Archive for the '17' Category

a desencravar-me… übermensch

[ter] 17 de abril de 2018

chega. comecei a limpar a minha zona

ontem senti dificuldade enorme de ir… tenho sentido isto nas últimas duas semanas… e foi naquela aula da núbia, onde me senti um idiota. não sei lidar com essas autocobranças exageradas…

P_20180416_173923fui caminhar, mas bem na verdade perdi o horário. mas foi bom… valeu o atraso de cinco minutos, pelos 20 de caminha.

no caminho, um dos pensamentos que passou pela cabeça foi de como eu gostaria de ser um desses homens idiotas, que ignoram sua condição, e o sofrimento é menor. se houvesse naquele instante uma pílula, tal qual matrix, escolheria a azul.

BlueRedPill

*

ver sil, me faz bem. observando depois, ela é uma das poucas pessoas que cumprimento no meu ambiente de trabalho… dessas que eu admiro, sabe. e observando ela no terminal, como ela é pequenina… mas é grande, um ser humano.

**

desativei o facebook. exclui metade do povo do instagram.

meta é agendar podólogo, me desencravar e corrigir o corte da unha do pé.

3:12

***

enquanto digito as notas no professoronline… ao fundo foi ouvindo o professor osvaldo giacoia falar sobre:

Übermensch

Oswaldo Giacoia Junior, professor titular do departamento de filosofia da Unicamp, conversa sobre dois pensamentos centrais do filosofo Friedrich Nietzsche, sobre o “eterno retorno” e o “além-do-homem”.

11:33

noite: lasanha de berinjela e bastante fernet com coca.

misturando mel de abelha, com bicarbonato de sódio

[sáb] 17 de março de 2018

Mastigue, corta, roa
Assuma no mapa
Conforme o seu atual
Estágio de animal

Ou pensas que é à toa que nego diz: Ô, bicho! Então marcou e marcar é pior que perder gol¹. E é preciso mudar a pessoa de lugar. deslocar o narrador/autor. Há um peso nessa vida, e as vezes é preciso estar bêbado demais. E ser o avesso. Franco com as contradições… Medir os encontros e desencontros. Romper a solidão ao testar os limites da mais profunda solidão, e confrontar o superego. É preciso avançar pela madrugada, errar os caminhos… Desviar dos becos sem saída, não saber o caminho de casa… Dormir noutras terras, como um animal dorme sobre a terra, enrodilhado.

e cada palavra aqui é um véu sobre meu corpo e um mapa para minha solidão.

nota de rodapé: Novos Baianos – Guria (Galvão – Moraes Moreira) Álbum: Vamos Pro Mundo (1974)

***

Massa integral com quiabo cozido e novos baianos. Um ótimo café/almoço/jantar.

Música: Vagabundo Não é Fácil Composição: Galvão – Moraes Moreira Banda: Novos Baianos Disco: Novos Baianos Futebol Clube (1973) Letra: Se eu não tivesse com afta até faria uma serenata pra ela. Que veio cair de morar em cima da minha janela. (bis) De cima deitada, acordada, sentada na cama, espantando os mosquitos. Enquanto eu faço um remédio da minha cabeça. Misturando mel de abelha, com bicarbonato de sódio. Só pra deixar a garganta em dia, cobrindo sua surdez e porque já somos pessoas sem ódio. E no mais, tudo na mais perfeita paz. Sendo que eu assumo isso mesmo quando se diz que já acabou, ainda quero morrer de amor. Vá! Se arranque da minha janela. Assim é tomar a frente do Sol. Tá pensando que tudo é futebol? Ao menos leve uma certeza, você me deixa doído. Mas só não me deixará doido, porque isso sou, isso já sou. (bis)

***

Sob o vestido preto
de bolinhas brancas,
e suas madeixas,
há pés pequenas,
dedos apontando para o teto do quarto,
e uma intensidade tão vasta como um oceano interestelar.

***

«As impressões podem dividir-se em duas categorias: as de sensação e as de reflexão. A primeira categoria surge originariamente na alma, a partir de causas desconhecidas. A segunda é em grande parte derivada das nossas ideias, na seguinte ordem. primeiro uma impressão atinge os nossos sentidos e faz-nos perceber calor ou frio, sede ou fome, prazer ou dor de qualquer espécie. Desta impressão, a mente tira uma cópia, a qual permanece depois de desaparecer a impressão: é o que denominamos ideia. Esta ideia de prazer ou de dor, quando regressa à alma, produz novas impressões de desejo ou aversão, de esperança e medo, que podem propriamente chamar-se impressões de reflexão. Estas, por sua vez, são copiadas pela memória e pela imaginação, tornando-se ideias, as quais por sua vez talvez gerem outras impressões e ideias.» (David Hume, Tratado sobre o Entendimento Humano, pag 36, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; o negrito é nosso).

«Deve haver uma impressão que dê origem a toda a ideia real. Mas o eu, ou pessoa, não é uma impressão mas aquilo a que se supõe que as nossas impressões têm referência. Se alguma impressão gerar a ideia do eu, essa impressão deve permanecer invariavelmente a mesma em todo o curso da nossa existência, uma vez que se supõe que o eu existe dessa maneira. Ora, não há impressão constante e invariável. A dor e o prazer, a tristeza e a alegria, as paixões e as sensações sucedem-se umas às outras e nunca existem todas ao mesmo tempo. Não pode portanto, ser de nenhuma dessas impressões ou de qualquer outra que a ideia do eu é derivada, portanto tal ideia não existe». (David Hume, Tratado da Natureza Humana, pag. 300 Livro I, 4ªParte, Secção VI, Fundação Calouste Gulbenkian).

