Archive for the '29' Category

хорошо!

[sex] 29 de setembro de 2017

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«A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo»

Vladimir Maiakovsky

el2 (1)***

acordei agora pouco. depois de 3 horas de sono… um cochilo pós janta. tenho médico logo mais… devia estar dormindo agora. mas um tumulto de coisas me abalam.

PENSAR-ME ENQUANTO ARTE. SER TRANSGRESSÃO. NÃO AJOELHAR-ME AO CAPITAL. MANDAR UM FODA-SE… USAR MINHA POESIA E MINHA ENERGIA PARA LIBERTAR-ME.

E NESSA HISTÓRIA DE POESIA/GRITO/NARRATIVA DE RESISTÊNCIA.

Slam Resistência

***

notas avulsas> resumo tedioso da semana alienada… foi tão tensa… que até dora deu roubar chinelo (e coisas que ficam pelo terreno… ela tentado chamar a a atenção… para sair da solidão). e eu me perdi em algum lugar ai nos afazeres, na rotina intensa de dormir pouco, fazer coisas, cuidar de gente… burocracias e demandas externas… esse ultimo mês mais ou menos assim. cheio. eu dando um jeito da minha vida caótica. cuidando de filha, mãe… de mim mesmo.

notas avulsas>

AGIT-PROP: O LUGAR GEOMÉTRICO DAS VANGUARDAS POLÍTICAS E ARTÍSTICAS

atualizando> dossiemayakovski/

monsters against empire

[sáb] 29 de abril de 2017

Meta do dia… finalizar correções, e digitar notas. encerrar o prof. online.

mas uma ansiedade absurda… não consigo sentar e terminar. procrastinação nível assustador.

tenho andado um bocado triste nas ultimas semanas.

***

das citações:

“Como se comportam nessa companhia os personagens de Walser? E de onde vêm eles? Sabemos de onde vem o “homem que não servia para nada”. Ele vem dos bosques e vales da Alemanha romântica. O Zundelfrieder vem da pequena burguesia das cidades renanas, na virada do século. Os personagens de Hamsun vêm do mundo primitivo dos fjords: homens que se tornam andarilhos por nostalgia. E os de Walser? Talvez das montanhas de Glarner? Dos prados de Appenzel, onde nasceu? Não. Eles vêm da noite, quando ela está mais escura, uma noite veneziana, se se quiser, iluminada pelos precários lampiões da esperança, com um certo brilho festivo no olhar, mas confusos e tristes a ponto de chorar. Seu choro é prosa. O soluço é a melodia das tagarelices de Walser. O soluço nos mostra de onde vêm os seus amores. Eles vêm da loucura, e de nenhum outro lugar. São personagens que têm a loucura atrás de si, e por isso sobrevivem numa superficialidade tão despedaçadora, tão desumana tão imperturbável. Podemos resumir numa palavra tudo o que neles se traduz em alegria e inquietação: todos eles estão curados.”

Walter Benjamin, “Robert Walser” In: Mágia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura, vol. I, 1994 [1929], p. 52.

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***

Domsch, Sebastian: “Monsters against Empire. The Politics and Poetics of Neo-Victorian Metafiction in The League of Extraordinary Gentlemen.” In: Marie-Luise Kohlke und Christian Gutleben (Hrsg.): Neo-Victorian Gothic. Horror, Violence and Degeneration in the Re-Imagined Nineteenth Century. (Neo-Victorian Series, 3.) Amsterdam [etc.]: Rodopi, 2012, S. 97–122.

***

Canal EntrePlanos. um dos melhores canais do youtube. Max Valarezo: Roteiro, direção e apresentação

para e pensa… porque navegar ainda é preciso.

[qua] 29 de março de 2017

sabes aqueles momentos de fuga…

ou que você deseja eles.

ah, se pudesse, feito desenho animado, ou filme de hollywood, no meio do  nada abrir uma porta e ir para qualquer outro universo.

e apesar de tudo, das coisas boas e interessantes do dia, ainda senti uma vontade danada de escapar.

*

eu tinha que bolar uma atividade – já que aquela que eu havia planejado lá no começo do ano não ia rolar… não tem tempo hábil… esse negócio de bimestre é tenso. e tem mais… tem que terminar outra e ainda pensar nas recuperações… cargas dágua… preciso de tempo pra desenvolver a ideia…

e mais… esse negócio de acordar e sair correndo, sem nem comer direito, para o trabalho não é legal. novidade do dia, perdi o ônibus… dessa vez não ganhei carona, apertei o passo e andei 3km. e por sorte, chegando no terminal de integração… dois busão sentido norte da ilha estavam saindo… vou eu lá mofar dez minutos no terminal, e por conexão… atrasar 10 minutos… e perder a primeira aula, logo com a turma que eu mais detesto… logo a turma que eu menos tenho aula até o final do bimestre… logo a turma que tá tudo mais atrasado… [parte até gostei de ter atrasado… outra parte sabe que o que estava ruim piorou].

*

gosto de improvisar, mas sobre uma base preparada. posso vagar pelo mundo das ideias, mas preciso ter uma casa pra voltar. esse negócio de sair a esmo, nas quebradas da vida, para ver o que vai dar… não me anima muito, e até me deixa um bocado de humor ruim. e o dia de hoje, foi um bocado disso… estar a deriva, sem a porra do vento e do sol, pra ao menos saber pra onde remar.

*

tu libera a turma alguns minutos mais cedo, pra poder pegar o busão no horário e chegar mais cedo… e pra tirar onda com a tua cara, o busão atrasa, como todo dia e como quase todos os horários… e tu pega o próximo, e chega atrasado no próximo terminal (eta, essa vida perdida em modo terminal…] e perde a conexão.

com fome, casado, sem saco para ficar mofando 40 minutos. ‘bora caminhar então… pouco menos de 1 km e ganho carona. fechou…

mas nada é triste, recebi um abraço carinhoso de uma amiga querida, ex-aluna;

e batemos mó papo eu e minha mãe, e acrescemos mais uma palestrante boa, minha filha… vamos longe nós três.

*

shoreless e o pó da estrada

[dom] 29 de janeiro de 2017

7h30 o despertador acorda. ¡volta a dormir despertador!

11h12 ele dormiu demais, mas seu corpo ainda dói.

12h49 quase… daúde.

«Quase fui feliz um dia
Lembrar é quase promessa
É quase quase alegria, quase fui feliz à beça
Mas você só me dizia:
Meu amor vem cá sai dessa» 
Composição: Caetano Veloso / Antonio Cícero

13h28 trovoadas no céu. na vitrola só sambas de amor/dor.

