a constatação que oscilo, assustadoramente, entre crer na possibilidade de mudar o mundo, e, sobretudo, a mim mesmo… amar, lutar, resistir… e estes dias assim… que não creio em nada… e a gente pergunta: por que se vive? para quê? nestes dias o mundo é pesado demais que nem consigo respirar. meu silêncio vem dessa impotência.

e a poesia minha dessa era glacial, congela(-me)-se.

ouço victor ramil.

01 – Livro Aberto (00:00)
02 – Invento (04:58)
03 – Viajei (08:15)
04 – Que Horas Não São? (12:43)
05 – O Copo e a Tempestade (16:33)
06 – A Zero por Hora (18:41)
07 – 12 Segundos de Oscuridad (22:25)
08 – A Ilusão da Casa (25:43)
09 – Café da Manhã (29:58)
10 – A Word Is Dead (34:52)
11 – Astronauta Lírico (36:23)

14h36 Acordei as 10h… Não levantei. Esperei Izabel aparecer, levantei, fiz almoço… Almoçamos, eu e minha filha. Ela foi para escola e voltei para cama. As duas tomei coragem e levantei… Fiz meu mate e agora, relutante, tomo coragem para começar a preparar as aulas e materiais de hoje. Paulo falou que vem de visita, talvez hoje… Preciso limpar isto aqui… E essa chuva… E esses dias. E, veio um pensamento positivo… Em vários momentos, depois de dias assim de tédio, a escola me anima… É só sair, movimentar, andar, encontrar pessoas, trocar ideias… As coisas melhoram. E esse cinza não fica tão cinza assim. E agora um canção de Lenine para refletir sobre a vida:

Do alto da arrogância qualquer homem
Se imagina muito mais do que consegue ser
É que vendo lá de cima, ilusão que lhe domina
Diz que pode muito antes de querer
Querer não é questão, não justifica o fim
Pra quê complicação, é simples assim

Focado no seu mundo qualquer homem
Imagina muito menos do que pode ver
No escuro do seu quarto ignoro o céu lá fora
E fica claro que ele não quer perceber
Viver é uma questão de inicio, meio e fim
Pra quê a solidão, é simples assim

É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
É simples assim
E a vida continua surpreendentemente bela
Mesmo quando nada nos sorri
E a gente ainda insiste em ter alguma confiança
Num futuro que ainda está por vir
Viver é uma paixão do inicio, meio ao fim

Pra quê complicação, é simples assim
É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê a solidão, é simples assim
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê complicação, é simples assim

Compositor: Lenine, Dudu Falcão

16h05 … a vida bruxólica…

faca amolada

[qua] 30 de setembro de 2015

agora não pergunto mais aonde vai a estrada. / agora não espero mais aquela madrugada. / vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser, faca amolada. / o brilho cego de paixão e fé, faca amolda. / deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo. / deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo. / brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada. / irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada. / plantar o trigo e refazer o pão de cada dia. / beber o vinho e renascer na luz de todo dia. / a fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada. / deixar a luz brilhar no pão de cada dia. / deixar o seu amor crescer na luz de todo dia. / vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo.  / o brilho cego de paixão e fé, faca amolada. // Composição: Milton Nascimento / Ronaldo Bastos

Na interpretação de:

Milton Nascimento e Beto Guedes

Doces Bárbaros (Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil)

E agora a belíssima versão de Lenine ,que me fez anotar/escrever esta postagem:

***

e sobre o que vai cá dentro… estou exausto hoje… talvez o excesso de preocupações políticas, a sobrecarga de trabalho pedagógico, o dia de ontem com as marias… e eu não queria existir hoje.

talvez essa leve melancolia tenha alguma influência das músicas do angatu, «E encontro meu olhar perdido Sem saber pra onde olhar Procurando no horizonte Um caminho pra te achar»… e as memórias que as canções iluminam na escuridão que é o teu ser. talvez seja essa solidão.

e estou escrevendo um poema sobre o silêncio do homem. até agora nenhum linha dele conseguiu brotar… e honestamente não sei porque…

***

mas sentei e escrevi isto aqui [que está em desenvolvimento… com certeza voltarei a reescreve-lo. mas deixo para outra hora… agora tenho que preparar as minhas aula de hoje.]

exercício sobre o silêncio magmático

o homem quando salta
para dentro do corte
percebe que a leve pele
vermelha e negra envolve
o que à vista desarmada
é todo inteiro…

saca então,
que lá no fundo,
por dentro da carne viva,
o peito é feito
de cristais de vidro.

seus olhos contemplam
a aridez e o amargo
de ser como um rochedo
duro e triste,
que as lágrimas da chuva,
ora finas,
ora desatinadas,
vão lapidando,
dia pós dia…

e há milhares de anos
imóvel e incomunicável
segue ali exposto
memória do magma vivo
que no oxigênio do tempo
arrefeceu e restou monumento
onde se reza em silêncio.

certas coisas…

[seg] 20 de julho de 2015

sabe aqueles dias em que você acorda durante o estágio do sono em que sonhas e alguns fragmentos ficam pelo resto do dia, com uma clara impressão que aquilo é algo que real… você sabe que é apenas um sonho, mas a impressão… e foi assim,

hoje eu me despedia de alguém querido. e ficávamos bem, tudo seguia em paz… e, ontem, no sonho de ontem, eu estava perdido girando de bar em bar atrás de um abrigo que me devolvesse alguma identidade…
era apenas sonhos…

e agora na vitrola: «a vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim. cada voz que canta o amor não diz tudo que quer dizer… tudo que cala fala mais alto ao coração… silenciosamente eu te falo com paixão, eu te amo calado, como quem ouve a uma sinfonia de silêncio e de luz. nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som. tem certas coisas que eu não dizer… » na voz de lenine.

 

rolo de câmera (i don’t know why i didn’t come…)

[seg] 13 de julho de 2015

primeiro ponto. rádio ligado. todo se transforma… ‘cada uno da lo que recibe y luego recibe lo que da. nada es más simple, no hay otra norma. nada se pierde, todo se transforma’.  E é necessário fazer o inventário de a quanto anda as correções e avaliações, porque nesta ultima semana… passei aéreo.

segundo ponto. flickr online… acabei de subir as mais de sete mil fotos, poucas são minhas. mas ainda faltam aquelas 262 salvas em emails no gmail… já que as que ficaram pelos velhos hard disk estão perdidas para sempre [ps.: sou um especialista em quebrar coisas frágeis]. e toca na rádio… ‘um homem com uma dor, é muito mais elegante… caminha assim de lado como se chegando atrasado andasse mais adiante…

terceiro ponto. meus dedos, dos pés as mãos estão cheios de espinhos. tirei sábado e domingo para limpar o quintal… e espetar-me nos espinhos que cresciam em torno de mim. o mate esfria, já são quase duas horas e em menos de três horas tenho que partir rumo a escola. e agora toca: ‘please read the letter, i wrote it in my sleep with help and consultation from the angels of the deep… once I stood beside a well of many words… please read my letter and promise you’ll keep the secrets and the memories and cherish in the deep‘.

quarto ponto… o tempo voa. eu flutuo. é como se o mundo ali fora fosse numa velocidade e eu aqui neste andamento largo… esticando este tempo elástico… e as vezes percebo que falta tempo para as pessoas, e para outros projetos…. mas antes, ou depois, preciso voltar ao meu emprego, e trabalhar as questões pedagógicas e políticas. acordei pensando [ou pensando, acordei… ] que preciso de:

foco-4304

 

 

 

 

 

***

E a música de fundo: Simples Assim, Lenine e Dudu Falcão.

Do alto da arrogância qualquer homem
Se imagina muito mais do que consegue ser
É que vendo lá de cima, ilusão que lhe domina
Diz que pode muito antes de querer
Querer não é questão, não justifica o fim
Pra quê complicação, é simples assim

Focado no seu mundo qualquer homem
Imagina muito menos do que pode ver
No escuro do seu quarto ignoro o céu lá fora
E fica claro que ele não quer perceber
Viver é uma questão de inicio, meio e fim
Pra quê a solidão, é simples assim

É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
É simples assim
E a vida continua surpreendentemente bela
Mesmo quando nada nos sorri
E a gente ainda insiste em ter alguma confiança
Num futuro que ainda está por vir
Viver é uma paixão do inicio, meio ao fim

Pra quê complicação, é simples assim
É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê a solidão, é simples assim
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê complicação, é simples assim

***

e a música de abertura:

Pat Metheny – Don’t Know Why

 

pantograficamente

[qua] 8 de outubro de 2014

O poema não é meu. Ele é de uma Educadora em crise. Ele foi retirado de seu diário. Que encontrei nas derivações da leitura/pesquisa para aula de hoje sobre democracia, reforma política e eleições. Segue abaixo o poema:

Pantograficamente

Há pessoas que resumem sua vida ao emprego.
Há pessoas que resumem sua vida ao relacionamento.
Há pessoas que resumem sua vida ao time favorito.
Há pessoas que resumem sua vida a igreja que frequentam.
Há pessoas que resumem sua vida ao partido que seguem.

