Archive for the '…' Category

desata

[ter] 15 de agosto de 2017

um certo nó nos olhos e no peito.

e uma leve dificuldade de estar aqui e agora… vontade de voar no tempo. ou estacionar e apenas olhar a paisagem…

mas respira. desata…

arruma esse teu sono, tuas aulas… teus horários.

vai dormir e acorda pra vida.

ruína

[sáb] 12 de agosto de 2017

«Um monge descabelado me disse no caminho: “Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro (O olho do monge estava perto de ser um canto). Continuou: digamos a palavra amor. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo”.

E o monge se calou descabelado.»

Manoel de Barros | “Poesia completa”

ipê roxo

[qua] 2 de agosto de 2017

uma semana atrás brotava a primeira flor do ipê-roxo [encontrar a postagem de quando plantei esse ipê]… agora eu sei que é roxo.

hoje, cedo, a sensação era… como se eu estivesse num repuxo, ou no meio do turbilhão daquelas vacas de quando eu tentava surfar… enfim… era o mundo me tragando para uma avalanche de atividades sem me dar tempo para respirar. sem tempo para dormir mais e para o ócio e para o tempo de planejamento… bora deixar no piloto automático.

*

segunda e terça foram dias longos e cansativos… temos quarta-feira pela frente ainda.

urgente planejar as demais aulas da semana próxima.

hoje deu-me uma vontade de planejar a minha vida… emagrecer, pós graduação, terminar cozinha e sala… uma moto? só pensei…

tem dado uns dias de cartão postal…

família tem pesado… irmão e pai brigando, mãe doente.

*

e as férias… que férias.

z450ua

[qui] 20 de julho de 2017

chegou… depois de 80 dias sem pc, enfim uma máquina nova.

chega com ela um certo ar renovado… uma vontade de pedagogicamente propor coisas mais interessantes e diferentes. pesquisando a aplicabilidade de jogos… projetos… fruto das reflexões dessa semana de formação, e ai eu preciso pontuar dois aspectos… ou três. sozinho, normalmente eu me afundo na obscuridade, meu lado lunar. acompanhado de pessoas luminosas, com ideias bacanas e libertadoras… meu sol brota lá de dentro e eu fico irradiante… neste sentido, após o meu mergulho do primeiro bimestre, na parte mais sombria, nesse segundo… a existência na escola b, de um diretor inspirador, com fala inspiradoras e uma coerência ética, e algumas e alguns estudantes, até mais que o corpo docente… e na escola a, de uma nova professora de história, que vai na contramão dos demais… me sinto instigado.

#pesquisar jogos

#pesquisar zinejornais

#pesquisar filmes

#montar planos de aulas/projetos

cuidar da mãe. importante tbm.

 

finalizando o segundo bimestre

[seg] 10 de julho de 2017

Granola, amendoim, uva passa, mel e cappuccino. Meias, pijama e um cachecol. Uma caneta, diários e 1kg de avaliações para finalizar… Uma madrugada para terminar.

Logo mais 9 aulas…

de luce

[qua] 5 de julho de 2017

Da manhã:

Entre a empatia e a bestialidade. Observando-me nesse processo de apreender o mundo.

É cedo, ainda. Imunidade baixa. Resfriado. Renite. Cansaço. Planos anotados… 

Remando contra a maré… 

para quando o arco íris encontrar…

[ter] 4 de julho de 2017

não há pote de ouro. Há muito trabalho pela frente… E uma grande ilusão de ótica.

[editado e acrescido]


>A lição de Richard Dawkins
>”Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz o dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos…
>Nós, uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento, contrariando todas as probabilidades, como nos atrevemos a choramingar por causa do retorno inevitável àquele estado anterior, do qual a enorme maioria jamais nem saiu?”
“>Trecho extraído de http://catarsenoturna.blogspot.com.br/2011/01/richard-dawkins.html?m=1

um leão por dia

[seg] 3 de julho de 2017

Matando um leão por dia… O de hoje foi. 

quase segunda

[dom] 2 de julho de 2017

Zero. Achei que no sábado colocaria em dia… Fiz nada. Deixei para o domingo… Só comi. Ficou pra amanhã.

Sempre deixando pra amanhã o que era pra ontem.

sem controle

[sáb] 1 de julho de 2017

Quando ela disse aquilo, pensei comigo… Estamos mais ou menos no mesmo fosso. Por que somos assim? 

