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iso-butil-propanóico-fenólico

[ter] 16 de dezembro de 2014

e depois do último texto tudo piorou. a inflamação na garganta, a bagunça da casa, o cansaço, a dor no corpo, a quantidade de ibuprofeno que os rins precisam aturar… enfim… nível ]quase] zero de ânimo.

e o saldo da semana é: obrigações morais e técnicas executadas, restando apenas assinar o livro ponto e confraternizar. mas sinto que falta tanta coisa que é quase como se eu estivesse soterrado, e tão só, por toneladas de coisas incumpridas… como se eu estivesse milhares de qualquer medida de distância do que penso/gostaria/consigo/ ser…

apenas um grão neste deserto de escombros e ruínas…

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e desta tarde onde o mar numa brecha entre as árvores cega meu olho refletindo o sol sob/sobre* as nuvens… é lindo, até o vidro quebrado da janela colado com papel-contact** transparente que borra o céu, o sol e as folhas. ouço caetano, mateio e ingiro outro dose de ibuprofeno.

nota de roda pé, no céu da página *sob/sobre depende do ponto de referência… onde a terra firme é apenas um ponto no vasto universo em expansão… **que nem é papel… ***ps: o sol se foi nesta uma hora ouvindo caetano e organizando isto cá:

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O ESTRANGEIRO (1989) estrangeiro 001

#1. O Estrangeiro // Composição: Caetano Veloso // O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara / O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela / A Baía de Guanabara / O antropólogo Claude Levy-strauss detestou a Baía de Guanabara: / Pareceu-lhe uma boca banguela. / E eu menos a conhecera mais a amara? / Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela / O que é uma coisa bela? / O amor é cego / Ray Charles é cego / Stevie Wonder é cego / E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem / Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem? / Uma arara? / Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara / Em que se passara passa passará o raro pesadelo / Que aqui começo a construir sempre buscando o belo e o amaro / Eu não sonhei que a praia de Botafogo era uma esteira rolante deareia brancae de óleo diesel / Sob meus tênis / E o Pão de Açucar menos óbvio possível / À minha frente / Um Pão de Açucar com umas arestas insuspeitadas / À áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura / Do branco das areias e das espumas / Que era tudo quanto havia então de aurora / Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas / E uma menina ainda adolescente e muito linda / Não olho pra trás mas sei de tudo / Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo / Mas eu não desejo ver o terno negro do velho / Nem os dentes quase não púrpura da menina / (pense Seurat e pense impressionista / Essa coisa de luz nos brancos dentes e onda / Mas não pense surrealista que é outra onda) / E ouço as vozes / Os dois me dizem / Num duplo som / Como que sampleados num sinclavier: / “É chegada a hora da reeducação de alguém / Do Pai do Filho do espirito Santo amém / O certo é louco tomar eletrochoque / O certo é saber que o certo é certo / O macho adulto branco sempre no comando / E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo / Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita / Riscar os índios, nada esperar dos pretos” / E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento / Sigo mais sozinho caminhando contra o vento / E entendo o centro do que estão dizendo / Aquele cara e aquela: / É um desmascaro / Singelo grito: / “O rei está nu” / Mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú / E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo / E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo. / (“Some may like a soft brazilian singer / but i’ve given up all attempts at perfection”). // #2. Rai das Cores // Composição: Caetano Veloso // Para a folha: verdePara o céu: azulPara a rosa: rosaPara o mar: azul / Para a cinza: cinzaPara a areia: ouroPara a terra: pardoPara a terra: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) / Para a chuva: prataPara o sol: laranjaPara o carro: negroPara a pluma: azul / Para a nuvem: brancoPara a duna: brancoPara a espuma: brancoPara o ar: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) / Para o bicho: verdePara o bicho: brancoPara o bicho: pardoPara o homem: azul / Para o homem: negroPara o homem: rosaPara o homem: ouroPara o anjo: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) / Para a folha: rubroPara a rosa: palhaPara o ocaso: verdePara o mar: cinzento / Para o fogo: azulPara o fumo: azulPara a pedra: azulPara tudo: azul / (quais são as cores que são suas cores de predileção?) // #3. Branquinha // Composição: Caetano Veloso // Eu sou apenas um velho baiano / Um fulano, um caetano, um mano qualquer / Vou contra a via, canto contra a melodia / Nado contra a maré / Que é que tu vê, que é que tu quer, / Tu que é tão rainha? / Branquinha / Carioca de luz própria, luz / Só minha / Quando todos os seus rosas nus / Todinha / Carnação da canção que compus / Quem conduz / Vem, seduz / Este mulato franzino, menino / Destino de nunca ser homem, não / Este macaco complexo / Este sexo equívoco / Este mico-leão / Namorando a lua e repetindo: / A lua é minha / Branquinha / Pororoquinha, guerreiro é / Rainha / De janeiro, do Rio, do onde é / Sozinha / Mão no leme, pé no furacão / Meu irmão / Neste mundo vão / Mão no leme, pé no carnaval / Meu igual / Neste mundo mau // #4.  Os outros românticos // Composição: Caetano Veloso // Eram os outros românticos, no escuro / Cultuavam outra idade média, situada no futuro / Não no passado / Sendo incapazes de acompanhar / A baba Babel de economias / As mil teorias da economia / Recitadas na televisão / Tais irredutíveis ateus / Simularam uma religião / E o espírito era o sexo de Pixote, então / Na voz de algum cantor de rock alemão / Com o ódio aos que mataram Pixote a mão / Nutriam a rebeldia e a revolução / E os trinta milhões de meninos abandonados do Brasil / Com seus peitos crescendo, seus paus crescendo / E os primeiros mênstruos / Compunham as visões dos seus vitrais / E seus apocalipses mais totais / E suas utopias radicais / Anjos sobre Berlim / “O mundo desde o fim” / E no entanto era um SIM / E foi e era e é e será sim // #5.  Jasper // Composição: Arto Lindsay / Caetano Veloso / Peter Scherer // Time is as weak as water / I’m kneeling on the shore / Showers, palmfronds / Cross me spilling / Silver, sidewalks / Lips so red world so wide / Around my head / Waiting / Time is as weak as water / I taught myself a lesson / I put myself to sleep / Sirens, jasmin / Jasper, flagpole / Tree top, sidewalk / Thursday night, magnolia / Along my street / Later / I taught myself a lesson // #6. Este amor // Composição: Brian Howe // Se alguém pudesse ser um siboney / Boiando à flor do sol / Se alguém, seu arquipélago, seu rei / Seu golfo e seu farol / Captasse a cor das cores da razão do sal da vida / Talvez chegasse a ler / O que este amor tem como lei / Se alguém, judeu, iorubá, nissei, bundo, / Rei na diáspora / Abrisse as suas asas sobre o mundo / Sem ter nem precisar / E o mundo abrisse já, por sua vez, / Asas e pétalas / Não é bem, talvez, em flor / Que se desvela o que este amor / (Tua boca brilhando, boca de mulher, / Nem mel, nem mentira, / O que ela me fez sofrer, o que ela me deu de prazer, / O que de mim ninguém tira / Carne da palavra, carne do silêncio, / Minha paz e minha ira / Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca) / Se alguém, cantasse mais do que ninguém / Do que o silêncio e o grito / Mais íntimo e remoto, perto além / Mais feio e mais bonito / Se alguém pudesse erguer o seu Gilgal em Bethania… / Que anjo exterminador tem como guia o deste amor? / Se alguém, nalgum bolero, nalgum som / Perdesse a máscara / E achasse verdadeiro e muito bom / O que não passará / Dindinha lua brilharia mais no céu da ilha / E a luz da maravilha / E a luz do amor / Sobre este amor // #7. Outro retrato // Composição: Caetano Veloso // Minha música vem da / Música da poesia de um poeta João que / Não gosta de música / Minha poesia vem / Da poesia da música de um João músico que / Não gosta de poesia / O dado de Cabral / A descoberta de Donato / O fato, o sinal / O sal, o ato, o salto: / Meu outro retrato // #8. Etc. // Composição: Caetano Veloso // Estou sozinho, estou triste, etc. / Quem virá com a nova brisa que penetra? / Pelas frestas do meu ninho. / Quem insiste em anunciar-se no desejo. / Quem tanto não vejo ainda / Vem, pessoa secreta. Vem, te chamo. / Vem / Etc. // #9. Meia Lua Inteira. // Composição: Carlinhos Brown // Meia Lua Inteira sopapo / Na cara do fraco / Estrangeiro gozador / Cocar de coqueiro baixo / Quando engano se enganou… / São dim, dão, dão / São Bento / Grande homem de movimento / Martelo do tribunal / Sumiu na mata adentro / Foi pego sem documento / No terreiro regional… / Uera rá rá rá / Uera rá rá rá / Terça-Feira / Capoeira rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá / Verdadeiro rá rá rá / Derradeiro rá rá rá / Não me impede de cantar / Rá rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá… / Bimba birimba a mim que diga / Taco de arame, cabaça, barriga / São dim, dão, dão / São Bento / Grande homem de movimento / Nunca foi um marginal / Sumiu na praça a tempo / Caminhando contra o vento / Sobre a prata capital… / Uera rá rá rá / Uera rá rá rá / Terça-Feira / Capoeira rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá / Derradeiro rá rá rá / Verdadeiro rá rá rá / Não me impede de cantar / Rá rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá… / Uera rá rá rá / Uera rá rá rá / Terça-Feira / Capoeira rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá / Verdadeiro rá rá rá / Derradeiro rá rá rá / Não me impede de cantar / Rá rá rá rá / Tô no pé de onde der / Rá rá rá rá… // #10. Genipapo Absoluto // Composição: Caetano Veloso // Como será pois se ardiam fogueiras / Com olhos de areia quem viu / Praias, paixões fevereiras / Não dizem o que junhos de fumaça e frio / Onde e quando é genipapo absoluto / Meu pai, seu tanino, seu mel / Prensa, esperança, sofrer prazeria / Promessa, poesia, Mabel / Cantar é mais do que lembrar / É mais do que ter tido aquilo então / Mais do que viver do que sonhar / É ter o coração daquilo / Tudo são trechos que escuto – vêm dela / Pois minha mãe é minha voz / Como será que isso era este som / Que hoje sim, gera sóis, dói em dós / “Aquele que considera” / A saudade de uma mera contraluz que vem / Do que deixou pra trás / Não, esse só desfaz o signo / E a “rosa também” /// ***

e na virada do disco… Outro álbum de caetano… Fina Estampa:

#1. Rumba Azul // Composição: Armando Oréfiche // A la rumba azul / Vamos / Llega chique… / A mi corazón… !ay,ay,ay,ay! / Es su canto azul, sensual / Con su tique… / Ya llegó el amor / !ay,ay,ay,ay! / Madame / Trilirutiru…… / Dulce es mi cantar / !oh rumba azul! / Madame / Uricutricu…. / Ilusión azul / !oh rumba azul! // …

ps: mas este disco fica para outro dia…

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