Archive for the '26' Category

a morte do velho garapuvu e outras notas aleatórias de um dia dolorido

[ter] 25 de abril de 2017

notas curtas e aleatórias.

nota #1 um exercício poético sobre um velho garapuvu arrancado da terra e maré que avança sobre a areia e as rochas.

a maré é cheia / a árvore desabou / sinto-me / raízes pra fora / canoa sobre rochas / não há vento / não há areia / não há como respirar // e a rainha do mar vem buscar / a velha árvore morta / futura canoa ainda sobre a terra… / aguardando / germinando / escavando / o homem a ser navegado.

nota #2 pensamentos da tarde. observe a dor alheia, para não enlouquecer com a sua própria dor. observe a tua dor no tempo, para não enlouquecer aqui e agora.

nota #3 dor absurda na cabeça pela tarde. dor aguda no peito pela noite.

nota #4 cuidado para não caires naquela sensação de odiar todos e tudo o tempo todo. cuidado.

nota #5 esqueci meu guarda-chuva no ônibus/linha 267.

nota #6 chá de camomila e refresco de maracujá. só assim pra aguentar a dor de existir. só assim para respirar.

trainspotting

[qui] 26 de janeiro de 2017

«(Spoken):
Dr. No
From Russia With Love
You Only Live Twice
Goldfinger
Diamonds Are Forever
Thunderball
Never Say Never Again»

 damon albarn – closet romantic (trainspotting soundtrack) [1996]

***

o filme acabou. a música tá rolando…

e deu a vontade de registrar algo…

escrever hoje e editar os vários dias que ficaram no rascunho.

certo então!?

nada certo. última semana das férias… porque na próxima semana é aquela em que você começa a se organizar para voltar. porque fevereito chegou…

mas os feitos de um mês de férias, hein?… nada, vadiagem total, muito sorvete, um pouco de vinho, umas brejas, uma semana de antibióticos, muito tortéi, muita pizza. um bocado de conversa fiada, visita ao dentista, sete temporadas de jornada nas estrelas, um livro lido (teorema geral do esquecimento – eduardo agualusa ), cinco filmes e mais duas séries… pouca vitamina d. dermatite intensa. eu literalmente tirei férias em janeiro.

***

26/1 transpotting, sem limites. um puta filme. surreal e trash. o sotaque escocês. a cena do vaso. o bebê e as alucinações com o bebê (duas impressões… chocante e fake). nota 9,5

26/1 clube de compras dallas (dallas buyers club). matthew mcconaughey em ossos. a cena de jared leto vomitando sangue. embarguei na cena que ron chega no hospital e rayon não está mais no quarto. bonito filme. nota 9,0

26/1 o homem que viu o infinito ( the man who knew infinity). sobre srinivasa ramanujan. jeremy irons e dev patel estão bem. é um filme bonito, mas falta algo… nota 7,0

24/1-26/1 primeira tempora, 16 episódios, outlander. a premissa é surreal, mas se tu embarca… é até interessante. viagem mística no tempo… highlanders e ingleses no séc. xviii.  é uma série com passagens fortes, bem eróticas… a ideia do narrador é interessante. é bonita esteticamente, mas no desenvolvimento é por vezes arrastada; fiquei tentando comparar as vestimentas do exército inglês com a série frontier. nota 7,0.

23/1 o roubo da taça… jules e dolores. a premissa… o roubo da taça do tri. um filme hilário… e o mais absurdo que é que a parte mais engraçada é baseada em fatos reais. peralta, o gringo, a dolores ótimos… só o finalzinho achei que ficou um furo. nota 9,5.

23/1 6 episódios, primeira temporada. frontier. a premissa é interessante… gostei da idéia de apresentar índios e ingleses, no séc. xviii. mas o desenvolvimento é fraco. e em algumas momentos abusa da paciência… como as recorrentes visitas de declan harp à grace emberly. nota 5,0

5/1-22/1 mais de 170 episódios. 7 temporadas… uma imersão na enterprise. me senti voltando no tempo… vinte anos no tempo. foi bom compartilhar essa jornada com jean-luc picard e cia.

4/1 synchronicity – só posso dizer, que apesar de tudo, i like. nota 7,0.

4/1 chaos on the bridge – documentário sobre star trek – the next generations. depois de um doc sobre spock (for the love of spock, direção de adam nimoy) e outro sobre as/os capitães de star trek… mais um documentário de shetner, este é mais interessante que the captains.

o homem na parede

[dom] 26 de junho de 2016

na escuridão do meu quarto… Haish Shebakir (O homem na parede). 2015, Israel. Direção de Evgeny Ruman. the_man_in_the_wallThe-man-in-the-wall-2-750x506

 

 

 

 

 

Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível. 2015, EUA. Direção de Brad Bird.tomorrowland-2015-poster-raffey-cassidy

 

 

 

 

 

Begin Again (Mesmo se nada der certo). 2014, EUA. begin-again-2014-dan-mulligan-gretta-james-for-once-in-my-life-we-need-to-dance-mark-ruffalo-keira-knightley-reviewDireção de John Carney.begin-again-poster

 

 

 

 

 

Gravity (Gravidade). 2013, EUA/Reino Unido. Direção de Alfonso Cuarón. Gravity

 

 

 

 

 

Copenhague. 2015, Estados Unidos/Canadá/Dinamarca. Direção de Mark Raso. Copenhagen-03

 

 

ibn sīnā

[qui] 26 de maio de 2016

the physician, um bom filme… fiquei pensando em como utilizá-los nas aulas.

«conhecido como seu verdadeiro nome Ibn Sīnā ou por seu nome latinizado Avicena, foi um polímata persa[3] [4] [5] [6] que escreveu tratados sobre variado conjunto de assuntos, dos quais aproximadamente 240 chegaram aos nossos dias. Em particular, 150 destes tratados se concentram em filosofia e 40 em medicina

e ri e me emocionei nessa comédia escocesa sobre odin… o que fizemos no último feriado…

 

o homem duplicado

[sáb] 26 de março de 2016

aquela aranha enorme… e «o caos é a ordem ainda indecifrada»

***

«quando esta atividade interna é cortada de repente, e você se encontra sozinho, na escuridão, é como… não esperava por isso. do que se trata? o que farei de agora em diante? eu acredito que nós controlamos nosso ambiente… ahhmm, vejamos, bem… na maioria das vezes, controlamos nosso ambiente, decidimos ir a algum lugar. mas uma vez que nos estabelecemos, eu acho que o nosso meio-ambiente começa a cobrar da nossa personalidade e dos hábitos e da maneira como pensamos no dia a dia. Somos criaturas sociais e precisamos interagir com outras pessoas… é por isso que nossos relacionamentos são tão importantes, tão cruciais para a nossa existência. porque se você não falar com ninguém, não interagir com ninguém, seu próprio senso da realidade fica muito distorcido.» 25’45” – 26’58”  220px-Angels_&_Airwaves_-_Love_film_posterLove (2011) 1h24min Drama, Sci-Fi. Diretor: William Eubank

***

outros filmes visto na maratona… chuva, cama, chocolate…

 

 

 

MoonPoster

Moon (2009) Reino Unido 1h37 min. Drama, Sci-fi.
Diretor: Duncan Jones

 

 

 

 

 

 

downloadThe Imitation Game
(2014)
1h54 min. Drama.
Diretor Morten Tyldum

 

 

 

 

Mission_to_Mars

Mission to Mars (2000) 1h54 min. Drama.
Diretor Brian De Palma

 

 

 

 

 

 

download (1)

The Age of Adaline (2015) Drama/Romance/Fantasia. 1h50min. Diretor Lee Toland Krieger

 

 

 

 

 

098358

 

Enemy – O Homem Duplicado (2013) Suspense. 1h30 min. Diretor: Denis Villeneuve

***

e parece que a chuva vai passar…

nhe’engatu

[qua] 26 de agosto de 2015

#1h19′ porque as vezes eu me esqueço… e dou de cara no chão.