Parte de mim quis buscar abrigo, desaguar toda minha correnteza na profundidade daquele ser imenso, apesar de sua pequenez, ali diante de mim. Quis estender a mão, perdido que estava… Quem sabe sair da escuridão.

Parte queria apenas um corpo quente, um pouco de pele, o sal do suor na língua, sentir o abraço de alguém querendo me engolir, me devorar, me mastigar inteiro… E os espasmos…  

Mas uma voz gritava lá de dentro: tu é a escuridão sem fim…

Escapei. Em silêncio. Não disse palavra alguma, apenas sangrei em silêncio. Sou esse homem duro. Sem laço. Sem afeto. Sou a noite. Fui embora, só.

Não misture sua solidão com a solidão nos olhos dos outros. Pois na sua loucura há dor demais. E ela sempre machucará alguém. Esteja só. Siga sua jornada no exílio. 

… 

Vi o filme  

Sem Controle

2007 ‧ Thriller/Drama ‧ 1h 30m

paralisado

[sex] 30 de junho de 2017

Fora temer. Mais um falta. Desobediência civil.

síndrome das pernas inquietas

[ter] 27 de junho de 2017

Bateria baixa. 10%. 22h e estou exausto. Pensando em dormir. Acordei cedo e ainda não terminei de avaliar os trabalhos…. Amanha será longo o dia. Minha cabeça dói. Ontem estava eufórico. Hoje triste e irritado. Essa história de construir autobiografias me trouxe outro olhar sobre vários alunos. Entre as poucas conversas do dia… Conversava hoje com um estudante sobre terapia, contava ele sobre suas angústias. Eu preciso também. E a minha louça toda pra lavar. Uma casa por fazer… Minha solidão e horas de burocracias. Não sou o professor que deveria e gostaria de ser. 8%. última baldeação. Penso em raspar o cabelo, a barba… Quem sabe eu mude. Me sinto patético. Sinto dor.  23h… Em casa. Vazio. Falta música. 

Sobrou apenas esse tic de sorrir, piscar e dizer que tudo está bem. E as minhas pernas inquietas, enquanto mantenho meu corpo como uma pedra…

disciplina zero

[dom] 25 de junho de 2017

é assim. há dias em que a gente ganha. noutros a gente perde. perdi meu dia… minha semana. apenas bati o ponto… burocraticamente cumpri a tabela. não houve paixão ou encantamento.

é difícil segurar a onda. disciplina zero. tédio monstro. angústia cotidiana. tudo ficou pra amanhã.

mas logo mais será um dia melhor.

jeder für sich und gott gegen alle

[seg] 19 de junho de 2017

Referências… De um dia longo. As pedras dormem. Ninguém as equilibra. O frio da manhã me corta a cara. Eu me atraso pra vida. Dia pós dia cogito dexistir… Essa dor do lado esquerdo deforma meu rosto. Os ossos se movimentam. O corpo degenera por dentro. Falta pouco pra noite chegar. Mais um dia inteiro. Encerrou. O sal áspero e a espuma bruta lambem o vidro. Me envolvem como um manto. Sou a ilusão que me mira no reflexo da noite. A solidão louca dos barcos nos dias de ressaca. A solidão do homem que aprendeu poucas palavras e ainda não sabe poesia.

Ao fundo a rouquidão do mar agitado. A alegria fria das árvores em movimento. E no oco de cá dentro… O eco doutra língua: Guten morgen, Маяковский

sonata n° 3 de beethoven

[dom] 18 de junho de 2017

O feriado passou e eu não corri nada. Será uma semana pesada.

Tampouco corrigi qualquer atividade da estudantada.. Será uma semana atropelada.

o muro – the reflect an intimate part of the red

[sáb] 3 de junho de 2017

Não se mate. Vocês não é/são confusos. Passa por reformas. E a vida como um emaranhado de clichês… Esperar, respirar… Encontrar a ponta solta deste emaranhado, seguir a linha… Desfazer os muros, Ficar nu. Atingir a parte íntima do vermelho… 

rrreconfiguranndoo

[qua] 31 de maio de 2017

em processo de reconfiguração…

pronto.  vamos morrer… mas há a possibilidade de tentar fazer bem feito. de fazer sentido. e não se deixar vencer pelo próprio medo. tática de guerrilha, combater todo e qualquer pensamento negativo… acreditar em si assim como os outros acreditam

de jeux et novalistés

[sáb] 20 de maio de 2017

Há rachaduras. Há frestas. Há risos. Há brechas.

