Archive for the '26' Category

é segunda e já parece sexta-feira.

[seg] 26 de março de 2018

OK. 23h59. acordado faz 36h.

exausto. monte de coisas para anotar, mas não quero.

estou apenas destruído.

 

***

Texto aborda está organizando em cinco tópicos, a saber:
1. Feynman e o ensino de física na década de 50 no Brasil
2. A línguística, uma ciência.
3. As aulas de português
4. A linguística na escola: sugestões
5. A linguística na escola e o português brasileiro.

Tópico 1 – Feynman e o ensino de física na década de 50 no Brasil

Neste tópico é articulada a figura Feynman, seu engajamento no ensino e valorização da ciências e suas intervenções críticas ao ensino de física no Brasil.

Richard. P. Feynman[1918-1988], físico americano, ganhador do Nobel de Física de 1965. É apresentado como “uma pessoa extremamente aventureira e provocativa”(p.14), que “levou a sério sua missão de rejuvenescer a física no Brasil” (p.14) ao fazer a dura crítica, mencionada abaixo. Tendo um atitude engajada em relação ao conhecimento científico, sua aquisição e ensino. Nas primeiras páginas é apresentada a sua noção de que o ensino de ciências ao jovens não deve objetivar questões práticas, tecnológicas ou políticas, mas para que estes vivenciem o “prazer de saber” (p.13), e é apresentada uma definição de “ciência como um entendimento do comportamento da natureza” (p.14) e que “investigar vale a pena porque podemos entender a natureza, e a nós mesmos” (p.15).

Mas no Brasil, ele constata, quando dos cursos ministrados na década de 1950, no Centro Brasileiro de Pesquisa Física, onde este faz uma crítica à cultura escolar/universitária brasileira, e que ele chama de “uma forma inútil de propagar a educação, onde os jovens se escondem atrás de uma “máscara”, uma pseudo-superioridade, numa competição individualista, fingindo saber, se recusando ao trabalho em grupo, mais preocupados em “decorar coisas” (p.15), do que “discutir dúvidas e analisá-las” (p.15), numa posição anticientífica. Nesse sentido o “Saber” é algo diferente de apenas “dispor de definições” distantes da realidade (onde se troca palavras por outras palavras) ou apenas decoradas.

Finalizando o tópico de introdução, é apresentado o mote do texto, um paralelo da crítica que Feynman faz ao ensino de física com o ensino de linguística/gramática na escola, que será apresentada nas próximas páginas, e o engajamento e valorização do ensino científico na escola, de se pensar cientificamente sobre os fenômenos.

Tópico 2 – A línguistíca, uma ciência.
Algumas ideias são abordas neste tópico:

O que é a linguística? Há um desconhecimento geral, mesmo entre pares, sobre o que é a ciência linguística, vista por uns como o saber de muitas línguas e/ou “de todas as regras da gramática normativa” (p.17), talvez por ser uma novidade, enquanto área de conhecimento, no Brasil, introduzida “nos cursos de letras” no final da década de 1960.

de acordo com Saussure, é uma “ciência que estuda as línguas naturais, as línguas que aprendemos sem instrução formal nos primeiros anos” de vida (p.18). É uma ciência natural. E seu caráter científico evidencia-se pelas fortes ligações com a psicologia, neurologia, teoria cérebro/mente, ciência da computação, lógica/matemática.

“Por que ensinar ciência?” (p.18). Duas linhas de raciocínio são apresentadas:
a) os argumentos de utilidade e de relevância social, ambos apontam para algo prático e util, para aplicações tecnológicas, que no caso, desembocam numa visão de que a linguística serve para “melhorar o desempenho da escrita e da leitura ou construir máquinas de tradução” (p.19); este mesmo raciocínio tem uma visão equivocada sobre o ensino da linguística, como se este pudesse ser empregado “no ensino da língua materna” (p.20). Equivocada porque além de utilitarista, ignora que uma “criança quando chega à escola, já têm pleno domínio da sua língua materna (…) a escola não ensina língua materna porque não há o que ensinar” (p.20)

b) “A ciência serve para nos deslumbrarmos com a natureza” (p. 20); pelo prazer de descobrirmos as coisas, mas é necessário empenho e tempo, estudar é uma tarefa árdua e necessária. “Mesmo numa ciência tão nova quanto à línguística, há um acúmulo de conhecimento e de técnicas que precisam ser aprendidos, e isso não é fácil” (p.20). E quanto ao ensino, “a linguística tem uma função, (…) ensinar uma segunda língua, a língua escrita (…) outra língua, com outra gramática p. 20)

Tópico 3 – As aulas de português

Apresenta um quadro (dados do PISA, ENEM, Provão com professores) das útimas décadas, sobre o domínio da língua escrita e da leitura no Brasil, que concordam com o diagnóstico de Feynman, nos anos 1950. “O fracasso das aulas de português no ensino médio e fundamental aparece também, como já dissemos, na nossa prática no ensino superior” (p. 21). Há uma falta de “familiaridade com a construção de argumentos, com o levantamento de hipóteses e conclusões” (p. 21). O problema em si não é a falta de adequação à norma culta e o domínio do sistema ortográfico, mas é linguístico, “os alunos que chegam à universidade têm um domínio de escrita e leitura abaixo do esperado: eles não sabem analisar e construir textos, argumentativos ou não, mesmo quando dominam o sistema ortográfico vigente” (p. 21). Eles são capazes de citar nomeclaturas da gramática tradicional, mas são incapazes de entender e identificar que se trata de uma metalinguagem e ao que ela se refere. (p22). “São incapazes de refletir sobre m fenômeno como a língua” (p. 22).

exemplo: acordo ortográfico
(a) cai o acento dos ditongos abertos das palavras paroxítonas.
“<ideia> e não mais <idéia>. poucas pessoas conseguem entender a regra, pois deconhecem os termos técnicos empregados (metalinguagem) e os poucos que entendem a regra têm dificuldade em aplicá-la porque, como bem identificou Feynmen, trocam o termo técnico por outras palavras, sem entender o que o conceito abarca, ou seja, não adianta saber que ‘paroxítonas’ são palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba se não soubermos aplicar o conceito, sem sabermos como ele foi instaurado e qual” (p.22) é o seu propósito – Aprender sem saber, para usar as palavras de Feynman. (p.23) Fora o aspecto comercial, isto demonstra a nos insegurança em relação à língua escrita.
O desafio é como apropriar-se do conceito de forma científica e não normativa?
“o ponto é: essa metalinguagem não pode ser aprendida como uma lista a ser decorada; ela precisa ser (re)inventada, o aluno precisa construir, descontruir e reconstruir essa metalinguagem para poder se apoderar dela.

Outro problema levantado: PCN e sua visao instrumental da gramática, onde a gramática normativa é vista como pronta e intocável, aplicável, exclusivo, ao texto escrito, numa visão anticientífica e pior, gera, pré-conceitos (p.23)

PROBLEMAS GRAVES
(i) a gramática normativa versa sobre a língua que não é a nossa (escrita) (…) O problema é o professor simplesmente não se dar conta que o aluno está aprendendo uma segunda língua, e para piorar, avalia como errada a língua do aluno, que não é a língua que ele (o professor) mesmo fala. (p.24)
(ii) a visão de língua perpetuada por esse tipo de gramática não contribui para um entendimento científico da linguagem humana – A linguística ao por a língua sob o foco naturalista pode contribuir para mudar esses estado de coisas. olhar científico permite entender a língua que falamos (e que somos) para aprendermos outras línguas. Essa visão naturalista nos dá ferramentas para entendermos as coisas, no caso, a língua, livre de preconceitos e imposições normativas. (p.26)
(iii) a gramática normativa está empreendada de preconceitos linguísticos – “nao há língua errada”. cientistas não ditam como a natureza deve ser, eles investigam como a natureza é. Mito da “língua errada”/”língua se deterioram”. Além do mito há questões de ordem ideológica: a língua do dominador é sempre a língua correta. (p.25) cícero, 50 a.c.
engendra um complexo de inferioridade em relação ao portuguÊs brasileiro (p.25)

Tópico 4 – A linguística na escola: sugestões

A linguagem é uma marca humana.
É um objeto natural e podemos estudá-la como tal. (p.27)
A linguística permite que as aulas de PTG tenham um direcionamento totalmente diferente do que normalmente vemos – que o professor se liberte da prisão de ter uma unica função que é ensinar a escrever e a ler

QUESTÕES
Como a linguagem surgiu nos humanos?
Quando ela surgiu?
Como sabemos isso?
Por que sabemos que não há linguagem em outros animais (embora eles tenham sistemas de comunicação)?
O que nos diferencia deles?
Como as crianças aprendem uma língua?
Como é a língua de sinais?
E as línguas inventadas, não apenas o Esperanto, mas o Klingon, o Dothraki e as línguas usadas em filmes, por que elas não são línguas naturais?
Como sabemos que a linguagem tem um componente inato?
Como surgiu o português brasileiro?
Como é o português brasileiro?

e as ideológicas…
Por achamos errado dizer ‘os meninos saiu’ e achamos normal o inglês ‘the boys left’?
o que faz de uma palavra um ‘palavrão’?
Por que alguns sotaques são considerados mais ‘bonitos’ e ‘corretos’ do que outros?

