Archive for the '14' Category

you help me along makin’ me strong

[sáb] 14 de abril de 2018
Drift Away // Dobie Gray // Day after day I’m more confused / Yet I look for the light in the pouring rain / You know that’s a game that I hate to lose / I’m feelin’ the strain, ain’t it a shame / Oh, give me the beat, boys, and free my soul / I wanna get lost in your rock and roll and drift away / Oh, give me the beat, boys, and free my soul / I wanna get lost in your rock and roll and drift away / (Won’t you take me away?) / Beginning to think that I’m wastin’ time / I don’t understand the things I do / The world outside looks so unkind / I’m countin’ on you to carry me through / And when my mind is free / You know a melody can move me / And when I’m feelin’ blue / The guitar’s comin’ through to soothe me / Thanks for the joy that you’ve given me / I want you to know I believe in your song / Rhythm and rhyme and harmony / You help me along makin’ me strong / Compositor: Mentor R. Williams
https://www.youtube.com/watch?v=xV6gNpMb-N4
(e há essa outra versão: https://garapuvu.wordpress.com/2002/07/28/swan/)
e a ideia era ver a nova série da netflix,

Perdidos no Espaço 

mas, ideia abortada… porque foi dia de lidar com as questões familiares, com as loucuras dos outros e as cobranças. mas unidos somos mais e melhores.

esperando godot… keep talking.

[qua] 14 de março de 2018

PRIMEIRO ATO
Caminha em um descampado, com árvore. Entardecer. ESTRAGON, sentado no chão, trata de descalçar-se com ambas as mãos. Detem-se e, esgotado; descansa, ofegando; volta a começar. Do mesmo modo. Entra VLADIMIR. ESTRAGON. (Renunciando novamente.) – Não há nada a fazer. VLADIMIR. (Aproximando-se de passos curtos e rígidos, separadas as pernas.) – Começo a acreditá-lo. (Fica imóvel) Durante muito tempo resisti a acreditá -lo, dizendo-me — “VLADIMIR, seja razoável; ainda não tentou tudo.” E reemprendia a luta. (Reconcentra-se, pensando na luta. Ao ESTRAGON) Assim que utra vez aí? ESTRAGON. Te pareces? VLADIMIR. – Me alegra voltar a ver-te. Acreditava que te foras para sempre. ESTRAGON. E eu. VLADIMIR. – Como celebraremos este encontro? (Reflete) Vens que te beijo. (Estende a mão ao ESTRAGON) ESTRAGON. (Irritado) – Logo, logo. (SILÊNCIO) VLADIMIR. (Molesto, friamente) Pode saber-se onde passou a noite o senhor? ESTRAGON.Na sarjeta VLADIMIR. (Surpreso)Onde? ESTRAGON. (Imutável.) Por aí. VLADIMIR.E não te sacudiram? ESTRAGON. – Sim…, não muito. VLADIMIR. Os de sempre? ESTRAGON. – Os de sempre? Não sei. (SILÊNCIO) VLADIMIR. Quando penso…, sempre… pergunto-me o que teria sido de ti… sem mim… (Com decisão.) Sem dúvida, não seria agora mais que um montão de ossos.

***

li apenas isto, ainda não sei do que se trata… irei para a primeira aula da semana (do joca)… faltei 4 em estudos (a tal da gramática criativa…), e 2 de teoria (os clássicos…), e 3 de literatura portuguesa (as trovas…). irei apenas na de teoria, hoje, agora.

[9H43 EDITANDO ISSO AQUI… E NÃO É QUE INVERTI OS HORÁRIOS E AINDA PERDI O TREM… ASSIM, LEMBRETE EM CAIXA ALTA: O TEMPO É TEU, A VIDA É TUA. SIGA NO TEU RITMO… MAS ENCONTRE O EQUILÍBRIO, AI DENTRO… PARA NÃO ADOECER, COMO SEMANA PASSADA, E NEM PERDER DINHEIRO, COMO NESSE ANO, E AINDA TER PRAZER; MAS QUE TODO EXERCÍCIO DÓI, E QUE É PRECISO ABRIR O PEITO, FICAR NU… E IR. FICAR EM CASA, NESTE PC, NÃO DÁ]

E COMEÇA A CHOVER AGORA, MAS ANTES AVISTEI OS SAGUIS, O CASAL DE PICA PAU, E UM BANDO DE GRALHAS… TUDO PELA JANELA.

***

ps: r.i.p. Stephen Hawking.

***

quarta-feira, 14 de março.