  • do que falei outro dia: a língua geral e outras.
  • a língua...
  • take it easy my brother charlie… take it easy meu irmão de cor. jorge e o rappa.
  • preciso fazer aquela lista dos teus livros…
  • montar o grupo de trabalho, agilizar a eleição do conselho, dar aquela força para o grêmio estudantil…
  • noutro dia fiz 83 anos. me rachei de rir com os comentários (virtuais)… e foi bonito esse meu aniversário. com direito a bolo e festa ‘roubada’ no campeche no primeiro minuto do dia vinte um. alunos tocando parabéns pra você com acompanhamento de batera e guitarra… mais mousse e desenho de alunas.

e no mais… vou deixar a vida me levar… vida leva eu… salve salve zeca.

#1h42′ um fragmento citado…

“A televisão atual difere muito daquela que alimentou a subjetividade dos que hoje têm mais de quarenta anos, por exemplo, porque os usos que ela suscita são outros; portanto, a criança contemporânea que vê televisão difere daquela que se sentava na frente do televisor há um par de décadas. Já não se trata de observar, escutar, receber e interpretar mensagens em gêneros específicos e bem definidos – além de ordenadas conforme o ciclo de princípio, meio e fim -, transmitidas de maneira estável e sem a mediação do controle remoto, com horários preestabelecidos e emissão claramente descontínua. 

Ao contrário, a televisão atual emite um fluxo de informações fragmentadas e dispersas, para cujo consumo o zapping – ou a troca acelerada e consecutiva de canais graças ao controle remoto – constitui um elemento fundamental. Por isso não se trataria exatamente de um meio de comunicação, como se costuma dizer, mas de mais um nó nas prolixas redes contemporâneas de informação. Pode parecer sutil, mas é enorme a diferença entre essa agitação ininterrupta da atualidade e os formatos estruturados dos gêneros infantis mais tradicionais, como os contos, as histórias em quadrinhos, os filmes e as cantigas.”

Paula Sibilia, Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão, 2012, pp. 84-85.

#..h..’

 

 

tomando notas: in a society that profits from your self doubt, liking yourself is a rebellious act

[sex] 26 de junho de 2015

pela tarde:

você percebe que há algum estresse no seu universo quando você está na frente da pessoa e dá um branco: como é o nome dessa criatura? e a memória falha. essa semana esqueci o nome de mais de uma dezena de pessoas que convivo quase diariamente na escola.

outros pontos importantes: estou cá a preencher o calendário de reposição… que desorganização, não minha, do estado e da escola. que me faz trabalhar mais, porque fiz isto já uns 3 vezes no mínimo… me paga muito mal e ainda quer pagar menos, sem falar que sistematicamente destrói a educação… ps: pensei isto ontem quando voltava para casa.

e que bosta de sistema. mas ai tu sabe, sociologicamente sacando tudo isto, que não é falha do sistema… é a seletividade que se dá na aparente desorganização, omissão, silenciamentos… o que parece uma falha não é. é proposital… essas contradições.

e pus meu barco na direção… navegando na cruzada contra a heterossexismo, racismo e machismo na escola. este é o foco. tudo sem esquecer o recorte de classe.

e anoto aqui porque estou a perder papeis de anotação:

fechar projeto com Ana Rita – cultura. URGENTE.

fechar questionário com Valério – cultura/migração/identidade/juventudes

fechar blogue de sociologia com referencias aos grupos do fb – das turmas. centralizar lá aulas e materiais.

fechar diários.

fechar sítios e cartilha do conselho deliberativo escolar. fazer reunião urgente. Montar mural e propor espaço de formação.

fechar projeto de VII Concurso de Cartazes do NIGS/UFSC

fechar projeto com os primeiros sobre o SENSO COMUM/RELIGIÃO/CIÊNCIA – Mural sociológico.

e cuidado para não ficar doente.

faça uma revisão na sua bike, pedale. beba mais água e se divirta bicho. Vá ao FAM!

 

qual é o seu signo?

[ter] 26 de maio de 2015

meus horários estão ao avesso… é nas madrugadas que fico acordado.

domingo para segunda passei a madrugada acordado na ocupação… jogando war e depois conversando – de onde sai o título acima – e para finalizar a manhã, escrevi por aqui, desde lá. hoje, em casa… chovendo… com dificuldade de me resolver…

sai de lá pensando em te ligar ou deixar um recado. porque falei de você para algumas pessoas… porque entranhadamente você vai sempre estar bem profunda em mim. mas, como tenho sentido dificuldade de dar um passo… foi assim naquele última dia que estive ai, em sua casa, quando aprendi a jogar war… e tu me leu poemas de drummond… e tocou aquela melodia triste de mercedes sosa… e ai eu travei. sai pensando em só voltar quando tu me chamasse… mas dai pensei que tu esperava mais de mim e que tu também estava cheia de outras coisas acontecendo ao mesmo tempo… e ai pensei e pensei… e o tempo foi passando… e entrei em greve, e ai me isolei do mundo… e ai mergulhei na ocupação… e ai… que o tempo voa. e tenho pensando tanto tem ti nos últimos dias… mas me pergunto porque sou desta forma tão assim cheio de dificuldades de avançar e desencanar e ser mais aberto e carinhoso…

mas sou este homem instável. que mais machuca do que acarinha…

abaixo imagens do dia.

eu continuo em greve. e quando acho que estou melhor, vem um anjo triste perto de mim…

nos últimos dias da ocupação, talvez pela conjuntura política, eu senti uma baixa na auto-estima… foi uma semana muito desgastante… de vitórias e de derrotas. eu amadureci muito em poucos dias, mas ainda tenho minhas dificuldades… queria ser diferente… queria avançar e não recuar tanto em tão pouco tempo. preciso de uns dias só.