15h16 copiei o texto dela e colei no googletranslate. não para traduzir, mas para ouvi-la, enquanto fazia outras coisas. aquelas palavras de mistérios, caminhos, buscas e descobertas me insinuavam uma mulher distante daquele sorriso apaixonante que ela tinha quando a vi pela primeira vez – talvez porque lhe desse substância e um gosto diferente. mesmo as marcas do tempo determinando o passar das coisas, pelas fotografias eu podia intuir que ela ainda tinha/devia ter aquele sorriso. mas essa colagemde palavras não é sobre o poder de feitiço dela em [me] encantar, de quase dez anos atrás, mas é sobre as palavras que ela escreve/fala, agora. essas palavras que oscilante entre uma carta de intenção e um poema quase místico, tem um quê de mim, da dúvidas, do que é humano, do que somos feitos… dos conselhos, das danças com seres mágicos, dos itinerários percorridos, dos mergulhos, do que é aprendido sobre si mesmo, essas versões que vamos encontrando pelo teatro da vida, peças de um mosaico sempre em desenvolvimento… do pó que vamos colhendo pelas estradas da vida.

registro: dela, a luz dos olhos e sorriso solar, que guardo vivo na memória, de quando éramos mais jovens. e hoje, mulher feita, e distante, suas palavras que narram o estranhamento de se colocar a mochila vazia num armário desarrumado esperando a próxima partida rumo ao reencontro de uma nova parte, um fragmento ainda desconhecido de si.

trilha de fundo: O Pó da Estrada – Sá, Rodrix & Guarabyra

«0 pó da estrada gruda no meu rosto, / Como a distância, matando as palavras, / Na minha boca sempre o mesmo assunto, / O pó da estrada. / O pó da estrada brilha nos meus olhos, / Como as distâncias mudam as palavras, / Na minha boca sempre a mesma sede, / O pó da estrada. / Conheci um velho vagabundo, / Que andava por aí sem querer parar, / Quando parava, / Ele dizia a todos, / Que o seu coração ainda rolava pelo mundo. / O pó da estrada fica em minha roupa, / O cheiro forte da poeira levantada, / Levando a gente sempre mais à frente, / Nada mais urgente, / Que o pó da estrada, / Que o pó da estrada.»

16h04 – Novos Baianos – Programa Ensaio 1973

contradictiones

[sáb] 29 de outubro de 2016

http://www.revistas.usp.br/plural/article/download/75469/79012

seer.fclar.unesp.br/estudos/article/download/158/156

ocupações… recebi de um ex-aluno, uma mensagem bacana. era daqueles alunos, espertos, mas da zoeira… gostava de exatas e não queria nada com humanas… mas as vezes plantamos sementes, noutras contribuimos para germinar, em lugares que ignoramos. ele está participando de um ocupação, e se considera de esquerda.

é isso. há sentido na vida.

e ele vai pra esquerda…

ressonância límbica

[dom] 29 de maio de 2016

«eu era como um nervo exposto de um dente quebrado. eu fazia de tudo para me isolar. música, livros, bebida. qualquer coisa que pudesse me separar do resto do mundo.»

e numa pesquisa rápida… GeneralTheoryofLovee sem muito aprofundamento porque agora vou continuar a ver o seriado.

vale a leitura deste blogue: página em blanco.

semana dois – o farol de alexandria varando a solidão…

[seg] 29 de fevereiro de 2016

semana dois em movimento.

editei isto: “sozinho a minha trilha é Blanc“. à pedido do autor.

meta: ouvir mais de Aldir Blanc.

e o insight de hoje, quando voltava da escola e refletia sobre as aulas… é: acredite em você, que os outros vão acreditar. e caso não acreditem… não importa.

 

o monitor morreu

[ter] 29 de dezembro de 2015

o monitor morreu. foi ontem, ou anteontem… nem sei.

perdi-me no espaço tempo e já nem sei que dia da semana é e qual do mês… sei apenas que é dezembro, últimos dias de 2015.

estou a girar pela casa… tá tudo de pernas para o ar. amanhã é encaixotar tudo… e continuar a cortar, pregar, rebocar… depois vem a pintura, a limpeza… é um mês operário.

até janeiro.

 

ciao madona

[seg] 29 de junho de 2015
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Adeus velhinha… Foi bacana enquanto durou. Aprendi muita coisa contigo.

fragmentos da razão

[seg] 29 de junho de 2015

«Mencionamos no início desta exposição que nem tudo o que está na tradição ou na cultura pode (ou deve) ser tomado como norma ou critério do que seria correto ou bom. Tal afirmação levounos à evidência de que a cultura, enquanto conceito, encobria como uma sombra uma dimensão da vida em sociedade difícil e raramente exposta ao olhar etnográfico. Mesmo a cultura na concepção geertziana e sofisticada, entendida como um conceito semiótico, não me parece que dê conta do recado. É aqui que os estudos já mencionados sobre ética discursiva podem oferecer-nos alguma luz. Pelo menos eles me levaram a privilegiar o discurso nativo (algo, aliás, nada novo na investigação antropológica), mas para nele encontrar aquilo que Habermas chamaria de “fragmentos da razão”. Sem nenhum etnocentrismo e sem qualquer veleidade de ver nos discursos nativos (mas, esclareça-se, não apenas “dos nativos” ou dos índios) exemplos de irracionalidade, creio que aquilo que se poderia denominar fragmentos da razão não seria outra coisa que não o exercício da argumentação observável no interior de comunidades de comunicação de diferentes formações sociais ou étnicas, especialmente naquelas constituídas por etnias em contato. Mesmo porque, quando focalizamos essas últimas, sempre que investigamos a moralidade no interior de sistemas interétnicos, vemos tratar-se de uma via de mão dupla: nesses sistemas vê-se que a formulação de juízos morais – de conformidade com os casos tomados para exemplificação – teve lugar no campo alienígena, como as missionárias junto aos Tapirapé, o funcionário junto aos Tükúna e os salesianos junto aos Borôro. Se no primeiro caso, aliás o único, pudemos observar o império da argumentação, portanto a penetração do argumento racional (não importando a carga de emocionalidade que o acompanhava), já com os demais parece não ter havido qualquer tentativa de diálogo que pudéssemos entender como obediente a uma ética discursiva.

Voltemos um pouco mais para o caso Tapirapé. Não posso afirmar que os argumentos que ouvi das Irmãzinhas de Jesus sobre a imoralidade do infanticídio foram os mesmos que elas apresentaram aos índios para convencê-los a abandonar esse costume. Podemos imaginar os mil e um sortilégios usados por elas para persuadi-los, inclusive os próprios argumentos (ou parte deles) a mim apresentados. O que é importante considerar, todavia, é sua atitude ética ao procurar persuadir, em lugar de determinar autoritariamente o abandono de um hábito tradicional. Os Tapirapé, por seu lado, parece que se mostraram sensíveis pelo menos a um argumento – recordo bem ter conversado sobre o assunto com um deles –, aquele que mencionava o fato de que qualquer morte estaria contribuindo para a destruição completa de toda a aldeia, tão poucos eles eram. O Tapirapé concordou, dizendo que as Irmãzinhas já haviam falado sobre isso (e, presumo, provavelmente os convencido). Pelo menos nesse caso, podemos dizer que foram dados os primeiros passos (a partir da ética das missionárias) para criar-se uma comunidade de comunicação e de argumentação capaz de resolver pelo entendimento um choque entre culturas.