Dia do Pi

***

Keep Talking // For millions of years mankind lived just like the animals / Then something happenend which unleashed the power of our imagination / We learned to talk / There’s a silence surrounding me / I can’t seem to think straight / I’ll sit in the corner / No one can bother me / I think I should speak now  / Why won’t you talk to me / I can’t seem to speak now  / You never talk to me / My words won’t come out right  / What are you thinking / I feel like I’m drowning  / What are you feeling / I’m feeling weak now  / You never talk to me / But I can’t show my weakness / What are you thinking / I sometimes wonder  / What are you feeling / Where do we go from here / It doesn’t have to be like this / All we need to do is make sure we keep talking / Why won’t you talk to me  / I feel like I’m drowning / You never talk to me  / You know I can’t breathe now / What are you thinking  / We’re going nowhere / What are you feeling  / We’re going nowhere / Why won’t you talk to me / You never talk to me / What are you thinking / Where do we go from here / It doesn’t have to be like this / All we need to do is make sure we keep talking // Compositores: Dave Gilmour / Polly Samson / Rick Wright // Artista: Pink Floyd // Álbum: The Division Bell // Data de lançamento: 1994 // Gênero: Rock progressivo

hibisco roxo

[qua] 14 de fevereiro de 2018

ontem foi aniversário de minha mãe; de presente o livro de Chimamanda Ngozi Adichie.

há uma paz no silêncio. há um prazer no cansaço. anteontem, ontem e hoje, andei a cavar, transportar e erguer um muro. plantei e transplantei plantinhas… meus dedos estão ásperos e cortados. meu corpo está cansado… braços, mãos e pernas doloridos. mas aquela ansiedade… por amanhã, pelo primeiro dia… essa foi vencida pelo cansaço.

vou tomar um banho, rascunhar alguma coisa para amanhã… e dormir.

chão… resta um.

[qui] 14 de dezembro de 2017

“Esse cresceu reprimido
Aquele nasceu replicante
Um é aguado e insosso
Outro avoado e brilhante
Esse remoi o caroço
Aquele mastiga diamante
Um tá no fim do caderno
Outro dá início a leitura
Um é a fúria do inferno
Outro eterna ternura” (Seres Estranhos, Lenine)

***

o que você faz? por que você faz? e para quem você faz?

***

 

letter from a region of my mind

[dom] 14 de maio de 2017

Ler letter from a region of my mind. O que escrevi antes se perdeu… Era algo sobre dificuldade de escrever. Tela do celular quebrada. Sem computador. Havia algo sobre a ilusão de que sem PC eu iria fazer outras coisas, me organizar, por tudo em dia… E tudo que sinto é uma vontade, quase mórbida, de apenas dormir.

Havia menção ao poema em linha reta de Fernando Pessoa… de Memórias do subsolo…

Mas não há ânimo. Apenas esse estado de silêncio e escuridão. E essa dificuldade de respirar…

docente efetivo?

[sex] 14 de abril de 2017
Tempo de serviço líquido: 03 anos.
Tempo de serviço descontado: 02 meses 10 dias (esses são as cicatrizes da guerra!)
e na virada do mês (2/5)… faço cinco anos de magistério, na função docente (somando com meus 1 ano e nove mês e um dia de act).
*
meta do feriado: tomar no horário os antibióticos (próximo horário – 5h00). não morrer.
*
corrigir todas as avaliações.
por em dia o professor online.
*
fukuta está visitando a casa.
*
rascunhos esperam edição/publicação.

me sinto quebrado

[ter] 14 de março de 2017

sabe quando a primeira imagem/palavra que vem a sua mente quando acordas… ritmo. falta ritmo.

de ontem… acordar as 10 horas e ter que trabalhar as 7 horas, quebra alguma coisa… e descompassa o dia inteiro. não dedicar um momento no domingo para preparar as coisas da semana também quebra… principalmente se o grosso das atividades concentram-se na segunda, terça e quarta.

quinta é possível respirar… mas não posso esperar para planejar lá na quinta-feira o que vou fazer hoje, na terça-feira.

nota mental: pense sobre isso.