UMA CONTRIBUIÇÃO DA LINGUÍSTICA É NOS DEVOLVER A NOSSA LÍNGUA – para superarmos nosso complexo, e sobretudo INSTAURAR A REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE UM OBJETO DE ESTUDO QUE ESTÁ DISPONÍVEL PARA A ANÁLISE CIENTÍFICA. (p. 27)

O caso Maya Honda e Wayne O’Neil, o uso da língua para o ensino do raciocínio científico (p.27)
os alunos ‘fazendo o papel de linguistas’, desenvolvendo uma empreitada científica real.

A escola não pode ser um lugar de repressão, ainda mais com relação à língua, que é algo tão íntimo e tão cara à identidade pessoal e como grupo. (p.29)

ITEM 5. P.29. A linguistica na escola e o português brasileiro.

Ensinar o aluno a construir uma gramática usando o método científico (observar os dados, formular hipóteses, testá-las, refutá-las e assim construir a metalinguagem.

ex. ‘O João, beijo Maria’. Separa o sujeito do seu predicado com vírgula. é um erro, mas usá-lo como um dado na construção da gramática, não como algo a ser evitado. pois o aluno está operando um transplante da língua oral para a língua escrita. AUTOPERCEPÇÃO, SÃO LÍNGUAS DISTINTAS, COM GRAMÁTICAS DISTINTAS. p.30.

Nota que se trata de construir gramáticas; não é ensinar gramática, nem aplicar a gramática ao texto escrito. Esse texto exige um olhar crítico e a consciência sobre diferentes regras, diferentes gramáticas. Ele permite que as questões da escrita ganhem uma nova perspectiva: entender a gramática da escrita.

p.30 SINGULAR NU – nos diferencia de todas as outras língias românicas.
dificuldade dos professores inumerarem algumas caraterísticas do português brasileiro. “a concordância nominal obrigatória só no primeiro termo – (1) o meninos saiu (agramatical) – e a concordância verbal está tornando a presença do sujeito obrigatória”. “eu sai”, “você/ele/a gente/vocês/eles saiu”

p.31 “Quando pensamos em pôr a linguística na sala de aula – enquanto ciência – e acionar o nosso conhecimento linguístico para entender o português brasileiro, que é afinal a língua que falamos, julgamos que um dos aspectos mais importantes é restaurar o fascínio pela língua que falamos”. remete ao léxico “puta”. refletir a língua e suas sistematicidades.

Questões para entender a linguagem humana. -> como pontapé para vários tipos de atividades e converss: por que alguns grupos usam uma linguagem marcada? quais grupos usam esse item? Ele é usado no português europeu? como surgiu esse uso? De onde vem a palavra ‘puta’? Quais são as diferentes funções desse item na língua de quem o utiliza? qual é a metalinguagem que precisamos para descrever seus usos? p. 32/33
[Exemplo PUTA] P. 32. (a) puta como predicado nominal. ex.: médica/puta. (b) puta como interjeição. ex.: puts/puta. (c) intensificador (próximo ao adverbio muito). ex.: (6) esse é um puta (operando com advérbio) filme chato. (8) esse é um puta filme. “há algum outra palavra que faça isso, avaliar qualitativamente sem ser um adjetivo”. p.33

Exemplo do trabalho na escola. Potencializar no estudante os aspectos INVESTIGATIVO -> ANALÍTICO -> CONSTRUIR GRAMÁTICA. Hoje temos o processo que é EXPOSITIVO -> NORMATIVO > DECORA. P.34

“Não se trata de trazer a Linguística para ensinar a língua materna” (porque ela é inata, o aluno já domina), “mas para Oferecer um olhar científico sobre a nossa língua materna, para encará-la como um objeto natural, merecedor de um estudo sistemático e com ela construir uma gramática. p.34

[ corpora? ] qual é a regra (código de escrita) por trás de uma forma linguística? Exemplos: Num/não. O internetês. p.35
palavrões / puta

“Ensinar quanto a linguagem humana é fascinante, complexa e divertida. Usar isto como mote para arquitetar um ensino sobre a língua.” p.36
“A gramática não é algo dado, é uma construção (uma teoria) que realizamos para entender um objeto natural” p.36
“a Linguística pode e deve entrar na sala de aula, não para ensinar a ler e escrever, mas para das aos alunos um óculos naturalista com o qual olhar para a língua e assim nos libertar da gramática (que não é nossa, nem do aluno e nem do professor – ver NOLL)
“Não é função da linguística ensinar norma culta ou ler e escrever, mas despertar o interesse para a nossa língua, para as línguas naturais. E a reflexão crítica sobre essas línguas terá, acreditamos, reflexos positivos não apenas na leitura e escrita, mas na nossa identidade (DESDOBRAR/desfazer – a dignidade do indivíduo, o complexo de inferioridade, miopia no que ensinar). p.36

barbanchu, tartempion et falempin

[seg] 26 de fevereiro de 2018

#notas avulsas da manhã

acordo as quatro e pouco.

cochilo até cinco e pouco.

mateio. e me vou…

sala 241, cce.

estudos gramaticais…

e literatura portuguesa.

e oito anos depois de encerrar uma etapa, retorno para academia, para iniciar outra.

a leitura de Zelota: A Vida e os Tempos de Jesus de Nazaré vai bem fluida…

há um halo solar no céu, hoje.

*

[sex] 26 de janeiro de 2018

disciplina e silêncio.

e um estresse danado.

preliminar. boletim de desempenho…

[ter] 26 de dezembro de 2017

reflexões pós-natal sobre os hábitos cotidianos ao receber os parentes e amigos. mas vale para as coisas cotidianas da vida.

***

não espere de mim um mestre de cerimônias (raramente consigo ser), na maior parte do tempo com gente nova eu sou meio frio, meio idiota. demoro para chegar, para me soltar… sou um espectador.

e as vezes eu soou indiferente, gélido.  até distante.

mas para acessar uma parte significativa de mim… é preciso que o outro, ou o tempo me quebre. quebre meu gelo… me vença. me deixe nu.

no fundo é apenas uma timidez (re)inicial paralisante… é a minha parte mais entediante. eu canso, eu aborreço as pessoas.

***

ps: saiu o boletim. 51,40 (somando tudo…). há chances.

 

 

parada pedagógica – vícios e virtudes

[qua] 25 de outubro de 2017

foi um longo, mas um longo e proveitoso dia. o que é um fato um tanto raro nessas reuniões pedagógicas.

parcerias profissionais e afetivas e

trocas… complementariedade… plano de ação multi caminhando para interdisciplinar. não sei se estarei lá no próximo ano para implementar, mas levo esse momento comigo.

e o que me deu uma certa saudade das reuniões de laboratório de pesquisa, ou de centro acadêmico, ou de coletivo do m.e.

-> coisas comentadas… o que é ser estudante? local e global. territorialidade e identidade. multicultural. história de vida. autobiografia. portfólio, caderno de estudo. mapa socioeconômico e afetivo. leitura e interpretação…

coisas citadas ->

O Círculo. 2017 ‧ Drama/Filme de ficção científica ‧ 1h 50m. Direção: James Ponsoldt

 

 

 

Elysium. 2013 ‧ Drama/Filme de ficção científica ‧ 1h 49m. Direção: Neill Blomkamp
https://www.youtube.com/watch?v=6LUwv0in5eo

 

 

 

ps:

nota #1 – sobre trabalho/renda e compromissos… nada garantido ainda para ampliação temporária… por enquanto 20hs apenas como efetivo. enquanto a questões de dívida… a socialização de um colega me deixou mais tranquilo.

nota #2 – inscrevi-me num curso de comunicação digital para educadores… ead.

nota #3 – algumas coisas estão fluindo… articulação do grafite na escola… formação do núcleo do grêmio estudantil…

nota #4 voltar e editar (adicionar as tags e categorias). cansado demais para terminar agora.

me sinto um peixe fora do aquário…

[sáb] 26 de agosto de 2017

dados do dia:

a manhã foi de Dora. a tarde de Dorinha também… e dei uma mão para meu pai. essa noite será de faxina e/ou digitação das aulas. tantas faz.