Isso nos leva a duas ou três considerações finais. A primeira delas sobre a alegada incomensuralidade dos horizontes morais. Nesse sentido, através da utilização da noção de cultura e do relativismo a ela inerente, a antropologia habituou-se a aceitar naturalmente como incomensurável a cultura e, com ela, seu quadro moral. Mas se aceitarmos como consistente o argumento mencionado no início desta exposição, segundo o qual costume ou tradição devem ser distinguidos de moralidade, na medida em que esta última deve ser guiada necessariamente por normas sujeitas a argumentação racional, isso significa que os juízos morais sempre podem ser “negociados” no interior de comunidades de comunicação, tal como sugere a ética discursiva. E quando essas comunidades de comunicação são formadas por pelo menos duas etnias em conjunção – como os casos etnográficos examinados ilustram –, vemos que o exercício da racionalidade (que certamente não é privilégio da cultura ocidental) pode fluir naturalmente desde que as partes ou etnias envolvidas assumam a relação dialógica com a disposição de aceitarem o melhor argumento sobre a justificação de juízos morais postos em evidência discursivamente. Essa abertura ao melhor argumento só é possível, afinal, porque os horizontes em confronto não são absolutamente invulneráveis à razão, mas entre si porosos, como indica a já referida teoria da “fusão de horizontes”; e desde que as etnias em questão admitam dialogar, elas já estariam na prática comprometidas com a possibilidade de um acordo: primeiro, sobre as regras que governariam o diálogo, o que em si mesmo tornaria viável a comunicação interétnica; segundo, o acordo sobre os próprios juízos morais em discussão, o que tornaria realidade a comunidade de argumentação preconizada por uma ética discursiva.

A segunda consideração que ainda me permito fazer diz respeito à importância da ética discursiva para a abordagem antropológica, mesmo quando em lugar de um encontro etnográfico o que se acaba observando é um verdadeiro desencontro – e com ele a impossibilidade de uma desejada fusão de horizontes. Há algum tempo, andei trocando idéias sobre antropologia e ética com um dos bons cientistas sociais brasileiros, o ensaísta Sérgio Paulo Rouanet. (4) Em seu artigo, mais preocupado com questões cognitivas que envolvem sujeitos involucrados em culturas diferentes, Rouanet vai dizer, em certo momento, que mesmo que se exclua a possibilidade de uma fusão de horizontes entre grupos sociais separados por um absoluto e insuperável confronto de valores (ele está se referindo ao apartheid da África do Sul), mesmo assim a relação dialógica “poderia produzir bons resultados do ponto de vista de conhecimento desse sistema”. Sua atenção, naquele artigo, estava concentrada nas dificuldades de interação entre o antropólogo e o nativo (no caso os afrikaaners, os racistas brancos habitantes daquele país); e não entre estes e a população negra dominada que, de alguma maneira, ilustraria o que dissemos a respeito dos casos Tapirapé, Tükúna e Borõro, adicionando talvez, com esse caso, mais um exemplo proveniente de outras latitudes. Porém, o que importa assinalar é que para o pesquisador enquanto tal, estritamente voltado para a cognição dos valores morais de determinada etnia, qualquer que seja ela, ou desses mesmos valores inerentes a um dado sistema interétnico, o que prevalece na óptica desse pesquisador é a possibilidade de tornar os valores morais tangíveis à investigação etnográfica. E para retomar a proposta habermasiana da ética do discurso, concordaríamos com Rouanet que melhor será falarmos de um “quase-discurso” sempre que mencionarmos o produto de uma comunicação inter-cultural, seja a que ocorre entre o antropólogo e aqueles que ele pesquisa, seja aquela que tem lugar entre grupos étnicos em contato. Todavia, gostaria de acentuar que independentemente da posição teórica adotada pelo antropólogo em sua investigação da esfera da moralidade em tal ou qual etnia ou em tal ou qual sistema interétnico, essa esfera deve merecer uma atenção que não tem recebido regularmente em nossas etnografias e nem mesmo em nossos ensaios indigenistas.» ANTROPOLOGIA E MORALIDADE  (*) Roberto Cardoso de Oliveira

desocupar territórios… ocupar a memória… estranhar-me no outro, no manifesto, no ser coletivo…

[sex] 29 de maio de 2015

vamos ao poema:

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Preságio – Fernando Pessoa.

****

E pensei cá, quando voltava para casa, depois do Ato [ATO CONTRA O PL 4330 e MPS 664 e 665], e da desocupação da ALESC, anotar o poema que surgia na minha mente durante… mas os versos, em si, se perderam no caminho do ônibus e na caneta que não encontrei na mochila. eles tocavam neste sentimento que era algo sobre ser estranho ao outro. desta coisa de uma dia ser estranho, no outro dia ser familiar, e no outro dia voltar a ser estranho – como se nossas vidas se entrecruzassem e fossemos um itinerário de memórias destes entrecruzar… sei que com alguns a vida segue em paralelas… mas com boa parte da gente humana, que temos contato íntimo, seguem apenas como um pouco ou alguns pontos de interconexão.

tudo isto porque hoje foi um dia atípico… dentro da própria atipicidade do momento vivido, uma ocupação de espaço público que durou 35 dias dentro de uma greve de quase 70 dias. mas hoje, foi mais atípico, talvez pelo momento de encerramento, de algo que já se tinha estabelecido, enraizado laços…  diferente dos outros dias de ocupação, pelo ato nacional, houve uma concentração de muita gente do estado que já esteve em algum momento como ocupante na ocupa alesc… é como se estivessem tod@s lá ao mesmo tempo… causando algo como o reencontrar “velh@s” nov@s companheir@s de luta e despedir-me, de boa parte deles, da minha vida cotidiana… reencontrar e dizer um adeus, ao mesmo tempo. éramos estranhos ontem, hoje somos familiares, amanhã apenas memória…

anoto isto, e o poema – que surgiu depois e ao acaso, e casou com temática do pensamento do dia – diz disto também, porque procurei, no ato, com meus olhos alguém e não encontrei-a entre as gentes. e no caminhar pelas ruas do centro, ao acaso, reencontrei velh@s companheir@s, que anteontem éramos tão familiares… e ontem memória…. e hoje, apenas acenos ao ar… tudo isto me causou este estranhamento.

somos essa eterna despedida… de mergulhos em seres e momentos, e no outro somos apenas superfície.

e a vida segue, com olhares, gestos, risos, gozos, angústias, lágrimas, sorrisos… acenos.

*

e pensei outra coisa… tentar reconstruir, simbolicamente uma imagem textual de cada companheir@ de ocupa.

ps#1: e depois do primeiro nome, da primeira tentativa… desisto… é tarde e a empreitada virará a madrugada e ainda será sempre fragmentada e incompleta. e que a nossa jornada coletiva neste mundo se faça de encontros, desencontros, extrañamentos, e reencontros… em outros atos, greves, reuniões, movimentos, festas, bares, manifestações…

amanhã tem ato, e por agora:

a greve continua!

