Archive for the '30' Category

reengenharia

[dom] 30 de abril de 2017

aqui fazendo anotações nas avaliações do estudantes… e as músicas no aleatório… de repente… reengenharia, itamar assumpção, genial.

Reengenharia – Itamar Assumpção (Música do disco “Pretobras – Por que não pensei nisso antes”, de 1998)

«Meu amor eu tive uma idéia genial / Que tal inserir nosso lar na economia global / É muito simples não tem filosofia / É só fazer a tal reengenharia / No mundo todo vai que é uma beleza / Por que não fazer igualzinho lá em casa, hein princesa / É só jogar no lixo o que não precisa / A tua mãe, por exemplo, a gente terceiriza / Não se preocupe com a culinária / Agora ficou chique comer porcaria / Ter urticária o que que há de mal afinal / É só um bocadinho de mesquinharia / Meu bem não vejo a hora de fazer economia de escala / O mala do nosso vizinho pegamos botamos fora / A mulher dele a gente incorpora / Vamos acabar com todo desperdício / Afinal qual é o mal é só a beira do precipício / Os amigos a gente elimina / E traz só de brinquedinho baratinho lá da China / Vamos criar um lar bem competitivo / Um lar que seja voltado só para um objetivo / Ente o ativo e o passivo / Vamos ver qual de nós dois ainda continua vivo / Vamos cair de boca no pragmatismo / Afinal qual é o mal, é só a beira do abismo / Querida vamos acabar com todo sossego / Dar um basta nos sentimentos e nos momentos de aconchego / Pulmão otimizado coração desativado no seguro desemprego / Nosso lar vai virar uma operação enxuta / Com muito mais inveja, com muito mais disputa / Afinal qual é o mal em ser só um tiquinho filho da puta / Vamos concentrar nossa vocação meu bem / Ficar querendo o que a gente não tem / Oh! Meu amor eu quero detonar o quarteirão o mundo o bairro / Só pra comprar nosso segundo carro / Oh! Meu amor quando tudo der certo / Ficaremos só nós dois num lindo deserto / Vai ser legal ser moderno aqui no meio do inferno / Poderemos gravar tudo isso em vídeo / Afinal qual é o mal é só um pouquinho de suicídio / Teu irmão eu aniquilo teu pai jogamos no asilo / É, só vamos comer por quilo»

e ao ligar o computador e adentrar a rede… todo mundo me dizendo que belchior morreu.

Belchior nos deixou.
Esse que foi um cantor e pensador da realidade brasileira, comprometido com o povo pobre e massacrado pelo capital, porque “amar e mudar as coisas nos interessa mais”.

Essa entrevista é preciosa: Belchior – MPB Especial (02/10/1974)

Durante a trabalhosa tentativa de emplacar seu primeiro LP, umas das várias aparições de Belchior foi no programa intimista “MPB Especial”, da TV Cultura, em 02 de Outubro de 1974. Nele, um Belchior ainda muito novo, aberto e relativamente zangado (como no depoimento ao fim do programa), se apresentava ao público através de um diálogo autobiográfico, provando que o novo sempre vem. Imagem e som restaurados. 720p e 60fps. TV Cultura, 1974.

 

um ponto de fuga qualquer para o olhar

[seg] 30 de janeiro de 2017

7h36 já na hora de sair é que o sono chega. mas vai ter que esperar. por alguns poucos e sofridos minutos na viagem do ônibus lotado.

9h41 após uma hora embalada por uns três ou quatros cochilos pontuais de mais ou menos dez minutos… teus olhos estão vermelhos. e isto é o máximo que poderás dormir neste dia morno. hoje é um dia morno e cinza. e você abre a janela na esperança que qualquer brisa bata de leve e amenize… mas o que sufoca a cara é um bafo morno, que te coze de lufada em lufada… e em poucos instantes, teu corpo transborda… verte suor de regiões inimagináveis. síntese – morto de sono e encharcado de suor.

10h12 ali, deitado, com a boca escancarada, salivando, tu busca um ponto de fuga para o olhar, para esquecer a violência e o carinho de ter alguém mexendo em sua boca. um ponto de fuga qualquer para o olhar, e no teto branco daquela sala há um ponto escuro, e ao redor mais pontos obscuros… há uma constelação de micro pontos escuros. tu esquece do holofote, da boca, da saliva, de alguém mexendo dentro de você e te perdes naqueles pontos… vã é a tentativa de identificar a origem daquelas marcas. nos tetos brancos habitam porções de morte e de vida deixadas ao acaso, apenas isto.

11h46 O prazer do texto. Roland Barthes.

 

certas coisas

[qua] 30 de novembro de 2016

\Delta x_{i}\Delta p_{i}\geq {\frac {\hbar }{2}}

sobre essas coisas cotidianas… vocabulário, ouvir, falar, traduzir, entendimentos e incompreensões… ideias, visões de mundo, violência simbólica e estrutural… movimentos… ciência e revolução.

***

das aulas (argumentos):

  • dificuldade de traduzir uma ideia usando palavras que não foram pensadas.
  • dificuldade de traduzir uma ideia usando palavras que não foram pensadas (dentro de um corpo teórico).
  • é lenta a percepção, mas as vezes ele saca o que está rolando…
  • confundiu-se tudo, no debate não havia fatos, apenas opiniões rasas.
  • primeiro: há diferença de qualidade entre opiniões rasas e opiniões profundas? (posso reduzir binariamente/dicotomicamente?)
  • segundo: se há, o que há no raso (de profundo) e o que há no profundo (de raso)?
  • terceiro: se há, é possível o diálogo entre elas?
  • quarto: se não é, há possibilidade um cambio de qualidade das opiniões?
  • quinto: se sim, como provocá-lo.

