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hard to explain

[dom] 12 de novembro de 2017

«… I say the right things but act the wrong way / I like it right here but I cannot stay / I watch the TV; forget what I’m told / Well, I am too young, and they are too old / Oh, man, can’t you see I’m nervous, so please / Pretend to be nice, so I can be mean / I miss the last bus, we take the next train / I try but you see, it’s hard to explain… / I say the right things, but act the wrong way / I like it right here, but I cannot stay / I watch the TV; forget what I’m told / Well, I am too young, and they are too old / The joke is on you, this place is a zoo / “You’re right it’s true” / Says he can’t decide / I shake my head to say / Everything’s just great / Oh, I just can’t remember / I just can’t remember / Raised in Carolina, she says: / ” I’m not like that” / Trying to remind her / When we go back… »

na sexta-feira bebemos. teve “eleição” do novo grêmio. não dei aula… sábado foi exaustivo, mexendo em casa, na obra… e hoje, tem enem, segundo dia de prova. eu não estudei, mas irei… e tenho que acordar logo mais, daqui a 5 horas. mas é só difícil de explicar…

chá de marcela

[ter] 7 de novembro de 2017

ou um chá de marcela (achyrocline satureioides) nessa dia inútil. ô dia inútil esse.

dormi tarde, e acordei cedo, me enrolei o dia inteiro… como mal, passei mal. e não fiz nada das 500 coisas que tinha programado. e ainda estou cansado… com sono. vou dormir no ônibus indo pra escola… tem aula ainda, três no período noturno.

guardar silencio y caminar son hoy día dos formas de resistencia política

[ter] 24 de outubro de 2017

os pensamentos que tanto me assombram quanto me assomam por estes dias poderiam ser sintetizados nesse título Desaparecer de sí: una tentación contemporánea. não li a obra, mas anotei aqui. parte de mim fala do processo de resistência que sou, e dos aspectos positivos. outra parte censura, por não encaixar-se. a primeira parte respira e sonha. a segunda buscar esconder-se…

então ‘bora caminhar e mexer o esqueleto.

abaixo, fragmento extraído de uma entrevista de David Le Breton ao diário de sevilha.

Guardar silencio y caminar son hoy día dos formas de resistencia política

«¿Es por esa calidad de resistencia por la que a quien camina sin rumbo se le tacha de loco?

Así es, y por eso el caminar, como el silencio, es una forma de resistencia política. A la hora de salir de casa y moverte te ves de inmediato intervenido por criterios utilitaristas que te aclaran perfectamente a dónde tienes que ir, por qué camino y en qué medio. Caminar porque sí, eliminando de la práctica cualquier tipo de apreciación útil, con una intención decidida de contemplación, implica una resistencia contra ese utilitarismo y de paso también contra el racionalismo, que es su principal benefactor. La marcha te permite advertir lo hermosa que es la Catedral, lo juguetón que es el gato que se esconde ahí, los colores de la puesta de sol, sin más fin, porque ése es todo su fin: la contemplación del mundo. Frente a un utilitarismo que concibe el mundo como un medio para la producción, el caminante asimila el mundo contenido en las ciudades como un fin en sí mismo. Y esto, claro, es contrario a la lógica imperante. De ahí la vinculación con la locura. » David Le Breton

Uma ótima tradução podes ver também no blogue Desenhares de Sílvio Diogo.

pé que não anda não dá topada

[seg] 18 de agosto de 2014

4:28. pé que não anda não dá topada. salve caymmi.

**

5:05 Ianques, Sunitas, Xiitas, Curdos, IazidisIsis... Exôdos… O sangue é preto.

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23:55 e o dia foi tão atípico. cansei. mas ficou aquele gostinho de gratidão, pelas gentilezas, pelo esforço, pelo passo concreto dado. agora foco…

notas instântaneas

[ter] 12 de agosto de 2014

notas instântaneas

#1 um mate pela tarde, porque as manhãs não existem. elas dormem.
#2 comparo livros didáticos… qual será a melhor ferramenta de suporte?
#3 chegaram os livros da anna blume. marx selvagem entre eles… estou salivando para começar a leitura.
#4. estou com um mal estar. mas posso decompô-los em dois aspectos -> é uma dor de cabeça, uma coriza, uma sonolência [provável fatores de motivação são: mudanças climáticas com dias quentes e noites frias; a falta de exercício físicos aeróbicos regulares e o excesso de carboidratos noturnos] e o outro aspecto é uma dor “espiritual”, esse medo renitente, essa solidão auto-imposta… esse exercício de reclusão… esse acúmulo de incompletude, esse desraigamento identitário… e chegou a hora de dar um passo importante, nesta construção que sou… é um passo que não deveria mizabele apavorar, mas me apavora tanto: entrar na justiça para trocar a paternidade de minha filha. faço 32, e ela 10, neste ano. nos conhecemos desde 2006 [24/2] – e houveram tantos momentos traumáticos neste processo, o medo, a raiva, a mágoa, a culpa – 2006 foi tão terrível, 2007 foi tão pesado, 2008 foi tão distante, 2009 foi tão depressivo… mas foram estes lentos anos um tempo de maturação para que em 2010 [28/6] pudéssemos estabelecer um vínculo afetivo diário. 2010 foi terapêutico. Você veio morar aqui na comunidade-família. e eu já estava me formando e “tinha meu espaço”… o mundo já não era tão ameaçador, só um pouco… para ser sincero, um tantão. e se lá em 2010 eu comecei, mas interrompi esse processo legal é porque entendia, e entendo que pai é quem cria, e eu não havia te criado… eras a filha de outro homem ainda – um outro que te construir no imaginário, te pariu, te embalou nos primeiros choros… era outro pai, eu não estava lá. eu nem suspeitava da sua existência. e nestes 4 anos aprendi tanta coisa, errei tanto, cresci tanto, aprendi a ser pai… a amá-la, desta minha forma tão tortuosa. meu amor é torto, frágil. segunda 18/8 é o dia de dar mais um passo.