#grevesemmedo. #grevederesistencia #grevehistorica.

ps#2: porque nessa volta para casa eu pensava também no partido… e por acaso me caiu na mão essa carta de Ho Chi Minh. trecho: «a nossa juventude em geral são bons, estão sempre preparados para se oferecer, sem temer as dificuldades, ansiosos pelo progresso. O Partido deve fomentar as suas virtudes revolucionárias e prepará-los para que sejam os nossos sucessores, tanto “vermelhos” como “experientes”, na construção do socialismo. A preparação e a educação das futuras gerações de revolucionários são de grande importância e necessidade.»

ps#3: numa quarta-feira, 29 de abril, eu chega na ocupação para somar com o movimento. hoje, numa sexta-feira, 29 de maio, o movimento desocupa a alesc, e eu já sou outra pessoa. foram 30 dias intensos que deixaram marcas profundas.

 

 

 

 

el valle de las leñas amarillas

[qua] 29 de abril de 2015

das coisas de ontem:

ouvindo muito moreno veloso, moreno e caetano. e como é bonita a relação entre eles. fiquei encantado. engraçado que esse negócio de relação pai/filho foi sempre algo que mexeu comigo, é um buraco aqui – de engasgar e até chorar vendo tv. acho que ainda não consegui me desvencilhar dessas frustrações que foi a vida de meus pais, enquanto seres humanos que nunca se realizaram individualmente e enquanto casal que nunca se amou. os filhos pagaram a conta, com as neuroses.

*

e das constatações o relógio biológico está invertido. a internet tem falhado todos os dias… e as professoras e os professores, lutadores organizados e em greve fizeram um grande ato pela manhã e ocuparam a assembleia legislativa.

*

o do pertencer a família: meu velho, pai queria te dizer que há dias em que tu consegues ferrar a cabeça da gente. sei que tu tenta todos os dias, e se estamos desatentos e desarmados, este teu jeito abrupto e violento de fazer com que a gente se sinta pior que merda funciona… consegues nos atingir. e eu nem sei se tens consciência ou não de tua estupidez, mas já nem importa tanto. eu sou adulto e deveria já estar calejado, feito armadura, usando toda a minha racionalidade contra tua violência… mas as vezes escapa e tu atinge a gente em cheio. de ti conto na ponta dos dedos os gestos de atenção, mas já perdi a conta dos transtornos e do terrorismo psicológico diário.

e nestes dias de desatenção… quando a gente percebe já está ferrado… e ai eu sinto, todo aquele ódio e medo, e aquela vontade de morrer. e ai eu fico depois imaginando… por que há tanto ódio dentro de ti? por que precisas machucar tanto os outros? isto que você fazia diariamente com a gente, e até hoje ainda tenta, é o que sentes por dentro?

dias assim eu penso eu mandar tudo a merda. se não fosse minha filha, e toda essa situação enrolada, de regularização do nome, e da moradia, eu já teria ido embora faz tempo. e talvez eu nunca tivesse voltado. mas o fato é que estou aqui, no mesmo terreno, teu espaço. e brigar é só alimentar a estupidez. melhor é respirar fundo e se desfazer dessa dor. amanhã é outro dia e não irás mudar.

**

planos para amanhã. acampar na alesc. sair de casa.

**

e como antídoto para a dor: el valle de las leñas amarillas, drexler.

**

nota: provocações; morreu ontem abujamra.

barba e bigode

[sáb] 29 de novembro de 2014

sábado é dia de fazer a barba e… menos o bigode.

¡el bigodón en acción!

estou a ler… o perseguidor – julio cortázar.

e cada páginas lida há a vontade de anotar inúmeras passagens e comentar tantas outras. mas cheguei a conclusão que se eu ousasse fazer isto teria que anotar o livro inteiro.

 

incompleto (ou ‘dear prudence won’t you come out and play?’)

[qua] 29 de outubro de 2014

Introdução: Há dias em que me canso de estar só. Em outros essas solicitações d’outros me cansam. E a marcha da vida segue, com seus conflitos, suas frustrações, seus desafios, seus projetos… Sei que hoje eu não sei muito não. Sei nada quase nada. Sei que é tarde e, aparentemente, sou, sempre no mesmo lugar, aos pedaços – eu incompleto tudo.

Tabela de planejamento de ações – ou notas para logo mais:

Tarefa

Realizada

Não realizada

 nada de internet logo mais  x
 fechar diários que faltam  x
 ler caderno 5 e responder 1 questão do caderno  x
 organizar dias de vídeo/lab informática  x
 organizar saída de campo com estudantes – IFSC/UFSC  +- falta comunicar escola e declaração dos pais
 pensar o grupo de teatro  x próx. reunião 5/11
 comprar tinta para impressora x
 lavar sandália  x
 comprar alpargatas  x
 conversar com direção sobre o problema do machismo de certos professores em sala – tirar um encaminhamento disto  x
 conversar com a direção sobre a solicitação de um minicampeonato de futsal na escola   +- arti. c/ prof. ed. fis feita, falta direção.
 articular uma reunião logo do conselho deliberativo  x
 montar um grupo de trabalho  x
 Regar as plantas  x
 …

***

Professor-cantor ou da trilha sonora das aulas – Entre a alienação e dialética.

«Janaína acorda todo dia às quatro e meia / E já na hora de ir pra cama, janaína pensa / Que o dia não passou / Que nada aconteceu // Janaína é passageira / Passa as horas do seu dia em trens lotados / Filas de supermercados, bancos e repartições / Que repartem sua vida»

ou

«Wave / Come fa un’onda // Interprete: Renato Russo / Composição: Lulu Santos/Nelson Motta/ Tradução: Massimilliano De Tomassi /// Niente di ciò che verrà domani / Sarà com’è già stato ieri / Tutto passa tutto sempre passerà / La vita, come un’onda come il mare /  In un va e viene infinito / Quel che poi vedremo è / Diverso da ciò che abbiamo visto ieri / Tutto cambia, il tempo tutto nel mondo / Non serve a niente fuggire / Nè mentire a se stesso / Amore, se hai ancora un posto nel cuore / Mi ci tuffo dentro / Come fa un’onda nel mare»

 

***

Levantamento sobre Teatro na escola:

https://institutoaugustoboal.files.wordpress.com/2013/04/dissertac3a7c3a3o-mestrado-emiliana-marques-1.pdf

http://www.programabolsa.org.br/pbolsa/pbolsaTeseFicha/arquivos/tese_waldimir_rodrigues_viana.pdf

http://academico.direito-rio.fgv.br/ccmw/images/e/e5/Direitos_Humanos_-_aluno.pdf

https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9453/1/Alcantara%2520pt%25201.pdf

http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/17546/17546_7.PDF

http://teatrodooprimido.wikispaces.com/file/view/TEATRO+DO+OPRIMIDO.pdf

http://www.cdcc.sc.usp.br/CESCAR/Conteudos/26-05-07/Oficina_Jogos_Teatrais.pdf

http://web2.ufes.br/arteeducadores/relatos/medio_2009_2/m9_2_002.pdf

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Investigações a cerca do decreto 8243 de 2014 – Política Nacional de Participação Social.