Entre O fato e o fado, há os dados…

O tempo, o corpo e a queda. E na memória do futuro, apenas palavras dispersas. Não há sentido.

Perdido. Nenhum poema vai sair. Ando a pensar sobre a ansiedade. E a tristeza cotidiana. E neste exílio. E a dificuldade em escrever (concreta e metafórica…) me encerra aqui, do outro lado da tela.

 

na medida do impossível tá dando pra se viver

[ter] 16 de maio de 2017

Uma colagem e um lamento

A colagem

“De resto, há de se entender o nosso 1nundo, o do pesquisador, co1110 se1Jdo ocidental, cons-

Lituído n1ini1na1nente pela sobreposição de duas subculturas: a brasileira,
no caso de todos nós en1 particular; e a antropológica, aquela na qual fo-
n1os treinados co1T10 antropólogos e/ou cientistas sociais. E é o confronto
entre esses dois rnundos que constitui o contexto no qual ocorre a entre-
vista. É, portanto, nu111 contexto essencialrnente problemático que te1n lu-
gar o nosso Ouvir. Co1no poderemos, então, questionar as possibilidades
da entrevista nessas condições tão delicadas?
Penso que esse questiona1nento começa cotn a pergunta sobre qual a
natureza da relação entre entrevistador e entrevistado. Sabe1nos que há tnna
longa e arraigada tradição na literatura etnológ ica sobre a relação. Se to-
rnannos a clássica obra de Mali nowski como referência, vemos como essa
tradição se consolida e, pratica1nente, trivializa-se na realização da entrevis-
ta. No ato de ouvir o “infonnante”, o etnólogo exerce u111 “poder” extraor-
dinário sobre o 1nes1no, ainda que ele pretenda se posicionar co1110 sendo o
observador 1nais neutro possível, co1no quer o objeti visn10 mais radical. Esse
poder, subjacente às rei ações hu tTianas – que autores co1110 Foucau I t j a-
1nais se cansara1T1 de denunciar-, j á na relação pesquisador/informante vai
dese111penhar u1na função profunda1nente empobrecedora do ato cognitivo:
as perguntas, feitas e1T1 busca de respostas pontuais lado a lado da autoridade
de quern as faz ( co1n ou se1n autoritaris1no ), cria1n un1 campo ilusório de
interação. A rigor, não há verdadeira interação entre nativo e pesquisador ,
porquanto na utilização daquele co1no infonnante o etnólogo não cria con-
dições de efetivo “diálogo”. A relação não é dialógica. Ao passo que, trans-
fonnando esse infonnante e1n “interlocutor”, uma nova 111oda1idade de rela-
ciona1T1en to pode ( e deve) ter I ugar. 3
Essa relação dialógica, cujas conseqüências episte1nológicas, todavia,
não cabe1n aqui desenvolver, guarda pelo 1nenos u1na grande superiori-
dade sobre os procedi1nentos tradic ionais de entrevist”

O lamento

O mais difícil nesse momento é saber o que é real é o que é imaginário. Porque para questões reais ações concretas devem ser medidas. Já para as imaginárias… não morre basta.

Ontem foi como levar várias ondas pesadas na cabeça. Quando tentei respirar, uma, duas…. avalanches de angústia, males entendidos, sofrimentos.

Você cala para não explodir. Você implode por dentro. E todo edifício visto por fora é um amontoado de destroços por dentro.

Mas como diz a canção “Na medida do impossível tá dando pra se viver”.

…-

[ter] 9 de maio de 2017

Concisão. Ontem… Do papo e da sensação: mais um dia dolorido (corpo e mente). Mais um dia perdido…

De hoje, sem tempo pra respirar. Como se a vida fosse cumprir horários.

Pra quê tudo isso? (Opss… Não há tempo para pensar… Há perigo na esquina, posso perder o trem…

a minha vida de rascunhos: ou o que era para ser da solitude à solidão

[qua] 3 de maio de 2017

4h15. Acordei. A casa parece viva… As luzes acessas… O computador ligado… A janela abertaNo meu corpo a roupa do dia anterior e na boca o gosto da comida de ontem. Como vim parar aqui? Não sei. A mente exausta desligou o corpo. Tenho me sentido cansado, quase de forma ininterrupta, nos últimos tempos.

Quem sabe um chá de canela? Quem sabe transcrever as notas que fiz no caderno, ontem? Que sabe te escrever? Ou publicar o rascunho de anteontem? Quem sabe pesquisar algo pra aula de hoje?

O preço do amanhã…. Alguma crítica ou sugestão pedagógica. O ideal era passar todo filme é ter mais alguns dias para costurar as ideias. Sei o que quero visitar… Mas o itinerário não está claro. E isso fará diferença lá na frente.

 

5h59. Reescrevi, perdendo algumas partes, porque, como meu corpo, o PC tem se desligado sozinho. Viver nesse mundo tem sido over para nos. Desliguei tudo, quase tudo… Estou aqui, no telefone, digitando isto.

11h45. on pc. que liga e desliga. acordei agora. exausto. sair correndo. muito chato tudo isso.

e sobre o título… escrever o que foi anotado.

 

as notas do dia (do papier ao conselho)

[ter] 2 de maio de 2017
anoto no papier.
terça em modo GAME OVER…
 
em modo repetição: dos colores blanco y negro. drexler e moska.
 
1h00. conclui todas as turmas do primeiro bimestre do jacó anderle.
 
agora falta… corrigir provas e redações das duas turmas de terceiros do apóstolo, e digitar as notas. expectativa de duas horas para essa função.listar os conteúdos e digitar as notas das três turmas de segundo ano. previsão de uma hora nessa função.
refazer a listagem dos conteúdos, criar as avaliações e digitar as notas dos cinco primeiros anos. mais um hora e meia…. 
2h49 e estou indo para a 104…
3h56. acabei todos os primeiros.
5h51 terminei os segundos.
agora só falta corrigir as provas dos terceiros e digitar as notas. e dormir. e te responder. e não esquecer de pagar as contas: iptu, cartão, luz. agendar dentista, urgente. quarta-feira ir no posto. comprar ração para os gatos. e granola pra mim. e sentar para pensar bem as atividades do segundo bimestre. comprar caderno novo e registrar tudo. nunca mais deixar assim.
***
POST PUBLICO, MAS EM MODO DE EDIÇÃO AINDA…
EDITAR AQUI E TRANSCREVER AS ANOTAÇÕES FEITAS NO CADERNO (TARDE DE AULAS E NOITE DE CONSELHO DE CLASSE)
PS: A GRANDE IRONIA DO DIA – TRABALHAR COM O FILME IN TIME, TRADUZIDO PARA O PORTUGUÊS COMO O PREÇO DO AMANHÃ. E SER UM DIA QUE TUDO QUE FALTOU FOI TEMPO… TEMPO PARA SER. SEGUNDA, TERÇA…

monsters against empire

[sáb] 29 de abril de 2017

Meta do dia… finalizar correções, e digitar notas. encerrar o prof. online.

mas uma ansiedade absurda… não consigo sentar e terminar. procrastinação nível assustador.

tenho andado um bocado triste nas ultimas semanas.

***

das citações:

“Como se comportam nessa companhia os personagens de Walser? E de onde vêm eles? Sabemos de onde vem o “homem que não servia para nada”. Ele vem dos bosques e vales da Alemanha romântica. O Zundelfrieder vem da pequena burguesia das cidades renanas, na virada do século. Os personagens de Hamsun vêm do mundo primitivo dos fjords: homens que se tornam andarilhos por nostalgia. E os de Walser? Talvez das montanhas de Glarner? Dos prados de Appenzel, onde nasceu? Não. Eles vêm da noite, quando ela está mais escura, uma noite veneziana, se se quiser, iluminada pelos precários lampiões da esperança, com um certo brilho festivo no olhar, mas confusos e tristes a ponto de chorar. Seu choro é prosa. O soluço é a melodia das tagarelices de Walser. O soluço nos mostra de onde vêm os seus amores. Eles vêm da loucura, e de nenhum outro lugar. São personagens que têm a loucura atrás de si, e por isso sobrevivem numa superficialidade tão despedaçadora, tão desumana tão imperturbável. Podemos resumir numa palavra tudo o que neles se traduz em alegria e inquietação: todos eles estão curados.”

Walter Benjamin, “Robert Walser” In: Mágia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura, vol. I, 1994 [1929], p. 52.

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***

Domsch, Sebastian: “Monsters against Empire. The Politics and Poetics of Neo-Victorian Metafiction in The League of Extraordinary Gentlemen.” In: Marie-Luise Kohlke und Christian Gutleben (Hrsg.): Neo-Victorian Gothic. Horror, Violence and Degeneration in the Re-Imagined Nineteenth Century. (Neo-Victorian Series, 3.) Amsterdam [etc.]: Rodopi, 2012, S. 97–122.

***

Canal EntrePlanos. um dos melhores canais do youtube. Max Valarezo: Roteiro, direção e apresentação

a morte do velho garapuvu e outras notas aleatórias de um dia dolorido

[ter] 25 de abril de 2017

notas curtas e aleatórias.

nota #1 um exercício poético sobre um velho garapuvu arrancado da terra e maré que avança sobre a areia e as rochas.

a maré é cheia / a árvore desabou / sinto-me / raízes pra fora / canoa sobre rochas / não há vento / não há areia / não há como respirar // e a rainha do mar vem buscar / a velha árvore morta / futura canoa ainda sobre a terra… / aguardando / germinando / escavando / o homem a ser navegado.

nota #2 pensamentos da tarde. observe a dor alheia, para não enlouquecer com a sua própria dor. observe a tua dor no tempo, para não enlouquecer aqui e agora.

nota #3 dor absurda na cabeça pela tarde. dor aguda no peito pela noite.

nota #4 cuidado para não caires naquela sensação de odiar todos e tudo o tempo todo. cuidado.

nota #5 esqueci meu guarda-chuva no ônibus/linha 267.

nota #6 chá de camomila e refresco de maracujá. só assim pra aguentar a dor de existir. só assim para respirar.

só, somente só.

[seg] 24 de abril de 2017

 

“Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só! “Só! Só! Somente Só!

só porque passei 5 aulas (a noite toda) com esse refrão grudado na cabeça… e não conseguia lembrar do restante da música… nem de quem era. até que em um momento de lucidez… desbloquei e reconheci… moraes moreira… novos baianos… e ai…

Por minha cabeça não passava…
Só! Somente Só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser

ps: aleatoriedades… talvez porque dias atrás eu tenha passado um tanto perdido na bicondicionalidade lógica do “se e somente se”.

se e somente se

[sáb] 22 de abril de 2017

se somente se…

p ↔ q
(p → q ) e (q → p)
p se e somente se q.
p se e só se q.
se p então q e se q então p.
p somente se q e q somente se p.
p é condição suficiente para q e q é condição suficiente para p.
q é condição necessária para p e p é condição necessária para q.
todo p é q e todo q é p.
todo p é q e reciprocamente.

 

das coisas que pensei ontem, ou… sobre o médico e o monstro.

[qui] 20 de abril de 2017

sabe quando você começa
a entrar para dentro de si
como se tentesse encontrar
o fundo da caverna
e você se pega indo
até onde já não há mais luz natural
e a única coisa que alumia
é essa luzinha interior.

o caminho da escuridão é perigoso.do

é preciso respirar fundo, para não entrar em desespero.

***
transgressões.
a coisa mais dificil pra mim é a transgressão
sou cheio de cicatrizes pelos cortes da adestração
cada ato de ruptura, cada ato de fuga,
cada ato de subversão, cada ato de confrontação
vem acompanhado de um dor bestial¹
a dor do bicho domado,
do homem feito menos homem
do humano disciplinado, coisificado…

hoje faltei aos compromissos. precisava muito de mim.
as notas, o estado, os outros, essa vida de bosta que se foda.

**

de hoje:
velhos pensamentos….
é preciso acreditar no que você está fazendo
porque só assim os outros acreditarão.

isso eu pensei ano passado. essas 40 horas em sala me cansam. 20 até vai. mas quarenta… mas com vinte não pago as contas, não me aposento…

mas calma… talvez este não seja o único caminho.

veja essas inflamações no seu corpo. uma fortuna para pagar, risco de morte… é, o tédio mata. o estresse mata aos poucos e pode matar de uma hora para outra. e você como uma mula de carga desiste do amor, da vida, dos sonhos… desiste de arriscar-se e encontrar todas as confusões de sentimentos. você se resigna a cumprir uma função, a dar o melhor que tens nessa função, mas sempre falta algo de ti ali… você se acostuma demais com pouco.

**

lá, quando criança, ou garoto, quantas vezes você pensou na morte. na sua morte… quantas vezes você desejou. você quase foi algumas vezes… e depois mais velhos, quantas vezes você voltou nesse caminho. não é uma opção lógica. mas talvez a falta de ferramentas para lidar com situações. de tempos em tempos me vejo nesses buracos, sem saber lidar… racionalmente sei, mas emocionalmente preso não sei sair e fazer o que a razão diz que deve ser feito. é tipo o pânico que tenho de cobra, e que outras pessoas tem… se você dominar as ferramentas e técnicas, se você lidar corretamente com a situação, tudo é inofensivo. mas se você entra em pânico… ratos se tornam elefantes. coisas simples se arrastam e se tornam monstruosamente incompreensíveis e inatingíveis.

eu preciso de terapia. preciso voltar. sozinho tá foda. ando querendo fugir dia desses…

**

pensamento a. ficar só me deixaria imune ao sofrimento (o tempo todo ando idealizando o mundo e a mim mesmo) pensamento b. falácia (a concretude do mundo, os outros e seus sentimentos, as relações, tudo continua ali, como um vendaval soprando sobre o teu castelo de cartas), e é preciso lidar com o sofrimento como algo inevitável. ele continua ali, com ou sem companhias. ele é parte significativa de você. vocé o médico e você é o monstro

**

¹ sou eu literalmente, ou simbolicamente, arrancando parte de mim – desse homem manso. mas as podas são necessárias para brotar coisa nova.

 

 

tudo é sistemático

[ter] 18 de abril de 2017

notas de terça-feira. estou destruido. ps: é apenas a manhã de uma terça-feira.

odeio esses dias em que não se pode respirar.

tudo é sistemático, os horários, das datas, as cobranças, o alarme do dispertador…  os pensamentos obsessivos… a compulsão. mas teu corpo não. tampouco o tempo para isto aqui. escrever é uma fuga, a unica fuga possível.

a ideia de…

e eis que o sistema volta te engolir e teus pensamentos estão arquitetando os minutos para isto e para aquilo e há as zonas esquecidas, aqueles documentos perdidos… aquilo que não se dará contaa: s suas pequenas mortes na guerra, os corpos que ficam, seminus, semicorpos… destroçados. tudo é sistemático. o entulho, os destroços, os estilhaços e cacos do tempo… até tua dificuldade de respirar. tua falta de tempo… tudo é sistemático.

e do fragmento de leitura desta manhã

“augusto, que tolice augusto. mas o homem é assim. ele ficou perturbado com as palavras de alice. incomodava-o aquelas vozes que lhe mostravam o óbvio ou que traziam algo novo, estranho, desconfortável para a narrativa. fatos, ou discursos, que contradiziam a sua autoimagem… ”

 

 

 

 

 

efeito werther

[sáb] 15 de abril de 2017

Como isto tem o caráter de um bloco de notas. Segue abaixo, mais um nota, copiada e cola aqui. A autoria de é de Allan Kenji.

«Em 2000, a OMS publicou um documento orientando jornalistas sobre como noticiar os suicídios. Esse documento é intitulado “Prevenir o Suicídio: um guia para profissionais da mídia” (OMS, Genebra, 2000). Desde então, tornou-se senso comum que qualquer tratamento não eufemista para o suicídio seria responsável pelo “efeito Werther”.

O “efeito Werther” seria a imitação de uma cena suicida no interior de uma narrativa romantizada sobre esse tipo de morte.

A expressão foi cunhada por David Phillips em um artigo para a American Sociological Review, em 1974, intitulado “The influence os suggestion on suicide: substantive and theoretical implications of the Werther Effect”.

Esse artigo, de 15 páginas, descreve a elevação das taxas de suicídio em diversos países após a publicação de “Os sofrimentos do jovem Werther” (Goethe, 1774). Argumentando que essa obra romantizou a morte da personagem e ofereceu uma saída fácil e covarde.

O artigo é uma peça cômica de estatística, mas não bastasse isso, ignora que a juventude europeia está massacrada pela ausência de perspectivas.

Se, em 1974, houvesse Wikipédia, Phillips saberia, por exemplo, que a revolução francesa ocorre 15 anos depois da primeira publicação da obra de Goethe.