***

música de segunda-feira, ontem, porque troquei o disco:

https://www.youtube.com/watch?v=0pmR9Pj7VfQ

«Hay momentos en que quisiera mejor rajarme
Y arrancarme ya los clavos de mi penar…»
“Paloma negra”, de Tomás Méndez

exercício de aproximação e distanciamentos

[ter] 14 de fevereiro de 2017

primeiro dia de aula, enfim. eu quase sem voz. mas contente por voltar.

e das palavras amontoadas por alguns dias… lembra, eu comecei dias atrás… hoje saiu assim… pera, eu sei, antes preciso dizer que vai sofrer algumas modificações aqui e ali, mas por enquanto é isso:

 

exercício de aproximação e distanciamentos
eu sempre estava lá,
só não sabia eu,
que eu quase nunca estava,
salvo em raras exceções,
quando emergia do âmago
a mais profunda das criaturas
e no mais a mais
era um corpo vazio à deriva
um espírito alheio,
um espiral, um redominho
desses dias quentes de janeiro
no mais a mais
era eu habitante,
o próprio mundo estrangeiro.
eu não estava pronto,
nunca estiverá
pra ser o porto da chegada
para ser o porto de partida.
mas quem está?
eu me ignorava ilha
era um continente deserto
um emaranhado de sinapses
uma porção de medos,
destes que todos os seres adultos
tem, por detrás dos olhos.
eu era um mapa perdido,
e não chegaríamos a lugar algum,
nos perderíamos pelo peso da noite,
dessas submersas em nevoeiro.
mas pelo acaso dos passos em falso
deu-se o fato, ela diante
de minhas ruínas.
e há certa beleza em destroços
de outra era,
artefatos desconhecidos…
feridas abertas
de povos adormecidos
eu sempre estiverá lá,
só não sabia eu,
narrar na língua dela,
as geografias da paz
e as estórias doutrora…
dos tempos de guerra.
nu, em terra neutra,
naufragava em silêncios,
escrevia no escuro,
enrodilhava-me, caracol,
nos próprios músculos ininteligíveis.
eu estava lá,
só não sabia eu,
que nunca estava
por inteiro,
parte de mim escapava
andarilho,
pedregulho
erro…
a sede que em nenhuma gota há
de encontrar cura.

revisão, 24horas de trabalho e o cambirela

[qui] 14 de abril de 2016

Hoje serão 24h de trabalho. Das 00h00 até as 5h40 preparando provas, aula de revisão e outras atividades para aplicar na semana. 5h40 até 5h50 banho, dentes e roupa. 5h50 até 7h05… corrida, busão… 7h05 até 7h13 café na estação… e agora 7h20, escrevendo/registrando aqui e fotografando as olheiras de um cara que esta acordado desde as 12h de ontem e tem pela frente 15 aulas até as 22h15. E vai chegar em casa as 23h50.

Hoje o tempo terá outra dimensão.
É que estes sacrifícios valham…

7h25, e em dez minutos chego na escola… em 25 estarei em sala. E faço planos de no horário do almoço comprar litros de energético.

E, visualmente, a única coisa bonita aqui é essa vista do cambirela ali tão pertinho…

Preciso voltar a fazer alguma atividade física intensa e de forma regular…

23h20… voltando… céu bonito, lua bonita, mar bonito… cabeça voando… exausto. acordado apenas porque ainda estou longe de casa, as bolachas, o chocolate e o litro de bebida energética dão energia ao copo exausto. só para fazer um registro… as noites de quinta, apesar do cansaço, são as mais bonitas… e interessantes. mas, pode ser essa minha embriaguez pela privação de sono… que me deixa menos formal e mais suscetível aos encantamentos da vida.

sou um pedaço da carne moída, com gordura, músculos e ossos… imaginando que caldo daria.

mais um coelho da cartola?

[seg] 14 de março de 2016

por um triz pra achar tudo uma bosta… mas aí vem a consciência e diz: “não se desacredite… segure a onda, as coisas hão de clarear depois que as nuvens imensas e essa garoa persistente… passarem. e o que fazes é o que podes neste instante -nada menos nada mais. não invente a roda. nem tenha a pretensão de supor que podes inventá-la neste instante. acredite na mágica… pois ainda há cartolas”.

**

e do papo da sala da/os prof: esses suicidas aparentes escandalizam mais do que os suicidas iminentes? e sociologicamente ponderando… como esse tabu é presente. e como são todos estranhos… os suicidas e os normatizados. ou sou eu que não sei bem ainda qual é meu lado?

**

e desses dias que me ronda a vontade de poesia… penso em poemas eróticos e alguns pornográficos. sinto falta de foder… trocava toda língua escrita pelo gosto do seu sexo em minha língua, e o peso do seu corpo sobre o meu… nu em pelo, grudando como sal, suor e porra. gozando essa sede infinita.

**

mas toda sorte de poemas se esvaem, fracassam ante a ausência da inspiração vital… da existência da musa!? do olho no olho, do desejo da boca, do abraço apegado… o que fazer? quando se nega o tesão do amor tenso e desvairado, e pulsar da dor latente pelos desencontros… físicos e ideais… e neste instante falta-me o encantamento, a saudade, a perda… um fim. e apenas sinto que não é justo falar sobre malamor/doramor… que a nós o tempo reate e desate os nós… neste mar de baia me restam apenas poemas da paisagem e/ou desta brutalidade cotidiana e estacionada.

thank you, theodoro

[dom] 14 de fevereiro de 2016

Da fuga da tarde:

«toque música melancólica»
«por que há tanta raiva em mim?»
«você perdeu uma parte de si mesmo»
«que enganação triste»
« it’s just letter… são apenas cartas de outras pessoas»

«não sei o que quero, nunca. Estou sempre confuso»

«eu não sei… mas posso racionalizar tudo e duvidar de mim de milhares de maneiras.»

«o medo que você carrega dentro de si e te faz sentir tão só…»

«a cobra que morde o próprio rabo… sempre e sempre»

guerra dos mundos e a resistência

[dom] 14 de fevereiro de 2016

Ontem eu escrevi. Mas perder o que eu havia escrito foi até bom¹. Eram palavras de dor… não uma dor física, mas uma dor profunda…

Ontem foi um inferno. Naqueles dias em que as coisas duras vazam e todo mundo sangra.

Mas o que mais machuca é o que não se diz… Aquele caco que você dilacera por dentro todas as sua vísceras.

Andei uns dias tristes… chorei sozinho outro dia. Mas isto é tão raro… eu estou seco. Sou um estranho, um alienígena…  minha terra é um planeta distante no espaço tempo… esse que vai aqui (tão mimetizado… como tudo ao redor fingindo estar quando não se esta) não sou eu. Não posso seu eu.

Há duas formas de ser resistir ao mundo real. Mas uma delas não é uma resistência de fato… essa letargia não é uma resistência. A outra… exige ir de encontro à emoção humana e agir.

músicas:

The Hi-Fly Orchestra – I Got Hope

Apollo Nove – I’m A Rocker

Angus & Julia Stone – Stranger

Club des belugas – Back to my room

filme visto: Ariane Mnouchkine Episódio 6, temporada 1 Eryk Rocha e Paula Gaitán entrevistam nomes fundamentais da literatura e do cinema mundiais, personagens que marcaram a história da humanidade pelo gênio das suas personalidades.

 

***

ps: encontrei o texto… no limbo dos rascunhos:

Não li o livro. Não me recordo qual é o final… não vi desta vez. Mas não é sobre os aliens ali fora, mas sobre a nossa alienação.

Continuo sem um monitor. Continuo na angustia de se vou conseguir manter as 20 horas como professor do estado. A casa esta uma bagunça e eu sem vontade de arrumar nada.

Hoje, mas uma vez, por nada foi um dia infernal daqueles em que me pergunto porque continuo por cá. Maria Izabel talvez seja meu argumento… pois se não fosse ela eu estaria já há muito tempo longe de minha família… Por ela tive que aprender a estar aqui… a lidar com todas essas emoções… o que me fez crescer muito, mas é desgastante… E como traduzir isso de estar e ao mesmo tempo não estar. Essa dor coletiva, essa noia,  esse carma familiar, essa dor retroalimentada todo santo dia… e este sou eu… sempre em fuga de parte de mim. Oscilando, desistindo, fazendo sofrer e sofrendo…

Pensei noutro dia no André e na mãe da Bárbara. Não como estranhos… parte de mim diz que um dia desses tomo a coragem necessária e vou nessa. Mas até lá vou tentando ser um cara bacana, destes que deixam a vida mais leve… porque o grito de dor que vai entalado em minha garganta é pesado demais. Eu peso demais.

Não me queiram mal. Não tenham pena. Sou só mais um suportando os demônios diários.

o utopista

[seg] 14 de dezembro de 2015

O utopista

Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças
Nem amor nas mulheres
que só de pão vive o homem
que não há um outro no mundo.

MENDES, Murilo. “Os quatro elementos”. In:_____. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

 

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e que dificuldade hoje… daqueles dias de se arrastar… poderia dizer que é o calor, o sol… mas sei não. é só uma vontade de parar o tempo e ficar assim suspenso.

obrigações urgentes: escrever ata;  mandar proposta do grupo de trabalho; convocar reunião; passar na agropecuária comprar vermífugos para os gatinhos; enviar email para o emaj; montar duas provas…

coisas mais ou menos fáceis e rápidas de serem resolvidas não fosse essa minha vontade zero de fazer qualquer coisa.

miró: a força da matéria

[sáb] 14 de novembro de 2015

fragmento de uma selfie num mirofragmento de uma selfie num miró.

e a força da matéria.

escrever sobre a impressão que senti ao visitar a exposição do miró no cic neste sábado. sai provocado, instigado e profundamente ‘tocado’ por sua intencionalidade e pela beleza profunda de algumas de suas peças.

ps: tenho dificuldades de sair para eventos culturais [talvez por cultural-economicamente pertencer a classe trabalhadora precarizada, onde a ideia de museu, teatros, cinema e afins não seja muito presente], mas todas as vezes que ousei, meio que sozinho [e eu sempre me sentindo um outsider aos grupos] … senti reavivar uma profunda curiosidade pelo mundo… a arte é foda.

e hoje, sábado de reposição de aula, com três alunos que se interessaram… fomos à sepex. uma vitória [tenho dificuldades com compromissos e responsabilidades… ]… propor algo diferente, assumir a responsa de coordenar, e ir… pena que a galerinha não topou ampliar o passeio e ir até o cic pra ver o miró. mas fui mesmo assim, solito, para não perder a oportunidade… e o saldo de tudo isto foi… me apaixonei pela ousadia de miró.

compacto

[dom] 14 de junho de 2015

Estamos pronto para juntar e inventar uma pequena rotina em estilo livre tudo isso ao som da música, use somente sua imaginação e faça o que lhe faz sentir bem. Se você tiver algum problema, não fique desencorajado, simplesmente volte ao início do corte e comece novamente. Vamos então escutar “Compacto” junto com os melhores.” Curumin.

 

publicando postagens que andavam lá nos rascunhos esperando a hora de brotarem:

olóomi ayé s’óromon fée s’oròodò;

a montanha que devemos conquistar…;

oito de junho;

terras de xisto;

 

e eu fiquei gripado. meu corpo dói inteiro.

 

autonomia… algo que está distante da escola.

[ter] 14 de abril de 2015

nota #1.

«Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles. A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte. O combate em favor da dignidade da prática docente é tão parte dela mesma quanto dela faz parte o respeito que o professor deve ter à identidade do educando, à sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de muitos de nós correr o risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública, existencialmente cansados, cair no indeferentismo fatalistamente cínico que leva ao cruzamento dos braços. “Não há o que fazer” é o discurso acomodado que não podemos aceitar.» Paulo Freire. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. pág. 65.

Lembro desta frase em negrito pintada na parede da antiga APUFSC-SS. Quando saía do CFH/UFSC em direção a qualquer outra parte da ufsc. 2007/2008.

E com o passar do tempo e das experiências, a vivência desta frase impregnou-me. Hoje, lendo um fala de uma professora da minha escola, e o quão distante ela vai, desta frase aí de cima… Sinto uma tristeza e uma indignação por dentro. Que porra de mundo de merda é este. Que porra de professores nossas universidades formam? que porra de seres esse sistema constrói…

E isto me lembra uma conversa com um companheiro grevista lá de Blumenau sobre como a escola é um dos espaços privilegiados de alienação da juventude. E em que medida, a disciplina de Sociologia, reforça e/ou desconstrói isto. E daí, a questão: o quanto nós cientistas sociais críticos somos capazes dentro da estrutura da escola? Uma estrutura, que por n vias, reproduz o status quo. Alienando e fetichizando as relações.

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nota #2 e #3

it’s a long way…

a terceira margem

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pela base

[sáb] 14 de março de 2015

 

 

hoje, como narrar o dia de hoje… essa inflamação na garganta, essa dor de cabeça, ouvidos que doem… essa sensação que vou ficar muito doente. talvez seja a chuva de terça-feira… esses dias todos que foram bem corridos e de péssima alimentação… muito tempo sem comer e concentrando tudo as 23h30 ou meia noite. esse estresse… esses choques térmicos… e posso dizer que com exceção de quinta-feira durante a tarde, todos os dias foram assim chatos, doloridos… nervosos… irritadiços. sexta-feira, por exemplo, foi um dia tão tenso… daqueles que nem você aguenta você mesmo… como se cada verbo que saísse de sua boca fosse um lamina afiada pronta para cortar tudo e todos. até o silêncio corta nestes dias.

mas hoje… apesar deste meu humor difícil… depois de alguns anos e eu volto a participar de uma reunião (para além daquelas profissionais e/ou educacionais)… para pensar o movimento… expor minhas posições, debater e me centralizar num coletivo. isto é algo importante… aquela fragilidade, aquela melancolia, aquele luto… adormeceram… e agora é luta. eu sou lento… mas estou andando.

*

ixcanul… fiquei curioso para ver este filme.

*

algumas passagens de leituras do dia, ou que estavam na fila de espera para serem digitas e arquivadas aqui:

#1. «diante de situações assim a gente percebe que o mundo se divide em o mundo e o meu mundo. há uma área imensa do mundo que ignora a nossa existência, que vai ficar para sempre invulnerável às nossas ações. como se fosse outro planeta, e não o planeta onde vivemos. mas há outro, o meu mundo, onde a nossa vida conta, nossas ações produzem resultados, nossa presença chama a atenção, nossa ausência deixará um vazio. quando somos jovens cheios de sonhos, de atrevimento, de esperança, achamos que um dia o meu mundo se confundirá totalmente com o outro. quando estamos na porta, nos preparamos para ir embora, é hora de esquecer o que está fora do nosso alcance, e de reconhecer que o meu mundo é pequeno, mas é tudo o que a gente tem» excerto de cronica de braulio tavares, citando indiretamente o pensamento de oliver sacks.

#2. «segundo schopenhauer, a felicidade nunca é atingida em sua totalidade, tendo os seres humanos apenas acesso a pequenos instantes de felicidade. uma vez que o filósofo alemão postula que, diante de todo o sofrimento, cada indivíduo deve tentar se aproximar da felicidade em meio a toda dor. mas ele nos lembra sempre que o esforço de alcançar a felicidade não é algo natural, na verdade é apenas ético. o que existe é apenas um esforço ético, porque não existe uma lei natural de que o mundo proporciona felicidade, tal como a lei de que, para sobrevivermos, temos que respirar. assim, ser feliz não é natural, mas depende da nossa vontade.» excerto do texto ‘sobre a doença de existir’ de mateus ramos cardoso

#3. «um índio dizia que um guerreiro a gente planta para que dê novas sementes. quem tomba na batalha a gente não deveria chorar, mas festejar. afinal, o exemplo de alguém que se doa totalmente é semente de uma multidão de militantes. é preciso ter orgulho de pessoas que oferecem sua vida para que o povo viva com dignidade. mas, com o mesmo ardor, é necessário recordar a memória de tanta gente anônima que sustenta o cotidiano da luta e garante o enraizamento do trabalho. cada militante, no seu território, deve comprometer-se em mobilizar um time de trabalhadores. estes, por sua vez, devem repartir os esclarecimentos com outras pessoas, em seus espaços de luta, de vida e de trabalho. sua missão é despertar a autoestima silenciada, estimular o protagonismo e convocar para a tarefa de ser capaz e ser feliz, coletivamente. assim, tece uma rede de resistência, pois a importância da árvore se mede pelo número de folhas que renova, e a importância da pessoa, pelo número de gente que reúne.» excerto de texto produzido pelo cepis, organizados por ranulfo peloso.

#4 «Não voltamos, contudo, à tese vulgar (aliás admissível, na perspectiva estreita em que se coloca), segundo a qual a magia seria uma modalidade tímida e balbuciante da ciência: pois nos privaríamos de todos os meios de compreender o pensamento mágico se pretendêssemos reduzi-lo a um momento ou a uma etapa da evolução técnica e científica. Mais como uma sombra que antecipa a seu corpo, ela é, num sentido, completa como ele, tão acabada e coerente em sua imaterialidade, quanto o ser sólido por ela simplesmente precedido. O pensamento mágico não é uma estréia, um começo, um esboço, parte de um todo ainda não realizado; forma um sistema bem articulado; independente, neste ponto, desse outro sistema que constituirá a ciência, exceto quanto à analogia formal que os aproxima; e que faz do primeiro uma espécie de expressão metafórica do segundo. Em lugar, pois, de opor magia e ciência, melhor seria colocá-las em paralelo, como duas formas de conhecimento, desiguais quanto aos resultados teóricos e práticos (pois sob este ponto de vista, é verdade que a ciência se sai melhor que a magia, se bem que a magia preforme a ciência no sentido de que triunfa também algumas vezes ), mas não pelo gênero de operações mentais, que ambas supõe, e que diferem menos em natureza que em função dos tipos de fenômenos a que se aplicam. Estas relações decorrem, com efeito, das condições objetivas em que surgiram o conhecimento mágico e o conhecimento científico. A história deste último é bastante curta para que estejamos bem informados a seu respeito; mas o fato de a origem da ciência moderna montar apenas há alguns séculos cria um problema, sobre o qual os etnólogos ainda não refletiram suficientemente; o nome paradoxo neolítico caber-lhe-ia perfeitamente.» excerto de ciência do concreto, capítulo um do livro o pensamento selvagem, do antropólogo claude lévi-strauss

#5 «Defeito 6. Esteticar (Estética do Plágio) // Composição: Tom Zé / Vicente Barreto / Carlos Rennó // interpretação de Tom Zé // Pense que eu sou um caboclo tolo boboca / Um tipo de mico cabeça-oca / Raquítico típico jeca-tatu / Um mero número zero um zé à esquerda / Pateta patético lesma lerda / Autômato pato panaca jacu / Penso dispenso a mula da sua ótica / Ora vá me lamber tradução inter-semiótica / Se segura milord aí que o mulato baião / (tá se blacktaiando) / Smoka-se todo na estética do arrastão / Ca esteti ca estetu / Ca esteti ca estetu / Ca esteti ca estetu / Ca esteti ca estetu / Ca estética do plágio-iê / Pensa que eu sou um andróide candango doido / Algum mamulengo molenga mongo / Mero mameluco da cuca lelé / Trapo de tripa da tribo dos pele-e-osso / Fiapo de carne farrapo grosso / Da trupe da reles e rala ralé» e «Ficha Técnica / O Terceiro Mundo tem uma crescente população. A maioria se transforma em uma espécie de “androides”, quase sempre analfabetos e com escassa especialização para o trabalho. Isso acontece aqui nas favelas do Rio, São Paulo e do Nordeste do país.E em toda a periferia da civilização. Esses androides são mais baratos que o robô operário fabricado em Alemanha e Japão. Mas revelam alguns “defeitos” inatos, como criar, pensar, dançar, sonhar; são defeitos muito perigoso para o Patrão Primeiro Mundo. Aos olhos dele, nós, quando praticamos essas coisas por aqui, somos “androides” COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO. Pensar sempre será uma afronta. Ter idéias, compor, por exemplo, é ousar. No umbral da História, o projeto de juntar fibras vegetais e criar a arte de tecer foi uma grande ousadia. Pensar sempre será .” Tom Zé».

e para fechar…

#6. «nunca sei ao certo
se sou um menino de dúvidas
ou um homem de fé
certezas o vento leva
só dúvidas continuam de pé»

Paulo Leminski. do livro O ex-estranho.

*

ps: outro títulos possíveis e pensados para esta postagem são “ciência do concreto”; “paradoxo neolítico”; “defeito de fabricação”; “ex-estranho”; “dia da poesia”.

 

 