Em um texto anti-decreto encontrei isto… Não conhecia. Mas simbora… «I’m back in the USSR / You don’t know how lucky you are, boy / Back in the USSR, yeah…» Lennon-McCartney.

«Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente?, reza o parágrafo único do Art. 1º da Constituição Federal de 1988 (CF88). Por outro lado, o Título VIII, ?Da Ordem Social?, estabelece várias formas de participação, sendo que o Art. 204, ao tratar da assistência social, define especificamente diretrizes para a descentralização político-administrativa e a participação popular na formulação de políticas públicas setoriais.

                                                             
Na CF88 está prevista a instalação de quinze tipos de conselhos, diferenciados por sua inserção normativa, vinculação, atuação, composição, competência e natureza. Regulamentados por lei complementar, inúmeros funcionam rotineiramente, e esse funcionamento passou a ser condição legal para o repasse de recursos financeiros da União e dos estados. Outros cumprem funções relativas à avaliação de instituições públicas.
A diretriz constitucional da descentralização político-administrativa e da participação popular tem sido diretamente responsável por resultados positivos na formulação e avaliação de políticas públicas de setores de direitos fundamentais, há anos.
Apesar de tudo isso, o Decreto nº 8.243 de 23 de maio, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS), tem provocado uma irritada reação das forças conservadoras. Na Câmara dos Deputados, a oposição faz obstrução da pauta e ameaça impedir a votação de qualquer projeto de lei até que o decreto seja revogado. Além de líderes partidários, editoriais e colunistas de jornais tradicionais têm atacado a PNPS.
É interessante observar que os oligopólios de mídia lideram a reação conservadora: “golpe contra a democracia”, “devastadora desconstrução da democracia”, “decreto suspeito”, “bolivarismo” e “chavismo” são algumas das acusações ao decreto. » Extraído de ‘por que a mídia é contra o decreto nº 8.243’, por Venício Lima.
ou esta entrevista ‘Ex-reitor: Partidos contra decreto de Dilma querem preservar privilégios‘ com José Geraldo de Sousa feita por Conceição Lemes e Patrick Mariano

uma natureza indócil

[seg] 29 de setembro de 2014

[pré-post] 0:59

Dissidência ou a arte de dissidiar – Mauro Iasi – Presidente – 21 «Há hora de somar  / E hora de dividir.  / Há tempo de esperar  / E tempo de decidir.  / Tempos de resistir.  / Tempos de explodir.  / Tempo de criar asas, romper as cascas  / Porque é tempo de partir.  / Partir partido,  / Parir futuros,  / Partilhar amanheceres  / Há tanto tempo esquecidos.  / Lá no passado tínhamos um futuro  / Lá no futuro tem um presente  / Pronto pra nascer  / Só esperando você se decidir.  / Porque são tempos de decidir,  / Dissidiar, dissuadir,  / Tempos de dizer  / Que não são tempos de esperar  / Tempos de dizer:  / Não mais em nosso nome!  / Se não pode se vestir com nossos sonhos  / Não fale em nosso nome.  / Não mais construir casas  / Para que os ricos morem.  / Não mais fazer o pão  / Que o explorador come.  / Não mais em nosso nome!  / Não mais nosso suor, o teu descanso.  / Não mais nosso sangue, tua vida.  / Não mais nossa miséria, tua riqueza.  / Tempos de dizer  / Que não são tempos de calar  / Diante da injustiça e da mentira.  / É tempo de lutar  / É tempo de festa, tempo de cantar  / As velhas canções e as que ainda vamos inventar.  / Tempos de criar, tempos de escolher.  / Tempos de plantar os tempos que iremos colher.  / É tempo de dar nome aos bois,  / De levantar a cabeça  / Acima da boiada,  / Porque é tempo de tudo ou nada.  / É tempo de rebeldia.  / São tempos de rebelião.  / É tempo de dissidência.  / Já é tempo dos corações pularem fora do peito  / Em passeata, em multidão  / Porque é tempo de dissidência  / É tempo de revolução  // Mauro Iasi»

 

1:04′ o texto aguarda o caracteres…

1:22′ legendas…

«01:14:09,620 –> 01:14:40,780 Sofrimento é parte da vida. Nós sabemos disso. Ivy é motivada por esperança. Deixe-a ir. Se este lugar for meritório, ela terá sucesso em sua busca. / Como você pôde mandá-la? Ela é cega. / Ela é mais capaz que muitos nesta vila e é motivada por amor.  O mundo se move por amor.»

1:43′

O Patrão Nosso de Cada Dia /// Eu quero o amor  / Da flor de cactus  / Ela não quis  // Eu dei-lhe a flor  / De minha vida  / Vivo agitado  // Eu já não sei se sei  / De tudo ou quase tudo  / Eu só sei de mim  / De nós  / De todo o mundo  // Eu vivo preso  / A sua senha  / Sou enganado  // Eu solto o ar  / No fim do dia  / Perdi a vida  // Eu já não sei se sei  / De nada ou quase nada  // Eu só sei de mim  / Só sei de mim  / Só sei de mim  // Patrão nosso  / De cada dia  / Dia após dia  /// Compositor: João Ricardo – Secos E Molhados.

2:13′ dizem que faz bem…

2:21′ o exercício…

«Depois de ver o filme, vocês devem relacioná-lo com o caderno 3 e 4, tendo como norte a seguinte questão: Uma metáfora para pensarmos sobre o nosso isolamento no interior de nossas disciplinas: quais os desafios que parecem existir ao tentarmos dialogar com as outras disciplinas (nossas vilas)?»

?

2:24′ leitura…

«Freudenthal escreveu: “a prova torna-se um objetivo; o que sai na prova, um programa; o ensino da matéria para a prova, um método”. (…) Como diria o Iturra: “A cultura letrada que organiza o ensino não tem sido capaz de romper com o modelo imperante de eficácia econômica e incorporar a prática social como mediadora entre o saber da experiência controlada e o saber que provém da experiência provada”

2:59′ Linha reta e linha curva – de Machado de Assis

3:01′ A Infância, os adultos e a ilusão de um futuro. 