 

# 5. ontem, chorei sem derramar uma lágrima. cartola cantava.
# 6. comunicar ajuda a lidar com as ideias. ideias são o combustível para ação. comunicá-las estabelece um vínculo, uma rede que sustenta o salto de um indivíduo em direção ao outro. ontem foi bom na escola, ter um tempo para trocar ideias com outros professores.
# 7. esse texto, ou o mate, ou drexler na vitrola, mas sinto que acordei agora e já são quinze e vinte da tarde.

ps:

Todos decían que no
Cuando dijo que sí Bolivia

Y el péndulo viene y va
Y vuelve a venir e irse
Y tras alejarse vuelve
Y tras volver, se distancia
Y cambia la itinerancia
Y los barcos van y vienen
Y quienes hoy todo tienen
Mañana por todo imploran
Y la noria no demora
En invertir los destinos
En refrescar la memoria

Y los caminos de ida
En caminos de regreso
Se transforman, porque eso:
Una puerta giratoria
No más que eso, es la historia

Composição: Jorge Drexler

quando sinto que já sei

[seg] 11 de agosto de 2014

 

http://www.quandosintoquejasei.com.br/

barbarismo

[ter] 22 de julho de 2014

barbarismo
«um ganesh na coxa…
um habitué»
um esquife negro
uma pá de pensamentos tristes

e não há ordem às palavras,
imagens sobrepõem-se
pelos dias, horas, semanas
tudo é incerto
exceto a dor derivada
do incomunicado
do nó emaranhado
dessa estranha película impermeável
dos substantivos prefixados

onde o nome já não é o que era
e o amor é algo primitivo…
eu sou apenas um prefixo mudo e distante.
escrevo palavras erradas,
realizo a impossibilidade,
o não poema duma epopeia,
toda palavra desconexa,
o vil verme, o val enlevado,
a vã espera, o homem subnegado,

o doce e o amargo na língua
e dos vícios desta linguagem – isso das coisas que significam, eu, ente, coisa consciente, reifico…
coisifico, essa história, esses meus dias secos e sigo a sina, o fado, a fuga de toda e qualquer possibilidade de amar e desamar
habito esta terra morta, pertenço a este povo triste.

olhos de onda

[seg] 30 de junho de 2014

notas: ouvir olhos de onda. buscar sobre coletânea de haikai. acordar e levantar, são dez para cinco. e o mundo gira e isto que os homens inventaram e deram nome de dia vem e vai passando, e nele há outra invenção, as horas, e nestas horas dispomos compromissos, que nos obrigam… ou nem tanto assim, posto que se não houvesse isto de obrigação morria-se no tédio sem fim.

ps: nesse frio dá vontade de nada. nem vontade dá. que tudo é uma desvontade. de sete dias, um é agitado. noutros seis é repouso absoluto.

ps: para lá.

metadodia

[qui] 27 de março de 2014

chove.
e tal qual
os passarim,
aquieto.
descanso e
espero.

***

metadodia-matarcadernosdecampoeorganizarquartocomputadorfinançasplanejamentotarefasatrasadasdocursoeserpaitio.

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e quando a chuva passa e o sol-entre-nuvens ilumina a tarde abafada… os jovens ocupam a reitoria – viva a ousadia e a luta. e meu estômago fica enojado com as pessoas normais, tão velhas e caducas, e tão fascistas… e meu pelo arrepia e meu sangue ferve junto com a coragem da juventude que diante de um “tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada,” sabe que “nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar“.

E penso em embaubas e carambolas.

 

dordalma

[ter] 18 de fevereiro de 2014

teu atropelo
e ela agoniza.
um suspiro e
a morte é um vazio.

teu olhar mergulha
e nunca encontra mais 
os olhos bem abertos dela são um vazio profundo.

tua estupidez mutila os teus…
tua lágrima não derramada é tua marca…
tua casca grossa encobre isto que vazas por dentro
gélido e cálido – morte e matador.

ela é um corpo vazio.
tu, dordalma.

um debate

[sáb] 28 de dezembro de 2013

http://ssociologos.com/2013/06/27/el-memorable-debate-entre-foucault-y-chomsky/

passageiro…

[seg] 23 de dezembro de 2013

porque esta/va[ou] desorientado… que até renderia um inventário do por fazer [ as cotidianidades ] : os pratos de dias na pia por lavar, as roupas pela sala, pelo chão do quarto, por todos os lados… por lavar… o lixo [seco] acumulando-se… o lixo orgânico por se enterrar… os planos só em planos… nada anda. e nada – durmo pelos dias e afogo-me pelas madrugadas. ontem, e antes de ontem, escaneava todas as fotos antigas… e mergulhava em mares tumultuosos de alegrias e dores. talvez seja essa época tão oportuna para pensar e repensar e memorar e planear… mas algo me prende. dissipa-me a força do primeiro passo… e fico preso nesse laço [tão familiar/tão triste/tão estúpido].

tentei ler, ver um vídeo, um documentário, jogar paciência, mas nada.. tudo é tédio. os outros me entediam. eu sou o tédio. e a vontade é ir embora [tipo, mochila nas costas como naquela vez em que o meu coração estava partido com tudo e todos e não havia nenhum canto para esconder-me… cada dia era um dia novo, sem um lugar para voltar… contando com a solidariedade de poucos dispostos a me aceitar por um dia… por uma noite um teto e na manhã um tchau. e quando não haviam… era encontrar um abrigo para noite e lá sozinho me abandonar ao sono…  e agora é mais ou menos esse desconforto… vontade agora de dar adeus a tudo e todos, zerar tudo, amores e dores].

mas meu coração não está partido – ele está escondido em algum ponto aqui dentro – me sinto tão frio. me sinto tão perdido. me sinto como quinze anos atrás.

mas hoje eu tenho um canto/meu barraco/,

e até responsabilidades… econômicas, afetivas, familiares.

as vezes fico pensando… se não fosse izabel?! onde eu estaria?! o quão longe eu teria ido [porque quando ela veio e me arrancou a força do movimento que estava seguindo que era… ir, deixar pra trás todos os traumas familiares, essas pessoas paradas no tempo, me reinventar… aprender a ser diferente do que me causa(va) tanta dor e desconforto cá dentro. ela veio, e desde então tento aceitar este tempo, este estar por cá, cumprindo meu papel, minha cota parte, e contraditório é que me vejo no mesmo passo, parado no tempo, não me reinventado… guardando todo e qualquer sentimento, não expressando, resignando-me a sobreviver numa vida mais ou menos, ao lado de pessoas que talvez não tenham tido a escolha – suas amputações emocionais foram cedo demais¹]. e me pergunto… eu tenho escolha?

as vezes esse choque cotidiano com as próprias limitações… dá um desespero tão enorme que é bom nem olhar lá para dentro… porque quanto mais convivo neste ambiente, mas percebo que não sou tão diferente de minha família [que é quase uma anti-família]… tenho os mesmos medos, as mesmas travas, a mesma apatia, o mesmo abandono… a mesma secura. a mesma falta profunda.