 

****

há dias que são profundos.
sinto-me absurdamente só
neste vasto universo.
como se não houve signo
algum capaz de traduzir
a totalidade do ser.
e não há mesmo.
há a ilusão de que se é.
e há a limitada capacidade
de ler as tendências,
de captar os fragmentos
do movimento…

***
o que me assusta nisto tudo
são as certezas que as pessoas tem
são as certezas que as vezes tenho
mas há dias assim, que a gente respira…

expira e inspira… medita, expira, respira…
e por ai vai, com calma.

***

ele parou diante dela e disse: calma ai, vou aí, não… não vou entrar no teu jogo. vou ficar aqui, nas minhas posições, observando tu, nas tuas posições aí. quem certo, quem errado… não vamos ao caso agora. essa guerra é lenta, e profunda… evoca narrativas enraizadas. e as narrativas provocam dor. pois nos estabilizam ao nos amarrar e prender em determinadas posições… todavia, algumas, possibilitam que nos libertemos. das narrativas que matam às narrativas que libertam (que muitas vezes são a mesma).

narrativas nos possibilitam o confronto: língua na língua. ideia dentro de ideia.

***

isto acima me recorda um poema nunca terminado: «quero tu em terreno neutro, nua, narrando em tua língua todas as estórias dos tempos futuros de guerra…»

ceci n’est pas un coup d’état

[ter] 30 de agosto de 2016

e mais um golpe na democracia brasileira… e se pá, termina hoje.

abaixo textos para uma leitura

https://rsf.org/es/noticias/o-pais-dos-trinta-berlusconis-os-desequilibrios-mediaticos-do-gigante-sul-americano

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/04/le-monde-reconhece-equivoco-em-cobertura-do-impeachment-no-brasil.html

http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/o_pais_dos_trinta_berlusconis/

 

***

e a tracklist de xoxo:

1. Galantis and East & Young, “Make Me Feel
2. Michael Brun, “All I Ever Wanted” [feat. Louie]
3. Yotto, “Song From The Sun”
4. Mambo Brothers, “Momento”
5. Zaxx, “Signal”
6. Alok, “Me & You” [feat. Iro]
7. graves & Dreamer, “im friends w 25 letters of the alphabet, i dont know y”
8. Skrillex & Diplo, “Beats Knockin” [feat. Fly Boi Keno]
9. Grandtheft & Keys N Krates, “Keep It 100 (Keys N Krates Live Version)”
10. Hitchhiker, “Ding Dong”
11. Jai Wolf, “Indian Summer”
12. Disclosure, “You & Me (Flume Remix)” [feat. Eliza Doolittle]
13. Galantis, “Gold Dust”
14. Hayden James, “Something About You (ODESZA Remix)”
15. Dada Life, “One Last Night On Earth”
16. Icarus, “Home (Lane 8 Remix)” [feat. Aurora]

***

e há dias não consigo escrever.

***

e da madrugada de domingo… https://youtu.be/YmN9oHa3ZIQ / https://youtu.be/WY-Z6wm6TMQ

 

deslarguem-me! tem dias… e as marteladas persas.

[seg] 30 de maio de 2016

encantado com este blogue <certas palavras>, de marco neves, sobre a nossa língua portuguesa-galega. sigo lendo diariamente… e como escreve bem este rapaz:

«Bem, isto já vai longo. Tudo começou com uma pergunta do meu irmão, ali no café da Fnac do Vasco da Gama, e acabou no latim antigo, a ser simplificado por esse Império fora. E ainda fomos à Pérsia, à China, à Rússia — e, se não estou enganado, à Indonésia.

O que querem? Acho tudo isto interessantíssimo e não me canso de passear pelo mundo, com esta desculpa saborosa de perceber melhor a linguagem do estranho animal que é o ser humano.»

***

isto me remete ao ensino médio, quando eu matava aula para ir ler sobre história da língua portuguesa na biblioteca da escola. bons tempos… saramago, guimarães, camões, vinicius de moraes, drummond, manoel de barros, e tantos outros…

***

greve do transporte coletivo. não irei para escola amanhã. nota mental: por em dia todas as aulas, diários e avaliações d@s alun@s.

sem janelas para respirar…

[sáb] 30 de abril de 2016

e chega sexta-feira , após a ultima aula, e você, enfim, respira, e ufa… acabou, agora é descanso. mas sábado cedo, você pensa… quem acelerou o tempo, e escondeu os momentos de descanso… sábado cedo e a semana já começou… agora é sonhar com o próximo final de semana… que a ilusão deste foi por terra.

‘bora trabalhar.

faca amolada

[qua] 30 de setembro de 2015

agora não pergunto mais aonde vai a estrada. / agora não espero mais aquela madrugada. / vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser, faca amolada. / o brilho cego de paixão e fé, faca amolda. / deixar a sua luz brilhar e ser muito tranqüilo. / deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo. / brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada. / irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada. / plantar o trigo e refazer o pão de cada dia. / beber o vinho e renascer na luz de todo dia. / a fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada. / deixar a luz brilhar no pão de cada dia. / deixar o seu amor crescer na luz de todo dia. / vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo.  / o brilho cego de paixão e fé, faca amolada. // Composição: Milton Nascimento / Ronaldo Bastos

Na interpretação de:

Milton Nascimento e Beto Guedes

Doces Bárbaros (Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil)

E agora a belíssima versão de Lenine ,que me fez anotar/escrever esta postagem:

***

e sobre o que vai cá dentro… estou exausto hoje… talvez o excesso de preocupações políticas, a sobrecarga de trabalho pedagógico, o dia de ontem com as marias… e eu não queria existir hoje.