«Na ‘Lección XXXIV’, Freud afirma, por oposição ao ideário pedagógico hegemônico no início do século XX, que a educação deve “buscar seu caminho entre o ‘laisser-faire’ e a frustração”, bem como que a “missão” da “educação psicanalítica” é fazer do educando um “homem sadio e eficiente” com vistas a que não acabe se colocando “ao lado dos inimigos do progresso”. Assim, estabelece uma diferença substancial entre o que deveria ser o fruto da, assim chamada, “aplicação da psicanálise” e, por outro lado, a educação de sua época, implementada à luz de uma pedagogia religioso-moral. Nessa oportunidade, Freud não faz mais do que recuperar a diferença já assinalada em ‘El porvenir de una ilusión’ entre, por um lado, a natureza “irreligiosa” da “educação para a realidade”, promovida pela psicanálise, e, por outro, o “programa pedagógico” da época centrado na “demora da evolução sexual e a precocidade da influência religiosa”, responsável pela coerção da atividade e curiosidade intelectuais. A ‘educação para a realidade’ adquire sentido por oposição àquela promovida pela pedagogia religiosa. A realidade para Freud está longe de ser a dita realidade cotidiana e, portanto, o seu anseio não deve ser entendido num sentido psicológico-adaptacionista. A realidade cotidiana, produto das ilusões religiosas, não é outra coisa que uma espécie de grande “neurose coletiva” – objeto de um futuro estudo sobre a “patologia das comunidades culturais”. Assim sendo, educar para a realidade é sinônimo de ‘educar para o desejo’ ou, se preferirmos, de educar com vistas a possibilitar ‘o reconhecimento’ da impossível realidade do ‘desejo’ – ou seja, o caráter artificialista de seu estofo -, aquela que, precisamente, as ilusões mascaram.»

3:19′ diz ai…

«Viver apenas num andar é viver bloqueado. Uma casa sem sótão é uma casa onde se sublima mal; uma casa sem porão é uma morada sem arquétipos. Bachelard, 2003, p. 76 »
3:29′ o sono chegando…
«um trabalho que não visa apenas à assimilação de conteúdos, e sim, que o educador traga dentro de si, um grande amor pela humanidade e crença em uma sociedade mais justa e solidária, que passa a ser um mediador no processo de construção do conhecimento e que principalmente se sinta incomodado com a situação da educação brasileira…»
3:55′ escola-bairro «não é a comunidade que tem que ser parceira da escola. é a escola que deve ser parceira da comunidade (…) a escola tem que desenvolver essa sensibilidade que ela tem que atuar para além das suas paredes… a escola deveria assumir a liderança… » Braz Rodrigues Nogueira

o filho de mil homens

[ter] 29 de julho de 2014

comecei na sexta-feira. aproveitando o recesso escolar… e os intervalos entre fazer café, almoço, lavar louça e roupa, limpar a casa, fazer compras para casa e para obra, cuidar das marias e mexer nas coisas necessárias da casa e do terreno… devorei as duzentas páginas… e cito [abaixo] algumas passagens finais do texto de valter hugo mae. belo texto, dialogou tanto com minhas ausências, silêncios e precipícios que de meus olhos verteram lágrimas em certos momentos…

 

«A Isaura surpreendia-se com esse pensamento. O Antonino por casa a contar-lhe como estavam as peripécias da sua vida e aquela emoção constante, e ela a achar que ele era delicado, a escolher sofrer meticulosamente por cada assunto (…) A Isaura chegou-se perto dele e investigou a expressão honesta do seu rosto. O modo como se expunha diante dela e a tratava como uma amiga. Ela nunca fora amiga de ninguém. Vivera encurralada entre os pais, o gado, as hortaliças e o amor dos infelizes. Via agora como se tornavam estranhas as pessoas que falavam de si, as pessoas que formulavam um discurso, as que diziam isto ou aquilo. Via agora como parecia elementar àquele homem que desabafasse aqueles segredos, que livrasse a boca das palavras, porque ao menos as palavras partiam e partiam de dentro do peito, aliviando o peito, fazendo-o pesar cada vez menos, como num certo milagre da confissão. Ao menos as palavras iam embora, desapareciam a cada instante, talvez metidas para uma liberdade que merecessem por terem tido a coragem de comparecer. [p. 157] (…) Mas não era um tristeza, era exatamente uma saudade de ter sofrido o que sofrera, o necessário para lhe ensinar a usufruir mais tarde, agora, a felicidade. Achava ele que se devia nutrir carinho por um sofrimento sobre o qual se soube construir a felicidade. Deve nutrir-se carinho por um sofrimento sobre o qual se soube construir a felicidade, repetiu muito seguro. Apenas isso. Nunca cultivar a dor, mas lembrá-la com respeito, por ter sido indutora de uma melhoria, por melhorar quem se é. Se assim for, não é necessário voltar atrás. A aprendizagem estará feita e o caminho livre para que a dor não se repita. Estava a crescer. O pescador crescia para ser um homem tremendo. [p. 172] (…) E ele riu-se muito, por que o mar era para toda a gente e ninguém haveria de o guardar só para si, e ele não imperava sobre coisa nenhuma e não daria herança mais do que uma casa pintada de azul. E ela serviu um pouco mais de chá e achou Crisóstemo delicado, feito de uma virilidade equilibrada pelos sentimentos mais humanos. A mulher disse: quem tanto pede o que lhe pertence assim o mundo convence. Ele saiu, voltou ao seu canto e esperou. Alguma melhor ideia teria de surgir. Algum sinal de que o seu instinto sabia o que estava a fazer. Aos quarenta anos, o Crisóstomo, com o seu inusitado entusisamo, mudou o mundo. [p.184] (…) O Crisóstomo disse ao Camilo: todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e mais nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tante gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós. [p. 188] (…). A Isaura, que ainda não sabia quase nada sobre o amor, achou que era já feliz, mais feliz do que havia sido os seus pais. Talvez pudesse começar a perder o medo. Talvez pudesse mudar. Poderia perder a tristeza lentamente. Disse que começaria a falar mais vezes sozinha até aprender a falar. Até aprender a verbalizar o que sentia. [p.196] (…)  De qualquer modo, já não precisavam falar. Pertenciam-se e comunicavam entre si pela intensidade dos sentimentos. Tinham inventado uma família. O Crisóstomo abraçou o Camio e repetiu: amo-te muito, meu filho. Era o que mais queria dizer: meu filho [p. 199]».

fim.

citações na contracapa do livro:

«you can buy me for the price of a sparrow» baby dee

«the pact – sharon olds

We played dolls in that house where Father staggered with the
Thanksgiving knife, where Mother wept at noon into her one ounce of
cottage cheese, praying for the strength not to
kill herself. We kneeled over the
rubber bodies, gave them baths
carefully, scrubbed their little
orange hands, wrapped them up tight,
said goodnight, never spoke of the
woman like a gaping wound
weeping on the stairs, the man like a stuck
buffalo, baffled, stunned, dragging
arrows in his side. As if we had made a
pact of silence and safety, we kneeled and
dressed those tiny torsos with their elegant
belly-buttons and minuscule holes
high on the buttock to pee through and all that
darkness in their open mouths, so that I
have not been able to forgive you for giving your
daughter away, letting her go at
eight as if you took Molly Ann or
Tiny Tears and held her head
under the water in the bathinette
until no bubbles rose, or threw her
dark rosy body on the fire that
burned in that house where you and I
barely survived, sister, where we
swore to be protectors.»

pacato cidadão

[ter] 29 de abril de 2014

dez minutos para anotar as coisas da manhã:

Acordei determinista. Não sei bem de onde vieram estes pensamentos – e a sensação por eles provocada. Se foi a péssima alimentação noturna, se foi sono rarefeito, curto e de má qualidade. Mas o fato é que acordando, e ainda submergindo do mergulho profundo, entre sonhos/pesadelos e a realidade nua e crua, eu, ali, deitado naquele chão, sobre aquele colchão estreito e finíssimo, tão espartano… Sozinho no mundo. Acordei, e a primeira impressão é que nada muda, as pessoas não mudam, eu não mudo… a utopia, c’est la fini.