e ouvindo a canção, que me permitiu este start, lembrei de algo que alguém uma vezes me disse [e confesso que aquilo rasgou meu coração… e pensando agora… foi o que eu passei a vida inteira ouvindo e me identificando]

(…)  Maybe one day you’ll understand why everything you touch surely dies (…).

como fazer diferente? como me desprender das amarras invisíveis? onde forjar a paciência e a coragem necessárias para ir além do primeiro passo? como voltar no tempo, mas não no tempo precisamente, e sim, naquele momento onde ele ousou ir além do que estava dado, do medo e do que haviam lhe estipulado – e que tragicamente teve que regressar… ficar para trás… e agora, me diz como voltar?!]

por agora me sinto em ruínas, e não me verás dizendo isto além destas letras.  keep you in the dark.

o ano um da revolução russa – excerto

[qui] 19 de dezembro de 2013

Das leituras… Grifos deste que vos escreve.

Abaixo seguem excertos extraídos entre páginas 135 e 139 do livro ‘O Ano 1 da Revolução Russa’ editado pela boitempo, do historiador e militante comunista, Victor Serge.

«REALISMO PROLETÁRIO E RETÓRICA ‘REVOLUCIONÁRIA’

[…]

O realismo proletário se consolida nessas discussões frente a frente com o fraseado ‘revolucionário’ dos socialistas-revolucionários de esquerda, excelentes revolucionários pelo sincero desejo que têm de servir ao socialismo, por sua coragem e por sua probidade, porém, como toda a burguesia radical de que representam o elemento mais avançado, escravizados às grandes palavras a que se reduz a ideologia da democracia burguesa.

É incessante o apelo de Lenin à iniciativa das massas. A espontaneidade das massas lhe parece a condição necessária do êxito da ação organizada do partido. A 5 de novembro, assina um apelo à população, convocada a combater a sabotagem. A maioria do povo está conosco, nossa vitória é certa:

Camaradas, trabalhadores! Lembrem-se que são vocês mesmos que, a partir de agora, administram o Estado. Ninguém virá em seu socorro se vocês mesmos não se unirem, se vocês não tomarem em suas mãos todos os negócios do Estado […]. Reúnam-se em torno de seus sovietes. Consolidem-nos. Mãos à obra, de baixo para cima, sem esperar nenhum sinal. Instituam a ordem revolucionária mais severa, reprimam impiedosamente os excessos anárquicos dos bêbados, vadios, dos junkers contra-revolucionários, dos seguidores de Kornilov etc. Instituam o mais rigoroso controle de produção e o recenseamento dos produtos. Detenham e entreguem ao tribunal do povo revolucionário todo aquele que ouse prejudicar a causa do povo […].

Os camponeses são convocados a ‘tomar por si mesmos, no ato, a plenitude do poder’. Iniciativa, mais uma vez iniciativa, sempre iniciativa!, essa palavra de ordem que Lenin lança às massas em 5 de novembro, dez dias depois da insurreição vitoriosa.

AS CLASSES MÉDIAS DAS CIDADES E A REVOLUÇÃO

Dois grandes fatos gerais caracterizam os primeiros dias logo após a revolução.
1. As classes médias das cidades (o decreto sobre a terra satisfaz as classes médias do campo, que somente bem mais tarde irão se sublevar) aderem interamente à contra-revolução. São elas que lhe fornecem as forças vivas, os batalhões de choque. Nas batalhas de rua de Moscou e de Petrogrado, como nas encostas de Pulkovo, a burguesia certamente não se defende ela mesma, como também não dispõe de corpos organizados de mercenários. Quais são seus derradeiros defensores? Os oficiais, os cossacos – voltaremos a fala dos cossacos -, os alunos das escolas militares, a juventude das escolas superiores, os funcionários públicos, os empregadores de maior categoria, os técnicos, os intelectuais, os socialistas, todos gente de condição média, mais ou menos explorados, porém nitidamente privilegiados no seio da exploração e participantes da exploração. A inteligência técnica organizada, a uma só vez, a produção e a exploração; ela é, desse modo, levada a se identificar com o próprio sistema e a conceber o modo capitalista de produção como o único possível. A pequena-burguesia, instruída, remediada, mantida sob tutela pela burguesia, muitas vezes ameaçada de pauperização e, assim, próxima do proletariado – daí sua inclinação para o socialismo – é propensa às mais nefastas ilusões. Muito mais culta que o proletariado, muito mais numerosa e avançada do que a burguesia propriamente dita, julga-se convocada a dirigir a sociedade. As ilusões democráticas do último século, nascidas em parte desse estado de espírito, tem, por sua vez, contribuído para mantê-lo. O socialismo da pequena-burguesia é capitalista, consequentemente orientada para a defesa da velha ordem e da educação das massas, em conformidade com os interesses dos ricos; a mentalidade pequena burguesa tende a separar, sobretudo em política, a ação da palavra, sendo esta considerada um derivativo da ação, ou um substituto enganador da ação (recordem-se os ‘gestos simbólicos’ do radicalismo francês). Os melhores espíritos das classes médias russas simpáticas à revolução muito antes que esta se tornasse realidade julgavam necessário limitar-se a uma revolução que teria dado início a uma era de sábias reformas. A revolução proletária lhes parecia uma ascensão de bárbaros, uma queda na anarquia, uma profanação da ideia mesma de revolução. Esse ponto  de vista foi expresso vigorosamente por Máximo Górki, em suas ‘Considerações inatuais’, que publicadas pela Novaia Jizn. As classes médias queriam que a revolução burguesa instituísse em república democrática, em que elas fossem as classes dirigentes e em que o desenvolvimento capitalista prosseguisse sem entraves: concepção basante nítida nos mencheviques e nos socialistas-revolucionários que, naquele momento, foram os ideólogos mais clarividentes da pequena-burguesia.

Além disso, seu utopismo sentia-se chocado com a realidade da revolução: como era grande a diferença entre o idílio romântico sonhado por tantas vezes e a dura e sangrenta realidade! Habituados a viver em meio a realidade dura e sangrentas, a sofrer necessidades indisfarçadas, formados na escola da repressão e da guerra imperialista, os operários e os soldados tinha mentalidade totalmente diferente.