 

 

greve

ocupa

what’s going on

[qui] 26 de fevereiro de 2015

17h15. hoje estou lento. vontade de coisas práticas. vontade de não pensar. limpei o que podia limpar na casa… e até agora enrolo-me para mexer nos papéis. o único compromisso inadiável são as três entradas em sala para repetir a mesma aula. estou no piloto automático.

ontem, no começo do dia estava animado. no final da noite… meio triste e cansado.

hoje, acordei – ou melhor, para ser preciso, fui acordado – duas vezes bem no meio da parte mais gostosa do sonho. no primeiro momento era meu primo querendo uma mochila emprestada, meio sonolento indiquei onde estava e perguntei que horas eram… 6h30. apenas virei para o lado e me entreguei nos braços de morfeu. as 9h30 era maria izabel… dessa vez não pude voltar. mas o sonho era tão incrível, e talvez por ter acordado no meio dele, ficou comigo bom parte do dia… era mais ou menso assim:

estava eu em berlim (se era não sei ao certo… ), ladeávamos um rio… andando. e era minha segunda visita à cidade. acho que era carnaval ou algo assim… sei que era dia de festa. e havia estado na virada de ano por lá – eu cometei isto com alguém dentro do sonho. e eu não falava nem alemão, nem inglês… falava um português diferente e bonito. e acordei enquanto falava francês ao ouvido de alguém. não era um sonho erótico, mas havia um quê de sedutor na iluminação das ruas à noite e na cena toda… uma rua, um mercado – destes tipo posto de gasolina ou mercadinho de filme… a luz da iluminação da noite/ou amanhecer ou final de tarde/ era um incrível tom de verde hera/abacate com amarelo âmbar. e andava com pessoas agradáveis vestidas de vermelho. senti no sonho a mesma sensação de bem estar que me animou o dia de ontem pela manhã, algo do tipo… uma sensação de clareza e realização. de estar bem. ainda estou com aquela vontade de voltar ao sonho.

17h41. mas agora ‘bora tomar banho e ir para escola. pois ainda há três aulas até as 22h.

mas antes de ir além… duas canções do dia:

e vamos com calma. respeitando o tempo da vida. o que é para ser… faremos e assim será.

mi viejo

[seg] 26 de janeiro de 2015

enquanto che anima-me… vai rapaz, acorda e levanta-te. brote vivo desta tua vida semi-morta de agora, e lute com e por todo o amor deste mundo contra o que faz este mundo doer.

«y si se nos dijera que somos casi unos románticos, que somos unos idealistas inveterados, que estamos pensando en cosas imposibles y que no se puede lograr de la masa de un pueblo el que sea casi un arquetipo humano, nosotros tenemos que le contestar, una y mil veces que sí, que sí se puede y tiene que ser así y debe ser así y será así, compañeros.» che guevara. extraído do documentário Che, um homem novo (Che, un hombre nuevo), de Tristán Bauer.

e de fundo, alfredo zitarrosa, com seu adagio em mí pais

en mi país, que tristeza, la pobreza y el rencor. / dice mi padre que ya llegará desde el fondo del tiempo otro tiempo / y me dice que el sol brillará sobre un pueblo que él sueña / labrando su verde solar. / En mi país que tristeza, la pobreza y el rencor. / tú no pediste la guerra, madre tierra, yo lo sé. / dice mi padre que un solo traidor puede con mil valientes; / él siente que el pueblo, en su inmenso dolor, / hoy se niega a beber en la fuente clara del honor. / tú no pediste la guerra, madre tierra, yo lo sé. / en mi país somos duros: el futuro lo dirá. / canta mi pueblo una canción de paz. / detrás de cada puerta está alerta mi pueblo; / y ya nadie podrá silenciar su canción / y mañana también cantará. / en mi país somos duros: el futuro lo dirá. / en mi país, que tibieza, cuando empieza a amanecer. / dice mi pueblo que puede leer en su mano de obrero el destino / y que no hay adivino ni rey que le pueda marcar el camino / que va a recorrer. / en mi país, que tibieza, cuando empieza a amanecer. / en mi país somos miles y miles de lágrimas y de fusiles, / un puño y un canto vibrante, / una llama encendida, un gigante / que grita: ¡adelante… adelante!

****

minhas notas soltas pelo papéis na casa:

#1

eu espero pelo amanhã.
mas então eu nunca chego.

#2

anteontem e ontem, dois dias inúteis.
cheirando a tédio profundo.

#3

e todo projeto é um anti-projeto. é uma desculpa para não começar o que não se sabe.

 

a árvore da vida…

[sex] 26 de dezembro de 2014

fiz uma tatoo. a árvore de darwin.

vamos limpar o porão?

[qua] 26 de novembro de 2014

13:55

lotado. exausto… necessitando vazar desta carcaça. ando dormindo tarde e acordando cedo, ou seja, ando com o tempo todo tomado por demandas alheias, d’outros… estou sentido aquela vontade de ficar um bocado em silêncio, solito... ou de dormir mais um pouco e acordar sem a pressão para isto ou para aquilo ou sendo cobrado por chegar atrasado neste ou faltar naquele compromisso que esqueci completamente…

mas vamos lá… embora para o grupo de teatro – dar o suporte, chegar no horário, viabilizar – e depois para os encontros em sala na busca da recuperação de notas… mas sobretudo na busca do diálogo… e fechar essa tonelada de médias

ps: esse sistema burocrático em que vivemos é asfixiante.

***

23:55

ontem, na reunião do conselho deliberativo na escola…

onde eu ia cheio de esperança de encontrar o embrião de um núcleo de ação…

entre uma fala e outra… ia viajando, e o diretor puto porque, como ele diz, eu choro demais. ou seja, na opinião dele falo muito sobre coisas distantes e faço pouco. mas não concordo com essa avaliação – as coisas vão caminhando… mas sei que essa implicância evidência divergências de base ideológica e sei que, propositalmente, estou tocando em questões que são problemáticas para ele, para a gestão dele, como: transparência das ações e mobilização da comunidade. enfim, estou a pegar no pé dele.

e minhas falas evidenciam este meu incomodo com essa institucionalidade formal que desdemocratiza a comunidade… e ao mesmo tempo não visualiza que é preciso viajar… sonhar mais alto. meu desconfortável choro dialoga com minha viagem; meu desconforto diante do conformismo alheio, da desarticulação, de um centralismo autoritário são motivados pelo desejo transformar a aridez diária da escolarização sob a hegemonia do capitalismo, que fragmenta e individualiza os sujeitos…

**

mas não era bem isto que queria dizer quando comecei este adendo a postagem. o pensamento surgiu durante a reunião e era assim: eu sou um copiador. não invento nada novo.

e isto não é negativo. pois talvez esteja ai o sentido, a graça de ser essa coisa inacabada e rolante pelo mundo… talvez ai esteja o dom, a dádiva, que é fazer circular ideias que são boas. e sigo tentando replicar coisas que aprendi no convívio com outros e que sensibilizaram-me… então não inventar nada novo não é o que te faz menos, mas sim mais… absorver e resignificar práticas e ideias que motivam a viver, que nos dão um sentido humanizante… ir na busca, na tentativa de aprender a replicar que aprendemos e construímo-nos enquanto o novo…

se não invento a ideia, busco coletivamente inventar ações sobre as ideias boas que estão ai… porque, longe do determinismo absoluto ou do subjetivismo niilista… a vida é dialética… e «nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará… A vida vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo… Tudo muda o tempo todo no mundo». Aloha.

mapas urbanos

[dom] 26 de outubro de 2014

plantei um pé de caqui.

votei nulo. pt venceu. psdb perdeu… e os fascistas estão soltos.

e depois de meses arrumei a bicicleta e pedalei 4 km.