MAS ACORDA, RESPIRA FUNDO, E É HORA DE SAIR DO CHÃO E COMEÇAR… VOCÊ NÃO É UM DELES PARA SE DAR O LUXO DE ACHAR QUE NADA MUDA E QUE TODOS ESTÃO PERDIDOS. O MUNDO AINDA É ‘BÃO SEBASTIÃO… E O TRABALHO DE HOJE É GRANDE E PRECISA SER BEM FEITO… POIS A LIBERDADE, NESTA ESTÓRIA TODA, NÃO ESTÁ EM NÃO FAZER O TRABALHO – OU ADIÁ-LO DE FORMA ANGUSTIOSA -, MAS FAZÊ-LO DE FORMA QUE SEJA TÃO PROFUNDO NA SUA SUBVERSÃO QUE AO FAZÊ-LO JÁ SE FAÇA OUTRA COISA… QUE O TRABALHO ALIENADO DE HOJE SEJA A CUNHA DIÁRIA, O MOMENTO REVOLUCIONÁRIO, NESTA ESTRUTURA EM RUÍNAS.

CITAÇÕES:

“a nossa completa ignorância e falta de habilidade em se adequar ao que está posto, o que nos salvou foi a gente ser um ninguém durante um bom tempo de nossas vidas”. Criolo.

“Há um quadro de Klee intitulado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparar-se para se afastar de qualquer coisa que olha fixamente. Tem os olhos esbugalhados, a boca escancarada e as asas abertas. O anjo da história deve ter este aspecto. Voltou o rosto para o passado. A cadeia de factos que aparece diante dos seus olhos é para ele uma catástrofe sem fim, que incessantemente acumula ruínas sobre ruínas e lhas lança aos pés (…)”.
Walter Benjamin, Gesammelte Schriften, I, 2, “Über den Begriff der Geschichte”, p. 697 (tradução de João Barrento, in O Anjo da História, p. 13). 

a paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

[ter] 29 de abril de 2014

Calma, respira fundo. Esses três dias trancados tentando dar conta do trabalho acumulado ao longo dos meses vai passar. Tua dor de cabeça e teu resfriado também. A ignorância dos outras talvez não passe. E a tua também não. Na sexta e no sábado tudo era triste e dolorido. Andava eu perdido em tanto papéis sem coragem, sem força, para clarear… Para começar ou ver um horizonte… O trabalho era hercúleo. No domingo tudo já estava mais claro… No ritmo de trabalho, sem respirar, sem parar… E na segunda faltou tempo. Coisas ficaram por serem concluídas. Em dias assim eu não deveria encontrar ninguém… Dias assim eu não fico feliz. E meu corpo dói todo. É apenas segunda e estou cansado de ver alunos, professores, trabalhos e provas. Quereria uma semana perdido de paixão, sem papéis, sem horários, sem angústias e expectativas que o de estar aqui e agora, livre. Estes dias trancados tem deixado-me seco e amargo.

O último poema Manuel Bandeira

Assim eu quereria o meu último poema. Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

por que você compra livros?

[dom] 29 de dezembro de 2013

Dois pontos: * Por que eu compro livros? ** Caetano é gostoso demais.

Começando pela trilha sonora… Caetano é gostoso demais, mas como eu sou meio de lua, cheio dos tocs, capaz de passar um ano ouvindo somente um cantautor ou meses no repeat de uma música apenas… Além de minha formação cultural no seio da classe trabalhadora ouvidora de radiolas A.M. (Amplitude Modulation) recheada de sertanejos, pagodes e músicas bregas a la mass media… Mas como ávido sou por cousas novas e belas, e na interação com essa juventude, filhota da middle class, universitária, que vou aos poucos aprendendo a conhecer coisas novas e interessantes… Assim, vez por todas, resolvi baixar todos do caetano [e viva a rede torrente] e agora vou degustando aos poucos… muita coisa já ouvira nestes anos passados, conhecia e gostava… mas assim, vendo o conjunto da obra, a trajetória… muita coisa linda, de apaixonar.

Mas depois que Dona Izabel e Dona Luiza (brincando cá em casa – ocupando os pseudo-cômodos quarto-sala sem móveis – e tendo que aturar caetano no volume máximo) cansarem-se (e ensaiaram até uma revolta) de transa (1972), araça azul (1972) e qualquer coisa (1975). Passei para cê (2006) e onqotô (2005) em parceria com José Miguel Wisnik.

Enfim, é o resumo da ópera, o que faço diariamente… Leio, ouço caetano, dou uma de acompanhante para a terceira idade (dona maria, a vó) e adulto pseudo-responsável pelas meninas (filha e sobrinha) por parte da noite, afinal eu sou o único adulto que não trabalha nesta família-comunidade… O vagão vagal de trinta e poucos anos desempregado.

Mas o que motivou este texto foi uma email contendo uma promoção da Cosac Naify… Uma promoção de livros e a minha dureza miserável… Comprar livros é um vício. E livros por R$ 20,00 são tentadores. Escolhi dez. E na hora de comprar/pagar veio a questão profunda: Por que eu compro livros?! Esperarei até amanhã… Vou meditar.

E neste ano, reduzindo o cinema e, principalmente, a tevê do inicio do ano tenho lido mais – este era o objetivo. Tenho dedicado umas duas horas de leitura diárias – é pouco – e ando as voltas com dois livros:

victorsergeO Ano I da Revolução Russa – Victor Serge (que comprei em 2008) e barãomunchhausenAs aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen (que li em 2006, na graduação e agora faço uma releitura). Já deixei enfileirados os próximos trinta que irei devorar…

E lembrei que em julho eu fiz uma lista e daqueles ali, conclui apenas um até agora. Sendo que alguns eu parei logo depois e outros quase terminei… Terminarei nestas férias oxalá. E fazendo um inventário, neste ano li apenas quatro livros de cabo a rabo (Angústia de Graciliano Ramos; A mulher desiludida de Simone Beauvoir; Os 1o dias que abalaram o mundo de John Reed; e História concisa da filosofia – de Sócrates a Derrida, por Derek Johnson). Estou a terminar mais quatro (sendo que dois deles eu comecei em 2012). Mas enfim, as leituras para preparar as aulas tomam tempo e são fragmentárias… Preciso construir um sistema mais disciplinado que me permita ler, estudar, preparar aulas e ainda conseguir ler no mínimo dois livros por mês. E se se entrasse nesse ritmo ainda levaria uns cinco anos para ler todos os que já tenho… comprar dez livros seria no mínimo mais um ano de leituras… Talvez esteja chegando a hora de não comprar mais nada e vender todos. Só eu e meu esqueleto…

princípio da inércia

[ter] 29 de outubro de 2013

perdoem os erros de sintaxe

perdoem os erros de ortografia

perdoem os erros e horrores

perdoem o erro

e errem!

urrem!