talvez essa leve melancolia tenha alguma influência das músicas do angatu, «E encontro meu olhar perdido Sem saber pra onde olhar Procurando no horizonte Um caminho pra te achar»… e as memórias que as canções iluminam na escuridão que é o teu ser. talvez seja essa solidão.

e estou escrevendo um poema sobre o silêncio do homem. até agora nenhum linha dele conseguiu brotar… e honestamente não sei porque…

***

mas sentei e escrevi isto aqui [que está em desenvolvimento… com certeza voltarei a reescreve-lo. mas deixo para outra hora… agora tenho que preparar as minhas aula de hoje.]

exercício sobre o silêncio magmático

o homem quando salta
para dentro do corte
percebe que a leve pele
vermelha e negra envolve
o que à vista desarmada
é todo inteiro…

saca então,
que lá no fundo,
por dentro da carne viva,
o peito é feito
de cristais de vidro.

seus olhos contemplam
a aridez e o amargo
de ser como um rochedo
duro e triste,
que as lágrimas da chuva,
ora finas,
ora desatinadas,
vão lapidando,
dia pós dia…

e há milhares de anos
imóvel e incomunicável
segue ali exposto
memória do magma vivo
que no oxigênio do tempo
arrefeceu e restou monumento
onde se reza em silêncio.

as faces de jano

[dom] 30 de agosto de 2015

«está tudo destroçado, mas quem sabe tudo ficará bem?!»

há algo, alguma relação, para além do nome do personagem-título do filme de anna mastro com o filosofo… mas fica para outro dia. estou numa fase de leituras sobre a escola de frankfurt, revendo leituras anteriores e aprofundando, com novos textos de walter benjamin, adorno e marcuse.

mas por agora tenho um poema inacabado (rabiscado entre quinta-feira quando voltada das aulas e hoje… ainda está inacabado).

lavrador da escuridão
minerador de pensamentos,
por dentro
não sabe-se
pedra
ou suor.

o homem cava
o fragmento,
um gozo no silêncio
do tumulto interno…
é desejo da mina,
da profundidade de carvão.

o homem nu,
por dentro
desfigurado,
um bicho oco
um coração opaco,
e da boca morna
e muda…
o minério do não,

quiça, um sim.

e toda saliva,
e todo verbo,
e toda língua,
e todo atrito,
cruzam a noite,
trepam delírios
mas não suportam
os olhos vazios
que não se tocam na luz…

o profundo sexo dela
deseja o gosto
que transcende
a superfície arenosa,
isto que existe e exige
que tua picareta pudesse
lavrar o sol,
a luz e o carvão.

mas o homem
lavrador da escuridão
minerador de pensamentos,
por dentro
não sabe-se
pedra
ou suor.

e…

indivíduo: uma proparoxítona aparente

[qui] 30 de julho de 2015

Não irei para Joinville. Fukuta veio de visita. Não consigo ter saco para corrigir trabalhos de alunos… Estou no piloto automático. Abaixo dois recortes: daquelas dúvidas que sempre tenho de onde por o acento… mas que torna-se mais dúvida quando parte de outro para ti… porque o acento vai ali? e a outra questão é de anarco ramon sobre o que ando a compartilhar… mando-lhe em resposta, uma não resposta poetizada.

e no mais… estou a atrasar-me na vida. entre o não ir e o não poder ficar.

in·di·vi·du·ar (indivíduo + -ar)
verbo transitivo
1. Especificar, discriminar.
2. Narrar ou expor com individuação.

in·di·vi·du·a·ção
substantivo feminino
1. Particularização, especificação.
2. Singularidade individual.

in·di·ví·du·o(latim individuus, -a, -um, indivisível)
substantivo masculino
1. Qualquer ser.
2. Sujeito, pessoa (ex.: ele é um indivíduo pouco falador).
3. Ser humano.
4. Homem indeterminado (ex.: o crime foi cometido por um indivíduo com cerca de 30 anos).
5. Organismo único pertencente a um grupo.
6. Exemplar.

adjetivo
7. Que não se divide ou não se pode dividir (ex.: natureza indivídua, propriedade indivídua, património indivíduo). = INDIVISÍVEL, INDIVISO

***
e o poema para o ramon:

O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face. Mario Quintana

ao branquinho pela inspiração

Ordem
ordem
ordem
ordem no recinto
é preciso esclarecer
ao mundo
que de tempos
em tempos
há tempos
infelizes neste mundo
e do poeta,
ou qualquer coisa
que o valha,
não há verbo
feito navalha
para cortar a carne
sobre a mesa…

O poeta despoetizado,
é só mais um na massa amorfa,
na mansa boiada que marcha,
Ele é um presente pedaço de carne
que alimenta esses aliens
da moral alienante
que sorvem seu sangue
que mastigam seus músculos
que trituram seus óssos
que devoram sua língua…

e que o devolvem despolitizado,
com as bandeiras da ordem
(ou da contra-ordem)

mas é preciso
ordem,
ordem,
ordem,
ordem no recinto…
é preciso iluminar,
é preciso esclarecer,
que a moral e os bons costumes
que a hipocrisia e o estrume
que demogogia e seu perfume
ainda vão nos convencer
que ser marginal é qualquer coisa
como padecer no limbo do paraíso…

e o texto triste
e o intelecto infeliz
e o panfleto de ordem
(ou contra-ordem)
pelo amanhecer
rememoram que o ser poeta
é só mais uma coisa incerta,
contraditória, precária, e amiúde,
que ora avança em sua juventude
ora recua na senilidade
e entre o lá e o cá, ora cala-se,
pendular num mundo caduco.

mas ao poeta não é dada a preferência
por essa ou aquela palavra
ao poeta só cabe sua condição
de não caber
de ser um anti-estado
diante do estado
e só pode, paradoxalmente,
quando não está amoldado

terça-feira e os segundos de salto

[ter] 30 de junho de 2015

Terça-feira, manhã.