***

e há qualquer coisa cá assim:

«Sei dos caminhos // Composição: Alice Ruiz e Itamar Assumpção // Sei dos caminhos que chegam, sei dos que se afastam / Conheço como começa, como termina o que faço / Só não cheguei como chegar / Ao nosso próximo passo // Ontem, meu bem, contei até cem / Hoje já não sei / Hoje já não sei // Ontem, meu bem, contei até três / Hoje eu só pensei /Hoje eu só pensei / Sei que me encontro sozinho / Sei também quando me acho / Sei tudo o que você acha / O buraco é mais embaixo / Foi um achado te achar / Perdido acho diacho / Meu bem, porque não vens que tem / Ontem eu pensei / Ontem eu pensei…»

e

«Dor Elegante // (Itamar Assumpção e Paulo Leminski) / Um homem com uma dor / É muito mais elegante / Caminha assim de lado / Com se chegando atrasado / Chegasse mais adiante / Carrega o peso da dor / Como se portasse medalhas / Uma coroa, um milhão de dólares / Ou coisa que os valha / Ópios, edens, analgésicos / Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra / Sofrer vai ser a minha última obra…»

***

citação de fundo: «Antes o atrito que o contrato»

a quem interessar possa

[sex] 26 de setembro de 2014

perdi o texto. ele falava sobre a rotina. a decisão de faltar logo mais ao curso. como esta decisão gerará um efeito nocivo, psicologicamente falando. e como isto é recorrente, revelando todo um processo de auto-sabotagem e frustração. manifestando uma dificuldade de lidar com as contradições da vida… e causas são  profundas…

essa falta tem relação com dificuldade de acordar cedo, mas sobretudo com o não conseguir realizar a tarefa obrigatória, e acumularem-se as atividades de dois cursos nesta sexta-feira, e nesta quinta-feira, minha folga, eu ter dedicado a auxiliar as obras na casa… enfim, não fiz, não farei, nem dá tempo, faltarei, e terei que aguentar as consequências – emocionais disto – e que posso tentar… mas se não der… não era.

lembrei de um fragmento do texto que perdi: «é uma terra arrasada, ruínas, um deserto e silêncios»

lembrei de uma fala de caio fernando abreu: a quem interessar possa

«Eu não tenho culpa. Não fui eu quem fez as coisas ficarem assim desse jeito que não entendo, que não entenderia nunca. Você também não tem culpa, vou chamá-lo de você porque ninguém nunca ficará sabendo, nem era preciso, a culpa é de todos e não é de ninguém. Não sei quem foi que fez o mundo assim horrível, às vezes quando ainda valia a pena eu ficava horas pensando que podia voltar tudo a ser como antes muito antes dos edifícios dos bancos da fuligem dos automóveis das fábricas das letras de câmbio e então quem sabe podia tudo ser de outra forma depois de pensar nisso eu ficava alegre quem sabe quem sabe um dia aconteceria mas depois pensava também que não ia adiantar nada e tudo começaria a ficar igual de novo no momento que um homem qualquer resolvesse trocar duas pedras por um pedaço de madeira porque a madeira valia mais e de repente outra vez iam existir essas coisas duras que vejo da janela na televisão no cinema na rua em mim mesmo e que eu ia como sempre sair caminhando sem saber aonde ir sem saber onde parar onde pôr as mãos os olhos e ia me dar aquela coisa escura no coração e eu ia chorar chorar durante muito tempo sem ninguém ver é verdade tenho pena de mim e sou fraco nunca antes uma coisa nem ninguém me doeu tanto como eu mesmo me doo agora mas ao menos nesse agora eu quero ser como eu sou e como nunca fui e nunca seria se continuasse me entende eu não conseguiria não você não me entendeu nem entende nem entenderia você nem sequer soube sabe saberá amanhã você vai ler esta carta e nem vai saber que você poderia ser você mesmo e ainda que soubesse você não poderia fazer nada nem ninguém eu já não acredito nessas coisas por isso eu não te disse compreende talvez se eu não tivesse visto de repente o que vi não sei no momento em que a gente vê uma coisa ela se torna irreversível inconfundível porque há um momento do irremediável como existem os momentos anteriores de passar adiante tentando arrancar o espinho da carne há o momento em que o irremediável se torna tangível eu sei disso não queria demonstrar que li algumas coisas e até aprendi a lidar um pouco com as palavras apesar de que a gente nunca aprende mas aprende dentro dos limites do possível acho não quero me valorizar não sou nada e agora sei disso eu só queria ter tido uma vida completa elas eram horríveis mas não quero falar nisso podia falar de quando te vi pela primeira vez sem jeito de repente te vi assim como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais porque de repente vi outra vez e outra e outra e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces não me importo de ser vulgar não me importa o lugar-comum dizer o que outros já disseram não tenho mais nada a resguardar um momento à beira de não ser eu não sou mais tudo se revelou tão inútil à medida em que o tempo passava tudo caía num espaço enorme amar esse espaço enorme entre mim e você mas não se culpe deixa eu falar como se você não soubesse não se culpe por favor não se culpe ainda que esse som na campainha fosse gerada pelos teus dedos eu não atenderia eu me recuso a ser salvo e é tão estranho o entorpecimento começa pelos pés aquela noite eu ainda esperava quase digo sem querer teu nome digo ou escrevo não tem importância vou escrevendo e falando ao mesmo tempo com o gravador ligado é estranho me desculpa saí correndo no parque e me joguei na água gelada de agosto invadi sem ter direito a névoa dos canteiros destaquei meu corpo contra a madrugada esmaguei flores não nascidas apertei meu peito na laje fria do cimento a névoa e eu o parque e eu a madrugada e eu costurado na noite cerzido no escuro porque me dissolvia à medida em que me integrava no ser do parque e me desintegrava de mim mesmo preenchendo espaços aqueles enormes espaços brancos terrivelmente brancos e você não teve olhos para ver que o parque era você a água você a névoa você a madrugada você as flores você os canteiros você o cimento você não teve mãos para mim só aquela ternura distraída a mesma dos edifícios e das ruas mas eles me desesperavam você me desesperava eu não quero falar nelas mas elas estão na minha cabeça como os meus cabelos e as vejo a todo instante cantando aquela canção de morte a minha carne dilacerada e eu ridículo queria ter uma vida completa você não se parecia com Denise tinha os olhos de mangaba madura os mesmos que tive um dia e perdi não sei onde não sei por que e de repente voltavam em você nos cabelos finos muito finos finos como cabelos finos ‘minto que me bastaria tocá-los para que tudo fosse outra vez mas não toquei eu não tocaria nunca na carne viva e livre eles me rotularam me analisaram jogaram mil complexos em cima de mim problemas introjeções fugas neuroses recalques traumas e eu só queria uma coisa limpa verde como uma folha de malva aquela mesmo que existiu ao lado do telhado carcomido do poço e da paineira mas onde me buscava só havia sombra eu me julgava demoníaco mas não pense que estou disfarçando e pensando como-eu-sou-bonzinho-porque-ninguém-me-ama eu me achava envilecido me sentia sórdido humilhado uma faixa de treva crescia em mim feito um câncer a minha carne lacerada estou dentro dessa carne lacerada que anda e fala inútil a carne conjunta das xifópagas e o vento um vento que batia nos ciprestes e me levava embora por sobre os telhados as cisternas as varandas os sobrados os porões os jardins o campo o campo e o lago e a fazenda e o mar eu quero me chamar Mar você dizia e ria e ríamos porque era absurdo alguém querer se chamar Mar ah mar amar e você dizia coisas tolas como quando o vento bater no trigo te lembrarás da cor dos meus cabelos você não vai muito além desses príncipes pequenos suas palavras todas não tenho culpa não tenho culpa eram de quem pedia cativa-me eu já não conseguiria bem lento eu não conseguiria eu não sei mais inventar. a não ser coisas sangrentas como esta a minha maneira de ser um momento à beira de não mais ser não me permite um invento que seja apenas um entrecaminho para um outro e outro invento mesmo a destruição tem que ser final e inteira qualquer coisa tem que ser a última uma era inteira e a outra nascia da cintura e existia só da cintura para cima como um ipsilone mole esponjosa uma carne vil uma carne preparada por toda uma estrutura de guerras epidemias pestes ódios quedas eu me sentia culpado ao vê-Ias assim nosso podre sangue a humanidade inteira nelas que não riam e cantavam aquela sombria canção de morte brutalmente doce elas cantavam e minhas costas doíam como se eu sozinho as sustentasse e não uma à outra mas eu eu com este sangue apodrecido que assassina crianças de fome droga adolescentes bombardeia cidades e também você e todos nós grudados indissoluvelmente grudados nojentos mas me recuso a continuar ninguém sofrerá por mim sem mim chorar ninguém entende nem precisa nem você nem eu o anel que tu me deste sobre a folha que me contém sem compreender sem compreender que você carrega toda uma culpa milenar e imperdoável a História como concreto sobre os teus meus nossos ombros Cristo sobre nossos ombros todas as cruzes do mundo e as fogueiras da inquisição e os judeus mortos e as torturas e as juntas militares e a prostituição e doenças e bares e drogas e rios podres e todos os loucos bêbados suicidas desesperados sobre os teus meus nossos ombros leves os teus porque não sabes sim sim eu tenho culpa não é de ninguém esse desgosto de lâmina nas entranhas não é de ninguém esse sangue espantado e esse cosmos incompreensível sobre nossas cabeças não posso ser salvo por ninguém vivo e os mortos não existem a fita está acabando começo a ficar tonto a dormência chegou quem sabe ao coração talvez eu pudesse eu soubesse eu devesse eu quisesse quem sabe mas não chore nem compreenda te digo enfim que o silêncio e o que sobra sempre como em García Lorca solo resta el silêncio un ondulado silêncio os espaço de tempo a nos situar fragmentados no tempoespaçoagora não sei onde fiquei onde estive onde andei nada compreendi desta travessia cega a mesma névoa do parque outra vez a mesma dor de não ser visto elas gritam sua canção de morte este sangue nojento escorrendo dos meus pulsos sobre a cama o assoalho os lençóis a sacada a rua a cidade os trilhos o trigo as estradas o mar o mundo o espaço os astronautas navegando por meu sangue em direção a Netuno e rindo não não quebres nunca os teus invólucros as tuas formas passa lentamente a mão do anel que eu te dei e era vidro depois ri ri muito ri bêbado ri louco ri ate te surpreenderes com a tua não dor até te surpreenderes com não me ver nunca mais e com a desimportância absoluta de não me ver nunca mais e com minha mão nos teus cabelos distante invisível intocada no vento. Perdida a minha mão de espuma abrindo de leve esta porta assim.
(In “O Inventário do Ir-remediável”)

