Archive for the '19' Category

dora sonha

[qui] 19 de outubro de 2017

1h27 dora sonha agora sobre o tapete do quarto, enquanto ouço mikannn e gabriel gaspar falar sobre filmes e animes.

jeder für sich und gott gegen alle

[seg] 19 de junho de 2017

Referências… De um dia longo. As pedras dormem. Ninguém as equilibra. O frio da manhã me corta a cara. Eu me atraso pra vida. Dia pós dia cogito dexistir… Essa dor do lado esquerdo deforma meu rosto. Os ossos se movimentam. O corpo degenera por dentro. Falta pouco pra noite chegar. Mais um dia inteiro. Encerrou. O sal áspero e a espuma bruta lambem o vidro. Me envolvem como um manto. Sou a ilusão que me mira no reflexo da noite. A solidão louca dos barcos nos dias de ressaca. A solidão do homem que aprendeu poucas palavras e ainda não sabe poesia.

Ao fundo a rouquidão do mar agitado. A alegria fria das árvores em movimento. E no oco de cá dentro… O eco doutra língua: Guten morgen, Маяковский

il dolce far niente… e os antiinflamatórios

[seg] 19 de setembro de 2016

«A desumanização implantada pelo processo capitalista de produção negou aos trabalhadores todos os pressupostos para a formação e, acima de tudo, o ócio (Adorno, 2003, p. 06).»

“ocupar os sentidos dos homens da saída da fábrica, à noitinha, até a chegada ao relógio do ponto na manhã seguinte (1986, p. 123)”

metapropósito

[sex] 19 de agosto de 2016

coisas para se pesquisar:

em busca de um metapropósito.

 

não ganhar por ganhar… ter um meta proposito para sua vitória.

 

 

meta propósito um talismã auschwitz viktor frankl

http://gropius.awardspace.com/ebooks/frankl.pdf

Оркестр Чё – Guten morgen, Маяковский

[ter] 19 de julho de 2016
Текст песни Оркестр Чё – Guten morgen, Маяковский
Гутен морген, Маяковский
Зря ты так дыра в груди
Гутен морген, Маяковский
Придти уйти
Гутен морген, Маяковский
Помнишь, виделись во снах
Гутен морген, Маяковский
Облако в штанах
Гутен морген, Маяковский
В 31-й не успеть
Гутен морген, Маяковский
За тебя допеть
Гутен морген, Маяковский
Не нашлось свободных ниш
Гутен морген, Маяковский
Куда летишь?…
Гутен морген, Маяковский
До свиданья Лиля Брик
Гутен морген, Маяковский
Проглоти свой крик
Гутен морген, Маяковский
Зазвучал небесный альт
Гутен морген, Маяковский
…хальт…

the elephant never forgets

[dom] 19 de junho de 2016

 

«El Chavo — por ser um menino orfão, criado na rua, que não sabe quem são seus pais, e por isso mesmo, não sabe a existência do seu nome — Bolaños preferiu apenas deixá-lo conhecido como “O Garoto”. A tradução para El Chavo no Brasil poderia seguir vários adjetivos como menino, garoto, guri, muleque, piá, manezinho, pivete, neguinho, etc.., haveriam tantas significações e possibilidades dentro da nossa própria cultura, dentro de cada estado brasileiro, que ficaria difícil atribuir uma única gíria, um único adjetivo para o personagem, e que desse um significado ao telespectador brasileiro. Sendo assim, Chaves, entra no contexto de nome, de realmente um apelido. O povo brasileiro adora apelidar as pessoas pelo fato de torná-las mais próximas de sua relação. Além disso, atribuo também o nome Chaves, a sincronização labial por parte do dublador, que dará uma maior credibilidade ao telespectador que irá perceber pelo sync da voz com o lábio do ator original. A palavra que dá sequência ao nome do seriado, ocho, poderia ser traduzida de duas maneiras no México, já que Bolaños usou o recurso do duplo sentido. O Garoto do Oito ou O Garoto do Barril. Assim como brasileiros se referem ao número seis através da palavra “meia”, e americanos se referem ao número zero a letra “o”, ocho representa tanto o número oito quanto o barril. A referência do número oito tem ligação ao primeiro canal de TV que foi exibido o programa, o canal 8 TIM — Televisión Independiente del México — e que , em 1975, a Televisa comprou. Chespirito continuou usando o oito no nome do seriado, mesmo a Televisa sendo do canal 5, e criou uma nova explicação dentro da história, que o garoto teoricamente morava na casa 8 da vila, mas preferia passar a maior parte do seu tempo dentro de um barril. » Em “O significado das palavras: El Chavo del Ocho e Chaves“, de Michael Bahr

ilhas perdem o homem

[qui] 19 de maio de 2016

nessa terra gelada…

de fusos aleatórios…

meu corpo paga pela cansaço.

e eu não consigo produzir nenhuma apresentação para as aulas. só sei do improviso… que é correr com os olhos vendados sobre uma corda bamba no trigésimo terceiro andar de edifício.

e porque em plena madrugada, ela, em minha timeline, me rememora:

Ilhas perdem o homem.
Ilhas perdem o homem.
Ilhas perdem o homem.
Ilhas perdem o homem.
Ilhas perdem o homem.
Ilhas perdem o homem.

E do indizível, você falou, Drummond?

 

ou o próprio drummond

0:00 Infância 2:47 Quadrilha 3:17 Os Ombros Suportam o Mundo 4:46 Mãos Dadas 5:47 Mundo Grande 8:29 José 10:19 Viajem na Família 14:10 Procura da Poesia 17:33 O Mito 24:56 O Lutador 27:36 Memória 28:05 Morte do Leiteiro 31:15 Confissão 32:13 Consolo na Praia 33:27 Oficina Irritada 34:19 Fazenda 35:05 Caso do Vestido 41:19 Estrambote Melancólico 42:11 O Enterrado Vivo 43:09 Destruição 44:00 Intimação 45:06 Alta Cirurgia 46:48 Para Sempre 47:40 Canto do Rio em Sol 50:54 Boitempo 52:16 Os Pacifistas 54:23 Cultura Francesa 55:02 Falta um Disco 57:54 Amor e Seu Tempo 58:45 Obrigado 1:00:08 Lira Romantiquinha 1:01:04 O Homem as Viagens 1:03:35 Essas Coisas 1:04:20 Parolagem da Vida 1:06:19 Declaração de Amor

adeus sorvete

[sex] 19 de fevereiro de 2016

 

as aulas nem começaram e já estou cansado.

roteiro: ir na escola da filha, no banco me endividar, e na nova escola (lá na palhoça) e depois ainda no red river…

mas cheguei em casa 20h30 em casa – porque resolvei me dar folga e não fui no rio vermelho.

notícia chata do dia foi a morte da sorvete, a gatinha, pelo nero, cachorro da vizinha.

machucou… não terei mais a companhia dela para, enquanto eu tomo meu mate, ela admirar as saracuras passearem pelo quintal.

dois meses de companhia.sorvete 4 sorvete 5 sorvete 6sorvete 3 sorvete sorvete2

a coleira do cão

[sáb] 19 de setembro de 2015

um sábado diferente. um bom café, um papo e um planejamento matutino. um almoço delicioso no parque, com fundo de maracatu… e contatos com a cepagro e chuva para fechar o dia.

o título é do livro do rubem fonseca. emprestado e lendo. e o barato foi que ele me remeteu ao poema que fiz na semana passada…

notas:

“eu vou para luanda… vou quebrar saramuná!”

http://blocodepedra.maracatu.org.br/noticias/vocabulario-de-maracatu/

http://quebrabaque.blogspot.com.br/p/nossas-loas.html

as vezes é preciso sair da zona de conforto e peregrinar. narrar as dores… e ver que o mundo tem mais cores. mas eu me sinto ainda uma criatura muito triste. um ser só, porque a solidão é algo lá do fundo… imensurável.

profe on line II – o melhor de wagner

[qua] 19 de agosto de 2015

1h32… depois de um semestre… acabei de encerrar a 101. notas, diário e faltas. ufa. agora vou para a 102

na trilha sonora: o melhor de wagner.