Estou exausto e nem começaram as aulas reposição – ainda. Sábado, domingo e segunda-feira foram extenuantes… Fechando calendário de reposição, corrigindo avaliações de um bimestre (semestre) inteiro e fechando notas. E não terminei todas as turmas… Há trabalho para mais um dia inteiro, no mínimo. Mas deixo para mais tarde, vou “descansar” neste final de manhã e começo de tarde.

Descansar entre aspas, porque pela manhã me deparei com um problema… Um trincado aleatória na tela do Zenfone. Pela pesquisa que fiz na rede isto só tende a piorar (Afinal, vidro é vidro! Não é gorila?)…. E o objetivo do dia agora é: entrar em contato com a Asus e providenciar o conserto do aparelho.

Outra nota, para registro, ou seja, para não esquecer, ontem, para distrair-me diante de tantos trabalhos, provas e exercícios… Resolvi trocar o layout deste blogue. Já vinha sentindo essa vontade há um bom tempo, mas como eu sou um tanto lento… Ontem, aleatoriamente, foi o dia. O “White as milk” me acompanhou 99,99% do tempo desde 2006. Foi-se. Depois de nove anos uma troca de template é bem vinda. E diante dos disponíveis o Afterlight foi o que mais me agradou.

E para encerrar este texto pela manhã, e ir almoçar com Izabel, um link de poesia: http://artepostal.zip.net/

***

Leiamos: 26 segundos desde 1972: «A Terra gira de maneira lunática, enquanto os relógios atômicos são dramáticos» Daniel Gambis (astrônomo do International Earth rotation and Reference systems Service, IERS). Dentre outras funções o IERS é responsável pelo anúncio de segundos de salto.

***

O PANC chegou, e o povo ficou horas imerso na sua leitura… e já rolou um pudim de Erva Mate, um refogado de Ora-pro-nóbis com Fisalis e Mastruz… Esses matos de comer. Vou comer até as flores do meu pé de ipê.

***

[Verso 2]
Na minha mente várias portas, em cada porta uma comporta
Que se retrai e às vezes se desloca
Quantos segredos não foram guardados nessa maloca?!
Nos barracos de madeira em que eu cresci, aprendi que rapidinho é assim
Secava louça enquanto a minha mãe cantava e eu não morri
Porque vergonha pra um homem é não ter caráter e se passar por MC

Cerol. Kleber Cavalcante Gomes (Criolo)

war…

[seg] 30 de março de 2015

há um grande risco de as coisas logo mais não darem certo. e entre os acertos e os erros desta semana fica o seguinte ponto: tentei.

 

e agora, teimando com o sono que não chega, sabendo que logo, em menos de quatro horas, haverão tantas tarefas… até mais dos que as que me tomaram nestes últimos dias. abro uma janela cá e tomo nota… e mesmo que eu não consiga sistematizar de forma clara sobre o momento, vou tentar algumas palavras… talvez me ajude tentar uma analogia, algo visual, como um polígono inscrito numa circunferência.

no primeiro plano – o polígono com seus ângulos e retas inscrito à circunferência – há uma emergente e urgente necessidade visceral de ir, sem pensar. e aqui há um dose exagerada de generosidade, uma quantidade significativa de medos, e outras cositas buenas y otras no mucho buenas…  é o tempo da ação… e há os riscos. eu sei que em alguns momentos vacilei, noutros tremi, até enjoei, me atropelei, emudeci, me acovardei, briguei ou falei demais… mas eu estava ali com minha boniteza e minha fragilidade, nu, como um criança que aprende a caminhar ou um homem duro.

e no segundo plano – a circunferência que circunscreve o polígono – a posição abrangente… onde localizo essa intuitiva e racional capacidade dialética de relativizar… é como se no primeiro plano eu desembestasse a agir sem pensar de forma quase pulsional para lá e para cá… para logo ali na frente, parar e ponderar, avaliar de forma lúcida e serena os vacilos e os acertos. sem culpabilizar ninguém, apenas entendendo o movimento complexo. e mantendo a calma.

pois, afinal… como diz a canção: «não sei onde estou indo, apenas sei que não estou perdido… »

ps: algumas anotações ficarão para outro momento. poemas de augusto de campos, citações de mauro iasi e essa correria toda… greve, assembleias, comando. as canções de perotá chingó, onda vaga, e di melo; ps2: jogar war é muito massa. pi me ensinou. e curti o sábado… ps3: timidez excessiva embrutece. lembre-se disso antes de retrair-se, por favor… lembre-se e flua mais, se jogue do penhasco…

upside down

[sex] 30 de janeiro de 2015

trecho de upside down.

«who’s to say what’s impossible? well they forgot this world keeps spinning and with each new day… i can feel a change in everything and as the surface breaks reflections fade, but in some ways they remain the same and as my mind begins to spread its wings… there’s no stopping in curiosity. i wanna turn the whole thing upside down. i‘ll find the things they say just can’t be found. i‘ll share this love i find with everyone. we’ll sing and dance to mother nature’s songs. i don’t want this feeling to go away… who’s to say i can’t do everything? well i can try, and as i roll along I begin to find things aren’t always just what they seem… »

jack johnson

**

Jogo / 
Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças. // 
Nuno Júdice

via [ p o e d i a ] um poema por dia.