o decreto de morte dos cadernos de campo e outros deveres

[qua] 26 de março de 2014

7:32. A água vai acalentando. O dia é fresco e úmido. E eu estou me sentindo cansado, um pouco triste e contrafeito… Pensando em como construir esse segundo bloco de atividades para o primeiro bimestre para que seja mais tranquilo e eu não me sinta como ontem, quando estava exausto, sentindo-me o mais solitário dos solitários e extremamente irritado ao final da noite – com todos e principalmente comigo mesmo – que a frase era: “se arrependimento matasse… teria morrido umas 200 vezes nessa semana”. E olha que era apenas terça-feira. Mas o mais incrível é como a minha desorganização mais confunde os outros do que me ajuda. Ela me desajuda. Algumas lições: simplifique; seja mais objetivo e direto; reduza o trabalho ao mínimo necessário… suma.

8:31 Esse negócio de ser professor em tempo integral é cansativo. Esse negócio de caderno de campo é muito trabalhoso e é o último ano que adoto. Animo rapaz! O sol chegou. O mate está quente. E a Mª luiza não para de falar aqui do lado – e eu, pensando: será que dou atenção? ou publico isto aqui? ou trabalho no material dos alunos?… ‘Bora fazer deveres criatura.

 

efetivo paquetá!

[ter] 26 de novembro de 2013

ansioso demais. dormi de menos. nem acordei. nem dormi. nestes dias de escolha de vagas ou provas são os momentos de reencontro do povo universitário… outros momentos, velhos momentos… brevíssimos reencontros… depois voltamos para a vida escolar. e só vamos nos encontrar nas manifestações… mas é com um peito contento que encontro, abraço, cumprimento cada camarada. enfim, escolhi a vaga, será que acertei? não sei. só o tempo dirá. efetivo, 20 horas. lá no rio vermelho… e vida será um eterno vai e volta. mas fica aquele gosto… sai dessa toca mané, volta a viver… ¡revolucionate muchacho!

mas são tantas dúvidas… tantos poréns e afins pense bem

estou neste momento nesta transição de explorado temporário para explorado efetivo. que alívio. que sufoco. ganha pão (mais ou menos) ok; dívidas e organização comunitária-familiar (mais ou menos) ok; teto (mais ou menos) ok; relação com filha (mais ou menos) ok; saúde (mais ou menos) ok; e preciso de tantas coisas ainda… um coração para o homem de lata, esse leão medroso… tão espantalho descerebrado.

e há tantas, muitas pacas…

o reggae

[qui] 26 de setembro de 2013

‘tá ai seis páginas para ler uma penca de diários para finalizar uma pilha enorme de provas para avaliar e uma madrugada longa pela frente
enfim quinta-feira chegou e é novo dia… dia importante para avançar mais um passo.
anotações do cotidiano:

#1tu passa horas preparando, estudando, organizando algumas aulas e quando chega a hora por motivos alheios a tua vontade elas não funcionam e uma aula bacana bem estruturada torna-se um emaranhado de turmas ao mesmo tempo e tudo que cê faz é não dar aula… vira tudo tempo arrastado, tumultuado. isto me deixa frustado.
#2 tu já se pegou naqueles momentos sádicos-masoquistas em que toda uma exploração de dor e revolta aflora em ti e tudo que você quer é que o outro sinta o mesmo, a mesma mágoa, a mesma dor, o mesmo sofrimento… é uma cegueira absurda que impede que tu perceba que o fato de sofreres deveria ser condição mais que suficiente para tu cessar qualquer ato violento contra qualquer outro ser. mas não vira uma metralhadora de palavras amargas, e cada verbo lançado ferozmente contra o outro visando faze-lo sofrer é ao mesmo tempo um buraco ainda maior no teu peito, um sofrimento auto-infligido. hoje percebi isto acontecendo entre duas pessoas, não era eu, mas sei que faço isto às vezes. isto me deixou triste.
#3 eu me enrolo demais…

#4… Não mais que de repente pego-me cantando em sala de aula esta canção: o reggae, da legião urbana.