***

ver mais em:  Sexo e amor em David HumeO empirista David Hume era também racionalista?;

both sides now

[sáb] 17 de fevereiro de 2018

notas soltas sobre coisas aleatórias

#1 acordei pensando nisso aqui;

#2 PORQUE HOJE É SÁBADO… é dia de dormir demais e de fazer faxina.

#3 e por cá… dia 16 alguém passou aqui… várias pessoas passaram, mas uma vasculhou um bocado de coisas…

#4 GEOGRAFIAS? epidendrum fulgensa nota era para ser sobre…dique de diabásio em fpolis, mas achei isto aqui interessante: Aspectos Naturais e da Urbanização do Maciço do Morro da Cruz; milonitos;  landsattalvegues… jusantes e montantes; espodossolo…

#5 nota mental para logo mais: termine de empilhar as pedras.

#6 DA LEITURA NO BUSÃO… «Lucas não tinha nenhuma ideia do que nós, no mundo moderno, queremos dizer com a palavra história. A noção de história como análise crítica dos fatos observáveis e verificáveis do passado é um produto da era moderna; teria sido um conceito totalmente estranho para os escritores dos evangelhos, para quem a história não era uma questão de descobrir fatos, mas de revelar verdades.
Os leitores do evangelho de Lucas, como a maioria das pessoas do mundo antigo, não faziam uma distinção nítida entre mito e realidade; os dois estavam intimamente ligados em sua experiência espiritual. Os seja, eles estavam menos interessados no que realmente acontecera do que naquilo que significava. Teria sido perfeitamente normal – na verdade, era o que se esperava – que um escritor do mundo antigo narrasse contos de deuses e heróis cujos fatos fundamentais eram reconhecidos como irreais, mas cuja mensagem subjacentes seria vista como verdadeira.» Aslan, Reza, 1972 – Zelota: a vida e a época de Jesus de Nazaré / Reza Aslan; tradução Marlene Suano. – 1.e – Rio de Janeiro: Zahar, 2013. Tradução de: Zealot: the life and times of Jesus of Nazareth. P. 56

#7 Dora está bem… faceira… correndo pra lá e pra cá, mas me custou uns 400 pila com veterinária e medicamentos.

#8 Both Sides Now

Rows and flows of angel hair / And ice cream castles in the air / And feather canyons everywhere / I’ve looked at clouds that way / But now they only block the sun / They rain and snow on everyone / So many things I would have done  / But clouds got in my way / I’ve looked at clouds from both sides now / From up and down and still somehow / It’s cloud’s illusions I recall / I really don’t know clouds at all / Moons and Junes and ferries wheels  / The dizzy dancing way you feel / As every fairy tale comes real  / I’ve looked at love that way / But now it’s just another show  / You leave ‘em laughing when you go / And if you care, don’t let them know  / Don’t give yourself away / I’ve looked at love from both sides now  / From give and take and still somehow / It’s love’s illusions I recall / I really don’t know love at all / Tears and fears and feeling proud, / To say “I love you” right out loud / Dreams and schemes and circus crowds  / I’ve looked at life that way / But now old friends they’re acting strange  / They shake their heads, they say I’ve changed / Well something’s lost, but something’s gained  / In living every day. / I’ve looked at life from both sides now / From win and lose and still somehow / It’s life’s illusions I recall / I really don’t know life at all / I’ve looked at life from both sides now  / From up and down, and still somehow  / It’s life’s illusions I recall  / I really don’t know life at all / Compositores: Joni Mitchell

madeixas… or how to run naked and directionless through the dark endless woods

[dom] 17 de dezembro de 2017

enquanto mateio,

lembro da noite, da caminhada de logo cedo pelo quintal e olho algumas fotos… dela.

e deixo as palavras escorrerem nuas e sem direção através do arvoredo noturno e denso, das folhas em branco sobre o tempo, das coisas que não sei o nome, da língua por se traduzir ou verter-se.

 

comecei mais um poema sobre a resistência, sobre as plantas que irrompem cotidianamente o chão de concreto, que brotam dos vãos, das coisas duras para existir… resistir.

ps: o título vem das coisas aleatórias que foram incorporadas na construção do poema.. que tá aqui nos rascunhos… quando ficar pronto, vomito por cá.

**

duas obras e uma performance.

A flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Carlos Drummond de Andrade,
em A Rosa do Povo

protocolos, máscaras e papéis

[ter] 17 de outubro de 2017

trilha de fundo: sinfonias #1, #2 e #3 de beethoven.

notas feitas: do seriado de sábado/domingo/ontem (mindhunter), a seguinte passagem…

«goffman viu a conexão entre os tipos de atos ou máscaras que as pessoas usam em suas vidas ou em apresentações teatrais. na interação social ou teatral há uma área no palco onde indivíduos ou atores, conforme o caso, aparecem perante a plateia. mas tem de existir os bastidores, um lugar escondido, onde os indivíduos podem ser eles mesmos.»

e para reavivar as leituras de e. goffman… entre as várias buscas, essa nota é muito interessante, vale a leitura> «as muitas faces de uma máscara: erving goffman» de leonardo m. alves

notas da manhã: professor online em dia até que enfim (ops quase… faltam 201/202 e 203). e zerando os rascunhos neste blogue (publicando o que der e o que não der… vai para o lixo. agora, contando com este, são 1.680 entradas, desde 1999).

notas da tarde… organizar as aulas dessa semana. e a dificuldade em manter o foco. pequenos movimentos de ansiedade. não passeei com dora desde quinta-feira. não vi minha filha desde sábado.

