Archive for the 'Carlinhos Brown – Antônio Carlos Santos de Freitas' Category

lá em casa ás árvores…

[dom] 5 de abril de 2015

Ao Vivo Lá Em Casa
Arnaldo Antunes
Estilo: Pop
Gravadora: Rosa Celeste
Ano: 2010

1. A Casa é Sua // 5’04” // Compositor: Arnaldo Antunes e Ortinho (Wharton Gonçalves Filho) // não me falta cadeira / não me falta sofá / só falta você sentada na sala / só falta você estar // não me falta parede / e nela uma porta pra você entrar / não me falta tapete / só falta o seu pé descalço pra pisar // não me falta cama / só falta você deitar / não me falta o sol da manhã / só falta você acordar // pra as janelas se abrirem pra mim / e o vento brincar no quintal / embalando as flores do jardim / balançando as cores no varal // a casa é sua / por que não chega agora? / até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora // a casa é sua / por que não chega logo? / nem o prego aguenta mais o peso desse relógio // não me falta banheiro quarto / abajur, sala de jantar / não me falta cozinha / só falta a campainha tocar // não me falta cachorro / uivando só porque você não está / parece até que está pedindo socorro / como tudo aqui nesse lugar // não me falta casa / só falta ela ser um lar / não me falta o tempo que passa / só não dá mais para tanto esperar // para os pássaros voltarem a cantar / e a nuvem desenhar um coração flechado / para o chão voltar a se deitar / e a chuva batucar no telhado // a casa é sua / por que não chega agora? / até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora // a casa é sua / por que não chega logo / nem o prego aguenta mais o peso desse relógio /// 2. Essa Mulher  // 3’05” //  Compositor: Arnaldo Antunes //   ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher //  ela goza com o sabonete / não precisa de você / ela goza com a mão / não precisa do seu pau //  ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher //  que não sente a sua falta / e quando você chega em casa ela não sente a sua presença / ela tem um travesseiro mais macio do que o seu braço / e um acolchoado muito mais quente que o seu abraço //  ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher /// 3.  Americana  // 3’32” //  Compositor: Arnaldo Antunes //  Ela é americana da América do Sul / Ela é americana da América do Sul / Eu amo uma americana / Ela é bacana e linda pra chuchu / Quando eu tô na pior / Ela está na melhor / Ela me dá tutu // Com ela não tem cara feia / Tudo é limpeza / Tudo está legal / Com ela não tem dedo-duro / Nada de furo / Ela é genial // Gosta de uma maluquice / Mas de caretice ela tem horror / Gosto da Americana / Não me fale dela / Eu lhe peço por favor //Tô gamado nela / Vou me casar com ela / Não tem deduração / Vou fazer com ela uma transação /// 4.  Consumado // 4’11” // Composição: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte //  Tô louco pra fazer / Um rock prá você / Tô punk de gritar / Seu nome sem parar… // Primeiro eu fiz um blues / Não era tão feliz / E de um samba-canção / Até baião eu fiz… // Tentei o tchá tchá tchá / Tentei um yê yê yê / Tô louco prá fazer / Um funk prá você… // E tá consumado / Tá consumado / Tá consumado / Tá consumado… // Fiz uma chanson d’amour / Fiz um love song for you / Fiz una canzone per te / Para impressionar você… // Prá todo mundo usar / Prá todo mundo ouvir / Prá quem quiser chorar / Prá quem quiser sorrir… // Na rádio e sem jabá / Na pista e sem cair / Um samba prá você / Um rock and roll to me… // E tá consumido / Tá consumido / Tá consumido / Tá consumido… // Fiz uma chanson d’amour / Fiz um love song for you / Fiz una canzone per te / Para impressionar você… /// 5. Sou Uma Criança, Não Entendo Nada // 3’26” // Composição: Erasmo Carlos // Antigamente quando eu me excedia / Ou fazia alguma coisa errada / Naturalmente minha mãe dizia: / “Ele é uma criança, não entende nada”… // Por dentro eu ria / Satisfeito e mudo / Eu era um homem / E entendia tudo… // Hoje só com meus problemas / Rezo muito, mas eu não me iludo / Sempre me dizem quando fico sério: / “Ele é um homem e entende tudo”… // Por dentro com / A alma tarantada / Sou uma criança / Não entendo nada…  /// 6. As Melhores Coisas // 3’24” // Composição: Arnaldo Antunes // Entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida / Você estava atrás do sétimo, oitavo lugar / Depois do violão, do irmão, do gibi, da bebida / Entre a luz do fim da tarde e o azul do mar / Quando se afastou de mim depois daquela intriga / Nem sei em que lugar da lista você foi parar / Nunca imaginei você não sendo minha amiga / Nem também sonhei que eu fosse me apaixonar // Mas mudou, você veio / Derrubando o mundo inteiro / Demorou, mas veio / Com a hora do recreio // Entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida / Tem a bike, a night, o Nike antes de você / Mas comecei a te querer depois da despedida / Isso professor nenhum explica porque / Agora fico te esperando na hora da saída / Tenho dez ou mais de mil segredos pra contar / De tudo que tem você a coisa preferida / Você finalmente chegou ao primeiro lugar // Seu blusão vermelho / O incenso do seu cheiro / Sua mão, seu cabelo / No meu travesseiro // Agora o tempo pode passar (3x) / Você já é primeiro lugar / Agora o tempo pode passar / Você já é primeiro lugar  /// 7. Envelhecer // 4’22” // Composição: Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho (Wharton Gonçalves Filho)  // A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer / A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer / Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer / Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer // Não quero morrer pois quero ver / Como será que deve ser envelhecer / Eu quero é viver pra ver qual é / E dizer venha pra o que vai acontecer // Eu quero que o tapete voe / No meio da sala de estar / Eu quero que a panela de pressão pressione / E que a pia comece a pingar / Eu quero que a sirene soe / E me faça levantar do sofá / Eu quero pôr Rita Pavone / No ringtone do meu celular / Eu quero estar no meio do ciclone / Pra poder aproveitar / E quando eu esquecer meu próprio nome / Que me chamem de velho gagá // Pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé / Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer / Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender / Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr // (…)   /// 8. Pra Aquietar // 2’55” // Composição: Luiz Melodia // O sol vermelho é o clarão do dia / Da ilha longa de paquetá / Domingo santo ou qualquer dia / Pra aquietar, pra aquietar / Os novos velhos tempos de férias / Cinema a atração que sumiu / Machismo, elegância paterna / Pra aquietar, pra aquietar / A noite é a brincadeira do dia / O dia é a brincadeira do mar / O mar é a brincadeira da vida / Pra aquietar, pra aquietar / Não posso pra lá paraguaio pára / Menino de cá faço o tempo parar / Eu posso acalmar qualquer hora posso / Um dia todo posso acalmar / Coral é natural, café da capital / Da ilha longa nova de lá  / Coral é natural, café da capital /// 9. As Árvores // 6’50” // Composição: Arnaldo Antunes, Jorge Ben Jor // As árvores são fáceis de achar / Ficam plantadas no chão / Mamam do sol pelas folhas / E pela terra / Também bebem água / Cantam no vento / E recebem a chuva de galhos abertos / Há as que dão frutas / E as que dão frutos / As de copa larga / E as que habitam esquilos / As que chovem depois da chuva / As cabeludas, as mais jovens mudas / As árvores ficam paradas / Uma a uma enfileiradas / Na alameda / Crescem pra cima como as pessoas / Mas nunca se deitam / O céu aceitam / Crescem como as pessoas / Mas não são soltas nos passos / São maiores, mas / Ocupam menos espaço / Árvore da vida / Árvore querida / Perdão pelo coração / Que eu desenhei em você / Com o nome do meu amor. /// 10. Meu Coração // 6’05” // Composição: Arnaldo Antunes // Meu coração bate sem saber / Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender / Meu coração bate sem saber / Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender // Quem sente agora está ausente / Quem chora agora está por fora / Quem ama agora está na cama doente / Só corre nunca chega na frente / Se chega é pra dizer vou embora / Sorriso não me deixa contente //E todas as pessoas que falam pra me consolar / Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando / Sem ninguém pra dublar / Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar / Não sirvo pra quem dá conselho / Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar /// 11. Cachimbo // 2’34” // Composição: Edvaldo Santana // Sou a madeira que sempre fico na bera / Perfume de sarro e cera / Que dança no seu beicinho / É evidente que sou preso pelos dentes / Chaminé dos inocentes / Embebedo de mansinho // Sou pau de boca de saci a magistrado / Desejado e adorado / Alimentado pelo fumo / Mata cachorro bem capacho distraído / Carimbado e mau vestido / Que eu num sei qual é meu rumo // Sou a birita mescla de cachaça e mel / Cabeça seca pelo céu / Pela chama do atrito // No meu fornilho se deita qualquer tabaco / A chupada me faz fraco / Sou um verdadeiro pito // Seu pensador vê se decifra para mim / Eu já passei por tanto horror / Porque é que não morri? / Será que é só pra manter o combinado / Que pra ter um chupador / Ter que nascer um já chupado? // Tá assustado? / Tá assustado? / Tá assustado? /// 12. Quando Você Decidir // 3’23” // Composição: Odair José // Quando você decidir / Dar pra mim / Só pra mim / O seu amor // Eu vou estar sempre aqui / Perto daqui / Chame por mim / Por favor // Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor // Quando você decidir / Dar pra mim / Só pra mim / O seu carinho // Pegue seu telefone / Disque o meu número / Chame o meu nome / Por favor // Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor /// 13. Vou Festejar // 3’37” // Composição: João Bosco, Dida, Neoci // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar / Pode chorar, pode chorar(2x) // Ah, o seu castigo / Brigou comigo / Sem ter porquê // Eu, / vou festejar, vou festejar / O seu sofrer, o seu penar // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar / Pode chorar, pode chorar // Ah, o seu castigo / Brigou comigo / Sem ter porquê // Eu, / Vou festejar, vou festejar / O seu sofrer, o seu penar // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão (4x) // Você pagou… // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão!/// 14. Já Fui Uma Brasa // 3’37” // Composição: Adoniran Barbosa // Eu também um dia fui uma brasa / E acendi muita lenha no fogão / E hoje o que é que eu sou? / Quem sabe de mim é meu violão / Mas lembro que o rádio que hoje toca iê-iê-iê o dia inteiro, / Tocava saudosa maloca // Eu gosto dos meninos destes tal de iê-iê-iê, porque com eles, / Canta a voz do povo / E eu que já fui uma brasa, / Se assoprarem posso acender de novo // (declamado): / É negrão… eu ia passando, o broto olhou pra mim e disse: é uma cinza, mora? / Sim, mas se assoprarem debaixo desta cinza tem muita lenha pra queimar.

***

ps: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

ouvir também: Ninguém – Arnaldo Antunes

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e alguns exercícios:

título: meu último poema de amor

meu último poema de amor

meu último poema de amor
é uma página nua
onde caberá o que há de vir
onde versos se farão futuro
como frutos
semeados
e fundos, brotarão
rompendo o que há
de obscuro úmido
e húmus desta vida
em busca da luz
da lua cheia
e do ardor solar

meu último poema de amor
é uma intenção,
tensa,
tesão,
ansioso pelos versos
que fruirão boca em boca…
e que decifrarão
os códigos, tatos, afetos
e o verbo
por ser dito
pela língua tua.

meu último poema de amor
durará toda a minha vida
e será de riso aberto
e de dura dor – pois confesso,
sou um tanto triste.

meu último poema de amor
conterá meu peito
ensanguentado, salgado e vermelho vivo,
submerso até a última gota na jornada
pelo novo que há neste mundo velho.

meu último poema de amor
te espera.

*

e outros rascunhos… ao som de Mallu Magalhães – Pitanga Completo e Clarice Falcão – Monomania Completo.

iso-butil-propanóico-fenólico

[ter] 16 de dezembro de 2014

e depois do último texto tudo piorou. a inflamação na garganta, a bagunça da casa, o cansaço, a dor no corpo, a quantidade de ibuprofeno que os rins precisam aturar… enfim… nível ]quase] zero de ânimo.

e o saldo da semana é: obrigações morais e técnicas executadas, restando apenas assinar o livro ponto e confraternizar. mas sinto que falta tanta coisa que é quase como se eu estivesse soterrado, e tão só, por toneladas de coisas incumpridas… como se eu estivesse milhares de qualquer medida de distância do que penso/gostaria/consigo/ ser…

apenas um grão neste deserto de escombros e ruínas…

***

e desta tarde onde o mar numa brecha entre as árvores cega meu olho refletindo o sol sob/sobre* as nuvens… é lindo, até o vidro quebrado da janela colado com papel-contact** transparente que borra o céu, o sol e as folhas. ouço caetano, mateio e ingiro outro dose de ibuprofeno.

nota de roda pé, no céu da página *sob/sobre depende do ponto de referência… onde a terra firme é apenas um ponto no vasto universo em expansão… **que nem é papel… ***ps: o sol se foi nesta uma hora ouvindo caetano e organizando isto cá:

***

O ESTRANGEIRO (1989) estrangeiro 001

#1. O Estrangeiro // Composição: Caetano Veloso // O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara / O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela / A Baía de Guanabara / O antropólogo Claude Levy-strauss detestou a Baía de Guanabara: / Pareceu-lhe uma boca banguela. / E eu menos a conhecera mais a amara? / Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela / O que é uma coisa bela? / O amor é cego / Ray Charles é cego / Stevie Wonder é cego / E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem / Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem? / Uma arara? / Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara / Em que se passara passa passará o raro pesadelo / Que aqui começo a construir sempre buscando o belo e o amaro / Eu não sonhei que a praia de Botafogo era uma esteira rolante deareia brancae de óleo diesel / Sob meus tênis / E o Pão de Açucar menos óbvio possível / À minha frente / Um Pão de Açucar com umas arestas insuspeitadas / À áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura / Do branco das areias e das espumas / Que era tudo quanto havia então de aurora / Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas / E uma menina ainda adolescente e muito linda / Não olho pra trás mas sei de tudo / Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo / Mas eu não desejo ver o terno negro do velho / Nem os dentes quase não púrpura da menina / (pense Seurat e pense impressionista / Essa coisa de luz nos brancos dentes e onda / Mas não pense surrealista que é outra onda) / E ouço as vozes / Os dois me dizem / Num duplo som / Como que sampleados num sinclavier: / “É chegada a hora da reeducação de alguém / Do Pai do Filho do espirito Santo amém / O certo é louco tomar eletrochoque / O certo é saber que o certo é certo / O macho adulto branco sempre no comando / E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo / Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita / Riscar os índios, nada esperar dos pretos” / E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento / Sigo mais sozinho caminhando contra o vento / E entendo o centro do que estão dizendo / Aquele cara e aquela: / É um desmascaro / Singelo grito: / “O rei está nu” / Mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú / E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo / E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo. / (“Some may like a soft brazilian singer / but i’ve given up all attempts at perfection”). // #2. Rai das Cores // Composição: Caetano Veloso // Para a folha: verdePara o céu: azulPara a rosa: rosaPara o mar: azul / Para a cinza: cinzaPara a areia: ouroPara a terra: pardoPara a terra: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) / Para a chuva: prataPara o sol: laranjaPara o carro: negroPara a pluma: azul / Para a nuvem: brancoPara a duna: brancoPara a espuma: brancoPara o ar: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) / Para o bicho: verdePara o bicho: brancoPara o bicho: pardoPara o homem: azul / Para o homem: negroPara o homem: rosaPara o homem: ouroPara o anjo: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) / Para a folha: rubroPara a rosa: palhaPara o ocaso: verdePara o mar: cinzento / Para o fogo: azulPara o fumo: azulPara a pedra: azulPara tudo: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) // #3. Branquinha // Composição: Caetano Veloso // Eu sou apenas um velho baiano / Um fulano, um caetano, um mano qualquer / Vou contra a via, canto contra a melodia / Nado contra a maré / Que é que tu vê, que é que tu quer, / Tu que é tão rainha? / Branquinha / Carioca de luz própria, luz / Só minha / Quando todos os seus rosas nus / Todinha / Carnação da canção que compus / Quem conduz / Vem, seduz / Este mulato franzino, menino / Destino de nunca ser homem, não / Este macaco complexo / Este sexo equívoco / Este mico-leão / Namorando a lua e repetindo: / A lua é minha / Branquinha / Pororoquinha, guerreiro é / Rainha / De janeiro, do Rio, do onde é / Sozinha / Mão no leme, pé no furacão / Meu irmão / Neste mundo vão / Mão no leme, pé no carnaval / Meu igual / Neste mundo mau // #4.  Os outros românticos // Composição: Caetano Veloso // Eram os outros românticos, no escuro / Cultuavam outra idade média, situada no futuro / Não no passado / Sendo incapazes de acompanhar / A baba Babel de economias / As mil teorias da economia / Recitadas na televisão / Tais irredutíveis ateus / Simularam uma religião / E o espírito era o sexo de Pixote, então / Na voz de algum cantor de rock alemão / Com o ódio aos que mataram Pixote a mão / Nutriam a rebeldia e a revolução / E os trinta milhões de meninos abandonados do Brasil / Com seus peitos crescendo, seus paus crescendo / E os primeiros mênstruos / Compunham as visões dos seus vitrais / E seus apocalipses mais totais / E suas utopias radicais / Anjos sobre Berlim / “O mundo desde o fim” / E no entanto era um SIM / E foi e era e é e será sim // #5.  Jasper // Composição: Arto Lindsay / Caetano Veloso / Peter Scherer // Time is as weak as water / I’m kneeling on the shore / Showers, palmfronds / Cross me spilling / Silver, sidewalks / Lips so red world so wide / Around my head / Waiting / Time is as weak as water / I taught myself a lesson / I put myself to sleep / Sirens, jasmin / Jasper, flagpole / Tree top, sidewalk / Thursday night, magnolia / Along my street / Later / I taught myself a lesson // #6. Este amor // Composição: Brian Howe // Se alguém pudesse ser um siboney / Boiando à flor do sol / Se alguém, seu arquipélago, seu rei / Seu golfo e seu farol / Captasse a cor das cores da razão do sal da vida / Talvez chegasse a ler / O que este amor tem como lei / Se alguém, judeu, iorubá, nissei, bundo, / Rei na diáspora / Abrisse as suas asas sobre o mundo / Sem ter nem precisar / E o mundo abrisse já, por sua vez, / Asas e pétalas / Não é bem, talvez, em flor / Que se desvela o que este amor / (Tua boca brilhando, boca de mulher, / Nem mel, nem mentira, / O que ela me fez sofrer, o que ela me deu de prazer, / O que de mim ninguém tira / Carne da palavra, carne do silêncio, / Minha paz e minha ira / Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca) / Se alguém, cantasse mais do que ninguém / Do que o silêncio e o grito / Mais íntimo e remoto, perto além / Mais feio e mais bonito / Se alguém pudesse erguer o seu Gilgal em Bethania… / Que anjo exterminador tem como guia o deste amor? / Se alguém, nalgum bolero, nalgum som / Perdesse a máscara / E achasse verdadeiro e muito bom / O que não passará / Dindinha lua brilharia mais no céu da ilha / E a luz da maravilha / E a luz do amor / Sobre este amor // #7. Outro retrato // Composição: Caetano Veloso // Minha música vem da / Música da poesia de um poeta João que / Não gosta de música / Minha poesia vem / Da poesia da música de um João músico que / Não gosta de poesia / O dado de Cabral / A descoberta de Donato / O fato, o sinal / O sal, o ato, o salto: / Meu outro retrato // #8. Etc. // Composição: Caetano Veloso // Estou sozinho, estou triste, etc. / Quem virá com a nova brisa que penetra? / Pelas frestas do meu ninho. / Quem insiste em anunciar-se no desejo. / Quem tanto não vejo ainda / Vem, pessoa secreta. Vem, te chamo. / Vem / Etc. // #9. Meia Lua Inteira. // Composição: Carlinhos Brown // Meia Lua Inteira sopapo / Na cara do fraco / Estrangeiro gozador / Cocar de coqueiro baixo / Quando engano se enganou… / São dim, dão, dão / São Bento / Grande homem de movimento / Martelo do tribunal / Sumiu na mata adentro / Foi pego sem documento / No terreiro regional… / Uera rá rá rá / Uera rá rá rá / Terça-Feira / Capoeira rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá / Verdadeiro rá rá rá / Derradeiro rá rá rá / Não me impede de cantar / Rá rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá… / Bimba birimba a mim que diga / Taco de arame, cabaça, barriga / São dim, dão, dão / São Bento / Grande homem de movimento / Nunca foi um marginal / Sumiu na praça a tempo / Caminhando contra o vento / Sobre a prata capital… / Uera rá rá rá / Uera rá rá rá / Terça-Feira / Capoeira rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá / Derradeiro rá rá rá / Verdadeiro rá rá rá / Não me impede de cantar / Rá rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá… / Uera rá rá rá / Uera rá rá rá / Terça-Feira / Capoeira rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá / Verdadeiro rá rá rá / Derradeiro rá rá rá / Não me impede de cantar / Rá rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá… // #10. Genipapo Absoluto // Composição: Caetano Veloso // Como será pois se ardiam fogueiras / Com olhos de areia quem viu / Praias, paixões fevereiras / Não dizem o que junhos de fumaça e frio / Onde e quando é genipapo absoluto / Meu pai, seu tanino, seu mel / Prensa, esperança, sofrer prazeria / Promessa, poesia, Mabel / Cantar é mais do que lembrar / É mais do que ter tido aquilo então / Mais do que viver do que sonhar / É ter o coração daquilo / Tudo são trechos que escuto – vêm dela / Pois minha mãe é minha voz / Como será que isso era este som / Que hoje sim, gera sóis, dói em dós / “Aquele que considera” / A saudade de uma mera contraluz que vem / Do que deixou pra trás / Não, esse só desfaz o signo / E a “rosa também” /// ***

e na virada do disco… Outro álbum de caetano… Fina Estampa:

#1. Rumba Azul // Composição: Armando Oréfiche // A la rumba azul / Vamos / Llega chique… / A mi corazón… !ay,ay,ay,ay! / Es su canto azul, sensual / Con su tique… / Ya llegó el amor / !ay,ay,ay,ay! / Madame / Trilirutiru…… / Dulce es mi cantar / !oh rumba azul! / Madame / Uricutricu…. / Ilusión azul / !oh rumba azul! // …

ps: mas este disco fica para outro dia…

y de noche se llama jimmy coffles…

[ter] 27 de janeiro de 2009

y de noche se llama jimmy coffles.
—-
soy un jimmy coffles. minha venezuela é aqui. mi hermanos son parte de mi. soy el dolor del hombre. soy el sudor del mundo… soy el sueño de la possibilidad humana… soy gente, soy pueblo en lucha!

***

pano azul. letras tinta negra. cartão. papel amassado. como se tudo ao entorno fosse de outra cor roséa como as nuvens ou as manhãs. Este quarto, este corpo segue com seus papéis amontoados pelas estantes, pelas mesas, pelo chão… no centro, flanando sozinho pelas pedras, andando sob as velhas árvores e ao olhar do casario visitei o pintor em seus fragmentos e estudos. Escorreguamos pelo chão de grossas tábuas e nos aconcheguamos entre as grossas paredes de tijolo, pedra e oléo de baleia…  sua velha casa de quando ainda vivia. e ele apenas emoldurado e eu alimentando-me de seus traços. sonhei no traço de óleo ou grafite sobre cartão… daniel-senise-doou-a-obra-wl-140-e28093-setembro-08-e28093-0709

… Enquanto conversávamos me perguntava, ele, o que será dado? Que caminhos e pedras encontrará por esta jornada que sigo? Me pego só, rodeado por fragmentos de gente, conversando já calçada ou em pleno centro da rua movimentada com os devaneios de outros tempos, com seres futuros… com as hipóteses. Se por estes dias tenho me sentido levemente deprimido ou sufocado com a necessidade de ser outro que não este, a crise falava isto para mim, e quando sorrio com este que estou? Hoje sobrevivi,

vi por trás dos panos do teatro o teatro repleto de emoção… vi o cangaceiro, vi o pingo dágua na bacia, vi meu deslumbramento diante do sonho de viver, me vi ali em outros tempos e eu sonhava… me reencontrei com o sonho, essa poeira mágica que movimenta estes pés calejados de quando fora ao espetáculo por primeira vez.

[e chega deste cansaço e desta solidão].
….

no volume máximo para a minha garganta sentir arranhar o céu… ////// A boiada seca / Na enxurrada seca / A trovoada seca /Na enxada seca /// Segue o seco sem sacar que o caminho é seco/ Sem sacar que o espinho é seco / Sem sacar que seco é o Ser Sol / Sem sacar que algum espinho seco secará / E a água que sacar será um tiro seco / E secará o seu destino secará /// Ô chuva, vem me dizer / Se posso ir lá em cima prá derramar você / Ô chuva, preste atenção / Se o povo lá de cima vive na solidão /// Se acabar não acostumando / Se acabar parado calado / Se acabar baixinho chorando / Se acabar meio abandonado / Pode ser lágrimas de São Pedro / Ou talvez um grande amor chorando / Pode ser o desabotoado céu / Pode ser coco derramando /// Carlinhos Brown / Marisa Monte

…: 5mm no lóbulo direito e vejo o outro lado. respire fundo coração… o mundo é teu sebastião!

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