***

após ler, acordei, e anotei no papel isto aqui:

quando estou lutando – contra todas as minhas forças – para morrer lentamente… ouvir teu canto me anima a viver, me orienta neste breu de sentimentos que é meu presente…

 

 

 

 

¼ – e um pedal à beira d’água

[qui] 30 de outubro de 2014

duzentos tijolos e duas sacas de cimento e cento e quarenta e um reais. encomenda feita… agora só falta começar. e no mais… ‘tá um sol de rachar. e algo me diz que não vai dar tempo de preparar leitura e apresentação para o curso de formação continuada amanhã pela manhã…

ps: entre ler e jardinar… fui jardinar. e ao avesso… antes de terminar a obra faço o jardim. talvez porque falte grana para levantar as paredes de uma vez por todas, e como um resistente… o rebelde ‘não vencedor’ necessite existencialmente cavar e recavar e plantar e admirar bestamente as plantas crescendo… e sonhar com as suas flores… que jardins me animam mais. minha próxima profissão, decido, ser jardineiro, se essa vida de professor me cansar.

e depois do jardim, uma passeio de bicicleta com as marias: luiza, a sobrinha, em sua primeira volta, pelo bairro, sem rodinhas, e izabel, minha filha. destino, beira d’água, pastel de berbigão para mim e queijo para elas, e batata frita. e para fechar a tarde/noite… um belo e gostoso banho de chuva pedalando. enfim, hoje foi um bom dia. mas o curso de amanhã cedo… não vai dar…  acho que vou mandar um email avisando que não deu.

houve um tempo em que eu, ansiosamente me preocupava em chegar cedo… queria tanto ser aceito – por sempre sentir-me marginalizado. mas depois deste tempo… alguma coisa se desfez… e – perigosamente – me desprendi… tornei-me indolente – em todos os seus sentidos. um ‘ouriço’ casca grossa. um ermitão.

A citação do dia é: “Podem ainda não estar a ver as coisas à superfície, mas por baixo já está tudo a arder”, de Y. B. Mangunwijaya.

olhos de onda

[seg] 30 de junho de 2014

notas: ouvir olhos de onda. buscar sobre coletânea de haikai. acordar e levantar, são dez para cinco. e o mundo gira e isto que os homens inventaram e deram nome de dia vem e vai passando, e nele há outra invenção, as horas, e nestas horas dispomos compromissos, que nos obrigam… ou nem tanto assim, posto que se não houvesse isto de obrigação morria-se no tédio sem fim.

ps: nesse frio dá vontade de nada. nem vontade dá. que tudo é uma desvontade. de sete dias, um é agitado. noutros seis é repouso absoluto.

ps: para lá.

¡cara b, sin demora, sin demora!

[qua] 30 de abril de 2014

Uma parada rápida:

Drexler realmente me acalma. Talvez sua sonoridade, sua temática, sua língua… Talvez tudo isto junto. Minha tempestade interior se amansa… Enquanto há papéis aos montes pelo comodo todo. E meus dedos doem. Minha cabeça dói. Meus pensamentos querem fugir o tempo todo… Penso na tarde fria, solitária e em toda a minha vida de renúncias e fugas, de mergulhos e encontros, de dor e de paixão… E da libertação que só o amor é capaz, e  escrevo-te.

***

O mês acaba. O bimestre acaba. E fico naquela angústia de pensar e repensar, que em momento assim, avaliativos, há enormes buracos, algumas faltas, alguns descuidos… Deveria estar mais presente, ser mais claro, mais explícito… Dizer o que quero e como quero ao outros.

Mas as vezes a gente fica confuso e age na intuição. Meu planejamento escolar tinha um esqueleto pensado, uma ideia, uma intuição que foi construindo-se… O recheio fui estudando, pesquisando, e acrescentando ao poucos… Mas chego no final do bimestre, como quase sempre, meio frustado por ter imaginado algo e agora no final, não ter atingido, nem pessoal, nem coletivamente, o que era pretendido. E fica aquela sensação que “não fui claro o suficiente ou da forma apropriada”.

Mas eu não sou claro. Eu sou o mais confuso dos confusos. Eu sou o mais indecidido dos indecisos. Eu me arrasto como uma lesma neste mundo…

Preciso me acalmar. Há um feriado, quase tudo ok [se eu ignorar o caminhão de coisas que eu já joguei ou estou jogando a toalha…]. O que importa é fechar notas, preparar as provas que faltam, entregar notas e, principalmente, te encontrar neste mundo.

E retorno para os papéis. Amanhã é folga.

os ideais de outubro

[dom] 30 de março de 2014

O dia avança em silêncio. Cá dentro atropelam-se os pensamentos. Organizo quarto, mas faltam aulas e cadernos – e para estes últimos ainda busco a solução melhor para o matá-los sem causar trauma nos alunos, já que se mostrou inviável o trabalho com cadernos de campos para uma população de mais de 300 alunos… não consigo dar conta de ler, avaliar e orientar… O que era almejado e o que de fato consigo fazer estão distantes quilômetros. E no programa… Atrasos de toda ordem: O curso ead sobre conselho escolares que deveria ter iniciado… venho adiando, já são 3 atividades… e é bem provável que eu me candidate para o conselho escolar – o que me dá um frio na barriga. Estou insatisfeito e angustiado por estas bandas. E hoje, eu ia sair, fazer uma visita… Mas não fui. Fiquei. Tumulto demais aqui dentro. Fiz faxina.

Da leitura de hoje: Página 400. Mikhailov, Aleksandr. Maiakovski, o poeta da revolução.