Ainda me lembro aos três anos de idade
O meu primeiro contato com as grades
O meu primeiro dia na escola
Como eu senti vontade de ir embora

Fazia tudo que eles quisessem
Acreditava em tudo que eles me dissessem
Me pediram para ter paciência
Falhei
Então gritaram: – Cresça e apareça!

Cresci e apareci e não vi nada
Aprendi o que era certo com a pessoa errada
Assistia ao jornal da TV
E aprendi a roubar pra vencer
Nada era como eu imaginava
Nem as pessoas que eu tanto amava
Mas e daí, se é mesmo assim
Vou ver se tiro o melhor pra mim.

[solo]

Me ajuda se eu quiser
Me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui

Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
No meio das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado
Quantas crianças Deus já tinha matado.

Beberam meu sangue e não me deixam viver
Tem o meu destino pronto e não me deixam escolher
Vem falar de liberdade pra depois me prender
Pedem identidade pra depois me bater
Tiram todas minhas armas
Como posso me defender?
Vocês venceram está batalha
Quanto à guerra,
Vamos ver.

Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/o-reggae.html#ixzz2fxqR1QyR

olha a minha cara de clint eastwood

[seg] 26 de agosto de 2013

Você não está indo para lugar nenhum. Você está perdido! Você está indo embora! …Você não está vendo que está entre a vida e a morte?! Acorda para dentro!”.

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Chuva Interior

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.

Mário Chamie

direto do filme via lactea

***

“se eu entendesse tudo que sinto, viver seria tão previsível“. a frase não é minha, mas traduz-me tanto nestes tempos. e a sacada acima, do título, também não é minha… é do mesmo filme Surf Surf (Wellington Sari, 2012).

***

Hoje dediquei um tempo à leitura das coisas de Volodia. [ps: uma tarefa após finalizar essa biografia: reler toda obra poética, ao menos].

um trecho de “A nuvem de calças”:

Silêncio.
O universo dorme colocando sobre a pata,
com garra de estrelas,
a enorme orelha.

***

chego em casa e minha porta está escancarada, totalmente aberta. ninguém lá. não há mais a separação entre interior e exterior, é tudo um grande espaço vazio. nesse tempo que passou eu perdi algo… e acordo-me de uma canção de dias atrás… “acontece que já não sei mais amar (…) acontece que meu coração ficou frio”¹. e eu nem sei por quê me sinto assim…

¹cartola.

***

e obrigado por pensar em mim.

aulas de sociologia

[dom] 26 de fevereiro de 2012

Ah… Sexta-feira foi uma emoção. Primeira aula do professor aqui na escola em que cursei do meu ensino fundamental, da 5ª a 8ª série. Comecei com duas aulas faixa para um primeiro ano, isto me deu uns 70 minutos. Tinha uns vinte e cinco estudantes, mas parecia que tinha bem mais. Fiquei satisfeito, o tempo foi bom, fiz o que pretendia. Na terceira aula, de uns 30 minutos, cai num segundo ano de pouquíssimos alunos… mas três alunos do fundão me incomodaram muito. Foi a menor e a pior turma. Na quarta aula, após o intervalo, trabalhei com o terceiro ano. Turma pequena, o trabalho foi razoável. Na última aula de sexta-feira, cai na segunda turma do primeiro ano, com uns 35 minutos só para dar aula, e esta foi difícil de domar… Vou ter trabalho pela frente.

E depois uma cerveja, uma mariscada e uma descontraida para relaxar o estresse pós-aula e pré-aula, já que eu estava bem ansioso para começar. Agora que já começou e já vi o que funcionou e o que não funcionou estou mais tranquilo.

E sábado choveu, aproveitei para ficar mofando o dia todo… só reagi agora pouco, lá pelas 22… estudando e planejando aulas. Estou contente comigo mesmo, estou me sentindo bem.

frontera

[seg] 26 de dezembro de 2011

El sur del sur.

00:23 Juno.

14:09 O que esperava? Sei não. Uma fantasia, um medo, uma raiva… Ouvindo as luzes da aurora e acordo. Será que acordo? Então… Encerrar por enquanto um ponto e começar a traçar as outras novas frases… Outras vontades. Solidão, aqui estão minhas credenciais. Venho chamando a tua porta há um tempo já… E pergunto-me qual a fundura deste fundo que meto-me dia após dia… Onde chegar? Hoje, dia vinte e seis. Amanhã vinte e sete. Coisas para janeiro como pintar a casa de tangerina, nuvens e limão; por flores no teto; colorir as portas; resistir a exploração cotidiana; e sair, visitar, misturar-me.

16:46 Vinho. Jazz. Um sofá, algumas páginas e uma tarde vadia me aconchegam. Acostumo-me a estar só. E dou-me conta que passei os dois últimos anos esperando… Esperando, tendo esperança no peito de, dias melhores. 2011 foi tão claro-escuro. 2010 foi tão desacelerando. 2009 foi tão terapêutico. 2008 foi tão tátil. 2007 foi tão profundo. 2006 foi tão visceral. 2005 foi tão novo. 2004 foi tão dolorido. 2003 foi aprendendo. 2002 foi escapando. 2001 foi reanimando. 2000 foi nascendo-morrendo. 1999 foi chorando. 1998 foi apaixonando-se. 1997 foi a tanto tempo atrás…

17:11 Mira, yo aquí me bajo, yo dejo el tren en esta estación. Me asusta, tu guerra, menos que el alto el fuego en tu corazón… Linda, cuando vos quieras, dejo este amor donde lo encontré. En tren con destino errado se va más lento que andando a pie… Mi zamba será sincera. Será, creo, para bien, y no será porque quiera, que estoy dejando marchar tu tren. Mira por la ventanilla, verás mi rostro alejándose. Hay quien dice que el camino te enseña cosas; yo no lo sé. Mi zamba se irá contigo, tendrá una buena razón… Y yo en este andén vacío viendo alejarse mi corazón. EL ALTO FUEGO. Jorge Drexler

o homem elefante

[ter] 26 de julho de 2011

ontem foi dia importante e de visitas. neste último mês senti-me só, mesmo estando perto dos meus. em agosto começarão as aulas e a rotina mudará. espero ter paciência e coragem para cursar umas poucas disciplinas… uma na agronomia e duas na pedagogia e escolher o que vou cursar nos próximos anos. paulo volta em breve – quarta para ser preciso e ficarei sem pc, já que estou usando o dele neste mês que ficou fora. estou terminando a leitura de mais um livro e é tão gostoso isto. meu coração segue ainda recluso, apesar de me serem tão caros os carinhos dela. tenho feito jardinagem, algumas colagens e um pouco de pintura… e nenhuma poesia fiz nestes últimos meses.

e aos poucos acostumo com a casa. aos poucos vou me permitindo olhar novamente lá para frente e até me imagino onde e como… mas ainda não sei quem. não sei quem.