***

‘‘Uma pessoa não pode ser humana sozinha e, aparentemente, não pode apegar-se a qualquer identidade sem o amparo da sociedade.’’ A perspectiva Sociológica – A Sociedade no Homem; BERGER, Peter.(1976,p.108)

tetração

[dom] 17 de setembro de 2017
e no fim… não era nada disso, essas coisas abaixo, mas as escrevi e são algumas linhas. e ao cabo de escrevê-las, se me sinto melhor? não. há um aperto no peito. um desconforto.

nada claro. há um desconforto, mas não sei exatamente como ordená-lo.

#1 estresse com a mãe de minha filha. quarta-feira tem audiência de conciliação. alguns anos atrás entrei com um pedido de inclusão de paternidade. e a figura, toda enrolada, está pensando em não ir na audiência. eu fico pensando… que porra de karma é esse. minha filha é uma das coisas mais importantes que ocorreram na minha vida, a presença dela, me fez sofrer muito, reorganizar planos, reestruturar uma vida, mas me fez crescer muito. sou um cara melhor, sendo pai. mas a mãe dela… é um peso.

#2 fiz um empréstimo… atrelado ao desconto em folha, mas para um salário de 40 horas. não é garantido que eu tenha 40 horas ano que vem. no sábado acordei estressado, tive um pesadelo. que puta sufoco… pelo próximo 5 anos sou obrigado a trabalhar 40 horas. e segurança é tudo que não tenho sendo funcionário público.

#3 na semana passada um maluco na minha aula resolver fechar uma baseado em sala. tive que tirar ele de sala… na sexta-feira, ouvi coisas que não gostei, fiquei mordido. preciso mentalizar coisas positivas para não perder o controle. não sou pago para certas coisas…

#4 bimestre acabando e preciso fechar as notas e digitar tudo no professor online… venho adiando tudo faz quase um mês. não dá para enrolar. tenho que resolver tudo hoje. mas a vontade que tenho é sumir.

#5 minha gata velha, a princesa, que vivia conosco desde 2006, sumiu faz 4 dias. tomara que nada tenha acontecido com ela, mas com a quantidade de cães pela rua, e pelo estado avançado dela… e pela demora em retornar… ela ia longe, mas sempre voltava toda noite. tenho medo que coisas ruins tenham acontecido com ela.

#6 vou começar a reforma na casa… finalizar a casa… certa ansiedade.

#7 meu dente tem me incomodado por estes dias.

#8 minha barriga está enorme. me pesei quinta-feira passada e estava com 108,800 kg. preciso perder 18 quilos.

#9 minha unha ainda está encravada. preciso marcar podólogo.

#10 preciso marcar médico, dentista… perdi o prazo do concurso. andei com uma vontade danada de chorar. apenas comi. e ai… tudo para dar certo e eu perdido em mim mesmo.

ps.: hoje izabel faz 13 anos. há 7 anos temos convido diariamente – é bonito ver nela alguns detalhes meus, é bonito tê-la como amiga. e já não me incomoda ver nela detalhes da mãe dela – mas se eu pudesse não precisar entrar em contato com a mãe dela, seria bem mais saudável para todo mundo. nessa próxima semana saberemos quanto tempo demorará para eu poder formalmente e legalmente chamá-la de filha.

ps2: «Em matemática, Tetração (também conhecida como hiper-4) é uma exponencial iterada»

ps3.: preciso ouvir mais músicas. preciso ver os filmes:

Uma Mulher Fantástica. Direção: Sebastián Lelio
Seven Up! Direção: Michael Apted, Paul Almond

primeiro dia de dora

[qui] 17 de agosto de 2017

não é a dora aventureira…  mas ela gosta de explorar. e como ela é grande, fiquei impressionado, mas seus olhos… ela percorre os poucos metros quadrados de minha casinha sentindo os odores. e os gatos se exilaram na parte superior… ela quase latiu pra eles. não houve sintonia… todos estranhos.

mas exceto os gatos… nos demos bem com dora

a dama de cílios da cor do corvo e olhos de luto dos sonetos de shakespeare

[ter] 17 de janeiro de 2017

 

fragmentos e citações do dia

nota #1. ele não olhou pra ela. não há como saber se os olhos dela procuraram os deles. se percorreram suas pernas, sua boca, sua testa, seu queixo, sua pele ressecada. ele não olhou pra ela. seus olhos estavam fixos em cada letra, em cada fonema, em cada verbo daquele livro que o transportava para luanda. mas nesta viagem, ora em luanda, ora ali, no meio do nada, imaginando quem seria ela… ele via o céu negro de africa, ele olhava com os olhos de ludo. ele sentia a substância do medo. e o sol o lembrou, abruptamente quase cegou-o ao refletir intensamente nas páginas brancas. ele pôs as mãos aos olhos, fechou o livro. ela estava ali, ao seu lado.

feita no busão, quando voltava para casa.

 

***

«the dark woman of raven brows and mournful eyes of Shakespeare’s Sonnets.» The Perfect Mate. By René Echevarria and Gary Perconte. Perf. Patrick Stewart, Jonathan Frakes, LeVar Burton, Michael Dorn, Gates McFadden, Brent Spiner, and Famke Janssen. Dir. Cliff Bole. Star Trek: The Next Generation. Season 5, episode 21. Syndicated television. 27 April 1992. DVD. Paramount, 2002.