“Em 1926, Maiakovski percebe que o nepotismo, a corrupção, a mesquinhez, a burocracia perpassam a nova sociedade de cima para baixo. No poema “Proteção”, raivosa e ironicamente, observa como uma rede de ligações necessárias se estende de um simples cidadão, passa pela lixeira e segue, segue, segue até o Comitê Central… Não é um caso, é um sistema. Qualquer organização nesse sistema se apresenta ao poeta como uma “Fábrica de burocratas” que transforma qualquer um, até aquele com pretensões honestas, num zeloso e obtuso fabricante de papéis; apresenta-se como mecanismo do sistema onde muito em breve “Os pios fracos da consciência partidária serão abafados pelo peso dos dias”.
Maiakovski percebe como estavam sendo traídos os ideais de Outubro, como estavam sendo “anuladas as trovoadas e as quebradeiras de Outubro” e como “o comunismo estava sendo… encoberto”. Nas declarações poéticas Maiakovski expressa a crença no partido, na sua força e na capacidade de vencer este mal, mas no coração precipita-se a amargura que minava a crença na justiça social, na vida…”

la democracia…

[seg] 30 de dezembro de 2013

Cousas:

Fiz o enterro. Ela morreu. Não se sabe a hora e nem a causa. Fazia um calor dos infernos. As moscas negras contrastavam com seus pelos brancos. E seus olhos mortos não viam a tristeza dentro de mim.

—____-_ ¬

Um documentário – Mais documentário.

800px-Sócrates_-_Democracia_Corintiana

___

 

 

 

 

 

 

« (…) A superioridade de Rosa Luxemburgo sobre Kaustky, Hilferding e outros marxistas-positivistas é que ela não procura excluir o marxismo do campo de aplicação do materialismo histórico (« princípio da carruagem »); de forma explícita e resoluta, ela afirma seu caráter de classe e seus limites históricos: em uma palavra, ela não hesita em aplicar o marxismo a si mesmo. Os pensadores burgueses, escreve la com ironia, procurando em vão desde muito tempo um meio de superar o marxismo, não se aperceberam que o único meio verdadeiro se acha no seio da própria doutrina marxista: « Histórica até o fim, ela não pretende ter senão uma validade limitada no tempo. Dialética até o final, ela carrega em si mesma o germe seguro de seu próprio declínio ». A teoria de Marx corresponde a um período determinado de desenvolvimento econômico e político: « a passagem da etapa capitalista à etapa socialista da humanidade ». É apenas na medida em que esta etapa for superada, e as classes sociais desaparecerem, que se poderá ir além do horizonte intelectual representado pelo marxismo, até esta ciência geral humana da sociedade que estava em questão em sua polêmica contra Bernstein.» pp. 145-146. As aventuras de Karl Marx… Michael Löwy.

aventuras-de-karl-marx-contra-o-barao-de-munchhausen-as

um velho mineiro

[qua] 30 de outubro de 2013
http://www.youtube.com/watch?v=Pm3dI6qznms
não nos afastemos, não nos afastemos muito... 
não fugirei para as ilhas...

ou

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

tédio

[seg] 30 de setembro de 2013

imagina que estou até sem vontade de escrever. mas para não ficar repetindo e repetindo… depois de quinta-feira, quando entreguei os diários e finalizei meu envolvimento com a outra escola e aquela pressão que só aumentava dia pós dia por não preencher e entregar os diários foi finalizada… voltei ao limbo. não deveria, mas voltei. e as notas, avaliações, diários etc que tenho que entregar nesta terça… nem toquei… é que sexta-feira e sábado fiquei pensando em estudar para a prova de domingo, só pensei. no domingo fiz prova cedo e pela tarde ainda limpei o quintal… e hoje… 1128

gênero, patriarcado e violência

[qui] 30 de maio de 2013

“Ora, a democracia exige igualdade social. Isto não significa que todos os membros da sociedade devam ser iguais. Há uma grande confusão entre conceitos como: igualdade, diferença, desigualdade, identidade. Habitualmente, à diferença contrapõe-se a igualdade. Considera-se, aqui, errônea esta concepção. O par da diferença é a identidade. Já a igualdade, conceito de ordem política, faz par com a desigualdade. As identidades, como também as diferenças, são bem vindas. Numa sociedade Multicultural, nem deveria ser de outra forma. Lamentavelmente, porém, em função de não se haver alcançado o desejável grau de democracia, há uma intolerância muito grande em relação às diferenças. O mais preocupante são as gerações mais jovens, cujos atos de crueldade para com índios, sem teto, homossexuais revelam mais do que intolerância; demonstram rejeição profunda dos não-idênticos. As desigualdades constituem fontes de conflitos, em especial quando tão abissais como no Brasil. Em casos como este, e eles existem também em outras sociedades, as desigualdades traduzem verdadeiras contradições, cuja superação só é possível quando a sociedade alcança um outro estado, negando, de facto e de jure, o status quo. […] Numa sociedade como a brasileira, com clivagens de gênero, de distintas raças/etnias em interação e de classes sociais, o pensamento, refletindo estas subestruturas antagônicas, é sempre parcial”  (p. 37-38, do livro Gênero, patriarcado e violência” de Heleieth Saffioti)

E para registro final, hoje foi dia de ir al cine: Somos tão jovens, de Antonio Carlos da Fontoura – Drama, 2013; e Faroeste Caboclo, de René Sampaio – Drama, 2013. Ambos brasileiros.

mais uma canção…

[dom] 30 de dezembro de 2012
“you’re so vain.
you probably think this song is about you”