Ou seja,

Há pessoas que resumem a vida.
Há pessoas que se resumem, diante da vida,
Esse inteiro recheado de mistérios e multiplicidades.

***

A canção não é minha. Ela foi descoberta em algum momento desta nossa vida… É de Lenine. Ela, a canção, tem andado a rodar ininterruptamente, repetindo-se, durante este três últimos dias…

Todos Os Caminhos // Intérprete: Lenine // Compositor: Lenine – Dudu Falcão  // Eu já me perguntei / Se o tempo poderá / Realizar meus sonhos e desejos / Será que eu já não sei / Por onde procurar / Ou todos os caminhos dão no mesmo / E o certo é que eu não sei o que virá / Só posso te pedir que nunca / Se leve tão a sério, nunca / Se deixe levar, que a vida / É parte do mistério / É tanta coisa pra se desvendar / Por tudo que eu andei / E o tanto que faltar / Não dá pra se prever nem o futuro / O escuro que se vê / Quem sabe pode iluminar / Os corações perdidos sobre o muro / E o certo que eu não sei o que virá / Só posso te pedir que nunca / Se leve tão a sério, nunca / Se deixe levar que a vida / A nossa vida passa / E não há tempo pra desperdiçar.

 

***

a argumento não é meu. Ele foi lido de forma fragmentada entre tantas leituras…

O princípio da comunidade é “o mais bem colocado para instaurar uma dialética positiva com o pilar da emancipação” (Santos, 2000, p. 75). Duas são as dimensões fundamentais deste princípio: participação e solidariedade. Em função da colonização através do princípio científico, a participação ficou restrita a uma noção de esfera política entendida a partir da concepção hegemônica da democracia: a democracia representativa liberal. O welfare state foi o resultado da colonização do princípio da solidariedade.

A racionalidade estético-expressiva foi a que mais ficou fora do alcance da colonização. Assim como a colonização do prazer se deu através do controle das formas de lazer e dos tempos livres, o autor sustenta que:

“fora do alcance da colonização, manteve-se a irredutível individualidade intersubjetiva do homo ludens, capaz daquilo a que Barthes chamou jouissance, o prazer que resiste ao enclausuramento e difunde o jogo entre os seres humanos. Foi no campo da racionalidade estético-expressiva que o prazer, apesar de semi-enclausurado, se pode imaginar utopicamente mais do que semiliberto”(Santos, 2000, p. 76).

***

e o que se é… é dúbio, turvo, precário, estorvo… é um dedo sangrando pela batida na quina da parede na noite escura.

 

 

intuindo o til

[ter] 23 de setembro de 2014

“Os filósofos não brotam da terra como cogumelos, eles são os frutos da sua época, do seu povo, cujas energias mais subtis, mais preciosas e menos visíveis se exprimem nas ideias filosóficas. O espírito que constrói os sistemas no cérebro dos filósofos é o mesmo que constrói os caminhos-de-ferro com as mãos dos operários. A Filosofia não é exterior ao mundo (…)”. Karl Marx. Kölnische Zeitung

Não há um projeto. Apenas intuo. Ontem, na sala d@s professor@s, a professora me questiona sobre qual é o meu projeto, já que eu tenho algumas ideias que vão fazer com que os estudantes saiam da apatia e se apaixonem pela escola média – segundo o que foi falado noutro dia pela coordenação da escola, quando todo o professorado foi convidado a repensarem e proporem ideias e projetos afim de evitar a assustadora evasão e apatia da juventude na escola. Eu para ela: eu apenas intuo… há ideias, mas será que todos nós estaríamos disposto a sair da zona de conforto? como esperar algo diferente do que lhe damos… uma “motivação” dissimulada.

leituras do momento: ‘A escola e o conhecimento‘ de Mario Sergio Cortella; e ‘Escola Da Ponte – Formação E Transformação Da Educação‘ de José Pacheco. Quando setores tecnicista do mec encontram eco na presidenta sobre o recuo de disciplinas críticas [ou deveriam, mas nem sempre se realizam…] e ênfase no técnico e inovador… afinal é no técnico que se atingi as metas [e o que importa são as metas, nuas e cruas, lá no papel. E a gente percebe que ‘o buraco é muito mais embaixo’. E o mais assustador é perceber que o nível de todos é tão raso, que as poucas informações e reflexões que tens é ouro… A contradição: essas ferramentas que as pessoas não entendem para que servem são no fundo as únicas que podem permitir uma visão mais ampla sobre o cenário onde estamos todos nós inseridos.

tarefas atrasadas: leitura do caderno 2 e 3 do curso de formação para o fortalecimento do ensino médio. bem como exercício sobre os mesmos; e fichamento do livro didático ‘Sociologia em movimento’ para o curso do LEFIS.

desenvolvendo no momento em sala: finalizando redações/debate sobre democracia com os segundos anos, e iniciando o experimento: tema livre; finalizando trabalho sobre tecnologia e racionalidade em weber e desenvolvendo exercício avaliativo em grupo com os primeiros anos. reta final de bimestre… tudo como a acelerar… neste momentos a sensação de falta de tempo… de asfixia… de produtividade… argh…

e eu consigo passar uma manhã inteira enrolando-me. ócio infernal…

referência incidental: lenine.

e a trilha da tarde será… .

“tu, onça tu
eu, jacaré eu” Caetano Veloso.

inscrevi-me no vestibular – letras ptg. vamos ver…

 

lenine é um nome bonito…

[qua] 17 de setembro de 2014

“enquanto o tempo acelera e pede pressa / eu me recuso faço hora vou na valsa / a vida é tão rara”

caótico e precário não consigo fazer nem a nem b e me enrolo nesse novelo. a novela é que estou perdido, repleto de dúvidas e medos… e cegamente tateando esse mundo, sentindo a revolta no estômago, o pulsar tímido do peito, a vontade dar a volta e dizer adeus a esse mundo… enfim… mais um perdido perguntando-se se há ou se é necessário se achar. educo-me neste mundo caduco.

izabel aniversaria agora. ouço lenine agora.

«Em quais aspectos Marx supera e conserva a filosofia de Hegel, pensador que o influenciou decisivamente?
Gláucia Campregher
– A dialética marxiana é materialista, em oposição à dialética hegeliana, que é idealista. Em Hegel,  o mundo todo que existe só é bem pensado, bem compreendido, se capturado em sua verdade, o que significa ser capturado em sua concreticidade. Isso já confere alguma preocupação com a materialidade das idéias. Foi Hegel quem disse “o concreto é a síntese de muitas determinações”, frase que Marx gostava de citar. Mas é que todo esse trabalho de compreensão e síntese, todo o trabalho do pensamento, da ideia, da razão que pensa a si mesma, é que encanta Hegel, enquanto, para Marx, a compreensão pela compreensão não é nada. Daí ele acusar a filosofia de só ter pensado o mundo, quando o necessário era transformá-lo. O trabalho da ideia que compreende o mundo não é mais interessante para o Marx que todos os outros que fazem o mundo. Daí Marx sair da filosofia (como já tinha saído do direito) e passar à economia e à necessidade de compreender como, ao longo da história, os homens produziram sua vida material em sentido largo – todas as coisas e idéias!» LEIA MAIS AQUI

depois dos parabéns, das meninas irem para escola… e eu aqui tentando ler sobre as juventudes e a escola… ouvindo louis e ella… pensando na questão que a aluna me fez… e no presente de izabel.

e para construir uma cultura de paz é necessário ir a luta… contra esse mundo violento demais. não posso, nem devo, me contentar, “com a boca escancarada cheia de dentes[, ficar] esperando a morte chegar”.

«O Andarilho “Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a terra senão como andarilho – embora não como viajante em direção a um alvo último: pois este não há. Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade”. Humano Demasiado Humano – Nietzsche»

 

ninguém faz ideia de quem vem lá

[qui] 11 de setembro de 2014

as vezes eu me sinto jovem. ‘trocando uma ideia’ com os jovens, as vezes, penso que eles são alienígenas. ou sou eu?

mas há algumas ideias bacanas e papos que fluem: tatuagem é a vez. outro dia foi vida loka…

eles tiram algumas coisas da cartola que me fazem pensar…

***

“ninguém faz ideia de quem vem lá, de quem vem lá,
de quem vem lá…”

***“

“nós não somos os criadores de nossas idéias, mas apenas seus porta-vozes; são elas que nos dão forma (…)
e cada um de nós carrega a tocha que no fim do caminho outro levará.”
carl gustav jung.

a loja do tempo

[ter] 11 de março de 2014

chovia. perdi o dentista. não chove agora, mas o tempo vai fechado. a manhã voa. mate amargo e leitura matutina lista.

«[…] Logo que chegou a Cincinnati, vindo de Nova Harmonia, Warren iniciou sua primeira experiência, à qual deu o nome de Loja do Tempo. Nela,  [Josiah] Warren vendia mercadorias a precço de custo, solicitando aos clientes que o recompensassem pelo seu trabalho, com vales nos quais prometiam doar, trabalhando em seu próprio ofício, um tempo equivalente àquele que Warren gastara para servi-los. Por esse meio, Warren esperava levar seus clientes a aceitar a ideia da troca, baseada no trabalho, e recrutar adeptos dispostos a participar do seu projeto de criação de uma cadeia de cidade mutualistas. A Loja durou três anos, e Warren saiu da sua experiiência convencido de que seu plano poderia funcionar. […] Em 1834, Warren e um grupo de discípulos adquiriu uma extensão de terras no Estado de Ohio, criando a Vila Igualdade, integrada por meia dúzia de famílias que ali construíram suas casas e que operavam uma serraria em bases coletivas de troca de trabalho-por-trabalho. A estrutura hierárquica das comunidades owenista e fourieristas foi abandonada, em favor de um sistema de acordos mútuos. Foi esta a primeira comunidade anarquista surgida em qualquer país desde a aventura de Winstanley em St. George’s Hill, quase dois séculos antes. […] Na primavera de 1848, Warren escrevia: Durante o tempo que durou o nosso empreendimento, tudo foi conduzido em bases tão próximas ao individualismo, que nunca fizemos uma reunião para tratar da crianção de leis. Não havia organização, nenhum indefinido poder delegado, nenhuma ‘Constituição’, nem leis, nem decretos, nem regras ou regulamentos senão aquelas que o próprio indivíduo criava para seu uso ou para seus negócios. Não houve necessidade de recorrer a funcionários, sacerdotes ou profestas. Promovemos algumas reuniões, cujo único objetivo era manter uma conversa amigável, ouvir música, dançar, ou qualquer outra forma de agradável passatempo social. Não houve uma única palestra para discurtir os princípios que norteavam nossas ações. Não era preciso, pois (como observou ontem um senhora), “uma vez declarado e entendido, não há mais nada a dizer sobre o assunto. Depois disso, só nos resta agir”» [páginas 245-246-247] [Woodcock, George. História das ideias e movimentos anarquistas – v.2: tradução de Júlia Tettamanzy. – Porto Alegre: L&PM, 2008. 280 p.

e depois de olhar meu cabelo no espelho… brotam em mim aquelas palavras [que são sempre fragmentos de música que minha memória dispersa é incapaz de recordar a letra da canção por inteira – sou assim, fragmentos, digressões, coisas aleatórias] e saio a cata daquela voz do lenine na minha cuca cantando ‘medusa’ e chego cá… DOIS OLHOS NEGROS // Queria ter coragem de saber / O que me prende, o que me paralisa / Serão dois olhos negros como os seus / Que me farão cruzar a divisa / É como se eu fosse pro Vietnã / Lutar por algo que não será meu / A curiosidade de saber / Quem é você… / Dois Olhos Negros! (2x) / Queria ter coragem de te falar / Mas qual seria o idioma? / Congelado em meu próprio frio / Um pobre coração em chamas / É como se eu fosse um colegial / Diante da equação, o quadro giz / A curiosidade do aprendiz / Diante de Você… / Dois Olhos Negros! (2x) / O ocultismo, o vampirismo, o voodoo / O ritual, a dança da chuva / A ponta do alfinete, o corpo nú / Os vários olhos da Medusa / É como se estivéssemos ali / Durante os séculos fazendo amor / É como se a vida terminasse ali / No fim do corredor…

na busca um achado incidental… o «Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas» no jornal do porão. e redescubro o lamento de paulinho da viola. saudade deste belo rapaz.

e agora… agora… vou voltar a estudar, sistematizar e organizar o material das aulas de hoje. e é repeti-los na quarta e sexta.

ideias para mais tarde:

#1. organizar umas plaquinhas com o nome científico, nome popular e o nome carinhoso para cada árvore no quintal – desenvolver uma aula de botânica com as marias. [outro dia, não hoje]

#2. organizar as finanças… planejar como pagar minhas dívidas que chegam na casa dos dois mil reais. ‘tá tenso. hoje.

olho de peixe

[sáb] 21 de dezembro de 2013

meditando… meditando…  mediatando… sobre o que há no sótão.

acordei e senti um necessidade imperativa de anotar isso, mas o isso perdeu-se entre um lavar o rosto, escovar os dentes e o preparo do mate

o isso era mais ou menos isto cá: «a necessidade de confirmação/afirmação/reconhecimento (e uma pitada de vaidade) e ação de entrega/sincera, profunda (e diria até ingênua – pois toda entrega é total, sem ) ao vivido. sigo oscilando neste girar da moeda no ar e lá no final da história, quando tocar o solo, tornando-se húmus, saberemos se ela caiu de pé!».

***

Outros pontos na pauta:

Formatura/Ritos de Passagem: Quinta-feira teve formatura. Fui nome de turma. Entreguei diploma para aluna. Reencontrei velhos colegas do ensino fundamental e recebi parabéns de país e abraços fraternos dxs alunxs – tudo isto é muito bom, faz um bem danado. Eu entendo o ritual de passagem, e seus efeitos sociais-psico-biológicos, mas não posso deixar de anotar o quanto tudo isto me traz aquela velha sensação de sentir-se estranho, deslocado, nestes ambientes sociais… Festas e festividades são rituais estranhos, exóticos… Nada familiares. Não me sinto confortável.

E isto vale para toda festa (das de aniversários às de natal/réveillon/afins). Cara estranho.

Trilha de Fundo: Lenine em «In Cité» e «Acústivo MTV».

«Se na cabeça do homem tem um porão / Onde moram o instinto e a repressão / (diz aí) /O que é que tem no sótão? // permanentemente, preso ao presente / o homem na redoma de vidro / em raros instantes / de alívio e deleite / ele descobre o véu / que esconde o desconhecido, / o desconhecido / como uma tomada à distância / uma grande angular / é como se nunca estivesse existido dúvida, / existido dúvida/ evidentemente a mente é como um baú / o homem é quem decide / o que nele guardar / mas a razão prevalece, / impõe seus limites/ e ele se permite esquecer de se lembrar, / esquecer de lembrar //é como se passasse a vida inteira / eternizando a miragem / é como o capuz negro / que cega o falcão selvagem, / o falcão selvagem // Se na cabeça do homem tem um porão / onde moram o instinto e a repressão / (diz aí) / o que tem no sótão? //Lenine.»

Citações (surgidas no desenvolvimento deste texto, e que são interessante mesmo que  eu ainda não tenha lido Goethe e Woolf):

Sometimes our fate resembles a fruit tree in winter. Who would think that those branches would turn green again and blossom, but we hope it, we know it. — Johann Wolfgang von Goethe

“To whom can I expose the urgency of my own passion?” — Virginia Woolf, The Waves

o atirador…

[sex] 20 de dezembro de 2013

Atire a primeira
Atire a segunda, iaiá
Até descarregar o tambor
Até apagar a luz de ioiô
Até nunca mais,
já vingou.

Atirador, quando compra vingança alheia
Tem que ter veneno na veia
Tem que saber andar num chão de navalha
Atirador tarda mas não falha
Atirador não tem dó quando atira
Atirador é dublê da ira
Ele só sabe o nome, só viu o retrato
Alma sebosa é mais barato.

Atire a primeira
Atire a segunda iaiá
Até descarregar o tambor
Até apagar a luz de ioiô
Até nunca mais, já vingou

LENINE.

 

___________________________________________-

De ontem:

 

quem vem lá.

[seg] 17 de setembro de 2012

Preta…

Quem vem lá?

Dragão Azul

Sementes de Garapuvu.

Trabalho nos domingos e agora deu vontade de deixar tudo para lá… Amanhã dirá: é vontade assim de improviso.

E ninguém faz ideia.

Sou um bruxo (um tanto udo, barrig’e’barb

SEGUNDO TEMPO:

“Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.”

e vai chover o céu todo! ‘bora dormir que as cinco preciso estar de pé.

cerca del mar

[ter] 17 de janeiro de 2012
1. LUNA NEGRA /// Jorge Drexler // Quatro estrellas blancas sobre fondo negro es la Cruz del Sur / Quatro estrellas blancas sobre fondo negro es la Cruz del Sur / Una luna negra sobre fondo blanco es tu lunar y yo / No puedo ni mirar el cielo sin nombrarte, / No puedo ver anochecer sin recordarte // Tres Marías blancas van cruzando un cielo color carbón / Tres Marías blancas van cruzando un cielo color carbón / Tus ojos negros dieron en el blanco de mi corazón y yo // Tocando el cielo cada vez que te miraba, / tocando esta canción mientras te recordaba. // Ue le le, ue le la… // Vuela en el viento esta canción, / vuela cruzando la noche, cruzando camino de tu corazón // 2. CERCA DEL MAR /// Jorge Drexler // Cerca del mar, cerca del mar. (…) Cerca del mar, cerca del mar // Una vez se fueron hasta la playa, una noche antes de Carnaval, una vez se pasaron de la raya, todo el año para rememorar. // (El viento llevaba una guitarra lejos en la noche). // Cerca del mar, cerca del mar, / cerca del mar, cerca del mar. // Una sombra crece en el horizonte, una carpavuela en el temporal, los bañistas como pueden se esconden, cargan con lo que pudieron salvar. // (Ese mar no es agua y sal, es sangre verde y desbocada). // Cerca del mar, cerca del mar (…) /// 3. TU // Jorge Drexler // Onda de mar en que flota este blues, tu… / Toma este vals que no supe esconder, tu… / Tienes la culpa de este bolero que se ha adueñado de mí… / No he visto azul más azul que cuando miras tu… / Esta canción quiere estár donde estés tu… /  Y si es necesario la canto en inglés, you… / You are to blame for this bolero that has gone right to my head… / No he visto blue más azul que cuando miras tu… /// 4. ERA DE AMAR // Era una noche común, era en una mesa de bar, era Enero en aquel lugar, y ella me miro de un manera: agua de mar. // Era de fumar y reir, era de saber esperar, era de salir a buscar, no era una mirada cualquiera: era de amar. // Voy caminando por el fondo del mar, voy caminando por el fondo del mar. // Una gota puede tener todos los secretos del mar, todo lo que pueda contar, todo lo que vino después era de imaginar. // Voy caminando por el fondo del mar, voy caminando por el fondo del mar. /// 5. 730 DÍAS // Jorge Drexler // No hay rincón en esta casa que no te haga regresar. Cada grano de memoria, y la casa es un arenal. // Fuí a tus playas por el día y allí me quedé dos años. Fuí lamiendo tus heridas, fuiste dándome un remanso. // A la sombra de tu luna se acunó mi corazón, se borraron mis arrugas, mi casa se iluminó. // Germinaron mis canciónes de las que yo merecía, se paró el reloj de arena, 730 días. /// 6. GANAS DE TI // Jorge Drexler // Ven, cura esta pena, quítame estas ganas de ti. Ven, que está frío fuera y hace tanto calor aquí. // Te ví cruzar la calle y algo crujió dentro de mí… // Ven, que ya se hace tarde y este tren se está por ir. // Muy señora mía ten piedad de un simple mortal. // Ven, cura esta herida, este blues de incierto final. // Tu piel traerá perfumes, reflejos de estrella fugáz… // Ven, ya no lo dudes, no hará falta nada más. // Tan sólo: uuu nosotros dos… /// 7. ZAMBA DEL OLVIDO // Jorge Drexler // Olvídame, esta zamba te lo pide. Te pide mi corazón que no me olvides, que no me olvides // Deja el recuerdo caer como un fruto por su peso. Yo sé bien que no hay olvido que pueda más que tus besos. // Yo digo que el tiempo borra la huella de una mirada, mi zamba dice: no hay huella que dure más en el alma /// 8. UN LUGAR EN TU ALMOHADA // Jorge Drexler // Hazme un lugar en tu almohada, / Junto a tu pecho me calmaré.  / Hazme un lugar en tu almohada, / Para que duermas te cantaré. / Hazme un lugar en tu almohada, / Junto a tu pecho descansaré. / Hazme un lugar en tu almohada, / Para que duermas yo te cantaré. / Una canción de cuna, / Un valsecito de tacuarembó / Te ira llevando en una nube / Si no me duermo antes yo. / Hay un rincón de tu pelo / En el que yo me perfumaré. / Hay un rincón de tu pelo / Sobre la almohada esperándome. / Hay un rincón de tu pelo / En el que me perfumaré. / Hay un rincón de tu pelo / Sobre la almohada esperándome. / Una cascada azul / Como la sombra de un jacarandá. / Me iré acercando a tu mejilla / Para escucharte respirar. /// 9. LA LUNA DE ESPEJOS // Jorge Drexler // Mabel, dejó el bolso con unas amigas y salió a bailar, las luces violetas la protegían. / Mintió la edad cruzando la pista vacía, y lo abrazó, sonaban las lentas, lo permitían. / Y la música siguió, y la pista se llenó. / Giraba conversando con él. / Se habían visto alguna vez, un baile en el club de Salinas, los comentarios de rigor, y la mano en la espalda la sostenía. / Un mostrador de mesas de salón de clase. / La multitud. / La luna de espejos giraba en el aire. / Y la música ayudó, vio la pista oscurecer. / Su cuerpo recostándose en él. / Mabel dudó, pero no movió la mejilla, y besó también, fingiendo saber mientras aprendía. / Y la música cambió,  y la pista despertándose, y aquel perfume nuevo en la piel. /// 10. TU VOYEUR // Jorge Drexler // Cuando la noche pasea más allá de mi pretil / yo puedo ver para afuera sin que me veas a mí. / Yo puedo ver la luz,  yo puedo ver tu piel, yo puedo ver tu ropa caer. / Yo puedo adivinar  la nube de vapor  que tiene el aire a tu alrededor. / Yo tengo un vicio barato y antes que nada, legal, gozo del anonimato que me da la oscuridad. / Y no voy a interferir con tu respiración no voy a entrar en tu corazón, no te quiero tocar, no te puedo querer, yo te diré lo que quiero ser: tu voyeur. / Tu voyeur, tu voyeur, tu voyeur… / Ya me aprendí tus horarios y el orden de tu placard. Ya te crucé por el barrio, no pude más que recordar (mirándote al espejo, la toalla en el sofá, peinándote con tranquilidad sin sospechar que yo del otro lado de la calle estaba muriéndome). / Cuando la noche pasea más allá de mi pretil yo puedo ver para afuera sin que me veas a mí. Yo soy tu voyeur, tu voyeur, tu voyeur… /// 11. DOS COLORES: BLANCO Y NEGRO // Jorge Drexler // Nuestra primera intención era hacerlo en colores: Una acuarela que hablara de nuestros amores. / Un colibrí polícromo parado en el viento, una canción arcoiris durando en el tiempo. / El director de la banda silbando bajito pensaba azules y rojos para el valsecito. / Pero ustedes saben, señores, muy bien cómo es esto; no nos falló la intención, pero sí el presupuesto… // En blanco y negro esta canción / Quedó en blanco y negro con el corazón, / En blanco y negro, nieve y carbón, en blanco y negro, en technicolor, pero en blanco y negro… // Fuimos quitando primero de nuestra paleta una mirada turquesa de marco violeta. / Luego el carmín de las flores encima del piano, una caída de sol cuando empieza el verano. / Todo los tipos de verde de una enredadera… Ya ni quedaban colores Para las banderas. / Nuestra intención ya no fué más que un viejo recuerdo y esta canción al final se quedó en blanco y negro. / En blanco y negro esta canción / Quedó en blanco y negro con el corazón, en blanco y negro, nieve y carbón, en blanco y negro, en technicolor, pero en blanco y negro.. ///
***
o mate acabou agora. a chuva passou não faz muito.
o branco e o cinza estão por ai, mas tudo quedou-se verde então.
e tuas palavras me aqueceram,
iluminam-me…
acendem assim esse todo a arder-te
[desta vida.
nos aguardo
(nos tendo)
cá nesta vida…

O QUE É BONITO? // Lenine // O que é bonito / É o que persegue o infinito / Mas eu não sou / Eu não sou, não… / Eu gosto é do inacabado / O imperfeito, o estragado que dançou / O que dançou… / Eu quero mais erosão / Menos granito / Namorar o zero e o não / Escrever tudo o que desprezo / E desprezar tudo o que acredito / Eu não quero a gravação, não / Eu quero o grito / Que a gente vai, a gente vai / E fica a obra / Mas eu persigo o que falta / Não o que sobra / Eu quero tudo / Que dá e passa / Quero tudo que se despe / Se despede e despedaça / O que é bonito…

illusiones ópticas

[seg] 19 de setembro de 2011

insistimos nestes olhares que não percebem que a vida não é linear, progressiva… ou que nem sempre melhora.

porque a vida é qualquer coisa assim:

«Precário, provisório, perecível; Falível, transitório, transitivo; Efêmero, fugaz e passageiro; Impuro, imperfeito, impermanente; Incerto, incompleto, inconstante; Instável, variável, defectivo;»

«E apesar… Do tráfico, do tráfego equívoco; Do tóxico, do trânsito nocivo; Da droga, do indigesto digestivo; Do câncer vil, do servo e do servil; Da mente o mal doente coletivo; Do sangue o mal do soro positivo; E apesar dessas e outras… O vivo afirma firme afirmativo O que mais vale a pena é estar vivo! É estar vivo»

«Não feito, não perfeito, não completo; Não satisfeito nunca, não contente; Não acabado, não definitivo; Eis aqui um vivo, eis-me aqui.» Lenine

VIVO.

ps: referência incidental:

uma linha que separa o mundo

[qua] 27 de abril de 2011

E deu erro aqui: o quer era certo há poucos dias virou e não há nada certo e aquele vazio por não ter nada para por no lugar. mas isto logo passa e planos e projetos virão. sentir-se uma bosta é tão mais comum e mais cotidiano do que eu queria admitir, mas até aí há um aprendizado. nada se perdeu, apenas a página virou e é preciso começar a ler esse novo capítulo. Agora vou trabalhar. ‘té.

Tienen miedo del amor y no saber amar / Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz / Tienen miedo de pedir y miedo de callar / Miedo que da miedo del miedo que da // Tienen miedo de subir y miedo de bajar / Tienen miedo de la noche y miedo del azul / Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar / Miedo que da miedo del miedo que da // El miedo es una sombra que el temor no esquiva / El miedo es una trampa que atrapó al amor / El miedo es la palanca que apagó la vida / El miedo es una grieta que agrandó el dolor // Tenho medo de gente e de solidão / Tenho medo da vida e medo de morrer / Tenho medo de ficar e medo de escapulir / Medo que dá medo do medo que dá // Tenho medo de acender e medo de apagar / Tenho medo de esperar e medo de partir / Tenho medo de correr e medo de cair / Medo que dá medo do medo que dá // O medo é uma linha que separa o mundo / O medo é uma casa aonde ninguém vai / O medo é como um laço que se aperta em nós / O medo é uma força que não me deixa andar // Tienen miedo de reir y miedo de llorar / Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser / Tienen miedo de decir y miedo de escuchar / Miedo que da miedo del miedo que da // Tenho medo de parar e medo de avançar / Tenho medo de amarrar e medo de quebrar / Tenho medo de exigir e medo de deixar / Medo que dá medo do medo que dá // O medo é uma sombra que o temor não desvia / O medo é uma armadilha que pegou o amor / O medo é uma chave, que apagou a vida / O medo é uma brecha que fez crescer a dor // El miedo es una raya que separa el mundo / El miedo es una casa donde nadie va / El miedo es como un lazo que se apierta en nudo / El miedo es una fuerza que me impide andar // Medo de olhar no fundo / Medo de dobrar a esquina  / Medo de ficar no escuro / De passar em branco, de cruzar a linha / Medo de se achar sozinho / De perder a rédea, a pose e o prumo / Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo // Medo estampado na cara ou escondido no porão / O medo circulando nas veias / Ou em rota de colisão / O medo é do Deus ou do demo / É ordem ou é confusão / O medo é medonho, o medo domina / O medo é a medida da indecisão // Medo de fechar a cara / Medo de encarar / Medo de calar a boca / Medo de escutar / Medo de passar a perna / Medo de cair / Medo de fazer de conta / Medo de dormir / Medo de se arrepender / Medo de deixar por fazer / Medo de se amargurar pelo que não se fez / Medo de perder a vez // Medo de fugir da raia na hora H / Medo de morrer na praia depois de beber o mar / Medo… que dá medo do medo que dá / Medo… que dá medo do medo que dá /// MIEDO / Pedro Guerra / Lenine/ Robney Assis

hoje eu quero sair só

[sex] 11 de março de 2011

hoje acordei com uma clara e firme decisão… hoje eu quero sair só. hoje o tempo, se é que há tempo, é meu. e todo e qualquer imprevisto – já que de certa forma tudo será um impr[o/e]vis[t]o – será meu porque lá estarei pleno ou seja lá o que isto for… em meus milhões de fragmentos.

01. O ATIRADOR. 02. HOJE EU QUERO SAIR SÓ. 03. A REDE. 04. PACIÊNCIA. 05. O ÚLTIMO PÔR DO SOL. 06. O HOMEM DOS OLHOS DE RAIO X. 07. LÁ E CÁ. 08. A MEDIDA DA PAIXÃO. 09. TUDO POR ACASO. 10. MIEDO. 11. SANTANA. 12. A PONTE. 13. DOIS OLHOS NEGROS. 14. JACK SOUL BRASILEIRO. LENINE ACÚSTICO mtv.

eis aqui um vivo…

[qua] 22 de dezembro de 2010

e porque penso tanto assim. e como posso ficar besta e emudecer,  também, tanto assim diante de ti. e mais… o que faço aqui parado escrevendo isto e não ai. junto. te chamo logo mais e seremos por ai nesta mistura de um pouco de picasso, lenine, nós. talvez eu te encha o saco, talvez não. talvez eu te conquiste, talvez não. talvez seja este teu ir e vir, aparentemente sem medo e sem pudor, que me rapta à sua orbita e nos consome… e talvez, também, esta tua capacidade de adormecer em meus braços que desfaz toda e qualquer defesa armada que eu levante diante de todo e qualquer sentimento de entrega… e assim, nú, nos quero. e aos pouco vou me despindo… e sendo:

Precário, provisório, perecível; / Falível, transitório, transitivo; / Efêmero, fugaz e passageiro / Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo! // Impuro, imperfeito, impermanente; / Incerto, incompleto, inconstante; / Instável, variável, defectivo / Eis aqui um vivo, eis aqui… // E apesar… // Do tráfico, do tráfego equívoco; / Do tóxico, do trânsito nocivo; / Da droga, do indigesto digestivo;  / Do câncer vil, do servo e do servil; // Da mente o mal doente coletivo; / Do sangue o mal do soro positivo; / E apesar dessas e outras… / O vivo afirma firme afirmativo // O que mais vale a pena é estar vivo! / É estar vivo / Vivo / É estar vivo // Não feito, não perfeito, não completo; / Não satisfeito nunca, não contente; / Não acabado, não definitivo / Eis aqui um vivo, eis-me aqui. //// VIVO / LENINE e CARLOS RENNÓ

em pleno verão

[sex] 3 de dezembro de 2010

hoje. sentindo-me. fazendo arte e estando. enviei minha parte para o zine. faltam tão poucas linhas para a minha conclusão da licenciatura. e certas experiências do dia-a-dia são intraduzíveis. o perfume da dama da noite. a sinfonia de mil sapos coachando em noite de primavera. um fim de tarde em sambaqui. uma tarde inteira no bosque do cfh, em boas, sonoras e poéticas companhias. as sutilezas de todos os flertes. o jogo dos cães. e a mais honesta das entrega entre dois estranhos: eu e um cão qualquer, destes do cfh. as horas tentando entender a fala de um joão de barro. o debate sobre um texto de illich. o papo no ru. o abraço nos amigos…

quarta-feira, e quinta-feira. um mergulho na casa, na sua arrumação. e um disco de elis. em pleno verão [1970]. e muito caetano, chico, bethânia, gal, lenine, lupicínio

Elis Regina – Em Pleno Verão (1970)

1. Vou deitar e rolar // Não venha querer se consolar / Que agora não dá mais pé / Nem nunca mais vai dar / Também, quem mandou se levantar? / Quem levantou pra sair / Perde o lugar // E agora, cadê teu novo amor? / Cadê, que ele nunca funcionou? / Cadê, que ele nada resolveu? // Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu / Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu // Ainda sou mais eu // Você já entrou na de voltar / Agora fica na tua / Que é melhor ficar / Porque vai ser fogo me aturar / Quem cai na chuva / Só tem que se molhar // E agora cadê, cadê você? / Cadê que eu não vejo mais, cadê? / Pois é, quem te viu e quem te vê // Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu / Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu / Todo mundo se admira da mancada que a / Terezinha deu / Que deu no pira / E ficou sem nada ter de seu / Ela não quis levar fé / Na virada da maré // Breque // Mas que malandro sou eu / Pra ficar dando colher de chá / Se eu não tiver colher? / Vou deitar e rolar // Você já entrou na de voltar / Agora fica na tua / Que é melhor ficar / Porque vai ser fogo me aturar / Quem cai na chuva / Só tem que se molhar // E agora cadê, cadê você? / Cadê que eu não vejo mais, cadê? / Pois é, quem te viu e quem te vê // Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu / Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu // O vento que venta aqui / É o mesmo que venta lá / E volta pro mandingueiro / A mandinga de quem mandingar // Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu / Quaquaraquaquá, quem riu? / Quaquaraquaquá, fui eu /// Baden Powell e Paulo César Pinheiro //// 2. Bicho do mato // Bicho do mato / Nego teve aí / Bicho do mato / Devagar pra não cair / Bicho do mato / Bicho bonito danado / Bicho do mato / Nego teve aí / E disse assim: / Bicho do mato / Quero você para mim / Eu só vou embora / Mas eu só ponho o meu boné / Onde eu posso apanhar / Devagar se vai ao longe / Devagar eu chego lá / Bicho do mato / Nego teve aí / Bicho do mato / Devagar pra não cair // Jorge Ben Jor //// 3. Verão vermelho [instrumental] //// 4. Até aí morreu Neves // Pa, pa, pa, ra pa pa pa pa pa ra pa pa pa ra / Se segura malandro pois malandro que é malandro / Não se estoura / Se segura malandro / Pois um dia há de chegar a sua hora / Vai cantar vai brincar sem fantasia / Você vai chorar de alegria pois ela vai voltar / Pra alegrar o seu coração / Malandro que é malandro não se estoura não / Pa pa pa ra pa pa pa pa pa ra pa pa pa ra / Pois um dia há de chegar a sua hora / Vai cantar vai brincar sem fantasia / Você vai chorar de alegria pois ela vai voltar / Prá alegrar o seu coração / Malandro que é malandro não se estoura não / Porque até aí morreu Neves, até aí morreu / Neves até aí morreu Neves / Até aí morreu Neves / Devagar malandro devagar cuidado / Afobado come crú devagar se vai ao longe / Devagar se vai ao longe devagar também é pressa / Afobado come crú / Devagar se vai ao longe // Jorge Ben //// 5. Frevo // Vem / Vamos dançar ao sol / Vem / Que a banda vai passar / Vem / Ouvir o toque dos clarins / Anunciando o carnaval / E vão brilhando os seus metais / Por entre cores mil / Verde mar, céu de anil / Nunca se viu tanta beleza / Ai, meu Deus / Que lindo o meu Brasil // Tom Jobim e Vinicius de Moraes //// 6. As curvas da estrada de Santos // Se você pretende saber quem eu sou / Eu posso lhe dizer / Entre no meu carro e na estrada de santos / Você vai me conhecer, “é vai me conhecer” / Vai pensar até que eu não gosto nem mesmo de mim // E que na minha idade só a velocidade / Anda junto a mim / Eu só ando sozinho / E no meu caminho o tempo é cada vez menor / A eu Preciso de ajuda // Por favor me acuda, eu preciso de ajuda / Eu vivo muito só, eu me sinto muito só… / Mais se acaso numa curva eu me lembro do meu rumo / eu piso mas fundo, corrijo num segundo não posso parar // Eu prefiro as curvas, as curvas da estrada de santos / Onde eu tento esquecer / Um amor que eu tive / E vi pelo espelho na distância se perder // Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar / As curvas se acabam / E na estrada de santos eu não vou mais passar / Não, não eu não vou mais passar // Roberto Carlos e Erasmo Carlos //// 7. Fechado pra balanço // Tô fechado pra balanço / Meu saldo deve ser bom / Tô fechado pra balanço / Meu saldo deve ser bom / Deve ser bom // Um samba de roda, um coco / Um xaxado bem guardado / E mais algum trocado / Se tiver gingado, eu tô, eu tô / Eu tô de corpo fechado, eu tô, eu tô // Eu tô fechado pra balanço / Meu saldo deve ser bom / Tô fechado pra balanço / Meu saldo deve ser bom / Deve ser bom // Um pouco da minha grana / Gasto em saudade baiana / Ponho sempre por semana / Cinco cartas no correio // Gasto sola de sapato / Mas aqui custa barato / Cada sola de sapato / Custa um samba, um samba e meio // E o resto? // O resto não dá despesa / Viver não me custa nada / Viver só me custa a vida / A minha vida contada // Gilberto Gil //// 8. Não tenha medo // Tenha medo não, tenha medo não, tenha medo não. / Nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo. / Nem um não, nem um sinal, nem um ladrão, nem uma escuridão, nada é pior do que tudo que você já tem no seu coração mudo… / Tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo. / Nem um cão, nem um dragão, nem um avião, nenhuma assombração. / Nada é pior do que tudo que você já tem no seu coração mudo… / Tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não. / Nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo. / Nem um chão, nem um porão, nem uma prisão, nem uma solidão… / Nada é pior do que tudo que você já tem no seu coração mudo… / Tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo… / Não tenha medo não, tenha medo não, tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo… / Não tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo… // Caetano Veloso //// 9. These are the songs / Participação: Tim Maia // These are the songs / I want to sing / These are the songs / I want to play / I will sing it every day / These are the songs / I want to sing and play // Essa é a canção que eu vou ouvir / Essa é a canção que eu vou cantar / Fala de você, meu bem / E do nosso amor, também / Sei que você vai gostar // Tim Maia //// 10. Comunicação // Sigo o anúncio e vejo / Em forma de desejo o sabonete / Em forma de sorvete acordo e durmo / Na televisão / Creme dental, saúde, vivo num sorriso o paraíso / Quase que jogado, impulsionado no comercial / Só tomava chá / Quase que forçado vou tomar café / Ligo o aparelho vejo o Rei Pelé / Vamos então repetir o gol / E na rua sou mais um cosmonauta patrocinador / Chego atrasado, perco o meu amor / Mais um anúncio sensacional / Ponho um aditivo dentro da panela, a gasolina / Passo na janela, na cozinha tem mais um fogão / Tocam a campainha, mais uma pesquisa e eu respondo / que enlouquecendo já sou fã do comercial // Edson Alencar e Hélio Matheus //// 11. Copacabana velha de guerra // Nós estamos por aí sem medo, / nós sem medo estamos por aí. / Nós estamos por aí sem medo, nós sem medo estamos por aí… / Qualquer sorte me espera, e a tarde talvez vai me mostrar. / Presiventos na janela e as praças do mundo a me chamar. / Sou mais um na multidão, nas vitrines dos magazans, procurando uma camisa da cor do mar. / Mão no bolso riso lendo e a tarde passando devagar. / Não me encontro na vitrine, não ligo é dificil me encontrar. / Sou só eu na multidão, e eu queria me ver passar / desfilando com a camisa da cor do mar… / Olha eu lá… / Nós estamos por aí sem medo, nós sem medo estamos por aí. / Nós estamos por aí sem medo,nós sem medo estamos por aí… / Qualquer sorte me espera e a tarde talvez vai me mostrar, presiventos na janela e as praças do mundo a me chamar. / Sou mais um na multidão, nas vitrines dos magazans, procurando uma camisa da cor do mar. / Mão no bolso riso lento e a tarde passando devagar, nao me encontro na vitrine, nao ligo é dificil me encontrar, sou só eu na multidão e eu queria me ver passar desfilando com a camisa da cor do mar… Olha eu lá… // Joyce e Sérgio Flaksman ////

azul gauguin

[sáb] 2 de outubro de 2010
isto é ficção. [edição de fragmentos. pintura]
13:50. cena um. chuva.  próximos ao mar. próximos a amar. um casal e o narrador-personagem. ao longe. ou perto, dentro de um close-up. ‘cê foi pega em flagrante. olhavas o quê? e o olhar era como uma gota lançada ao ar, quase espuma, sabe?! mas para ele devia fazer sentido, algum sentido. riam-se. é, para mim, porção indeterminada de vento era apenas espuma. ou gota fadada a morte. a ser mar. volto. eles se desprenderam de mim. errei.

14:02. cena dois. bar. dia frio. janelas, com vista ao mar. distantes. um casal e o narrador-personagem. perto. quase esbarrando, na mesma cena. vocês não conversaram. os olhos frente a frente fugiam. esquivavam-se mutuamente. tu era uma flor roxa… qual? penso… me falta… um botânico te decifraria. tu vai embora, enquanto prendo-me no movimento dos teus pelos soltos no ar, que delimitam o movimento do corpo e um desejo, que é no fundo uma falta.

em alguma hora da tarde. cena três. praia. silêncio. apenas “ouça barulho bravio das ondas que batem na beira do mar”. um homem caminha. alternado por uma praia vazia. transcorri pela praia como uma onda que insiste em partir-se na beira do mar. no fundo, insisto nisto. nesta poesia de partida e encontro.

15:08. cena quatro. sozinho. insisto. papel. bar. mesa. insisto e as palavras não vem. insisto. insisto. esqueço. é o mar azul.

segunda-feira. que virá. cena cinco. tarde. chuva. um barco, pequeno, parte para pesca, some no branco indeterminado do mar.

referências incidentais:
Aunque me llames / Aunque vayamos al cine / Aunque reclames / Aunque ese amor no camine / Aunque eran planes y hoy yo lo siento
Si casi nada quedó / Fue sólo um cuento / Fue nuestra historia de amor / Y no te voy a decir si fue lo mejor / Pues / Sólo quiero saber lo que puede dar cierto / No tengo tiempo a perder //
Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia donde voy.

… Desde tu corazón me dice adiós un niño.
y yo le digo adiós.

// Go Back / Composição de Sérgio Britto e Torquato Neto / Trecho do poema ‘farewell’ de Pablo Neruda.

Paul GAUGUIN, “In The Waves”, 1889

o dia em que faremos contato?!

[dom] 6 de setembro de 2009

# 1. A Ponte [ Como é que faz pra lavar a roupa? / Vai na fonte, vai na fonte / Como é que faz pra raiar o dia? / No horizonte, no horizonte / Este lugar é uma maravilha // … / A ponte não é de concreto, não é de ferroNão é de cimentoA ponte é até onde vai o meu pensamento /A ponte não é para ir nem pra voltar // … / A ponte é o abraço do braço do mar / Com a mão da maré / A ponte não é para ir nem pra voltar / A ponte é somente pra atravessar / Caminhar sobre as águas desse momento // Nagô, nagô, na Golden Gate / Entreguei-te / Meu peito jorrando meu leite / Mas no retrato-postal fiz um bilhete / No primeiro avião mandei-te / Coração dilacerado / De lá pra cá sem pernoite /De passaporte rasgado / Sem ter nada que me ajeite /Coqueiros varam varandas no Empire State /Aceite / Minha canção hemisférica /A minha voz na voz da América / Cantei-te… / LENINE, LULA QUEIROGA ]  # 2. Hoje Eu Quero Sair Só [Se você quer me seguir, Não é seguro / Você não quer me trancar, num quarto escuro /Às vezes parece até, Que a gente deu um nó / Hoje eu quero sair só // Você não vai me acertar, À queima-roupa / Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca / Às vezes parece até que a gente deu um nó / Hoje eu quero sair só / Não demora eu ‘tô de volta… //  Vai ver se eu ‘tô lá na esquina, devo estar…  / Já deu minha hora e eu não posso ficar… / A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… /A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua // … / Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca / Às vezes parece até que a gente deu um nó / Hoje eu quero sair só / Não demora eu ‘tô de volta… // …  /A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua…  /A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… // Vai ver se eu ‘tô lá na esquina, devo estar…  / Já deu minha hora e eu não posso ficar… / A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… /A lua me chama, chama // Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só // A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua…/A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua… / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só / Hoje eu quero sair só… /LENINE, MU CHEBABI, CAXA ARAGÃO] # 3. Candeeiro Encantado [Lá no sertão cabra macho não ajoelha, /nem faz parelha com quem é de traição, / puxa o facão, risca o chão que sai centelha, / porque tem vez que só mesmo a lei do cão. // è lamp, é lamp, é lamp… / é lampião // Meu candeeiro encantado… // Enquanto a faca não sai toda vermelha, /a cabroeira não dá sossego não, / revira bucho, estripa corno, corta orelha, / quem nem já fez Virgulino, o capitão. // é lamp… // já foi-se o tempo do fuzil papo amarelo, /pra se bater com o poder lá do sertão, /mas lampião disse que contra o  flagelo, / tem que lutar de parabelo na mão. //é lamp… // falta o cristão aprender com São Francisco, / falta tratar /o nordeste com o sul, /falta outra vez /lampião, trovão, corisco, /falta feijão / invés de mandacaru, falei? / falta a nação / acender seu candeeiro, / faltam chegar /mais gonzagas lá de Exú /falta o Brasil / de Jackson do pandeiro, / maculêlê, carimbó, / maracatu. /LENINE, PAULO CÉSAR PINHEIRO # 4. Etnia Caduca [É o camaleão diante do arco-íris /Lambusando de cores nos olhos da multidão / É como um caldeirão misturando ritmos e raças /É a missa da miscigenação // Um mameluco maluco /Um mulato muito louco / Moreno com cafuso / Sarará com caboclo // Um preto no branco / E um sorriso amarelo banguelo (bis) //  Galego com crioulo / Nissei com pixaim / Coriboca com loiro /Caburé com Curumim // É o camaleão e as  cores do arco-íris / Na maior muvuca /Ô… Etnia caduca /LENINE] # 5. Distantes Demais [Somos somente a fotografia / Dois navegantes perdidos do cais / Distantes demais // Somos instantes, palavras, poesia / Dois delirantes ficando reais // Distantes demais // Noite de sol / Loucos de amar / Quem poderia nos alcançar // Eu e você sem perceber / Fomos ficando iguais / Longe, distantes demais /LENINE, DUDU FALCÃO] # 6. O Dia Em Que Faremos Contato [A nave quando desceu, desceu no morro / Ficou da Meia-noite ao Meio-dia /Saiu, deixou uma gente / Tão igual e diferente / Falava e todo mundo entendia // Os Homens se perguntaram / Por que não desembarcaram / em São Paulo. Em Brasília ou em Natal / Vieram pedir socorro / Pois quem mora lá no morro / Vive perto do espaço sideral // Pois em toda via láctea / Não existe um só planeta / Igual a esse daqui / A galáxia ‘tá em guerra / Paz só existe na terra / A paz começou aqui // Sete Artes e dez mandamentos / Só tem aqui / Cinco sentidos, terra, mar firmamento /Só tem aqui /Essa coisa de riso e de festa / Só tem aqui / Baticum, Ziriguidum, Dois Mil e Um!! / Só tem aqui // A Nave Estremeceu, subiu de novo / Deixou um rastro de luz, ao meio-dia / Entrou de volta nas trevas, foi buscar futuras Léguas / Pra Conhecer o amor e a Alegria //A nave quando desceu, desceu no morro / Cheia de ET vestido de orixá /Vieram pedir socorro / E se deram vez ao morro / Todo o universo vai sambar… / Ô, vai sambar… / LENINE, BRAÚLIO TAVARES] # 7. A Balada Do Cachorro Louco [Eu não alimento nada duvidoso / Eu não dou de comer a cachorro raivoso / Eu não morro de raiva / Eu não mordo no nervo dormente // Eu posso até não achar o seu coração / E talvez esquecer o porquê da missão / Que me faz nessa hora aqui presente / E se a minha balada na hora H / Atirar para o alvo cegamente / Ela é pontiaguda / Ela tem direção / Ela fere rente / Ela é surda, ela é muda / A minha bala, ela fere rente // Eu não alimento nenhuma ilusão / Eu não sou como o meu semelhante / Eu não quero entender / Não preciso entender sua mente / Sou somente uma alma em tentação / Em rota de colisão / Deslocada, estranha e aqui presente // E se a minha balada na hora então / Errar o alvo na minha frente / Ela é cega, ela é burra / Ela é explosão / Ela fere rente / Ela vai, ela fica / A minha bala ela fere rente / LENINE, LULA QUEIROGA, CHICO NEVES] # 8. Aboio Avoado [Era um delírio danado / De queimar as pestanas dos olhos. / Um tremor batendo no peito / E esse adeus, que tem gosto de terra. //Ah! Meu amor! / Não se entregue sem mim / Ah! Meu amor! / Eu só quero avoar. / ZÉ ROCHA] # 9. Dois Olhos Negros [Queria ter coragem de saber / O que me prende, o que me paralisa / Serão dois olhos negros como os teus / Que me farão cruzar a divisa // É como se eu fosse pro Vietnã / Lutar por algo que não será meu / A curiosidade de saber / Quem é você… // Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! // Queria ter coragem de te falar / Mas qual seria o idioma? / Congelado em meu próprio frio / Um pobre coração em chamas // É como se eu fosse um colegial / Diante da equação, o quadro giz /A curiosidade do aprendiz / Diante de Você… // Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! / Dois Olhos Negros! // O ocultismo, o vampirismo e o voodoo / O ritual, a dança da chuva / A ponta do alfinete, o corpo nú / Os vários olhos da Medusa // É como se estivéssemos ali / Durante séculos fazendo amor / É como se a vida terminasse aqui / No fim do corredor… /LULA QUEIROGA] # 10. O Marco Marciano [Pelos auto-falantes do universo / Vou louvar-vos aqui na minha loa / Um trabalho que fiz noutro planeta / Onde nave flutua e disco voa: / Fiz meu marco no solo marciano / Num deserto vermelho sem garoa // Este marco que eu fiz é fortaleza. / E levando ao quadrado Gibraltar! / Torreão, levadiça, raio-laser / E um sistema internet de radar: / Não tem sonda nem nave tripulada / Que consiga descer nem decolar. // Construi o meu marco na certeza / Que ninguém, cibernético ou humano. / Poderia romper as minhas guardas / Nem achar qualquer falha no meu plano / Ficam todos em Fobos ou em Deimos / Contemplando o meu marco marciano // O meu marco tem rosto de pessoa / Tem ruínas de ruas e cidades / Tem muralhas, pirâmides e restos / De culturas, demônios, divindades: / A história de Marte soterrada / Pelo efêmero pó das tempestades // Construi o meu marco gigantesco / Num planalto cercado por montanhas / Precipícios gelados e falésias / Projetando no ar formas estranhas / Como os muros Ciclópicos de Tebas / E as fatais cordilheiras da Espanha // Bem na praça central um monumento / Embeleza meu marco marciano: / Um granito em enigma recortado / Pelos rudes martelos de Vulcano: / Uma esfinge em perfil contra o poente / Guardiã imortal do meu do meu Arcano / LENINE, BRAÚLIO TAVARES] # 11. Que Baque É Esse? [Ô Nega, que baque é esse? / Chegou pra me baquear. / Nega, tu não se avexe, / Meu corpo remexe / Sem se perguntar: Por quê? // Nega que baque é esse? / Ninguém pode me ajudar / Só mesmo com você / Quero ver o baque da vida virar. // O verão chegou, / O Sol já saiu / Pra tirar teu mofo / E o maracatu passou / Já com o bombo batendo fofo. / Só quem vai atrás / É capaz de entender / Toda essa magia / A nega dançando, / E a negada babando na fantasia / LENINE] # 12. Pernambuco para o mundo: Voltei Recife [Voltei, Recife / Foi a saudade / Que me trouxe pelo braço / Quero ver novamente “Vassoura” / Na rua abafando / Tomar umas e outras / E cair no passo // … / LUIS BANDEIRA]; Frevo ciranda [Eu fui à praia do Janga / Pra ver a ciranda / No meu cirandar – Ciranda // O mar estava tão belo / E um peixe amarelo / Eu vi navegar – Navegar //Não era peixe não era / Era Iemanjá / Rainha / Dançando a ciranda / Ciranda / No meio do mar / Ciranda. / CAPIBA]; Sol e chuva [Não não quero mais / Brincar de sol e chuva / Com você /  Não suporto mais / Brincar de sol e chuva / Com você / Eu não quero mais… // Para seu dedo tenho / Um dedal  / Pro seu conselho / Cara de pau  / Tenho dezembro  / Tenho janeiro /E se não me engano / Tenho fevereiro  / Se essa vida / É um desmantelo /Me mate /  Que eu sou /Muito vivo / Vivo /ALCEU VALENÇA]; Rios, Pontes e Overdrives [… / Rios Pontes e Overdrives, Impressionantes esculturas de lama / Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue!!!! /Rios Pontes e Overdrives, Impressionantes esculturas de lama / Mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue, mangue! / … / CHICO SCIENCE, FRED ZERO QUATRO] # 13. Bundalelê [Chegou, chegou… / A nossa tribo é o tambor que acorda o carnaval. / Bebeu, sorriu, cantou… / E organizou o cartel do alto-astral. / Você que nada e não morre na praia, / Você que é da gandaia, me diz, / Você que é do prazer, / Abra os seus olhos pra ver,  /  O lado iluminado do país // O Rio de Janeiro continua rindo, / É fevereiro e o Suvaco ‘tá na rua, / Até o Cristo lá do alto vem segundo, / Abraçando o sol, até beijar a lua. //Aqui, / Qualquer tostão faz uma festa, / Aqui, / Qualquer maluco é cidadão, / Aqui já ‘tá tão bom, se melhorar não presta,  / Só falta consertar o resto da nação. // Valeu, / Lavar o verde e o amarelo, / Valeu, / Atravessar noventa e dois, / Me beija, / Me dá um gole de cerveja, / E o resto deixa pra depois. // É bundalelê / É bundalalá / Vou no vácuo do Suvaco, / Até onde me levar, // É bundalelê / É bundalalá / Juntei a tribo, / E ‘tô aqui pra anunciar… // Que o suvaco chegou… / LENINE, BRAÚLIO TAVARES] # 14. Mote Do Navio [Lá vem a barca / Trazendo o povo / Pra liberdade / Que se conquista // Venceu dragão do mar / Lá vem a barca /Venceu a tempestade /Lá vem a barca / Trouxe pra nossa casa / A força da mocidade //Lá vem a barca… // Pode chover balaço / Lá vem a barca /A noite amanhecer /Lá vem a barca / Marujo não descansa /Enquanto o povo perder // Lá vem a barca… // Plantar felicidade /Lá vem a barca /Na vida da nação /Lá vem a barca / É coisa de poeta / Navega na contra-mão // Lá vem a barca… //O mar não tá pra peixe /Lá vem a barca / Que some no vazio / Lá vem a barca /O mundo canta comigo / No mote desse navio //Lá vem a barca… / PEDRO OSMAR]

