Archive for the '22' Category

se e somente se

[sáb] 22 de abril de 2017

se somente se…

p ↔ q
(p → q ) e (q → p)
p se e somente se q.
p se e só se q.
se p então q e se q então p.
p somente se q e q somente se p.
p é condição suficiente para q e q é condição suficiente para p.
q é condição necessária para p e p é condição necessária para q.
todo p é q e todo q é p.
todo p é q e reciprocamente.

 

mamihlapinatapai

[qua] 22 de fevereiro de 2017

o2h24 notas para um poema. nosso diálogo sem palavras. nossos gostos por indicação. você me aponta um poema. eu sinalizo minha fascinação… pelos versos escritos nos desnudamos. sem uma única palavra. con-versamos.

02h27 acordar cedo. ir na escola ver ampliação da carga horária. 8 turmas/16 aulas = 2 tardes. se fechar está ótimo. por enquanto seguem 3t/3a=1manhã e 12t/22a=5noites.

2h45 mamihlapinatapai… «Una mirada entre dos personas, cada una de las cuales espera que la otra comience una acción que ambas desean pero que ninguna se anima a iniciar»

3h48 devia estar dormindo. estou fritando aqui. vem sono… chega perto e me leva para bem longe daqui. que amanhã cedim… a vida urge.

8h22 acorda, levanta… nada de soneca/cochilo

9h03 mate pronto. cabeça zonza. olhos pesados.

10h45 ok. +8, começo dia 24, sexta.

13h00 canais ok. microcirurgia necessária agendada. depois do carnaval serão pontos e repouso, até domingo 5/2. espero que dê tudo certo.

13h53 tahine ok, agora é só fazer o babaghanoush. comprei um quilo de esmeralda, para provar; parece ser mais suave que a canarias. e alguns saches de earl grey para provar.

15h55 rolo pra treino indoor em mãos.

23h45. morrendo de sono, quase dormindo no busão, no terminal… por dois minutos perdi o busão das 22h25. lembrar de soltar a galerinha 22h15 no máximo. calcular melhor a distância/tempo entre sala de aula – sala dos professores – ponto de ônibus. mofei 40 minutos no terminal. é desproporcional 40/2.

 

próspero – somos feitos da matéria dos sonhos

[dom] 22 de janeiro de 2017

duas notas para ver depois

nota #1 The Tempest, Act IV, Scene 1.

Prospero. You do look, my son, in a moved sort,
As if you were dismay’d: be cheerful, sir.
Our revels now are ended. These our actors,
As I foretold you, were all spirits and 1880
Are melted into air, into thin air:
And, like the baseless fabric of this vision,
The cloud-capp’d towers, the gorgeous palaces,
The solemn temples, the great globe itself,
Ye all which it inherit, shall dissolve 1885
And, like this insubstantial pageant faded,
Leave not a rack behind. We are such stuff
As dreams are made on, and our little life
Is rounded with a sleep. Sir, I am vex’d;
Bear with my weakness; my, brain is troubled: 1890
Be not disturb’d with my infirmity:
If you be pleased, retire into my cell
And there repose: a turn or two I’ll walk,
To still my beating mind.

William Shakespeare

Nossos festejos terminaram. Como vos preveni,
eram espíritos todos esses atores;
dissiparam-se no ar, sim, no ar impalpável.
E tal como o grosseiro substrato desta vista,
as torres que se elevam para as nuvens, os palácios altivos,
as igrejas majestosas, o próprio globo imenso,
com tudo o que contém, hão de sumir-se,
como se deu com essa visão tênue,
sem deixarem vestígio. Somos feitos da matéria
dos sonhos; nossa vida pequenina
é cercada pelo sono.

Tradução Nélson Jahr Garcia

***

nota #2 Forbidden Planet Official Trailer #1 – Leslie Nielsen Movie (1956) HD

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Estados Unidos / 1956 • cor • 98 min / Direção Fred M. Wilcox / Produção Nicholas Nayfack / Roteiro Cyril Hume, Irving Block, Allen Adler / Elenco Walter Pidgeon, Anne Francis, Leslie Nielsen, Warren Stevens, Jack Kelly, Richard Anderson, Earl Holliman, Frankie Darro, George Wallace, Robert Dix / Género ficção científica / Música Bebe Barron, Louis Barron / Direção de arte Cedric Gibbons, Arthur Lonergan / Efeitos especiais A. Arnold Gillespie, Joshua Meador, Warren Newcombe, Irving G. Ries, Doug Hubbard / Figurino Walter Plunkett / Cinematografia George J. Folsey / Edição Ferris Webster / Companhia produtora Metro-Goldwyn-Maye

fobia social

[qui] 22 de dezembro de 2016

só para registrar…

#1 dois dias acordando envolto em reminiscências/restos de sonhos ainda vivos na consciência… que logo se perdem. talvez seja esse tempo abafado… ou a minha dificuldade em respirar nestes ultimos dias…

#2 ultimo dia de compromisso de trabalho – ir à formatura. não acho meu sapato… minha barriga está enorme, e as camisas estão apertadas. nestes momentos recordo de como não curto compromissos sociais… este é um déficit na minha formação: me sinto absurdamente preso em situações assim (e similares, como casamentos, funerais, formaturas, festas etc.)

#3 vendo o telejornal agora… e sacando, o que saquei ano passado na ultima greve de profs, que o governo/burguesia não só está atropelando os trabalhadores, mas esmagando-nos, até não sobrar nada além do bagaço… e se pá, eles vão até triturar o nosso bagaço.

mas é natal…

que bosta.

 

 

escape…

[ter] 22 de novembro de 2016

Tracklist:
1. Blue Swede – Hooked On a Feeling (@0:00)
2. Raspberries – Go All the Way (@02:52)
3. Norman Greenbaum – Spirit In the Sky (@06:13?)
4. David Bowie – Moonage Daydream (@10:15)
5. Elvin Bishop – Fooled Around and Fell In Love (@14:57 ? ?)
6. 10cc – I’m Not In Love (@19:31)
7. Jackson 5 – I Want You Back (@25:35)
8. Redbone – Come and Get Your Love ( @28:35??)
9. The Runaways – Cherry Bomb (@31:58)
10. Rupert Holmes – Escape (The Pina Colada Song) (@34:15)
11. The Five Stairsteps – O-O-H Child (@38:52)
12. Marvin Gaye & Tammi Terrell – Ain’t No Mountain High Enough (@42:06)

***

Hi dude, how’s it going?

contradições monstras habitando essa pele. um curto circuito neural… impulsos para todos os lados. os astros dizem que é o sol na casa sete enquanto a lua habita a casa quatro. vai saber… talvez seja a minha angustia de olhar para fora e ver um amontoado de coisas tão complicado de se organizar… e olhando bem, a fuga do domingo seja um sintoma disto… até a trilha sonora escolhida… a temática romantica-juvenil… a distância das coisas concretas por esses dias… essa vida de peter, hein?!

é… as coisas não vão bem por esses dias.

quando você vai sair disto?

inicio da primavera e a contra-reforma da educação

[qui] 22 de setembro de 2016

ontem, no final do dia fui na upa (de canas) e tomei uma doce na veia de antiinflamatório. e do meu recorrente pavor de agulhas… pela primeira fez meu braço tremia.

hoje, não fui no ato-assembleia fecha a ponte.

fiquei em casa curtindo minha dolor.

e é o inicio da primavera,

e da contra-reforma da educação

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quiche

[sex] 22 de julho de 2016

senta, uma média e uma quiche. espera…

depois tu conta… verpoema

 

dia de despedida.

mockingjay

[dom] 22 de maio de 2016

«you love me.
real or not real?

teve um pesadelo?
eu também tenho pesadelos.
um dia, vou explicar pra você. por que eles acontecem, por que nunca acabarão.
mas vou te contar como sobrevivo a isso. faço uma lista na minha cabeça de todas as coisas boas que vi alguém fazer. qualquer pequena coisa de que me lembre. é como um jogo. faço isso repetidamente. ficou meio chato depois de todos esses anos, mas… há jogos muito piores de se jogar.» the hunger games – mockingjay part 2

 

***

dia um

[seg] 22 de fevereiro de 2016

23h31 na estrada…. exausto. o mais bonito desse meu oficio são as pessoas. mas aquela máxima, de que o inferno são os outros, vale também. reencontrar, abraçar, cumprimentar… conhecer gente nova…  ainda há estudantes e profs bacanas. gosto dessa energia da sala de aula.

coisas de maria joão

[ter] 22 de dezembro de 2015

uma caminhado ao por do sol de três km.

abraços e desejo de boas festas!

coisas de maria joão:

Esotérico // Não adianta nem me abandonar / Porque mistério sempre há de pintar por aí / Pessoas até muito mais vão lhe amar / Até muito mais difíceis que eu pra você / Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, / todos iguais / Até que nem tanto esotérico assim / Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais / Mistério sempre há de pintar por aí / Não adianta nem me abandonar (não adianta não) / Nem ficar tão apaixonada, que nada / Não sabe nadar / E morre afogada por mim /  Gilberto Gil.

e pela frente será outra caminhada de três km… pela começo da madrugada.

***

 

e a gente celebra a despedida. uns que chegam do nada, outros que estavam ali e agora se achegam, outros que partem… outros nos acompanharão até logo ali… outros para nunca mais. a lembrança de alguns nos transporta no tempo… outras no suspende – há dor, há saudade, há carinho, há mea culpa… há uma parte boa nesse oceano.

e é com esses outros que percebo o quanto estou só.  é sozinho que volto para casa… sozinho é que sei, ser outro não sei. esses trinta e três são só casca… sou apenas um sábio de cinco anos de idade, repleto de seus medos e de alguns sonhos. e quem tiver a chave… que decifre o quanto meu verbo pode delirar.

solstício

[ter] 22 de dezembro de 2015

#1 as vezes é uma canção; noutras um foto… um texto… e é como se abrisse um brecha no espaço tempo e voltasse para outro momento. algumas lembranças são dolorosas. isto que para abruptamente, fica suspenso e não tem fim.
mas o tempo continua sua jornada. eu apenas não sei dizer o que será…

#2 o solstício agora e eu não sinto a noite mais curta do ano.

um homem chora

[ter] 22 de setembro de 2015

título: exercício sobre o trem (ou um homem chora)

um vagão após o outro
de quadro a quadro
como um fotograma
que grava na retina
as lágrimas alheias,
os pássaros em bando,
essa gente amontoada,
esse caminho que se esvai no tempo…

o poeta, co’o corpo espremido,
e o peito apertado entre
tantas gentes e destroços…
imprime verbo a verbo,
em cada gráfico signo,
um sentido nesse movimento
de partidas e chegadas…

extraí o sal de prata,
e o que fica retido,
o que torna a película
ocular sensível…

é o instante em que:
na última hora do sol,
pelo janela,
um bando avoa
borrando o arrebol.

e ao acaso,
deste ocaso,
do outro lado,
no último vagão do trem,
(só, e entre tantos,)
um homem chora.

22/julho – 22/setembro.

nuestra intención ya no fué más que un viejo recuerdo…

[qua] 22 de julho de 2015

karamazovnão li quase nada de dostoiévski. mas senti vontade de ficar colando imagens bacanas com fragmentos de textos também bacaninhas. *** li um pouquinho mais de boas… «Qualquer pessoa que tenha vivido com tribos primevas, que tenha partilhado as suas alegrias e tristezas, as suas privações e abundâncias, que veja nelas não apenas objetos de estudo a serem examinados, como células a um microscópio; mas seres humanos pensantes e com sentimentos, concordará que não existe uma ‘mente primitiva’, um modo de pensar ‘mágico’ ou ‘pré-lógico’, mas cada indivíduo numa sociedade ‘primitiva’ é um homem, uma mulher, uma criança da mesma espécie com o mesmo modo de pensar, sentir e agir que qualquer homem, mulher ou criança da nossa sociedade. – Franz Boas, prefácio de Arte Primeva, 1927 [1938].» franzBoas-hilo e abaixo um comentário… [ps: eu expressei essa ideia mais de uma centena de vezes ao longo de minha formação enquanto cientista social e professor de sociologia, mas em nenhuma delas com essa síntese bacana, quase poética, como neste comentário do colega Julio Gothe «Vale registrar que provavelmente o primeiro a dizê-lo (que padrões éticos não devem ser vistos como universais, mas como estilos de enfrentamento ao cosmos) foi o próprio Boas, que foi quem “inventou” o conceito de culturas, assim com o plural e sem o C maiúsculo. Antes dele só havia Cultura contra Selvageria, a Europa versus o Mundo, dicotomias calcadas em um Evolucionismo cultural de cunho pseudo-Darwiniano (ver Gobineau, Tylor, Morgan, Spencer, etc.). Mas o relativismo de Boas é como a relatividade de Boas, ou seja, há sim um valor que é intercultural: a solidariedade ou o respeito à diferença (que ele chama de Herzenbildung – o cultivo do coração). Nesse sentido é que somos iguais, não por sermos idênticos em gênero e grau, mas por fazermos parte de um conjunto de mesmo valor, a humanidade. Em todos os grupos humanos há pessoas com o coração cultivado e pessoas com o coração selvagem, conforme suas próprias circunstâncias.» *** mauss link para o vídeo: Mauss Segundo Suas Alunas; Video realizado pelas Profas. Dras. Carmen Silvia Rial e Miriam Pillar Grossi, respectivas coordenadoras do Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem (NAVI) e do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS), vinculados ao Laboratório de Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).   *** ps: anotei mais um fragmento de poesia,que não consegui concluir hoje. estou sentindo-me mais afiado… preciso tomar cuidado com o que sai de minha boca. ps 2: rever meus territórios. meus hábitos. minha sina. compor um novo fado. e por energia em coisas que façam sentido e despertem meu corpo… chega dessa espera. e como disse o poeta, quedar-se sem dívidas sentimentais – se é que é possível. acho que chegou a hora de ter aquela conversa com meu primo e: ou ele resolve aceitar a ajuda e vai buscar acompanhamento médico para a dependência ou vaza da minha casa. há outras notas… mas ficam para outro dia.

não se mate, e eis…

[qua] 22 de abril de 2015

começou a chover! E anoto duas notas desta jovem madrugada. uma ouvida, e que me faz sentido; e a outra, achada, pela minha dificuldade de grafar as palavras…

NOTA #1 – Poema de Carlos Drummond de Andrade

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam, .
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

ANDRADE, Carlos Drummond de. “Brejo das almas”. In:_____. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

*

NOTA #2 – Fragmento de Clarice Lispector, por Wagner Moura.

***

NOTA DE RODA PÉ: E eis que a vida me chama… Pessoas deixam recados… Uns pedem ajuda, outros me convidam… Outros apenas necessitam conversar… E  chegadeficarenrolandosenapropriacaudacomoumcaosemdonoesemsaidaousemdestinoperdidoemsimesmo.

Amanhã/logo mais/ haverão compromissos. Ir na escola, ir no ato, participar do comando… voltar a ser coletivo. Vamos, sr. Vagner, não se mate! Se distribua, como puder e da forma que puder.

ps: lista para leituras futuras: grande sertão veredas e o homem revoltado.

 

o isso de mim

[dom] 23 de novembro de 2014

00:45 acabei de devorar a última panqueca – que fiz agora há pouco – com chimia de uva. mas isto não é nada demais e nem mereceria uma postagem… mas quando resolvo adentrar a rede social, depois de fazer a checagem básica de sítios e leituras, e me deparar com isto que segue transcrito abaixo não há como não parar tudo que faço, abrir o painel de edição e adicionar um novo post – na ânsia de registrar essa ideia, e essa sensação ao lê-lo – o poema que ao passar por mim desloca cada molécula do meu organismo… e para mim faz todo o sentido porque o sinto. mas antes de fechar esta postagem, abro um parêntese (para comentar de forma sintética o meu cotidiano dos últimos dias… ando a dormir pouco por estes dias e a trabalhar imensamente e essas coisas de rotina seguem bem rotineiras… nada de novo no fronte. só o pôr do sol deste sábado, que avistei enquanto regava as plantas, e essa sensação de admiração e gratidão ao meu velho pai. e é isso… a grana vai curta, o corpo anda exausto, o ser segue recluso sentimentalmente… mas a vida segue, movimenta-se) e fecho o parêntese. segue poema abaixo e até qualquer hora. cambio. desligo.

Canto III – Hilda Hist

«Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo. Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.

Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso?
Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.»

***

22h15 Para fechar o domingo… tevê, mais tevê e pizza. O planejamento era descansar o corpo dolorido e mofar  na frente da tevê nesta domingueira- depois de quinta-feira, sexta e sábado trabalhando como operário da construção civil, reformando casa onde mora filha… e na sexta-feira acumulando ainda o trabalho vespertino-noturno de professor. preciso fechar notas e diários hoje, ainda… mas enquanto não começo anoto algumas coisas bonitas e interessantes do dia.

Depois de assistir, a final da copa davis vendo a suiça de roger federer ser campeã, o gp de abu dhabi da f1 vendo o lewis hamilton ser bicampeão… entre a sessão tripla de star wars:

# blackbird – paul mccartney e outras canções em chaos and creation at abbey road;

# o documentário atlântico negro – na rota dos orixás de renato barbieri;

# e da série do canalbrasil luz, anima, ação“, do episódio “publicidade“, coisas como sinfonia amazônica de anélio latini filho;

# e no mesmo canal o documentário “o mercado de notíciasdirigido por jorge furtado.

 

‘hace tiempo, mí amor que mi voz suena apagada…’

[qua] 22 de outubro de 2014

Joven Poeta // CantautorXoel López / Joven poeta que no puede dormir / Descansa la cabeza en sus palabras / Derrama la tristeza en cada verso / Joven poeta que duele al sentir / Su mundo alrededor / Su guerra empezada / Su guerra acabada / Bésame en la noche más oscura / Y acaríciame con tus versos tristes / Y haz sangrar para mí tu pluma / Hasta que todo haya terminado / Y haz sangrar para mí tu pluma / Hasta que todo haya comenzado / Joven poeta que ve pasar el tiempo / El sol y la luna / La ira y la calma / La ira y la calma / Joven poeta que ama la vida / Descansa su arma / Y vuelve mañana / Y vuelve mañana / Descansa su arma / Y vuelve mañana / Y vuelve mañana / Bésame en la noche más oscura / Y acaríciame con tus versos tristes / Y haz sangrar para mí tu pluma / Hasta que todo haya terminado / Y haz sangrar para mí tu pluma / Hasta que todo haya comenzado…

e

… E VOLVENDO…

Ver En La Oscuridad // Xoel López  // Siempre, siempre buscando fotos del mañana que acabarás olvidando por ser de ayer. / Bebe, bebe las gotas que caen hoy de esta rama y fíjate bien para no caer. / Y si miras, si miras hacia arriba, ten cuidado, puedes tropezar y te puedes caer. / El sol, el sol sale para todos, el sol sale para todos, y para todos se oculta también. / Si, ay, si te quedas, si te quedas un rato esperando, verás que vuelve a amanecer. / Y si miras, si miras hacia arriba, ten cuidado, puedes tropezar y te puedes caer. / Y si miras, si miras hacia abajo, ten cuidado, el vértigo de los días pasados. / Y si miras, si miras hacia arriba, ten cuidado, puedes tropezar y te puedes caer. / Y si miras, si miras hacia abajo, ten cuidado, el vértigo de los días pasados. / Morir es aprender a esperar y vivir, vivir es aprender a ver en la oscuridad… //

e mais… e mais…

La Boca del Volcá’ por Xoel López
Parando el trafico‘ por Xoel López, junto a Lola Garcia Garrido y Sergio Moran.
Tierra’ por Xoel López
A un metro de distancia’ por Xoel López + Eladio (DE ELADIO Y LOS SERES QUERIDOS)
No puedo vivir sin ti’ por Coque Malla + Anni B Sweet
Stand by me’ por Xoel López
‘Por ti’ por Sidonie
Maldita Dulzura’ por Vetusta Morla
“Diciembre” por Depedro + Vetusta Morla
‘Anticiclón’ por Iván Ferreiro y Leiva estrenan
 
y para cerrar, otro cantautor: Iván Ferreiro y ‘un picnic extraterrestre’http://www.youtube.com/watch?v=91TRji0dvtc

the easy part’s over… running bear.

[seg] 22 de setembro de 2014

«There’s an ol’ black cloud hanging over my head… 
And one of these days when… I bade away
I know that cloud can’t wait»

***

Noutro dia uma aluna, brincando, falou que eu parecia um urso. Nesta semana essa dor no corpo é tamanha. Sábado cavei, fiz canteiros e plantei um árvore – e pelo terceiro dia peguei chuva para ficar mais doente ainda. Domingo era para estudar, mas no inusitado pedido, acompanhei um amigo e seu filho até a pedra do boneco – trilha um pouco fechada, terreno ingrime, momentos de escalada… uns 20 minutos de subida intensa e difícil e lá no topo uma paz de espírito. ganhei a tarde e foi-se o dia.

e hoje… louis armstrong é a trilha.

ps: dois registros: #1 poemas de gabi me lançaram no tempo. e desta jornada extrai ponderações… nesta trilha, que é a vida, cada ser humano que passa pela nossa deixa marcas – e poemas; e como ela, percebo que a adolescência foi longa – o que me faz pensar que de um instante ao outro passei de uma adolescência tardia à uma velhice prematura. #2 o que me remete ao papo de outro dia com o paulo sobre isolamento social… que não cabe aqui, mas que no fim… me leva a constatação que virei um velho amargo e alheio ao mundo boa parte do tempo, só há raros lampejos… cada vez mais raros. por agora é essa black cloud em plena tarde oh sweetie

***

«Why did Mrs Murphy head the dogs to Alice Fry… Why oh why to Alice Fry… Ha ha of all people why why why why why why… Yes why oh why why oh why why oh why» Composer: Jack Clement. Album: Louis Country And Western Armstrong.

barbarismo

[ter] 22 de julho de 2014

barbarismo
«um ganesh na coxa…
um habitué»
um esquife negro
uma pá de pensamentos tristes

e não há ordem às palavras,
imagens sobrepõem-se
pelos dias, horas, semanas
tudo é incerto
exceto a dor derivada
do incomunicado
do nó emaranhado
dessa estranha película impermeável
dos substantivos prefixados

onde o nome já não é o que era
e o amor é algo primitivo…
eu sou apenas um prefixo mudo e distante.
escrevo palavras erradas,
realizo a impossibilidade,
o não poema duma epopeia,
toda palavra desconexa,
o vil verme, o val enlevado,
a vã espera, o homem subnegado,

o doce e o amargo na língua
e dos vícios desta linguagem – isso das coisas que significam, eu, ente, coisa consciente, reifico…
coisifico, essa história, esses meus dias secos e sigo a sina, o fado, a fuga de toda e qualquer possibilidade de amar e desamar
habito esta terra morta, pertenço a este povo triste.

prometeu e meraki

[ter] 22 de abril de 2014

00:45 do vazio que vem depois da poesia.

*

01:30 do cansaço que o sono traz.

e de saber que faltas porque há desencontros porque há esperas – que ligue, que venha, que vá, que chegue, que fale, que se declare, eu não falte… que desague… que não cause

mágoa.

links aleatórios. terça e quarta serão longos.

Pequeno dicionário do intraduzível: palavras que não têm equivalente fora de seu idioma

O Mito de Prometeu

*

 

 

tânatos

[qua] 22 de janeiro de 2014

«Muito cedo, ele já aprendera o buraco que a linguagem deixa dentro de cada indivíduo.»

tempos atrás, a terapeuta sugeriu o filme ‘perfume, a história de um assassino’. eu já havia visto, e tentei ver novamente para ver se teria um lampejo sobre que raios ela me sugeriu este filme… vi partes, sou desorganizado… e neste ano lembrei do filme, e por acaso, hoje foi o dia de vê-lo. a frase acima e a análise sociológica de onde ela foi extraída são bem bacanas. e abaixo o poema de álvaro de campos – começo a conhecer-me. e concluindo estas poucas linhas, sinto que não há nada mais profundo em mim… e se há, não sei dizer. calo-me. fim.

«Começo a Conhecer-me. Não Existo

Começo a conhecer-me. Não existo. 
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, 
ou metade desse intervalo, porque também há vida … 
Sou isso, enfim … 
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. 
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. 
É um universo barato.

Álvaro de Campos, in ‘Poemas’
Heterônimo de Fernando Pessoa»

eficácia social da mensagem sociológica

[dom] 22 de dezembro de 2013

“Levar à consciência os mecanismos que tornam a vida dolorosa, inviável até, não é neutralizá-los; explicar as contradições não é resolvê-las. Mas, por mais cético que se possa ser sobre a eficácia social da mensagem sociológica, não se pode anular o efeito que ela pode exercer ao permitir aos que sofrem que descubram a possibilidade de atribuir o seu sofrimento a causas sociais e assim se sentirem desculpados; e fazendo conhecer amplamente a origem social, colectivamente oculta, da infelicidade sob todas as suas formas, inclusive as mais íntimas e as mais secretas.”
____________________________
Bourdieu, Pierre, A Miséria do mundo. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2001, p. 735.

dor elegante

[ter] 22 de outubro de 2013

ou o próprio

Tenho Sede /// Intérpretes Bruna Caram e Marcelo Jeneci // Compositorxs Dominguinhos e Anastácia // Traga-me um copo d’água, tenho sede / E essa sede pode me matar / Minha garganta pede um pouco d’água / E os meus olhos pedem / O teu olhar / A planta pede chuva quando/ Quer brotar / O céu logo escurece quando / Vai chover / Meu coração só pede o teu amor / Se não me deres posso até morrer

O pato /// Intérprete João Gilberto // Compositorxs  Jayme Silva e Neuza Teixeira // O pato vinha cantando alegremente, quém, quém / Quando um marreco sorridente pediu / Pra entrar também no samba, no samba, no samba / O ganso gostou da dupla e fez também quém, quém / Olhou pro cisne e disse assim “vem, vem” / Que o quarteto ficará bem, muito bom, muito bem / Na beira da lagoa foram ensaiar / Para começar o tico-tico no fubá / A voz do pato era mesmo um desacato / Jogo de cena com o ganso era mato / Mas eu gostei do final quando caíram n’água / E ensaiando o vocal //Quém, quém, quém, quém / Quém, quém, quém, quém

Dor Elegante /// Intérprete e Compositor Itamar Assumpção // Poema Paulo Leminski // Um homem com uma dor / É muito mais elegante / Caminha assim de lado / Com se chegando atrasado / Andasse mais adiante // Carrega o peso da dor / Como se portasse medalhas / Uma coroa, um milhão de dólares / Ou coisa que os valha // Ópios, edens, analgésicos / Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra / Sofrer vai ser a minha última obra.

Ai Ioiô  (Linda flor) // Intérprete Aracy Cortes // Compositores Henrique Vogeler e Luiz Peixoto /// Ai, ioiô! / Eu nasci pra sofrer. / Fui oiá pra você, / Meus zoinho fechô. / E, quando os zóio eu abri, / Quis gritar, quis fugir… / Mas você, / Não sei por que, / Você me chamou… // Ai, ioiô! / Tenha pena de mim. / Meu Senhor do Bonfim / Pode inté se zangá… / Se Ele um dia souber / Que você é que é / O ioiô de iaiá… // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Ai, ioiô! // Se ele um dia souber / Que você é que é / O ioiô de iaiá… // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Chorei toda noite, pensei  / Nos beijos de amor que eu te dei. / Ioiô, meu benzinho do meu coração, / Me leva pra casa, me deixa mais não! // Ai, ioiô!

Nunca /// Intérprete Dona Jandira // Compositor Lupicínio Rodrigues // Nunca / Nem que o mundo caia sobre mim / Nem se Deus mandar / Nem mesmo assim / As pazes contigo eu farei / Nunca / Quando a gente perde a ilusão / Deve sepultar o coração / Como eu sepultei / Saudade / Diga a esse moço por favor / Como foi sincero o meu amor  / Quanto eu te adorei / Tempos atrás / Saudade / Não se esqueça também de dizer / Que é você quem me faz adormecer / Pra que eu viva em paz ///

Aves daninha /// Intérprete Dalva de Oliveira // Compositor Lupicínio Rodrigues // Eu não quero falar com ninguém / Eu prefiro ir pra casa dormir / Se eu vou conversar com alguém / As perguntas se vão repetir / Quando eu estou em paz com meu bem / Ninguém por ele vem perguntar / Mas sabendo que andamos brigados / Esses malvados querem me torturar // Se eu vou a uma festa sozinha / Procurando esquecer o meu bem / Nunca falta uma engraçadinha / Perguntando ele hoje não vem / Já não chegam essas mágoas tão minhas / A chorar nossa separação / Ainda vem essas aves daninhas / Beliscando o meu coração.

Flor de Lis /// Compositor Djavan // Valei-me, Deus! / É o fim do nosso amor / Perdoa, por favor / Eu sei que o erro aconteceu / Mas não sei o que fez / Tudo mudar de vez / Onde foi que eu errei? / Eu só sei que amei, / Que amei, que amei, que amei // Será talvez / Que minha ilusão / Foi dar meu coração / Com toda força / Pra essa moça / Me fazer feliz / E o destino não quis / Me ver como raiz / De uma flor de lis // E foi assim que eu vi / Nosso amor na poeira, / Poeira / Morto na beleza fria de Maria // E o meu jardim da vida / Ressecou, morreu / Do pé que brotou Maria / Nem margarida nasceu. // E o meu jardim da vida / Ressecou, morreu / Do pé que brotou Maria / Nem margarida nasceu.

Flor do Medo ///  Intérprete Bruna Caram // Compositor Djavan // Venha me beijar de uma vez / Você pensa demais pra decidir  / Venha a mim de corpo e alma / Libera e deixa o que for nos unir / Não vá fugir mais uma vez  / Vença a falta de ar que a flor do medo traz / Tente pensar /  Pode até ser mal e tal / Mas pode até ser que seja demais // Tudo vai mudar / Posso pressentir / Você vai lembrar e rir  / Alguma dor que não vai matar ninguém / Pode ser vista, nos rondar / Não precisa se assustar / Isso é clamor /  De amor // Venha me beijar de uma vez  / Feito nuvem no ar sem aflição / Vem a mim de corpo e alma  / Libera a paz do meu coração / Não vá se perder outra vez / Nesse mesmo lugar por onde já passou / Tente pensar / Pode até ser sonho e tal / É, mas pode até ser que seja o amor // Tudo vai mudar / Posso pressentir  / Você vai lembrar e rir  / Alguma dor que não vai matar ninguém  / Pode ser vista, nos rondar / Não precisa se assustar / Isso é clamor  / De amor // Venha me beijar de uma vez  / Feito nuvem no ar sem aflição  / Vem a mim de corpo e alma  / Libera a paz do meu coração / Não vá se perder outra vez / Nesse mesmo lugar por onde já passou / Tente pensar / Pode até ser sonho e tal / É, mas pode até ser que seja o amor.

Eu fiz uma viagem /// Compositor Dorival Caymmi // Eu fiz uma viagem / A qual foi pequenininha / Eu sai dos Olhos d’Água / Fui até Alagoinha // Agora colega veja / Como carregado eu vinha / Trazia a minha nega / E também minha filhinha // Trazia o meu tatu-bola / Filho do tatu-bolinha / Trazia o meu facão / Com todo aço que tinha // Vinte couros de boi manso / Só no bocal da bainha / Trazia uma capoeira / Com quatrocentas galinhas // Vinte sacos de feijão / E trinta sacos de farinha / Mas a sorte desandou / Quando eu cheguei em Alagoinha // Bexiga deu na nega / Catapora na filhinha / Morreu meu tatu-bola / Filho do tatu-bolinha // Roubaram o meu facão / Com todo aço que tinha / Vinte couros de boi manso / Só no bocal da bainha // Morreu minha capoeira / Das quatrocentas galinhas / Gorgulho deu no feijão, colega / E mofo deu na farinha.

Meditação /// Intérprete Alaíde Costa // Compositores Tom Jobim e Newton Mendonça // Quem acreditou / No amor, no sorriso, na flor / Então sonhou, sonhou / E perdeu a paz / O amor, o sorriso e à flor / Se transformam depressa demais // Quem no coração / Abrigou a tristeza de ver / Tudo isso se perder / E na solidão  / Procurou um caminho a seguir  / Já descrente de um dia feliz // Quem chorou, chorou / E tanto que seu pranto já secou // Quem depois voltou / Ao amor, ao sorriso e à flor / Então tudo encontrou / Pois a própria dor / Revelou o caminho do amor e a tristeza acabou

as propriedades organolépticas

[seg] 23 de setembro de 2013

sessão engorda. chuva, aniversário da filha, e letargia no desenvolvimento das coisas… engordei uns cinco quilos. por várias vezes nessa semana cai no pensamento: e se eu morresse agora, ficaria esse monte de trabalho adiado, não feito, que feio. tenho três tarefas para hoje-amanhã (e tempo limite até segunda-feira, 23:55). darei conta, mas fica aquela tensão no estômago, aquele nervosismo – aquela angústia. mas só assim funciono. e sobre o projeto com os alunos (uns dos vários deste ano) amanhã me renderá um dia cheio na feira de ciência e tecnologia da regional da grande fln. e fica aquela sensação… se não fosse esse isolamento tantos projetos eu estaria metido. mas este auto-isolamento é provisório – é proposital. talvez não entendas, e nem eu saiba explicar… mas é uma necessidade este tempo, este momento de submersão e abandono. e chego a conclusão de que as coisas não estão tão ruins como as vezes aparentam… são apenas os dias nublados que modificam a nossa percepção sobre a matéria, alteram a cor… criam cores cinzas.

mas sou minha, só minha e não de quem quiser

[seg] 22 de abril de 2013

no ponto de ônibus, repensando as aulas da noite. remexo na memória as primeiras reflexões sobre o tema e me vem forte esta canção que curtia muito cantar:

Já que não me entendes, não me julgues (…) Ninguém sabia e ninguém viu Que eu estava a teu lado então… Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulherSou minha mãe e minha filha, Minha irmã, minha meninaMas sou minha, só minha e não de quem quiserSou Deus, tua Deusa, meu amor“. Trecho da canção 1º de julho da Legião Urbana.

depois de uma aula discutindo isto aqui: http://concursonigs.paginas.ufsc.br/

 

 

anajoaninhas da gramática expositiva do chão

[qui] 22 de novembro de 2012

e ela, no alto dos seus poucos anos, disse assim:

“não sou uma flor… sou um canteiro”.

e dos registros vespertinos:

ardo… e ainda fico bobo de como fico bobo ao teu lado (bem que sou capaz de ficar horas e horas mirando-te) – e é assim algo como “estás a un año luz de mí”sinto um contentamento danado por estar, por estares por cá, por existires… ó pequena flamboiaiã.

hoje o sol da tarde,ardentemente, irradiou uma tal vontade de lutar mais, hablar más, ouvir mais, ler mais, viver mais, tornar-me poesia novamente

e das palavras que deliram…

O homem (³)

é recolhido como destroços

de ostras, traços de pássaros

surdos, comidos de mar

O homem

se incrusta de árvore

na pedra

do mar.

(³) O NOSSO HOMEM – … Como Akaki Akakievitch, que amava só o seu capote, / ele bate continência para pedra! / Ele conhece o canto do mar grosso de pássaros, / a febre / que arde na boca da ostra / e a marca do lagarto na areia. / Esse homem / é matéria de caramujo.

O homem de lata

O homem de lata
arboriza por dois buracos
no rosto

O homem de lata
é armado de pregos
e tem natureza de enguia

O homem de lata
está na boca de espera
de enferrujar

O homem de lata
se relva nos cantos
e morre de não ter um pássaro
em seus joelhos

O homem de lata
traz para a terra
o que seu avô
era de lagarto

o que sua mãe
era de pedra
e o que sua casa
estava debaixo de uma pedra

O homem de lata
é uma condição de luta
e morre de lata

O homem de lata
tem beirais de rosa
e está todo remendado de sol

O homem de lata
é um iniciado em abrolhos
e usa desvio de pássaro
nos olhos

No homem de lata
amurou-se uma lesma
fria
que incide em luar

Para ouvir o sussurro
do mar
o homem de lata
se increve no mar

O homem de lata
se devora de pedra
e de árvore

O homem de lata
é um passarinho
de viseira:
não gorjeia

Caído na beira
do mar
é um tronco rugoso
e cria limo
na boca

O homem de lata
sofre de cactos
no quarto

O homem de lata
se alga
no Parque

O homem de lata
foi atacado de ter folhas
e se arrasta
em seus ruídos de relva

A rã prega sua boca
irrigada
no homem de lata

O homem de lata
infringe a lata
para poder colear
e ser viscoso

O homem de lata
empedra em si mesmo
o caramujo

O homem de lata
anda fardado de camaleão

O homem de lata
se faz um corte
na boca
para escorrer
todo o silêncio dele

O homem de lata
esta a fim
de árvore

O homem de lata
é uma caso
de lagartixa

O homem de lata
é rosto amoroso
de pessoa

O homem de lata
está todo estragado
de borboleta

O homem  de lata
foi marcado a ferro e fogo
pela água.

Manoel de Barros
(1916)

Mais sobre Manoel de Barros em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros

12:22

[dom] 22 de abril de 2012

A casa ‘tá uma bagunça. Eu só tenho arroz integral. Estou em greve. E há um vento sul lá fora com toda sua estética e provocando essa temperatura aparente… frio lá fora, frio aqui dentro. Falta prazer… Falta grito, falta poesia… Falta transbordo.

nos levar além

[qua] 22 de fevereiro de 2012

INCENSO FOSSE MÚSICA

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Paulo Leminski )

Em planos. De aula. Hoje tudo para última hora. Ontem idem. Segunda nada – só fui até a Caieira da barra do sul e lavei roupa. Domingo estive presente inauguração do piscinão (de 14 mil litros) dos Ales lá pr’ás bandas da brava ó. Sábado foi ufa, agora posso arrumar as coisas de casa. Sexta foi… Escola e carnaval. Quinta foi aula cedo e noite – melhorei minha didática. Quarta foi uma aula com a rita de cássia. Terça foi… Chega lá e dá aula. Segunda foi exaustivo no corre para lá, para ali e pra cá.

E dias depois vi tua mensagem sobre os dedos e os homens transformados com borboletas e pensei bastante em ti. Não nos tocamos, mas me tocaste mesmo assim… És deste canto que levo no peito e sonoramente alimenta-me neste libertar. És presentes em mim, mesmo tu ai salvando a dor e eu cá neste desterro.

*

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Paulo Leminski )

E hoje penso tantas coisas…

 

todos os pássaros

[ter] 22 de março de 2011

Rouxinol tomou conta / Do meu viver / Chegou quando procurei / Razão pra poder seguir / Quando a música ia / E quase eu fiquei / Quando a vida chorava / Mais que eu gritei / Pássaro / Deu a volta ao mundo / E brincava / Rouxinol me ensinou / Que é só não temer / Cantou / Se hospedou em mim // Todos os pássaros / Anjos dentro de nós / Uma harmonia trazida / Dos rouxinóis /// O ROUXINOL /// Composição: Milton Nascimento

eis aqui um vivo…

[qua] 22 de dezembro de 2010

e porque penso tanto assim. e como posso ficar besta e emudecer,  também, tanto assim diante de ti. e mais… o que faço aqui parado escrevendo isto e não ai. junto. te chamo logo mais e seremos por ai nesta mistura de um pouco de picasso, lenine, nós. talvez eu te encha o saco, talvez não. talvez eu te conquiste, talvez não. talvez seja este teu ir e vir, aparentemente sem medo e sem pudor, que me rapta à sua orbita e nos consome… e talvez, também, esta tua capacidade de adormecer em meus braços que desfaz toda e qualquer defesa armada que eu levante diante de todo e qualquer sentimento de entrega… e assim, nú, nos quero. e aos pouco vou me despindo… e sendo:

Precário, provisório, perecível; / Falível, transitório, transitivo; / Efêmero, fugaz e passageiro / Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo! // Impuro, imperfeito, impermanente; / Incerto, incompleto, inconstante; / Instável, variável, defectivo / Eis aqui um vivo, eis aqui… // E apesar… // Do tráfico, do tráfego equívoco; / Do tóxico, do trânsito nocivo; / Da droga, do indigesto digestivo;  / Do câncer vil, do servo e do servil; // Da mente o mal doente coletivo; / Do sangue o mal do soro positivo; / E apesar dessas e outras… / O vivo afirma firme afirmativo // O que mais vale a pena é estar vivo! / É estar vivo / Vivo / É estar vivo // Não feito, não perfeito, não completo; / Não satisfeito nunca, não contente; / Não acabado, não definitivo / Eis aqui um vivo, eis-me aqui. //// VIVO / LENINE e CARLOS RENNÓ

o mergulho

[qui] 11 de novembro de 2010

a ousadia, o improviso, a originalidade, nascem todos de um estado verdadeiro, pleno, máximo, e, ao mesmo tempo, profundamente honesto e humilde. mergulho neste prazer de sentir-me possível.

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