 

sonnet cxxvii

in the old age black was not counted fair,
or if it were, it bore not beauty’s name;
but now is black beauty’s successive heir,
and beauty slandered with a bastard shame:

for since each hand hath put on Nature’s power,
fairing the foul with art’s false borrowed face,
sweet beauty hath no name, no holy bower,
but is profaned, if not lives in disgrace.

therefore my mistress’ eyes are raven black,
her eyes so suited, and they mourners seem
at such who, not born fair, no beauty lack,

sland’ring creation with a false esteem:
yet so they mourn becoming of their woe,
that every tongue says beauty should look so.

willian shakespeare

soneto 127

o tempo antigo a negro cor não preza
ou, quando o faz, de bela não a chama;
mas hoje é sucessora da beleza
a cor que de bastarda tinha fama.

da natureza usando-se o atributo
tanto o feio alindou-se com disfarce
que o belo já não tem nome, ou reduto,
mas vive na desgraça, a profanar-se.

dizem que olhos de luto a minha amada
sob uns cílios da cor do corvo tem
as famas que de belo não tem nada

e esta falta compensam com desdém.
mas tal luto só faz por convencer
que o belo assim é que devia ser.

50 sonetos: ed. especial. Tradução Ivo Barroso

***

Pete Seeger ///  Down by the Riverside /// I’m gonna lay down my sword and shield / Down by the riverside / Down by the riverside / Down by the riverside / I’m gonna lay down my sword and shield / Down by the riverside / Study war no more /  I ain’t gonna study war no more / Ain’t gonna study war no more / Ain’t gonna study war no more / I ain’t gonna study war no more / Ain’t gonna study war no more / Ain’t gonna study war no more

Louis Armstrong /// When The Saints Go Marching In ///  Oh, when the Saints go marching in, / Oh, when the Saints go marching in, / Oh, Lord I want to be in that number / When the Saints go marching in. / Oh, when the sun refuse to shine, / Oh, when the sun refuse to shine, / Oh Lord I want to be in that number / When the sun refuse to shine. / Oh, when they crown Him Lord of all, / Oh, when they crown Him Lord of all, / Oh Lord I want to be in that number / When they crown Him Lord of shine. / Oh when they gather round the throne, / Oh when they gather round the throne, / Oh Lord I want to be in that number / When they gather round the throne. // Compositor: Katherine E. Purvis / James M. Black

 

a viagem do elefante pelo rio chamado tempo até a casa chamada terra no atlas de nuvens

[sáb] 17 de setembro de 2016
04h03 num ato impulsivo… ATLAS DE NUVENS (por apareceu na minha linha do tempoo… e eu esperava há um tempo já pelo lançamento porque quero muito ler este livro.  e eu até achei interessante o filme; IDEOLOGIA E CONTRAIDEOLOGIA (porque ando as voltas com o tema e com o autor, alfredo bosi); A VIAGEM DO ELEFANTE (e porque é preciso um de literatura… e não li todos os saramagos… que é um autor que me mobiliza) e UM RIO CHAMADO TEMPO – UMA CASA CHAMADA TERRA (porque é mia couto…
e a fnac me acusa… POESIA RUSSA MODERNA foi minha ultima compra na loja (06/09/2013 21:24).
os russos chegaram no dia 17. três anos atrás.
ps: só publico isto aqui pois há uma coincidência, uma curiosidade.
04h07 minha filha faz doze anos anos. eu já tenho trinta e quatro. minha mãe cinquenta e dois e meu pai cinquenta e sete. as árvores estão crescendo…
04h11 e eu resolvi aumentar a casa. uma forturna para erguer a cozinha… e nessa grana não entra mão de obra, acabamentos e mobiliário da mesma… é só teto em concreto e parede armada.
04h12 e ainda tenho que inscrever-me no vestibular… letras? será… mas essa vida de professor é bem insegura… ministro golpista querendo acabar com sociologia no ensino médio… e ai? o que eu vou fazer? mas no calculo de agora são 125 conto de inscrição.
e este texto continuará…

la yerba, el mate y la bombilla.

[qua] 17 de agosto de 2016

acordei cedo, não tão cedo como esperava.

abri a casa, alimentei os gatos.

apreciei o vento de leste.

e fechei a casa, porque a vizinhaça resolveu fazer fumaça…

e troquei algumas ideias, as vezes sinto-me como andando em círculos nestas minhas reflexões…

 

e ontem, perdi o ônibus, andei dois quilometros, apreciei o por do sol, e quando constatei que chegaria atrasado para a segunda aula, mandei um zap para direção confirmando que eu não iria, e se fosse possível, faria reposição, quarta ou quinta.

borboletas negras

[dom] 17 de julho de 2016

«O filme conta a trajetória da poetisa sul-africana Ingrid Jonker que lutou, sem apoio de seu pai que era responsável pela censura do que era publicado na época, contra a desigualdade racial em pleno Apartheid, e que após sua morte teve seu poema “The Dead Child of Nyanga” lido e apontado por Nelson Mandela como um poema de uma das melhores poetisas sul-africanas em seu primeiro discurso ao Parlamento Sul-Africano. Dirigido por Paula van der Oest, estrelado por Carice van Houten, Rutger Hauer, Liam Cunningham e Grant Swanby»

 

*leituras adicionais: O HOMEM E SUA CIRCUNSTÂNCIA: INTRODUÇÃO À FILOSOFIA DE ORTEGA Y GASSET

e no meio do caminho: BORBOLETAS NEGRAS, O FILME (EU SOU EU E MINHAS CIRCUNSTÂNCIAS?)

e o poema: THE CHILD WHO WAS SHOT DEAD BY SOLDIERS IN NYANGA

a song to play when i’m lonely

[dom] 17 de abril de 2016

trilha

texto

enquanto alguns tentam mais um golpe contra parte do mundo. ontem levei dois socos no estômago, que me fizeram olhar a lona lá embaixo. mas o que me mais me faz sangrar são essas socos que insisto em dar nesta parede invisível… tentando ir para algum lugar que não dá… há cordas que te prendem neste jogo.

cambio, fim da manhã de domingo.

