Archive for the '21' Category

midvb

[qui] 21 de setembro de 2017

enfim é quinta-feira. dia de relaxar um cadinho. repor as forças. semana intensa e pesada. mas as coisas seguem caminhando… algum fluxo.

conversei. conversar é bom. seus medos parecem que vão se diluindo… e se nada der certo, a gente inventa

ontem, foi dia cheio. audiência de conciliação. minha filha legalmente nasceu ali. e de midv foi para MIDVB.

ontem foi dia de minha filha. amanhã é dia de minha mãe.

eclipse solar

[seg] 21 de agosto de 2017

trinta e cinco. devia estar maduro… ainda não. ganhei uma garrafa de vinho. vinho bom.

das coisas da escola: me enrolo e não mexo em nenhum papel… adiando tudo pra logo mais. quando não houver logo mais. e será somente o aqui e agora. fique pensando… gostaria muito de no próximo ano manter-me nas escolas que estou, mas se não rolar? se a vaga do jovem for para remoção/concurso? o que farei?

não sei.

e olhando para minha casa, bateu uma vontade de ir lá e financiar tudo que falta e começar a mexer… e terminar, deixar do jeito que quero… e ficar 20 anos pagando um financiamento. mas espera.

espera o quê?

e sobre a visita… dora me ocupou o final de semana e toda essa manhã… passeios, brincadeiras, limpeza… mas pelo segundo dia cagou dentro de casa… e agora foi o fim, ganhou um remendo de casinha, e o interior da casa foi interditado para ela.

há tempos não sentia esse tipo de vinculo, ser responsável por um cão.

o positivo disto é: tenho que mexer, e dar passeios, dedicação, atenção, carinho… e já fiz planos para o próximo final de semana de passear com ela… mas a visita de dora é temporária (?!), por enquanto, e se durar mais uma semana… dai faço casinha bonitinha e já posso deixá-la solta no quintal. tudo depende de sua dona.

e no hemisfério norte está rolando um eclipse total. acompanho pela web.

 

andar pelado em casa

[ter] 21 de fevereiro de 2017

nota 1. é hoje. ou vai ou racha.

nota 2. nota mental, sair em menos de 30 minutos de casa, porra… se mexe (11h50)

nota 3: desenvolver aquela ideia para o poema. imagens: decupagem excessiva/ausência de espaço pra manobrar/respirar/criação/liberdade do improviso.

nota 4. melhor coisa de morar sozinho: andar pelado em casa.

nota 5. menos like. vai arrumar a casa/aulas/o que fazer bicho.

nota 6. o mate anda muito amargo. cuidado com a mistura das ervas.

nota 7. esquecer suas próprias memórias é tornar-se um tanto oco.  rememorar-se é mergulhar em sua profundidade. rir-se de si, como um rio que se refaz continuamente, revoltando o que há de fundo, acalmando o que há de superfície…

nota 8. urgem. comprar shorts e bermudas.

nota 9. vitamina d é importante. mas sol só antes da nove e de sair de casa. depois é o inferno.

nota 10. sobre o papo de ontem, sobre sentir-se nu em sala, como professor. não é tanto pela performace, mas por estar envolto em algo que é familiar. não as pessoas, pelas quais vamos criando laços com o passar do tempo e em alguma medida vão tornando-se familiares também, mas acredito que é pelos assuntos que giram em uma aula de sociologia

nota 11. repetir infinitamente susana félix e jorge drexler. enquanto os outros ansiosamente caminham ou esperam… o universo seguem em queda livre até o instante da calma.

sem-titulo

nota poética avulsa – entre a crueldade do sol e escuridão, o corpo busca os fios de sombra.

entre a crueldade do sol,
esse deus implacável,
e o abraço sombrio da escuridão,
o corpo, como um deserto,
busca os fios de sombra
para aliviar a dor
de arder por inteiro
as três da tarde

nota 13. nem sempre as coisas dão certo. nem ao menos do jeito que imaginávamos. as coisas apenas seguem seu roteiro caoticamente aleatório, apesar de todos os nossos esforços. as coisas conspiram… me aguarde. um dia eu chego.

 

xarope

[qua] 21 de dezembro de 2016

tomando xarope.

casa por arrumar.

pondo em dia #umpoetaumpoemapordia

exercício sobre a memória

[seg] 21 de novembro de 2016

inconstante…

[sex] 21 de outubro de 2016

amanheci… ou entardei querendo enrodilhar-me na cama. no mais escuro canto.

parte do diagnóstico: certa ansiedade.

cuidado: respirar fundo. não brigar com ninguém.

trinta e quatro

[dom] 21 de agosto de 2016

a olimpíada no rio acabou… e os trinta e quatro anos chegaram.

[colar aqui o setlist da cerimônia de encerramento].

exercício aos vestígios do prazer na memória

[seg] 21 de março de 2016

madrugada, 2h52

porque nossa memória é tão seletiva? vi um fragmento de vídeo e brotou em minha mente algumas memórias tão intensas de coisas já vividas e outras coisas tão simples e delicadas percebi que esqueci…

e desse estranhamento percorri duas horas fabricando um poema. poemas são produtos que nascem de algum estranhamento… este vem dos vestígios de prazer contidos na memória. ou da fragmentação e esquecimento…

exercício aos vestígios do prazer na memória

entre teu nome
e tua face de mulher,
a memória trai o ser insaciável.
e o tempo seca
o corpo sedento
do homem qualquer e ordinário.
mas na saliva e na saudade
o poema narra-se
em vestígios de um prazer
profundamente sentido
no teu sexo quente e úmido
deslizando vertiginosamente
sob meus dedos ásperos
que vão e voltam,
em flashbacks,
de um tresantontem,
noturno encontro juvenil,
ou numa manhã, de casamento real,
estirado sob um colchão surrado,
num frenético gozo casual.
mas amnésico e nu,
há tempos percebi
que tua boca
havia sido borrada
e que meus pelos
já não recordavam
a eletricidade de tua pele
deslizando voluptuosamente
sobre os poros meus…
como posso esquecer
a textura do teu sexo
e o gosto ácido e salgado
nos músculos intrínsecos
de minha língua?
como posso olvidar
o encontro de nossas curvas,
os gemidos pela rua
ou ao pé do ouvido,
e o interpenetrar tenso
que engolia meu corpo dentro do seu?
como posso desgravar
o tumulto devastador
que o mergulho nos olhos,
corpo sobre corpo,
podiam produzir,
devorando até o âmago?
e o arrepio desvairado quando
dos dentes encravados
por toda a carne?
como posso destramar
a tecitude de tua pele
sob minhas mãos suaves em sua face
ou seguras em teu corpo
descontroladamente extasiado
enquanto tragavas-me?
como teu nome, teu corpo
e tua face extinguiram-se,
assim mansamente?
e de nossos encontros
restaram apenas esses vestígios,
ruínas de um tesão
e de uma delusão?

controle de pragas

[qui] 21 de janeiro de 2016

atacaram o schizolobium…

e o dorflex ataca meu fígado e rins.

 

o retratista em follow the sun…

[qui] 21 de janeiro de 2016

defina: árido? arenoso?

trilha da tarde de sol…

Otto – Retratista;
Xavier Rudd – Follow The Sun
«when you feel life coming down on you like a heavy weight. when you feel this crazy society adding to the strain. take a stroll to the nearest water’s edge, remember your place… many moons have risen and fallen long, long before you came, so which way is the wind blowing what does your heart say»;

e o dia se perdeu em algum ponto…as outras canções esquecidas, esta postagem nos rascunhos e as lembranças do dia misturaram-se aos outros dias iguais. só.

tok tok tok… in a little while from now if i’m not feeling any less sour

[sex] 21 de agosto de 2015

anotar

In a little while from now
If I’m not feeling any less sour
I promise myself to treat myself
And visit a nearby tower
And climbing to the top will throw myself off
In an effort to make it clear to who
Ever what it’s like when you’re shattered
Left standing in the lurch at a church
Where people saying: “My God, that’s tough
She’s stood him up”
No point in us remaining
We may as well go home
As I did on my own
Alone again, naturally

To think that only yesterday
I was cheerful, bright and gay
Looking forward to well wouldn’t do
The role I was about to play
But as if to knock me down
Reality came around
And without so much, as a mere touch
Cut me into little pieces
Leaving me to doubt
Talk about God and His mercy
Or if He really does exist
Why did He desert me in my hour of need
I truly am indeed
Alone again, naturally

It seems to me that there are more hearts
broken in the world that can’t be mended
Left unattended
What do we do? What do we do?

Now looking back over the years
And whatever else that appears
I remember I cried when my father died
Never wishing to hide the tears
And at sixty-five years old
My mother, God rest her soul,
Couldn’t understand why the only man
She had ever loved had been taken
Leaving her to start with a heart so badly broken
Despite encouragement from me
No words were ever spoken
And when she passed away
I cried and cried all day
Alone again, naturally
Alone again, naturally
Alone again, naturally

Writer(s): Gilbert O’sullivan Copyright: Grand Upright Music Ltd.

memoria del cuero

[ter] 21 de julho de 2015

repor aula hoje não estava no planejamento. estou sentido-me contrariado. mas é melhor repor com alguns alunos em sala do que repor para um ou dois por turma…

o que mais me choca é a naturalização dessa porcaria toda… ah vá… não se deixe contagiar por essa merd… toda.

ps: sistema. obrigação. alienação. contradição. preciso fechar todas as notas de todas as turmas.

ps 2: estou sem voz. infecção me acompanha desde ocupação. gastei em farmácia nestes 3 meses de greve e pós greve mais do que nos dois últimos anos…

***

Memoria Del Cuero (Jorge Drexler)

«En la bodega de un barco negrero
vino el candombe prisionero.
En la memoria del prisionero
duerme el candombe esperando el cuero.
Curando el miedo y el mareo,
curando el golpe del carcelero,
vienen tocando, vienen tocando, vienen tocando.
En la bodega de un barco negrero
las manos vienen golpeando el suelo.
Las manos golpeando las manos, golpeando el suelo,
igual que un tambor, madera y cuero.
Los dias pasan y sólo queda en la oscuridad
memoria del cuero.
Vienen cantando, vienen cantando, vienen cantando.
¿Dónde está el cielo, donde está el cielo?
¿Dónde está Dios, que no lo veo?

En la cubierta de un barco carguero
vino mi abuelo salvando el cuero.
Mi abuelo vino en un barco aliado,
cuatro puertos lo rebotaron..
Con toda el hambre, con todo el miedo
con lo que no se llevó el saqueo…
Vino escapando, vino escapando, vino escapando

¿Dónde está el cielo, donde está el cielo?
¿Dónde está Dios, que no lo veo?»

um poema, umas notas… algumas canções.

[dom] 21 de junho de 2015

o poema obscuro
mira-me no espelho.
uma miragem,
uma imagem
captada ao acaso:
a forja da palavra,
a dura lavra.

o poema
é uma passagem:
uma rocha
amorfa e muda,
um vegetal retorcido,
um verbo seco,
um instante ao vento.

o poema é nada além
de um desejo cego,
um corte, um rasgo,
uma dor surda,
uma dúvida latente.

o poema é
o que foi dito
e o devir,
desde o mais
profundo de teu ser

o poema
está entre
o imperceptível
e o que de nós,
possamos traduzir.
***

o mote do poema era: “dificuldade de escrever. estar seco neste vento frio”. e ao escrever e reescrever as imagens foram se sobrepondo e o poema tornou-se um poema. das pesquisas ao longo da escrita cai nesta citação, que faz todo o sentido:

«O verdadeiro poeta é aquele que encontra a ideia enquanto forja o verso.»
Émile-Auguste Chartier Alain

***

e abaixo, algumas notas de coisas que li pela rede que achei interessantíssimas – essas coisas me tocam profundamente, alguma coisa delas me habita.

tanto a citação, de Caio Fernando Abreu, e a imagem, de Courtney Wirthit, compõe uma bela postagem, “das coisas inexplicáveis, necessárias” encontrada num interessantíssimo blogue: A PARTE E O TODO DE MIM

«Tento me concentrar numa daquelas sensações antigas
como alegria ou fé ou esperança.
Mas só fico aqui parado, sem sentir nada,
sem pedir nada, sem querer nada.» Caio Fernando Abreu

l**

e das redes sociais… abaixo uma canção de caetano, o genial caetano.

«Disse que vinha, e veio, lá do Norte / O mar nos olhos / Era noite sem vento e eu nem cri na minha sorte / Houve curiosidade, um calmo susto, alguma palidez / Por trás do ouro do seu rosto / Quero ser justo / Mesmo que não pudéssemos manter a lua cheia acesa / Ou não, ainda, nem no seu nem no meu coração / Eu vi você / Uma das coisas mais lindas da natureza / E da civilização»

**

gradell imagem de daniel alonso, da revista Photographize.

**

e umas canções:

 

simón del desierto

[ter] 21 de abril de 2015

Albert Camus «homem é a única criatura que se recusa a ser o que ele é».

«A revolta encontra em si, um valor, uma essência, um direito. O escravo enfrenta seu senhor porque reconhece algo em si que quer se afirmar, que estabelece um limite e por isso diz não. “Há em toda revolta uma adesão integral e instantânea do homem a uma certa parte de si mesmo” (p. 26). Portanto, antes de dizer não ao senhor, o escravo revoltado necessariamente diz sim para si mesmo. “Aparentemente negativa, já que nada cria, a revolta é profundamente positiva, porque revela aquilo que no homem deve ser defendido” (p. 32).» O homem revoltado – Postagem de Rafael Trindade no blogue Razão Inadequada

*

Simão do Deserto (Simón del Desierto) – México, 1965 / Direção: Luis Buñuel / Roteiro: Luis Buñuel, Julio Alejandro / Elenco: Claudio Brook, Silvia Pinal, Enrique Álvarez Félix, Hortensia Santoveña, Francisco Reiguera, Luis Aceves Castañeda, Enrique García Álvarez, Antonio Bravo, Enrique del Castillo / Duração: 45 minutos

*

Por que Você Faz Cinema?«Para chatear os imbecis / Para não ser aplaudido depois de sequências, dó de peito / Para viver a beira do abismo / Para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público […] / Joaquim Pedro de Andrade e Adriana Calcanhotto»

*

músicas de fundo [ouvidas nesta última hora – porque nos restos dos dias tenho me habitado somente o silêncio da vida  – é uma secura de sol e de som]:

hoje eu não quero voltar sozinho

[sáb] 21 de fevereiro de 2015

estou exausto – hoje foi um dia longo e pesado.

trabalho solidário pela manhã.

e tarefas pela tarde.

e enfim, instalei [novamente] o cabo da net e tenho internet cabeada [ou supunha ter… já que o notebook não reconhece o cabo], segura e rápida. as chuvas de quinta/sexta [de carnaval] danificaram os cabos que ligam o modem [que instalei na casa de meu irmão] ao meu computador [na minha casa].

e tanta coisa aconteceu desde a última postagem… um resumo – se for possível resumir – poderia ser assim: estou mais desperto e buscando clarear meus caminhos. o oráculo diz que mercúrio está em harmonia com minha lua… e racional e intuitivamente estou mais perceptivo… e que esta é uma fase de insights e de esclarecimentos. será? sei não… o fato é que já venho há algum tempo amadurecendo alguns pensamentos e sentimentos e de um momento para outro senti uma profunda necessidade de externá-los, manifestá-los, realizá-los. fatos que vão desde o âmbito do meu espaço físico, passando pela relação com minha filha, minha relação profissional e de militância na escola até ao que vai no meu coração. e tudo isto não são coisas que se excluem ou que devo negar. é preciso encarar a vida no seu lado político, econômico e afetivo, e ver que as “partes” que compõe a vida não podem ser lidas e tratadas como coisas estanques e/ou isoladas. para se viver é preciso buscar-se em todos estes rincões, que se interpenetram… é preciso viver, mesmo que precariamente, mas sempre em busca de uma plenitude hoje e além… isto hoje me parece tão claro… mas há sei que um ano atrás ou dois ou cinco ou dez isto não me era possível. não havia amadurecido para aceitar-me desta forma… tão imperfeito, tão precário, tão provisório… tão inacabado. talvez alguns fatores tenham contribuído… a idade que se avança; a profissão/renda permitindo sobreviver; a profunda solidão e o tempo de maturação de tantas revoltas e medos que carrego em meu peito…

mas os medos não evaporaram… caminham aqui ao meu lado. o desejo e a intenção é que cambiou – é hora de enfrentá-los com menos sombra. é hora de tentar fotografar a vida menos em low-key.

p.s. (22/02): no meio da postagem a rede caiu e… fui lavar louça e liguei a tv. e assisti este filme bonito: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

p.s. 2 – e escrever aqui está ficando difícil pelo acúmulo de tarefas que tenho que cumprir as dessa semana que se vai e as da semana que se acerca… tudo vem se avolumando. e o negócio é respirar fundo e ter claro a hora precisa de levantar cada vela apropriada para cada vendo… afim de ter um rumo claro. eu aponto para fé e remo…

 

 

você está ouvindo as palavras que saem de sua boca?

[ter] 21 de outubro de 2014

sabe.. quando você começa a falar, e vai ouvindo o que você fala, e aquilo vai te dando uma vontade danada de dar uma guinada na sua vida… e mergulhar mais profundamente na imensidão daquilo que há nas suas palavras… irromper para além da superfície do medo e atingir esse além…

hoje, falando sozinho, em pensamento, porque são poucos os momentos para diálogos… nas caronas quase diárias porque insisto em perder o ônibus quase todos os dias, ou em família – repleta de conflitos e surdeza… e no trabalho, no meu caso a escola, com os alunos. mas encerra ai, não há mais militância, não há festas ou amigos… não há aqueles papos e o sentimento de pertencimento… é uma vida um tanto solitária, de reclusão. um auto-exílio. mas o interessante é que no meio dessa fala, silenciosa, em que eu me enredava… veio aquela frase de zé ribamar… josé ribamar ferreira, meu querido poeta ferreira gullar, que diz: ‘eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz’. e brotou dentro do meu peito uma profunda vontade de ser feliz…

e a noite foi bem bacana. fui honesto, franco… criativo e com brilho nos olhos delirei em publico, transbordando essa poesia que há em mim e que as vezes se esvazia e some, mas nestes momentos assim transborda… contagia… e sinto tanta vontade de ser mais e além, de fazer com que os outros sintam o meu amor por mim, por este mundo, pelo que é justo e belo.

e por contraste: meu silêncio é o fruto impotente da constatação  de que meus atos não correspondem ao sonho de justiça e beleza que há dentro de mim. e este mundo é por demais feio e injusto que não há espaço para o silêncio. é preciso falar. é preciso sonhar. eu preciso agir.

e há sonhos profundos nas palavras. as palavras ditas com o que há de mais profundo, aquilo que brota do peito, são poderosas… vontade de ir ai e dizer não vim antes porque tive medo e estava perdido.

e num lapso, salto no tempo, ouço ecoar aqui dentro uma canção… «… Se fiquei esperando meu amor passar. / Já me basta que estava então longe de sereno. / E fiquei tanto tempo duvidando de mim. / Por fazer amor e por fazer sentido. / Começo a ficar livre / Espero. Acho que sim. / De olhos fechados não me vejo. / E você sorriu pra mim». 

que logo mais seja um bom dia. que eu encontre dentro de mim a coragem [para enfrentar o mundo estúpido e os meus medos diários] e a paciência [para com minhas limitações e oscilações… ]. e quem sabe, você sorri pra mim enquanto eu começo a ficar livre? que essa vontade de voar amanheça…

 

música de trabalho

[ter] 21 de outubro de 2014

e a vontade de fazer nada, mais o corpo exausto pelo excesso de ontem… faço um edição na página ‘dossiê mayakóvski, a mais visitada e compartilhada deste blogue, adicionando a tag:  maiakóvski (влади́мир влади́мирович mаяко́вский).

e a trilha sonora da tarde é Tropicália 2;

e a fundamentação filosófica para as aulas de hoje é: «a relação do ser humano com a natureza: o trabalho. i) para existirem, os seres humanos devem necessariamente transformar a natureza. esse ato de transformação é o trabalho. o trabalho é o processo de produção da base material da sociedade pela transformação da natureza. é, sempre, a objetivação de uma prévia-ideação e a resposta a uma necessidade concreta. da prévia-ideação à sua objetivação: isto é o trabalho. vale enfatizar que, para marx, nem toda atividade humana é trabalho, mas apenas a transformação da natureza. veremos mais adiante por quê. ii) ao transformar a natureza, o indivíduo também transforma a si próprio e à sociedade: a) todo ato de trabalho produz uma nova situação, na qual novas necessidades e novas possibilidades irão seguir; b) todo ato de trabalho modifica também o individuo, pois este adquire novos conhecimentos e habilidade que não possuía antes, bem como novas ferramentas que também antes não possuía; iii) todo ato de trabalho, portanto, dá origem a uma nova situação, tanto objetiva quanto subjetiva. essa nova situação possibilitará aos indivíduos novas prévias-ideações, novos projetos e, desse modo, novos atos de trabalho, os quais, modificando a realidade, dão origem a novas situações, e assim por diante. o trabalho e a sociedade. i) todo ato humano tem por base a evolução passada da sociedade, a situação presente concreta em que se encontra o indivíduo e suas aspirações e seus desejos para o futuro. não há ato humano fora da história, fora da sociedade. ii) a objetivação resulta, sempre, em três níveis de generalização: a) o nível objetivo: o objeto produzido passa a ser influenciado e a influenciar toda a sociedade. sua história adquire, assim, uma dimensão genérica: é, agora, parte da história humana, b) o nível subjetivo, que se subdivide em dois subníveis: b1) o conhecimento de um caso singular (como fazer este machado) se eleva a um conhecimento acerca da realidade em geral. esse conhecimento genérico da realidade pode ser aplicado em circunstâncias muito distintas daquelas em que se originou; b2) o conhecimento de um indivíduo se difunde por toda a sociedade, tornando-se patrimônio da humanidade. iii) o trabalho é o fundamento do ser social porque, por meio da transformação da natureza, produz a base material da sociedade. todo processo histórico de construção do indivíduo e da sociedade tem, nessa base material, o seu fundamento.» sérgio lessa e ivo tonet

ps: mas é preciso ir… há trabalho por fazer.

mas antes, um lembrete… trabalhar com a ‘música de trabalho‘ em sala. letra cá: Música de Trabalho // Legião Urbana // Renato Russo, Marcelo Bondá e Dado Villa-Lobos // Sem trabalho eu não sou nada / Não tenho dignidade / Não sinto o meu valor / Não tenho identidade / Mas o que eu tenho / É só um emprego / E um salário miserável / Eu tenho o meu ofício / Que me cansa de verdade / Tem gente que não tem nada / E outros que tem mais do que precisam / Tem gente que não quer saber de trabalhar / Mas quando chega o fim do dia / Eu só penso em descansar / E voltar p’rá casa pros teus braços / Quem sabe esquecer um pouco / De todo o meu cansaço / Nossa vida não é boa / E nem podemos reclamar / Sei que existe injustiça / Eu sei o que acontece / Tenho medo da polícia / Eu sei o que acontece / Se você não segue as ordens / Se você não obedece / E não suporta o sofrimento / Está destinado a miséria / Mas isso eu não aceito / Eu sei o que acontece / Mas isso eu não aceito / Eu sei o que acontece / Quando chega o fim do dia / Eu só penso em descansar / E voltar p’rá casa pros teus braços / Quem sabe esquecer um pouco / Do pouco que não temos / Quem sabe esquecer um pouco / De tudo que não sabemos // 

a entropia

[qui] 21 de agosto de 2014

é velhinho… aos trinta e dois do segundo tempo… o jogo naquele sufoco… não sabe se empata, se perde ou se ganha… ou se se joga… é, nem todos os dias são animados e promissores… há aqueles em que nada faz sentido e você é obrigado a, não apenas constatar a necessidade, mas dar uma guinada, modificar o plano de voo… ou tu faz esse negócio dar certo, e ai tu precisas sair do casulo e voltar ao mundo real e enfrentar as contradições e os conflitos deste mundo, ou tu precisas trocar de ofício, porque continuar a fazer mais do mesmo é suicídio – intelectual, político, moral… e coletivo.

É SUICÍDIO! OUVIU?!

e agora, porque não consigo dormir… tantas dúvidas, tantas questões… e dos descaminhos uma busca:

«O ensino, a aprendizagem, de qualquer disciplina, “não deve  visar a acumulação enciclopédica de conhecimentos, mas a formação do espírito dos o que recebem. Torna-se, assim, mais importante a maneira
pela qual os conhecimentos são transmitidos, que o conteúdo da transmissão.” (FERNANDES, 1977:110).

O Ensino Médio tem como objetivo a preparação dos alunos, para ingressarem no nível superior de ensino, e também a inserção no mundo do trabalho. Mas tem como característica um ensino fragmentado, “como um tipo de educação estática, que visa unicamente a conservação da ordem social.” (FERNANDES, 1977:112).

E cabe a Sociologia repensar este contexto, mostrando possibilidades, alternativas aos jovens. Se não ficaremos correndo o risco de “um ensino médio sem possibilidade de tornar-se um instrumento consciente de progresso social, isto é, incapaz de proporcionar uma educação dinâmica.” (FERNANDES, 1977:113).»

***

semanas… projetos…

***

a divina comédia de dante alighieri… até gattai… ou de gattai até dante.

“Perduto é tutto il tempo che in amore non si spende”.

QUANDO LA FORZA CON LA RAGION CONTRASTA, VINCE LA FORZA E LA RAGION NON BASTA.

***

O homem nem sonha que, não tendo ainda sequer começado a recrutar os tripulantes, já leva atrás de si a futura encarregada das baldeações e outros asseios, também é deste modo que o destino costuma comportar-se conosco, já está mesmo atrás de nós, já estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais que ver, é tudo igual.” ‘O Conto da Ilha Desconhecida‘ de Saramago, José

em projetos na escola

***

«Perguntem às pessoas na rua sobre o que faz um sociólogo? A meu ver, o fato de que essa pergunta não seja facilmente respondida, relaciona-se à pequena presença na sociedade ou o pequeno reconhecimento social desta profissão – o sociólogo.

A ausência de uma referência clara das possibilidades do ofício do sociólogo no mundo, presentifica-se na ação escolar do professor de sociologia sob um duplo aspecto: em sua formação ele próprio não teve contato com uma diversidade de práticas sociólogicas; e na sua prática de ensino a sociologia converte-se, na melhor das hipóteses, na transposição didática dos conhecimentos científicos acadêmicos.

Mas haveriam outras possibilidades?» ensinosociologia.milharal.org

***

Estamos na fase de cumprir as nossas promessas e para isso tanto as pesquisas quanto os relatos de experiências constituem testemunho, ou mais que testemunho, provas materiais de que não se estava visando apenas a objetivos corporativos. […] Era necessário refletir sobre essa história, era necessário construir alternativas de ensino em termos de conteúdos e práticas, era necessário romper com a rotina, com a tradição má conselheira…”. (MORAES, 2012). e mais isto: Gincana

o último homem

[qua] 21 de maio de 2014

cito coisas. intuo outras. e não posso nada por hora. apenas emaranho-me na nadificação cotidiana. eu, homem moderno, sigo dilacerado e ignorante.

«Na melancolia, o eu se revolta contra a perda, em vez de engatar um trabalho de luto através do qual possa a ela se con-formar, identifica-se maciçamente ao objeto perdido, a ponto de se deixar perder junto com ele. Tal rebelião é o cerne da melancolia e pode se instalar como uma “ferida aberta” (p. 71) que suga a libido e dolorosamente empobrece o eu. Se essa atitude se opõe ao trabalho de luto, ela não deixa, porém, de consistir também em um “trabalho” que “consome” o eu, nos termos de Freud (p. 53). A suspensão da perda por uma radical entrega do eu ao objeto também é uma tarefa psíquica dinâmica, e em consequência dela o quadro melancólico pode se reverter em um episódio de mania, caracterizado por exaltação e agitação extremas.»

«Que é amor? Que é criação? Que é nostalgia? Que é estrela? – Assim pergunta o último homem e pisca os olhos. A terra se tornou pequena então, e sobre ela saltita o último homem, que torna tudo pequeno. Sua estirpe é indestrutível, como a pulga; o último homem é o que mais tempo vive. ‘Nós inventamos a felicidade’ – dizem os últimos homens, e piscam os olhos. Abandonaram as regiões onde é duro viver, pois a gente precisa de calor. A gente, inclusive, ama o vizinho e se esfrega nele, pois a gente precisa de calor. Adoecer e desconfiar, eles consideram perigoso: a gente caminha com cuidado. Louco é quem continua tropeçando com pedras e com homens! Um pouco de veneno, de vez em quando, isso produz sonhos agradáveis. E muito veneno, por fim, para ter uma morte agradável. A gente continua trabalhando, pois o trabalho é um entretenimento. Mas evitamos que o entretenimento canse. Já não nos tornamos nem pobres, nem ricos: as duas coisas são demasiado molestas. Quem ainda quer governar? Quem ainda quer obedecer? Ambas as coisas são demasiado molestas… Nenhum pastor e um só rebanho! Todos querem o mesmo, todos são iguais: quem sente de outra maneira segue voluntariamente para o hospício… A gente ainda discute, mas logo se reconcilia, senão estropia o estômago. Temos nosso prazerzinho para o dia e nosso prazerzinho para a noite, mas prezamos a saúde. ‘Nós inventamos a felicidade’, dizem os últimos homens e piscam o olho” Nietzsche, F: Also sprach Zarathustra, in KSA, vol. 4, p. 19s.

sou empregado da leste

[seg] 21 de abril de 2014

DAS COISAS DO DIA: DORMIR (+-) ÀS 2:30. Acordar às 6:00. E cantarolar… “Sou empregado da leste Sou maquinista do trem Vou-me embora pro sertão…  Viola meu bem viola…” Café com pão às 6:30. pegar estrada, trabalhar como servente de obra [porque nessa vida de professor proletário precarizado as vezes esquecemos como é duro e brutal o trabalho proletário e precarizado do peão do canteiro de obras… hoje foi um dia que trabalhei, não pelo salário, mas por uma solidariedade… a humana] pela manhã – lanchar as 12:30 – e pela tarde. Retornar e ver a barbárie – os lutadores, o estado, o circo, os fascistas e o terror. Que me causou um mal estar e uma indignação… Vontade de vomitar todas as minhas tripas nos fascistas. Cheguei em casa, banhei-me e peguei carro emprestado, convidei o flamboaiã e fomos lhe ver… Encontrei apenas o Furia. Você reclama que eu fico um mês sem te ver, ou até um ano em silêncio. Eu, atravessado, te atravesso… Eu te levo uma pá, um punhado de terra preta, e um pé verde, que um dia irá ser vermelho… Você que diz que o pé sem minha companhia não tem graça. Não há verbo, apenas preciso ir encontrar em ti esta parte de mim, que só existe quando existe nós. Para isto é preciso reaprender a partir e repartir estas nossas partes… As 18:30, estou em casa novamente. Sem ter visto tu, novamente apenas tieta. Lancho e no ambiente familiar ninguém sabe o que se passa aqui, dentro de mim. NOTAS DE RODAPÉ: O disco é de caetano, muito foda. O trecho é desta canção: Viola Meu Bem / Dona Edith do Prato / Compositor: Domínio Público Vou-me embora pro sertão Viola meu bem viola Eu aqui não me dou bem Viola meu bem viola Sou empregado da leste Sou maquinista do trem Vou-me embora pro sertão Que eu aqui não me dou bem Viola meu bem viola *** a este poema/desabafo: Sinto-me enojado… 
E perplexo. 

Tanta estupidez neste mundo. 
E hoje, 
nem a coragem dos que lutam
………………………………………………….. de braços abertos, 
………………………………………………….. punhos cerrados, 
………………………………………………….. com ideias de liberdade
………………………………………………..… e emancipação humana, me aquece. Nem a coragem dos que ousam se rebelar, ocupar, transgredir as regras ………………………………………………….. ditadas por essas relações sociais que nos tornam mansos, ………………………………………………………………………………………………………. bois castrados, prontos para o abate em série, ………………………………………………………………………………………………………. ou cães de caça caçando a própria coda ………………………………………………………………………………………………………. até devorarem-se sem distinguir o seu corpo-classe… Não me aquece. Nem a existência destes imprescindíveis, hoje, é capaz de amenizar a profunda tristeza e o terror de perceber que a cada passo dado, ………………………………………………….. constato que a estupidez é vasta ………………………………………………….. e profundamente enraizada nessas pessoas tão “comuns”, ………………………………………………….. que de tão comuns manifestam o fascismo tão latente e tão estúpido, tão próprio deste sistema irracional e autodestrutivo.

olho de peixe

[sáb] 21 de dezembro de 2013

meditando… meditando…  mediatando… sobre o que há no sótão.

acordei e senti um necessidade imperativa de anotar isso, mas o isso perdeu-se entre um lavar o rosto, escovar os dentes e o preparo do mate

o isso era mais ou menos isto cá: «a necessidade de confirmação/afirmação/reconhecimento (e uma pitada de vaidade) e ação de entrega/sincera, profunda (e diria até ingênua – pois toda entrega é total, sem ) ao vivido. sigo oscilando neste girar da moeda no ar e lá no final da história, quando tocar o solo, tornando-se húmus, saberemos se ela caiu de pé!».

***

Outros pontos na pauta:

Formatura/Ritos de Passagem: Quinta-feira teve formatura. Fui nome de turma. Entreguei diploma para aluna. Reencontrei velhos colegas do ensino fundamental e recebi parabéns de país e abraços fraternos dxs alunxs – tudo isto é muito bom, faz um bem danado. Eu entendo o ritual de passagem, e seus efeitos sociais-psico-biológicos, mas não posso deixar de anotar o quanto tudo isto me traz aquela velha sensação de sentir-se estranho, deslocado, nestes ambientes sociais… Festas e festividades são rituais estranhos, exóticos… Nada familiares. Não me sinto confortável.

E isto vale para toda festa (das de aniversários às de natal/réveillon/afins). Cara estranho.

Trilha de Fundo: Lenine em «In Cité» e «Acústivo MTV».

«Se na cabeça do homem tem um porão / Onde moram o instinto e a repressão / (diz aí) /O que é que tem no sótão? // permanentemente, preso ao presente / o homem na redoma de vidro / em raros instantes / de alívio e deleite / ele descobre o véu / que esconde o desconhecido, / o desconhecido / como uma tomada à distância / uma grande angular / é como se nunca estivesse existido dúvida, / existido dúvida/ evidentemente a mente é como um baú / o homem é quem decide / o que nele guardar / mas a razão prevalece, / impõe seus limites/ e ele se permite esquecer de se lembrar, / esquecer de lembrar //é como se passasse a vida inteira / eternizando a miragem / é como o capuz negro / que cega o falcão selvagem, / o falcão selvagem // Se na cabeça do homem tem um porão / onde moram o instinto e a repressão / (diz aí) / o que tem no sótão? //Lenine.»

Citações (surgidas no desenvolvimento deste texto, e que são interessante mesmo que  eu ainda não tenha lido Goethe e Woolf):

Sometimes our fate resembles a fruit tree in winter. Who would think that those branches would turn green again and blossom, but we hope it, we know it. — Johann Wolfgang von Goethe

“To whom can I expose the urgency of my own passion?” — Virginia Woolf, The Waves

a dobra do mar

[qui] 21 de novembro de 2013

Que contradição, tal qual um nasrudin, sigo morro acima levando minha canoa nas costas… ô sufoco besta.

um mate para acordar
um bule de chá pela tarde
um quilo de café na noite
um pouco de leitura filosófica
algumas partidas de xadrez
um dia inútil e estranho
uma ansiedade silenciosa [eu no meu vasto mundinho sem querer levar um papo com ninguém guardando tudo para mim…]
e…

[para efeito de registro caso eu venha logo a frente esquecer e continue nesta vida besta que tudo melhora, mas também piora] há alguns compromissos ainda até meados de dezembro, mas tecnicamente encerrou-se o ano profissional e me sinto mais esclarecido após dois anos de magistério. estou mais ciente das debilidades (teóricas, pedagógicas, práxis educativa e militante) e dos caminhos possíveis, cresci um bocado este ano… e para ano que vem, porque nas três próximas semanas é momento de delimitar alguns caminhos possíveis (2ª chamada do concurso para magistério estadual, complementação de carga horária, e 1ª chamada pra act) e como passei no concurso, posição 25 para 29 vagas é aguardar até segunda e descobrir o que sobra para mim. há uma penca de escolas em palhoça, algumas poucas na ilha, meia dúzia em são josé e biguaçu e aquelas que são lá na volta do mundo… santo amaro, anitápolis, águas mornas, são pedro, governador. E se me sobrar só uma destas últimas? o que é mais do que provável… e dez horas apenas… porque dez horas é pouco e estou sentindo isto na pele neste final de ano que tenho que contar cada moeda. mas sei lá… tudo vai se encaminhar. mas até lá…

um mate para acordar
um bule de chá pela tarde
um quilo de café na noite
um pouco de leitura filosófica
algumas partidas de xadrez
um dia inútil e estranho
uma ansiedade silenciosa
e… amanhã é outro dia… e “quem bater primeiro a dobra do mar dá de lá bandeira qualquer, aponta pra fé e rema”

trilha sonora neste dia chato de quase chuva: cássia eller, nando reis e los hermanos.

[seg] 21 de outubro de 2013

questões essenciais… ou quase isso ai sabe.

o moodle não carrega… ferrou (desta vez eu vou furar a entrega da atividade). e toda sexta-feira pela manhã eu durmo – e falto aos cursos em que me inscrevi… e a última foi que perdi a data de entrega dos documentos e não passei para a segunda fase da seleção… como eu disse, espera ai, que vou logo ali, arremessar minha cabeça contra a parede. [É POSSÍVEL TANTOS DESAJUSTES NUM ÚNICO INDIVÍDUO?]

quinta, sexta e segunda (hoje) foram dias dedicados aos outros. dias de boas ações. sábado dediquei a mim [NÃO SOU TUDO ISTO QUE PINTO… NÃO BOTO TODO ESSE CARTAZ]

estou no meu segundo ano de magistério e ainda me pergunto o que estou fazendo e por que estou fazendo e a cada pensada a conclusão é mais ou menos óbvia enquanto apenas tangenciar a vida isto que estou a fazer e o porque disto ainda suscitarão estranhamentos… e todas as respostas que possa formular ainda serão apenas superficiais.
e quando estou na superfície… não há tesão.

É SÓ MIRAR ESTE MONOTEMA TÃO MONÓTONO E  MONOLOGAL.

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como se resgata um violão?

acumulador

[sáb] 21 de setembro de 2013

Encontrei essas palavras, a seguir, dentro de um livro velho:

“Nos dias escuros aquele jovem-velho lê. Mas lhe falta uma paciência histórica, um certo sentido de continuidade e futuro. Tudo é um tédio morno”.

E viva a chuva. Assim vou atropelando prazos, compromissos, acumulando coisas não feitas. É como se eu não precisasse fazer hoje porque é mais cômodo esperar por amanhã… e assim passam-se segundos, horas, dias, meses, anos… enlouqueço mansamente. Mas enquanto isto, tento me concentrar, estudo e faço atividades, agora, que deveria ter feita semana passada. Essa semana que se avizinha será bem intensa. E vamos lá, avante… afinal, o tempo não para. Daqui a pouco é outubro, e quando eu piscar será 2014 (aquele ano distante no espaço-tempo em que entraríamos num futuro-realidade de ficção científica…

alguns pensamentos caducam…

[sex] 21 de dezembro de 2012

alguns pensamentos caducam… talvez porque estejam apenas na superfície. talvez. remexendo a água, a nitidez da imagem se desfaz, e tudo fica turvo… faço anotações mentais quando por descuido esqueço o papel. e anotei, mas rememorando bem não era apenas uma nota mental, era um pensamento total, ontem, quando regressava da cerimonia de formatura ou mesmo estando lá após os ritos oficiais… e o pensamento consistia na seguinte lógica: sinto-me desconfortável, deslocado, outsider, perturbado… em espaços sociais desta natureza. Tenho dificuldades com o público, meu humor social é raso, não sou dado a ser o centro das atenções… meu ângulo tende sempre a ser o de observador, analista, interprete (sou o cara que ouve, repara… raramente o que narra). E isto não é um problema, muitas vezes é de grande valia, permite leituras mais abrangentes e precisas. Mas, é sobretudo uma forma de resistência, de autodefesa. sei lá… cansei de teorizar. há duas portas: ou você me tem por inteiro, quase infantil, apaixonado, iluminado, bem humorado, poetizando; ou você não me tem, e é assim, na defensiva. eu não sou de ficar fingindo, dissimulando. é assim, ou estou ou não estou. Mas não vou generalizar tudo. É que por raios, que agora não vou escarafunchar, nas escolas acabei estabelecendo contato com alguns mais que outros, e ai se somam afinidades politicas, artísticas, ou mesmo, a convivência franca. e na festa, estava eu mais em paz na roda com os alunos do que na roda com os professores (porque os poucos professores que empatizei não estavam). E não tenho paciência, ou diria melhor, eu não sei lidar com situações assim. mas outro elemento importante no emaranhado de reflexões é que não ando muito iluminado… e a vontade de voltar correndo pro meu canto é alta em relação a vontade de me expor socialmente. o momento é mais de observação, e lamber as feridas, do que ação e conquistas de novos territórios. sinto as mesmas antigas feridas abertas no meu peito e estou acostumado demais a estar só… hoje tem mais festa. amanhã também – é um hercúleo exercício. preciso de gente para reaprender a ser gente. (ps: são (in)tencionais os inícioscontinuações em caixaaltaeoucaixabaixa).

efêmera

[qua] 21 de dezembro de 2011

O silêncio do mato… conectado com o que é bom… anoto coisas feitas por outros que fazem sentido para (e em) mim. E carrego essa vontade danada em mim de ficar só. Ficar só, com os pássaros, as plantas, os insetos… com a vida silenciosa que brota cotidianamente pela tarde, pela manhã, pela noitinha… Ficar só, sem essas gentes que só reclamam ou aprisionam-se colecionando sonhos pequenos. Eu quero paz. Quero esse silêncio repleto de sons de vida que não preocupam-se se tem ou não tem isto ou aquilo e apenas seguem em frente: vivendo a poesia do dia.

EFÊMERA /// Vou ficar mais um pouquinho, para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo. // Congele o tempo preu ficar devagarinho com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras e que passam perecíveis e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço. // Vou ficar mais um pouquinho para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho. // Martelo o tempo preu ficar mais pianinho com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras e que estão despetaladas, acabadas sempre pedem um tipo de recomeço. // Vou ficar mais um pouquinho, eu vou. // Vou ficar mais um pouquinho para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo. // Congele o tempo preu ficar devagarinho com as coisas que eu gosto e que eu sei que são efêmeras e que passam perecíveis e acabam, se despedem, mas eu nunca me esqueço. // Por isso vou ficar mais um pouquinho para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho. // Martelo o tempo preu ficar mais pianinho com as coisas que eu gosto e que nunca são efêmeras e que estão despetaladas, acabadas sempre pedem um tipo de recomeço. // Vou ficar mais um pouquinho para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo. // Vou ficar mais um pouquinho para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho. // Vou ficar mais um pouquinho para ver se acontece alguma coisa nessa tarde de domingo. // Vou ficar mais um pouquinho pra ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho. /// Tulipa Ruiz.

A ORDEM DAS ÁRVORES /// Naquele curió mora um pessegueiro / Em todo rouxinol tem sempre um jasmineiro / Todo bem-te-vi carrega uma paineira / Tem sempre um colibri que gosta de jatobá // Beija-flor é casa de ipê // Cada andorinha é lotada de pinheiro / e o joão-de-barro adora o eucalipto // A ordem das árvores não altera o passarinho // Naquele pessegueiro mora um curió / Em todo jasmineiro tem sempre um rouxinol / Toda paineira carrega um bem-te-vi / Tem sempre um jatobá que gosta de colibri // Beija-flor é casa de ipê /// Tulipa Ruiz.

O FOTÓGRAFO ///
Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Por fim, eu enxerguei a Nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski – seu criador.
Fotografei a Nuvem de calça e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria roupa mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal. /// Manuel de Barros

OUTRAS PALAVRAS /// Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca / Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca / Neca desse sono de nunca jamais nem never more  / Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó / Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza: / Outras palavras // Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor / Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol / Na televisão, na palavra, no átimo, no chão / Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais / Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo: / Outras palavras // Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem / Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim / E fora de mim / quando você parece que não dá / Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir / Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha: / Outras palavras // Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu / Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações / Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor / Tinjo-me romântico mas sou vadio computador / Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente: / Outras palavras // Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz / Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial / Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid / Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun / Homenina nel paraís de felicidadania: / Outras palavras /// Caetano Veloso.

 POEMAS RUPRESTES /// (…)

Queria a palavra sem alamares, sem
chatilenas, sem suspensórios, sem
talabartes, sem paramentos, sem diademas,
sem ademanes, sem colarinho.
Eu queria a palavra limpa de solene.
Limpa de soberba, limpa de melenas.
Eu queria ficar mais porcaria nas palavras.
Eu não queria colher nenhum pendão com elas.
Queria ser apenas relativo de águas.
Queria ser admirado pelos pássaros.
Eu queria sempre a palavra no áspero dela.

(…) /// Manoel de Barros

CLOUD PIECE /// Imagine the clouds dripping. / Dig a hole in your garden to / put them in. /// Yoko Ono.

PEDRINHO /// Pedrinho chegava descalço / Fazia da vida o que a gente sonhou / Pintava do nada um barato / Falava umas coisas que a gente nem pensou // Como é que pode ser tão criativo / Auto-confiante, um cara cortês / Pedrinho parece comigo, mas bem resolvido com sua nudez // Tirou da cartola uma flor e me presenteou num domingo de sol / É meu amigo querido até dormiu comigo no mesmo lençol // Pedro esta cantiga não fala de amor / Mas querido esse som acho que me entregou / Pedro esta cantiga não fala de amor / Mas querido esse som acho que me instigou // Pedrinho chegava descalço / Fazia da vida o que a gente sonhou / Pintava do nada um barato / Falava umas coisas que a gente nem pensou // Como é que pode ser tão criativo / Auto-confiante, um cara cortês / Pedrinho parece comigo, mas bem resolvido com sua nudez // Tirou da cartola uma flor e me presenteou num domingo de sol / É meu amigo querido até dormiu comigo no mesmo lençol // Pedro esta cantiga não fala de amor / Mas querido esse som acho que me entregou / Pedro esta cantiga não fala de amor / Pelo carinho esse som acho que me instigou /// Tulipa Ruiz.

passeio público

[sáb] 21 de maio de 2011

e nas horas em que tu não encontras sossego aí dentro eou outros tantos te azucrinam a paciência com os seus¹ problemas… vai passear, e de preferência mateando.

pois todo dia depois de sentir-me uma merda chego a conclusão que nada melhor que o tempo para te fazer entender que tudo é mais aleatório do que podemos e conseguimos imaginar e que há uma certa desgraça ou para ser mais preciso: uma profunda violência no viver todavia também há uma certa graça e que é indecifrável. sendo que no fim ou no meio percebemos que a vida não é nada mais que um disparate [ou uma viagem como diria o leminski].

a vida é uma convulsão permanente repleta de fraturas neuróticas que nos enjaulam ferreamente e de espasmos dementes que nos libertam despudoradamente e mesmo que insistámos inventando n justificativas o sentido deste vivido não é a priori… ele vai «en passant».

e que não tenhamos pudor algum em lutar quando nos atacam em nossa condição mais sagrada que é a liberdade de viver e de ter prazer em sermos como somos: coletivos, criativos, humanos.

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nota de rodapé

1. e aí nem importa se são «os seus» deles ou «os seus» seus mesmo pois tanto faz que difiram na cor eou no formato já que em essência e realidade são idênticos nesta sociabilidade controlada, repressora, alienada e alienante.

e câmera dispara…

[seg] 21 de março de 2011

“deixa eu engolir minha pretensão…”

6:30 café feito [e louça lavada].

7:32 ônibus perdido [e uma espera pelo sol na garoa].

7:52 uma carona, quando eu nem esperava [de nóe e isabel].

8:35 atrasado para a aula [que nem começou ainda].

antropologia visual – imagem e conhecimento.

unidade 1. bloco 1. primeiros contatos.

a etnografia ‘como descrição do universo do outro’.

imagem e conhecimento como uma relação antiga. e com a modernidade e o desenvolvimento tecnológico esta relação ganha especificidades na contemporaneidade.  [ver também ‘a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica’]

imagens pré-antropológicas

a câmera escura [antiguidade grega] – a fotografia [sec. xiv, renascentismo] – o cinema [idade moderna]

as ‘dudas’ barrocas (1600-1750)

“a lição de anatomia” de rembrandt

“as meninas” de velasquez

‘no ínicio [e até os anos 1950] a antropologia é muito antropomófica’ onde a ‘forma revelaria o caráter’ e principalmente o anormal.

e a imagem [fotografia com sua capacidade de copiar o real] é uma mecanismo de classificação dos tipos [grosso modo] [e dentro de um prisma evolucionista e de expansão colonial] cabendo numa antropometria [classificação dos tipos, antropologia fisica] ou nos retratos étnicos. [remeter as expedições pluridisciplinares francesas e outras. ex: Missão Dakar-Djibouti etc.{complementar}]

antropologia fisica [criminal] -> instituições da ordem [norma social] [séc. xx]

 

qual é a relação inicial entre conhecimento e imagem?

quais significados constrói esta relação?

que está em tensão entre ambas?

[rever marcel mauss { técnicas corporais}]

[instituição total -> onde o tempo e espaço são regulados. o exterior é neutralizado/negado. ex: prisão etc.]

Irmãos Lumière: primeiros filmes (1895)

L’Arrivée d’un Train à La Ciotat

[irmãos lumière não inventam a reprodução {} da imagem, apenas adaptam-na e inventam o cinema quando diferente de edson {reprodução individual} reproduzem coletivizadamente.

12:06 “Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Carlos Drummond de Andrade

dia de faxina

[seg] 21 de fevereiro de 2011

um pedaço enorme de hoje para rearranjar a bagunça. há muitos dias a casa estava completamente abandonada – eu só tomava banho, acessava a internet e dormia nela. e como é demorado e exaustivo esse processo de limpeza e organização das coisas. e como um homem pode produzir tanta bagunça em vinte e poucos dias ou em vinte e poucos anos.

o fato é que a casa está quase organizada pelos próximos trinta dias. a roupa esta lavada e secando. os quartos, a sala, a cozinha, o banheiro e varanda estão limpos. e eu me sinto mais tranquilo para finalizar algumas coisas e começar outras. tenho realizado um bom exercício nesses últimos meses… o desapego dos meus fragmentos, do meu tão conhecido e acomodado casulo – porque a vida fica muito mais saudável se conseguimos abandonar os excessos e nos focarmos no essencial, no necessário.

hay mariposas de arrabal que nunca aprenden a volar…

[sex] 21 de janeiro de 2011

valparaiso é começo… e dormi lá pelas três, contente. e acordei lá pelas quatorze… dia vadio. dia de carinho e calmaria. dia de amigos em casa… e de uma das mais belas visões… os pássaros em ondas sobre o mar fugindo da chuva branca que chegava… ou, as gotas que caiam sobre nossos olhos enquanto brincávamos na chuva. dias assim são mágicos. e decidi, que tua chegada será de surpresa…

 

“La canción que estoy cantando empieza en otras canciones y acaba en un hospital…” Joaquin Sabina.

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