Às classes médias esclarecidas, a Revolução de Outubro parecia o golpe de força de um punhado de doutrinários fanáticos, apoiados por terrível movimento do população ignorante. Veremos que Górki emprega exatamente esses termos. O problema da guerra e da paz, atingido-as em seu patriotismo (o patriotismo é produto seu por excelência; o proletariado é internacionalista; a burguesia professa senão um patriotismo de negócios composto com um cosmopolitismo financeiro), do mesmo modo que atingia os revolucionários pequeno-burgueses em seu romantismo, aprofundou o fosso existente entre a revolução e aquilo a que se denominava erradamente – ‘a democracia’.

Prever antecipadamente que a democracia pequeno burguesa, toda ela, com a energia do desespero, cerraria fileiras ao lado da contra-revolução, a ponto de seguir os generais monarquistas, a ponto de sonhar com um Galliffet, a ponto de proceder a execuções em massa de insurretos – isso não era possível. E essa impossibilidade explica os erros de alguns bolcheviques: até os fuzilamentos do Kremlin, o Comitê Revolucionário Militar de Moscou parece haver nutrido a esperança de que os socialistas-revolucionários e os mencheviques não iriam muito longe contra a revolução operária: o erro da minoria do Comitê Central do PCR e do Conselho dos Comissários do Povo foi admitir a possibilidade de uma concentração socialista, isto é, de um retorno da pequena-burguesia socializante ao proletariado. Na verdade, a atitude contra-revolucionária das classes médias não era rigorosamente determinada por seus interesses de classe: percebemos hoje que eles teriam tido toda vantagem em submeter-se ao regime dos sovietes; sua pouca importância numérica, sua falta de homogeneidade e a formidável superioridade de organização, de valor moral e de pensamento do proletariado (o partido, o espírito de classe, o marxismo), a adesão das massas da pequena-burguesia rural à revolução, tudo as destinava a uma cruel derrota: pior do que isso, a um desbaratamento total; sua resistência, porém, devia tornar maior a ruína, devastar o país. Fossem elas um pouco mais clarividentes na avaliação das forças em presença e se teriam poupado – e poupado o país – de muitas calamidades. Sem dúvida, as classes médias não terão sempre essa atitude diante da revolução proletária; é bem provável que o poderio e o espírito de decisão do proletariado venham a conseguir, nas batalhas sociais do futuro, induzi-las a se manter neutras no início e, em seguida, a aderir a ele. Decididamente, elas acompanham e acompanharão os mais fortes; quando perceberem que as classes operária é a mais forte, elas acompanharão. Na Russia, em outubro de 1917, as classes médias se enganaram: a vitória do proletariado lhes pareceu impossível. Por muito tempo, não acreditaram nisso, esperando, dias após dia, semana após semana, o desmoronamento do bolchevismo. De fato, para crer na vitória de uma classe, que até então jamais havia vencido na História, que não tinha sequer experiência do poder, ou competência, ou riqueza, ou instituições próprias – exceto algumas formações de combate, seria preciso estar tão profundamente penetrado pela missão histórica do proletariado quando os bolcheviques o estavam; uma palavra, era preciso ser marxista revolucionário. A anulação desse móvel psicológico da atitude contra-revolucionária da pequena-burguesia russa é um dos importantes resultados históricos da Revolução de Outubro.

AS ‘LEIS DE GUERRA’ NÃO SE APLICAM À GUERRA CIVIL

2. Essas jornadas se caracterizam, também, pela forma de que, nelas se reveste a guerra civil. Os vermelhos, não sabendo ainda empregar repressões, praticamente ignorando a necessidade das repressões, propensos a se deixar enganar quanto à democracia socialista, mostram-se de uma deplorável mansidão. Comprarem-se as condições impostas pelo CRM vitorioso de Moscou ao Comitê de Salvação Pública e as que esse comitê branco, longe de ser vencedor, tentara impor ao CRM. Nessa caso, os brancos massacram os operários do Arsenal do Kremlin; naquele, os vermelhos libertam, condicionalmente, seu inimigo mortal, o general Krasnov. Aqui, os brancos conspiram para o restabelecimento implacável da ordem; ali, os vermelhos hesitam em suprimir a imprensa reacionária. A inexperiência era, seguramente, uma das causas profundas dessa perigosa mansidão dos vermelhos.

Em contraposição, a contra-revolução, logo de saída, empenhou-se a fundo, irrefletidamente. Não há dúvida de que a guerra civil só iria se tornar violenta com o passar do tempo, com a ajuda estrangeira; porém, desde 26 de outubro, a luta foi muito mais cruel que as guerras entre Estados diferentes. Estas geralmente se submetem a certas leis; existe um direito de guerra; na guerra entre classes, não existe direito, não há ‘convenções de Genebra‘, não há costumes cavalheirescos, não há não-beligerantes. A burguesia e a pequena-burguesia recorreram, de saída, à greve e à sabotagem de todas as empresas de utilidade pública, de todas as instituições, uma arma interdita pelos costumes de guerra. Em parte alguma, na Bélgica ou na França invadida, os técnicos se puseram em greve com a chegado do inimigo. A sabotagem foi uma tentativa de organizar a fome, isto é, de atingir a população operária, sem distinção entre combatentes e não-combatentes. A utilização feita do álcool é igualmente significativa. E toda a conspiração contra-revolucionária foi uma preparação para o terror branco.

O que aconteceu é que as guerras entre Estados são, habitualmente, guerras intestinas entre ricos, que professam uma mesma ética de classes, uma mesma concepção do direito. Tem sido mesmo muito forte, em certas épocas, a tendência de reduzir a arte da guerra a um jogo bastante convencional. A arte moderna da guerra data da Revolução Francesa que, opondo uma nação burguesa em armas ao exército das antigas monarquias, exércitos profissionais, baseados no recrutamento compulsório e nos mercenários, e comandados por nobres, anulou de um só golpe as convenções antiguadas de tática e de estratégia anteriores. Os europeus só se afastam das regras atuais da guerra com respeito a povo que consideram inferiores*; do mesmo modo, na guerra entre classes, as classes dirigentes, convencidas de estar defendendo a ‘civilização’ contra a ‘barbárie’ operária, acreditam que todos os meios são lícitos. Estão em jogo interesses demasiado grandes, todas as convenções são abolidas e como a ética – não existe uma ética humana, só existem éticas de classes ou de grupos sociais – deixa de exercer sobre os combatentes sua ação moderadora, as classes exploradas rebeladas são declaradas pela contra-revolução ‘indignas da humanidade’. Essas verdades podia ser entrevistas, nitidamente, ao final da primeira semana do regime dos sovietes. Veremos, mais adiante, o massacre dos prisioneiros torna-se regra na guerra civil, e os Estados capitalistas, durante muitos anos, tratarem a Rússia comunista como um país fora da lei.