“O que for da profundeza do teu ser, assim terá o teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for a tua vontade, assim serão teus atos. O que forem teus atos, assim será teu destino”. (Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5)

la valse des vieux os

 

http://www.filmesonlineflv.com.br/2012/09/o-fabuloso-destino-de-amelie-poulain.html

http://repositorio.uniceub.br/bitstream/123456789/3232/1/20702980.pdf

http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php?page_ref_id=2050&pagenum=3

dublinenses

[ter] 30 de agosto de 2011

(...) Gabriel esperou junto à porta do salão que a valsa terminasse, ouvindo vestidos roçarem contra ela e o rumor de pés que se arrastavam no assoalho. Estava ainda perturbado pela resposta brusca e rude da jovem. O incidente lançara um sombra sobre ele, que agora tentava dissipá-la ajustando os punhos da camisa e o nó da gravata. Tirou um pedaço de papel do bolso do colete e leu os tópicos que anotara para o discurso. Continuava indeciso quanto à citação dos versos de Robert Browning, pois temia que estivesse acima da compreensão dos ouvintes. Talvez fossem melhores alguns versos de Shakespeare ou das melodias de Thomas Moore. A forma grosseira como os homens batiam os pés e arrastavam os sapatos no chão recordou-lhe a diferença de cultura que os separava. Faria um papel ridículo, citando-lhes poesia que não podiam compreender. Pensariam que fazia alarde de sua superioridade. Erraria com eles como errara com a jovem lá embaixo. Escolhera um tom falso. O discurso todo era um equívoco, um completo fracasso. (…) Os Mortos. James Joice.

terminei nesse mês dublinenses de james joice, a normalista de adolfo caminha, e jorge um brasileiro de oswaldo frança júnior. e fui no cinema: assalto ao banco central.

a historia do cerco de lisboa

[sáb] 30 de julho de 2011

terminei a leitura de dois livros neste mês: a história do cerco de lisboa, de saramago; e o amante, de marguerite duras.

catar-se

[qua] 30 de março de 2011

clareza. no quê? foco? prioridades? ir para aula? que aula? que textos? desleixo. como vc vai dar aula assim? tem horários. dias bons e dias ruins. blah. arruma ali. escreve lá. um mate. lê o jornal. e aqueles mais de cinqüenta não lidos? numa caixa. uma dia leva embora. outro mate. nem pense em queimar. talvez um por dia para a biblioteca. e a terra para composteira? e a roupa de molho. cuidado, olha a hora. pequenas pulsões… um caos sentimental. falta amor. sexo só não dá. viaja então. mas viajo já. e ‘tava tudo tão claro, tão certo, tudo no seu lugar só esperando para acontecer. e não acontece nada e tudo ao mesmo tempo pois a vida é mais ou menos como guimarães rosa disse: esquenta e esfria, aperta e afrouxa.

obsessões. não ceder tão facilmente ao desejo. esse desejo de dor e de morte – ah! lupicínio. exercitar-se no exercício de se dar a si mesmo e ao outro, seja este outro algum tempo ou alguém. quem? eu, tu, eles… nós. nós de todos nós. uma árvore ia dizer hoje cedo que era eu metaforicamente. e a cbn repete a notícia o dia inteiro. e durmo e acordo e fico com alguns trechos reverberando… tanta lágrima tanta lágrima e sou vaso vazio… e outros.

e cinco horas atrás… Atahualpa Yupanqui cantando e explicando a história de ‘Duerme negrito’ http://t.co/lZ3cask

nota inconclusa

[dom] 30 de janeiro de 2011

então… fiquei sem fala. tinha pensando em escrever, isto sábado cedo, um relicário dos planos e feitos… mas tudo que fiz hoje [ou ontem posto que já é domingo] foi sonhar [e planejar] com feitos futuros – e há muita terra para mexer neste terreno. ainda devo uma anotada geral sobre o interim que foi janeiro, esse mês inteiro. mas sei lá… já são duas e pouco e gostaria de levantar logo mais… talvez lá pelas sete da manhã, para variar.

agora pouco percorri algumas fotos e senti uma avalanche percorrer meu corpo. tanta coisa, prazerosa e doída, já vivida por este cá. e é preciso não esquecer disto para não me esconder e assim arriscar… e saber que tenho valor alto. fevereiro aponta com desejos tremendos… de gente, de aventura, de luta, de concretização. e essa semana vou percorrer o caminho da solidão até naufragados, porque sou de oxóssi… em quinze dias pego meu canudo para pendurar na parede e tornar-me oficialmente um professor desempregado… e em um mês volto às aulas de yoga, natação, esquizoanálise, antropologia visual e memoria oral… e até lá muita água vai rolar. ando sentido vontade de foto. ando sentido vontade de beijo. ando sentido vontade danada que não sossego nem quando estou parado… posto que ando sentido!

[sáb] 30 de janeiro de 2010

porra, que dia pesado…

umas de tuas segunda casa

[qua] 30 de dezembro de 2009

termino a leitura de memórias do esquecimento. passo o dia com as crianças.  brinco de ler poemas dos becos de goyaz e histórias mais à minha pequena cora coralina, ou carol carolina, heteronômio de uma linda moça feiticeira no alto de seus quatro anos.

e depois de horas, de tantos telefonemas sem sucesso, falamos tu e eu.

***

e no fim da tarde, à Beira d’Água um balanço, uma cerveja, um beijo, um pastel berbigão e tudo é mais bonito nesse sambaqui que tanto tu e eu amamos.

“(…) yo muy serio voy remando muy adentro sonrío, creo que he visto una luz al otro lado del río (…)”

mensagem à poesia

[qua] 30 de setembro de 2009

um presente de alexandra bandoli

Mensagem à poesia

Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem… – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.

Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-Ia
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso…
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se…
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.

in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: “O encontro do cotidiano”

mensagem a rubem braga

[qua] 30 de setembro de 2009

Mensagem a Rubem Braga

Os doces montes cônicos de feno
(Decassílabo solto num postal de Rubem Braga, da Itália.)

