Archive for the 'José Saramago – José de Sousa Saramago' Category

pro-drop

[sáb] 18 de junho de 2016

 

sobre as leituras:

«O Brasileiro e o seu ego-carro: uma visão sociológica européia sobre o ato de dirigir em um “país do futuro”», de Martin Gegner.

«O Português Afro-Brasileiro», dos pesquisadores Dante Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro.

«O Brasil no interregno de Gramsci», por Célio Turino.

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http://bioliva.utad.pt/plantas/Raphanus_raphanistrum.htm

6 anos da partida de saramago.

a entropia

[qui] 21 de agosto de 2014

é velhinho… aos trinta e dois do segundo tempo… o jogo naquele sufoco… não sabe se empata, se perde ou se ganha… ou se se joga… é, nem todos os dias são animados e promissores… há aqueles em que nada faz sentido e você é obrigado a, não apenas constatar a necessidade, mas dar uma guinada, modificar o plano de voo… ou tu faz esse negócio dar certo, e ai tu precisas sair do casulo e voltar ao mundo real e enfrentar as contradições e os conflitos deste mundo, ou tu precisas trocar de ofício, porque continuar a fazer mais do mesmo é suicídio – intelectual, político, moral… e coletivo.

É SUICÍDIO! OUVIU?!

e agora, porque não consigo dormir… tantas dúvidas, tantas questões… e dos descaminhos uma busca:

«O ensino, a aprendizagem, de qualquer disciplina, “não deve  visar a acumulação enciclopédica de conhecimentos, mas a formação do espírito dos o que recebem. Torna-se, assim, mais importante a maneira
pela qual os conhecimentos são transmitidos, que o conteúdo da transmissão.” (FERNANDES, 1977:110).

O Ensino Médio tem como objetivo a preparação dos alunos, para ingressarem no nível superior de ensino, e também a inserção no mundo do trabalho. Mas tem como característica um ensino fragmentado, “como um tipo de educação estática, que visa unicamente a conservação da ordem social.” (FERNANDES, 1977:112).

E cabe a Sociologia repensar este contexto, mostrando possibilidades, alternativas aos jovens. Se não ficaremos correndo o risco de “um ensino médio sem possibilidade de tornar-se um instrumento consciente de progresso social, isto é, incapaz de proporcionar uma educação dinâmica.” (FERNANDES, 1977:113).»

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semanas… projetos…

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a divina comédia de dante alighieri… até gattai… ou de gattai até dante.

“Perduto é tutto il tempo che in amore non si spende”.

QUANDO LA FORZA CON LA RAGION CONTRASTA, VINCE LA FORZA E LA RAGION NON BASTA.

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O homem nem sonha que, não tendo ainda sequer começado a recrutar os tripulantes, já leva atrás de si a futura encarregada das baldeações e outros asseios, também é deste modo que o destino costuma comportar-se conosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais que ver, é tudo igual.” ‘O Conto da Ilha Desconhecida‘ de Saramago, José

em projetos na escola

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«Perguntem às pessoas na rua sobre o que faz um sociólogo? A meu ver, o fato de que essa pergunta não seja facilmente respondida, relaciona-se à pequena presença na sociedade ou o pequeno reconhecimento social desta profissão – o sociólogo.

A ausência de uma referência clara das possibilidades do ofício do sociólogo no mundo, presentifica-se na ação escolar do professor de sociologia sob um duplo aspecto: em sua formação ele próprio não teve contato com uma diversidade de práticas sociólogicas; e na sua prática de ensino a sociologia converte-se, na melhor das hipóteses, na transposição didática dos conhecimentos científicos acadêmicos.

Mas haveriam outras possibilidades?» ensinosociologia.milharal.org

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Estamos na fase de cumprir as nossas promessas e para isso tanto as pesquisas quanto os relatos de experiências constituem testemunho, ou mais que testemunho, provas materiais de que não se estava visando apenas a objetivos corporativos. […] Era necessário refletir sobre essa história, era necessário construir alternativas de ensino em termos de conteúdos e práticas, era necessário romper com a rotina, com a tradição má conselheira…”. (MORAES, 2012). e mais isto: Gincana

mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia para alguém ou alguma coisa que está dentro de nós.

[seg] 28 de julho de 2014

que tal um mergulho no tempo? nesse vazio, que no fundo não é tão vazio assim… senti vontade de uma trilha sonora dos meus dezesseis… ouça no volume máximo.

«quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui»

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estou a ler o filho de mil homens – como a casa está mais vazia, já que meu primo viajou pois sua mãe está hospitalizada e algum dos filhos precisa cuidar dela. e estou de recesso. entre cuidar das marias (filha e sobrinha) – e como é profundo o abraço e o riso de uma criança. é tempo sem pressão… calmo estou a esperar… e nenhuma das passagens [selecionadas nos livros] anotarei por cá… nem do findo saramago ou do veloz hugo-mae. colo abaixo imagens retiradas da rede. ótima história.

o sr. josé

[sex] 23 de maio de 2014

frio, chuva e vento. dois motores. um: vai, você tem obrigações econômicas-contratuais, e sobretudo, pedagógicas com 150 pessoas hoje. outro: não sinto vontade.

apenas retomo a leitura de todos os nomes. havia abandonado a quase dois meses.

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«O Sr. José acelerou o passo, se ao chegar lá a casa tivesse desaparecido, se tivesse desaparecido com ela os verbetes e o caderno de apontamentos, nem queria imaginar uma tal desgraça, reduzidos assim a nada os esforços de semanas, inúteis os perigos por que havia passado. Estariam lá pessoas curiosas que lhe perguntariam se tinha perdido alguma coisa de valor no desastre, e ele responderia que sim, Uns papéis, e elas tornariam a perguntar, Acções, Obrigações, Títulos de crédito, é só no que se pensa a gente comum e sem horizontes de espírito, os seus pensamentos vão todos para os interesses e ganhos materiais, e ele tornaria a dizer que sim, mas dando mentalmente significados diferentes àquelas palavras, seriam as acções que cometera, as obrigações que assumira, os títulos de crédito que ganhara. » (p. 148-149). Todos os nomes. José Saramago. Cia das Letras.

Imagem 082

todos os nomes

[sáb] 12 de abril de 2014

notas do dia.
#1. cedo a criançada estava endiabrada. gustavo – filho de minha prima visitante era o mais afeito aos atentados. lucas – filho de meu primo inquilino-hospede também não perdia no quesito. sobrou para as marias – izabel e luiza a tarefa de [domá-los] domesticá-los.

#2. dona maria [a vó] vai embora. amanhã.

#3. serei pai-tio-babá. os outros pais/mães vão festar – cada um no seu mundo. e o meu programão de sábado é cuidar das marias. elas dormirão no quarto e eu ganharei um colchão na sala.

#4. gostei disto: http://www.youtube.com/watch?v=SvQzAU7Kds0&list=RDSvQzAU7Kds0

#5. minha trilha hoje sonora foi essa… http://www.lisandroaristi.com/discos

#6. no meio do nada, no final da tarde, na solidão ilhada de gente, uma saudação contente e um bonito sorriso. torno-me cada dia mais “o professor”.

#7. «A decisão do Sr. José apareceu dois dias depois. Em geral não se diz que uma decisão nos aparece, as pessoas são tão zelosas da sua identidade, por vaga que seja, e da sua autoridade, por pouca que tenha, que preferem dar-nos a entender que reflectiram antes de dar o último passo, que ponderaram os prós e os contras, que sopesaram as possibilidades e as alternativas, e que, ao cabo de um intenso trabalho mental, tomaram finalmente a decisão. Há que dizer que estas coisas nunca se passaram assim. Decerto não entrará na cabeça de ninguém a ideia de comer sem sentir suficiente apetite, e o apetite não depende da vontade de cada um, forma-se por si mesmo, resulta de objectivas necessidades do corpo, é um problema físico-químico cuja solução, de um modo mais ou menos satisfatório, será encontrada no conteúdo do prato. Mesmo um acto tão simples como é o de descer à rua a comprar o jornal pressupõe, não só um suficiente desejo de receber informação, o qual, esclareça-se, sendo desejo, é necessariamente apetite, efeito de actividades físico-químicas específicas do corpo, ainda que de diferente natureza, como pressupõe também, esse acto rotineiro, por exemplo, a certeza, ou a convicção, ou a esperança, não conscientes, de que a viatura de distribuição não se atrasou ou de que o posto de venda de jornais não está fechado por doença ou ausência voluntária do proprietário. Aliás, se persistíssemos em afirmar que as nossas decisões somos nós que as tomamos, então teríamos de principiar por dilucidar, por discernir, por distinguir, quem é, em nós, aquele que tomou a decisão e aquele que depois a irá cumprir, operações impossíveis, onde as houver. Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós. A prova encontramo-la em que, levando a vida a executar sucessivamente os mais diversos actos, não fazemos preceder cada um deles de um período de reflexão, de avaliação, de cálculo, ao fim do qual, e só então, é que nos declararíamos em condições de decidir se iríamos almoçar, ou comprar o jornal, ou procurar a mulher desconhecida. É por estas razões que o Sr. José, mesmo que o submetessem ao mais apertado dos interrogatórios, não saberia dizer como e porquê o tomou a decisão, ouçamos a explicação que daria, Só sei que foi na noite de quarta-feira, estava eu em casa, de tão cansado que me sentia nem tinha querido jantar, ainda tinha a cabeça à roda de ter levado todo o santo dia em cima daquela escada, o chefe devia compreender que já não tenho idade para essas acrobacias, que não sou nenhum rapaz, além do padecimento, Que padecimento, Sofro de tonturas, vertigens, atracção do abismo, ou como quer que lhe queiram chamar, Nunca se queixou, Não gosto de me queixar, É bonito da sua parte, continue, tinha descalçado os sapatos, quando de repente tomei a decisão, Se tomou a decisão, sabe por que a tomou, Acho que não tomei eu, que foi ela a tomar-me a mim, As pessoas normais tomam decisões, não são tomadas por elas, Até à noite de quarta-feira também eu pensava assim, Que foi que sucedeu na noite de quarta-feira, Isto mesmo que lhe estou a contar, tinha o verbete da mulher desconhecida em cima da mesa-de-cabeceira, pus-me a olhar para ele como se fosse a primeira vez, Mas já tinha olhado antes, Desde segunda-feira, em casa, quase não fazia outra coisa, Estava portanto a amadurecer a decisão, Ou ela esteve amadurecer-me a mim, Adiante, adiante, não me venha outra vez com essa, Tomei a calçar os sapatos, vesti o casaco e a gabardina, e saí, nem me lembrei de pôr a gravata, Que horas eram, Aí umas dez e meia, Aonde foi depois, À rua onde a mulher desconhecida nasceu, Com que intenção, Queria ver o sítio, o prédio, a casa, Finalmente está a reconhecer que houve uma decisão e que foi, como teria de ser, tomada por si, Não senhor, simplesmente passei a ter consciência dela…» Saramago. pág. 41. Livro todos os nomes, segundo dia de leitura.

o código das águas

[sex] 27 de janeiro de 2012

ufa! sexta-feira.

estou cansado agora, mas não consigo dormir. é! esse(s) dia(s) intenso(s). hoje senti-me como um daqueles feijões que plantei ali do lado… meses e meses sossegado dentro da terra [como diz a brincar o japonês que sou algo como uma avestruz] e agora chegou a hora de germinar… de raiar… basicamente o programa de quinta-feira foi acordar cedo, preparar os documentos e ir trabalhar uma hora antes de tomar o rumo do centro da cidade para alcançar as metas traçadas… fiz m,atricula no ifsc e foi muito estranho entrar e passar pelos mesmos corredores de dez anos atrás. após garantir a matricula flanei, e ah! como eu adoro isto de sair sem rumo certo onde o que surgir é bem quisto. das duas até as quatro visitei alguns brechós, comprei livros num sebo e visitei o museu victor meirelles e o museu histórico de santa catarina palácio cruz e sousa.  o primeiro já conhecia, e no segundo encontrei aline e gyo [feliz supresa]. quatro e vinte embarquei e parti rumo ao centro multiuso de são josé. – me senti em casa… abracei, beijei, conversei, aprendi, reencontrei… esse povo me faz sentir-me em casa. não tinha a vaga que eu queria e optei por arriscar a segunda chamada. quinta-feira próxima é dia de escolher escola e ir a luta: nasce ai um professor.

o programa de quarta-feira foi curtir a chuva da tarde e trampar na noite. cansativo.

e terça-feira foi um gosto só. trilha monte verde até costa da lagoa. um sonho. fukuta e harley foram os parceiros. e terminou o retorno de barquinho da costa até a lagoa da conceição.

semana cansativa, mas gostosa. cheia de frio da barriga e de uma ansiedade tremenda… semana boa. semana intensa.

estou terminando de ler anton makarenko: vida e obra – pedagogia na revolução de cecília da silveira luedemann e comecei a ler hoje caim de josé saramago. do primeiro tenho várias coisas para anotar e estudar… do segundo… uma delícia de texto.

e isto que é chave… ler, descansar, passear, plantar, estudar, matear, encontrar os amigos… viver.

 

a historia do cerco de lisboa

[sáb] 30 de julho de 2011

terminei a leitura de dois livros neste mês: a história do cerco de lisboa, de saramago; e o amante, de marguerite duras.

repara.

[sáb] 14 de maio de 2011

[13.05]

12:36

«Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara» José Saramago.

O dia dobrou. O sono se foi. O tempo foi recortado e engoli seus pedaços. O que disse ontem era de ontem. Hoje há menos pressa, menos peso, menos drama, menos dor, menos saudade. Sou finito e vou. Um mate e muito trabalho pela tarde.

22:54

«Devia ter amado mais, ter chorado mais / ter visto o sol nascer / devia ter arriscado mais e até errado mais / ter feito o que eu queria fazer / queria ter aceitado as pessoas como elas são / cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração / o acaso vai me proteger / enquanto eu andar distraído / o acaso vai me proteger / enquanto eu andar / devia ter complicado menos, trabalhado menos / ter visto o sol se pôr / devia ter me importado menos com problemas  pequenos / ter morrido de amor / queria ter aceitado a vida como ela é / a cada um cabe alegrias e a tristeza que vier / o acaso vai me proteger / enquanto eu andar distraído / o acaso vai me proteger / enquanto eu andar» Sérgio Britto.

Trabalho alienado.

[14.05]

03:00

Deliro e publico.

a viagem do elefante

[seg] 9 de maio de 2011

ontem, desde a hora que acordei até ir morrer na cama, os poucos momentos em que não fiquei em pé foram nos tantos minutos para umas cervejas e nas duas horas e pouco em que me encantava com josé e pilar.

foi um dia agitado. dia corrido assim escapando de mim. cheio destes pequenos aflitos. e que terminou num bom e longo passeio pela orla de santo antonio de lisboa à sambaqui sob a lua, e a lucidez de josé e a paixão de pilar.

«é uma metáfora da vida humana» «O “elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas» «Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante (…) no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso» josé saramago.

e hoje: foi um dia pensativo. onde o meu único compromisso foi estar bem comigo e com os estão próximos. houve tempo até para escrever aqui. que sigamos assim… fazendo da vida um pouco mais do que a própria vida já é.

josé.

[sex] 18 de junho de 2010

morre saramago em tías, lanzarote.

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