nota de rodapé: * Os franceses, algumas vezes, durante a conquista da Argélia. Lembremo-nos também, os métodos de guerra e de dominação dos ingleses na Índia; o saque do palácio de Pequim pelas tropas europeias, em 1900; as atrocidades dos italianos na Tripolitania; dos franceses na Indochina e no Marrocos; dos britânicos no Sudão. Em nenhuma guerra dos tempos modernos os vencidos foram tratados com tanta ferocidade quanto os da Comuna de Paris, em 1871.»

il n’y a pas de hors-texte

[seg] 16 de dezembro de 2013

assim, sentido me plácido. mesmo estando prestes a encarar o mundo moderno com suas filas, engarrafamentos, lotações, horários, juros, multas, agendamentos, transações… talvez ai, o movimento, que sossega estes abismos em que me meto. fico pensando… bem que eu poderia andar mil metros e nadar uns dois mil metros por dia – a praia não é tudo aquilo, mas é logo ali. bem que eu poderia embarcar em um bicicleta e pedalar dez mil metros por dia – e seria tão fácil e divertido. bem que eu poderia continuar estas minhas leituras diárias – e concluir dois livros como fiz ontem/hoje… bem que eu poderia fazer um monte de coisas – e voltar a escrever, dar presentes, trocar livros, aprender a tocar violão… bem que eu poderia não sofrer prematuramente por coisas ainda não vividas – menos ansiedade, mas liberdade. é, bem que eu poderia… soltar minha mão. estava agora pouco pensando… há dois movimentos internos. sendo um deles o da generosidade; o ‘sempre dar atenção’ ao outros; o estar disposto; o ser receptivo e construtivo. sendo o outro – tão forte – que me leva ao auto-isolamento; do afastar-se de tudo e todos; o construir barreiras, muros, capsulas. observando minha construção enquanto personalidade, e toda a brutalidade que me rodeava – e ainda rodeia – percebo que é legitimo esse movimento… ele expressa uma forma de resistência – individual e defensiva – contra a exclusão, o maltrato, a estupidez humana destes [feios, sujos e malvados]… que no fundo é uma estupidez sistemática e estrutural – por isto a minha identificação com tantas e tantos por ai que sofrem… mas o salto qualitativo é aprender a lidar com isto, com a rejeição, com as inabilidades, com os espaços sociais não assimilados ainda, com o homem novo que desejo [em pensamento, e as vezes na prática] tanto ser. De estúpidos e insensíveis o mundo está repleto… o desafio é fazer diferente, é estar ‘mode on‘. mas atenção, cuidado rapaz. ‘ocê sabe quão volátil és. ______ agora uma citação do livro que terminei sábado: «foi durante tais meses que esteve próximo – como nunca mais voltaria a estar no decorrer de sua existência – dessa enfermidade tipicamente moderna que é a ‘alienação‘.» do outro livro que conclui a leitura há meia hora atras tiro o título… não há nada fora do texto. ah, o livro é a história concisa da filosofia – de sócrates a derrida, por derek johnson. _____ notas outras: coisas acidentais: matéria e origem da comédia.

sol na casa oito, lua na casa hum.

[dom] 15 de dezembro de 2013

é tenso estar em um daqueles dias em que tu não suportas nada.
nem a ti, nem aos outros.
dias assim exigem solidão e distância.
dias assim são plenos de angústia.

é o peso desta contradição entre pensar e sentir.

?

[ter] 10 de dezembro de 2013

?¿
envia às 3h21. volta e edita, as 14h56.

por que não aceitar [provisoriamente] o cão doente até domingo?
medo ou secura? não há um estrutura [a explicação imediata], mas o que é a estrutura perto da vontade, do peito aberto, do desejo de transformar o mundo… [a contradição ética]?

nenhuma das explicações vai convencer. e a explicação mais fácil e mais sincera talvez seja mesmo aquela que fala do velho hábito de ser só, de estar só… sem sorrisos ou abraços, só a loucura cega. mas nem isto convence. e é de endoidecer porque se sabe o que deve ser feito, e não se faz. não se faz.

o fato é que oscilo e estou confuso demais, num descontentamento só, numa ansiedade absurda… sem rumo, sem seta, sem alvo, sem meta, sem entrar em campo… lambendo minhas feridas e ferindo outros [o que não é nenhuma novidade]. e ponto.

e destes olhares: o que os outros veem em mim eu não consigo.

a dobra do mar

[qui] 21 de novembro de 2013

Que contradição, tal qual um nasrudin, sigo morro acima levando minha canoa nas costas… ô sufoco besta.

um mate para acordar
um bule de chá pela tarde
um quilo de café na noite
um pouco de leitura filosófica
algumas partidas de xadrez
um dia inútil e estranho
uma ansiedade silenciosa [eu no meu vasto mundinho sem querer levar um papo com ninguém guardando tudo para mim…]
e…

[para efeito de registro caso eu venha logo a frente esquecer e continue nesta vida besta que tudo melhora, mas também piora] há alguns compromissos ainda até meados de dezembro, mas tecnicamente encerrou-se o ano profissional e me sinto mais esclarecido após dois anos de magistério. estou mais ciente das debilidades (teóricas, pedagógicas, práxis educativa e militante) e dos caminhos possíveis, cresci um bocado este ano… e para ano que vem, porque nas três próximas semanas é momento de delimitar alguns caminhos possíveis (2ª chamada do concurso para magistério estadual, complementação de carga horária, e 1ª chamada pra act) e como passei no concurso, posição 25 para 29 vagas é aguardar até segunda e descobrir o que sobra para mim. há uma penca de escolas em palhoça, algumas poucas na ilha, meia dúzia em são josé e biguaçu e aquelas que são lá na volta do mundo… santo amaro, anitápolis, águas mornas, são pedro, governador. E se me sobrar só uma destas últimas? o que é mais do que provável… e dez horas apenas… porque dez horas é pouco e estou sentindo isto na pele neste final de ano que tenho que contar cada moeda. mas sei lá… tudo vai se encaminhar. mas até lá…

um mate para acordar
um bule de chá pela tarde
um quilo de café na noite
um pouco de leitura filosófica
algumas partidas de xadrez
um dia inútil e estranho
uma ansiedade silenciosa
e… amanhã é outro dia… e “quem bater primeiro a dobra do mar dá de lá bandeira qualquer, aponta pra fé e rema”

trilha sonora neste dia chato de quase chuva: cássia eller, nando reis e los hermanos.

aleluias

[ter] 12 de novembro de 2013

me acostumo

a dormir

com as janelas e portas

todas abertas

nestas madrugadas

quentes e solitárias

já é noite fechada na janela aberta

já é pancada de chuva na porta repleta

já amanhece na casa cheia

já são os grilos…

e as aleluias  acostumando-se

aladas, pelas portas e janelas,

nestas madrugadas abertas,

a serem tantas.

6h00.

***

agora mudando de assunto completamente… como se perder um celular? é fácil. dá pra mim. perco em dois palitos. mais um para a conta de inúmeros celulares e tralhas perdidas… agora estou um projeto de homem assim: sem tv, quase sem internet, sem telefone, logo mais sem trabalho… é o proto-homem civilizado transformando-se em ermitão… o ermitão de sambaqui.

polaco loco paca…

[seg] 11 de novembro de 2013

DIA 9/11. vem disto aqui… http://www.youtube.com/watch?v=vUUfmF7fUgY

que é profundo pacas…

“A linguagem dá um barato fundamental no ser humano. Não é preciso justificar isto a luz de nada. Isso ai que é fundamental, as outras coisas é que têm que ser justificadas”.

DIA 11/11 Eu pretendia publicar isto dia 9, mas a internet ‘tá uma bosta (é que agora eu compartilho o wifi e o custo dela, positivo isto, negativo é o modem ficar tão longe, mas é a tática nesta minha luta para sobreviver com menos de um salário mínimo). Mas não faz mal… Caminho lentamente para um refazer-me, e me desfaço da tevê, minimizo a vida por cá (no espaço virtual), e sobra mais tempo para leituras (aquela  pilha enorme de livros esperando que eu vá pôr em alguma aleatória ordem… cá em minha cuca), e sobra mais tempo para meus projetos de escavações e empilhamentos de pedras (eta hôme besta! o sol ali fora e tu com a cara metida dentro da terra feito avestruz)… sobra mais tempo para finalizar o preenchimento dos diários de classe e encerrar minhas aulas de 2013¹ (que tem sido um misto de doce e amargo) e reaprender xadrez (e jogar com izabel… mas ela é toda séria, trágica, dolorosa, e um cadinho triste… não puxou toda de mim, já que peguei ela a meio caminho andado… mas acredito que esse pé na dor é daqueles que compartilham cedo os sofrimentos desta vida) e ouvir música… NO VOLUME MAIS ALTO QUE SE POSSA IMAGINAR (mas calma, moro no mato, e além, as músicas têm qualidades agradáveis…)

Mas eu pretendia publicar… e não é por nada disto acima que não publiquei… é que fiquei matutando um poema, e das 20 folhas rabiscas saiu nada definitivo… tudo ainda é um rascunho, apenas isto aqui é certo:

DIA 9/11

Calo este silêncio todo

Que estronda meu oco

Calo este silêncio todo

E te ouço, polaco loco!

DIA 11/11 nota de rodapé

¹ hoje, passei umas duas aulas num ótimo bate-papo tete à tete com um estudante (que estava matando aula de outros dois professores), e quando chego em casa, recebo recado de um outro estudante, aluno de 2012, um dos mais críticos e engajado que já conheci, dizendo que sente saudades de minhas nossas aulas críticas e sensatas (agora a professora de sociologia parece ser conservadora). E são momentos assim, porque prefiro mais o papo com os estudantes (aqueles poucos que a gente consegue sensibilizar, tocar com o argumento sociológico) do que com os professores, quase todos cheios de seus moralismos. eu acho a escola tão chata, tão absurdamente sufocante, que os poucos momentos de lucidez em sala que conseguimos ter são tão intensos, e isto é o doce, mas são tão raros, e isto é o amargo… como a juventude pode sonhar se todos os adultos referenciais vão zumbizando. E também, muitas vezes me sinto como se estivesse falseando, me sinto capenga nos meus desenvolvimentos… como abordar coerentemente e criticamente conteúdos, temas, tópicos, conceitos se me distancio deles, se na minha prática política me distancio do movimento real? como posso desarticular tanto assim teoria e prática? isto me leva a questionamentos se o que estou fazendo tem algum sentido, e são nessas conversas ou alguns momentos em algumas aulas ou recados e mensagens como esta do gui, que me dizem que há algum sentido, que não está tudo perdido… que a minha existência e meu ofício faz uma mínima diferença… mas o ponto correto, e sei disto, não é questionar a docência e sim a ausência de militância. mas minha cabeça é tão torta… preciso bater mais um pouquinho ela no chão para ver se os parafusos de acertam. animo meu rapaz, animo. lembra do mantra: paciência e coragem, paciência e coragem. Levanta essa bunda e vai lá…

amanhecendo no feitiço

[qua] 23 de outubro de 2013

SEGUNDO ATO

Torre de controle, bom dia, Victor Bravo Três Um solicita permissão para se desmanchar no ar. Me escreve, pede poesia, mas ela, a poesia, não presta, e eu tão pouco presto pra ela. não presto-me. estou cindido, oscilo entre um tímido-terno-tênue humor e um desumor, uma brutal impotência imobilizadora, tão vã, tão feia, tão imodesta…  tão perigosa ao ponto de todos os camundongos tornarem-se hipopótamos. não é fácil levantar… e a madrugada passa depressa demais… e eu tento dar um fim, embora o corpo peça pra ficar, eu vou… 

poesia incidental: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/ultima-elegia-v

PRIMEIRO ATO

AMANHECENDO

Composição: Caê Rolfsen, Leo Bianchini e Pedro Viáfora

Atrasei ponteiros pra ficar
Eu perdi a hora de andar
Dá pra ver o sol lá fora
Vem minha voz dizer: “Não olha”
No entanto a espanto bem

Conto pra mim que o fim tem hora
Ponto pra mim!
E eu: “Não, não chora”
Enquanto o pranto vem

Embora o corpo peça assim pra ficar, eu vou
Embora
E eu tento dar um fim
Pronto, acabou

papel paraná

[sex] 18 de outubro de 2013

ando numa de ficar mirando a ponta do dedo mindinho do pé e a cabeça gira… vejo nada, tudo me é um saco, ou para ser mais preciso… tudo é impreciso, vago, sem sabor, monótono… mais do mesmo, o mesmo dedo, a mesma dor, o mesmo distraído, a mesma dolor… tão minha, tão minima.