***

fragmento de poesia

“palavras fluem sob a gélida e silenciosa camada limite que é a superfície de um corpo”

fragmentar essas sessões de elefante

[qui] 17 de março de 2016

1h48

madrugada. cabeça doendo… garganta inflamada… e aquela vontade de não ir trabalhar amanhã. o tico e o teco estão confabulando e, fora a ressaca moral que virá no pós falta, está quase decidido que não me submeterei a essa privação de sono que é ir dormir as 2h, se tudo der certo, e acordar as 4h30, para finalizar todas as aulas de amanhã… e ir para uma jornada de 15 aulas, das 7h50 até 22h05. e retornando para casa quase sexta-feira lá pelas bandas da meia noite e pouco.

o que me ferra é esse improviso. nada fica do jeito que deve ser e fico me achando uma fraude… mas é preciso tempo para organizar… e, sobretudo, tempo para respirar.

pontos para ponderação: ontem, quando ia para escola, o sentimento era uma alternância frenética de frustração, raiva, apatia, exaustão – uma vontade de não ir. e pela noite, quando voltava, após a reunião… havia uma certa luz no fim do túnel… mas no pisca a sinalização que para as coisas fazerem sentido é preciso organizar, e para organizar é preciso tempo… tempo de agir e tempo de relaxar.

 

2h19 relendo o texto acima… e aquela conclusão: minha vida virou isto? trabalho-rotina. a escola-prisão e pequenas fugas sem sentido? cadê o amor? a paixão? os sonhos? sim… há projetos e para atingir esses projetos é necessário certos sacrifícios… mas será só sacrifício essa vida? porque esse auto-exílio? essa autoflagelação?

2h39 pensei em você, e tive medo de mim. melhor ir dormir…

 

escola: mais do mesmo

[qua] 17 de fevereiro de 2016

 

escola… falta alguém. as pessoas são amigáveis… mãos não me dão tesão. escola burocrática… sem sonhos. estou sem animo…

 

 

tribunal do juri

[qui] 17 de dezembro de 2015

um dia cívico.

e eu durmo no tribunal, no ônibus, no sofá pela tarde, na escola…. o dia inteiro em cochilos. e nada resolvo.

ponto, linha, plano…

[sáb] 17 de outubro de 2015

rever vídeo e escrever poema. o azul…. improvisações wassily kandinsky

nota mental.

efeito bruce lee

[qua] 17 de junho de 2015

a top list do momento:

acetilcisteína
cloridrato de fenilefrina
paracetamol
maleato de clorfeniramina
ácido ascórbico
cloridrato de benzidamina
levomentol
cânfora
óleo de eucalipto
alguns chás
mel
e própolis.

o efeito bruce lee é só para zoar… não tive esse efeito, até porque no momento sem condições de qualquer bebida alcoólica. mas toda essa medicação tem feito um estrago danado. mas a febre, a tosse, a dificuldade de respirar e falar tem diminuído.
segunda-feira até fui para escola, mas sem condições de dar aula, apenas deixei eles desenvolvendo uma lista de exercícios. terça tirei para dormir muito. e quarta-feira, hoje… pela primeira vez, faltei, ao trabalho.

e descobri esse caminho aqui para tornar meu pc um ponto de wifi para o zenfone.

netsh wlan set hostednetwork mode=allow ssid=[nome da sua rede] key=[senha da rede]
netsh wlan start hostednetwork

sistema estuupido

[sex] 17 de abril de 2015

17h07 o monitor deu pau. afundei a porta do carro. o governo descontou dez dias jaa. o teclado insiste em n’ao acentuar as palavras deste ubuntu utopic unicorn. os dias soo chovem. estou devendo para o banco, para mãe e agora para meu irmão.

e ainda assim vocce olha para o lado e v”e como ha tanta miseeria neste mundo e como ha mais gente estupida ainda e como o sistema [e t’ao violento… ele, o sistema engendra relacoes assim. e voce não deveria ter tantos motivos para ficar chateado, sua vida atee que n’ao vai t’ao mal… ee  boa se tomarmos em rela;’ao a vida de muitiissima gente pelo mundo e ao nosso redor. vocee tem motivos sim [e par ficar muito indignado… mas isto tudo ainda n’ao deixa de ser triste. por que somos assim:

passo essa canção pra te acalmar

[ter] 17 de março de 2015

2:54

eu tinha um plano.
quinta eu tinha – eu iria…
sexta tbm – eu ficava.
sábado ok – fui
domingo mudou tudo… – fiquei
segunda não deu. não fui…
e terça… inesperar.
pois são quase três…
e as seis tem que levantar…

e será que vai dar?
o jeito é listar
e ver o quê o corpo
tem a dizer:

da fila para marcar dentista,
do ato/vigília na assembleia,
de passar no armazém de secos e molhados…
de fechar aulas/notas…

e estar aberto ao inesperado…

e, todo acabado, ir numa reunião à noite
com mães e pais.
e de uma terça de folga, eu me lotei.
mas será que vai dar?

esperando o sono chegar
vou ouvir camelo e acalmar…

«Paper clips and crayons in my bed Everybody thinks that I’m sad I take my ride in melodies And bees and birds Will hear my words Will be both us and you and them together I can forget about myself trying to be everybody else I feel allright that we can go away And please my day I’ll let you stay with me if you surrender»

**

e para dormir bem, meu bem:

o nosso bloco é desse jeito

[ter] 17 de fevereiro de 2015

não sei.
deu erro.
eu desandei.
como se isto fosse novidade…
ando a desandar nesta vida.

e nos três quilometros –
a volta para casa…
na rua quase deserta,
de janelas ao léu…
eu, como um cão sem dono,
que tenta morder seu próprio rabo,
mantenho um pensamento latente,
que vai latindo… solitário.

e não senti inveja da garrafa de vinho sobre a mesa,
e duma taça, na vazia sala,
que a janela aberta mostrava pelo caminho.

sua solidão não me faria companhia.

senti, sim, um cadinho,
das mãos de namorados
que seguiram entrelaçadas…
por todo o caminho,
enquanto eu voltava, sozinho.

***

mas vamos pensar positivo:

#1. você é um cara bacana – mesmo que você esqueça e/ou não acredite nisto quase o tempo todo. preste atenção nas pessoas que diariamente insistem em dizer isto. deve ter um quê de verdade… se o que marca nos outros é algo positivo, e todos (ou quase todos) te guardam em boa estima… como alguém querido, é porque deves ser um pouco disto.

#2. você é um cara bonito – mesmo que você não repare e/ou ingenuamente não se dê conta dos olhares.

#3. o carnaval foi bom… já houve melhores, mas também já houveram piores. o corpo está exausto e fechou mais um dia.

#4. você pulou? cantou alto? encharcou a camisa de suor de tanta folia? seus pés e pernas estão cansados? você está rouco de tanto cantar? decorou um bom pedaço do samba? sim… sim… sim para tudo. ou quase tudo.

#5. você é um cara torto. mas desejar que as coisas se desentortem do dia para noite é ilusão e trás sofrimento. aprenda a lidar com tua tortuosidade… se ela é teu lado feio? tua feiura é parte fundamental de tua beleza. aprenda a lidar com tua ingenuidade, com tua timidez, com teus engasgos… com tuas atravessadas no samba… com tuas demoras, com teus silêncios… com tua falta de gingado… com teus desencontros… com teus amores, desamores, malamores desta vida… e com o teu caminhar sozinho. humildemente aprenda… porque deve ter algum sentido… e mesmo se não houver sentido algum. isto é parte de ti… esse processo torto forjado neste mundo caduco.

#6. e todos tem medo. e a gente se enrola tanto por ter medo. e por isto mesmo não façamos pouco caso dos medos dos outros… os medos estão ai para conhecermos e aprendermos a lidar com eles, porque eles continuam nos marcando mesmo quando vamos tentando superá-los. cada um tem seu medo, e cada medo sua história. e é no tempo que forjaremos a chave da porta que abre o peito, e manda embora um medo… e assim um e outro de cada vez. e não se esqueças.. não tome o medo do outro por ti. medos são impares, e cada qual há de encontrar a sua chave.

#7. amanhã é outro dia? não é?

#8. e se você está pensando em vomitar… você já está em casa e é só fazer um chá.

#9. e se você está pensando em chorar… vai fundo. não há ninguém aqui para te segurar.

 

ps: letra do samba de hoje:

Compositores: Álvaro Guimarães, Denilson Machado, Jackson Cardoso, Júlio Black, Reizinho Silva, Marco Antônio Mello, Nestor Habkost, Severo Cruz.   / Baiacu anunciou: é Carnaval  / Com liberdade, vem sambar  / Com liberdade, vem sambar / Com gente daqui de todo lugar / Que vem por terra e d´além mar / Acende / Acende as luzes dessa passarela / Hoje o Baiacu vai desfilar / Pode vir, / Vem sambar   / A ordem é não discriminar / Diversidade, Di – ver – si – da – de / E felicidade pra brincar / Em Santo Antônio / Vem que vamos todos te abraçar / Desfilando nessa aquarela todas as cores da nação / O nosso bloco é desse jeito / Tira da tua vida o preconceito / Sou brasileiro e estamos juntos / Não tenho desprezo por ninguém / “ Pópará ! ” / “ Pópará ! ” / Sou manezinho / Sou do mundo / Sou BAIACU DE ALGUÉM!

day off

[qua] 17 de dezembro de 2014

e o 17 veio e passou.

e acabou o embargo político [o econômico ainda não] dos eua em relação a cuba [que rolava desde 7 de fevereiro de 1962].

tudo isto acontecia enquanto eu dormia, jardinava, pegava as avaliações da filha na escola… e passava uma tarde à toa. só a inflamação não passava… não passou. sigo cá entre comprimidos, chateações, mate, sucos e chás, jardinagem, sonecas, compromissos escolares e aleatoriedades… um dia de folga.

 

a barca sob a bruma

[seg] 17 de novembro de 2014

ali fora, ao relento, uma obra me espera… e é uma espera entre jovens árvores que crescem milimetricamente por dia… é uma espera em um cenário de pós-guerra. eu habito ruínas, ainda.

e os materiais da escola também esperam algo de mim… e a janela para fechar todas essas notas e tudo mais que é necessário está fechando-se, absurdamente rápida. segunda-feira será um dia bem puxado.

e cá dentro, sob o teto da casa, tento extrair toda a poeira da sala, dos livros amontoados, da televisão abandonada… mas a vontade, cá dentro, sob o teto da casa, é de fazer nada – suspender o tempo e só ficar mofando… mas, qualquer coisa alheia – compromissos? deveres? expectativas? – me anima o suficiente para não entrar em estado de decomposição acelerado. mantenho-me lentamente…

e deixo o rádio tocar aleatoriamente qualquer coisa para que haja alguma voz humana, ou qualquer ruído mesmo, a me fazer companhia. e movimento-me entre a poeira pelo canto, uma vida sem sentido e a vontade de nada da tarde.

e agora, cá dentro, sob o teto, no universo virtual, limpo as palavras do computador… como se eu precisasse desmemoriar-me ao rememorar… deleto-me, aos pouco.

e lá na sala a rádio toca: «(…) a barca segue seu rumo lenta como quem já não quer mais chegar, como quem se acostumou no canto das águas, como quem já não quer mais voltar (…)»

lenine é um nome bonito…

[qua] 17 de setembro de 2014

“enquanto o tempo acelera e pede pressa / eu me recuso faço hora vou na valsa / a vida é tão rara”

caótico e precário não consigo fazer nem a nem b e me enrolo nesse novelo. a novela é que estou perdido, repleto de dúvidas e medos… e cegamente tateando esse mundo, sentindo a revolta no estômago, o pulsar tímido do peito, a vontade dar a volta e dizer adeus a esse mundo… enfim… mais um perdido perguntando-se se há ou se é necessário se achar. educo-me neste mundo caduco.

izabel aniversaria agora. ouço lenine agora.

«Em quais aspectos Marx supera e conserva a filosofia de Hegel, pensador que o influenciou decisivamente?
Gláucia Campregher
– A dialética marxiana é materialista, em oposição à dialética hegeliana, que é idealista. Em Hegel,  o mundo todo que existe só é bem pensado, bem compreendido, se capturado em sua verdade, o que significa ser capturado em sua concreticidade. Isso já confere alguma preocupação com a materialidade das idéias. Foi Hegel quem disse “o concreto é a síntese de muitas determinações”, frase que Marx gostava de citar. Mas é que todo esse trabalho de compreensão e síntese, todo o trabalho do pensamento, da ideia, da razão que pensa a si mesma, é que encanta Hegel, enquanto, para Marx, a compreensão pela compreensão não é nada. Daí ele acusar a filosofia de só ter pensado o mundo, quando o necessário era transformá-lo. O trabalho da ideia que compreende o mundo não é mais interessante para o Marx que todos os outros que fazem o mundo. Daí Marx sair da filosofia (como já tinha saído do direito) e passar à economia e à necessidade de compreender como, ao longo da história, os homens produziram sua vida material em sentido largo – todas as coisas e idéias!» LEIA MAIS AQUI

depois dos parabéns, das meninas irem para escola… e eu aqui tentando ler sobre as juventudes e a escola… ouvindo louis e ella… pensando na questão que a aluna me fez… e no presente de izabel.

e para construir uma cultura de paz é necessário ir a luta… contra esse mundo violento demais. não posso, nem devo, me contentar, “com a boca escancarada cheia de dentes[, ficar] esperando a morte chegar”.

«O Andarilho “Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a terra senão como andarilho – embora não como viajante em direção a um alvo último: pois este não há. Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade”. Humano Demasiado Humano – Nietzsche»

 

estrofes do solitário

[dom] 17 de agosto de 2014

o sol queima a pele. entardeço. a primeira canção do dia, da tarde jorra o sangue latino nos meus ouvidos… há um latido no peito:

«Jurei mentiras / E sigo sozinho / Assumo os pecados / Os ventos do norte / Não movem moinhos / E o que me resta / É só um gemido // Minha vida, meus mortos /Meus caminhos tortos / Meu sangue latino / Minh’alma cativa // Rompi tratados / Traí os ritos / Quebrei a lança / Lancei no espaço / Um grito, um desabafo / E o que me importa / É não estar vencido //  João Ricardo e Paulinho Mendonça ».

***

uma, duas citações de entrada da leitura iniciada do dia: ‘onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites do século xix’ de celia maria marinho de azevedo

«Articular o passado historicamente não significa conhecê-lo ‘tal como ele propriamente foi’. Significa apoderar-se de uma lembrança tal qual ela cintilou no instante de um perigo. »Walter Benjamin.

*

«Homens! Esta lufada que rebenta
É o furor da mais lôbrega tormenta…
– Ruge a revolução

E vós cruzais os braços… Covardia!
E murmurais com fera hipocrisia:
– É preciso esperar…

Esperar? Mas o quê? Que a populaça,
Este vento que os tronos despedaça,
Venha abismos cavar?»

Castro Alves,
Estrofes do Solitário

***

e para fechar… logo mais haverá concreto. logo mais… agora a dificuldade é organizar a semana, a casa, a vida. só não pode faltar o sonho e o caminhar… avante! cambiar as coisas, organizar esse mundo… mesma que a tarefa seja árdua, aos poucos, lentamente, prosseguir, entre os acertos e os erros… logo mais… concretar-me mais um cadinho…

 

 

sobre a educação diária

[qui] 17 de julho de 2014

10h49′ «foco bicho… foco. agora o inverso – tentando interpretar o caminho percorrido pelo piloto automático…»

11h22′ ler isto, e isto e isto também.

17h30′ o demolidor. uma marreta e um cortador de ferro. e o que era uma caixa de concreto velha e abandonada virará em breve um tanque de peixes.

eldorado

[qui] 17 de abril de 2014

Copiado e colado aqui:

Hoje, 17 de abril, completam-se 18 anos desde o Massacre de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, ocorrido em 17/04/1996, em que a polícia matou 19 pessoas e feriu outras 60. Relembre no vídeo aqui compartilhado – um trecho do documentário “Nas Terras do Bem-Virá” – este episódio sangrento da história brasileira, em que as autoridades defensoras do agronegócio e do latifúndio utilizaram métodos genocidas para lidar com as demandas do MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

Saiba mais: http://www.mst.org.br/taxonomy/term/897

menos é mais

[seg] 17 de fevereiro de 2014

uma intoxicação e eu quase morro. brincadeira, não foi tão trágico assim… mas passar mal, vomitar tudo, e depois ainda aguentar as sequelas (as dores diversas) é muito chato. lembrete: cuide de sua alimentação. enfim, o que era para ter sido escrito cá e preparado ontem ficou assim… na fila de espera de coisas que um dia publicarei por cá.

agora finalizar as aulas introdutórias. hoje começa mais um ano letivo em sala.

Оркестр Че – Маяковский

[ter] 17 de setembro de 2013

Оркестр Че – Маяковский

МАЯКОВСКИЙ
Гутен морген, Маяковский
Зря ты так дыра в груди
Гутен морген, Маяковский
Придти уйти
Гутен морген, Маяковский
Помнишь, виделись во снах
Гутен морген, Маяковский
Облако в штанах

Гутен морген, Маяковский
В 31-й не успеть
Гутен морген, Маяковский
За тебя допеть
Гутен морген, Маяковский
Не нашлось свободных ниш
Гутен морген, Маяковский
Куда летишь?…

Гутен морген, Маяковский
До свиданья Лиля Брик
Гутен морген, Маяковский
Проглоти свой крик
Гутен морген, Маяковский
Зазвучал небесный альт
Гутен морген, Маяковский
…хальт…

http://translit.ru/

________—

E os russos chegaram. Tenho em mãos a Poesia Moderna Russa – saudade deste livro. Agora é reencontrar estes poetas. E quem sabe reencontrar-me…

E baixei todos os álbuns do Orquestra Che. 

e a clareza repentina de estar na solidão…

[qua] 17 de abril de 2013

“Cada passo
Cada mágoa
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Prá tecer o seu destino

Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão

Os vizinhos e parentes
A sociedade atenta
A moral com suas lentes
Com desesperada calma
Sua dor calada e muda
Cada ânsia foi juntando

Preparando a armadilha
Teias, linhas e agulhas
Tudo contra a solidão
Prá poder trazer um filho
Cuja mãe são seus pavores
E o pai sua coragem

Dorme dorme
Meu pecado
Minha culpa
Minha salvação”

Letra da canção “Mãe (Mãe Solteira)” de Élton Medeiros e Tom Zé. Gravada no álbum Estudando o Samba [1976] de Tom Zé.

____

E das coisas aqui do cotidiano… A cabeça anda pesada demais, é pra mais de cinco quilos. E se o esqueleto não encontrar o equilíbrio ela vai levando o corpo todo pr’o chão.

É fácil se perder nessa pressão toda de horários, notas, prazos, projetos, planos, orientações, acompanhamentos… Ser engolido pela alienação de todo santo dia!

E as coisas divertidas e prazerosas? Aquelas que dão sentido?

Mas é assim… Se deparando com algo que não é como imaginará que você precisa de adaptar, se refazer… [Aqui, não no sentido de se conformar ao sistema – coisa difícil pra dedéu, mas sim de se reinventar como consciência e postura crítica] e isto é lento e doloroso, ou melhor… é angustiante e exaustivo. Mas assim se cresce, assim se nasce… Afinal é morrendo trigo que nasce pão. Mas eu bem que queria trabalhar um tiquinho menos, para poder lidar melhor com toda essa pressão, mas então falta grana e dai o buraco é do outro lado… sobra tempo para o ócio, para poesia, mas falta para o pão, para o concreto da casa.

Mas porra, chega de reclamar, vou curtir tom zé e pensar nas aulas que preciso desenvolver.

1989

[sáb] 17 de novembro de 2012

Tinha água de bica, sem caixa e torneira
Desagua rica, lá da cachoeira, límpida
E os paralelepípedo a trepidar
Na madeira da roda das carroça,
Barulheira (nossa)
Sombra de laranjeira’qui
Mangueira pé de caqui,
Caixa de feira e mulequi
Coro de lavadeira, na trilha
Mulher’qui, é pilar da família
Sem pé de bréqui
Beira de brejo, rego, tinha
Nego quietim pescando manjubinha
Criame de porco, matadô de galinha
Caçador de preá, teú, ranzinha
Todo dia paz, gritaria, caminhão do gás
Pré escola, meu bom, crepom e tenaz,
Máquinas de costura, chita e zaz-tráz
Puramente, pura gente, jura, quente, ai, ai, ai,

Hoje veio progresso, pode olhar
Asfalto e som alto, pode olhar
Fumaça e concreto, pode olhar
Antena e contrato, pode olhar

As Kombi trocava garrafa por doce
Qualquer que fosse, é, gibi de amendoim, oxi!
Paçoca, quindim
Imagina o enxame de vasilhame ao toque das buzina
Catequese, comunhão, salve Cosme e Damião
Oxalá, Jesus, despacho, oração
Sonho era pião, bola de capotão
E nóis barrigudim, atrás dos caminhão
Arame farpado, caco de vidro no muro
Colocado, deixava seguro
Colchas de fuxico, flores, muito rico
Cores e o sonho: descer de barco o velho chico
Home, conheço todo mundo de nome
São leis de onde crime era roubar frutas lá no japonês
Te falar rapaz
Chamam de cidade grande, mas antes parecia mais…

Hoje veio progresso, pode olhar
Asfalto e som alto, pode olhar
Fumaça e concreto, pode olhar
Antena e contrato, pode olhar

Eles me oferecem contratos de milhão
Pra mim, sozinho
Eu penso e digo não
Porque meu sonho é tudo baratinho…

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