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amanhã farei casinha para dora. prepararei aulas para semana. e o que eu decidi não fazer nessa noite

e sobre o futuro… sei nada não. apenas incertezas. mas estou leve…

e para registrar as canções bonitas… que ouvia pela manhã… desses seres que cantam demais.

Sem Nome Mas Com Endereço, por Liniker.
Elza Soares - Mulher do Fim do Mundo.
Letra e música de Romulo Fróes e Alice Coutinho.
Francisco, el hombre - Triste, Louca ou Má
Johnny Hooker (part. Liniker) - Flutua
Johnny Hooker - Amor Marginal
Liniker - Fim de Festa (Itamar Assumpção)
Paulinho Moska & Jorge Drexler - Lágrimas de diamantes
Liniker - Calmô

a morte do velho garapuvu e outras notas aleatórias de um dia dolorido

[ter] 25 de abril de 2017

notas curtas e aleatórias.

nota #1 um exercício poético sobre um velho garapuvu arrancado da terra e maré que avança sobre a areia e as rochas.

a maré é cheia / a árvore desabou / sinto-me / raízes pra fora / canoa sobre rochas / não há vento / não há areia / não há como respirar // e a rainha do mar vem buscar / a velha árvore morta / futura canoa ainda sobre a terra… / aguardando / germinando / escavando / o homem a ser navegado.

nota #2 pensamentos da tarde. observe a dor alheia, para não enlouquecer com a sua própria dor. observe a tua dor no tempo, para não enlouquecer aqui e agora.

nota #3 dor absurda na cabeça pela tarde. dor aguda no peito pela noite.

nota #4 cuidado para não caires naquela sensação de odiar todos e tudo o tempo todo. cuidado.

nota #5 esqueci meu guarda-chuva no ônibus/linha 267.

nota #6 chá de camomila e refresco de maracujá. só assim pra aguentar a dor de existir. só assim para respirar.

trainspotting

[qui] 26 de janeiro de 2017

«(Spoken):
Dr. No
From Russia With Love
You Only Live Twice
Goldfinger
Diamonds Are Forever
Thunderball
Never Say Never Again»

 damon albarn – closet romantic (trainspotting soundtrack) [1996]

***

o filme acabou. a música tá rolando…

e deu a vontade de registrar algo…

escrever hoje e editar os vários dias que ficaram no rascunho.

certo então!?

nada certo. última semana das férias… porque na próxima semana é aquela em que você começa a se organizar para voltar. porque fevereito chegou…

mas os feitos de um mês de férias, hein?… nada, vadiagem total, muito sorvete, um pouco de vinho, umas brejas, uma semana de antibióticos, muito tortéi, muita pizza. um bocado de conversa fiada, visita ao dentista, sete temporadas de jornada nas estrelas, um livro lido (teorema geral do esquecimento – eduardo agualusa ), cinco filmes e mais duas séries… pouca vitamina d. dermatite intensa. eu literalmente tirei férias em janeiro.

***

26/1 transpotting, sem limites. um puta filme. surreal e trash. o sotaque escocês. a cena do vaso. o bebê e as alucinações com o bebê (duas impressões… chocante e fake). nota 9,5

26/1 clube de compras dallas (dallas buyers club). matthew mcconaughey em ossos. a cena de jared leto vomitando sangue. embarguei na cena que ron chega no hospital e rayon não está mais no quarto. bonito filme. nota 9,0

26/1 o homem que viu o infinito ( the man who knew infinity). sobre srinivasa ramanujan. jeremy irons e dev patel estão bem. é um filme bonito, mas falta algo… nota 7,0

24/1-26/1 primeira tempora, 16 episódios, outlander. a premissa é surreal, mas se tu embarca… é até interessante. viagem mística no tempo… highlanders e ingleses no séc. xviii.  é uma série com passagens fortes, bem eróticas… a ideia do narrador é interessante. é bonita esteticamente, mas no desenvolvimento é por vezes arrastada; fiquei tentando comparar as vestimentas do exército inglês com a série frontier. nota 7,0.

23/1 o roubo da taça… jules e dolores. a premissa… o roubo da taça do tri. um filme hilário… e o mais absurdo que é que a parte mais engraçada é baseada em fatos reais. peralta, o gringo, a dolores ótimos… só o finalzinho achei que ficou um furo. nota 9,5.

23/1 6 episódios, primeira temporada. frontier. a premissa é interessante… gostei da idéia de apresentar índios e ingleses, no séc. xviii. mas o desenvolvimento é fraco. e em algumas momentos abusa da paciência… como as recorrentes visitas de declan harp à grace emberly. nota 5,0

5/1-22/1 mais de 170 episódios. 7 temporadas… uma imersão na enterprise. me senti voltando no tempo… vinte anos no tempo. foi bom compartilhar essa jornada com jean-luc picard e cia.

4/1 synchronicity – só posso dizer, que apesar de tudo, i like. nota 7,0.

4/1 chaos on the bridge – documentário sobre star trek – the next generations. depois de um doc sobre spock (for the love of spock, direção de adam nimoy) e outro sobre as/os capitães de star trek… mais um documentário de shetner, este é mais interessante que the captains.

o homem na parede

[dom] 26 de junho de 2016

na escuridão do meu quarto… Haish Shebakir (O homem na parede). 2015, Israel. Direção de Evgeny Ruman. the_man_in_the_wallThe-man-in-the-wall-2-750x506

 

 

 

 

 

Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível. 2015, EUA. Direção de Brad Bird.tomorrowland-2015-poster-raffey-cassidy

 

 

 

 

 

Begin Again (Mesmo se nada der certo). 2014, EUA. begin-again-2014-dan-mulligan-gretta-james-for-once-in-my-life-we-need-to-dance-mark-ruffalo-keira-knightley-reviewDireção de John Carney.begin-again-poster

 

 

 

 

 

Gravity (Gravidade). 2013, EUA/Reino Unido. Direção de Alfonso Cuarón. Gravity

 

 

 

 

 

Copenhague. 2015, Estados Unidos/Canadá/Dinamarca. Direção de Mark Raso. Copenhagen-03

 

 

ibn sīnā

[qui] 26 de maio de 2016

the physician, um bom filme… fiquei pensando em como utilizá-los nas aulas.

«conhecido como seu verdadeiro nome Ibn Sīnā ou por seu nome latinizado Avicena, foi um polímata persa[3] [4] [5] [6] que escreveu tratados sobre variado conjunto de assuntos, dos quais aproximadamente 240 chegaram aos nossos dias. Em particular, 150 destes tratados se concentram em filosofia e 40 em medicina

e ri e me emocionei nessa comédia escocesa sobre odin… o que fizemos no último feriado…

 

o homem duplicado

[sáb] 26 de março de 2016

aquela aranha enorme… e «o caos é a ordem ainda indecifrada»

***

«quando esta atividade interna é cortada de repente, e você se encontra sozinho, na escuridão, é como… não esperava por isso. do que se trata? o que farei de agora em diante? eu acredito que nós controlamos nosso ambiente… ahhmm, vejamos, bem… na maioria das vezes, controlamos nosso ambiente, decidimos ir a algum lugar. mas uma vez que nos estabelecemos, eu acho que o nosso meio-ambiente começa a cobrar da nossa personalidade e dos hábitos e da maneira como pensamos no dia a dia. Somos criaturas sociais e precisamos interagir com outras pessoas… é por isso que nossos relacionamentos são tão importantes, tão cruciais para a nossa existência. porque se você não falar com ninguém, não interagir com ninguém, seu próprio senso da realidade fica muito distorcido.» 25’45” – 26’58”  220px-Angels_&_Airwaves_-_Love_film_posterLove (2011) 1h24min Drama, Sci-Fi. Diretor: William Eubank

***

outros filmes visto na maratona… chuva, cama, chocolate…

 

 

 

MoonPoster

Moon (2009) Reino Unido 1h37 min. Drama, Sci-fi.
Diretor: Duncan Jones

 

 

 

 

 

 

downloadThe Imitation Game
(2014)
1h54 min. Drama.
Diretor Morten Tyldum

 

 

 

 

Mission_to_Mars

Mission to Mars (2000) 1h54 min. Drama.
Diretor Brian De Palma

 

 

 

 

 

 

download (1)

The Age of Adaline (2015) Drama/Romance/Fantasia. 1h50min. Diretor Lee Toland Krieger

 

 

 

 

 

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Enemy – O Homem Duplicado (2013) Suspense. 1h30 min. Diretor: Denis Villeneuve

***

e parece que a chuva vai passar…

nhe’engatu

[qua] 26 de agosto de 2015

#1h19′ porque as vezes eu me esqueço… e dou de cara no chão.

  • do que falei outro dia: a língua geral e outras.
  • a língua...
  • take it easy my brother charlie… take it easy meu irmão de cor. jorge e o rappa.
  • preciso fazer aquela lista dos teus livros…
  • montar o grupo de trabalho, agilizar a eleição do conselho, dar aquela força para o grêmio estudantil…
  • noutro dia fiz 83 anos. me rachei de rir com os comentários (virtuais)… e foi bonito esse meu aniversário. com direito a bolo e festa ‘roubada’ no campeche no primeiro minuto do dia vinte um. alunos tocando parabéns pra você com acompanhamento de batera e guitarra… mais mousse e desenho de alunas.

e no mais… vou deixar a vida me levar… vida leva eu… salve salve zeca.

#1h42′ um fragmento citado…

“A televisão atual difere muito daquela que alimentou a subjetividade dos que hoje têm mais de quarenta anos, por exemplo, porque os usos que ela suscita são outros; portanto, a criança contemporânea que vê televisão difere daquela que se sentava na frente do televisor há um par de décadas. Já não se trata de observar, escutar, receber e interpretar mensagens em gêneros específicos e bem definidos – além de ordenadas conforme o ciclo de princípio, meio e fim -, transmitidas de maneira estável e sem a mediação do controle remoto, com horários preestabelecidos e emissão claramente descontínua. 

Ao contrário, a televisão atual emite um fluxo de informações fragmentadas e dispersas, para cujo consumo o zapping – ou a troca acelerada e consecutiva de canais graças ao controle remoto – constitui um elemento fundamental. Por isso não se trataria exatamente de um meio de comunicação, como se costuma dizer, mas de mais um nó nas prolixas redes contemporâneas de informação. Pode parecer sutil, mas é enorme a diferença entre essa agitação ininterrupta da atualidade e os formatos estruturados dos gêneros infantis mais tradicionais, como os contos, as histórias em quadrinhos, os filmes e as cantigas.”

Paula Sibilia, Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão, 2012, pp. 84-85.

#..h..’

 

 

tomando notas: in a society that profits from your self doubt, liking yourself is a rebellious act

[sex] 26 de junho de 2015

pela tarde:

você percebe que há algum estresse no seu universo quando você está na frente da pessoa e dá um branco: como é o nome dessa criatura? e a memória falha. essa semana esqueci o nome de mais de uma dezena de pessoas que convivo quase diariamente na escola.

outros pontos importantes: estou cá a preencher o calendário de reposição… que desorganização, não minha, do estado e da escola. que me faz trabalhar mais, porque fiz isto já uns 3 vezes no mínimo… me paga muito mal e ainda quer pagar menos, sem falar que sistematicamente destrói a educação… ps: pensei isto ontem quando voltava para casa.

e que bosta de sistema. mas ai tu sabe, sociologicamente sacando tudo isto, que não é falha do sistema… é a seletividade que se dá na aparente desorganização, omissão, silenciamentos… o que parece uma falha não é. é proposital… essas contradições.

e pus meu barco na direção… navegando na cruzada contra a heterossexismo, racismo e machismo na escola. este é o foco. tudo sem esquecer o recorte de classe.

e anoto aqui porque estou a perder papeis de anotação:

fechar projeto com Ana Rita – cultura. URGENTE.

fechar questionário com Valério – cultura/migração/identidade/juventudes

fechar blogue de sociologia com referencias aos grupos do fb – das turmas. centralizar lá aulas e materiais.

fechar diários.

fechar sítios e cartilha do conselho deliberativo escolar. fazer reunião urgente. Montar mural e propor espaço de formação.

fechar projeto de VII Concurso de Cartazes do NIGS/UFSC

fechar projeto com os primeiros sobre o SENSO COMUM/RELIGIÃO/CIÊNCIA – Mural sociológico.

e cuidado para não ficar doente.

faça uma revisão na sua bike, pedale. beba mais água e se divirta bicho. Vá ao FAM!

 

qual é o seu signo?

[ter] 26 de maio de 2015

meus horários estão ao avesso… é nas madrugadas que fico acordado.

domingo para segunda passei a madrugada acordado na ocupação… jogando war e depois conversando – de onde sai o título acima – e para finalizar a manhã, escrevi por aqui, desde lá. hoje, em casa… chovendo… com dificuldade de me resolver…

sai de lá pensando em te ligar ou deixar um recado. porque falei de você para algumas pessoas… porque entranhadamente você vai sempre estar bem profunda em mim. mas, como tenho sentido dificuldade de dar um passo… foi assim naquele última dia que estive ai, em sua casa, quando aprendi a jogar war… e tu me leu poemas de drummond… e tocou aquela melodia triste de mercedes sosa… e ai eu travei. sai pensando em só voltar quando tu me chamasse… mas dai pensei que tu esperava mais de mim e que tu também estava cheia de outras coisas acontecendo ao mesmo tempo… e ai pensei e pensei… e o tempo foi passando… e entrei em greve, e ai me isolei do mundo… e ai mergulhei na ocupação… e ai… que o tempo voa. e tenho pensando tanto tem ti nos últimos dias… mas me pergunto porque sou desta forma tão assim cheio de dificuldades de avançar e desencanar e ser mais aberto e carinhoso…

mas sou este homem instável. que mais machuca do que acarinha…

abaixo imagens do dia.

eu continuo em greve. e quando acho que estou melhor, vem um anjo triste perto de mim…

nos últimos dias da ocupação, talvez pela conjuntura política, eu senti uma baixa na auto-estima… foi uma semana muito desgastante… de vitórias e de derrotas. eu amadureci muito em poucos dias, mas ainda tenho minhas dificuldades… queria ser diferente… queria avançar e não recuar tanto em tão pouco tempo. preciso de uns dias só.

 

 

greve

ocupa

what’s going on

[qui] 26 de fevereiro de 2015

17h15. hoje estou lento. vontade de coisas práticas. vontade de não pensar. limpei o que podia limpar na casa… e até agora enrolo-me para mexer nos papéis. o único compromisso inadiável são as três entradas em sala para repetir a mesma aula. estou no piloto automático.

ontem, no começo do dia estava animado. no final da noite… meio triste e cansado.

hoje, acordei – ou melhor, para ser preciso, fui acordado – duas vezes bem no meio da parte mais gostosa do sonho. no primeiro momento era meu primo querendo uma mochila emprestada, meio sonolento indiquei onde estava e perguntei que horas eram… 6h30. apenas virei para o lado e me entreguei nos braços de morfeu. as 9h30 era maria izabel… dessa vez não pude voltar. mas o sonho era tão incrível, e talvez por ter acordado no meio dele, ficou comigo bom parte do dia… era mais ou menso assim:

estava eu em berlim (se era não sei ao certo… ), ladeávamos um rio… andando. e era minha segunda visita à cidade. acho que era carnaval ou algo assim… sei que era dia de festa. e havia estado na virada de ano por lá – eu cometei isto com alguém dentro do sonho. e eu não falava nem alemão, nem inglês… falava um português diferente e bonito. e acordei enquanto falava francês ao ouvido de alguém. não era um sonho erótico, mas havia um quê de sedutor na iluminação das ruas à noite e na cena toda… uma rua, um mercado – destes tipo posto de gasolina ou mercadinho de filme… a luz da iluminação da noite/ou amanhecer ou final de tarde/ era um incrível tom de verde hera/abacate com amarelo âmbar. e andava com pessoas agradáveis vestidas de vermelho. senti no sonho a mesma sensação de bem estar que me animou o dia de ontem pela manhã, algo do tipo… uma sensação de clareza e realização. de estar bem. ainda estou com aquela vontade de voltar ao sonho.