é preciso mudar de ideias
é preciso mudar as mudas/ideias
é preciso mudar
preciso mudar

porque esse negócio de ficar cavando buraco no chão é meio sem pé nem cabeça, mas como fazer outra coisa se tudo ao redor parece enorme demais, chato demais, monstruoso demais, entediante demais, cruel demais, estúpido demais, doloroso demais… e mais a mais, creio eu que é tudo questão de fase, como diz aquela canção… “And I don’t know where I’m going, I guess it’s just a phase”.

querido velho oeste

[sáb] 31 de agosto de 2013

Que ilusão desconfiar das flores Fugir da sorte pra não se arranhar. Você que quis inventar o tédio Como um remédio pro mundo rodar.” ou “Você tinha razão em quase tudo Eu estava cego, eu estava mudo Você tinha razão em quase tudo Eu era um cara de mal com o mundo.” MORDIDA. som no máximo, e repetindo sem parar na vitrola.

sei lá. Antes que eu esqueça, quinta foi um dia gostoso, daqueles que a gente não esquece. o sorriso daquela pequena que ‘cê nunca viu, e só por ter trocado três minutos de conversa, ela atravessa a rua para te dar um abraço [ que tu sem jeito transforma num simples aperto de mão ], animada por ter te conhecido. [ crianças tem disto, destes gestos inesperados, espontâneos, que nós adultos aprendemos a reprimir. dela esqueci o nome, e acho que devia ter seus 7 anos ].

guerra e universo

[qua] 28 de agosto de 2013

tive uma “sacada”. amenizei a dor de não ser o que eu insisto. ser não ser.

passei o “pois agora” e delirei sobre memórias vivas… [afinal, o blábláblá histórico-filosófico é importante, mas sem um exerciciozinho prático, um pouco de poises na história toda… fica meio sem graça]. que o conhecer seja um processo de apropriação e resignificação do concreto, que seja [auto]criação.

e ai faltou luz – e tudo virou um caos. ai pensei… um dia [tudo e todos] vamos nos desfazer. e ai… tanto fez, e nem as cicatrizes na minha face restarão. ossos e códigos.

voltei e li mais um tanto de Maiakóvski: O Poeta da Revolução sob a luz de velas.

***

Prólogo

Tenéis suerte.
La vergüenza no alcanza a los muertos.
Apaga pues
tu odio por los difuntos asesinos.
El líquido más puro
ha lavado el pecado del alma emigrada.
¡Tenéis suerte! Pero yo,
a través de las líneas del frente,
a través del estrépito,
¿cómo sostendré mi amor de ser vivo?
Un paso en falso
y la migaja del más insignificante
de los amores rodará para siempre
al abismo del humo.
¿Qué es
para los que vuelven tu pena? ¿Qué es
para ellos la línea de los poemas?
¡Parados con piernas de madera
ellos ya no querrán otra cosa
que seguir cojeando hasta
el fin de sus días!
¿Tienes miedo?
¡Cobarde!
¡Te matarán!
Tú podrías vivir,
aunque esclavo,
una buena cincuentena de años.

¡Mentira! Sé
que bajo la lava de los ataques seré
el más corajudo el más arrogado.
¡Ah!
¿Qué valiente se negaría a responder
a la llamada del clarín de los tiempos futuros?
Y yo soy en esta tierra
el único heraldo de las verdades en marcha.
¡Hoy exulto!
Sin beber ni una gota
he llegado a la meta de mi alma.
Mi solitaria voz humana
se eleva
entre gritos
entre llantos
en el día naciente.
¡A ver! ¡Vamos, animaos!
Fusiladme, ponedme contra el paredón!
¡No seré yo quien cambie de colores!
¿Queréis
que me pegue un as en la frente para que brille más la meta?

daqui ó: http://gatopistola.blogspot.com.br/2011/02/la-guerra-y-el-universo-por-vladimir.html

***

outros links sobre volodia maiak

http://paxprofundis.org/livros/vladimir/mayakovsky.htm

http://www.culturapara.art.br/opoema/maiakovski/maiakovski.htm

http://www.mauxhomepage.net/desenterrandoversos/desenterrandoversos/maiakovski.htm

http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/p_mundo/index.asp?op=4&p=2244

https://garapuvu.wordpress.com/dossiemayakovski/

invictus

[ter] 16 de julho de 2013

Invictus 

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishment the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Invictus 

Dentro da noite que me rodeia
Negra como um poço de lado a lado
Agradeço aos deuses que existem
por minha alma indomável

Sob as garras cruéis das circunstâncias
eu não tremo e nem me desespero
Sob os duros golpes do acaso
Minha cabeça sangra, mas continua erguida

Mais além deste lugar de lágrimas e ira,
Jazem os horrores da sombra.
Mas a ameaça dos anos,
Me encontra e me encontrará, sem medo.

Não importa quão estreito o portão
Quão repletade castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.

http://www.youtube.com/watch?v=uGbWDDTsvT8

os naufrágios/os navegantes/o navio-ó-versa

[ter] 9 de julho de 2013

O estouro…

achei interessante ter recebido uma visita da bélgica, outra da austrália, fora outras particularidades, como alguém do banco central ter acessado meu blogue.  e fui contar… ontem acessaram 35 brasileiros, mas a média anual é de 5 por dia. ontem um(a) portuga esteve por cá, sendo portugal o segundo maior visitante com 3 perdidos por mês. nenhum yankee apareceu ontem, mas é o terceiro em visitas, média de um por mês. do méxico foram 8 perdidos em um ano. da espanha  média é um visitante por bimestre. e do chile, argentina e uruguay, são 5 cada um por ano. a frança vem é nona com a média de 1 visitante por trimestre. da guatemala e da colombia partiram 3 visitas cada um no ano. moçambique, alemanha e costa rica, com a média de 1 visita por semestre. e canada, equador, reino unido, belgica, autrália, italia e timor-leste com uma visita anual de média. este blogue não é divulgado e esse povo vem desembarcar por cá… um ficam e vão mergulhando pelas páginas-ilhas… outros só passam e vão embora sem ficar. E raios… me pergunto, o que esse povo vem fazer aqui.

Na corrida…

“Vivemos numa civilização do clichê (e não da imagem)”: “todos os poderes têm interesse em nos encobrir as imagens, não forçosamente em nos encobrir a mesma coisa, mas em encobrir alguma coisa na imagem.” (Deleuze, A Imagem-Tempo, . 32).

http://www.fapesp.br/publicacoes/anita/index.html

Que chega ao fim…

e no mar, na rede, o que se pesca por estas águas são estes:

https://garapuvu.wordpress.com/category/estrene/

https://garapuvu.wordpress.com/2003/02/07/prefacio-interessantissimo-trechos

https://garapuvu.wordpress.com/2010/04/22/trechosproeminencia/

https://garapuvu.wordpress.com/2010/02/05/walter-benjamin-para-uma-nova-etica-da-memoria/

https://garapuvu.wordpress.com/2010/02/05/florio/

https://garapuvu.wordpress.com/dossiemayakovski/

https://garapuvu.wordpress.com/nasrudin/

https://garapuvu.wordpress.com/2009/01/26/rayuela/

https://garapuvu.wordpress.com/instrucoes-para-subir-uma-escada/

https://garapuvu.wordpress.com/2001/09/17/capitulo-7/

https://garapuvu.wordpress.com/2002/11/07/adieu/

https://garapuvu.wordpress.com/2006/02/12/lasbruja/

https://garapuvu.wordpress.com/2006/05/18/teus-olhos-incredulos/

https://garapuvu.wordpress.com/2007/11/03/a-extraordinaria-aventura-vivida-por-vladimir-v-maiakovski-no-verao-na-datcha%C2%B9/

https://garapuvu.wordpress.com/2007/10/26/ogro/

https://garapuvu.wordpress.com/2010/11/29/livreassociacao/

https://garapuvu.wordpress.com/berna-2-de-janeiro-de-1947/

até o proximo domingo

[dom] 2 de junho de 2013

a vida até parece uma festa.

exercício de cinemar

[qui] 23 de maio de 2013

[incompleto e sujeito a edição – mas é melhor publicar e depois editar do que deixar aqui nos rascunhos e logo mais jogar no lixo. tem algo interessante no movimento abaixo, basta lapidar. cansado. dormir preciso. fim]

cinesilêncio
cinesilêncio
cinesilêncio
cinesilêncio
cinesilêncio

marulho bravio
abismo prateado
olhos nos olhos

cio
riso
silêncio

sufoco
sufoco sufoco
oco
ânsia
pranto

respira fundo

silêncio
abismo
ânsia
pranto
erra
não há fundo
é claro-escuro
mergulha
espuma
encontro

partem-se
as ondas na beira
do mar

silêncio
cinesilêncio
cinemar

———–

Al cine: Abismo Prateado de Karim Ainouz.

#13/40

[qua] 15 de maio de 2013

há dias em que tudo rola numa boa, flui. há dias em que nem tudo rola tão bem… é um engasgar. e há dias assim… no limbo. o ânimo evaporou. e o máximo que consigo é deixar o tempo escorrer, e só no último instante, às vezes já perdendo a hora da saída, eu limpo o rosto e mergulho no que é necessário. #13/40.

mas não sei explicar… é um clima meio tenso pelos arredores – quando você percebe que é o único que tem renda (+-) fixa no final do mês – e apertou para todos. você percebe que precisa guardar, porque se a corda estourar… é você que vai ter que segurar as pontas de todos.

tenso.

mas é mais do que isto… é esse esperar que tudo seja intenso e agitado, mas tu não mexe um pelo para modificar. e mais… o plano é o inverso, é conservar o minimo movimento para guardar. mas sei lá… as vezes não há sentido.

—-

os poemas, assim como as fontes, estão secos. / os poemas, assim como as fontes, estão congelados. / os poemas, assim como as fontes, estão correndo. / os poemas, assim como as fontes, evaporaram // os poemas, assim como as fontes, são de outra estação.

 

sufixos

[ter] 14 de maio de 2013

ouvi isto outro dia e gostei: esperança, estado de quem espera; criança, estado de quem cria; confiança, estado de quem confia…

.

porque estou bagunçando demais as coisas e ‘tá na hora de tentar organizar alguma coisa. essa vida de esperança as vezes cansa. ser mais cronópio e menos esperanza.

.

preciso beber mais água. preciso ir mais ao ar livre… preciso pintar a casa. preciso escrever poemas na parede da casa e mostra-los por ai. preciso organizar meu tempo de forma que eu pare de apenas imaginar e faça –  faça sentido. essa mania de ler 8 livros ao mesmo tempo e não terminar nunca nenhum tem que parar… essa mania de deixar para planejar a aula horas antes de ir… essa mania de deixar tudo para amanhã e não fazer nada hoje tem que parar. sabe, porque se ficar assim essa vontade que tenho sentido nestes últimos dois meses de ficar só em casa aumentará…

.

fontes: http://www.usp.br/gmhp/publ/LacD.pdf

regras básicas de convivência

[dom] 28 de abril de 2013

mei me ajudou a pensar. paulo me ajudou a pensar. josé e pilar me ajudaram a pensar hoje. izabel e luiza me ajudaram a pensar. e pensei bastante… e tudo deve ser mais ou menos assim, levante a bunda da cadeira e vá fazer coisas… coisas incríveis. coisas mágicas… coisas de gente como tu assim boni-tá!

porque esse caminhão de coisas te pressionando estão só ai na tua imaginação.

e a cada dia tente poemas…

referências:

“Mas não celebremos apenas o sábio
Cujo nome resplandece no livro!
Pois primeiro é preciso arrancar do sábio a sua sabedoria.
Por isso, agradecimento também se deve ao aduaneiro:
Ele a extraiu daquele.”

bertoldo brecht

_____

Uma razão a mais para ser anticapitalista

“Te amo
e odeio tudo que te deixa triste.
Se o mundo com seus horários e famílias
e fábricas e latifúndios e missas
e classes sociais, dores e mais-valia
e meninas com hematomas
no lugar de sua alegria

insistir em te deixar triste,
apertando tua alma
com suas garras geladas,
teremos, então, que mudar o mundo.

Nenhum sistema que não é capaz
de abraçar com carinho a mulher que amo
e acolher generosamente minha amada classe
é digno de existir.

Está, então, decidido:
Vamos mudar o mundo,
transformá-lo de pedra em espelho
para que cada um, enfim, se reconheça.

Para que o trabalho não seja um meio de vida
para que a morte não seja o que mais a vida abriga
Para que o amor não seja uma exceção,
façamos agora uma grande e apaixonada revolução.”

Mauro Iasi

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