o-dia-em-que-faremos-contato

o mar, lenine e canciones de jorge

[sex] 2 de janeiro de 2009

Camaradas – a brisa poética, o mar, lenine, e canciones de jorge.

—————
Eu já me perguntei se o tempo poderá realizar meus sonhos e desejos, será que eu já não sei por onde procurar ou todos os caminhos dão no mesmo e o certo é que eu não sei o que virá só posso te pedir que nunca se leve tão a sério nunca se deixe levar, que a vida é parte do mistério, é tanta coisa pra se desvendar

Por tudo que eu andei e o tanto que faltar, não dá pra se prever nem o futuro, o escuro que se vê quem sabe pode iluminar os corações perdidos sobre o muro e o certo que eu não sei o que virá, só posso te pedir que nunca se leve tão a serio, nunca se deixe levar que a vida, a nossa vida passa e não há tempo pra desperdiçar.
Todos os Caminhos Lenine/Dudu Falcão
————
———–
——-
Con mi amor yo quiero bailar Murga Reggae.
Con la luna brillando en el mar Murga Reggae.
Se va, se va el expreso bombo, platillo y tambor, se fue, se fue para Jamaica este Marcha Camión.
Si te vas, yo quiero, mi amor, que me lleves.
Pero si te quedas, mucho mejor, Murga Reggae
Para tí yo puedo cantar Murga Reggae.
Corazón llevando el compás. Murga Reggae.
Se fue, se fue febrero, se terminó Carnaval.
Se fue el verano a otro tablado y yo no pude parar.
(Una lluvia de estrellas de estrellas de mar, bajaría del cielo por verte bailar Murga Reggae.)

Murga Reggae Jorge Drexler
———————–
——-
—————-
—————-
POESIAS NOTURNAS

O Mar

chega!
só o gosto
de às duas da manhã
se quedar, saltar e explodir
onda e areia
espuma e sal.
Sambaqui. FLN. 02.01.2009
————-

Dos momentos

o mar
fala
sobre uma
vida
que eu não
sei dizer…

ouço
(nessa busca incessante)
seu berro!
sua janela
suas sombras
sua companhia
essas luzes
sua lua
a falta
tua onda
sua espuma

esse mistério
seu canto
sua dança
sua saída
sua força
seu choro
seu suor
sua ira
essa sina
a fagulha

sua saudade
uma salva de palmas
este compasso
sua imensa sozinhez
sua farra
sua festa
sua alegria

seu movimento
seu vento
seu ritmo
sua terra
sua ilha
este nosso sonho

……….. ouço,

amigo, ouço apenas e sinto-te.

Sambaqui. FLN. 02.01.2009

%d blogueiros gostam disto: