Archive for the '15' Category

efeito werther

[sáb] 15 de abril de 2017

Como isto tem o caráter de um bloco de notas. Segue abaixo, mais um nota, copiada e cola aqui. A autoria de é de Allan Kenji.

«Em 2000, a OMS publicou um documento orientando jornalistas sobre como noticiar os suicídios. Esse documento é intitulado “Prevenir o Suicídio: um guia para profissionais da mídia” (OMS, Genebra, 2000). Desde então, tornou-se senso comum que qualquer tratamento não eufemista para o suicídio seria responsável pelo “efeito Werther”.

O “efeito Werther” seria a imitação de uma cena suicida no interior de uma narrativa romantizada sobre esse tipo de morte.

A expressão foi cunhada por David Phillips em um artigo para a American Sociological Review, em 1974, intitulado “The influence os suggestion on suicide: substantive and theoretical implications of the Werther Effect”.

Esse artigo, de 15 páginas, descreve a elevação das taxas de suicídio em diversos países após a publicação de “Os sofrimentos do jovem Werther” (Goethe, 1774). Argumentando que essa obra romantizou a morte da personagem e ofereceu uma saída fácil e covarde.

O artigo é uma peça cômica de estatística, mas não bastasse isso, ignora que a juventude europeia está massacrada pela ausência de perspectivas.

Se, em 1974, houvesse Wikipédia, Phillips saberia, por exemplo, que a revolução francesa ocorre 15 anos depois da primeira publicação da obra de Goethe.

Em 1846, a obra de Goethe já estava publicada há 72 anos e a já existia uma versão censurada desde 1787. Marx, que tinha 28 anos, publicou um pequeno texto chamado “Sobre o suicídio”, no qual, através das palavras de Jacques Peuchet diz o seguinte:

“Tudo o que se disse contra o suicídio gira em torno do mesmo círculo de ideias. Contra ele são postos os desígnios da Providência, mas a própria existência do suicídio é um notório protesto contra esses desígnios ininteligíveis. Falam-nos de nossos deveres para com a sociedade, sem que, no entanto, nossos direitos em relação a essa sociedade sejam esclarecidos e efetivados, e termina-se por exaltar a façanha mil vezes maior de dominar a dor ao invés de sucumbir a ela, uma façanha tão lúgubre quanto a perspectiva que ela inaugura. Em poucas palavras, faz-se do suicídio um ato de covardia, um crime contra as leis, a sociedade e a honra. Como se explica que, apesar de tantos anátemas, o homem se mate? [..] O que dizer da indignidade de um estigma lançado a pessoas que não estão mais aqui para advogar suas causas? […] As medidas infantis e atrozes que foram inventadas conseguiram combater vitoriosamente as tentações do desespero? Que importam à criatura que deseja escapar do mundo as injúrias que o mundo promete a seu cadáver? Ela vê nisso apenas uma covardia a mais da parte dos vivos. Que tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão no seio de tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo implacável de matar a si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo? Tal sociedade não é uma sociedade; ela é, como diz Rousseau, uma selva, habitada por feras selvagens.” (Boitempo, 2006).

Jacques Peuchet não era revolucionário, muito menos socialista, mas trabalhando como diretor dos arquivos da polícia realizou um levantamento censitário na França e teceu duras críticas – ainda que românticas – à sociedade europeia.

Nós não temos censos confiáveis sobre o número de pessoas que se suicidam e o suicídio infantil é proibido de ser registrado como tal até mesmo nos atestados de óbitos, muito embora seja um sintoma dos mais duros sobre a irracionalidade de nosso modo de vida.

Por outro lado, não existe igualmente nenhum estudo substantivo sobre os efeitos da publicização do suicídio. Nós apenas ficamos proibidos de falar sobre isso. Talvez porque se nós soubéssemos quantos de nós adoece e morre em função das desgraças subjetivas inerentes ao capitalismo, a coisa ficaria feia.

Eu tenho a hipótese de que a ausência de debates sinceros sobre nossos pensamentos suicidas é uma das principais vias pelas quais eles são vividos subjetivamente como processos absolutamente individuais.

“[…] o suicídio não é mais do que um entre os mil e um sintomas da luta social geral, sempre percebida em fatos recentes, da qual tantos combatentes se retiram porque estão cansados de serem contados entre as vítimas ou porque se insurgem contra a ideia de assumir um lugar honroso entre os carrascos.” (MARX, 2006, p. 29)

Nós achamos patético que uma fábrica chinesa instale grades nas janelas para evitar que seus funcionários se matem durante a jornada de trabalho, e enquanto isso, evitamos nos perguntar sobre quantas pessoas se suicidaram em nosso campus apenas no último ano.

Não é porque algo é o sintoma da doença de uma sociedade, que seja sinal de doença do indivíduo. Eu trabalho muito todos os dias, desde a hora em que acordo até quase o momento de dormir. Fico feliz com as pequenas conquistas. Mas desde as férias escolares da oitava série, eu nunca mais me senti feliz por uma semana inteira. Desde então, todos os dias há esse dilema sobre “ganhar a vida” e esse sentimento permanente de despossessão. Acho que eu não conheço nenhuma pessoa da minha idade que se sinta agarrada verdadeiramente à vida sequer por uma dúzia dias. Acho que está na hora de nós nos reunirmos no mesmo dia, na mesma hora, e quebrar tudo. Allan Kenji»»

 
 
 

conundrum

[dom] 15 de janeiro de 2017

Jethro Tull – Conundrum (Instrumental)  (Martin Barre / Barriemore Barlow)

***

Frank Sinatra – The Nearness of You

Ella Fitzgerald & Louis Armstrong – The Nearness Of You

Sarah Vaughan – The Nearness Of You

Norah Jones – The Nearness Of You

Rod Stewart – The Nearness Of You

Johnny Hartman – The Nearness Of You

The Nearness Of You // Why do I just wither and forget all resistance / When you and your magic pass by / My heart’s in a dither dear / When you’re at a distance / But when you are near, oh my… / It’s not the pale moon that excites me / That thrills and delights me / Oh no / Its just the nearness of you / It isn’t your sweet conversation / That brings this sensation / Oh no / Its just the nearness of you / When you’re in my arms / And I feel you so close to me / All my wildest dreams / Came true / I need no soft lights to enchant me / If you’ll only grant me / The right / To hold you ever so tight / And to feel in the night / The nearness of you /// written in 1938 by Hoagy Carmichael and Ned Washington, for the Paramount film Romance in the Dark

meu querido diário…

[qui] 15 de dezembro de 2016

duas e quarenta e três da madrugada.

vento sul.

gatos dormem sobre minha cama.

luminária clareando a bagunça sobre a mesa…

os livros não lidos, as atividades escolhares não concluidas… as anotações e contas.

segunda até quarta-feira foram dias tranquilos. notas digitadas, atendimento aos estudantes que pegaram exame final… e bate-papo descontraido com os colegas de escola. sentirei saudades de alguns estudantes, de colegas profs que trocaram de escola…

aquela nostalgia antes da partida. eu ficarei.

essas semanas de festividades que se aproximam me deixam um tanto desconfortável. não nasci numa família festiva. são estranhos esses rituais.

das novidades, poucas… não fui fazer a prova do vestibular. desisti antes de começar.

peguei algumas aulas num colégio mais próximo, o jovem. vou encontrar uma velha colega de graduação e centro acadêmico… planejaremos juntos… estava sentido falta dessa parceria intelectual.

meu amigo também veio de visita… de segunda-feira pela tarde até hoje, quinta-feira, pela manhã. as vezes é bom ter companhia para conversar sobre coisas aleatórias, pensamentos, teorias, lembranças… enfim, estava muito afim de receber visita, mas foi bacana. é sempre bacana no fim.

hoje, montar os exames. enviar para escola. aproveitar a quinta-feira.

ps: caminhar, emagrecer vinte quilos. cortar cabelo. consertar bike. estabelecer um projeto pra o próximo ano… nova graduação/ou mestrado na educação [mas dessa vez com rotina, algo sério, viável].

#notas coletadas ao longo do dia

Nestes escassos momentos de recesso, noto quando podemos ser produtivos, ler, imaginar, testar, inovar. A lista de possibilidades de experimentos que tenho na cabeça no momento é gigante e, as vezes, duas horas de boas leituras ou duas horas bem trabalhadas no laboratório me agregam mais que um ano inteiro de aulas. É triste saber que em menos de três meses toda essa fertilidade vai ser sufocada pelo aulismo de 9 disciplinas previstas para que se possa cumprir o curso no tempo esperado, com aulas monótonas, majoritariamente expositivas e que pouco instigam nossa capacidade de pesquisa e desenvolvimento. Faz falta uma academia que nos olhe como agentes criativos e críticos. Faltam projetos, faltam experimentos, faltam viagens, faltam interações com sujeitos fora da bolha acadêmica e, sobretudo, falta tempo para pensar, para crescer e para criar. Patrick Dias Marques

sob o signo de cam

[qui] 15 de setembro de 2016

fazendo leituras e organizando minhas aulas de hoje. dia de repor aulas não dadas.

ontem pensava sobre isto de dar aulas… como nessa semana estou mais disposto, mais vivo… interessado. em vários momentos deste ano eu estive tão cansado que deliberadamente não quis ir para escola. mas não era só um cansaço fisico e mental.. era um cansaço moral, de saber que não havia preparado o material de forma adequada e precisava cumprir aquela carga horária… que seriam horas inúteis. e que seria uma carga.

dar aula não é, e nem pode ser, algo mecânico. é necessário paixão, encantamento, é necessário algo mágico… é necessário certa emoção em uma aula, sobretudo eu, enquanto professor e pessoa, preciso estar amando o que estou fazendo para poder irradiar e encantar, tocar, atingir, enlaçar outros nestas aulas… sem emoção a razão desaba e torna-se mera formalidade – e isto é um tanto inócuo.

 

temáticas de hoje: (202) ideologia, hegemonia e industria cultural; (301, 302 e 303) cidadania e direitos humanos no brasil.

***

El Abecedario de Gilles Deleuze – P de Profesor

«SOB O SIGNO DE CAM (pp. 246-72) (1) O original de Heine pertence ao ciclo Gedichte, 1853-54. Os parênteses com sic são do tradutor brasileiro. Comenta Augusto Meyer comparando o texto de Heine, primeiro com “Les nègres et les marionettes” de Béranger, e depois com o poema de Castro Alves: “Heine tratou o tema com uma objetividade realista que não se observa nos outros. Para ele a questão do escravo integrava-se na questão das relações de classe e da estrutura econômica do capitalismo. Já num escrito de 1832, coligido em Franzõsische Zustade, ao criticar o liberalismo inócuo de certos círculos da nobreza alemã, representados no caso pelo conde Moltkc, dizia o poeta: “O conde Moltke certamente considera a escravidão o grande escândalo da nossa época, e uma aberta monstruosidade. Mas, na opinião de Myn Heer van der Null, traficante de Rotterdam, o comércio de escravos é uma atividade natural, justificada; o que, pelo contrário, lhe parece monstruoso, são os privilégios da aristocracia, os títulos e bens de herança, o absurdo preconceito da nobreza de sangue” (A. Meycr, “Os três navios negreiros”, in Correio da Manhã, 19/8/67). Agradeço a Marcus Vinícius Mazzari a gentileza de ter-me obtido a tradução e o artigo de Augusto Meycr.» Nota de rodapé. Alfredo Bosi. Dialética da Colonização. 

«A religião dos filhos de Cam” era uma das terminologias empregadas para caracterizar as práticas religiosas dos africanos e seus descendentes no Brasil no período da Colônia e Império, quando a religião oficial era a Católica Apostólica Romana. A partir da República, houve a liberdade de culto, embora o Código Penal (1890), anterior à Constituição republicana (1891), continuasse a criminalizar o Espiritismo, o curandeirismo, e a capoeiragem, dentre outras práticas culturais e religiosas praticadas pelos descendentes dos escravos e ex-escravos. As perseguições deram-se de diversas formas durante todo o regime republicano: sob a égide da higienização, da ciência médica (combate às doenças mentais), do combate ao charlatanismo etc. No tempo presente, notamos que o grupo que mais persegue e discrimina as práticas religiosas de matriz africana no Brasil são os denominados evangélicos pentecostais. Tal perseguição exige intervenções jurídicas do Estado Brasileiro e a organização dos vitimados por tais práticas.» José Silva. Sob o signo de Cam: as lutas da tradição religiosa de matriz africana contra a intolerância no Brasil republicano.

rio dois mil e dezesseis

[seg] 15 de agosto de 2016

os minutos passam… as horas passam… os dias passam…

tudo segue em suspensão.

vendo os jogos…

e só.

e ontem,

dias dos pais,

foi bacana.

com meu velho e minha filha.

 

a vida segue lenta, calma… preguiçosa.

incayuyo

[qua] 15 de junho de 2016

inca yuyo

Es que hay que estar atentos
Requiere de toda tu energia
Si es que queres salir
De ese enjambre mental
Que te atrapa
No te deja ver la luz

Es que hay que estar atentos
Requiere de toda tu energia
Si es que queres salir
De ese enjambre mental
Que te atrapa
No te deja ver la luz

Nubes grises
Que salen de mi alma
Se visten con tu cuerpo
Y danzan conmigo

Nubes grises
Que salen de tu alma
Se visten con mi cuerpo
Y danzan con mi ombligo

Abres tus ojos y ves el sol
Abres tus ojos y ves el sol
Abres tus ojos y ves el sol

Abres tus ojos y ves el sol
Abres tus ojos y ves el sol
Abres tus ojos y ves el sol

Es que hay que estar atentos
Requiere de toda tu energia
Si es que queres salir
De ese enjambre mental
Que te atrapa
No te deja ver la luz

vá! se arranque da minha janela.

[sex] 15 de abril de 2016

dor de cabeça.

não é enxaqueca…

é tensional.

tudo anda pesado.

meu velho é um inferno.

vontade de cantar um pouco…

para todas essas coisas desgostosas

do peito e da cabeça

dissiparem pela vibração

de minhas cordas vocais

tão desafinadas…

elas, e essa vida.

uma canção daquelas aleatórias que me vez parar e apertar o repeat – ‘bora que é só essa que eu vou ouvir pela resto da tarde enquanto preparo as coisas para as aulas de logo mais:

Vagabundo não é fácil // Composição: Galvão – Moraes Moreira // Se eu não tivesse com afta até faria uma serenata pra ela. Que veio cair de morar em cima da minha janela. / De cima deitada, acordada, sentada na cama, espantando os mosquitos. Enquanto eu faço um remédio da minha cabeça. / Misturando mel de abelha, com bicarbonato de sódio. Só pra deixar a garganta em dia, cobrindo sua surdez e porque já somos pessoas sem ódio. / E no mais, tudo na mais perfeita paz. Sendo que eu assumo isso mesmo quando se diz que já acabou, ainda quero morrer de amor. / Vá! Se arranque da minha janela. Assim é tomar a frente do Sol. Tá pensando que tudo é futebol? / Ao menos leve uma certeza, você me deixa doído. Mas só não me deixará doido, porque isso sou, isso já sou.

demian

[seg] 15 de fevereiro de 2016

 

festa de aniversário de dona ica, minha mãe. ela fez aniversário dia 13. ganhou dois livros… jamie oliver e outro de hermann hesse

concreto e cromo suave

[sex] 15 de janeiro de 2016

#um

de repente bateu aquela sensação que a vida não espera… que o tempo gasto à toa – aquele que o cão gasta dando circulo antes de deitar – passa, nem sempre como os passarinhos. e como se eu precisasse ficar preso, enredado nestes cabos soltos, para suportar tudo que não se é aqui e agora – pensei esta mesma ideia de diversas formas por alguns dias… e o que fiz foi: troquei as flores de lugar; cortei projeto de árvores; podei o chuchuzeiro e o pé de maracujá. fiz uma ponte para lugar nenhum; criei uma sala vazia… e um quartel inacabado que pintarei de concreto e cromo suave.

#dois

enterrei a minha mão ressecada e cheia de cortes na terra úmida esperando brotar em mim aquela viscosidade que há na vida, em todas as suas formas… deixei minha mão em algum canto do quintal. vá que da terra, após a morte, brote um poema em forma de caracol ou flor.

#três

«El hombre es el animal que pregunta. El día en que verdaderamente sepamos preguntar, habrá diálogo. Por ahora las preguntas nos alejan vertiginosamente de las respuestas.» Cortázar.

#quatro

e manhã acabou. e o dia começou…

 

lethargos

[ter] 15 de dezembro de 2015

para ser honesto… a minha contradição é absurda. e qualquer coisa que sai de minha boca hoje será uma parte duvidosa de mim…

uma parte significativa deste ser não quer ir… não quer, não vai…  e foda-se tudo e todos. essa parte quer ficar assim, letárgico¹. humor péssimo. não há animo… nada anima. e esse sol que queima o couro, baixa a pressão e assim esvai-se a tarde.

e logo logo chegará uma tempestade para celebrar mais um dia perdido na terra do nunca.

___

nota de rodapé

¹. Do Latim LETHARGIA, do Grego LETHARGIA, “esquecimento”, de LETHE, “esquecimento”, mais ARGON,  “ocioso”. Extraído daqui ó: http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/letargia/

impermanência

[sáb] 15 de agosto de 2015

dois fragmentos para a reflexão:

#1 Chagdud Tulku Rinpoche

«Veja a profundidade do sofrimento e a partir daí dimensione o seu próprio sofrimento. Os outros estão doentes, estão imersos na guerra e na fome, estão morrendo.»

Os oito versos são:

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:

1. Desejar elogios
2. Rejeitar críticas
3. Desejar o prazer
4. Rejeitar a dor
5. Desejar o ganho
6. Rejeitar a perda
7. Desejar a fama
8. Rejeitar ser ignorado

_—————————————–

#2 Mauro Iasi

«Assim nasce o conservador

De todos os invernos
De todas as noites sangrentas
De todos os infernos
De todos os céus desterrados de perdão.
De toda obediência burra
Ao oficial, burocrata,
À coroa, ao cetro,
Ao papa, ao cura.
De todo medo
“Agora não, ainda é cedo”,
de todo gesto invertido para dentro,
de toda palavra que morre na boca.
Do obscurantismo, de todo preconceito,
de tudo que te cega, de tudo que te cala,
de tudo que lhe tolhe, de tudo que recolhes,
de tudo que abdicas, de tudo que te falta.
Um beijo o assusta,
um abraço o enfurece,
a dúvida o enlouquece,
a razão se esvanece no vácuo.
Germina, assim, uma impotência tão grande,
que deforma as feições e torna tenso o corpo,
o dedo em riste, a veia que salta no pescoço,
a boca transformada em latrina.
Assim nasce o conservador.
Ele teme tudo que é novo e se move.
É um ser frágil, arrogante, assustado…
e violento.

Um poema brechtiano de Mauro Iasi.

»

casa três

[qua] 15 de julho de 2015

o oráculo diz que o sol está na casa 3, e a lua também. tem algum coisa com período bom para comunicações e resgate…

alguém me resgata?

e agora: corrigir avaliações e por em dia plano de aulas.

e do vício: estou jogando quase todos os dias, no mínimo, uma partida de war. que até me convidaram para um clã (e aquilo que eu temia, a possibilidade de jogar a qualquer hora… vai ferrar ainda mais com essa minha falta de foco…)

ps: sinto-me ainda como se estivesse no piloto automático… como esse tempo voa e eu não me dou conta?!

mote para o próximo poema: gato galego fujão da travessa. é amarelo tigrado, e seu homem tem uma fala paraibana e sua mulher é potigar. ps: estudar um pouco sobre fonética e dialetos. falar sobre sotaques/linguagens/desenvolver melhor a ideia acima.

socorro nobre

[dom] 15 de março de 2015

domingo. dia longo e exaustivo. o compromisso, assinalado numa folha colada na tela do computador… organizar todas as aulas, sistematizar avaliações aplicadas, em aplicação e por aplicar. resumo para estagiária… é, uma senhora fará observação e depois intervirá em algumas aulas… a conversa meio atropelada da sexta-feira não me permitiu definir claramente como faremos, mas é sempre bacana compartilhar a sala de aula. mas voltando da digressão… eu não fiz nada disso. não mexi em nenhuma folha e nem no pc até agora. e exceto o almoço que dei uma zapeada na tv e acessei isto aqui:

Curta: Socorro Nobre, de 1995. Walter Salles. «Uma das influências de Central do Brasil, realizado em 1998, seria um curta sobre o relacionamento por cartas entre uma presidiária e um artesão polonês dirigido pelo próprio Walter Salles, três anos antes. Socorro Nobre, de 1995, leva o nome da ex-presidiária Maria do Socorro Nobre que, emocionada com uma matéria sobre o artesão Franz Krajcberg, envia uma carta ao escultor, dando início a uma bela história de amizade. Premiado em vários países, o curta documental apresenta Franz Krajcberg, um escultor que lutou contra o nazismo pelo exército polonês e vive há décadas isolado em uma praia deserta em Nova Viçosa, na Bahia. Krajcberg já rodou o mundo expondo suas esculturas, feitas em madeira queimada e material calcinado. Paralelamente, a baiana Maria do Socorro, reclusada no presídio de Salvador, sonha em voltar a viver com seus filhos.» texto acima extraído do canal cultube.

o restante do dia foi de trabalho braçal… por a mini-reforma da casa em movimento… enquanto meu primo terminava o quarto, fazendo o reboco, a pintura das paredes e colocava o piso que faltava… eu pintei a cozinha. acredito que mais um dia e ele passará para o novo quarto. e mais uns 3 ou 4 dias, algumas caixas de piso, uns dois sacos de cimento… e eu passarei para o quarto que ele ocupa agora. e só falta o estrado/deck de entrada e enfim poderei limpar a casa… porque essa condição de casa em obra é muito chata.

 

faz escuro mas eu canto

[sex] 13 de março de 2015

o título é de um poema/livro de thiago de mello.

os movimentos:

#1) da reforma da casa… estou já um pouco cansado dessa sujeira de casa em obra de final de semana… quase um mês e tudo está uma poeira só. espero que lá no final do mês tudo esteja melhor e mais limpo. agora é passar mais uns sábados e domingos no trabalho braçal para finalizar essa coisa toda.

#2) do movimento sindical… chegou a hora de voltar a militar, sem vacilar.

#3 e #4) do reencontro do povo e da acadêmia… nas últimas semanas, num claro movimento de abertura, tenho reencontrado várias pessoas queridas… e isto faz tão bem. ontem estive na ufsc, para um dar um entrevista à uma colega do mestrado que está trabalhando/investigando o currículo de sociologia nas escolas… e revi várias pessoas queridas, amigos e ex-colegas; e senti aumentar a vontade de voltar a estudar na acadêmica. agora é preciso sistematizar um planejamento e estudar para voltar. só faltou encontrar paula.

#5) do registro de maria izabel… ida ao emaj/ccj feita… agora é esperar maio, e conversar antes com adriano (o outro pai… o pai legal) para chegarmos num consenso.

#6) da greve. 30 minutos e formação na escola. e tentar organizar alguns professores.

 

meu querido diário

[qui] 15 de janeiro de 2015

meu querido diário,

hoje, quinta-feira, dia quinze, é dia de ressaca. e há a tarde inteira pela frente… e pela noite estudar e estudar e estudar. três dias para ler, pensar, escrever e entregar a tarefa de janeiro.

ontem. quarta-feira, dia catorze, foi o dia das tempestades de raios e relâmpagos… uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida…

ontem, também foi dia de acordar mais cedo e ir ao dentista… e voltar meio dolorido, mas sorrindo.

anteontem… comecei a ler o romance “os prêmios” de julio cortázar. anteontem… izabel ganhou três livros – meu querido diário otário – e não tem parado de ler… e é o algo novo neste verão, uma certa introspecção por parte dela… enquanto luiza (a maria sobrinha) segue brincando, izabel (a maria filha) já oscila mais entre coisas de crianças e a uma pré-pré-adolescência.

anteontem também meu irmão fez trinta anos.

e neste verão, algo importante de se registrar, tenho ficado cuidando de luiza quase todas as noites, entre 22:00 e 1:00, até sua vó (que é minha mãe) ou seu pai (que é meu irmão) chegarem do trabalho. luiza, às vezes é tão chata, noutras é tão encantadora… e sentirei falta deste “bichinho grilo” quando for morar com sua mãe. ela já tem nove anos.

**

mas tenho sentido falta de um tempo só para mim… sem esse povo todo.

**

trilha de fundo: zélia duncan cantando «um homem com uma dor / é muito mais elegante / caminha assim de lado / como se chegando atrasado / andasse mais adiante…»

the last question

[sáb] 15 de novembro de 2014

por enquanto segue assim: «dados insuficientes para uma resposta significativa»

***

e outros.

muy despacito

[qua] 15 de outubro de 2014

02:26 «É preciso reconhecer o rato que respira em nós para termos alguma chance de nos tornarmos mais parecidos com um humano.» De Eliane Brum.

02:29 «Jardines de calma feróz con sol de infinita paciencia los locos cantan la canción y aplauden...». Um trecho de uma canção de uma banda de rock argentina chamada Los Piojos. E a emocionante história de muy despacito narrada por Andrés Ciro Martinez.

03:55 Uma frase direto do Facebook, copiado da linha do tempo de um conhecido. Porque essa frase diz muito do sentimento de hoje: «Paradoxo do dia: não adianta ter nojo de gente que tem nojo de gente»

{e um parenteses para relatar alguns impressões do dia: minha tia morreu ontem, e minha mãe está bem triste; eu não consigo para de pensar no evento de ontem na escola… está tudo engasgado aqui. vontade de socar muito alguma coisa… esses fascistas de merda… e comecei a fazer o forro do quarto… e nada está dando certo… vou ver tv para distrair porque o meu nível de estresse está alto e eu estou com nojo, com raiva… a audácia de dizer que é por causa de posturas como a minha – de denúncia do racismo, do preconceito cultural, do preconceito religioso, do machismo destes professores e professoras da escola… – que a escola está como está… professor fascista de merda, classe média de merda, homem branco com seu carrão e seus preconceitos de merda… tratando estudantes da periferia, negros, mulheres, gays como subgente…. ah, que vontade… fascistas de merda. preciso transformar tudo isto em movimento… chega de aturar isto.

18:20  «Já que somos todos ignorantes, enlouqueçamos, pois!» de Cláudio Tovar. No Canal Brasil, direto do filme Dzi Croquettes de Tatiana Issa & Raphael Alvarez

continuará…

 

ô viola…

[seg] 15 de setembro de 2014

eu vou me embora para o sertão… eu aqui não me dou bem não“.

meu peito tá pesado. e algumas lições doem. a vida não devia doer não.

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

 

 

*

*

“Não nos iluminamos imaginando figuras de luz, mas tomando consciência das trevas” – Carl Jung

*

 

 

*

 

 

 

“muitos temores nascem do cansaço e da solidão (…) Dissestes que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira”.

 

engrenagem

[sex] 15 de agosto de 2014

«Chama-se suicídio todo o caso de morte que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado». Émile Durkheim. O suicídio, 1897.

«No campo da formação ainda são escassos os estudos que incidam em efetivas transformações.O drama dos pesquisadores tem sido esse: a quem vive o quotidiano da escola, a quem investiga a todo o momento, não sobra tempo para fazer registros. Os que estudam ‘sobre’ as práticas observam, captam o supérfluo e generalizam-no. As conclusões de muitos estudos refletem a origem dos pesquisadores, raramente a realidade dos investigados. Mesmo quando são professores a conduzir os estudos, são professores com experiência de uma escola ‘tradicional’ fazendo, quase sempre, leituras que as suas representações permitem.
O drama dos que estão ‘dentro’ consiste em tudo parecer já ter sido dito pelos especialistas sobre a formação. No irônico contraponto com o real é extremamente difícil assumir a humildade curiosa de quem compreende que na formação contínua não existe ainda um edifício teórico coerente. Muitas pesquisas limitam-se à recolha de sequencias práticas, nem continuidade. Assentam em conclusões estáticas, produtos de modelos explicativos construídos a priori, ou (o que é ainda pior) são meras teorizações de teorias que legitimam-se umas às outras. Se a investigação sobre (ou na) formação não serve à transformação das práticas, para que serve?
Muita formação esgota-se em si mesma, é repositório de receitas avulsas debitadas sobre auditórios passivos. Os formadores são, em muitos casos, incapazes de concretizar em seus locais de trabalho as propostas que recomendam. Fazem apelo teórico à prática de ‘metodologias ativas’, mas a metodologia efetivamente utilizada não é, talvez, a mais importante, mas não poderá ser alienada. É inconcebível pois, que haja quem não tenha alguma vez passado por uma sala de aula e oriente formação de professores em domínios tão sensíveis como a alfabetização.
Manifestações como os círculos de estudo são, regra geral, remetidas para a periferia do sistema e assumem-se até elas próprias como marginais. Permanecem ignoradas, sem que delas se tome conhecimento, ou sobre elas se reflita. Não constituem novidade, pois estiveram presentes na gênese de grande parte dos movimentos pedagógicos nas três últimas décadas. Não são dispositivos redentores dos sortilégios dos modelos tradicionais de formação. ‘A autoformação ultrapassa os quadros sociais de vida. Ela parece ser a expressão de um processo de antropogênese que extravasa as estratificações sociais e educativas tradicionais. Compreender e trabalhar este processo obriga-nos a apoiar a reflexão sobre a autoformação […] nas ciências emergentes da autonomização». Págs. 36,37 e 38. PACHECO, José. Escola da Ponte: Formação e transformação na educação.

«às vezes acredito em mim mas às vezes não / às vezes tiro o meu destino da minha mão » Arnaldo Antunes. Acústico MTV.

 ps: fazer um poema sobre a ferrugem. outro sobre o cubo.

ãba’ib

[ter] 15 de julho de 2014

ontem cedo. passeio na praia com marias, com direito a castelo de areia. tarde… faltou tempo e ficou aquela sensação de correr contra o tempo…  e a noite de trabalho foi cansativa.

hoje, cedo, dispersão, bebendo um mate solito e uma caminhada com os cães pela rua.

e uma lista para próxima semana

1. Varal [medir e comprar cordão]
2. Cortar bananeiras
3. Esvaziar Baldes com Material Orgânico
4. Amarrar árvores [amora, ipê e acássia]
5. Jardim [Azaléias e terra]
6. Conseguir muda de Embaúba-Vermelha [Cecropia glaziovii]
7. Comprar tênis para correr.
8. Forro pvc!
9. Um pessegueiro?

agora pela tarde… buena vista social club e corrigir provas, fechar notas. argh

 

o guardador de rebanhos

[dom] 15 de junho de 2014

#1 não tirei os pontos ainda. não entreguei o poster-explicativo. não toquei em nenhum material produzido pelos alunos. não fiz um monte de coisas necessárias. apenas rastejo lentamente entre os escombros diários. tudo me distrai… não há foco (ou coragem para subverter-se); e  indicando alguns livros ao meu primo, colega de casa, encontrei, posto que andava perdido,  em um livro de alberto caeiro (o ponto de partida desta postagem) um recado carinhoso dobrado que dizia assim:

«A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos. ou dedo nas pontas das palavras. Minha linguagem treme de desejo. A emoção vem de um duplo contato; de um lado, toda uma atividade de discurso vem, discretamente, indiretamente, colocar em evidência um significado único que é “eu te desejo”, e liberá-lo, alimentá-lo, ramificá-lo, fazê-lo explodir (a linguagem goza ao tocar a si mesma); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras, eu o acaricio, o roço, me esforço em fazer durar o comentário ao qual submeto a relação.» Roland Barthes. Fragmentos de um discurso amoroso.

#2 o pensar:

e mergulho no tempo… ontem, ouvindo skank, mergulhei 15 anos no tempo. hoje, 6 – lendo este bilhete. assim a vida segue… fragmentária, aleatória, ordinária… não sou a promessa de 8 anos atrás – o jovem que se lançava apaixonadamente num universo novo… tampouco sou o sonho de 16 anos atrás – rebelde e infantil. sou apenas o labirinto caduco e sempre marginal, aislado, incapaz de estabelecer relações profundas e duráveis… «no fundo uma eterna criança que não sabe amadurecer…» sempre escapando de qualquer ser humano. e eu que já fiz terapia, já percorri intelectual e emocionalmente – mesmo que de forma momentânea e parcial – este caminho… que já visualizei a quantidade de feridas abertas, medos, traumas, violências sofridas e guardadas… tenho auto-consciência, mas me faz falta uma força, uma gana para emergir, para abrir-me. e essa vida é um simulacro, um espelho, nada é profundo… destarte os atrasos e os silêncios, este habitus.

#3 memórias afetivas incidentais:

Sofrer é outro nome / do ato de viver. Carlos Drummond de Andrade..

Una noche se acuestan con la muerte / en el lecho del mar… Pablo Neruda

Three o’clock in the morning / It’s quiet and there’s no one around
Just the bang and the clatter / As an angel runs to ground… U2

o garapuvu no dia da lua vermelha

[ter] 15 de abril de 2014

https://www.facebook.com/garapuvu

no dia da lua vermelha.

 

algumas referencias: Canoa, Compositor: Amaro Costa

Garapuvu… Garapuvu
Garapuvu… Garapuvu
Serra do Mar, Ilha do Sul
Copa amarela, Garapuvu
Rios, flores, verde, primavera
Natureza, cheiro de terra
Novas caminhos pra navegar
Morres pra terra, nasces pro mar
Canoa… Canoa… Sou a popa, sou a proa
Canoa… Canoa… Solta a vela, vida boa
E o pescador notou, que ao sair do mar
Garapuvu rezou, pediu pra ele voltar
E o pescador voltou, rezou pra germinar
Sementes que do céu, caíram a girar
Garapuvu… Garapuvu
Garapuvu… Garapuvu
Garapuvu… Garapuvu

http://www.youtube.com/watch?v=8koPfLwgibo
Link: http://www.vagalume.com.br/grupo-gente-da-terra/garapuvu.html#ixzz2yyc0zmhF

 

Patrimônio Material – Dalmo Vieira – https://www.youtube.com/watch?v=rqHqaAZ4aOo

sol na casa oito, lua na casa hum.

[dom] 15 de dezembro de 2013

é tenso estar em um daqueles dias em que tu não suportas nada.
nem a ti, nem aos outros.
dias assim exigem solidão e distância.
dias assim são plenos de angústia.

é o peso desta contradição entre pensar e sentir.

#13/40

[qua] 15 de maio de 2013

há dias em que tudo rola numa boa, flui. há dias em que nem tudo rola tão bem… é um engasgar. e há dias assim… no limbo. o ânimo evaporou. e o máximo que consigo é deixar o tempo escorrer, e só no último instante, às vezes já perdendo a hora da saída, eu limpo o rosto e mergulho no que é necessário. #13/40.

mas não sei explicar… é um clima meio tenso pelos arredores – quando você percebe que é o único que tem renda (+-) fixa no final do mês – e apertou para todos. você percebe que precisa guardar, porque se a corda estourar… é você que vai ter que segurar as pontas de todos.

tenso.

mas é mais do que isto… é esse esperar que tudo seja intenso e agitado, mas tu não mexe um pelo para modificar. e mais… o plano é o inverso, é conservar o minimo movimento para guardar. mas sei lá… as vezes não há sentido.

—-

os poemas, assim como as fontes, estão secos. / os poemas, assim como as fontes, estão congelados. / os poemas, assim como as fontes, estão correndo. / os poemas, assim como as fontes, evaporaram // os poemas, assim como as fontes, são de outra estação.

 

o hábito faz o monge

[seg] 16 de julho de 2012

que hábitos são estes? as três da manhã fechando nota de alunos. fazendo café e interrompendo tudo para vir cá escrever isto. Que hábitos são estes que não te deixam ler um livro inteiro a meses… são mais de vinte começados e esquecidos na pilha de coisas por ler… Que hábitos são estes que se arrastam num domingo dormindo e cuidando da vó. numa sexta indo ao cinema sozinho… num sábado limpando as heras e imaginando como será sua casa quando feita.

que hábitos são estes? afastado de quase tudo e imerso nesse caminho escola(s)-casa-escola(s). e as roupas vão amontoando-se sem serem lavadas. e os pelos vão crescendo. e os textos escritos vão ficando nos rascunhos para outros dias… e os textos não-escritos vão se perdendo neste não-tempo… e tudo vai ficando assim, meio suspense, meio a vida vai assim bem… bem mais ou menos.

que porra é tudo isto. talvez o frio e a falta de grana. talvez o tédio parceiro. talvez essa espera pelos dentes. talvez sei lá… trabalho demais. fui! que a água já esquentou.

a mediadora

[ter] 15 de maio de 2012

o trapo ainda está ali. aqueles sentimentos subsistem, resistem, persistem, existem… perduram… permanecem… vivem, sobrevivem… matem-se. ESCONDIDOS DELE.

cansado. o dia não rendeu. o namorado tem um corcel. ela não veio. a aula não vai. vontade de mandar todos para fora… até o professor. eu mesmo. eu mesmo. eu mesmo. eu mesmo. eu mesmo… e quando desisti de lutar algo que era mágico e forte perdeu-se. e sobrou isto aqui… contando os trocados no trono com a boca escancarada quase cheia de dentes esperando a morte chegar… o exército está em retirada…

e ele pergunta-se… qual o sentido de tudo isto?

se é matar ou morrer.

***

9 semanas em contagem regressiva para o recesso escolar.

 

na linha do mar

[dom] 15 de janeiro de 2012

07:13 NA LINHA DO MAR /// Galo cantou / Galo cantou as quatro da manhã / Céu azulou na linha do mar / Vou me embora desse mundo de ilusão / Quem me vê sorrir / Não há de me ver chorar / Flechas sorrateiras / Cheias de veneno / Querem atingir o meu coração / Mas o meu amor / Sempre tão sereno / Serve de escudo pra qualquer ingratidão /// Paulinho da Viola

8:01 “no miúdo que mudas. cada dia é um novo dia. vamos devagar que o sol já amanheceu lá fora…”

9:51 IPOEMA.ORG.BR Curso de Sistemas Agroflorestais – parte 1Curso de Sistemas Agroflorestais – parte 2Curso de Sistemas Agroflorestais – parte 3

10:06 Necessito de uma galocha e de uma facão.

10:13 Tutorial Aquecedor Solar: Sistema de montagem, custo e benefícios

10:27 Isto é uma boa ideia.

11:22 Buscando por garapuvu achei isto aqui agora pouco: NO VERTIGINOSO PICADEIRO SOVIÉTICO e Projeto Garapuvu

vem, vambora.

[sex] 15 de abril de 2011

quero-me [ser forte] para o que é simples. e os passos diários naquela direção ali, para frente [neste redemoinho de horror]. quero conhecer-me [com ela], criança, sem pressa e sem planos. quero pouco posto que haverá [muito] tempo para o que importa. e não sei de amanhã de fato. sei que o confronto e contradição e luta se faz assim: construindo escadas e jardins [qual hoje] e pontes entre o passado e o futuro humano. sim, tenho saudades do futuro. sim, eu posso e estou indo.

tenho [tantos] planos.
tenho [tantos] dias.
tenho [tantas] tarefas.
tenho [boa] companhia.
tenho-me [no meio disto tudo].

e tudo é assim… muito lento: o cuidado, os descuidos, e nossas acuidades.

e que sea lo que sea.
e que venham mais vinte e poucos porque algo me diz que vai ser sempre assim: as vezes eu me preservo, e noutras me suicido.

só, no sofá… absorto no labirinto desta casa

[ter] 15 de fevereiro de 2011

chove e durmo mais. tudo está uma bagunça e um abandono… amanhã colo grau. amanhã é longe demais.

‘tá na hora de levantar e…

Mas há dias em que nada faz sentido
E o sinais que me ligam ao mundo se desligam

Eu sei que uma rede invisível irá me salvar
O impossível me espera do lado de lá
Eu salto pro alto eu vou em frente
De volta pro presente… Roberto Frejat.

maurício, o leão de menino

[seg] 15 de novembro de 2010

coisas desde quinta… cometi um excesso e estacionei na banca do poeta acrescentando assim um kant, dois cortázar, um adolfo caminha, um de antropologia, e o manifesto comunista em quadrinhos – com o prefácio de trotsky – e este aqui . excessos, bons excessos. e na sexta juntei uma duzia de poemas, e os imprimi. sai mostrando para todo mundo, talvez por ter passado a madrugada de quinta para sexta sem dormir, e a apresentação de sexta ter sido um sucesso – para quem passou o semestre inteiro, no começo mal aparecendo nas aulas, e depois não falando nada, começar a intervir nas aulas em dois bons, e elogiados, seminários… fizeram-me recuperar aquela segurança abandonada há um tempo atrás. acabei conversando com velhos camaradas, amigos e colegas pelo resto da tarde de sexta… sensação boa, muito boa.

já o final de semana anda puxado. trabalho, estresse. muitas horas em pé. barulho. vontade de dormir. dormir bastante. e joguei [literalmente, mas sem querer e sem perceber] meu celular no lixo. até revirei para ver se achava e nada. foi-se. espero que ninguém me ligue [e eu nunca gostei de celular, ou telefone, mesmo. agora só preciso de um despertador, ou de uma rotina nova].

e pensando a semana próxima, desafios… dentista, informação sobre a colação grau, justificativa por não ter ido votar, edital do aplicação, pintar casa, projeto de pesquisa, leituras e concluir fichamentos. ah… bom era quando haviam leões no armário.

%d blogueiros gostam disto: