Archive for the 'Fernando Pessoa' Category

sil e a outrospecção

[seg] 9 de outubro de 2017

me enrolo. me atraso. não me faço poema.

***

perdi o busão. andei… por do sol bonito.

***

quinze minutos atrasado… não preparei nada efetivamente. apenas enrolo.

***

ela me fala de seus medos. da solidão. eu apenas digo que tenho medo. pensamos em caminhar.

***

passei o dia estando e não estando. o corpo estava ali, já o pensamento… distante.

***

Fernando Pessoa – Quem passa e me olha ou me conhece mal sabe
Quem passa e me olha ou me conhece mal sabe
Vendo-me apenas um cansado e triste
O que em mim há distante disto tudo!
Como é que a negra e lúcida verdade
Pode chegar às almas
Que na luz concebem? Tudo o que vive
Ao sol deste existir e quer o sol
Brilhe sem nuvens, anuviado seja
Ou (…) — vive à luz
E não suspeita o que é a escuridão
Das cavernas da alma, esquecida
De luz e vida, e onde a existência íntima
Tem outra forma, outro ser e outro (…)
s.d.

Fausto – Tragédia Subjectiva . Fernando Pessoa. (Texto estabelecido por Teresa Sobral Cunha. Prefácio de Eduardo Lourenço.) Lisboa: Presença, 1988.

Fernando Pessoa – III – De quem é o olhar
De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
Por que caminhos seguem,
Não os meus tristes passos,
Mas a realidade
De eu ter passos comigo?
Às vezes, na penumbra
Do meu quarto, quando eu
Para mim próprio mesmo
Em alma mal existo,
Toma um outro sentido
Em mim o Universo —
É uma nódoa esbatida
De eu ser consciente sobre
Minha ideia das coisas.
Se acenderem as velas
E não houver apenas
A vaga luz de fora —
Não sei que candeeiro
Aceso onde na rua —
Terei foscos desejos
De nunca haver mais nada
No Universo e na Vida
De que o obscuro momento
Que é minha vida agora.
Um momento afluente
Dum rio sempre a ir
Esquecer-se de ser,
Espaço misterioso
Entre espaços desertos
Cujo sentido é nulo
E sem ser nada a nada.
E assim a hora passa
Metafisicamente.
s. d.
«Episódios – A Múmia». Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). – 64.
1ª publ. in Portugal Futurista , nº 1. Lisboa: 1917.

***

e de quebra…

Narcisismo e depressão: “o olhar do outro define quem eu sou” | Teresa Pinheiro

 

The Empathy Museum

***

A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo Roman Krznaric. Da introspecção à “outrospecção

***

SERRES, Michel. Polegarzinha. (Trad. Jorge Bastos). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013. 96p.

#1

#2

desocupar territórios… ocupar a memória… estranhar-me no outro, no manifesto, no ser coletivo…

[sex] 29 de maio de 2015

vamos ao poema:

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Preságio – Fernando Pessoa.

****

E pensei cá, quando voltava para casa, depois do Ato [ATO CONTRA O PL 4330 e MPS 664 e 665], e da desocupação da ALESC, anotar o poema que surgia na minha mente durante… mas os versos, em si, se perderam no caminho do ônibus e na caneta que não encontrei na mochila. eles tocavam neste sentimento que era algo sobre ser estranho ao outro. desta coisa de uma dia ser estranho, no outro dia ser familiar, e no outro dia voltar a ser estranho – como se nossas vidas se entrecruzassem e fossemos um itinerário de memórias destes entrecruzar… sei que com alguns a vida segue em paralelas… mas com boa parte da gente humana, que temos contato íntimo, seguem apenas como um pouco ou alguns pontos de interconexão.

tudo isto porque hoje foi um dia atípico… dentro da própria atipicidade do momento vivido, uma ocupação de espaço público que durou 35 dias dentro de uma greve de quase 70 dias. mas hoje, foi mais atípico, talvez pelo momento de encerramento, de algo que já se tinha estabelecido, enraizado laços…  diferente dos outros dias de ocupação, pelo ato nacional, houve uma concentração de muita gente do estado que já esteve em algum momento como ocupante na ocupa alesc… é como se estivessem tod@s lá ao mesmo tempo… causando algo como o reencontrar “velh@s” nov@s companheir@s de luta e despedir-me, de boa parte deles, da minha vida cotidiana… reencontrar e dizer um adeus, ao mesmo tempo. éramos estranhos ontem, hoje somos familiares, amanhã apenas memória…

anoto isto, e o poema – que surgiu depois e ao acaso, e casou com temática do pensamento do dia – diz disto também, porque procurei, no ato, com meus olhos alguém e não encontrei-a entre as gentes. e no caminhar pelas ruas do centro, ao acaso, reencontrei velh@s companheir@s, que anteontem éramos tão familiares… e ontem memória…. e hoje, apenas acenos ao ar… tudo isto me causou este estranhamento.

somos essa eterna despedida… de mergulhos em seres e momentos, e no outro somos apenas superfície.

e a vida segue, com olhares, gestos, risos, gozos, angústias, lágrimas, sorrisos… acenos.

*

e pensei outra coisa… tentar reconstruir, simbolicamente uma imagem textual de cada companheir@ de ocupa.

ps#1: e depois do primeiro nome, da primeira tentativa… desisto… é tarde e a empreitada virará a madrugada e ainda será sempre fragmentada e incompleta. e que a nossa jornada coletiva neste mundo se faça de encontros, desencontros, extrañamentos, e reencontros… em outros atos, greves, reuniões, movimentos, festas, bares, manifestações…

amanhã tem ato, e por agora:

a greve continua!

#grevesemmedo. #grevederesistencia #grevehistorica.

ps#2: porque nessa volta para casa eu pensava também no partido… e por acaso me caiu na mão essa carta de Ho Chi Minh. trecho: «a nossa juventude em geral são bons, estão sempre preparados para se oferecer, sem temer as dificuldades, ansiosos pelo progresso. O Partido deve fomentar as suas virtudes revolucionárias e prepará-los para que sejam os nossos sucessores, tanto “vermelhos” como “experientes”, na construção do socialismo. A preparação e a educação das futuras gerações de revolucionários são de grande importância e necessidade.»

ps#3: numa quarta-feira, 29 de abril, eu chega na ocupação para somar com o movimento. hoje, numa sexta-feira, 29 de maio, o movimento desocupa a alesc, e eu já sou outra pessoa. foram 30 dias intensos que deixaram marcas profundas.

 

 

 

 

cousas que vem em silêncio…

[qui] 16 de abril de 2015

low profile. uma incógnita, uma variável invariável, irracional. e longarinas. mas eu queria tanto uma daquelas canções de belchior, mas não está dando… parece que o inverno chegou cedo e estamos escondidos, meu canto não é torto e corta só a mim. por isto, amigo manoel, «ando muito completo de vazios / meu órgão de morrer me predomina, estou sem eternidades / não posso mais saber quando amanheço ontem (…) / enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino / essas coisas me mudam para cisco. a minha independência tem algemas». pessoa… «seja o que for, é o que tenho. tudo mais é tudo só» e deve ser porque eu não ando bem da cabeça… deve ser porque «éblouie par la nuit à coup de lumière mortelle… faut-il aimer la vie ou la regarder juste passer?»

*

 

quando vier a primavera

[qua] 12 de novembro de 2014

citações:

Alberto Caeiro // Quando Vier a Primavera

«Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.»

mais trecho do livro do pacheco:

«[…] Fala-se muito de desenvolvimento, de cooperação e de reforço do poder dos professores, as as tendências dominantes continuam a ser a centralização, a uniformização e a racionalização”¹. O discurso da autonomia pode desempenhar uma poderosa função ideológica “estimulando o sentido de eficácia pessoal, mas também promovendo a subordinação do indivíduo ao controle organizativo”². Será necessário, portanto, promover a distinção entre uma autonomia formal e uma concepção democratizante de autonomia geradora de modalidades de intervenção formativa distintas da participação formal de professores em ações condicionadas pela instrumentalidade e a racionalidade técnica. […] No círculo, é essa autonomia de novo tipo que realça a inutilidade de controle exterior. Os professores detêm um efetivo controle sobre o seu próprio trabalho e o entendimento de que a inteligibilidade do real sofre uma erosão constante. […] 

Temos de mudar e a mudança faz-se à custa de sofrimentos e compreensão de nós próprios e dos outros […] precisamos de ser profissionais e não professores em part-time […] ao longo de todo o ano escolar, travei uma luta comigo no sentido de ser diferente, como professor, mais autônomo e mais ativo. Penso que não o consegui totalmente e que ainda estou a aprender a ser autônomo para criar alunos autônomos.»

1. APPLE, M. & JUNGCK. ‘No hay que ser maestro para enseñar esta unidad‘. Revista de educación, 291, 1990, p.149.
2. BALL, A. (1989). ‘La micropolítica de la escuela‘. Apud CORREIA, J. Formatividade e profissionalidade docentes. Porto, 1993, p. 13 [mimeo.].

***

e para fechar… mais um video do projeto “Um Poema por Semana” – é uma ideia de Paula Moura Pinheiro – confira mais em: www.rtp.pt/umpoemaporsemana;

O Sentimento dum Ocidental // Cesário Verde «[...] Nas nossas ruas, ao anoitecer, Há tal soturnidade, há tal melancolia, Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.[...]»

 

 

 

aos alecrins

[qui] 7 de novembro de 2013

TEXTOS DO FIM. Garimpados e Fabricados lá pelas 6h30 do dia.

texto incidental o guardador de rebanhos (parte ix) / sou um guardador de rebanhos / o rebanho é os meus pensamentos / e os meus pensamentos são todos sensações. / penso com os olhos e com os ouvidos / E com as mãos e os pés / e com o nariz e a boca. // pensar uma flor é vê-la e cheirá-la / e comer um fruto é saber-lhe o sentido. / por isso quando num dia de calor / me sinto triste de gozá-lo tanto. / e me deito ao comprido na erva, / e fecho os olhos quentes, / sinto todo o meu corpo deitado na realidade, / sei a verdade e sou feliz. / alberto caeiro – heterônimo de fernando pessoa.

***

texto dois que deveria ser o um. pensei em tanta coisa, mas uns goles de vinho me tiraram a certeza da palavra escrita, e sobrou apenas um pensamento passado, uma madruga perdida e um amanhecer mais inspirado. já escrevi aqui inúmeras vezes avaliações sobre este momento que vivo – os dilemas, as limitações, as contradições, as referências, os desencontros, as dores, a certeza sobre estar certo e ao mesmo tempo a profunda angústia de estar errado, da imobilidade em que me encontro. momento que  manifesta uma necessidade de auto-proteção, mesmo que seja em relação à projeções superdimensionadas, fruto de minhas neuroses e carências, enfim, desta dificuldade de lidar com afetividade – e irônico nisto tudo é que trato disto numa boa no plano da análise, tenho consciência de como se processa, quais suas origens e seus desdobramentos… mas –  contraditoriamente, este mesmo momento manifesta-se como uma certa prisão, como um viciado melodramático não consigo romper o ciclo vicioso do cotidiano que me leva à um exílio, um auto-exílio, que só não é total porque conservadoramente e comunalmente nesta família, onde todos moram sozinhos em suas casas, mas no mesmo pedaço de terra. O fato de ter izabel vivendo tão perto e passar quase todos os dias algumas horas com ela, e ter me vestido desta «paternidade», que me ensina bastante, e me dá, de certa forma, um chão, já que por ela tenho feito algumas concessões… é por ela, mas também é por mim, já que projeto nessa relação, o outro modelo concreto de relação parental pai-filho que vivi, a minha própria com meu velho, e percebo que apesar de ser tão idêntico nas limitações, eu consigo romper este profundos grilhões repressivos, e  mesmo não sendo o super-homem, e ainda causando dores por minhas faltas, sou um «pai» mais aberto e franco, talvez não o pai que eu gostaria de ter, mas o que consigo ser neste meu mar de neuroses… eu não deveria editar todo este texto, como estou fazendo agora, e quem já 0 leu, se um dia voltar a ler, perceberá, mas quem é que lê isto por cá? mas em síntese: por não saber lidar com certas situações e sentimentos, ou mesmo por não conseguir lidar com eles e com a projeção que eles trazem, é que nestes últimos três anos recuei, estabeleci um projeto mínimo, sobreviver, acompanhar izabel crescer, concluir meu teto… e recuando politicamente, socialmente, afetivamente de todas as possibilidades de enfrentamento, transformação e superação destas minhas velhas debilidades, destas minhas amputações ‘invisíveis’. e talvez não seja o melhor caminho a seguir, mas quase tudo vai conspirando para esse recuo, o salário baixo, a incerteza de trabalho, as contas, a falta de vontade de trabalhar ou de voltar a estudar ou militar social e politicamente… quase tudo ao meu redor parece incerto.

no peito há gentes e a dor e a dor pela dor do peito causar dor no peito destas gentes. mas nesta semana deu uma vontade de subir para respirar, sair do silêncio, mexer os músculos, olhar para toda essa quantidade de dor e começar a desfaze-la… e tomará que eu consiga avançar para além desta semana, avante, contra os moinhos de vento…

***

texto um que é o dois. perguntas aos alecrins. alecrim, alecrim, tu és uma planta bela e cheirosa. e aqui em casa és já dois pés. e sendo dois, vocês hão de crescer e me alimentar em chás e pratos diversos. alecrins… o que cês me dizem quando tudo parece estar à deriva, desde minha aparente profissão à república francesa, alastrando-se pelas águas radio-atômicas de fucuxima. seriam muitos derivados e derivativos para toda essa estória? a sociologia explica, interpreta, compreende como todo o sistema funciona, mas não me anima… é carlitos, falta ação. tu me diria: e esse cara aí sobre o muro, o que mira? o que sente? qual o gosto que leva na boca? que vermelho é este entre estes dentes carcomidos e ausentes? e nos olhos? e na cabeça? e esse doce-amargo das raras aulas semanais? do civilizatório mínimo trabalho alienado? do produtivo máximo não-trabalho? do esperar as vidas passarem?

a passagem das horas – “trago dentro do meu coração, / como num cofre que se não pode fechar de cheio, / todos os lugares onde estive, / todos os portos a que cheguei, / todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, / ou de tombadilhos, sonhando, / e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. // (…) // viajei por mais terras do que aquelas em que toquei… / vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos… / experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti, / porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir / e a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz. // a certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me, / penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge, / desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso, / desta turbulência tranquila de sensações desencontradas, / desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada, / deste desassossego no fundo de todos os cálices, / desta angústia no fundo de todos os prazeres, / desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas, / (…). // não sei se a vida é pouco ou demais para mim. / não sei se sinto de mais ou de menos, não sei / se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, / consanguinidade com o mistério das coisas, choque / aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, / ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz. // seja o que for, era melhor não ter nascido, / porque, de tão interessante que é a todos os momentos, / a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, / a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair / para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, / e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, / entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, / e tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso, / com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida. // cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços, / é preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas… / por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro, / tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca… / que há de ser de mim? que há de ser de mim? // correram o bobo a chicote do palácio, sem razão, / fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra. / bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos. / oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir… / tão decadente, tão decadente, tão decadente… / só estou bem quando ouço música, e nem então. (…) // como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo, / a tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai. // (…) assim fico, fico… eu sou o que sempre quer partir, / e fica sempre, fica sempre, fica sempre, / até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica… / torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito. / só humanitariamente é que se pode viver. / só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos, / só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver. / só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim! // vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, / mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri. / vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, / e fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. / amei e odiei como toda gente, / mas para toda a gente isso foi normal e instintivo, / e para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo. // (…) sinto na minha cabeça a velocidade de giro da terra, / e todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim, / centrífuga ânsia, raiva de ir por os ares até aos astros / bate pancadas de encontro ao interior do meu crânio, / põe-me alfinetes vendados por toda a consciência do meu corpo, / faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato, / para inencontrável, Ali sem restrições nenhumas, / a Meta invisível — todos os pontos onde eu não estou — e ao mesmo tempo… // (…) // (…) eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis, / que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou. // (…) // meu ser elástico, mola, agulha, trepidação /// álvaro de campos, in “poemas”. heterônimo de fernando pessoa.

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TEXTOS DO MEIO. Garimpados e fabricados lá pelas 18h30 do dia.

Lista do dia.

Fiz um texto e não consegui publicar. tendo passado doze horas fico pensado se devo publica-lo (e que se publique) já que  “a medida em que havíamos atingido nosso fim principal: ver claro em nós mesmos.

Ouço sem parar Secos & Molhados. Por que? Porque Izabel insiste em ouvi-lo. Porque troquei uma Tevê um aparelho de som. Porque assim posso desafinar e mexer o corpo desorganizadamente. As tardes são assim…

Coisas pesquisadas por agora: http://www.protecto.com.br/artigos/reparo3.htm ; http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/engenhariacivil/attachments/article/125/corrosao_concreto_armado.pdf ; http://www.texsa.com.br/Livro%2007.htm ;

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TEXTOS DE DEPOIS DO FIM… Lá pelas 22h00. Tanto mar, porque o alecrim além do gosto e do cheiro é sonoro e pode ser trabalhado num contexto histórico-sociológico, pá.  “(…) // Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar //(…)”

blind

[qua] 11 de setembro de 2013

postagem em movimento… vinte e tantas horas de edição e revisão (13 até agora).

01h10′ – ¡No lo creo! Que bosta! Colocaram um OUTDOOR no meu canto. WordPress com banners, sem graça. É um Coup d’État. Deu vontade de ir embora… Mas qual seria a nova casa?

01h59′ – trechos coletados. Diego El Khouri “Rimbaud dizia que “o poeta é mesmo ladrão de fogo”. Octavio Paz já acreditava que “a poesia é a subversão do corpo”. Breton afirmava que “poesia é a orgia mais fascinante ao alcance do homem”. Álvares de Azevedo dizia que “o fim da poesia é o belo” e Baudelaire que “a arte é prostituição”. Pra você o que é poesia?” Glauco Mattoso “Ja defini a poesia como “uma metralhadora na mão dum palhaço”. Pode ser inoffensiva, mas nada nem ninguem está blindado contra ella,
principalmente si o “blind” é o proprio poeta… (risos)

9h44‘ – Dora me liga Dora esquece que eu só completo lá Eles dizem que eu posso pedir demissão  e ainda escolher vaga Pela situação assim toda assim assada Mas sinceramente não queria nova vaga Não agora Queria continuar aqui e não lá Simples assim Dora irá lá novamente Dora me ligará Dora me acorda E aquela ansiedade de dar nos nervos domina Desde aquela quinta lá E continuará por mais algumas horas Dora não me dá nada novo. Pois a certeza do não lá eu já possuía Com desgosto As dúvidas sobre próximo passo continuam Se posso pedir demissão e escolher vaga O que fazer? Ou mais precisamente Como devo fazer?

10h02′ – O dia ‘tá lindo, quente, repleto de pássaros e flores. É quase tudo verde ao meu redor. A bicicleta da filha está a caminho, o ultimo livro que comprei também. Estou sem um tostão. Reduzir gastos pelos próximos meses é necessário. Tenho dormido pouco nos dias, a cerveja acabou, o vinho acabou, essa incerteza devora por dentro. Missão inicial do dia, lavar a louça acumulada. Cambio. Fim.

12h19′ – “Los pájaros nacidos en jaula creen que volar es una enfermedad.” (Alejandro Jodorowsky)

alejandro Jodorowsky

12h45′ – Por enquanto. Tarde voa. Três horas entre coisas da casa, filha, videos de arte, leituras sobre a política nacional e geopolítica inter_ nacional. O mate acabou, e agora é estudar para hoje à noite. E continuo aguardando…

14h48′ – http://dinamicadebruto.wordpress.com/ e http://arquivopessoa.net/

e eu aqui enjoado. o almoço não caiu bem. o chá não ajudou. e ando com uma vontade, ou melhor, sem qualquer vontade para alguma coisa. humor péssimo. minha indisciplina é absurda neste exato momento. pareço um animal enjaulado.

20h45′ – a diretora te chama. e eu me pergunto… será que é uma luz para essa agonia, será que ela vai mencionar algo… e nada, era só para saber se eu viria na sexta-feira, para a gincana da escola, e que nesse dia, ela irá distribuir os tablets para os acts. ah, e eu que nem sei se sexta serei professor ainda. que agonia. não poder falar, não saber o que será amanhã. se as atividades, os trabalhos, os projetos que estou desenvolvendo cessarão hoje ou poderão ser desenvolvidos… mas ao menos, sem saber, me despedi de todos (quase todos) com muito amor no coração.

00h25′ –  TUDO QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR. MARSHALL BERMAN. meu cabelo e minha barba estão quase assim: [clique aqui]

Стачка

[ter] 19 de abril de 2011

à toa. aproveitando-me. e cá poderia bem por alguma brevíssima crônica sobre o luar cheio deste final de domingo passado ou sobre a rotina de viver no meio do mato e limpar peixes para o assado ou ainda sobre todas as canções de drexler que inspiram os dias… mas agora só posso fragmentos relacionados ao que tenho estudado por esses dias. estudos livres. sem pressa. sem data. O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente // E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm. // E assim nas calhas de roda / Gira, a entreter a razão, / Esse comboio de corda / Que se chama coração. // FERNANDO PESSOA / Autopsicografia.

e leio esse cara ai de baixo – fruto das poucas aulas que tenho acompanhado de antropologia visual.

o livro do desassossego

[seg] 28 de fevereiro de 2011

cansaço e tédio – e um que de frustração. nem a caminhada sozinho na noite fria… nem as conversas no caminho do final da tarde… nem o trabalho bruto, mas honesto da manhã… nem as brincadeiras com a filha no almoço… nem o sono no começo da tarde… nem a dúvida tirada no fim do dia… nada. apenas cansaço e tédio habitam este animal manso. e que falta de mim – aquele das multidões e do povo na rua – ando sentido…

.

.

e entre esse não me saber em que local me por agora que nem vou lá nem vou cá… e digo repetidamente para que talvez assim creia que é necessário calma que tudo que é para vir virá no seu devido e necessário tempo e o fato de este devido e necessário tempo não ser agora é porque há inúmeras outras coisas entre este devir e cá… este ‘devido e necessário’ tempo repleto de dias, atividades e projetos em aberto. hoje muita paciência e coragem são necessários porque o momento é de dúvida e desassossego.

tome nota… um punhado de secos e molhados.

[sáb] 19 de fevereiro de 2011

uma seleção de secos e molhados {um presente de eduardo perondi, desde 2007}:
1. Sangue Latino
2. Prece Cósmica
3. Rondo do Capitão
4. As Andorinhas
5. Fala
6. Tercer Mundo
7. Flores Astrais
8. Não: não digas nada!
9. Medo Mulato
10. Oh! Mulher Infiel
11. Vôo
12. O Vira
13. Angústia
14. O Hierofante
15. Caixinha de Música do João
16. O Doce e o Amargo
17. Preto Velho
18. Delírios
19. Toada & Rock & Mambo & Tango & etc.
20. O Patrão Nosso de Cada Dia
21. Amor
22. Primavera Nos Dentes
23. Assim Assado
24. Mulher Barriguda
25. El Rey
26. Rosa de Hiroshima

***
[coleciona] o homem precisa ter graça, precisa ter força. o homem é feito por suas ações. e é preciso ter coragem. […] a lua, pela porta do quarto, me acompanha madrugada dentro. […] ela, mulher desconhecida, me chama de meu amor. […] vontade danada de só ficar ali olhando por horas e horas aquela beleza toda – que é um mar espelhando esse luar, que é uma mulher. ou uma noite tranquila […] é preciso ter paciência – pois somos esses destroços, essas ruínas. […] e rio porque é tudo muito triste. é muito o que pouco podemos fazer. […]

Precisamos estar livres primeiro pra chegar mais perto do que somos. depois existirá uma maneira da intenção virar coisa da vida real. Se não exatamente aquilo, algo no caminho do ser inteiro. Que flua o sonho, adaptações sempre ocorrerão!

o mais é nada

[dom] 23 de janeiro de 2011

“Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá. Admire a lua, sonhe com ela,  mas não queira trazê-la para a terra. Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o  seu calor é  para todos. Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar  no céu. Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos,  não  pode molhar só o seu. As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces. O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o! Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave! Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se  chega à parte alguma sem ela. Abra todas as janelas que encontrar e as portas também. Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho. Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho. Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual  for. Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso. Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam. Olhe para o lado, alguém precisa de você. Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca. Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os. Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também. Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa  procura. Arrependa-se, volte atrás, peça perdão! Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando  julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se  afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se achá-lo, segure-o! “Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”. (Fernando Pessoa)

plano de navegação

[qua] 6 de outubro de 2010

uma máquina fotográfica. uma aula sobre arnold van gennep, e seus ritos de passagem.

plano: fotografar o passado, viver o presente e sonhar o futuro. e no fim, conversamos quase uma hora sobre o que é política para ti e para mim, sobre nossas relações, nossos pais, nossos amores… e a minha (nossa) crise com a universidade e o discurso acadêmico, ou mais precisamente, o conflito entre discurso e a ação nesse mundo do cão. como é dificil buscar a prática que realize, ou busque realizar, o que os discursos apontam. somos tão presos, a maioria de nós, a convenções e preconceitos estúpidos, que nos amarram, e por vezes, nos amputam, da possibilidade de contestação do que nos violenta.

e sinto que está chegando a hora de desvestir esta armadura da criança violentada e do menino rejeitado e observar o meio com olhos sensíveis [recuperar aquele cara que está aqui em algum lugar].

imagens do dia

observando o mar de todo dia

e à noite, enquanto matava parte da aula, registrando o passado.
um sofá

LISBON REVISITED
(1923)
Não: não quero nada
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
1923
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). – 247.
1ª publ. in Contemporânea, nº 8. Lisboa: 1923.

[Tanta Guerra, Tanto Engano…]

No mar tanta tormenta e tento dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Os Lusíadas [I, 106] Camões

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

anotações aleatórias da aula de antropologia - ritos de passagens de arnold von gennep

num letreiro de tamanho maior que o mundo e este peito sinto tuas palavras, teu sentimento…

[ter] 28 de outubro de 2008

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

pessoa…

Alberto Caieiro

[qui] 10 de julho de 2008

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

leve, leve, muito leve

[qui] 14 de fevereiro de 2008

LEVE, LEVE, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabe-lo.

Alberto Caeiro

anotações e poesias

[qui] 3 de outubro de 2002

Logo… Novamente estou com todo o meu tempo vazio. Apenas esperando… Como sempre… Esperando alguma coisa… Um dia eu morro.
Eu só queria evaporar agora…

Vou transcrever algumas anotações que faço… E quando chego em casa vou jogando os papéis aqui nessa bagunça…

A Alma é divina e a obra imperfeita
Este padrão signala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

Fernando Pessoa.

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Pra que mentira

Pra que mentira
Se tu sabes que sei
Não gostas mais de mim(?)
Pra que e por que?
Se não há necessidade?
Apenas uma tola e débil saudade distorcida…
Mentir, Mil vezes mentir, Oras…
Se tu ainda não sabes o que quer.
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La espiral de la música subía como un huno
De la cola de ese humo se colgó mi mirada
Fui en busca de la senda de una senda inhollada
Solo encontré en los aires al espiritu sumo
Y ál me dio por consejo que no creyera en nada.

Sabiduria – Poema que retirei da Antologia Geral Peruana… Pena que não peguei o autor.. E bom… O poema tem toda uma imagem visual que faltou aqui, mas só as palavras já dissem.

(ROSANA BOND)

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O Navio, A nave

O Navio, A nave, Voa…
Funda, Os Homens, No Fundo
Todos a abandonam…

E as linhas, ilhas, mariposas…
Ratones que tomam cuenta…
Mirada…
Do mar…
Navio, vimos, partiu.

Talvez o sol,
Talvez o Mar,
Talvez o poema.

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O que queres

O que queres
Tanto assim?
Que tornas-te em mal-me-queres…
Não. E se queres…
Queres assim?
Acalma-te.
Só em bem-me-queres
Há de ter o que queres.

Sobre as palavras, o sorriso audível das folhas…

[ter] 21 de agosto de 2001

Sorriso audível das folhas Não és mais que a brisa ali Se eu te olho e tu me olhas, Quem primeiro é que sorri? O primeiro a sorrir ri. Ri e olha de repente Para fins de não olhar Para onde nas folhas sente O som do vento a passar Tudo é vento e disfarçar. Mas o olhar, de estar olhando Onde não olha, voltou E estamos os dois falando O que se não conversou Isto acaba ou começou?
Sorriso Audível das Folhas(?)


Fernando Pessoa
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