Em 1846, a obra de Goethe já estava publicada há 72 anos e a já existia uma versão censurada desde 1787. Marx, que tinha 28 anos, publicou um pequeno texto chamado “Sobre o suicídio”, no qual, através das palavras de Jacques Peuchet diz o seguinte:

“Tudo o que se disse contra o suicídio gira em torno do mesmo círculo de ideias. Contra ele são postos os desígnios da Providência, mas a própria existência do suicídio é um notório protesto contra esses desígnios ininteligíveis. Falam-nos de nossos deveres para com a sociedade, sem que, no entanto, nossos direitos em relação a essa sociedade sejam esclarecidos e efetivados, e termina-se por exaltar a façanha mil vezes maior de dominar a dor ao invés de sucumbir a ela, uma façanha tão lúgubre quanto a perspectiva que ela inaugura. Em poucas palavras, faz-se do suicídio um ato de covardia, um crime contra as leis, a sociedade e a honra. Como se explica que, apesar de tantos anátemas, o homem se mate? [..] O que dizer da indignidade de um estigma lançado a pessoas que não estão mais aqui para advogar suas causas? […] As medidas infantis e atrozes que foram inventadas conseguiram combater vitoriosamente as tentações do desespero? Que importam à criatura que deseja escapar do mundo as injúrias que o mundo promete a seu cadáver? Ela vê nisso apenas uma covardia a mais da parte dos vivos. Que tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão no seio de tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo implacável de matar a si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo? Tal sociedade não é uma sociedade; ela é, como diz Rousseau, uma selva, habitada por feras selvagens.” (Boitempo, 2006).

Jacques Peuchet não era revolucionário, muito menos socialista, mas trabalhando como diretor dos arquivos da polícia realizou um levantamento censitário na França e teceu duras críticas – ainda que românticas – à sociedade europeia.

Nós não temos censos confiáveis sobre o número de pessoas que se suicidam e o suicídio infantil é proibido de ser registrado como tal até mesmo nos atestados de óbitos, muito embora seja um sintoma dos mais duros sobre a irracionalidade de nosso modo de vida.

Por outro lado, não existe igualmente nenhum estudo substantivo sobre os efeitos da publicização do suicídio. Nós apenas ficamos proibidos de falar sobre isso. Talvez porque se nós soubéssemos quantos de nós adoece e morre em função das desgraças subjetivas inerentes ao capitalismo, a coisa ficaria feia.

Eu tenho a hipótese de que a ausência de debates sinceros sobre nossos pensamentos suicidas é uma das principais vias pelas quais eles são vividos subjetivamente como processos absolutamente individuais.

“[…] o suicídio não é mais do que um entre os mil e um sintomas da luta social geral, sempre percebida em fatos recentes, da qual tantos combatentes se retiram porque estão cansados de serem contados entre as vítimas ou porque se insurgem contra a ideia de assumir um lugar honroso entre os carrascos.” (MARX, 2006, p. 29)

Nós achamos patético que uma fábrica chinesa instale grades nas janelas para evitar que seus funcionários se matem durante a jornada de trabalho, e enquanto isso, evitamos nos perguntar sobre quantas pessoas se suicidaram em nosso campus apenas no último ano.

Não é porque algo é o sintoma da doença de uma sociedade, que seja sinal de doença do indivíduo. Eu trabalho muito todos os dias, desde a hora em que acordo até quase o momento de dormir. Fico feliz com as pequenas conquistas. Mas desde as férias escolares da oitava série, eu nunca mais me senti feliz por uma semana inteira. Desde então, todos os dias há esse dilema sobre “ganhar a vida” e esse sentimento permanente de despossessão. Acho que eu não conheço nenhuma pessoa da minha idade que se sinta agarrada verdadeiramente à vida sequer por uma dúzia dias. Acho que está na hora de nós nos reunirmos no mesmo dia, na mesma hora, e quebrar tudo. Allan Kenji»»

 
 
 

docente efetivo?

[sex] 14 de abril de 2017
Tempo de serviço líquido: 03 anos.
Tempo de serviço descontado: 02 meses 10 dias (esses são as cicatrizes da guerra!)
e na virada do mês (2/5)… faço cinco anos de magistério, na função docente (somando com meus 1 ano e nove mês e um dia de act).
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meta do feriado: tomar no horário os antibióticos (próximo horário – 5h00). não morrer.
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corrigir todas as avaliações.
por em dia o professor online.
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fukuta está visitando a casa.
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rascunhos esperam edição/publicação.
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