KPM Philharmonic Orchestra – The Best of Wagner

The Mastersingers of Nuremberg, I: “Overture”
The Mastersingers of Nuremberg, Act III: “Prelude” ( 10:44 )
The Mastersingers of Nuremberg, Act III: “Dance of the Apprentices” ( 16:37 )
Lohengrin, WWV 75, I: “Prelude” ( 19:00 )
Lohengrin, III: “Prelude” ( 27:57 )
The Valkyrie, WWV 86B, III: “The Ride of the Valkyries” ( 30:21 )
The Valkyrie, III: “Magic Fire Music” ( 36:20 )
Parsifal, WWV 111: “Overture” ( 39:52 )
Parsifal, III: “Good Friday Spell” ( 42:02 )
Rienzi, the Last of the Tribunes, WWV 49, I: “Overture” ( 46:00 )
Tannhäuser, WWV 70, I: “Overture” ( 51:17 )
The Flying Dutchman, WWV 63, I: “Overture” ( 1:06:22 )
Tristan and Isolde, WWV 90, I: “Prelude” ( 1:16:53 )

the computer is thinking…

[seg] 19 de janeiro de 2015

diário da manhã:

11:07′ e está infernalmente quente como todos os dias. e bebo meu mate, solito, pela manhã como faço quase todos os dias. mas por hoje não parece aqueles dias todos de férias… onde posso aleatoriamente fazer o que quiser ou não fazer nada útil ou obrigatório. hoje duas coisas me preocupam… #1. entregar dois textos que sejam minimamente aceitáveis (um a partir da leitura de ontem… e o outro da leitura do mês passado) até as 23:59′ de hoje, e #2 ir ao dentista.

e enquanto as demandas vão se avolumando no horizonte como uma catástrofe… eu busco pontos de fuga. mas vamos lá encarar este paquiderme antes que ele se transforme num godzilla.

ps: o título vem do passatempo destes dias… pentobi: um jogo linux baseado no jogo de tabuleiro blokus.

diário da tarde:

14:51′ escrever e reescrever e enviar. agora é ir lá pintar… o quarto de izabel está quase pronto.

diário da noite:

18:00 na itapema toca agora… zélia duncan: «se você vai por muito tempo… você nunca volta (…) a estrada te sopra pro alto pra outro lado enquanto aquele tempo vai mudando… aí, de quando em quando você lembra aquele beijo, aquele medo (…) e você não volta (…) não existe pretexto, o dia mudou, o carteiro não veio (…)»

e pintura segue, a tempestade chega e cai… é tanta chuva. e lá pelas dez e meia mais um texto devo finalizar… e mesmo tendo mais uns dez dias de férias, algo me diz que as férias se foram e o novo ano começou.

e o dentista ficou para amanhã, muito cedo.

agora preciso tirar toda esta tinta verde sobre a pele que não me deixa amadurecer e me esconde, como camaleão, nesta mata distante.

marte na casa oito

[dom] 19 de outubro de 2014

horário de verão começou… e dormir cedo que é bom, neca de pitibiriba, ou seja… nadica de nada.

***

criando a tag/categoria conselho de classe… observo uma constante na avaliações dos alunos, seja no bate papo, nas avaliações deles sobre as aulas ou nos pré-conselhos… tenho dificuldades com a didática posto que segunda as falas deles “eu falo muita coisa ao mesmo tempo e isto os deixa confusos”. é essa minha ansiedade… preciso encontrar o tempo.

***

marte na casa oito*

«De todo modo, evite se estressar por conta de situações corriqueiras: neste período, pequenas coisas poderão lhe parecer mais chatas do que nunca, e você estará com uma tendência maior a reclamar. Na verdade, Vagner, você está com uma predisposição maior a discutir.» ou «Marte ‘faz transbordar’ os sentimentos e emoções que estavam ocultos na sua alma, Vagner. É possível, neste período, que você venha a ter que lidar com a parte mais sombria de sua própria natureza, tendo que encarar seus próprios sentimentos negativos de raiva, inveja, frustração, ressentimentos, etc. Todo ser humano tem estes sentimentos em algum momento, e encará-los de frente demanda muito mais coragem e dignidade do que escondê-los. Isso não significa que você deva “soltar tudo” neste momento, a ideia é encarar este lado menos “bonitinho” de sua personalidade, a fim de transformá-lo.»

*ps: lembrei-me da tia nadir, que faleceu, agora, dia 14, terça passada. lá pelas idos de 2000 ela vinha visitar a casa de minha mãe, quando eu ainda mora na mesma casa de meus pais, e uma das atividades obrigatória que fazíamos juntos era acessar a internet, eu como navegador, em busca do oráculo… ela adora essas consultas aos horóscopos, às runas e ao tarot, e tudo mais neste sítios oraculares.

***

penso em cortar o cabelo e a barba. e emagrecer… e fazer atividades físicas… e penso… e jogo 2048.

escovar a contra pelo…

[sex] 19 de setembro de 2014

alguns contrapontos para a tarde:

#1. o silêncio afetivo de meu pai me é estranho. e tão familiar. onde os gestos de afeto, quando veem, muitas vez por serem provocados, estão misturados ao terror e ao horror. a indiferença é a constante. o familiar, e o que me embrulha o estômago, quando vejo esse terror e horror transportado dele em mim – pelos anos de convívio -; e me angustia o espírito, quando me percebo tão indiferente ao outros, e sobretudo, a mim mesmo. e sou, espelhando, essa disputa entre este homem e este anti-homem. essa busca por um mundo diferente… ali fora, mas sobretudo… aqui dentro, no peito.

#2.  «os vencedores de hoje caminham sobre os corpos dos vencidos de hoje (tese vii)». walter benjamin.

#3. reflexões: objetividade, ciência, ideologia, religião…

#4. vivo as dores de um resfriado.

#5.  https://www.youtube.com/watch?v=w4ldfmoMoZk&list=RDw4ldfmoMoZk

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas /// Aquele era o tempo / Em que as mãos se fechavam / E nas noites brilhantes as palavras voavam / E eu via que o céu me nascia dos dedos / E a ursa maior eram ferros acesos / Marinheiros perdidos em portos distantes / Em bares escondidos / Em sonhos gigantes / E a cidade vazia / Da cor do asfalto / E alguém me pedia que cantasse mais alto // Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada // Aquele era o tempo / Em que as sombras se abriam / Em que homens negavam / O que outros erguiam / E eu bebia da vida em goles pequenos / Tropeçava no riso, abraçava venenos / De costas voltadas não se vê o futuro / Nem o rumo da bala / Nem a falha no muro / E alguém me gritava / Com voz de profeta / Que o caminho se faz / Entre o alvo e a seta // Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada // De que serve ter o mapa / Se o fim está traçado / De que serve a terra à vista / Se o barco está parado / De que serve ter a chave / Se a porta está aberta / De que servem as palavras / Se a casa está deserta? // Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? Quem me diz onde é a estrada? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me leva os meus fantasmas? / Quem me salva desta espada? / E me diz onde é a estrada /// Composição: Pedro Abrunhosa // Interpretação: Maria Bethânia.

 

o que faz falta é animar a malta

[ter] 19 de agosto de 2014

Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta

O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta

Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder a malta
O que faz falta

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (ZECA AFONSO).

PS: http://www.priberam.pt/dlpo/MALTAhttp://mocambicanismos.blogspot.com.br/2009/01/m.html

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E mais umas páginas avançadas de ‘A sociedade contra o Estado’ (Pierre Clastres)

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Harald Schultz – Olhar Antropológico

el triángulo de la bermudas

[seg] 19 de maio de 2014
«Meu coração não sabe. Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas. (Na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que homens se comunicam.)» Carlos Drummond de Andrade.

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como é difícil romper essas amarras. barco ancorado no meio do nada. a tendência é ilhar-me, náufrago neste mundo, nesta canoa velha, distanciar-me destes territórios humanizados, destes seres tão queridos, contemplar o sofrimento humano diário, sofrer mudo, iludido que somente só não hemos de causar dano alheio. passei mais de dez dias mergulhado em planos suicidas, ignorando minha humanidade… e duas ou três palavras me revoltaram, provocaram profunda contradição: não sei se me mato por ser tão assim ou se durmo e nada me entorpece mais que a ausência de coragem. emaranho-me anhelado…

 

«Depois que atravessarem o muro e a tarde os caracóis cessarão. Às vezes cessam ao meio. Cessam de repente, porque lhes acaba por dentro a gosma com que sagram os seus caminhos. Vêm os meninos e os arrancam da parede ocos E com formigas por dentro passeando em seus restos de carne. Essas formigas são indóceis de ocos. Ah, como serão ardentes nos caracóis os desejos de voar! P.S.: Caracol é uma solidão que anda na parede.» Manoel de Barros

contra-senha sem senha

[qua] 19 de março de 2014

Hoje é apenas quarta-feira… E toda aquela tranquilidade gostosa do domingo evaporou-se já na segunda cedo. Segunda-feira foi um dia lotado de atividades, e foi exaustivo e um pouco tenso. Terça idem – entre obrigações familiares e atividades de militância social e sindical. Quarta… sou  acordado cedo, e estou com um mal-jeito nas costas e, sobretudo, irritado. tenho um pilha de atividades para corrigir e a vontade…

A vontade é ficar quieto em casa. Mas…

‘bora começar porque em duas horas é necessário partir rumo à escola.

o ano um da revolução russa – excerto

[qui] 19 de dezembro de 2013

Das leituras… Grifos deste que vos escreve.

Abaixo seguem excertos extraídos entre páginas 135 e 139 do livro ‘O Ano 1 da Revolução Russa’ editado pela boitempo, do historiador e militante comunista, Victor Serge.

