Archive for the 'apontamentos diários' Category

desacelera vagner

[qui] 9 de fevereiro de 2017

desacelera vagner… te acalma.

é muita coisa ao mesmo tempo. pessoas novas, reencontrar amigos, novo trabalho, expectativas… acalma ai.

sobretudo, desacelera… engole essa empolgação, respira fundo.

porque pessoas interessantes me excitam. esses seres humanos que sonham e querer transformar as coisas me encantam e me deixam super excitado… fico eu viajando alto, sonhando com mil projetos possíveis. mas eu preciso desacelerar… é preciso pés nos chão pra poder voar.

senta essa bunda ai, respirar… abre um editor de texto e começa a digitar. mas respira… presta atenção nas palavras…

pois o teclado, a tela, as nuvens não vão sair voando por ai.

e amanhã vai ser mais longo.

pequeno sarau familiar

[qua] 8 de fevereiro de 2017

comecei um poema novo.

*

agora tenho 4 blogues online (esse diário pessoal, outro como um index, outro de sociologia e outro para os poemas meus)

*

ontem fizemos um pequeno sarau familiar.
minha filha lia poemas do livro que andava a ler,
eu lia os meus
e minha mãe os dela.

foi bacana.

*

a inflamação no meu corpo continua. resolver isto urgente.

*

acabei de mudar os planos da tarde.
vou pra escola não.
vou ficar em casa e finalizar meu projeto de plano de ensino,
e arrumar meu quarto.

vou só pela noite.
*

checklist do retorno às escolas

[seg] 6 de fevereiro de 2017

ou a minha lista de verificações do retorno para mais um ano letivo.

1h00 – expectativa: estar dormindo. realidade:nada ainda – estou muito acelerado. obs. não durmo há 32 horas. desde sábado à tarde.

6h30 – expectativa: acordar. realidade: após cochilos leves, as 4h30 acordei. não consigo dormir. misto de ansiedade, e outros sentimentos difusos. possíveis causas: #1 medo de perder a hora no meu primeiro dia na escola nova #2 tem revirada a montanha de coisas anotadas, poemas, notas diárias, dos últimos dez anos. [ps: eu parei um tempo naquele poema que fiz pra ti. pensei ter ouvido a sua voz pela sacada de minha casa, aqui no meio das árvores, no alto desta montanha… parei um tempo tentando decifrar o que falavam, onde era a festa. misturei as coisas.]

7h10 – expectativa: sair de casa e pegar o busão de 7h15. realidade… sai era 7h20 e poucos. perdi o horário do ônibus.

8h00 – expectativa: estar na escola. horário marcada da reunião de apresentação. realidade:andei 3km. estou derretendo. o sol está cozinhando meus miolos. nem cheguei no terminal ainda. cheguei na escola era 8h40. a reunião começou 9h30. tomei café e socializei. mas o sono, os olhos doendo, a camisa encharcada, o corpo todo suado…

***

escola nova. novo passo. muitas pessoas novas. duas coisas [ou a síntese do turbilhão de coisas que passaram pela minha mente quando rolava na cama, quando caminha, quando estava no meio das pessoas….]:

  1. sou um cara que ainda sente uma irresistivel atração pelo isolamento. eventos sociais são desconfortáveis. me sinto estrangeiro. dolorosamente prefiro a solidão. é um hábito emocional. um tic social… sou o cara calado e esquisito. minha mente delira… e as pessoas no geral me dão tédio.
  2. pretendo mudar alguns hábitos. mas sozinho é tão dificil. as vezes o mundo não parece o buraco de um poço. as vezes o mundo é um poço, e agente segue em queda livre. lembrete importante: recuperar o lema: paciência e coragem. e buscar ajuda especializada.
  3. reencontrei o fábio, seremos companheiros de escola. vai ser bom ter a companhia dele, de sabrina, de ed. escola nova, mas pessoas próximas.

 

 

um ponto de fuga qualquer para o olhar

[seg] 30 de janeiro de 2017

7h36 já na hora de sair é que o sono chega. mas vai ter que esperar. por alguns poucos e sofridos minutos na viagem do ônibus lotado.

9h41 após uma hora embalada por uns três ou quatros cochilos pontuais de mais ou menos dez minutos… teus olhos estão vermelhos. e isto é o máximo que poderás dormir neste dia morno. hoje é um dia morno e cinza. e você abre a janela na esperança que qualquer brisa bata de leve e amenize… mas o que sufoca a cara é um bafo morno, que te coze de lufada em lufada… e em poucos instantes, teu corpo transborda… verte suor de regiões inimagináveis. síntese – morto de sono e encharcado de suor.

10h12 ali, deitado, com a boca escancarada, salivando, tu busca um ponto de fuga para o olhar, para esquecer a violência e o carinho de ter alguém mexendo em sua boca. um ponto de fuga qualquer para o olhar, e no teto branco daquela sala há um ponto escuro, e ao redor mais pontos obscuros… há uma constelação de micro pontos escuros. tu esquece do holofote, da boca, da saliva, de alguém mexendo dentro de você e te perdes naqueles pontos… vã é a tentativa de identificar a origem daquelas marcas. nos tetos brancos habitam porções de morte e de vida deixadas ao acaso, apenas isto.

11h46 O prazer do texto. Roland Barthes.

 

shoreless e o pó da estrada

[dom] 29 de janeiro de 2017

7h30 o despertador acorda. ¡volta a dormir despertador!

11h12 ele dormiu demais, mas seu corpo ainda dói.

12h49 quase… daúde.

«Quase fui feliz um dia
Lembrar é quase promessa
É quase quase alegria, quase fui feliz à beça
Mas você só me dizia:
Meu amor vem cá sai dessa» 
Composição: Caetano Veloso / Antonio Cícero

13h28 trovoadas no céu. na vitrola só sambas de amor/dor.

15h16 copiei o texto dela e colei no googletranslate. não para traduzir, mas para ouvi-la, enquanto fazia outras coisas. aquelas palavras de mistérios, caminhos, buscas e descobertas me insinuavam uma mulher distante daquele sorriso apaixonante que ela tinha quando a vi pela primeira vez – talvez porque lhe desse substância e um gosto diferente. mesmo as marcas do tempo determinando o passar das coisas, pelas fotografias eu podia intuir que ela ainda tinha/devia ter aquele sorriso. mas essa colagemde palavras não é sobre o poder de feitiço dela em [me] encantar, de quase dez anos atrás, mas é sobre as palavras que ela escreve/fala, agora. essas palavras que oscilante entre uma carta de intenção e um poema quase místico, tem um quê de mim, da dúvidas, do que é humano, do que somos feitos… dos conselhos, das danças com seres mágicos, dos itinerários percorridos, dos mergulhos, do que é aprendido sobre si mesmo, essas versões que vamos encontrando pelo teatro da vida, peças de um mosaico sempre em desenvolvimento… do pó que vamos colhendo pelas estradas da vida.

registro: dela, a luz dos olhos e sorriso solar, que guardo vivo na memória, de quando éramos mais jovens. e hoje, mulher feita, e distante, suas palavras que narram o estranhamento de se colocar a mochila vazia num armário desarrumado esperando a próxima partida rumo ao reencontro de uma nova parte, um fragmento ainda desconhecido de si.

trilha de fundo: O Pó da Estrada – Sá, Rodrix & Guarabyra

«0 pó da estrada gruda no meu rosto, / Como a distância, matando as palavras, / Na minha boca sempre o mesmo assunto, / O pó da estrada. / O pó da estrada brilha nos meus olhos, / Como as distâncias mudam as palavras, / Na minha boca sempre a mesma sede, / O pó da estrada. / Conheci um velho vagabundo, / Que andava por aí sem querer parar, / Quando parava, / Ele dizia a todos, / Que o seu coração ainda rolava pelo mundo. / O pó da estrada fica em minha roupa, / O cheiro forte da poeira levantada, / Levando a gente sempre mais à frente, / Nada mais urgente, / Que o pó da estrada, / Que o pó da estrada.»

16h04 – Novos Baianos – Programa Ensaio 1973

trainspotting

[qui] 26 de janeiro de 2017

«(Spoken):
Dr. No
From Russia With Love
You Only Live Twice
Goldfinger
Diamonds Are Forever
Thunderball
Never Say Never Again»

 damon albarn – closet romantic (trainspotting soundtrack) [1996]

***

o filme acabou. a música tá rolando…

e deu a vontade de registrar algo…

escrever hoje e editar os vários dias que ficaram no rascunho.

certo então!?

nada certo. última semana das férias… porque na próxima semana é aquela em que você começa a se organizar para voltar. porque fevereito chegou…

mas os feitos de um mês de férias, hein?… nada, vadiagem total, muito sorvete, um pouco de vinho, umas brejas, uma semana de antibióticos, muito tortéi, muita pizza. um bocado de conversa fiada, visita ao dentista, sete temporadas de jornada nas estrelas, um livro lido (teorema geral do esquecimento – eduardo agualusa ), cinco filmes e mais duas séries… pouca vitamina d. dermatite intensa. eu literalmente tirei férias em janeiro.

***

26/1 transpotting, sem limites. um puta filme. surreal e trash. o sotaque escocês. a cena do vaso. o bebê e as alucinações com o bebê (duas impressões… chocante e fake). nota 9,5

26/1 clube de compras dallas (dallas buyers club). matthew mcconaughey em ossos. a cena de jared leto vomitando sangue. embarguei na cena que ron chega no hospital e rayon não está mais no quarto. bonito filme. nota 9,0

26/1 o homem que viu o infinito ( the man who knew infinity). sobre srinivasa ramanujan. jeremy irons e dev patel estão bem. é um filme bonito, mas falta algo… nota 7,0

24/1-26/1 primeira tempora, 16 episódios, outlander. a premissa é surreal, mas se tu embarca… é até interessante. viagem mística no tempo… highlanders e ingleses no séc. xviii.  é uma série com passagens fortes, bem eróticas… a ideia do narrador é interessante. é bonita esteticamente, mas no desenvolvimento é por vezes arrastada; fiquei tentando comparar as vestimentas do exército inglês com a série frontier. nota 7,0.

23/1 o roubo da taça… jules e dolores. a premissa… o roubo da taça do tri. um filme hilário… e o mais absurdo que é que a parte mais engraçada é baseada em fatos reais. peralta, o gringo, a dolores ótimos… só o finalzinho achei que ficou um furo. nota 9,5.

23/1 6 episódios, primeira temporada. frontier. a premissa é interessante… gostei da idéia de apresentar índios e ingleses, no séc. xviii. mas o desenvolvimento é fraco. e em algumas momentos abusa da paciência… como as recorrentes visitas de declan harp à grace emberly. nota 5,0

5/1-22/1 mais de 170 episódios. 7 temporadas… uma imersão na enterprise. me senti voltando no tempo… vinte anos no tempo. foi bom compartilhar essa jornada com jean-luc picard e cia.

4/1 synchronicity – só posso dizer, que apesar de tudo, i like. nota 7,0.

4/1 chaos on the bridge – documentário sobre star trek – the next generations. depois de um doc sobre spock (for the love of spock, direção de adam nimoy) e outro sobre as/os capitães de star trek… mais um documentário de shetner, este é mais interessante que the captains.

mas quando eu estiver morto suplico que não me mate

[sex] 13 de janeiro de 2017

PELA MANHÃ

acordei assim,
sentimental,
meio perdido em mim.
o que é um tanto normal,
um lugar cotidiano.
e me peguei olhando nossas fotos,
um dia desses,
e o que era ontem,
hoje é tão distante.
você tem um sorriso bonito,
vai contente,
meus olhos uma lágrima,
por não poder ser
constante,
por que eu preciso tanto me esconder?
e desses fotogramas,
fragmentos da memória,
desatam um misto de saudade do que fomos,
porque por alguma fração do tempo fomos felizes.
meus olhos quase verdes iam dentro de ti,
eu te amei tanto,
que por um instante
acreditei em mim.
tua graça, tão única,
foi capaz de romper
a minha dura casca
a minha mudez
essa minha tristeza.
essa loucura,
essa mortal insensatez.
e por tudo isto,
te amei.
no instante que fui contigo,
fui muito além do que sozinho
um dia poderei ser.

***

nessa semana tudo ficou em suspensão. lá no fundo da memória emergiu uma canção: «Se fiquei esperando meu amor passar / já me basta que então eu não sabia amar / e me via perdido e vivendo em erro / sem querer me machucar de novo / por culpa do amor / … / Se fiquei esperando meu amor passar / já me basta que estava então longe de sereno / e fiquei tanto tempo duvidando de mim / por fazer amor fazer sentido…»

***

o título vem dessa canção: Sutilmente / Composição: Nando Reis e Samuel Rosa / E quando eu estiver triste / Simplesmente me abrace / Quando eu estiver louco / Subitamente se afaste / Quando eu estiver fogo / Suavemente se encaixe / E quando eu estiver triste / Simplesmente me abrace / E quando eu estiver louco / Subitamente se afaste / E quando eu estiver bobo / Sutilmente disfarce / Mas quando eu estiver morto / Suplico que não me mate, não / Dentro de ti, dentro de ti / Mesmo que o mundo acabe, enfim / Dentro de tudo que cabe em ti / Mesmo que o mundo acabe, enfim / Dentro de tudo que cabe em ti.

PELA TARDE: não se demore por cá, vá.

_____

adendo: pelo meio da tarde lá vou eu. gordo, careca, com dermatite no meio da face, depois de dias esperando, ou seria um mês, determinado para resolver seja lá o que for… mas quando chego, problema 1. descubro que preciso pagar em cash, n]ao tenho cash. mas tem cartão, basta um caixa e um saque. problema dois… fila gigante. problema três… banco fora do ar. problema quatro, sistema voltou…, mas eis que percebo que meu cartão venceu em dezembro. que bosta… agora é voltar e recomeçar amanhã. e visitar o banco segunda.

o lado bom é que enfim resolvi ler agualusa e seu teoria geral do esquecimento.

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notaderodapé: hoje é aniversário de meu irmão.

the next generation…

[seg] 9 de janeiro de 2017

dieta do dia: antibióticos, uma dose de oito em oito horas.

recomendação: evite o sol, evite esforços… e procure, urgente, o seu implantodontista.

e na tela… episódio 8, temporada 3, da série star trek – the next generation.

e lá fora: um calor dos infernos.

e no mais… contas pagas.

melância

[qui] 5 de janeiro de 2017

ir “e voltar, não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar…”, com uma pequena adaptação… vamos aos rabiscos.

eu preciso voltar dois dias no tempo e registrar alguns sentimentos.

#1 meu velho precisava de ajuda num de seus trampos, porque meu irmão, o seu ajudante, está trampando direto neste temporada, e eu como eu ando a não fazer nada por estes dias de férias… ele pediu, e eu aceitei, fui ajudá-lo. mas está ai algo que eu preciso trabalhar melhor… servir de ajudante de obra não é e nem deveria ser demérito, mas essa situação me joga 25-20 anos atrás, era garoto, 10-15 anos, e ajudando o velho… engraçado, como em algumas horas, se você não estiver atento acabas enlaçado por sentimentos que estão, ali, no sotão, bem guardados há 20 anos. as contradições do velho/e parte de minha revolta/ como ele era extremamente rígido, psicologicamente abusivo muitas vezes comigo, com meu irmão, com minha mãe… mas ali, na situação de operário-patrão ele se coloca um posição tão dócil, tão submissa… e quando eu era garoto, isto me causava uma revolta maior ainda… não só a de sofrer a agressão, de forma desmedida, mas de vê-lo naquele situação de submissão. era um misto de vergonha e raiva. desde 2012, depois de fazer terapia, estabeleci para mim mesmo que nunca mais iria trabalhar pra ele, posso sim, se ele precisar em algum momento, ir no auxilio dele, retribuir a ajuda cotidiana que recebo dele. mas não como subalterno, para não reviver essas emoções. mas engraçado, mesmo querendo não ir, nesse dia fui, três horas de auxilio, coisas básica, porque as vezes é dificil dizer não, e até foi tudo tranquilo… era uma obra na casa da mãe de uma ex-aluna minha, e isso me incomodou um pouco… e fiquei refletindo sobre isto neste ultimos dias… porque me incomodou? será porque parte de mim tenta desesperadamente fugir dessa situação de garoto, de submissão ao velho, dessa situação de vergonha e raiva? a profissão que tenho hoje – que mal me sustenta, e que tenho mil duvidas se é a mais acertada pra mim, é um fuga dessa realidade… é a racionalidade… o estudo, a liberdade, a não submissão, o status. e estar lá, naquele dia, foi como ser pego de calças curtas… racionalmente estava tudo tranquilo, mas emocionalmente, de um instante pra o outro fui lançado 20 anos no tempo, e me sentido novamente como aquele garoto, e odiei a sensação, meu orgulho doia… sei que não é algo que tenho que lidar com os outros ou com meu pai… é algo que tenho que lidar comigo, aquele garoto continua ali.

#a primeira reação foi, como dizer não. e eu não consegui dizer não. apenas fiquei dormindo, o máximo que pude.

#depois de dois dia inteiros sem conseguir racionalizar tudo… um dormindo e outro me mexendo… veio esse insight, como um motor… preciso sair desse lugar que me meti. chega desse auto-exílio, dessa espera por nada, desse sumir para lugar nenhum, dessa solidão crônica, dessa falta de relações afetivas além do emprego-família…

wake up dead man… é preciso se apaixonar rapaz. por vc mesmo, gostar um bocado mais de ti e dos teus sonhos… acreditar… se encantar, e daí é um pulo quase imperceptível… que é encantar o mundo. porque nestes últimos 7 anos, tenho tido apenas soluços, espasmódicos e imprevisíveis, de encantamento. são soluços tão efêmeros. oscilo entre uma apatia crônica quase constante, alguns raros lampejos de criatividade e paixão pelas coisas, mas seguidos por momentos agudos de frustação e desejos de morte, como disse o poeta… chega de sofrer de antemão.

Vou chorar sem medo. Vou lembrar do tempo. De onde eu via o mundo azul.

coisas imediatas pra serem feitas:

semana #01 (1-7/01)- faxina na casa, pintar o que falta, organizar os cômodos.

semana #02 (8-14/01) – resolver questões de saúde – médico, dentista, e um tênis para caminhar.

semana #03 (15-21/01) – desenvolver um projeto de estudos para o ano. (com caminhadas, terapia, e muito estudo)

***

e das aleatoriedades dos dia… uma listinha do que já fiz na vida, para marcar o começo do ano, para não esquecer do que já fiz… e do que devo/quero/preciso fazer:

Morar sozinho

Comprar carro
Comprar moto
Casar
Se apaixonar
Ver alguém nascer
Ver alguém morrer
Visitar o Nordeste
Conhecer o Sudeste
Conhecer Paris (ou Montevidéu ou Buenos Aires)
Conhecer Londres (Ou qualquer outra cidade fora do Brasil)
Aparecer na TV
Aparecer em um filme
Se apresentar numa peça de teatro
Fazer uma faculdade
Dançar na chuva
Tocar violão
Cantar no karaokê
Ver neve caindo
Chorar de tanto rir
Andar em uma ambulância
Chorar de soluçar até as lágrimas secarem
Realizar um sonho
Tomar um porre
Ter um filho
Plantar uma árvore
Escrever um livro
Ter um animal doméstico
Curtir a praia olhando o pôr do sol
Ver o sol nascer sentado na areia
Nadar sem roupa
Andar de moto
Saltar de bungee jump
Assistir um filme em um drive-in
Andar a camelo
Andar a cavalo
Aparecer no jornal
Aparecer em revistas
Fazer uma cirurgia
Ficar internado
Achar que ia morrer
Sofrer algum acidente
Andar de helicóptero/saltar de paraquedas
Doar sangue
Ir ao cinema sozinho
Por um piercing 
Fazer uma tatuagem
Dirigir um carro automático
Viajar sozinho
Ficar na parte de trás do carro de polícia
Ganhar multa por excesso de velocidade️
Ter um osso quebrado
Ter pontos em algum lugar do corpo
Mudar de cidade
Ganhar na mega sena
Ganhar um prêmio em um bingo
Virar noite acordado

E a sua cidadão de agora?

***

ps: e o título da bagaça é porque eu gosto de melância e estou comendo uma deliciosa fatia agora, as 4h da manhã.

tout passe, tout casse, tout lasse

[seg] 2 de janeiro de 2017

fora do ar.

todo excesso esconde uma falta.

***

o ano virou. e eu parei. dia vinte e oito dia vinte nove pintei, e finalmente vi stranger thing, dia trinta comecei a maratona de duas temporadas da série pós-apocaliptica the 100; dia trinta e um dormi quase o dia inteiro, e finalizei a maratona. e dia primeiro… li poesias.

hoje, mateei. talvez pinte logo mais. ou faça um poema [fiz uns rascunhos]. amanhã será meu primeiro compromisso exterior, ou seja, fora de casa, do território familiar…

é… o ano já começou.

***

quadro-geral:

falta vitamina d (dessas trocas de horário malucas, se dorme de dia e se acorda de noite). excesso de alimentos oxidantes (do combo: rotina comer-dormir+ festividades de final de ano). dermatite intensa. leve tédio hoje. fim dos dias ociosos… amanhã cessarão os dias inúteis.

***

e porque cansei, segue o rascunho

«ele sofre com a mordida
dada num molde de gesso.»
In O empalhador de cisternas, de José Humberto Silva Henriques.

exercício sobre o incógnito som

Nu e lasso, /descalço, impassível /
Lasso, pelos passos não dados / pelo não-passo
E pelo processo que passa avesso
Num progresso de rima barata

Rumo ao sucesso dessa vida rata
Repleta de abscessos, excessos de nada,
Doses de dor, de silêncio espesso,
De pus, mudez, e moldes de gesso,

No fosso das possibilidades
Um verso, o osso, o erro-crasso
O sussuro incerto, e o incógnito

Fossíl-humano, mas ainda aceso.

ritos de passagem

[sex] 23 de dezembro de 2016

e para começar… as férias. acabou, ultimo compromisso cumprido. e no jantar… uma carne assada com um tinto, e para sobremesa, torradinhas com geléia de jabuticaba, geléia feita em casa.

e parece que foi anteontem que os formandos de agora a pouco, já ontem, entraram na escola. três anos de escola… tudo passou tão rápido… e é bonito ver a primeira turma completa de estudantes que acompanho no ensino médio formad@s. e apesar de tudo, da precarização da estrutura, do trabalho docente, do ensino como um todo… esses ritos de passagem são bacanas.

e no mais… que seja muito bem vindo esse mês de férias.

 

fobia social

[qui] 22 de dezembro de 2016

só para registrar…

#1 dois dias acordando envolto em reminiscências/restos de sonhos ainda vivos na consciência… que logo se perdem. talvez seja esse tempo abafado… ou a minha dificuldade em respirar nestes ultimos dias…

#2 ultimo dia de compromisso de trabalho – ir à formatura. não acho meu sapato… minha barriga está enorme, e as camisas estão apertadas. nestes momentos recordo de como não curto compromissos sociais… este é um déficit na minha formação: me sinto absurdamente preso em situações assim (e similares, como casamentos, funerais, formaturas, festas etc.)

#3 vendo o telejornal agora… e sacando, o que saquei ano passado na ultima greve de profs, que o governo/burguesia não só está atropelando os trabalhadores, mas esmagando-nos, até não sobrar nada além do bagaço… e se pá, eles vão até triturar o nosso bagaço.

mas é natal…

que bosta.

 

 

xarope

[qua] 21 de dezembro de 2016

tomando xarope.

casa por arrumar.

pondo em dia #umpoetaumpoemapordia

conselho de classe final

[ter] 20 de dezembro de 2016

com um bomba relógio nas mãos… torcendo para ela aguentar mais um mês/ou dois. ou pelo menos até semana que vem.

acordo de madrugada. sono tumultuado.

 

 

coisas para o dia:

a ração dos gatos acabou. comprar.

conselho de classe hoje, 60 provas por corrigir ainda.

você está morrendo… não esqueça a medicação.

fim da transmissão

meu querido diário…

[qui] 15 de dezembro de 2016

duas e quarenta e três da madrugada.

vento sul.

gatos dormem sobre minha cama.

luminária clareando a bagunça sobre a mesa…

os livros não lidos, as atividades escolhares não concluidas… as anotações e contas.

segunda até quarta-feira foram dias tranquilos. notas digitadas, atendimento aos estudantes que pegaram exame final… e bate-papo descontraido com os colegas de escola. sentirei saudades de alguns estudantes, de colegas profs que trocaram de escola…

aquela nostalgia antes da partida. eu ficarei.

essas semanas de festividades que se aproximam me deixam um tanto desconfortável. não nasci numa família festiva. são estranhos esses rituais.

das novidades, poucas… não fui fazer a prova do vestibular. desisti antes de começar.

peguei algumas aulas num colégio mais próximo, o jovem. vou encontrar uma velha colega de graduação e centro acadêmico… planejaremos juntos… estava sentido falta dessa parceria intelectual.

meu amigo também veio de visita… de segunda-feira pela tarde até hoje, quinta-feira, pela manhã. as vezes é bom ter companhia para conversar sobre coisas aleatórias, pensamentos, teorias, lembranças… enfim, estava muito afim de receber visita, mas foi bacana. é sempre bacana no fim.

hoje, montar os exames. enviar para escola. aproveitar a quinta-feira.

ps: caminhar, emagrecer vinte quilos. cortar cabelo. consertar bike. estabelecer um projeto pra o próximo ano… nova graduação/ou mestrado na educação [mas dessa vez com rotina, algo sério, viável].

#notas coletadas ao longo do dia

Nestes escassos momentos de recesso, noto quando podemos ser produtivos, ler, imaginar, testar, inovar. A lista de possibilidades de experimentos que tenho na cabeça no momento é gigante e, as vezes, duas horas de boas leituras ou duas horas bem trabalhadas no laboratório me agregam mais que um ano inteiro de aulas. É triste saber que em menos de três meses toda essa fertilidade vai ser sufocada pelo aulismo de 9 disciplinas previstas para que se possa cumprir o curso no tempo esperado, com aulas monótonas, majoritariamente expositivas e que pouco instigam nossa capacidade de pesquisa e desenvolvimento. Faz falta uma academia que nos olhe como agentes criativos e críticos. Faltam projetos, faltam experimentos, faltam viagens, faltam interações com sujeitos fora da bolha acadêmica e, sobretudo, falta tempo para pensar, para crescer e para criar. Patrick Dias Marques

noites e velas…

[qui] 8 de dezembro de 2016

domingo, parte de segunda, terça, quarta e pedaço da quinta sem energia elétrica.

agora voltou. agora tem que corrigir e digitar notas… preparar conteúdos e provas. hoje vai ser longo… tomará que com energia elétrica… e um banho quente.

fiz uns poemas nestes dias. anoterei depois.

ampliei minha carga horária, mas naquela… sempre atravessado… mas vai dar tudo certo. no mínimo terei 16 aulas (no mesmo colégio). no máximo 25 (em dois colégios – naquele que eu podia ter escolhido… mas dai tu pondera… eu não tinha maturidade emocional naquele momento para escolher aquele colégio… )

fiquei pensando… tu poderia ser mais assertivo, decidido… direto, prático. mas não… tu é essa confusão ambulante, mistura de ilusão com nervos expostos…

ps: nem parece oito de dezembro…

certas coisas

[qua] 30 de novembro de 2016

\Delta x_{i}\Delta p_{i}\geq {\frac {\hbar }{2}}

sobre essas coisas cotidianas… vocabulário, ouvir, falar, traduzir, entendimentos e incompreensões… ideias, visões de mundo, violência simbólica e estrutural… movimentos… ciência e revolução.

***

das aulas (argumentos):

  • dificuldade de traduzir uma ideia usando palavras que não foram pensadas.
  • dificuldade de traduzir uma ideia usando palavras que não foram pensadas (dentro de um corpo teórico).
  • é lenta a percepção, mas as vezes ele saca o que está rolando…
  • confundiu-se tudo, no debate não havia fatos, apenas opiniões rasas.
  • primeiro: há diferença de qualidade entre opiniões rasas e opiniões profundas? (posso reduzir binariamente/dicotomicamente?)
  • segundo: se há, o que há no raso (de profundo) e o que há no profundo (de raso)?
  • terceiro: se há, é possível o diálogo entre elas?
  • quarto: se não é, há possibilidade um cambio de qualidade das opiniões?
  • quinto: se sim, como provocá-lo.

 

****

há dias que são profundos.
sinto-me absurdamente só
neste vasto universo.
como se não houve signo
algum capaz de traduzir
a totalidade do ser.
e não há mesmo.
há a ilusão de que se é.
e há a limitada capacidade
de ler as tendências,
de captar os fragmentos
do movimento…

***
o que me assusta nisto tudo
são as certezas que as pessoas tem
são as certezas que as vezes tenho
mas há dias assim, que a gente respira…

expira e inspira… medita, expira, respira…
e por ai vai, com calma.

***

ele parou diante dela e disse: calma ai, vou aí, não… não vou entrar no teu jogo. vou ficar aqui, nas minhas posições, observando tu, nas tuas posições aí. quem certo, quem errado… não vamos ao caso agora. essa guerra é lenta, e profunda… evoca narrativas enraizadas. e as narrativas provocam dor. pois nos estabilizam ao nos amarrar e prender em determinadas posições… todavia, algumas, possibilitam que nos libertemos. das narrativas que matam às narrativas que libertam (que muitas vezes são a mesma).

narrativas nos possibilitam o confronto: língua na língua. ideia dentro de ideia.

***

isto acima me recorda um poema nunca terminado: «quero tu em terreno neutro, nua, narrando em tua língua todas as estórias dos tempos futuros de guerra…»

takes your part in the play…

[qua] 23 de novembro de 2016

mil demônios…

eu queria tanto fugir (era a sensação até bem pouco tempo atrás). mil demônios, uma legião de vozes… (pensei em poetizar essa porra… mas não) são tantas dúvidas sobre tantas coisas, e disto uma profunda angústia e um desconforto com o como tudo tem se (des)enrolado. é aquela sensação/questão que, de tempos em tempos, vem para tornar tudo terra arrasada: o que estou fazendo com a minha vida?

***

a insustentavel leveza do ser

e de repente ele se precipita abismo adentro e afunda num mergulho no vazio… não há fim… a percepção do tempo se esvazia… e as referências espaciais se distanciam… mas um porém, na queda, enquanto se contempla o nada… em alguns momento, aquilo de um instante antes que o coração apague (pela ameaça que seu cérebro sente quando da falta de peso sobre os ossos na vertiginosa queda) a gente acorda: calma.. o mundo não essa bosta toda.

não te culpes.

sai dessa mania de sofrência. as vezes as coisas não saem como queres, e noutras não és obrigado a fazer o que deves. e quase sempre aceites o que podes. e fim… vai caminhar, ler um bom livro. vá ao cinema… beba um cerveja, um vinho… faça um trilha… arrume a casa, conserte a bicicleta… vá para uma ocupação, faça um curso… aprenda um novo idioma…

sei lá.

***

down down

«takes your part in the play
it all weighs
like running away
to the edge of the world
then watching it curl
and you’re back in the same old place
it all weighs you down
down down»luthea salom

isto é muito bonitinho. ouvido pela primeira vez no gostoso filme espanhol requisitos para ser una persona normal. uma comedia romántica de 2015 dirigida por Leticia Dolera e protagonizada por Leticia Dolera e Manuel Burque.

***

eu quero paz

por que está grudada como chiclete… e pego-me cantarolando, quase de forma automática, versos dessa canção, por ontem… de onde veio? não sei. por que veio a tona? não sei. não houvi a canção por esses dias… mas ela está ai… talvez alguma conexão em algum ponto tenha sido feita… mas qual? que pensamento? que sensação? que melodia? que imagem? que conexão há dessa canção/album/banda com minhas emoções atuais?!

«Paz, eu quero paz
Já me cansei de ser a ultima a saber de ti»- marcelo camelo

***

PS: RECADO IMPORTANTE: SEU ANIMAL… NÃO PUBLIQUE ANTES DE TERMINAR DE ESCREVER. AVISO DE EDIÇÃO PARA CADA VÍRGULA E ACENTO E PEDAÇO DE PALAVRAS E NOVA REDAÇÃO E ACRÉSCIMOS QUE VC COLOCA É MUITO CHATO.

escape…

[ter] 22 de novembro de 2016

Tracklist:
1. Blue Swede – Hooked On a Feeling (@0:00)
2. Raspberries – Go All the Way (@02:52)
3. Norman Greenbaum – Spirit In the Sky (@06:13?)
4. David Bowie – Moonage Daydream (@10:15)
5. Elvin Bishop – Fooled Around and Fell In Love (@14:57 ? ?)
6. 10cc – I’m Not In Love (@19:31)
7. Jackson 5 – I Want You Back (@25:35)
8. Redbone – Come and Get Your Love ( @28:35??)
9. The Runaways – Cherry Bomb (@31:58)
10. Rupert Holmes – Escape (The Pina Colada Song) (@34:15)
11. The Five Stairsteps – O-O-H Child (@38:52)
12. Marvin Gaye & Tammi Terrell – Ain’t No Mountain High Enough (@42:06)

***

Hi dude, how’s it going?

contradições monstras habitando essa pele. um curto circuito neural… impulsos para todos os lados. os astros dizem que é o sol na casa sete enquanto a lua habita a casa quatro. vai saber… talvez seja a minha angustia de olhar para fora e ver um amontoado de coisas tão complicado de se organizar… e olhando bem, a fuga do domingo seja um sintoma disto… até a trilha sonora escolhida… a temática romantica-juvenil… a distância das coisas concretas por esses dias… essa vida de peter, hein?!

é… as coisas não vão bem por esses dias.

quando você vai sair disto?

sobre o que se quebra e o que não se parte

[sáb] 9 de janeiro de 2016

as vezes sobra um t, as vezes quebra-se uma cuia. as vezes falta uma palavra… as vezes se aceita o que se pode ser. as vezes fica-se triste por ser só. as vezes nem se pensa na solidão.

as vezes é isso… esse quase alguma coisa.

o despertar da força…

[qui] 7 de janeiro de 2016

estou a quase quinze dias revirando as coisas… turvei as coisas. deixei as matérias em suspensão. estou todo desfocado…

mas hoje, com o sol na casa oito, e a lua também… fui curtir minha solidão no cinema. às sete horas do dia sete assistia ao sétimo star wars.

devemos tomar consciência do processo…

[sáb] 31 de janeiro de 2015

ei rapaz, ouça: eu sou você. e eu achei que tivesse um plano. eu não tenho um plano. eu estou completamente perdido. todos os planos até agora apenas tentam camuflar essa minha cronica falta de planos. e se tivesse que começar do zero hoje, eu começava. sinto tremores no meu estômago, daqueles quando estamos profundamente nervosos de ansiedade diante de algo novo e grande. eu tenho pensado em não fugir de ninguém mais… as vezes você se afasta, física e/ou emocionalmente, de todo mundo pensando que assim será mais fácil… que controlando e/ou catatonicamente levando a vida é possível viver. aí você acorda e percebe, que o seus medos sempre vão estar ali, que as feridas só aumentam, que a distância borra os sonhos e o real… que tuas palavras não fazem sentido, que só te sobra o vazio da insignificância. e o mais perigoso é quando você não significa nada para você – é como olhar no espelho e não haver ninguém. não há como escrever poemas de amor ou sobre a dor. as palavras calam. você seca por dentro, e só te sobre aquela aparência plástica por fora. você se torna um manneken.

e voltar é difícil. reatar ou cicatrizar feridas não é algo que se faz por decreto… você precisa aprender a se reconhecer e como uma criança que começa a andar… corre o risco de cair. mas você precisa levantar agora, secar esse pranto e ir-se… e, mesmo que as vezes a gente acha que sabe o mapa, quando se coloca a ir… o caminho vai se refazendo e nada é como a um instante antes. a vida cambia. e ficar preso na terra pode nos fazer apodrecer. é preciso ir. pois dias desses você faz trinta e três e mirando tudo podes ver que você aprendeu tanto… você viu, viveu e fez coisas tão bonitas. e você teve medo demais e fugiu tanto sem saber para onde e porque. você caiu aqui, neste ponto, neste monólogo. você precisa reaprender a não ser mais só… você precisa aprender a vomitar todas essas dores e esses medos engasgados e reatar vínculos… buscar amigos, coisas novas, aquecer seu coração e sentir tremores no estômago e os pelos arrepiarem-se e aquela sensação de transbordar o peito de forma incontida e descontrolada… você precisa abrir uma fresta, a janela, a porta, as paredes e teto todo para a vida… você não pode ter medo de ter medo… e mesmo com medo, se jogue… você precisa permitir-se…

permita-se rapaz.

***

trilha de fundo: drexler e seu álbum: amar la trama.

upside down

[sex] 30 de janeiro de 2015

trecho de upside down.

«who’s to say what’s impossible? well they forgot this world keeps spinning and with each new day… i can feel a change in everything and as the surface breaks reflections fade, but in some ways they remain the same and as my mind begins to spread its wings… there’s no stopping in curiosity. i wanna turn the whole thing upside down. i‘ll find the things they say just can’t be found. i‘ll share this love i find with everyone. we’ll sing and dance to mother nature’s songs. i don’t want this feeling to go away… who’s to say i can’t do everything? well i can try, and as i roll along I begin to find things aren’t always just what they seem… »

jack johnson

**

Jogo / 
Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças. // 
Nuno Júdice

via [ p o e d i a ] um poema por dia.

***

após ler, acordei, e anotei no papel isto aqui:

quando estou lutando – contra todas as minhas forças – para morrer lentamente… ouvir teu canto me anima a viver, me orienta neste breu de sentimentos que é meu presente…

 

 

 

 

o ornitorrinco e a frau holle

[sáb] 24 de janeiro de 2015

o txt:

fiz uma lista de coisa inúteis. ou pouco úteis. ou aquelas coisas necessárias do cotidiano… ler jornal, estudar, cortar grama, lavar louça, roupa… enfim, fiz uma lista para não me esquecer que estou aqui e que algo precisa ser feito. estou aqui observando as crianças e árvores crescerem, mas a cabeça está em outro lugar. que é no fundo um não lugar. é como se ali atrás, antes do lance de hoje, eu tivesse jogado um lance errado e agora é assim: esse sufoco, esse tédio morno… esse arrastar lento, esses dias de espera… a espera de eu chegar. será que um dia chego lá?

e lá é o destino que só se atinge quando se chega aqui, dentro.

lá é aqui.

e eu sou este paradoxo.

*

joguei a lista fora – a dialética da vida cambia tudo. quem sabe um dia muda esse meu jeito torto de ser. ia ser eu outro ser ia.

**

e anoto duas coisas interessantes vistas por estes dias: frau holle, conto dos irmãos grimm. pensei em izabel. mas também pensei em mim.

e de gabriel pardal o vídeo-poema carta de amor enviada num canhão

***

e durante esta postagem: um plus – o ornitorrinco. não, espera… é este ornitorrinco;

e este: criolo: a certeza na quebrada é que você vai ser nada;

e de fundo: caetano veloso: menino deus.

 

the computer is thinking…

[seg] 19 de janeiro de 2015

diário da manhã:

11:07′ e está infernalmente quente como todos os dias. e bebo meu mate, solito, pela manhã como faço quase todos os dias. mas por hoje não parece aqueles dias todos de férias… onde posso aleatoriamente fazer o que quiser ou não fazer nada útil ou obrigatório. hoje duas coisas me preocupam… #1. entregar dois textos que sejam minimamente aceitáveis (um a partir da leitura de ontem… e o outro da leitura do mês passado) até as 23:59′ de hoje, e #2 ir ao dentista.

e enquanto as demandas vão se avolumando no horizonte como uma catástrofe… eu busco pontos de fuga. mas vamos lá encarar este paquiderme antes que ele se transforme num godzilla.

ps: o título vem do passatempo destes dias… pentobi: um jogo linux baseado no jogo de tabuleiro blokus.

diário da tarde:

14:51′ escrever e reescrever e enviar. agora é ir lá pintar… o quarto de izabel está quase pronto.

diário da noite:

18:00 na itapema toca agora… zélia duncan: «se você vai por muito tempo… você nunca volta (…) a estrada te sopra pro alto pra outro lado enquanto aquele tempo vai mudando… aí, de quando em quando você lembra aquele beijo, aquele medo (…) e você não volta (…) não existe pretexto, o dia mudou, o carteiro não veio (…)»

e pintura segue, a tempestade chega e cai… é tanta chuva. e lá pelas dez e meia mais um texto devo finalizar… e mesmo tendo mais uns dez dias de férias, algo me diz que as férias se foram e o novo ano começou.

e o dentista ficou para amanhã, muito cedo.

agora preciso tirar toda esta tinta verde sobre a pele que não me deixa amadurecer e me esconde, como camaleão, nesta mata distante.

está tudo ácido… ou «o encargo da compreensão»

[dom] 18 de janeiro de 2015

e o sábado com um final de tarde e noite sem energia elétrica pelas bandas de cá passou e o saldo ficou assim:

14h20′ domingo cedo enrolando e pela tarde, enfim o dia da tarefa – primeiro e último dia (espero). é ler 55 páginas e desenvolver um texto-resposta… – é essa mania deixar tudo para ultima hora. e não é que me apareceu também um inflamação na gengiva – no dente que tratei quarta-feira –  que terei que resolver amanhã… enfim, tudo isto já deixa minha tarde super animada. e na piscina as crianças [porque na sala brincam minha filha izabel e os filhos de meu primo hospedado cá em casa] não podem ir porque não filtrei o suficiente (faltou energia) e está cheia de folhas (pelo vendaval) e o ph baixo (pelo excesso de chuva).

e estudar está difícil…

14h22′ LDB : Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional : lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional

15h27′ Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica

15h38′ “Para ela:

Se as humanidades têm um futuro, […], será um futuro que envolve retornar ao passado e habitar esse momento interdisciplinar pré-disciplinário. Não para se afastar da história, do contexto e da cultura; mas para, ao contrário disso, fazer justamente o oposto: concluir que Freud estava mais certo do que ele próprio poderia supor quando imaginou a mente humana como sendo uma cidade tal como Roma, camada sobre camada, não substituindo umas às outras, mas coabitando com o passado.[…] Neste momento, enquanto estudiosos, nossa tarefa é reimaginar as fronteiras do que chegamos a acreditar serem as disciplinas e ter a coragem para repensá-las (GARBER, 2001, p. 95-96).”

 16h13′ Da seção Saiba Mais de alguma página do caderno 2 da etapa 2 do pnem:

http://bancodeteses.capes.gov.br/ – Destaquem temas e títulos que mais lhes interessarem. Se for o caso, selecionem trabalhos que possam ser alvo de um grupo de estudo.”

16h33′ “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova de 1932 e do Manifesto dos Educadores de 1959. Disponível na Coleção Educadores do MEC”: Domínio Público.

17h08′ “Visite a comunidade Espaços que Ensinam do Portal Ensino Médio EMdiálogo e se inscreva.” (…) Esta comunidade hospeda os conteúdos produzidos e disponibilizados pelo Portal, dentre os quais destacamos as questões de interesse dos jovens como a violência nas proximidades e nos ambientes escolares, a ausência de novas tecnologias em sala de aula, atos preconceituosos, tensões nos relacionamentos sociais e o distanciamento entre professores e estudantes. Acesse a comunidade, compartilhe os conteúdos com seus colegas da escola e participe das discussões. p. 23

17h16′ “Mas como reconhecer e aceitar a diversidade e a realidade concreta dos sujeitos do processo educativo se, em várias ocasiões, não estabelecemos diálogos abertos e democráticos com os sujeitos desse processo? Antes de reinventarmos a escola na companhia dos nossos jovens estudantes, propomos algumas perguntas aos professores e professoras que são chamados a participar desse processo educativo:
1. Podemos afirmar que, efetivamente, conhecemos nossos jovens estudantes do Ensino Médio?
2. Quando e onde eles nasceram? Com quem vivem? Como gostariam de viver? Qual é o valor da família e dos amigos para esses jovens?” p. 20

17h19′ e na itapema tocando agora… Lady Linn And Her Magnificent Seven – I Don’t Wanna Dance.

17h27′ “As práticas de ensino alheias à realidade social da comunidade, o incentivo à competitividade entre os estudantes, a ausência de debates, de espaços de negociação e de participação democrática na gestão escolar apenas concorrem para o desencantamento com a instituição escolar.” p. 21

17h34′ “Em outras palavras: É importante lembrar que as Ciências Humanas, conforme dissemos na unidade 2, precisa realizar, para todos os conteúdos trabalhados, os processos investigativos ou as perspectivas que levem à desnaturalização, ao estranhamento e à sensibilização. Um exemplo disso pode ser dado quando se desnaturaliza a desigualdade social, contextualizando-a no processo de formação da sociedade brasileira, comparando-a com a realidade de países com baixas desigualdades e causando, dessa forma, o estranhamento. O debate sobre as formas de reverter a desigualdade pode levar à sensibilização para a atuação cidadã.” p. 22

18h12′ “Vejamos cada uma delas. A desnaturalização significa, justamente, o oposto daquela atitude de achar que tudo na vida é “natural”, como se a “realidade” correspondesse exatamente às representações que fazemos dela. Ou seja, o procedimento da desnaturalização consiste em interpretar e reinterpretar o mundo, construir novas explicações para além daquelas mais recorrentes, usuais, rotineiras, banais ou simplistas, existentes em nossas vivências cotidianas e no que chamamos de “senso comum”. Não se trata simples ou exclusivamente de desprezar explicações consideradas “simplistas”, mas concebê-las como explicações e representações que foram construídas em algum momento, num passado remoto ou mesmo no presente, e difundidas a tal ponto que, para muitos, se tornam explicações naturalizadas de como “as coisas realmente funcionam”. Romper com a atitude de achar tudo “natural” implica, portanto, em estranhar esse próprio mundo, nosso cotidiano, nossas rotinas mais usuais. Assim, a perspectiva do estranhamento requer certo reencantamento do mundo, isto é, uma atitude de voltar a admirá-lo e de não achá-lo “normal”. Implica também em não nos deixarmos levar por aquilo que usualmente conhecemos como “conformismo” e “resignação”. Ou seja, sentir-se insatisfeito ou incomodado com a “vida como ela é” nos conduz a formular perguntas, sugerir hipóteses, questionar portanto os próprios “fatos”, tais como eles se nos apresentam. Por fim, a sensibilização pode ser entendida como a possibilidade de percepção atenta das vivências e experiências individuais e coletivas, rompendo-se assim com atitudes de indiferença e incompreensão na relação com o outro e com os problemas que afetam comunidades, povos e sociedades.” p. 22-23

18h17′ “Como afirma Theodor Adorno (2003), “a educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma auto-reflexão crítica” (ADORNO, 2003, p. 121), reflexão essa que busque superar aquilo que o autor designa como “tabus”. Isto é, representações inconscientes ou pré-conscientes, preconceitos psicológicos e sociais que se conservam no discurso do senso comum e que, a despeito de em grande parte perderem sua base real, sedimentam-se de forma coletiva e se convertem em “forças reais” que moldam a forma como enxergamos o mundo. Theodor Adorno (2003), ao posicionar-se publicamente ao longo dos anos 1960 em torno de temas relacionados à educação, a partir da crítica que fazia aos meios de comunicação de massa e, de modo geral, à “indústria cultural”, estava convicto de que a educação não era, necessariamente, um fator de emancipação. Ao contrário, englobada como estava – e ainda está –, em processos de desumanização e reificação típicos da contemporaneidade capitalista (o que implica na naturalização do mundo, das relações sociais e da própria humanidade a partir da mercantilização da vida), poderia reproduzir o horror e a barbárie em nome da Razão ou da Modernidade. Nesse sentido, o objetivo da escola deveria ser a “desbarbarização da humanidade”, por mais restritos que pudessem ser o alcance e as possibilidades atribuídas à escola.” p. 23

18h19′ “O sentido da escola deixa de ser dado de antemão para ser, ao contrário, construído pelos atores, pelos sujeitos, por suas experiências individuais e coletivas. Em outras palavras, a escola fabrica ou contribui para fabricar, atores e sujeitos de naturezas diferentes. As reflexões de Charlot e Dubet nos conduzem a pensar melhor a principal questão que norteia esta unidade, qual seja, os sujeitos da aprendizagem: “a experiência escolar”, afirma Charlot, “é a de um sujeito e uma sociologia da experiência escolar deve ser uma sociologia do sujeito”. (CHARLOT, 2000, p. 38)” p. 23-24

18h24′ “Por outro lado, os conceitos de que tais ciências se utilizam, muitas vezes confundem-se com a linguagem cotidiana, expressão deste mesmo mundo que as Ciências Humanas investigam. Então, como poderíamos romper com o “senso comum”? Desnaturalizar, estranhar e sensibilizar implicam, em termos práticos, em um exercício de pôr em relação aquilo que conhecemos como evidências empíricas, inquestionáveis, existentes por si sós. Uma atitude cara à Sociologia, mas não exclusiva dela, consiste em, nas palavras de Pierre Bourdieu, “tomar para objeto o trabalho social de construção do objeto pré-construído: é aí que está o verdadeiro ponto de ruptura”. (BOURDIEU, 1998, p. 28).” p. 25

18h50′ e pinta mais uma tempestade de verão…. tudo escuro e o céu começou a rufar…

viajo porque preciso…

[sex] 16 de janeiro de 2015

de repente em frente ao espelho raspei o bigode, e no mesmo movimento arranquei parte do cabelo, fiz um moicano. e a bateria do aparelho acabou. parei… deixa o moicano estar… vamos ver até que dia dura. e bem na verdade, é uma vontade, muda, de mudar…

e li jornal pela tarde inteira, ou quase. pois foi dia de lavar roupa, arrumar o cabo da internet… limpar o quintal e assistir ao filme de karim ainouz e marcelo gomes. ver aqui: viajo porque preciso, volto porque te amo.

e no mais… enquanto testava o cabo encontrei isto que trás referências a isto.

meu querido diário

[qui] 15 de janeiro de 2015

meu querido diário,

hoje, quinta-feira, dia quinze, é dia de ressaca. e há a tarde inteira pela frente… e pela noite estudar e estudar e estudar. três dias para ler, pensar, escrever e entregar a tarefa de janeiro.

ontem. quarta-feira, dia catorze, foi o dia das tempestades de raios e relâmpagos… uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida…

ontem, também foi dia de acordar mais cedo e ir ao dentista… e voltar meio dolorido, mas sorrindo.

anteontem… comecei a ler o romance “os prêmios” de julio cortázar. anteontem… izabel ganhou três livros – meu querido diário otário – e não tem parado de ler… e é o algo novo neste verão, uma certa introspecção por parte dela… enquanto luiza (a maria sobrinha) segue brincando, izabel (a maria filha) já oscila mais entre coisas de crianças e a uma pré-pré-adolescência.

anteontem também meu irmão fez trinta anos.

e neste verão, algo importante de se registrar, tenho ficado cuidando de luiza quase todas as noites, entre 22:00 e 1:00, até sua vó (que é minha mãe) ou seu pai (que é meu irmão) chegarem do trabalho. luiza, às vezes é tão chata, noutras é tão encantadora… e sentirei falta deste “bichinho grilo” quando for morar com sua mãe. ela já tem nove anos.

**

mas tenho sentido falta de um tempo só para mim… sem esse povo todo.

**

trilha de fundo: zélia duncan cantando «um homem com uma dor / é muito mais elegante / caminha assim de lado / como se chegando atrasado / andasse mais adiante…»

sugar cane fields forever

[ter] 13 de janeiro de 2015

nota #1 bebi mais cervejas em dois dias [ontem e hoje] do que o ano passado inteiro.

nota #2 nestes últimos dias tem aumentado seriamente o número de aporrinhações com izabel [pré-adolescência já, bah].

nota #3 hoje é o aniversário do meu irmão. ajudando a montar durante o dia e na noite há o evento, com festa e bandinha tocando no quintal. dou uma passada, revejo o povo, troco uma ideia e ‘bora para cama…

nota #4 música de fundo [aquelas frases que ficam grudadas na cabeça… excerto abaixo]

«Vem
Comigo no trem da Leste
Peste, vem no trem
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém,
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém,
pra buranhém, pra buranhém, Pra Buranhém-nhém-nhém»

nota #5 o reggae ali de fundo canta… liberdade para dentro da cabeça… 

nota # 6 e, ás vezes, me falta alguma liberdade de ser… enquanto o mundo todo parte, eu ancoro por cá, neste sem saber ir e sem saber ficar.

je ne suis pas charlie

[seg] 12 de janeiro de 2015

7h00… encontrar celular, carregar e pegar estrada.

9h28 voltei e direto do soul vintage itapema… «here comes the sun, here comes the sun and I say it’s all right… sun, sun, sun, here it comes, sun, sun, sun, here it comes…»

e sol chegou ali fora… e cá dentro o calor é infernal. mas antes de ir:

de ontem, meus conhecimentos rudimentares de eletrônica não me ajudaram muita na tentativa de converter um toca-fita em uma saída auxiliar…  e no fim perdi um cabo, algumas horas e ganhei um som ruidoso e o premio de consolação por ter tentado…

**

já hoje, enquanto o povo decide se é je suis charlie ou je ne suis pas charlie, eu coloco as leituras em dia sobre o noticiário.  e, pondero, que intolerância reforça a intolerância, e é necessário viver com as diferenças… e acabar com as desigualdades.

**

mudei a página de abertura: fiz isto ~~~.

11h37. e o mundo lá fora chama… passei do ponto. volto qualquer dia… em qualquer hora.

 

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