17h41. mas agora ‘bora tomar banho e ir para escola. pois ainda há três aulas até as 22h.

mas antes de ir além… duas canções do dia:

e vamos com calma. respeitando o tempo da vida. o que é para ser… faremos e assim será.

mi viejo

[seg] 26 de janeiro de 2015

enquanto che anima-me… vai rapaz, acorda e levanta-te. brote vivo desta tua vida semi-morta de agora, e lute com e por todo o amor deste mundo contra o que faz este mundo doer.

«y si se nos dijera que somos casi unos románticos, que somos unos idealistas inveterados, que estamos pensando en cosas imposibles y que no se puede lograr de la masa de un pueblo el que sea casi un arquetipo humano, nosotros tenemos que le contestar, una y mil veces que sí, que sí se puede y tiene que ser así y debe ser así y será así, compañeros.» che guevara. extraído do documentário Che, um homem novo (Che, un hombre nuevo), de Tristán Bauer.

e de fundo, alfredo zitarrosa, com seu adagio em mí pais

en mi país, que tristeza, la pobreza y el rencor. / dice mi padre que ya llegará desde el fondo del tiempo otro tiempo / y me dice que el sol brillará sobre un pueblo que él sueña / labrando su verde solar. / En mi país que tristeza, la pobreza y el rencor. / tú no pediste la guerra, madre tierra, yo lo sé. / dice mi padre que un solo traidor puede con mil valientes; / él siente que el pueblo, en su inmenso dolor, / hoy se niega a beber en la fuente clara del honor. / tú no pediste la guerra, madre tierra, yo lo sé. / en mi país somos duros: el futuro lo dirá. / canta mi pueblo una canción de paz. / detrás de cada puerta está alerta mi pueblo; / y ya nadie podrá silenciar su canción / y mañana también cantará. / en mi país somos duros: el futuro lo dirá. / en mi país, que tibieza, cuando empieza a amanecer. / dice mi pueblo que puede leer en su mano de obrero el destino / y que no hay adivino ni rey que le pueda marcar el camino / que va a recorrer. / en mi país, que tibieza, cuando empieza a amanecer. / en mi país somos miles y miles de lágrimas y de fusiles, / un puño y un canto vibrante, / una llama encendida, un gigante / que grita: ¡adelante… adelante!

****

minhas notas soltas pelo papéis na casa:

#1

eu espero pelo amanhã.
mas então eu nunca chego.

#2

anteontem e ontem, dois dias inúteis.
cheirando a tédio profundo.

#3

e todo projeto é um anti-projeto. é uma desculpa para não começar o que não se sabe.

#4 [NOTA ADICIONAL – FEITA 11/4/2018 – MOTIVO: EXCLUSÃO DA PÁGINA BONIGARAPUVUPOESIAS – REGISTRO DOS COMENTÁRIOS/MENSAGENS AFETIVAMENTE RELEVANTES:  21:04 {pi} Boni garapuvu / Que saudade de tu. 

 

a árvore da vida…

[sex] 26 de dezembro de 2014

fiz uma tatoo. a árvore de darwin.

vamos limpar o porão?

[qua] 26 de novembro de 2014

13:55

lotado. exausto… necessitando vazar desta carcaça. ando dormindo tarde e acordando cedo, ou seja, ando com o tempo todo tomado por demandas alheias, d’outros… estou sentido aquela vontade de ficar um bocado em silêncio, solito... ou de dormir mais um pouco e acordar sem a pressão para isto ou para aquilo ou sendo cobrado por chegar atrasado neste ou faltar naquele compromisso que esqueci completamente…

mas vamos lá… embora para o grupo de teatro – dar o suporte, chegar no horário, viabilizar – e depois para os encontros em sala na busca da recuperação de notas… mas sobretudo na busca do diálogo… e fechar essa tonelada de médias

ps: esse sistema burocrático em que vivemos é asfixiante.

***

23:55

ontem, na reunião do conselho deliberativo na escola…

onde eu ia cheio de esperança de encontrar o embrião de um núcleo de ação…

entre uma fala e outra… ia viajando, e o diretor puto porque, como ele diz, eu choro demais. ou seja, na opinião dele falo muito sobre coisas distantes e faço pouco. mas não concordo com essa avaliação – as coisas vão caminhando… mas sei que essa implicância evidência divergências de base ideológica e sei que, propositalmente, estou tocando em questões que são problemáticas para ele, para a gestão dele, como: transparência das ações e mobilização da comunidade. enfim, estou a pegar no pé dele.

e minhas falas evidenciam este meu incomodo com essa institucionalidade formal que desdemocratiza a comunidade… e ao mesmo tempo não visualiza que é preciso viajar… sonhar mais alto. meu desconfortável choro dialoga com minha viagem; meu desconforto diante do conformismo alheio, da desarticulação, de um centralismo autoritário são motivados pelo desejo transformar a aridez diária da escolarização sob a hegemonia do capitalismo, que fragmenta e individualiza os sujeitos…

**

mas não era bem isto que queria dizer quando comecei este adendo a postagem. o pensamento surgiu durante a reunião e era assim: eu sou um copiador. não invento nada novo.

e isto não é negativo. pois talvez esteja ai o sentido, a graça de ser essa coisa inacabada e rolante pelo mundo… talvez ai esteja o dom, a dádiva, que é fazer circular ideias que são boas. e sigo tentando replicar coisas que aprendi no convívio com outros e que sensibilizaram-me… então não inventar nada novo não é o que te faz menos, mas sim mais… absorver e resignificar práticas e ideias que motivam a viver, que nos dão um sentido humanizante… ir na busca, na tentativa de aprender a replicar que aprendemos e construímo-nos enquanto o novo…

se não invento a ideia, busco coletivamente inventar ações sobre as ideias boas que estão ai… porque, longe do determinismo absoluto ou do subjetivismo niilista… a vida é dialética… e «nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará… A vida vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo… Tudo muda o tempo todo no mundo». Aloha.

mapas urbanos

[dom] 26 de outubro de 2014

plantei um pé de caqui.

votei nulo. pt venceu. psdb perdeu… e os fascistas estão soltos.

e depois de meses arrumei a bicicleta e pedalei 4 km.

***

e há qualquer coisa cá assim:

«Sei dos caminhos // Composição: Alice Ruiz e Itamar Assumpção // Sei dos caminhos que chegam, sei dos que se afastam / Conheço como começa, como termina o que faço / Só não cheguei como chegar / Ao nosso próximo passo // Ontem, meu bem, contei até cem / Hoje já não sei / Hoje já não sei // Ontem, meu bem, contei até três / Hoje eu só pensei /Hoje eu só pensei / Sei que me encontro sozinho / Sei também quando me acho / Sei tudo o que você acha / O buraco é mais embaixo / Foi um achado te achar / Perdido acho diacho / Meu bem, porque não vens que tem / Ontem eu pensei / Ontem eu pensei…»

e

«Dor Elegante // (Itamar Assumpção e Paulo Leminski) / Um homem com uma dor / É muito mais elegante / Caminha assim de lado / Com se chegando atrasado / Chegasse mais adiante / Carrega o peso da dor / Como se portasse medalhas / Uma coroa, um milhão de dólares / Ou coisa que os valha / Ópios, edens, analgésicos / Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra / Sofrer vai ser a minha última obra…»

***

citação de fundo: «Antes o atrito que o contrato»

a quem interessar possa

[sex] 26 de setembro de 2014

perdi o texto. ele falava sobre a rotina. a decisão de faltar logo mais ao curso. como esta decisão gerará um efeito nocivo, psicologicamente falando. e como isto é recorrente, revelando todo um processo de auto-sabotagem e frustração. manifestando uma dificuldade de lidar com as contradições da vida… e causas são  profundas…

essa falta tem relação com dificuldade de acordar cedo, mas sobretudo com o não conseguir realizar a tarefa obrigatória, e acumularem-se as atividades de dois cursos nesta sexta-feira, e nesta quinta-feira, minha folga, eu ter dedicado a auxiliar as obras na casa… enfim, não fiz, não farei, nem dá tempo, faltarei, e terei que aguentar as consequências – emocionais disto – e que posso tentar… mas se não der… não era.

lembrei de um fragmento do texto que perdi: «é uma terra arrasada, ruínas, um deserto e silêncios»

lembrei de uma fala de caio fernando abreu: a quem interessar possa

«Eu não tenho culpa. Não fui eu quem fez as coisas ficarem assim desse jeito que não entendo, que não entenderia nunca. Você também não tem culpa, vou chamá-lo de você porque ninguém nunca ficará sabendo, nem era preciso, a culpa é de todos e não é de ninguém. Não sei quem foi que fez o mundo assim horrível, às vezes quando ainda valia a pena eu ficava horas pensando que podia voltar tudo a ser como antes muito antes dos edifícios dos bancos da fuligem dos automóveis das fábricas das letras de câmbio e então quem sabe podia tudo ser de outra forma depois de pensar nisso eu ficava alegre quem sabe quem sabe um dia aconteceria mas depois pensava também que não ia adiantar nada e tudo começaria a ficar igual de novo no momento que um homem qualquer resolvesse trocar duas pedras por um pedaço de madeira porque a madeira valia mais e de repente outra vez iam existir essas coisas duras que vejo da janela na televisão no cinema na rua em mim mesmo e que eu ia como sempre sair caminhando sem saber aonde ir sem saber onde parar onde pôr as mãos os olhos e ia me dar aquela coisa escura no coração e eu ia chorar chorar durante muito tempo sem ninguém ver é verdade tenho pena de mim e sou fraco nunca antes uma coisa nem ninguém me doeu tanto como eu mesmo me doo agora mas ao menos nesse agora eu quero ser como eu sou e como nunca fui e nunca seria se continuasse me entende eu não conseguiria não você não me entendeu nem entende nem entenderia você nem sequer soube sabe saberá amanhã você vai ler esta carta e nem vai saber que você poderia ser você mesmo e ainda que soubesse você não poderia fazer nada nem ninguém eu já não acredito nessas coisas por isso eu não te disse compreende talvez se eu não tivesse visto de repente o que vi não sei no momento em que a gente vê uma coisa ela se torna irreversível inconfundível porque há um momento do irremediável como existem os momentos anteriores de passar adiante tentando arrancar o espinho da carne há o momento em que o irremediável se torna tangível eu sei disso não queria demonstrar que li algumas coisas e até aprendi a lidar um pouco com as palavras apesar de que a gente nunca aprende mas aprende dentro dos limites do possível acho não quero me valorizar não sou nada e agora sei disso eu só queria ter tido uma vida completa elas eram horríveis mas não quero falar nisso podia falar de quando te vi pela primeira vez sem jeito de repente te vi assim como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais porque de repente vi outra vez e outra e outra e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces não me importo de ser vulgar não me importa o lugar-comum dizer o que outros já disseram não tenho mais nada a resguardar um momento à beira de não ser eu não sou mais tudo se revelou tão inútil à medida em que o tempo passava tudo caía num espaço enorme amar esse espaço enorme entre mim e você mas não se culpe deixa eu falar como se você não soubesse não se culpe por favor não se culpe ainda que esse som na campainha fosse gerada pelos teus dedos eu não atenderia eu me recuso a ser salvo e é tão estranho o entorpecimento começa pelos pés aquela noite eu ainda esperava quase digo sem querer teu nome digo ou escrevo não tem importância vou escrevendo e falando ao mesmo tempo com o gravador ligado é estranho me desculpa saí correndo no parque e me joguei na água gelada de agosto invadi sem ter direito a névoa dos canteiros destaquei meu corpo contra a madrugada esmaguei flores não nascidas apertei meu peito na laje fria do cimento a névoa e eu o parque e eu a madrugada e eu costurado na noite cerzido no escuro porque me dissolvia à medida em que me integrava no ser do parque e me desintegrava de mim mesmo preenchendo espaços aqueles enormes espaços brancos terrivelmente brancos e você não teve olhos para ver que o parque era você a água você a névoa você a madrugada você as flores você os canteiros você o cimento você não teve mãos para mim só aquela ternura distraída a mesma dos edifícios e das ruas mas eles me desesperavam você me desesperava eu não quero falar nelas mas elas estão na minha cabeça como os meus cabelos e as vejo a todo instante cantando aquela canção de morte a minha carne dilacerada e eu ridículo queria ter uma vida completa você não se parecia com Denise tinha os olhos de mangaba madura os mesmos que tive um dia e perdi não sei onde não sei por que e de repente voltavam em você nos cabelos finos muito finos finos como cabelos finos ‘minto que me bastaria tocá-los para que tudo fosse outra vez mas não toquei eu não tocaria nunca na carne viva e livre eles me rotularam me analisaram jogaram mil complexos em cima de mim problemas introjeções fugas neuroses recalques traumas e eu só queria uma coisa limpa verde como uma folha de malva aquela mesmo que existiu ao lado do telhado carcomido do poço e da paineira mas onde me buscava só havia sombra eu me julgava demoníaco mas não pense que estou disfarçando e pensando como-eu-sou-bonzinho-porque-ninguém-me-ama eu me achava envilecido me sentia sórdido humilhado uma faixa de treva crescia em mim feito um câncer a minha carne lacerada estou dentro dessa carne lacerada que anda e fala inútil a carne conjunta das xifópagas e o vento um vento que batia nos ciprestes e me levava embora por sobre os telhados as cisternas as varandas os sobrados os porões os jardins o campo o campo e o lago e a fazenda e o mar eu quero me chamar Mar você dizia e ria e ríamos porque era absurdo alguém querer se chamar Mar ah mar amar e você dizia coisas tolas como quando o vento bater no trigo te lembrarás da cor dos meus cabelos você não vai muito além desses príncipes pequenos suas palavras todas não tenho culpa não tenho culpa eram de quem pedia cativa-me eu já não conseguiria bem lento eu não conseguiria eu não sei mais inventar. a não ser coisas sangrentas como esta a minha maneira de ser um momento à beira de não mais ser não me permite um invento que seja apenas um entrecaminho para um outro e outro invento mesmo a destruição tem que ser final e inteira qualquer coisa tem que ser a última uma era inteira e a outra nascia da cintura e existia só da cintura para cima como um ipsilone mole esponjosa uma carne vil uma carne preparada por toda uma estrutura de guerras epidemias pestes ódios quedas eu me sentia culpado ao vê-Ias assim nosso podre sangue a humanidade inteira nelas que não riam e cantavam aquela sombria canção de morte brutalmente doce elas cantavam e minhas costas doíam como se eu sozinho as sustentasse e não uma à outra mas eu eu com este sangue apodrecido que assassina crianças de fome droga adolescentes bombardeia cidades e também você e todos nós grudados indissoluvelmente grudados nojentos mas me recuso a continuar ninguém sofrerá por mim sem mim chorar ninguém entende nem precisa nem você nem eu o anel que tu me deste sobre a folha que me contém sem compreender sem compreender que você carrega toda uma culpa milenar e imperdoável a História como concreto sobre os teus meus nossos ombros Cristo sobre nossos ombros todas as cruzes do mundo e as fogueiras da inquisição e os judeus mortos e as torturas e as juntas militares e a prostituição e doenças e bares e drogas e rios podres e todos os loucos bêbados suicidas desesperados sobre os teus meus nossos ombros leves os teus porque não sabes sim sim eu tenho culpa não é de ninguém esse desgosto de lâmina nas entranhas não é de ninguém esse sangue espantado e esse cosmos incompreensível sobre nossas cabeças não posso ser salvo por ninguém vivo e os mortos não existem a fita está acabando começo a ficar tonto a dormência chegou quem sabe ao coração talvez eu pudesse eu soubesse eu devesse eu quisesse quem sabe mas não chore nem compreenda te digo enfim que o silêncio e o que sobra sempre como em García Lorca solo resta el silêncio un ondulado silêncio os espaço de tempo a nos situar fragmentados no tempoespaçoagora não sei onde fiquei onde estive onde andei nada compreendi desta travessia cega a mesma névoa do parque outra vez a mesma dor de não ser visto elas gritam sua canção de morte este sangue nojento escorrendo dos meus pulsos sobre a cama o assoalho os lençóis a sacada a rua a cidade os trilhos o trigo as estradas o mar o mundo o espaço os astronautas navegando por meu sangue em direção a Netuno e rindo não não quebres nunca os teus invólucros as tuas formas passa lentamente a mão do anel que eu te dei e era vidro depois ri ri muito ri bêbado ri louco ri ate te surpreenderes com a tua não dor até te surpreenderes com não me ver nunca mais e com a desimportância absoluta de não me ver nunca mais e com minha mão nos teus cabelos distante invisível intocada no vento. Perdida a minha mão de espuma abrindo de leve esta porta assim.
(In “O Inventário do Ir-remediável”)

o decreto de morte dos cadernos de campo e outros deveres

[qua] 26 de março de 2014

7:32. A água vai acalentando. O dia é fresco e úmido. E eu estou me sentindo cansado, um pouco triste e contrafeito… Pensando em como construir esse segundo bloco de atividades para o primeiro bimestre para que seja mais tranquilo e eu não me sinta como ontem, quando estava exausto, sentindo-me o mais solitário dos solitários e extremamente irritado ao final da noite – com todos e principalmente comigo mesmo – que a frase era: “se arrependimento matasse… teria morrido umas 200 vezes nessa semana”. E olha que era apenas terça-feira. Mas o mais incrível é como a minha desorganização mais confunde os outros do que me ajuda. Ela me desajuda. Algumas lições: simplifique; seja mais objetivo e direto; reduza o trabalho ao mínimo necessário… suma.

8:31 Esse negócio de ser professor em tempo integral é cansativo. Esse negócio de caderno de campo é muito trabalhoso e é o último ano que adoto. Animo rapaz! O sol chegou. O mate está quente. E a Mª luiza não para de falar aqui do lado – e eu, pensando: será que dou atenção? ou publico isto aqui? ou trabalho no material dos alunos?… ‘Bora fazer deveres criatura.

 

efetivo paquetá!

[ter] 26 de novembro de 2013

ansioso demais. dormi de menos. nem acordei. nem dormi. nestes dias de escolha de vagas ou provas são os momentos de reencontro do povo universitário… outros momentos, velhos momentos… brevíssimos reencontros… depois voltamos para a vida escolar. e só vamos nos encontrar nas manifestações… mas é com um peito contento que encontro, abraço, cumprimento cada camarada. enfim, escolhi a vaga, será que acertei? não sei. só o tempo dirá. efetivo, 20 horas. lá no rio vermelho… e vida será um eterno vai e volta. mas fica aquele gosto… sai dessa toca mané, volta a viver… ¡revolucionate muchacho!

mas são tantas dúvidas… tantos poréns e afins pense bem

estou neste momento nesta transição de explorado temporário para explorado efetivo. que alívio. que sufoco. ganha pão (mais ou menos) ok; dívidas e organização comunitária-familiar (mais ou menos) ok; teto (mais ou menos) ok; relação com filha (mais ou menos) ok; saúde (mais ou menos) ok; e preciso de tantas coisas ainda… um coração para o homem de lata, esse leão medroso… tão espantalho descerebrado.

e há tantas, muitas pacas…

o reggae

[qui] 26 de setembro de 2013

‘tá ai seis páginas para ler uma penca de diários para finalizar uma pilha enorme de provas para avaliar e uma madrugada longa pela frente
enfim quinta-feira chegou e é novo dia… dia importante para avançar mais um passo.
anotações do cotidiano:

#1tu passa horas preparando, estudando, organizando algumas aulas e quando chega a hora por motivos alheios a tua vontade elas não funcionam e uma aula bacana bem estruturada torna-se um emaranhado de turmas ao mesmo tempo e tudo que cê faz é não dar aula… vira tudo tempo arrastado, tumultuado. isto me deixa frustado.
#2 tu já se pegou naqueles momentos sádicos-masoquistas em que toda uma exploração de dor e revolta aflora em ti e tudo que você quer é que o outro sinta o mesmo, a mesma mágoa, a mesma dor, o mesmo sofrimento… é uma cegueira absurda que impede que tu perceba que o fato de sofreres deveria ser condição mais que suficiente para tu cessar qualquer ato violento contra qualquer outro ser. mas não vira uma metralhadora de palavras amargas, e cada verbo lançado ferozmente contra o outro visando faze-lo sofrer é ao mesmo tempo um buraco ainda maior no teu peito, um sofrimento auto-infligido. hoje percebi isto acontecendo entre duas pessoas, não era eu, mas sei que faço isto às vezes. isto me deixou triste.
#3 eu me enrolo demais…

#4… Não mais que de repente pego-me cantando em sala de aula esta canção: o reggae, da legião urbana.

Ainda me lembro aos três anos de idade
O meu primeiro contato com as grades
O meu primeiro dia na escola
Como eu senti vontade de ir embora

Fazia tudo que eles quisessem
Acreditava em tudo que eles me dissessem
Me pediram para ter paciência
Falhei
Então gritaram: – Cresça e apareça!

Cresci e apareci e não vi nada
Aprendi o que era certo com a pessoa errada
Assistia ao jornal da TV
E aprendi a roubar pra vencer
Nada era como eu imaginava
Nem as pessoas que eu tanto amava
Mas e daí, se é mesmo assim
Vou ver se tiro o melhor pra mim.

[solo]

Me ajuda se eu quiser
Me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui

Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
No meio das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado
Quantas crianças Deus já tinha matado.

Beberam meu sangue e não me deixam viver
Tem o meu destino pronto e não me deixam escolher
Vem falar de liberdade pra depois me prender
Pedem identidade pra depois me bater
Tiram todas minhas armas
Como posso me defender?
Vocês venceram está batalha
Quanto à guerra,
Vamos ver.

Link: http://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/o-reggae.html#ixzz2fxqR1QyR

olha a minha cara de clint eastwood

[seg] 26 de agosto de 2013

Você não está indo para lugar nenhum. Você está perdido! Você está indo embora! …Você não está vendo que está entre a vida e a morte?! Acorda para dentro!”.

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Chuva Interior

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.

Mário Chamie

direto do filme via lactea

***

“se eu entendesse tudo que sinto, viver seria tão previsível“. a frase não é minha, mas traduz-me tanto nestes tempos. e a sacada acima, do título, também não é minha… é do mesmo filme Surf Surf (Wellington Sari, 2012).

***

Hoje dediquei um tempo à leitura das coisas de Volodia. [ps: uma tarefa após finalizar essa biografia: reler toda obra poética, ao menos].

um trecho de “A nuvem de calças”:

Silêncio.
O universo dorme colocando sobre a pata,
com garra de estrelas,
a enorme orelha.

***

chego em casa e minha porta está escancarada, totalmente aberta. ninguém lá. não há mais a separação entre interior e exterior, é tudo um grande espaço vazio. nesse tempo que passou eu perdi algo… e acordo-me de uma canção de dias atrás… “acontece que já não sei mais amar (…) acontece que meu coração ficou frio”¹. e eu nem sei por quê me sinto assim…

¹cartola.

***

e obrigado por pensar em mim.

aulas de sociologia

[dom] 26 de fevereiro de 2012

Ah… Sexta-feira foi uma emoção. Primeira aula do professor aqui na escola em que cursei do meu ensino fundamental, da 5ª a 8ª série. Comecei com duas aulas faixa para um primeiro ano, isto me deu uns 70 minutos. Tinha uns vinte e cinco estudantes, mas parecia que tinha bem mais. Fiquei satisfeito, o tempo foi bom, fiz o que pretendia. Na terceira aula, de uns 30 minutos, cai num segundo ano de pouquíssimos alunos… mas três alunos do fundão me incomodaram muito. Foi a menor e a pior turma. Na quarta aula, após o intervalo, trabalhei com o terceiro ano. Turma pequena, o trabalho foi razoável. Na última aula de sexta-feira, cai na segunda turma do primeiro ano, com uns 35 minutos só para dar aula, e esta foi difícil de domar… Vou ter trabalho pela frente.

E depois uma cerveja, uma mariscada e uma descontraida para relaxar o estresse pós-aula e pré-aula, já que eu estava bem ansioso para começar. Agora que já começou e já vi o que funcionou e o que não funcionou estou mais tranquilo.

E sábado choveu, aproveitei para ficar mofando o dia todo… só reagi agora pouco, lá pelas 22… estudando e planejando aulas. Estou contente comigo mesmo, estou me sentindo bem.

frontera

[seg] 26 de dezembro de 2011

El sur del sur.

00:23 Juno.

14:09 O que esperava? Sei não. Uma fantasia, um medo, uma raiva… Ouvindo as luzes da aurora e acordo. Será que acordo? Então… Encerrar por enquanto um ponto e começar a traçar as outras novas frases… Outras vontades. Solidão, aqui estão minhas credenciais. Venho chamando a tua porta há um tempo já… E pergunto-me qual a fundura deste fundo que meto-me dia após dia… Onde chegar? Hoje, dia vinte e seis. Amanhã vinte e sete. Coisas para janeiro como pintar a casa de tangerina, nuvens e limão; por flores no teto; colorir as portas; resistir a exploração cotidiana; e sair, visitar, misturar-me.

16:46 Vinho. Jazz. Um sofá, algumas páginas e uma tarde vadia me aconchegam. Acostumo-me a estar só. E dou-me conta que passei os dois últimos anos esperando… Esperando, tendo esperança no peito de, dias melhores. 2011 foi tão claro-escuro. 2010 foi tão desacelerando. 2009 foi tão terapêutico. 2008 foi tão tátil. 2007 foi tão profundo. 2006 foi tão visceral. 2005 foi tão novo. 2004 foi tão dolorido. 2003 foi aprendendo. 2002 foi escapando. 2001 foi reanimando. 2000 foi nascendo-morrendo. 1999 foi chorando. 1998 foi apaixonando-se. 1997 foi a tanto tempo atrás…

17:11 Mira, yo aquí me bajo, yo dejo el tren en esta estación. Me asusta, tu guerra, menos que el alto el fuego en tu corazón… Linda, cuando vos quieras, dejo este amor donde lo encontré. En tren con destino errado se va más lento que andando a pie… Mi zamba será sincera. Será, creo, para bien, y no será porque quiera, que estoy dejando marchar tu tren. Mira por la ventanilla, verás mi rostro alejándose. Hay quien dice que el camino te enseña cosas; yo no lo sé. Mi zamba se irá contigo, tendrá una buena razón… Y yo en este andén vacío viendo alejarse mi corazón. EL ALTO FUEGO. Jorge Drexler

o homem elefante

[ter] 26 de julho de 2011

ontem foi dia importante e de visitas. neste último mês senti-me só, mesmo estando perto dos meus. em agosto começarão as aulas e a rotina mudará. espero ter paciência e coragem para cursar umas poucas disciplinas… uma na agronomia e duas na pedagogia e escolher o que vou cursar nos próximos anos. paulo volta em breve – quarta para ser preciso e ficarei sem pc, já que estou usando o dele neste mês que ficou fora. estou terminando a leitura de mais um livro e é tão gostoso isto. meu coração segue ainda recluso, apesar de me serem tão caros os carinhos dela. tenho feito jardinagem, algumas colagens e um pouco de pintura… e nenhuma poesia fiz nestes últimos meses.

e aos poucos acostumo com a casa. aos poucos vou me permitindo olhar novamente lá para frente e até me imagino onde e como… mas ainda não sei quem. não sei quem.

fissão-fusão-fissão

[ter] 26 de abril de 2011

«fiquei triste hoje… queria tanto apertar o reset e ir dormir tranquilo» «é? mas acho que tinha que ter mais botões» «quais?» «é, não precisa… dar format c: em mim já bastava» «para mim bastava o reset para o dia de hoje» «eu utilizaria mais vezes. ‘tou tão sem energia. moral baixa e espiritualmente triste» «eu vou dormir. boa noite!» «noite! que tudo fique mais claro logo mais…»

la tregua

[ter] 26 de outubro de 2010

na margem esquerda a trégua…

[texto ficcional-fragmento feminino]
porque o amor é isto. um pão. tu vinhas de um casamento. irias embora. não eras dali. eu tinha hora marcada. queria futuro. e assim como chegastes, levantei, e desci da lotação. não sei seu nome. apenas alguns fragmentos, e delirios sobre o mundo. está ali. linha por linha dizendo o que a cabeça não consegue pensar. o entrecruzar de sentimentos. de pernas e olhos. fugimos então de novos reencontros pois o peito arde. eu mulher, e ela entrou. pedia informação e tentava orientar-se. era toda desorientação, suas mãos, seus olhos, sua mala, seu corpo. sabia eu o gosto das lágrimas dela. eramos dois velhos amigos, ou ex-futuros amantes. pensei em como te encaixarias no meu quadril, como enroscarias nas minhas pernas grossas, e como sorverias-me. qual gosto teriam teus lábios. mas eu gozava em todas suas entradas, eu dava o que podia dar. meu prazer de despedida. e saia de mim um jato de despedida, amargo, cruel. pagou o tiquete e rolou a catraca. com grande dificuldade pelo seu excesso de bagagem. o cobrador quis ajudar, e esbocei um gesto que interrompeu-se no ar, já que não foi preciso. mas ela notou-me. não que eu fizera isto buscando sua atenção, foi apenas um gesto involuntário, um daqueles tiques culturais de cortesia. gosto de ler o que escrevi há um certo tempo. tudo isto me diz o quanto já não sou mais o mesmo ao passo que sou o mesmo. e desde a ultima vez que passeis horas beijando no portão até amanhecer não devorava ninguém. e tua pele negra colada à minha, dava-me o ar, que gostaria de encontrar mais vezes, de domínio e sedução. o mesmo tolo. o mesmo garoto buscando o desconhecido. naquela noite meu peito ardia e eu não a queria, e ela ali, me pedia um pouco mais de alguém que eu já não era. acompanhei-na até sua casa, transamos como um rito de despedida. havia uma certa paz em nosso diálogo, e um tumulto em nossos corpos. ela entendia-me, não aceitava, mas queria-me mais. te recordas quando ficamos horas sobre o cais, ao balanço do mar e nossos olhos refletiam-se enquanto o mundo evaporava. o mar refletia as estrelas de uma noite sem lua. e ela não sossegou e sentou-se ao meu lado. tinha um livro na mão. logo, de canto de olho, identiquei que era algo sobre a educação. educação e arte. eu devora adorno. ouvi sua voz buscar-me. eu aguçava seu desejo. “não aguentaria viajar mais sem perguntar-te, como podes ler assim?”. fomos bons amigos, trocamos impressões. eu estava bebado. bem alto, eu lembro, ou melhor. lembro pouco. brincavamos, provocativamente, nos tocando, apalpando-nos. e tu, tão branca estavas de vestido preto. senti teu lábios lançados sobre os meus e quando pisquei os olhos, três horas depois, estava no teu quarto deliciosamente nu sobre tua cama sendo devorado por ti. como é dificil gostar de você, tão silênciosa. como é dificil não gostar de você. sempre tive um olhar limitado quando se trata de coisas reais, e contraditoriamente, um olhar vasto nas coisas da imaginação. solitário. te entregavas aos meus olhos. traias alguém – como outras trairam outros enroscadas em mim. eu te traia em cada estocada. eu me reconhecia, aprendiz, e te amava mais.

matilda

[qui] 26 de agosto de 2010

falta 16 minutos para lotação e terá que haver um banho (de gato talvez?) para o pé na rua rolar… e a frase não sai da cabeça: “matilda… olha a cama de gato… no campo do adversário é bom jogar com muita calma… para poder ganhar”. acompanha-me uma porção de documentos, quatro compromissos e uns olhos vermelhos e ardidos de apenas três horas de sono. mas o humor está aceitável hoje, bem diferente do “foda-se tudo” de semanas – semanas sem fins – atrás. talvez seja o sono que não deixe o ânimo resvalar e de tal forma desandar para algum buraco sem fim. e digredindo isto tanto me fez lembrar alice. queria-te alice, ler. mas e daí… 9 minutos agora.

geraldinos e arquibaldos // gonzaguinha // mamãe não quer, não faça / papai diz não, não fale / vovó ralhou, se cale / vovô gritou, não ande / placas na rua, não corra / placas no verde, não pise / no luminoso: não fume / olha o hospital, silêncio / sinal vermelho, não siga / setas de mão, não vire / vá sempre em frente, nem pense / é contramão! // cama de gato / olha a garra dele / é cama de gato / melhor se cuidar / no campo do adversário é bom jogar com muita calma / procurando pela brecha pra poder ganhar! // é  cama de gato / olha a garra dele / é cama de gato / melhor se cuidar / no campo do adversário é bom jogar com muita calma / procurando pela brecha pra poder ganhar! // acalma a bola, rola a bola, trata a bola, limpa a bola que é preciso faturar! / e esse jogo ‘tá um osso, é um angu que tem caroço / e é preciso desenrolar! / se por baixo não tá dando, é melhor jogar por cima / oi, com a cabeça dá! // você me diz que esse goleiro é titular da seleção / só vou saber mas é quando eu chutar! / você me diz que esse goleiro é titular da seleção / só vou saber mas é quando eu chutar! // matilda, matilda! / no campo do adversário é bom jogar com muita calma / procurando pela brecha pra poder ganhar! // matilda, matilda! / no campo do adversário é bom… com muita calma / procurando pela… pra poder ganhar! / matilda, matilda! / no campo do adversário é bom jogar com muita calma // procurando pela brecha pra poder ganhar!

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