«REALISMO PROLETÁRIO E RETÓRICA ‘REVOLUCIONÁRIA’

[…]

O realismo proletário se consolida nessas discussões frente a frente com o fraseado ‘revolucionário’ dos socialistas-revolucionários de esquerda, excelentes revolucionários pelo sincero desejo que têm de servir ao socialismo, por sua coragem e por sua probidade, porém, como toda a burguesia radical de que representam o elemento mais avançado, escravizados às grandes palavras a que se reduz a ideologia da democracia burguesa.

É incessante o apelo de Lenin à iniciativa das massas. A espontaneidade das massas lhe parece a condição necessária do êxito da ação organizada do partido. A 5 de novembro, assina um apelo à população, convocada a combater a sabotagem. A maioria do povo está conosco, nossa vitória é certa:

Camaradas, trabalhadores! Lembrem-se que são vocês mesmos que, a partir de agora, administram o Estado. Ninguém virá em seu socorro se vocês mesmos não se unirem, se vocês não tomarem em suas mãos todos os negócios do Estado […]. Reúnam-se em torno de seus sovietes. Consolidem-nos. Mãos à obra, de baixo para cima, sem esperar nenhum sinal. Instituam a ordem revolucionária mais severa, reprimam impiedosamente os excessos anárquicos dos bêbados, vadios, dos junkers contra-revolucionários, dos seguidores de Kornilov etc. Instituam o mais rigoroso controle de produção e o recenseamento dos produtos. Detenham e entreguem ao tribunal do povo revolucionário todo aquele que ouse prejudicar a causa do povo […].

Os camponeses são convocados a ‘tomar por si mesmos, no ato, a plenitude do poder’. Iniciativa, mais uma vez iniciativa, sempre iniciativa!, essa palavra de ordem que Lenin lança às massas em 5 de novembro, dez dias depois da insurreição vitoriosa.

AS CLASSES MÉDIAS DAS CIDADES E A REVOLUÇÃO

Dois grandes fatos gerais caracterizam os primeiros dias logo após a revolução.
1. As classes médias das cidades (o decreto sobre a terra satisfaz as classes médias do campo, que somente bem mais tarde irão se sublevar) aderem interamente à contra-revolução. São elas que lhe fornecem as forças vivas, os batalhões de choque. Nas batalhas de rua de Moscou e de Petrogrado, como nas encostas de Pulkovo, a burguesia certamente não se defende ela mesma, como também não dispõe de corpos organizados de mercenários. Quais são seus derradeiros defensores? Os oficiais, os cossacos – voltaremos a fala dos cossacos -, os alunos das escolas militares, a juventude das escolas superiores, os funcionários públicos, os empregadores de maior categoria, os técnicos, os intelectuais, os socialistas, todos gente de condição média, mais ou menos explorados, porém nitidamente privilegiados no seio da exploração e participantes da exploração. A inteligência técnica organizada, a uma só vez, a produção e a exploração; ela é, desse modo, levada a se identificar com o próprio sistema e a conceber o modo capitalista de produção como o único possível. A pequena-burguesia, instruída, remediada, mantida sob tutela pela burguesia, muitas vezes ameaçada de pauperização e, assim, próxima do proletariado – daí sua inclinação para o socialismo – é propensa às mais nefastas ilusões. Muito mais culta que o proletariado, muito mais numerosa e avançada do que a burguesia propriamente dita, julga-se convocada a dirigir a sociedade. As ilusões democráticas do último século, nascidas em parte desse estado de espírito, tem, por sua vez, contribuído para mantê-lo. O socialismo da pequena-burguesia é capitalista, consequentemente orientada para a defesa da velha ordem e da educação das massas, em conformidade com os interesses dos ricos; a mentalidade pequena burguesa tende a separar, sobretudo em política, a ação da palavra, sendo esta considerada um derivativo da ação, ou um substituto enganador da ação (recordem-se os ‘gestos simbólicos’ do radicalismo francês). Os melhores espíritos das classes médias russas simpáticas à revolução muito antes que esta se tornasse realidade julgavam necessário limitar-se a uma revolução que teria dado início a uma era de sábias reformas. A revolução proletária lhes parecia uma ascensão de bárbaros, uma queda na anarquia, uma profanação da ideia mesma de revolução. Esse ponto  de vista foi expresso vigorosamente por Máximo Górki, em suas ‘Considerações inatuais’, que publicadas pela Novaia Jizn. As classes médias queriam que a revolução burguesa instituísse em república democrática, em que elas fossem as classes dirigentes e em que o desenvolvimento capitalista prosseguisse sem entraves: concepção basante nítida nos mencheviques e nos socialistas-revolucionários que, naquele momento, foram os ideólogos mais clarividentes da pequena-burguesia.

Além disso, seu utopismo sentia-se chocado com a realidade da revolução: como era grande a diferença entre o idílio romântico sonhado por tantas vezes e a dura e sangrenta realidade! Habituados a viver em meio a realidade dura e sangrentas, a sofrer necessidades indisfarçadas, formados na escola da repressão e da guerra imperialista, os operários e os soldados tinha mentalidade totalmente diferente.

Às classes médias esclarecidas, a Revolução de Outubro parecia o golpe de força de um punhado de doutrinários fanáticos, apoiados por terrível movimento do população ignorante. Veremos que Górki emprega exatamente esses termos. O problema da guerra e da paz, atingido-as em seu patriotismo (o patriotismo é produto seu por excelência; o proletariado é internacionalista; a burguesia professa senão um patriotismo de negócios composto com um cosmopolitismo financeiro), do mesmo modo que atingia os revolucionários pequeno-burgueses em seu romantismo, aprofundou o fosso existente entre a revolução e aquilo a que se denominava erradamente – ‘a democracia’.

Prever antecipadamente que a democracia pequeno burguesa, toda ela, com a energia do desespero, cerraria fileiras ao lado da contra-revolução, a ponto de seguir os generais monarquistas, a ponto de sonhar com um Galliffet, a ponto de proceder a execuções em massa de insurretos – isso não era possível. E essa impossibilidade explica os erros de alguns bolcheviques: até os fuzilamentos do Kremlin, o Comitê Revolucionário Militar de Moscou parece haver nutrido a esperança de que os socialistas-revolucionários e os mencheviques não iriam muito longe contra a revolução operária: o erro da minoria do Comitê Central do PCR e do Conselho dos Comissários do Povo foi admitir a possibilidade de uma concentração socialista, isto é, de um retorno da pequena-burguesia socializante ao proletariado. Na verdade, a atitude contra-revolucionária das classes médias não era rigorosamente determinada por seus interesses de classe: percebemos hoje que eles teriam tido toda vantagem em submeter-se ao regime dos sovietes; sua pouca importância numérica, sua falta de homogeneidade e a formidável superioridade de organização, de valor moral e de pensamento do proletariado (o partido, o espírito de classe, o marxismo), a adesão das massas da pequena-burguesia rural à revolução, tudo as destinava a uma cruel derrota: pior do que isso, a um desbaratamento total; sua resistência, porém, devia tornar maior a ruína, devastar o país. Fossem elas um pouco mais clarividentes na avaliação das forças em presença e se teriam poupado – e poupado o país – de muitas calamidades. Sem dúvida, as classes médias não terão sempre essa atitude diante da revolução proletária; é bem provável que o poderio e o espírito de decisão do proletariado venham a conseguir, nas batalhas sociais do futuro, induzi-las a se manter neutras no início e, em seguida, a aderir a ele. Decididamente, elas acompanham e acompanharão os mais fortes; quando perceberem que as classes operária é a mais forte, elas acompanharão. Na Russia, em outubro de 1917, as classes médias se enganaram: a vitória do proletariado lhes pareceu impossível. Por muito tempo, não acreditaram nisso, esperando, dias após dia, semana após semana, o desmoronamento do bolchevismo. De fato, para crer na vitória de uma classe, que até então jamais havia vencido na História, que não tinha sequer experiência do poder, ou competência, ou riqueza, ou instituições próprias – exceto algumas formações de combate, seria preciso estar tão profundamente penetrado pela missão histórica do proletariado quando os bolcheviques o estavam; uma palavra, era preciso ser marxista revolucionário. A anulação desse móvel psicológico da atitude contra-revolucionária da pequena-burguesia russa é um dos importantes resultados históricos da Revolução de Outubro.

AS ‘LEIS DE GUERRA’ NÃO SE APLICAM À GUERRA CIVIL

2. Essas jornadas se caracterizam, também, pela forma de que, nelas se reveste a guerra civil. Os vermelhos, não sabendo ainda empregar repressões, praticamente ignorando a necessidade das repressões, propensos a se deixar enganar quanto à democracia socialista, mostram-se de uma deplorável mansidão. Comprarem-se as condições impostas pelo CRM vitorioso de Moscou ao Comitê de Salvação Pública e as que esse comitê branco, longe de ser vencedor, tentara impor ao CRM. Nessa caso, os brancos massacram os operários do Arsenal do Kremlin; naquele, os vermelhos libertam, condicionalmente, seu inimigo mortal, o general Krasnov. Aqui, os brancos conspiram para o restabelecimento implacável da ordem; ali, os vermelhos hesitam em suprimir a imprensa reacionária. A inexperiência era, seguramente, uma das causas profundas dessa perigosa mansidão dos vermelhos.

Em contraposição, a contra-revolução, logo de saída, empenhou-se a fundo, irrefletidamente. Não há dúvida de que a guerra civil só iria se tornar violenta com o passar do tempo, com a ajuda estrangeira; porém, desde 26 de outubro, a luta foi muito mais cruel que as guerras entre Estados diferentes. Estas geralmente se submetem a certas leis; existe um direito de guerra; na guerra entre classes, não existe direito, não há ‘convenções de Genebra‘, não há costumes cavalheirescos, não há não-beligerantes. A burguesia e a pequena-burguesia recorreram, de saída, à greve e à sabotagem de todas as empresas de utilidade pública, de todas as instituições, uma arma interdita pelos costumes de guerra. Em parte alguma, na Bélgica ou na França invadida, os técnicos se puseram em greve com a chegado do inimigo. A sabotagem foi uma tentativa de organizar a fome, isto é, de atingir a população operária, sem distinção entre combatentes e não-combatentes. A utilização feita do álcool é igualmente significativa. E toda a conspiração contra-revolucionária foi uma preparação para o terror branco.

O que aconteceu é que as guerras entre Estados são, habitualmente, guerras intestinas entre ricos, que professam uma mesma ética de classes, uma mesma concepção do direito. Tem sido mesmo muito forte, em certas épocas, a tendência de reduzir a arte da guerra a um jogo bastante convencional. A arte moderna da guerra data da Revolução Francesa que, opondo uma nação burguesa em armas ao exército das antigas monarquias, exércitos profissionais, baseados no recrutamento compulsório e nos mercenários, e comandados por nobres, anulou de um só golpe as convenções antiguadas de tática e de estratégia anteriores. Os europeus só se afastam das regras atuais da guerra com respeito a povo que consideram inferiores*; do mesmo modo, na guerra entre classes, as classes dirigentes, convencidas de estar defendendo a ‘civilização’ contra a ‘barbárie’ operária, acreditam que todos os meios são lícitos. Estão em jogo interesses demasiado grandes, todas as convenções são abolidas e como a ética – não existe uma ética humana, só existem éticas de classes ou de grupos sociais – deixa de exercer sobre os combatentes sua ação moderadora, as classes exploradas rebeladas são declaradas pela contra-revolução ‘indignas da humanidade’. Essas verdades podia ser entrevistas, nitidamente, ao final da primeira semana do regime dos sovietes. Veremos, mais adiante, o massacre dos prisioneiros torna-se regra na guerra civil, e os Estados capitalistas, durante muitos anos, tratarem a Rússia comunista como um país fora da lei.

nota de rodapé: * Os franceses, algumas vezes, durante a conquista da Argélia. Lembremo-nos também, os métodos de guerra e de dominação dos ingleses na Índia; o saque do palácio de Pequim pelas tropas europeias, em 1900; as atrocidades dos italianos na Tripolitania; dos franceses na Indochina e no Marrocos; dos britânicos no Sudão. Em nenhuma guerra dos tempos modernos os vencidos foram tratados com tanta ferocidade quanto os da Comuna de Paris, em 1871.»

três mil dias e o centenário do poetinha

[sáb] 19 de outubro de 2013

O centenário do Poeta. De todas e todos, foste o primeiro. Aquele que me cruzou o caminho, perpassou este peito que sangra(va) enquanto amava e desamava e amava mais e desamava mais e sofria. Sofria tanto, porque amar não é algo assim tão simples… Principalmente quando és iniciante nesta arte… Sofres bocados. Mas entre a apatia e o sofrimento lá estavas tu, dizendo-me: “soframos… (…) posto que é chama”… O poeta repleto de desencontros e encontros ensinava ao rapaz estes novos caminhos. O poeta e o rapaz, e ainda faltavam 15 anos para este centenário, o primeiro poeta. Foi mergulhando em tua poesia que meus versos infantes nasceram qual um fluxo incontrolável ou uma fenda por onde desaguava no exterior as águas de um oceano profundo e interior todos os sonhos e toda a solidão emergiam, brotavam, sangravam, ganhavam sons, tornavam-se imensos… Era eu-poeta gente posto que sentia e soltava ao mundo meu mundo e cada palavra toscamente grafada era uma barra a menos na prisão do poeta nascente… Na poesia eu encontrava-me no mundo… Sem ela, o mundo me era estranho e violento por demais. Desde então, sem perceber o ponto de transição transmutei-me neste, nem sempre, doloroso verso.

Depois de ti poeta, tantas e tantos, e todos estas e estes me marcaram a carne profundamente, apreendi um tanto com cada – e de cada verso-poesia-poetas eu irmanava.

Mas hoje, poeta, vagando, e pensando, que talvez seja a secura ou uma terra maltratada, mas tenho abandonado a lição que compartilhaste… E não escrevo mais, desaprendo a poesia, mudo o poema…

Sei, apesar de tudo, sabemos: só a poesia é a brecha, a fenda… A forma mais próxima do encontro, neste oceano de desencontros. Sem poesia, tudo é [  vazio  ] demais.

***

Ontem, pela tarde, enquanto reencontrava, nas leituras semanais, outro poeta e pensava sobre a situação que me enfiei, nestes velhos e sujos hábitos, emaranhado-me em nós que imobilizam, sufocam, asfixiam o poeta-poema-poesia e só me sobra o inverso de ti, primeiro poetinha, de tua lição… pelo amor (mas acho que isto não é bem amor) ao medo e pelo medo do amor (e de toda o sofrimento que vem no seu bojo) desamo tudo em mim e a poesia torna-se impossível… não posso (ainda, quem sabe…).

Anotei as palavras sobre o poeta comfus… “Esse ‘quartinho-barquinho’ num apartamento comunal, onde residiam mais cinco famílias e no qual o poeta ‘navegou’ três mil dias’, seria seu último abrigo antes do fatídico tiro no coração.” p. 251

E por agora conto meus pequenos e enfadonhos contos, aguardo a poesia que me libertará… mas dia desse, quando não houverem mais crianças nem cachorros, quem sabe me saco disto tudo, e num tiro tudo desmancharia-se no ar… assim será – mais cedo ou mais tarde.

a condição humana – total

[seg] 19 de agosto de 2013

as coisas morrem. as pessoas morrem. alguém de casa morreu.  há um lamento no ar e uma mancha rubra nos olhares. a dor no peito é imensurável, tal qual a distância que de um instante para outro se fez.

morte e vida. instantes do mesmo processo. cessa-se o sofrimento, os dilemas… as contradições. o que se perde é distinto do que se foi. o que se perde é uma certa certeza do outro ali, não importando se são centenas de quilômetros que nos separam… o outro está ali, dentro de nós – e ele se reafirma em cada vão contato, em cada efêmera relação. o outro continua ali, dentro de nós. mas o contato não há. apenas nossa solidão, nossa absurda e imutável solidão. e ida do outro trás à pele a flor das impotências, do cessar das possibilidades, o não dito ou feito, o não comunicado. e pouco a pouco tudo borra-se. o mundo fica distinto. o que se foi, foi, só. o que se perde, perde, nó não mais desatado.

e cada um carrega sua dor, tão sua, que ser e doer são instantes do mesmo processo. da mesma condição humana, mutante, total.

se houvessem mundos outros, haveria um reencontro. mas creio que nada foi perdido, da matéria nada se perde, da lembrança há  ad infinita relembrança, de nós, apenas a condição mais humana.

que fiquemos em paz, tio.

plano ordinário

[sáb] 19 de janeiro de 2013

Carrego um corte novo. O pé dói. Não sei quando e nem como, por descuido ou desatenção, e creio ter sido bem mais do que uma vez apenas, numa sucessão de descuidos e desatenções… que levaram-me inadvertidamente a este corte no peito do pé. Um corte raso, mas dolorido… Um corte como estes que você nem sabe quando nem sabe como vai realizando todo dia quando deixa uma coisa para trás, quando não cuida de outra, quando esquece a navalha no quintal, quando deixa de realizar alguma coisa importante… Até um momento onde o sangue jorra e te mostra o quanto tudo é precário, tudo é provisório, tudo é falível, tudo é muito mais caótico e aos mesmo tempo encadeado… E neste momento apenas, o que é uma pena, você percebe que quase sempre é um tolo: por tanto descuido, pela desatenção, pelo esquecer-se de que há vida lá fora…

Carrego uns tantos cortes. Não sei quando e nem como…

filosofant

[seg] 19 de dezembro de 2011

18.12

7:16 Ah! Vamos lá…  Banhar-me, desjejuar e ir-se.

8:13. E quem diria que já estou aqui…

8:17. Vou caminhar até lá…

8:35. Invisto-me nesta armadura de ignorância e atravesso todo este caminho repleto de tranquilidade.

10:00

“(…) O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias. No limite, não existe um documento-verdade. (…) Cabe ao historiador não fazer papel de ingênuo. (…) é preciso começar por desmontar, demolir esta montagem, desestruturar esta construção e analisar as condições de produção dos documentos-monumentos.” Jacques Le Goff. Em “História e Memória”.

11:06

“(…) Um verdadeiro estímulo da vida humana é a alegria do amanhã. Na técnica pedagógica esta alegria do amanhã é um dos objetos mais importante do trabalho. Primeiro, é preciso organizar a própria alegria, fazê-la viver e convertê-la em realidade. Em segundo lugar, é necessário ir transformando insistentemente os tipos mais simples de alegria em tipos mais complexos e humanamente significativos. Aqui existe uma linha muito interessante: da satisfação mais simples até o mais profundo sentimento do dever. (…) O mais importante que nos habituamos a valorizar no ser humano é a força e a beleza. Tanto uma coisa quanto a outra determina-se na pessoa exclusivamente pelo tipo de atitude que ela assume em relação ao futuro. A pessoa que determina seu comportamento em relação ao futuro mais imediato é a pessoa mais fraca. Se ela se satisfaz só com a sua própria perspectiva, ainda que seja em longo prazo, é capaz de ser forte, mas não nos despertará a sensação de beleza de personalidade e do seu verdadeiro valor. Quanto mais ampla é a coletividade cujas perspectivas se identificam com as perspectiva pessoais do indivíduo tanto mais nobre e belo é este último. (…) Educar um ser humano significa formas nele capacidade que possa escolher vias com perspectivas. A metodologia deste trabalho consiste em organizar novas perspectivas, em utilizar as existentes, em colocar, pouco a pouco, outras mais elevadas. (…) Pode-se começar com um bom almoço e com uma ida ao circo, mas é preciso sempre animar toda a coletividade pela vida e gradualmente alargar as suas perspectivas, enaltecê-las até o nível dos objetivos de todo o país. (…) Os fracassos em muitas instituições infantis se devem às perspectivas fracas e mal definidas. Mesmo em instituições infantis bem equipadas não se conseguirá um bom trabalho e disciplinas se não traçarem perspectivas claras. Anton Semionovich Makarenko. Em “Metodologia para a organização do processo educativo”.

21:33 De trinta pontos possíveis fiz dezoito. Eram dezenove, mas errei a notação no gabarito na questão vinte e um. Agora é esperar dia vinte e nove e descobrir se estou entre os vinte e quatro ou os trinta e quatro. Se é que entre este cinquenta e oito alguém não tenha faltado e esteja entre os dezoito por cento de abstenção.

19.12

11:44 Fiz matricula. Plano A é dar aulas, quarenta horas talvez; Plano B é o curso técnico; Plano C é retorno à graduação para estruturar projeto para pós. Nenhum exclui os demais, é apenas ordem de foco.

12:07 Mate, e um passeio cerro acima com as cãs.

13:50 Encontro um filho que não sabe voar ainda. Pegamos para cuidar já que o ninho é muito alto e há gatos cá. Que aflição, que fragilidade.

14:23 Subo na árvore.

20:52 Não terminei a obra, amanhã cedo continuo a serrar e pregar.

21:49 Uma árvore enorme caiu. Que susto.

23:30 Os Cães da Catalunha. Gossos cantados por Jorge Drexler. Não encontrei a versão original cantada pelos Gossos. Drexçer não sai de minha lista sonora.  Club Tonight /// Aquesta vegada no puc més i he deixat de treballar. / M’he passat tota la vida escombrant milers de carrers / i avui no puc més i he deixat de treballar.No em fa falta cap motiu, avui ho he vist molt clar / el meu temps ja ha arribat després de seixanta anys. / Jo vull dir-te que nena, quedem-nos en el Club Tonight / que et canto una canció d’amor… // Jo vull dir-te que nena, quedem-nos en el Club Tonight / que demà es Festa Major, per tu i per jo… // Invertiré tota la pensió un fons de benestar personal / me’n vull anar a fer-te una visita. / El mar i el cel per fi, potser no lluny d’aquí trobaré els amor perduts / que han inspirat tantes cançons genials. // Jo vull dir-te que nena, quedem-nos en el Club Tonight / que et canto una canció d’amor… / Jo vull dir-te que nena, quedem-nos en el  Club Tonight / que demà es Festa Major, per tu i per jo…

23:44 Esta anotação ainda não existe. É apenas uma idéia. Um rascunho… Esta canção, aleatoriamente me leva a recorda um filme visto por estes últimos dias. mammuth.

illusiones ópticas

[seg] 19 de setembro de 2011

insistimos nestes olhares que não percebem que a vida não é linear, progressiva… ou que nem sempre melhora.

porque a vida é qualquer coisa assim:

«Precário, provisório, perecível; Falível, transitório, transitivo; Efêmero, fugaz e passageiro; Impuro, imperfeito, impermanente; Incerto, incompleto, inconstante; Instável, variável, defectivo;»

«E apesar… Do tráfico, do tráfego equívoco; Do tóxico, do trânsito nocivo; Da droga, do indigesto digestivo; Do câncer vil, do servo e do servil; Da mente o mal doente coletivo; Do sangue o mal do soro positivo; E apesar dessas e outras… O vivo afirma firme afirmativo O que mais vale a pena é estar vivo! É estar vivo»

«Não feito, não perfeito, não completo; Não satisfeito nunca, não contente; Não acabado, não definitivo; Eis aqui um vivo, eis-me aqui.» Lenine

VIVO.

ps: referência incidental:

Стачка

[ter] 19 de abril de 2011

à toa. aproveitando-me. e cá poderia bem por alguma brevíssima crônica sobre o luar cheio deste final de domingo passado ou sobre a rotina de viver no meio do mato e limpar peixes para o assado ou ainda sobre todas as canções de drexler que inspiram os dias… mas agora só posso fragmentos relacionados ao que tenho estudado por esses dias. estudos livres. sem pressa. sem data. O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente // E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm. // E assim nas calhas de roda / Gira, a entreter a razão, / Esse comboio de corda / Que se chama coração. // FERNANDO PESSOA / Autopsicografia.

e leio esse cara ai de baixo – fruto das poucas aulas que tenho acompanhado de antropologia visual.

todos a sus puestos

[sáb] 19 de março de 2011

uma noite com jorgeclaudionor e paulo. é bom filosofar, contar histórias e curtir boa música. é bom não morar sozinho.

e a lua vai cheia e linda.

tome nota… um punhado de secos e molhados.

[sáb] 19 de fevereiro de 2011

uma seleção de secos e molhados {um presente de eduardo perondi, desde 2007}:
1. Sangue Latino
2. Prece Cósmica
3. Rondo do Capitão
4. As Andorinhas
5. Fala
6. Tercer Mundo
7. Flores Astrais
8. Não: não digas nada!
9. Medo Mulato
10. Oh! Mulher Infiel
11. Vôo
12. O Vira
13. Angústia
14. O Hierofante
15. Caixinha de Música do João
16. O Doce e o Amargo
17. Preto Velho
18. Delírios
19. Toada & Rock & Mambo & Tango & etc.
20. O Patrão Nosso de Cada Dia
21. Amor
22. Primavera Nos Dentes
23. Assim Assado
24. Mulher Barriguda
25. El Rey
26. Rosa de Hiroshima

***
[coleciona] o homem precisa ter graça, precisa ter força. o homem é feito por suas ações. e é preciso ter coragem. […] a lua, pela porta do quarto, me acompanha madrugada dentro. […] ela, mulher desconhecida, me chama de meu amor. […] vontade danada de só ficar ali olhando por horas e horas aquela beleza toda – que é um mar espelhando esse luar, que é uma mulher. ou uma noite tranquila […] é preciso ter paciência – pois somos esses destroços, essas ruínas. […] e rio porque é tudo muito triste. é muito o que pouco podemos fazer. […]

Precisamos estar livres primeiro pra chegar mais perto do que somos. depois existirá uma maneira da intenção virar coisa da vida real. Se não exatamente aquilo, algo no caminho do ser inteiro. Que flua o sonho, adaptações sempre ocorrerão!

o escafandro…

[sáb] 19 de fevereiro de 2011

vinagre y rosas

[qua] 19 de janeiro de 2011

[para não haver mal entendidos… voltei cá e editei. já não vai incompleto como antes, quando Izabel me atentava]

2009. Joaquin Sabina…. Ouvindo sem parar nos últimos dez dias. Letras na ordem que ouço cá…

5. TIRAMISÚ DE LIMON / Hice un solo desafinado / con las cenizas del amor / las verbenas del pasado / cangrenan el corazón. // Acórtate la falda nueva / despiértate al oscurecer / túmbate al sol cuando llueva / no desordenes mi taller // Tiramisú de limón / helado de  aguardiente / muñequita de salón / tanguita de serpiente. // De madrugada y por la puerta de servicios / me pasabas el hachís / al borde del precipicio / jugábamos a Thelma y Louise // Pero esta noche estrena libertad un preso / desde que no eres mi juez. / Tu vudú ya pincha en hueso, / tu saque se enredó en red. // Tiramisu de limón / helado de aguardiente / puritana de salón / tanguita de serpiente. // Dónde crees que vas / qué te parece que soy / no mires atrás / que ya no estoy. // Pero dónde crees que vas / qué te parece que soy / si miras atrás / mañana es hoy. // Dónde crees que vas / qué te parece que soy / puede que quizás / luego sea hoy. // Nena dónde crees que vas / que te parece que soy / no mires atrás / que ya me voy. // Que sepas que el final no empieza hoy. /// 1. VIUDITA DE CLICQUOT / A los quince los cuerdos de atar me cortaron las alas, / a los veinte escapé por las malas del pie del altar, / a los treinta fui de armas tomar sin chaleco antibalas, / Londres fue Montparnasse sin gabachos… Atocha con mar. // A los cuarenta y diez naufragué en un plus ultra sin faro, / mi caballo volvió solo a casa, ¿qué fue de John Wayne? / Me pasé de la raya con tal de pasar por el aro, / con 60 qué importa la talla de mis Calvin Klein. // Nunca suple templar la guitarra que embrida mi potro, / cuando el dealer me dijo que si no le dije que no, / la hormiguita murió, la cigarra se murió con otro, / yo aposté por las fichas caídas de tu dominó. // Allons enfants de la patrie, / maldito mayo de París, / vendí en Portobello los clavos de mi cruz, / brindé con el diablo a su salud. // Se llamaba Rebeca la gringa que empató conmigo, / me sacaba la lengua en lugar de enseñarme a besar, / me compró una tormenta después de robarme el abrigo, / con la espalda mojada no hay nada peor que soñar. // Negocié tablas al ajedrez: tu alfil por mis peones, / abrevé en los pezones con sal de la mujer de Lot, / antes de que tiñera noviembre mis habitaciones, / descorché otra botella con la viudita de Clicquot. // Allons enfants de la patrie, / maldito mayo de París, / vendí en Portobello los clavos de mi cruz, / brindé con el diablo a su salud. / Mi manera de comprometerme fue darme a la fuga. /// 2. CRISTALES DE BOHEMIA / Vine a Praga a romper esta / canción por motivos que no voy a explicarte, / a orillas del Moldava / las olas me empujaban / a dejarte por darte la razón. // En el Puente de Carlos aprendí / a rimar cicatriz con epidemia, / perdiendo los modales: / si hay que pisar cristales, / que sean de bohemia, corazón. // Ay! Praga, Praga… Praga / donde el amor naufraga en un acordeón. / Ay! Praga, darling, Praga / los condenados pagan / cara su rendeción. // Ay, Praga, Praga, Praga, / dos dedos en la llaga / y un santo en el desván. / Ay! Praga, darling, Praga, / la luna es una daga / manchada de alquitrán. // Vine a Praga a fundar una ciudad / una noche a las diez de la mañana, / subiendo a Mala Strana, / quemando tu bandera / en la frontera de la soledad. // Otra vez a volvernos del revés, / a olvidarte otra vez en cada esquina, / bailando entre las ruinas / por desamor al arte / de regarte las plantas de los pies. // Ay! Praga, Praga… Praga / donde el amor naufraga / en un acordeón. // Ay! Praga, darling, Praga / los condenados pagan / cara su salvación. // Ay! Praga, Praga… Praga / donde la nieve apaga / las ascuas del tablao. / Ay! Praga, darling, Praga / lágrima que se enjuaga / en Plaza Wenceslao. // Ay, Praga, Praga, Praga, / dos dedos en la llaga / y un santo en el desván. // Ay! Praga, darling, Praga, / la luna es una daga / manchada de alquitrán. /// 3. PARTE METEREOLÓGICO / Se anuncia entre los dos tiempo inestable / asoman a tus ojos las tormentas, / por la noche es probable / que el viento sea variable, / que me quieras… y luego te arrepientas. // La isobaras ven hielo en tus venas / y en tu pañuelo un mar que se sofoca / y auguran las antenas / que harán falta cadenas / para subir al puerto de tu boca. // Besarte es desatar un huracán / que suba en el termómetro el mercurio, / algunas nieves dan / calor cuando se van / fundiendo entre el desierto y el diluvio. // A, E, I, O, U / a mi boda fueron todas menos tú. / Do, Re, Mi, Fa, Sol, La, Si / marejada ni contigo ni sin tí. // Lo malo es que después la gota fría / se instala entre mis huesos y los tuyos, / corrige mi alegría / la noche de aquel día / que me condena al páramo y al trullo. // Caerá un rayo en mi torre de Babel, / arrasarán las plagas y la hambruna, / vendrán lunas de hiel, / a devastar mi piel / si el desamor no encuentra su vacuna. // A, E, I, O, U / a mi boda fueron todas menos tú. / Do, Re, Mi, Fa, Sol, La, Si / marejada ni contigo ni sin tí. // A, E, I, O, U / a tu vera el dulce hogar era un iglú / Do, Re, Mi, Fa, Sol, La, Si // marejada ni conti… / marejada ni conmi… / marejada ni contigo ni sin tí. /// 4. AY! CARMELA / Ay Carmela, me duelen tus ojos / sembrando rastrojos / canela en la nieve. / Como dos carabelas, / tan pintas, tan niñas, tan leves. // Minifalda / con bici a la espalda / y nariz indiscreta, / poco más que decir. // Urge sobrevivir / te mereces un novio poeta // No me pidas que muera por tí / lo que queda de mí / se subasta a la mejor postora / como un parco motín / en el barco ruín de la aurora. // No me obligues a hacerte la ola / sigue sola tu camino / al fin y al cabo ni sé ni sabo / cuánto nos cobra el destino. // En los bares del foro / rompías el guión / de una peli con final feliz. / No había rubia en el coro / más loro ni más Norma Jean. // Y después de la feria y el cole, / la histeria y el miedo; / si te da por contar / hombros donde llorar / va a sobrarte una mano y seis dedos. // No me canso de hablarte / aunque pronto mi voz / suene a grano de arroz repetido / y desampararte es jugar / a los fuegos de azar del olvido. // Nada amanece, todo envejece, / plancha tu velo de tul. / Tal vez mañana a tu ventana / llamé otro príncipe azul. // Y no sé de qué modo / dejar de adorarte sin duelo / entre nunca y quién sabe. / Cuando quemes tus naves / no me pierdas las llaves del cielo. /// 6. VIRGEN DE LA AMARGURA / Rompiendo mi promesa / de no volverte a verte ni en pintura, / me he sentado a tu mesa, // Virgen de la Amargura / a jugarme a los dados nuestra suerte, / a absolverte de todos mis pecados. // Bendigo la condena, / al sólo de tu bordón que me hace fuerte / y beso tus cadenas / y quiero prometerte / ser libres como dos versos tachados / del dictado de la revolución. // Me acuso de morirte sin tu boca, / confieso que desde que te has / marchado / solo bailo en las fiestas donde tocan / la musica del vals de los ahorcados. // Virgen de la Amarguara, / devuélveme la vida, / sin tí todo es usura / y noches perdidas / facturas, / calenturas, / heridas sin sutura, / caídas, / congeturas, / sacudidas, / cerraduras / despedidas de locura y callejón. // La guerra ha terminado, / yo vengo a arrodillarme ante tu cama. / Te rezan mil soldados / y el palacio está en llamas, / tu general arría mis banderas, / las fieras entran en la catedral. // El rey murió en el campo de batalla, / la reina se ha pasado al enemigo, / yo no me cuelgo más que la medalla / de no saber contar menos contigo. // Virgen de la Amarguara, / devuélveme la vida, / sin tí todo es usura / y noches perdidas / facturas, / calenturas, / heridas sin sutura, / caídas, / congeturas, / sacudidas, / cerraduras / despedidas de locura y callejón. // Te vas y no te vas / y cuando vienes / rezo para que los trenes / se equivoquen de estación. // Virgen de la Amargura… /// 7. AGUA PASADA / Lo peor del amor cuando termina / son las habitaciones ventiladas, / el solo de pijamas con sordina, / la adrenalina en camas separadas. // Lo malo del después son los despojos / que embalsaman los pájaros del sueño, / los móviles que insultan con los ojos, / el sistole sin diástole ni dueño. // Lo atroz es no querer saber quién eres, / agua pasada, tierra quemada, / que de igual esperarte o que me esperes, / que no seas tú entre todas las mujeres, / que la cuenta está saldada. // Las canciones de amor que no quisiste / andan rodando ya por las aceras, / las tocan las orquestas de los tristes / pa que baile don nadie con cualquiera. // Las maletas que llegan sin tu ropa / giran perdidas por los aeropuertos, / la pasión cuando pasa es una coopa / de sangre desangrada en el mar muerto. // Remendar las virtudes veniales, / condenar a galeras los archivos, / cuando al punto final de los finales / no le siguen dos puntos suspensivos. // Peor es no saber quién quién eres, / agua pasada, tierra quemada, / que de igual esperarte o que me esperes, / que no seas tú entre todas las mujeres, / que la cuenta está saldada. /// 8. VINAGRE Y ROSAS / Cuando aprendí a tragar fuego / el circo ya se había ido / de Albacete a Nueva York. // El elefante está ciego / el domador malherido / ¿quién ha mentido, mi amor? // La canción que estoy cantando / empieza en otras canciones / y acaba en un hospital. / ¿Por qué me sigo jugando / la vida a pares o nones / por fulanita de tal? // Cuando el flautista de hamelin / sacó un ratón de su bombín, / Polichinela se fugó con Arlequín. / Hay mariposas de arrabal / que nunca aprenden a volar, / vinagre y rosas, / a la hora de cenar. // La trapecista polaca / se encaprichó de un forzudo / caminito de Moscú. / Cambió mi oro por su alpaca, / maldita ley del embudo, / no valgo menos que tú. // El lanzador de cuchillos / por llevarse algo al bolsillo / trabaja de afilador. // El hombre bala se enfada, / su pólvora está empapada / de tanto decir adiós. // Cuando el flautista de hamelin / sacó un ratón de su bombín, / Polichinela se fugó con Arlequín. // Hay mariposas de arrabal / que nunca aprenden a volar, / vinagre y rosas, / a la hora de cenar. /// 9. EMBUSTERA / Siempre voy a tenerte que agradecer / que haya sido conmigo tan / embustera / y me hayas enseñado lo que es / querer: / bailar mientras rodamos por la / escalera. // Has despejado mis dudas / y has logrado que aprendiese / a ser un perfecto judas / desde la jota a la ese. // Contigo que comprendido que la / humedad / es algo que se seca y se olvida / gracias a ti he sabido que la verdad / es sólo un cabo suelto de la mentira. // Por eso sé que perderte / no era quedarse sin nada, / la muerte es sólo la suerte / con una letra cambiada. // Embustera, / tu corazón / es una cremallera / de Christian Dior, / blanqueas emociones / traficas con botones / pierdes con mi perdición. // Dormir contigo es repetir francés en / una facultad / donde un Miró parece una esquela / y enseñan cuánto mide la oscuridad: / sumando pesadillas y duermevelas. / Hoy llamo a las rosas pan / y al vinagre desatino; / las mujeres que se van / se quedan en el camino. // Por mucho que me duela, debo / admitir / que otras me ven sin ropa y tú / desnudo. // Será mucho mejor, si pretendo huir, / cortar la cuerda, deshacer el nudo. / Ya no juego en tu tablero. / He roto nuestra baraja. / Sólo diré que te quiero / si es a punta de navaja. // Dormir contigo es repetir francés en / una facultad / donde un Miró parece una esquela / y enseñan cuánto mide la oscuridad: / sumando pesadillas y duermevelas. /// 10. NOMBRES IMPROPIOS / No se puede afirmar / que me engañaba cuando me mentía. / se llamaba Osadía / y desde el primer día / tuvo la cobardía de avisar. // Quien tiene siete vidas / y dos ojos de gata callejera / no se va con cualquiera. // De su noche se espera / un broche de promesas incumplidas. // Mejor no equivocarse / no me pidas jamás lo que no doy / ya sabes cómo soy y si quieres me voy / dijo cuando acabo de desnudarse. // Ya ves / llegar a fin de mes / no era con ella asunto de dinero / se trataba más bien de merecer / un tren de pasajeros, / el tsunami de un mar hecho mujer / dispuesto en cada ola a renacer. // Se llamaba Herejía / cómo voy a saber / si me engañaba cuando me mentía. // Maestra en confundir / al diablo y al rey de los altares, / me citaba en los bares / con fuegos malabares / y luego se olvidaba de acudir. // La mañana y la tarde, / qué vaivén entre alarde y agonía, / todo lo confundía / su swing, porque sabía / mirar como un crepúsculo que arde. // Callada por respuesta / cuando jugué al dolor de corazón. // Su boca era un buzón de voz sin / compasión / dormido hasta la hora de la siesta. // Ya ves, / llegar a fin de mes / no era con ella asunto de intendencia. / se trataba más bien de comprender / la pura impertinencia / del sol cuando se cansa de asombrar, / del mostrador a la hora de cerrar. // Se llamaba ironía / y no puedo jurar / que me engañaba cuando me mentía. // Ya ves, / llegar a fin de mes / no era firmar un parte de sucesos, / se trataba más bien de envejecer / huérfano de sus besos / con fantasmas que aprenden a / crecer, / abrazos que se mueren por volver, // Se llamaba utopía, / me gusta imaginar / que me engañó cuando se despedía. / que me engañó cuando se despedía. /// 11. MENOS DOS ALAS / González era un ángel menos dos alas / Gonzalez era un santo por lo civil / un dandy con un ojo a la funerala / tan rojo, tan castizo y tan zascandil. // Hilaba en los garitos de mala nota. / Boleros de Machín con Juanín de Mieres / Apurando esos whiskys en los que flotan / La luna de las golfas y los crupieres. / Cuando volvía del extranjero / tan forastero, / a las dos no era de día, / a las seis ya era de noche, / pídame un coche, / fumando espero / y le aplaudían los camareros. // Otoños y otras luces, pan con verbenas / su príncipe de Gales, tan Cortefiel / Tratado de urbanismo, Juan de Mairena / chicana, magdalena, tinta y papel. // Verde por la vergüenza que no tenía, / hasta ayudó a Caronte a quemar sus naves, / decía que morirse no era tan grave / y agonizó en voz baja por cortesía. // Cuando volvía del extranjero / tan forastero, / a las dos no era de día, / a las seis ya era de noche, / pídame un coche, / fumando espero / y le aplaudían los camareros. /// 12. CRISIS / Otro jueves negro en el Wall Street / Journal, / desde el veintinueve la bolsa no hace / crack, / cierra la oficina crece el desvarío, / los peces se amotinan contra / el dueño del rio. // En el vencidinario a la hora del rosario / ni carne ni pescao, / dame otra pastilla de Apocalipsis now / mientras se apolilla el libro rojo de / Mao. // crisis en el ego, / todos al talego, / crisis en el adoquin. // Crisis de valores, / funeral sin flores, / dólares de calcetín. // Crisis en la escuela, / quien no corre vuelva, / sexo, drogas, rock and roll. / crisis en los huesos / fotos de sucesos, / cotos de caza menor. // Dan ganas de nada mirando lo que / hay: / ayuno y vacas flacas de Tánger a / Bombay. / Siglo XXI, desesperación, / este año los reyes magos dejan / carbón. // Y la gorda soñado que le aborda el / crucero / un fiero somalí. / A ritmo de cangrejo avanza el porvenir. // Crisis en el cielo, / crisis en el suelo, / crisis en la catedral. / Crisis en la cama, / cada sueño un drama, / un euro es un dineral. // Crisis en la luna, / la diosa fortuna / debe un año de alquiler. // Crisis con ladillas, / manchas amarillas, / pánico del día después. / Crisis en la moda, / firma y no me jodas, / esta no es nuestra canción. // Guerra de intereses, / vuelvo haciendo eses, / ábreme por compasión. / Putas de rebajas, / reyes sin baraja, / inmundo mundo mundial. // Sábado sin noche, / méxico sin coches, / libro sin punto final. / Cómete los mocos, / no te vuelvas loco, / múdate a Nueva Orleans. // Gripe postmoderna, / rabo entre las piernas, / Clark Kent ya no es superman. / Mierda y disimulo, / crisis por el culo / del zulo a tu nariz. // Crisis, crisis, crisis /// 13. BLUES DE ALAMBIQUE / Me busqué, te perdí / derrapé, malviví / todo es tan extraño. // Conspiré contra el sol / enviudé de farol / como pasan los años // Fui cuesta abajo / sabiendo que llorar / era un atajo hacia el mar. // Se estrelló nuestro avión / ¿quién mató al capitán? / lo hizo la tripulación. // Corazón de Jesús, / tan marrón, tan feeling blue, / Puerto de Santa María. // Tuve un plan, escapé, / ¿dónde vive? Dijo el juez, / yo que sé, señoría. // Fui cuesta abajo / sabiendo que llorar / no es un atajo hacia el mar. // Rayas en el cristal, / libertad condicional, / calle melancolía. /// 14. VIOLETAS PARA VIOLETA / La página de sucesos / del Mercurio y La Estafeta, / entre dietas para obesos, / chismes y falsos profetas, / confirmaba que sin besos / se marchitan las violetas. // Maldigo del alto cielo / que nos expropió su canto, / sus décimas, su pañuelo, / su quinchamalí, su llanto, / viola de chicha y pomelo, / cacerolas del espanto. // Habráse visto insolencia, / cinismo y alevosía, / contaminan la decencia, / secuestran la fantasía, / cuando clama la inocencia / llaman a la policía. // Lo dijo Violeta Parra, / hermana de Nicanor, / por suerte tengo guitarra / y sin presumir de voz, / si me invitan a una farra / cuenten con mi corazón. // Volaron desde Chicago / unos gringos con corbata / y en una suite de Santiago, / sin pisar Chuquicamata, / defecaron en mi pago, / sobraban las serenatas. // Más sola que una maleta / olvidada en la Gran Vía, / desde que se fue Violeta / enlutando la poesía, / se ensañan con los poetas / las faltas de ortografía. // La cuequita de mi Chile, / los listos de Guasingtón, / la marchitan con fusiles / que acribillan la razón, / malaya sean los desfiles / y el cristo que los fundó. // Los pobres no somos ricos / ni el cobre es más que la greda, / la libertad cierra el pico / desde que hay toque de queda, / pregúntale a los milicos / qué hicieron en La Moneda.

 

gracías matheus!

leituras (se eu fosse eu)

[ter] 19 de outubro de 2010

estou vivo e devoro páginas. é o que digo…

e nos momentos de ficção:

6:36. leituras.

7:40. ele disse assim… ele estava fazendo assim. é isto que estou fazendo. querendo um pouco de você. será que está cedo? não é. ó! sabia? ele conversava. tocava com o sorriso – aquele que há dentro do olhar de certos sujeitos que penetra e pede, exige, descontrola o outro ser. e o sol sai. sustenta a manhã. bebemos então. usamos luvas e comemos mamões. ser só sem controle.

8:20. mulher. como lhe quero. agora. me engoles assim que mergulho mais para ai… nesse nosso limite de nós mesmos.

6:54. observações.

7:17 será que os que acordam cedo / flutuam no tecido sonoro / dos pássaros da manhã? / ou embriagam-se no ruído / deste vai e vem de autos // que não respeitam o raiar. // e é preciso desligar o piloto automático / mergulhar em todos os cantos possíveis / estes impossíveis / pulsar alucinadamente em todo o passo / sentir o tom de cada pássaro // e ouve ó… ô poema ó / ele há de estar por cá e aí / ouve, é ruído / ouve, é canto / ouve, ele é você.

7:25 e o sol tem poder? / tem de cura / tem de crescimento / tem poder de fogo / e o sal? / este é salgado / sem ele não há mar / sem eles não há como amar / não há / poder.

8:43 ai que vontade de dançar aqui no meio desta rua.

10:25 escrevo. [consegues ver a pontuação?!]

e em algum dia assim, exausto… oro:

Meu Deus, me dê coragem… // Meu Deus, me dê a coragem / de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, / todos vazios da tua presença / Me dê a coragem de considerar esse vazio / como uma plenitude // Faça com que eu seja a tua amante humilde / entrelaçada a ti em êxtase / Faça com que eu possa falar / com este vazio tremendo / e receber como resposta / o amor materno que nutre e embala / Faça com que eu tenha a coragem de te amar, / sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo / Faça com que a solidão não me destrua / Faça com que minha solidão / me sirva de companhia // Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar / Faça com que eu saiba ficar com o nada / e mesmo assim me sentir como se estivesse / plena de tudo / Receba em teus braços o meu pecado de pensar //
Clarice Lispector

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pai?

[dom] 19 de setembro de 2010

ontem às vinte horas e poucos minutos # estou me levando a sério demais, e isto é perigoso. [nota mental: é necessário rir um pouco disto tudo, e beber mais. sair mais. realizar mais. isto tudo do jeito que ‘tá meio compulsão meio vazio meio imediato não é interessante e prazeroso].

hoje, entre cinco e seis horas da manhã # e como troquei de endereço, já que no outro às vezes sentia-me meio embaraçado em escrever certas coisas [porque certas coisas para serem públicas precisam de anonimato, ou é essa neurose judaico-cristã encralacada nesta cuca cá]. essa semana, suspenso sobre o fio, fiz coisas boas e bonitas que tanto precisava, e outras coisas não tão boas e bonitas fiz também porque às vezes sou apenas raiva e dor. e tem um bicho danado aqui me pegando nestes dias que é saber exatamente o que me é possível… na terapia ela diz que eu posso escolher, e aqui me pergunto… o que escolher? hoje é aniversário de maria izabel, e para mim é um como um teste [estou tentando construir isso ou outra coisa, mas é o que posso no momento. um teste], onde poderei medir social e psicologicamente qual de fato é o meu papel ou qual papel me torna mais feliz. dividir e/ou compartilhar a paternidade com outro pai de um mesmo filho é um troço complicado, ainda mais quando ‘cê não teve oportunidade de conhecer o bichinho antes [e andei sondando diversos pais novos que tiveram o privilégio de desejar e construir a paternidade] e ele lhe chega com um peso ruim, um ataque, uma violação… [foi assim que ele chegou para mim nos seus dois anos e pouco – não por ele em si, mas pelos outros que não tomaram ciência de mim e fizeram questão de limpar o meu terreno com uma bomba de hidrogênio, para plantar ali o bichinho]. não me sentia o pai, e muitas vezes não me sinto o pai. para mim ela tinha um pai, e era aquele cara que a amou desde o primeiro instante em que ela ainda gerava-se dentro de uma bolsa, e a desejou, e a recebeu e cuidou… pai para mim não é quem faz e sim quem cuida, e como eu poderia ser pai de alguém que eu não havia cuidado e tão pouco desejado. e para ser mais fundo, sua concepção para mim era uma auto-violação, eu me violentava quando ela era concebida sem saber, eu e ela. isso aqui está e vai ser meio catártico. nisto tudo, uma pressão social externa e certos valores internos me fizeram aceitar, não aceitando, e pecha do outro pai que morava na casa da vó e que ela vinha visitar às vezes. na verdade neste momento o que mais me questiono até onde esse movimento que tenho feito é fruto de um sincero desejo, de uma imposição familiar e de outros elementos sociais. tem dois movimentos, um é: tanto fez e tanto faz a busca pelo registro legal e que o contato com ela já é o suficiente, e assim vamos nos conhecendo, e a ela e ela a mim, e vamos saber se desejamos ser pai e filha. e outro é que preciso encerrar esse movimento da busca pelo registro legal para afirmar certas coisas… “eu tentei” perante a família, a um futuro julgamento dela, e de outros. mas me pego pelo rabo, sentindo ciúme e um monte de outros sentimentos não tão bons com toda essa situação de ser um pai, não querendo ser pai. o que sei que isto não se impõe, se constrói. o fato de olhar para ela a poucos meses (menos de 4 meses) com olhos de aceitação e de inquietação – no sentido de buscar saber que é aquele ser e como ela esta se formando – não me faz um pai [e me faz], mas há toda uma carga social agora, ela morando aqui perto, convivendo diariamente com ela… saber que ela ama esse outro pai, que é de fato o pai e sempre fora o pai, e sente falta… diria não só dele, mas de uma figura paterna, ou mais… de uma estrutura familiar, que minha familia pode oferecer… ah… minha vontade é chegar para ele hoje e perguntar se ele quer ser o pai dela e falar tudo isto para ele. que se ele quer ser o pai dela, que seja, que visite, que esteja presente, que de mais carinho e atenção, que cuide dela, e que eu ajudarei do jeito que for, e não quero tomar este papel dele. e acho que tomei uma decisão agora… pensar nisto e no que me deixa mais leve e em paz comigo mesmo é isso… é ter coragem e dizer aos meus pais e irmão e outros que eu quero o papel de tio e não de pai. será que vou publicar isto?

agora, no horário deste post # vou descer agora e tentar algum tipo de conversar ou jogo de sinais com meu pai – o homem mudo. quem sabe no seu silêncio filosofal eu encontre paz para o meu caminho [e esse texto vai assim, sem revisão e aos pedaços para registrar todo o meu silêncio e angústia de dias] fim.

el teatro de la vida cambia tu papel…

[qui] 19 de agosto de 2010
A la deriva, llevas el alma en el timón. Vas por la vida, solo escuchando al corazón. Buscas un puerto, buscas un cielo abierto lejos del dolor… Jorge Drexler.
mais de uma semana dormindo virado, atravessando os horários, os compromissos [que não são tanto da burocracia, e sim, mais da vida] e os sentimentos todos.  ando sentindo, por demais, pena de mim mesmo e ausência de coragem de levantar e lutar [amar], não que seja falta de animo ou potencial [ou desejo]… mas é assim uma ausência de projeto mais ou menos claro que orientem o amontoado da vida que é viver um dia logo depois do outro imerso na escuridão.
um buraco que insisto em não querer fechar. será que é tanto assim esse não saber o que por no lugar?!
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