fissão-fusão-fissão

[ter] 26 de abril de 2011

«fiquei triste hoje… queria tanto apertar o reset e ir dormir tranquilo» «é? mas acho que tinha que ter mais botões» «quais?» «é, não precisa… dar format c: em mim já bastava» «para mim bastava o reset para o dia de hoje» «eu utilizaria mais vezes. ‘tou tão sem energia. moral baixa e espiritualmente triste» «eu vou dormir. boa noite!» «noite! que tudo fique mais claro logo mais…»

la tregua

[ter] 26 de outubro de 2010

na margem esquerda a trégua…

[texto ficcional-fragmento feminino]
porque o amor é isto. um pão. tu vinhas de um casamento. irias embora. não eras dali. eu tinha hora marcada. queria futuro. e assim como chegastes, levantei, e desci da lotação. não sei seu nome. apenas alguns fragmentos, e delirios sobre o mundo. está ali. linha por linha dizendo o que a cabeça não consegue pensar. o entrecruzar de sentimentos. de pernas e olhos. fugimos então de novos reencontros pois o peito arde. eu mulher, e ela entrou. pedia informação e tentava orientar-se. era toda desorientação, suas mãos, seus olhos, sua mala, seu corpo. sabia eu o gosto das lágrimas dela. eramos dois velhos amigos, ou ex-futuros amantes. pensei em como te encaixarias no meu quadril, como enroscarias nas minhas pernas grossas, e como sorverias-me. qual gosto teriam teus lábios. mas eu gozava em todas suas entradas, eu dava o que podia dar. meu prazer de despedida. e saia de mim um jato de despedida, amargo, cruel. pagou o tiquete e rolou a catraca. com grande dificuldade pelo seu excesso de bagagem. o cobrador quis ajudar, e esbocei um gesto que interrompeu-se no ar, já que não foi preciso. mas ela notou-me. não que eu fizera isto buscando sua atenção, foi apenas um gesto involuntário, um daqueles tiques culturais de cortesia. gosto de ler o que escrevi há um certo tempo. tudo isto me diz o quanto já não sou mais o mesmo ao passo que sou o mesmo. e desde a ultima vez que passeis horas beijando no portão até amanhecer não devorava ninguém. e tua pele negra colada à minha, dava-me o ar, que gostaria de encontrar mais vezes, de domínio e sedução. o mesmo tolo. o mesmo garoto buscando o desconhecido. naquela noite meu peito ardia e eu não a queria, e ela ali, me pedia um pouco mais de alguém que eu já não era. acompanhei-na até sua casa, transamos como um rito de despedida. havia uma certa paz em nosso diálogo, e um tumulto em nossos corpos. ela entendia-me, não aceitava, mas queria-me mais. te recordas quando ficamos horas sobre o cais, ao balanço do mar e nossos olhos refletiam-se enquanto o mundo evaporava. o mar refletia as estrelas de uma noite sem lua. e ela não sossegou e sentou-se ao meu lado. tinha um livro na mão. logo, de canto de olho, identiquei que era algo sobre a educação. educação e arte. eu devora adorno. ouvi sua voz buscar-me. eu aguçava seu desejo. “não aguentaria viajar mais sem perguntar-te, como podes ler assim?”. fomos bons amigos, trocamos impressões. eu estava bebado. bem alto, eu lembro, ou melhor. lembro pouco. brincavamos, provocativamente, nos tocando, apalpando-nos. e tu, tão branca estavas de vestido preto. senti teu lábios lançados sobre os meus e quando pisquei os olhos, três horas depois, estava no teu quarto deliciosamente nu sobre tua cama sendo devorado por ti. como é dificil gostar de você, tão silênciosa. como é dificil não gostar de você. sempre tive um olhar limitado quando se trata de coisas reais, e contraditoriamente, um olhar vasto nas coisas da imaginação. solitário. te entregavas aos meus olhos. traias alguém – como outras trairam outros enroscadas em mim. eu te traia em cada estocada. eu me reconhecia, aprendiz, e te amava mais.

matilda

[qui] 26 de agosto de 2010

falta 16 minutos para lotação e terá que haver um banho (de gato talvez?) para o pé na rua rolar… e a frase não sai da cabeça: “matilda… olha a cama de gato… no campo do adversário é bom jogar com muita calma… para poder ganhar”. acompanha-me uma porção de documentos, quatro compromissos e uns olhos vermelhos e ardidos de apenas três horas de sono. mas o humor está aceitável hoje, bem diferente do “foda-se tudo” de semanas – semanas sem fins – atrás. talvez seja o sono que não deixe o ânimo resvalar e de tal forma desandar para algum buraco sem fim. e digredindo isto tanto me fez lembrar alice. queria-te alice, ler. mas e daí… 9 minutos agora.

geraldinos e arquibaldos // gonzaguinha // mamãe não quer, não faça / papai diz não, não fale / vovó ralhou, se cale / vovô gritou, não ande / placas na rua, não corra / placas no verde, não pise / no luminoso: não fume / olha o hospital, silêncio / sinal vermelho, não siga / setas de mão, não vire / vá sempre em frente, nem pense / é contramão! // cama de gato / olha a garra dele / é cama de gato / melhor se cuidar / no campo do adversário é bom jogar com muita calma / procurando pela brecha pra poder ganhar! // é  cama de gato / olha a garra dele / é cama de gato / melhor se cuidar / no campo do adversário é bom jogar com muita calma / procurando pela brecha pra poder ganhar! // acalma a bola, rola a bola, trata a bola, limpa a bola que é preciso faturar! / e esse jogo ‘tá um osso, é um angu que tem caroço / e é preciso desenrolar! / se por baixo não tá dando, é melhor jogar por cima / oi, com a cabeça dá! // você me diz que esse goleiro é titular da seleção / só vou saber mas é quando eu chutar! / você me diz que esse goleiro é titular da seleção / só vou saber mas é quando eu chutar! // matilda, matilda! / no campo do adversário é bom jogar com muita calma / procurando pela brecha pra poder ganhar! // matilda, matilda! / no campo do adversário é bom… com muita calma / procurando pela… pra poder ganhar! / matilda, matilda! / no campo do adversário é bom jogar com muita calma // procurando pela brecha pra poder ganhar!

um dia bonito

[ter] 26 de janeiro de 2010

porra! Que dia leve.

///

“sentir o sentimento torna o sentimento sentido”.

///

“Meu coração engoliu o sol, virou estrela. encontrei um amigo, ah! Como gosto de encontrar este amigo!”

///

O que tanto o menino te cala!

O que sabe ele do amor e desse tesão todo pela vida ai fora? Será que sabe ele só dessa raiva e desse medrar? devemos ouvir mais o menino.

///

dedicar-me-ei mais um dia a viva poesia.

///

dia de terapia.

///

o dia lançou-se nos meus olhos e fotografei as nuvens altas bem como as baixas, os urubus empoleirados e rosa vermelha, as ilhas do norte e as garças familiarmente na pedra redonda. Dia lindo.

um livro de poesia

[ter] 26 de janeiro de 2010

bela

essa

arte

http://www.michelle-martins.com

***

e das coisas vistas… uma boa leitura andarilha, errante.

por aqui para um dia ser assim. e assim assim

cortar o tempo

[sáb] 26 de dezembro de 2009

Quem teve a idéia / de cortar o tempo em fatias, / a que se deu o nome de ano, / foi um indivíduo genial! / Industrializou a esperança, / fazendo-a funcionar / no limite da exaustão. // Doze meses é suficiente para qualquer ser humano / se cansar e entregar os pontos. // Aí entra o milagre da renovação / e tudo começa outra vez, / Com outro número / e outra vontade de  acreditar / que daqui para diante vai ser diferente. // (Carlos Drummond de Andrade)

de c.z.

ps: mas não é drummond.

to live outside the law you must be honest

[sáb] 26 de setembro de 2009

Well, your railroad gate, you know I just can’t jump it / Sometimes it gets so hard, you see / I’m just sitting here beating on my trumpet / With all these promises you left for me / But where are you tonight, sweet Marie? // Well, I waited for you when I was half sick / Yes, I waited for you when you hated me /  Well, I waited for you inside of the frozen traffic / When you knew I had some other place to be / Now, where are you tonight, sweet Marie? // Well, anybody can be just like me, obviously / But then, now again, not too many can be like you, fortunately. //  Well, six white horses that you did promise / Were fin’lly delivered down to the penitentiary / But to live outside the law, you must be honest / I know you always say that you agree / But where are you tonight, sweet Marie? / Well, I don’t know how it happened //  But the river-boat captain, he knows my fate /  But ev’rybody else, even yourself / They’re just gonna have to wait. //  Well, I got the fever down in my pockets / The Persian drunkard, he follows me / Yes, I can take him to your house but I can’t unlock it / You see, you forgot to leave me with the key / Oh, where are you tonight, sweet Marie? //  Now, I been in jail when all my mail showed / That a man can’t give his address out to bad company / And now I stand here lookin’ at your yellow railroad /  In the ruins of your balcony / Wond’ring where you are tonight, sweet Marie. // Absolutely Sweet Marie / Bob Dylan

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aprendi hoje um pouco mais sobre nossas diferenças… de onde parte caio prado junior e de onde vem florestan fernandes. e sobre essas despedidas e caixas de bombons para outros dias. foi um bom sábado juntos.


contra el golpe militar, la lucha popular ya! abajo el fascismo!

[qua] 26 de agosto de 2009

contragolpe-popular

Llamamiento a la Acción Mundial contra el Golpe de Estado en Honduras

En Frente Nacional contra el Golpe de Estado, hace un llamado a todas las organizaciones y personas solidarias y comprometidas con la democracia en el Mundo, para que se sumen a la protesta contra la dictadura instaurada por la oligarquía hondureña en complicidad con los sectores internacionales más conservadores y fascistas.

El día 28 de agosto se realizarán en embajadas de los Estados Unidos al rededor del mundo, plantones de protesta con los siguientes objetivos:

1. Manifestar el rechazo de la humanidad al golpe de Estado militar llevado a cabo en Honduras el día 28 de junio de 2009.

2. Exigir el inmediato retorno a la institucionalidad democrática del país, que incluye la restitución incondicional del Presidente legítimo Manuel Zelaya Rosales.

3. Exigir el castigo a los violadores de los derechos humanos.

4. Denunciar el apoyo y la complicidad de organismos de inteligencia nortemearicanos en el Golpe.

5. Exigir de la presidencia de Estados Unidos, una posición contundente en contra de la dictadura de Micheletti. Que incluye la interrupción inmediata de todo tipo de cooperación Militar, diplomática y económica.

Tegucigalpa 24 de agosto de 2009

cinco. ou como dois e dois…

[dom] 26 de julho de 2009

Já são cinco horas da tarde. Garoa ali fora, quase não deixa ver a imensidão do mar ou das montanhas.. Acordei cedo hoje, algo em torno das oito. Acordei cheio de coisas por fazer, uma vontade clara e confusa no mesmo passo. Sei que há uma bagunça enorme ao meu lado, desde o quando acordo ao quando vou dormir. Não estou parado, tenho realizado algumas coisas importantes, pouco palpáveis, mas com seu significado e efeito. E terrivelmente um estranhamento teimoso me pede mais… Algo como “há milhões coisas por fazer e não posso ficar parado“. Que referencial “obtuso” é este? Parto então. E vamos ao ponto: por onde começar? o que é mais prioritário neste mundão de deus?

E como lidar, pois é claro, se não houverem recortes, com a necessária dosagem das frustrações devida a estes, não há avanço significativo. E continuarei por aqui. Entendeu?

Vamos lá, começando por arrumar o quarto que ‘tá uma bagunça há uns 5 dias – Exato quando voltei, e fiz questão de não habitar por cá. A hora é essa!

E das coisas de hoje, segue algumas:

de Louis A. Pérez Jr¹ e C. Wright Mills² em Ricardo Alarcón de Quesada³ :

Cuba ocupaba muchos niveles dentro de la imaginación norteamericana, frecuentemente todos a la vez, de ellos casi todos funcionaban al servicio de los intereses de Estados Unidos. La relación norteamericana con Cuba era por sobre todas las cosas servir de instrumento. Cuba – y los cubanos – eran un medio para alcanzar un fin, estaban dedicados a ser un medio para satisfacer las necesidades norteamericanas y cumplir los intereses norteamericanos. Los norteamericanos llegaban a conocer a Cuba principalmente por medio de representaciones que eran por completo de su propia creación, lo cual sugiere que la Cuba que los norteamericanos escogieron para relacionarse era, de hecho, un producto de su propia imaginación y una proyección de sus necesidades. Los norteamericanos rara vez se relacionaban con la realidad cubana en sus propios términos o como una condición que poseía una lógica interna o con los cubanos como un pueblo con una historia interior o como una nación que poseía su propio destino. Siempre ha sido así entre Estados Unidos y Cuba¹.”

Esa persistente resistencia a asumir a Cuba como era e ignorar su historia y realidad ha acompañado a ambas naciones durante toda su vida. Ese fue un inmenso obstáculo para muchos norteamericanos cuando tratan de comprender qué pasó en la Isla hace cincuenta años. No hubo muchos héroes intelectuales que trataran de saltar esa brecha.

Uno de ellos fue C. Wright Mills, un ser humano poco común, y uno muy ignorado y olvidado. Él incluso escogió hablar como si fuera un cubano en un magnífico libro, al que contribuyó un más joven Saul Landau. Permítanme recordarlo: “Estamos tan apartados que existen dos Cubas – la nuestra y la que ustedes se imaginan².”

de Caetano Veloso, entre inúmeras outras cantadas desafinadamente e bem alto pelos cômodos desta casa hoje…

e um trecho de Gerardo Hernández, um dos cinco heróis cubanos, preso nos Estados Unidos da América,

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¹ PÉREZ Jr., Louis A. “Cuban in the American imagination-Metaphor and the Imperial ethos”, The University of North Carolina Press, Chapel Hill, 2008, p. 22-23

² MILLS, C. Wright. “Listen, Yankee – the revolution in Cuba”, Ballantine Books, New York, 1969, p. 13.

³ QUESADA, Ricardo Alarcón de. “Cuba: La ignorancia imperial”. Cuba Socialista. Revista Teórica y Politica. <http://www.cubasocialista.cu/texto/000942485imp.html>. Acessacuban5_logodo em 26 de julho de 2009.

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