*

guardei energia dormindo até o último minuto possível

como se fosse domingo esse último minuto possível

e depois percorri as palavras, as classes, a praia, o sol, as linhas

e cheguei lá, onde descubro que tenho um certo humor que até me surpreende…

esse estar frente a frente com tanta gente e ainda sentir-se contente

*

mas um bicho corrói, mastiga por dentro… prescrutando o porque das coisas, nunca satisfeito…

duvidando se é isto ou aquilo, e porque quedo contente

de estar entre toda essa gente?!

***

estico e afrouxo. dias yin dias yang. dias solitários dias coletivos, mas o dolorido não é um nem outro e sim o passar de um ao outro.

*

o que é um autor?

[qua] 29 de maio de 2013

tarde: #1. o rato erra o alvo e assim fica difícil selecionar as coisas! #2. depois de quinze dias salvei o facão de ficar enterrado na raiz daquela árvore – lá na trilha. lá no meio do mato. #3. otto e mezzo de fellini acabou de acabar. #4. meu tédio é absurdo. minha vontade, se é que é minha, se é que é vontade, de não fazer nada é absurda. não faço nada. #5. e só escrevo isto porque li isto: “Levando em conta o que Michel Foucault relata em seu livro O que é um autor?:

a relevância de uma entidade a quem se titula a posse e criação do texto só surgiu no século XVII, quando houve a necessidade de vigiar e punir o criador de obras tidas como transgressoras. Como antes disso não dava-se importância a esta questão, não há certeza sequer se os primeiros grandes poemas épicos – Ilíada e Odisseia – eram de criação de um único ser (Homero) ou de um conjunto de pessoas que formavam esta entidade.

Os Contos da Cantuária, de Chaucer, nada mais eram do que uma reunião de textos que já circulavam na oralidade. E como esquecer de Marcel Duchamp e de sua obra A fonte, que, para um cético realista, nada mais é do que um mictório posto sobre um pedestal. Quem será o autor da obra: Duchamp ou o artesão/operário que fez o mictório em si?”. tirei daqui ó: literatortura.com. o texto é de isadora fernandes.

#6. o salário entrou. as contas já podem ser pagas. #7. toma anti-inflamatório para sentir a dor passar – vida dolorosa. #8… sei lá. vou tomar sol porque já são quatro e lá pelas seis tenho que dar cinco aulas.

exercício sobre o [uni]verso

[ter] 29 de janeiro de 2013

Exercício sobre o [uni]verso

– O problema não é esse meu bem!
E tanto faz ‘cê ir p’ro Texas,
p’ra Antártida ou Marte.

Há um buraco no coração.

28.01.2013 Sambaqui, FLN

perder a chave por dentro

[qui] 29 de novembro de 2012

Agora eu vou fazer o seguinte: fechar a porta e as janelas e ficar bem quieto neste cômodo.

porque o clima anda tenso, e a vontade de esganar alguém é alta.

 

ou talvez eu chore sozinho um pouco…

morrer é uma lei da vida

[dom] 29 de abril de 2012

quando o seu interlocutor: não existe. não há o diálogo. ficas transbordando em vontades de: dizer como é estar só ou como é uma ilusão pensar que viver é indolor. ouves ininterruptamente todas as músicas e não brota de ti nenhum verso, nenhum sentido profundo… apenas vagas imagens que evaporam antes de serem tocadas… névoa.

não vais transformar o mundo. tuas palavras titubeiam. o coração é torrão. desertas até quando chove… abjuras.

quando seu interlocutor: não existe. não há locução. fica submerso o pensamento sem ruído ou língua. é estar só. é retorno ao estado de sozinhez, essa estranha viuvez antes do amor. ouves insistentemente a poesia ali de fora e aqui são flores mortas no vaso, nenhum sentido fundo… apenas vagas, ondas, que desistem antes de partirem-se tocadas na queda.

é imenso mar o mundo. tuas palavras cambiam. o coração é terra seca… é grão esperando chuvas.

***

abandonei este blog. abandonei quase tudo. não me reconheço. é essa paciência impaciente ou seu inverso.

 

natty narwhal

[sex] 29 de abril de 2011

Jorge Drexler – I Don’t Worry About A Thing e Ubuntu 11.04 Natty Narwhal.

e um dia despretensioso.

westminster e o colchão

[sex] 29 de abril de 2011

para não me esquecer do teu gosto, registro que enquanto o casal real entrava na abadia de westminster… eu acordava, colado ao teu corpo, ambos gozados, no colchão surrado e estirado sobre o chão.

talkin’ cure

[seg] 29 de novembro de 2010

“o inconsciente estruturado como uma linguagem…”

“tirar da pessoa a irresponsabilidade do que ela está dizendo. não há nada além da palavra… ‘o desabonamento do inconsciente’.” a pessoa é o seu sintoma. pessoa se dar conta de sua existência como sintoma indecifrável. ou seja, eu não sei o que é, mas terei que lidar com isto. devo invertar algo sobre isto, e me responsabilizar sobre o que inventei. mais ou menos lacan, na segunda clínica.

da aula de hoje.
***
abri minha casa. como é estranho isto. permitir um olhar outro que não este. mas que olhar, e olhar-outro, é (são) este(s)?

talkin' cure

[seg] 29 de novembro de 2010

“o inconsciente estruturado como uma linguagem…”

“tirar da pessoa a irresponsabilidade do que ela está dizendo. não há nada além da palavra… ‘o desabonamento do inconsciente’.” a pessoa é o seu sintoma. pessoa se dar conta de sua existência como sintoma indecifrável. ou seja, eu não sei o que é, mas terei que lidar com isto. devo invertar algo sobre isto, e me responsabilizar sobre o que inventei. mais ou menos lacan, na segunda clínica.

da aula de hoje.
***
abri minha casa. como é estranho isto. permitir um olhar outro que não este. mas que olhar, e olhar-outro, é (são) este(s)?

inmersión

[dom] 29 de agosto de 2010

inmersión, inmersión… a gata branca-negra dorme enrodilhada tapando seus olhos em suas patas de breu e de neve. seu focinho volteia sua própria cola. dorme a gatuna, ali, ao lado, sobre o tecido de chita. enquanto meço ângulos, áreas, inclinações, preços, planos de casa minha em breve. e nessa hora quanto ajudaria-me ter concluído aquele técnico em edificações abandonado 10 anos atrás, é da vida… e sobre sábado, conto amanhã, com calma, após descansar mais e melhor.

ioio

[ter] 29 de dezembro de 2009

dia de terapia.

7h50. acordo, miro o mundo pela janela do teu quarto.

8h00. ioio ganha casa.

9h30. passeamos pela grama verde, eu e meus pais, sob o gosto de ilex paraguariensis. sinto-me familiar.

12h30. ritual feito [me desafaço das palavras e sinto o que vivo – “existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio…” Dostoiévski]. há fé, e um caldo de cana… sinto vontade de presentear todos. meu peito arde. tu me arde demais.

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