Archive for the 'Clarice Falcão' Category

lá em casa ás árvores…

[dom] 5 de abril de 2015

Ao Vivo Lá Em Casa
Arnaldo Antunes
Estilo: Pop
Gravadora: Rosa Celeste
Ano: 2010

1. A Casa é Sua // 5’04” // Compositor: Arnaldo Antunes e Ortinho (Wharton Gonçalves Filho) // não me falta cadeira / não me falta sofá / só falta você sentada na sala / só falta você estar // não me falta parede / e nela uma porta pra você entrar / não me falta tapete / só falta o seu pé descalço pra pisar // não me falta cama / só falta você deitar / não me falta o sol da manhã / só falta você acordar // pra as janelas se abrirem pra mim / e o vento brincar no quintal / embalando as flores do jardim / balançando as cores no varal // a casa é sua / por que não chega agora? / até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora // a casa é sua / por que não chega logo? / nem o prego aguenta mais o peso desse relógio // não me falta banheiro quarto / abajur, sala de jantar / não me falta cozinha / só falta a campainha tocar // não me falta cachorro / uivando só porque você não está / parece até que está pedindo socorro / como tudo aqui nesse lugar // não me falta casa / só falta ela ser um lar / não me falta o tempo que passa / só não dá mais para tanto esperar // para os pássaros voltarem a cantar / e a nuvem desenhar um coração flechado / para o chão voltar a se deitar / e a chuva batucar no telhado // a casa é sua / por que não chega agora? / até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora // a casa é sua / por que não chega logo / nem o prego aguenta mais o peso desse relógio /// 2. Essa Mulher  // 3’05” //  Compositor: Arnaldo Antunes //   ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher //  ela goza com o sabonete / não precisa de você / ela goza com a mão / não precisa do seu pau //  ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher //  que não sente a sua falta / e quando você chega em casa ela não sente a sua presença / ela tem um travesseiro mais macio do que o seu braço / e um acolchoado muito mais quente que o seu abraço //  ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher /// 3.  Americana  // 3’32” //  Compositor: Arnaldo Antunes //  Ela é americana da América do Sul / Ela é americana da América do Sul / Eu amo uma americana / Ela é bacana e linda pra chuchu / Quando eu tô na pior / Ela está na melhor / Ela me dá tutu // Com ela não tem cara feia / Tudo é limpeza / Tudo está legal / Com ela não tem dedo-duro / Nada de furo / Ela é genial // Gosta de uma maluquice / Mas de caretice ela tem horror / Gosto da Americana / Não me fale dela / Eu lhe peço por favor //Tô gamado nela / Vou me casar com ela / Não tem deduração / Vou fazer com ela uma transação /// 4.  Consumado // 4’11” // Composição: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte //  Tô louco pra fazer / Um rock prá você / Tô punk de gritar / Seu nome sem parar… // Primeiro eu fiz um blues / Não era tão feliz / E de um samba-canção / Até baião eu fiz… // Tentei o tchá tchá tchá / Tentei um yê yê yê / Tô louco prá fazer / Um funk prá você… // E tá consumado / Tá consumado / Tá consumado / Tá consumado… // Fiz uma chanson d’amour / Fiz um love song for you / Fiz una canzone per te / Para impressionar você… // Prá todo mundo usar / Prá todo mundo ouvir / Prá quem quiser chorar / Prá quem quiser sorrir… // Na rádio e sem jabá / Na pista e sem cair / Um samba prá você / Um rock and roll to me… // E tá consumido / Tá consumido / Tá consumido / Tá consumido… // Fiz uma chanson d’amour / Fiz um love song for you / Fiz una canzone per te / Para impressionar você… /// 5. Sou Uma Criança, Não Entendo Nada // 3’26” // Composição: Erasmo Carlos // Antigamente quando eu me excedia / Ou fazia alguma coisa errada / Naturalmente minha mãe dizia: / “Ele é uma criança, não entende nada”… // Por dentro eu ria / Satisfeito e mudo / Eu era um homem / E entendia tudo… // Hoje só com meus problemas / Rezo muito, mas eu não me iludo / Sempre me dizem quando fico sério: / “Ele é um homem e entende tudo”… // Por dentro com / A alma tarantada / Sou uma criança / Não entendo nada…  /// 6. As Melhores Coisas // 3’24” // Composição: Arnaldo Antunes // Entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida / Você estava atrás do sétimo, oitavo lugar / Depois do violão, do irmão, do gibi, da bebida / Entre a luz do fim da tarde e o azul do mar / Quando se afastou de mim depois daquela intriga / Nem sei em que lugar da lista você foi parar / Nunca imaginei você não sendo minha amiga / Nem também sonhei que eu fosse me apaixonar // Mas mudou, você veio / Derrubando o mundo inteiro / Demorou, mas veio / Com a hora do recreio // Entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida / Tem a bike, a night, o Nike antes de você / Mas comecei a te querer depois da despedida / Isso professor nenhum explica porque / Agora fico te esperando na hora da saída / Tenho dez ou mais de mil segredos pra contar / De tudo que tem você a coisa preferida / Você finalmente chegou ao primeiro lugar // Seu blusão vermelho / O incenso do seu cheiro / Sua mão, seu cabelo / No meu travesseiro // Agora o tempo pode passar (3x) / Você já é primeiro lugar / Agora o tempo pode passar / Você já é primeiro lugar  /// 7. Envelhecer // 4’22” // Composição: Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho (Wharton Gonçalves Filho)  // A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer / A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer / Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer / Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer // Não quero morrer pois quero ver / Como será que deve ser envelhecer / Eu quero é viver pra ver qual é / E dizer venha pra o que vai acontecer // Eu quero que o tapete voe / No meio da sala de estar / Eu quero que a panela de pressão pressione / E que a pia comece a pingar / Eu quero que a sirene soe / E me faça levantar do sofá / Eu quero pôr Rita Pavone / No ringtone do meu celular / Eu quero estar no meio do ciclone / Pra poder aproveitar / E quando eu esquecer meu próprio nome / Que me chamem de velho gagá // Pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé / Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer / Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender / Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr // (…)   /// 8. Pra Aquietar // 2’55” // Composição: Luiz Melodia // O sol vermelho é o clarão do dia / Da ilha longa de paquetá / Domingo santo ou qualquer dia / Pra aquietar, pra aquietar / Os novos velhos tempos de férias / Cinema a atração que sumiu / Machismo, elegância paterna / Pra aquietar, pra aquietar / A noite é a brincadeira do dia / O dia é a brincadeira do mar / O mar é a brincadeira da vida / Pra aquietar, pra aquietar / Não posso pra lá paraguaio pára / Menino de cá faço o tempo parar / Eu posso acalmar qualquer hora posso / Um dia todo posso acalmar / Coral é natural, café da capital / Da ilha longa nova de lá  / Coral é natural, café da capital /// 9. As Árvores // 6’50” // Composição: Arnaldo Antunes, Jorge Ben Jor // As árvores são fáceis de achar / Ficam plantadas no chão / Mamam do sol pelas folhas / E pela terra / Também bebem água / Cantam no vento / E recebem a chuva de galhos abertos / Há as que dão frutas / E as que dão frutos / As de copa larga / E as que habitam esquilos / As que chovem depois da chuva / As cabeludas, as mais jovens mudas / As árvores ficam paradas / Uma a uma enfileiradas / Na alameda / Crescem pra cima como as pessoas / Mas nunca se deitam / O céu aceitam / Crescem como as pessoas / Mas não são soltas nos passos / São maiores, mas / Ocupam menos espaço / Árvore da vida / Árvore querida / Perdão pelo coração / Que eu desenhei em você / Com o nome do meu amor. /// 10. Meu Coração // 6’05” // Composição: Arnaldo Antunes // Meu coração bate sem saber / Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender / Meu coração bate sem saber / Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender // Quem sente agora está ausente / Quem chora agora está por fora / Quem ama agora está na cama doente / Só corre nunca chega na frente / Se chega é pra dizer vou embora / Sorriso não me deixa contente //E todas as pessoas que falam pra me consolar / Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando / Sem ninguém pra dublar / Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar / Não sirvo pra quem dá conselho / Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar /// 11. Cachimbo // 2’34” // Composição: Edvaldo Santana // Sou a madeira que sempre fico na bera / Perfume de sarro e cera / Que dança no seu beicinho / É evidente que sou preso pelos dentes / Chaminé dos inocentes / Embebedo de mansinho // Sou pau de boca de saci a magistrado / Desejado e adorado / Alimentado pelo fumo / Mata cachorro bem capacho distraído / Carimbado e mau vestido / Que eu num sei qual é meu rumo // Sou a birita mescla de cachaça e mel / Cabeça seca pelo céu / Pela chama do atrito // No meu fornilho se deita qualquer tabaco / A chupada me faz fraco / Sou um verdadeiro pito // Seu pensador vê se decifra para mim / Eu já passei por tanto horror / Porque é que não morri? / Será que é só pra manter o combinado / Que pra ter um chupador / Ter que nascer um já chupado? // Tá assustado? / Tá assustado? / Tá assustado? /// 12. Quando Você Decidir // 3’23” // Composição: Odair José // Quando você decidir / Dar pra mim / Só pra mim / O seu amor // Eu vou estar sempre aqui / Perto daqui / Chame por mim / Por favor // Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor // Quando você decidir / Dar pra mim / Só pra mim / O seu carinho // Pegue seu telefone / Disque o meu número / Chame o meu nome / Por favor // Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor /// 13. Vou Festejar // 3’37” // Composição: João Bosco, Dida, Neoci // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar / Pode chorar, pode chorar(2x) // Ah, o seu castigo / Brigou comigo / Sem ter porquê // Eu, / vou festejar, vou festejar / O seu sofrer, o seu penar // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar / Pode chorar, pode chorar // Ah, o seu castigo / Brigou comigo / Sem ter porquê // Eu, / Vou festejar, vou festejar / O seu sofrer, o seu penar // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão (4x) // Você pagou… // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão!/// 14. Já Fui Uma Brasa // 3’37” // Composição: Adoniran Barbosa // Eu também um dia fui uma brasa / E acendi muita lenha no fogão / E hoje o que é que eu sou? / Quem sabe de mim é meu violão / Mas lembro que o rádio que hoje toca iê-iê-iê o dia inteiro, / Tocava saudosa maloca // Eu gosto dos meninos destes tal de iê-iê-iê, porque com eles, / Canta a voz do povo / E eu que já fui uma brasa, / Se assoprarem posso acender de novo // (declamado): / É negrão… eu ia passando, o broto olhou pra mim e disse: é uma cinza, mora? / Sim, mas se assoprarem debaixo desta cinza tem muita lenha pra queimar.

***

ps: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

ouvir também: Ninguém – Arnaldo Antunes

***

e alguns exercícios:

título: meu último poema de amor

meu último poema de amor

meu último poema de amor
é uma página nua
onde caberá o que há de vir
onde versos se farão futuro
como frutos
semeados
e fundos, brotarão
rompendo o que há
de obscuro úmido
e húmus desta vida
em busca da luz
da lua cheia
e do ardor solar

meu último poema de amor
é uma intenção,
tensa,
tesão,
ansioso pelos versos
que fruirão boca em boca…
e que decifrarão
os códigos, tatos, afetos
e o verbo
por ser dito
pela língua tua.

meu último poema de amor
durará toda a minha vida
e será de riso aberto
e de dura dor – pois confesso,
sou um tanto triste.

meu último poema de amor
conterá meu peito
ensanguentado, salgado e vermelho vivo,
submerso até a última gota na jornada
pelo novo que há neste mundo velho.

meu último poema de amor
te espera.

*

e outros rascunhos… ao som de Mallu Magalhães – Pitanga Completo e Clarice Falcão – Monomania Completo.

monólogo/monomania

[dom] 8 de setembro de 2013

novidades: nada. apenas o gosto amargo da cerveja ou o prolongamento do vinho – beber é algo diário. dediquei dois dias à jardinagem. fiz escada, cortei o mato, me enchi de espinhos nos dedos, separei terra para os futuros garapuvus – as árvores me deixam em paz, um dia eu largo essas gentes e vou me entocar bem lá dentro do mato. e na tv, peguei por acaso o cisne negro, puta filme, a perfeição. e meus planos de corrigir provas, organizar diários, preparar projetos… nada, tudo vai meio embrulhado após quinta-feira. é quase uma ânsia, é quase o vômito saindo quando penso em tudo isto. receber uma advertência não era o que eu queria. não era o que eu queria, isso, pra mim. mas isto é para a gente perceber que não deve se distanciar em demasia.

e das cotidianidades: a leitura de simone beauvoir segue animada. as datas estão na mesa: ifsc/ufsc. dentista, médico, bicicleta de izabel, tudo segue o mínimo, mais ou menos planejado. esperar paciente o plano se desenrolar no seu devido tempo. tempo lento. “é, babe, ainda me sinto mutilado, como se faltasse um pedaço, que não é tu que vai preencher, sacas. isto depende de mim eou do tempo, deste tempo lento. por enquanto somente exaustão e o desejo de estar só.”

Tudo se compõe, e se decompõe Tudo se compõe, e se decompõe Tudo se compõe, e se decompõe Tudo se compõe, e se decompõe (…) E assim Viajando pelo mundo sem fim O silêncio planta seu jardim” Paulinho Moska

e clarice falcão. toda.

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