A meu amigo Rubem Braga
Digam que vou, que vamos bem: só não tenho é coragem de escrever
Mas digam-lhe. Digam-lhe que é Natal, que os sinos
Estão batendo, e estamos no Cavalão: o Menino vai nascer
Entre as lágrimas do tempo. Digam-lhe que os tempos estão duros
Falta água, falta carne, falta às vezes o ar: há uma angústia
Mas fora isso vai-se vivendo. Digam-lhe que é verão no Rio
E apesar de hoje estar chovendo, amanhã certamente o céu se abrirá de azul
Sobre as meninas de maiô. Digam-lhe que Cachoeiro continua no mapa
E há meninas de maiô, altas e baixas, louras e morochas
E mesmo negras, muito engraçadinhas. Digam-lhe, entretanto
Que a falta de dignidade é considerável, e as perspectivas pobres
Mas sempre há algumas, poucas. Tirante isso, vai tudo bem
No Vermelhinho. Digam-lhe que a menina da Caixa
Continua impassível, mas Caloca acha que ela está melhorando
Digam-lhe que o Ceschiatti continua tomando chope, e eu também Malgrado uma avitaminose B e o fígado ligeiramente inchado.
Digam-lhe que o tédio às vezes é mortal; respira-se com a mais extrema
Dificuldade
; bate-se, e ninguém responde. Sem embargo
Digam-lhe que as mulheres continuam passando no alto de seus saltos, e a moda das saias curtas
E das mangas japonesas dão-lhes um novo interesse: ficam muito provocantes.
O diabo é de manhã, quando se sai para o trabalho, dá uma tristeza, a rotina: para a tarde melhora.
Oh, digam a ele, digam a ele, a meu amigo Rubem Braga
Correspondente de guerra, 250 FEB, atualmente em algum lugar da Itália
Que ainda há auroras apesar de tudo, e o esporro das cigarras
Na claridade matinal. Digam-lhe que o mar no Leblon
Porquanto se encontre eventualmente cocô boiando, devido aos despejos
Continua a lavar todos os males. Digam-lhe, aliás
Que há cocô boiando por aí tudo, mas que em não havendo marola
A gente se agüenta. Digam-lhe que escrevi uma carta terna
Contra os escritores mineiros: ele ia gostar. Digam-lhe
Que outro dia vi Elza-Simpatia-é-quase-Amor. Foi para os Estados Unidos
E riu muito de eu lhe dizer que ela ia fazer falta à paisagem carioca
Seu riso me deu vontade de beber: a tarde
Ficou tensa e luminosa. Digam-lhe que outro dia, na Rua Larga
Vi um menino em coma de fome (coma de fome soa esquisito, parece
Que havendo coma não devia haver fome: mas havia).
Mas em compensação estive depois com o Aníbal
Que embora não dê para alimentar ninguém, é um amigo. Digam-lhe que o Carlos
Drummond tem escrito ótimos poemas, mas eu larguei o Suplemento. Digam-lhe que está com cara de que vai haver muita miséria-de-fim-de-ano
Há, de um modo geral, uma acentuada tendência para se beber e uma ânsia
Nas pessoas de se estrafegarem. Digam-lhe que o Compadre está na insulina
Mas que a Comadre está linda. Digam-lhe que de quando em vez o Miranda passa
E ri com ar de astúcia. Digam-lhe, oh, não se esqueçam de dizer
A meu amigo Rubem Braga, que comi camarões no Antero
Ovas na Cabaça e vatapá na Furna, e que tomei plenty coquinho
Digam-lhe também que o Werneck prossegue enamorado, está no tempo
De caju e abacaxi, e nas ruas
Já se perfumam os jasmineiros. Digam-lhe que têm havido
Poucos crimes passionais em proporção ao grande número de paixões
À solta. Digam-lhe especialmente
Do azul da tarde carioca, recortado
Entre o Ministério da Educação e a ABI. Não creio que haja igual
Mesmo em Capri. Digam-lhe porém que muito o invejamos
Tati e eu, e as saudades são grandes, e eu seria muito feliz
De poder estar um pouco a seu lado, fardado de segundo-sargento. Oh
Digam a meu amigo Rubem Braga
Que às vezes me sinto calhorda mas reajo, tenho tido meus maus momentos
Mas reajo. Digam-lhe que continuo aquele modesto lutador
Porém batata. Que estou perfeitamente esclarecido
E é bem capaz de nos revermos na Europa. Digam-lhe, discretamente,
Que isso seria uma alegria boa demais: que se ele
Não mandar buscar Zorinha e Roberto antes, que certamente
Os levaremos conosco, que quero muito
Vê-lo em Paris, em Roma, em Bucareste. Digam, oh digam
A meu amigo Rubem Braga que é pena estar chovendo aqui
Neste dia tão cheio de memórias. Mas
Que beberemos à sua saúde, e ele há de estar entre nós
O bravo Capitão Braga, seguramente o maior cronista do Brasil
Grave em seu gorro de campanha, suas sobrancelhas e seu bigode circunflexos
Terno em seus olhos de pescador de fundo
Feroz em seu focinho de lobo solitário
Delicado em suas mãos e no seu modo de falar ao telefone
E brindaremos à sua figura, à sua poesia única, à sua revolta, e ao seu cavalheirismo
Para que lá, entre as velhas paredes renascentes e os doces montes cônicos de feno
Lá onde a cobra está fumando o seu moderado cigarro brasileiro
Ele seja feliz também, e forte, e se lembre com saudades
Do Rio, de nós todos e ai! de mim.

in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: “O encontro do cotidiano”

entre les murs

[qui] 30 de abril de 2009

às 18:00. Acompanhado.

Para este breve professor de sociologia… Um filme interessante, me incomodou um pouco.

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