desde o princípio ao ponto cego eu arremesso um eco sem fim…

[dom] 14 de dezembro de 2014
cae1-001
01.- Fla-Flu (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // fla-flu… (instrumental) /// 02.- É só isso (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // É só isso… (instrumental) /// 03.- Madre Deus (Caetano Veloso) // frente às estrelas / costas contra a madeira / no ancoradouro / de Madre Deus / meus olhos vão / com elas / no vão / meu corpo todo desmede-se / despede-se de si / descola-se do então / do onde / longe do longe / some o limite / entre o chão e o não / frente ao infindo / costas contra o planeta / já sou a seta / sem direção / instintos e sentidos / extintos / mas sei-me indo / e as coisas findas / muito mais que lindas / essas ficarão / dizia / a poesia / e agora nada / não mais nada não /// 04.- A cobra do caos (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) //  (instrumental) /// 05.- Mortal loucura (José Miguel Wisnik – sobre poema de Gregório de Matos) // Na oração, que desaterra … a terra, / Quer Deus que a quem está o cuidado … dado,  / Pregue que a vida é emprestado … estado, / Mistérios mil que desenterra … enterra. // Quem não cuida de si, que é terra, … erra, / Que o alto Rei, por afamado … amado, / É quem lhe assiste ao desvelado … lado, / Da morte ao ar não desaferra, … aferra. // Quem do mundo a mortal loucura … cura, / A vontade de Deus sagrada … agrada / Firmar-lhe a vida em atadura … dura. // O voz zelosa, que dobrada … brada, / Já sei que a flor da formosura, … usura, / Será no fim dessa jornada … nada. /// 06.- Big bang bang (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // se tudo começou no big bang / só tinha que acabar no big mac / mas / se a partida já estava começada / quarenta minutos antes do nada / então / é / fla-flu / então / é / maracanã / lotado / de / pulsão / de / mais / e / o / sopro / divino / criador / cantou / fla-flu / faça / – / se / a / luz / flato-flou / flight-flucht / fiat lux / ptyx / e / expulsou / o / universo / do / universo / um /// 07.- Tão pequeno (Caetano Veloso – sobre poema de Luís de Camões) // Onde pode acolher-se um fraco humano, / Onde terá segura a curta vida, / Que não se arme e se indigne o Céu sereno / Contra um bicho da terra tão pequeno? /// 08 – Pesar do Mundo (Paulo Neves/José Miguel Wisnik) // pesar de tudo / pesar do peso / pesar do mundo / sobre si mesmo / pesar de nuvem / pesar de chumbo / pesar de pluma / pesar do mundo / desponta estrela / no vão imenso / por ti suspenso / à tua espera / tudo se afronta / pedra com pedra / a própria onda / quando se quebra / a melodia / onde me leva / onde alivia / onde me pesa / tudo se agita / durante a queda / o que sustenta / a nossa terra? / e nesse quando / somente um ritmo / peso e balanço / um som legítimo / canção sem medo / de você pra mim / ó meu segredo / te rezo assim: / desde o princípio / ao ponto cego / eu arremesso / um eco sem fim /// 09.- Onqotô  (Caetano Veloso/José Miguel Wisnik) // (instrumental) ///
***
trilha sonora nestes dias de silêncio e ponderações.
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as vezes parece que você entrou num beco sem saída…
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e a cada momento há uma escolha, mesmo que tudo pareça inabitavelmente árido… há um movimento lento e mineral. e se o que faço não me faz sentido por vezes, espero… há de haver, para depois do ponto cego, algum fragmento solar que dê origem à vida.
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de tudo que a tv mostrou nestes dias só valeu rever eternal sunshine of the spotless mind. canção de fundoeverybody’s gotta learn sometime... e poema de referência: Eloisa to Abelard
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e agora tenho febre. devo tomar um comprimido para acabar com a dor… e o que resta então é dormir, pois amanhã será um longo dia… e ontem-hoje tudo foi muito lento. e assim, no meio do nada, alternando palavras, eu, com minha dor, sigo sem saída, entre a lembrança e o desconhecer… “onqôto? ondqvô? qemqeusô? é só isso? nadanadanadanada”

no dia seguinte, como continua o mundo?

[sex] 14 de novembro de 2014

é tarde/madrugada. publico o que estava privado.

há vento sul. e estou exausto… pois há poucas horas, na noite de quinta, foi dia de passeio com as marias. agora que luiza deixou as rodinhas de lado e se arrisca a pedalar na rua… e izabel, já mais consciente, ajuda-me a cuidar da maria menor, nós nos aventuramos até a ponta: destino: beira d’água. objetivo: pastel, coca-cola e batata-frita. desejo: encontrar amig@s. foi assim… é bonita vê-las… brincando, divertindo-se… e pensar que daqui uns dois ou três anos estarão namorando… essa vida passa voando.

envelheço. meu corpo me entrega: o pedal de hoje e as duas horas intensas de ontem, de dança e improviso, na oficina de teatro… e mais as andadas pela estrada – porque sempre estou atrasado e perdendo os horários, as chances, o busão… Sorte que há sempre alguém que aceita o meu convite à generosidade e me dá uma carona. ontem, pensava sobre isto… quando peço carona, estou a oferecer as pessoas a oportunidade de serem solidárias. algumas ficam constrangidas… não se permitem… e ai ando um bocado, mas sempre alguém, aceita meu pedido de carona e sinto que faço bem as pessoas. me sinto bem.

***

das coisas coletadas hoje:

Carta aos Artistas de Paris ///Gustave Courbet/// Comuna de Paris. Originalmente publicada em “Le Rappel”, em 19 de março de 1871:

“Paris, 18 de março de 1871

Meus queridos companheiros artistas,

Vocês me deram a honra, em sua reunião, de me indicar seu presidente. Eu os estou convocando aqui, em nome do comitê que foi designado a auxiliar-me, para reportar-lhes sobre nossas fiscalizações e nossas ações. Aproveitaremos também esse encontro para apresentar diversas idéias que surgiram durante o exercício de nossas atividades, em uma proposta para uma nova reorganização da Administração das Belas Artes, que tem como objetivo promover a Exposição e os interesses das artes e dos artistas.

As administrações anteriores que governaram a França quase destruíram a arte sob sua proteção, ao suprimir sua espontaneidade. Essa abordagem feudal, sustentada por um governo despótico e discricionário, não produziu nada além de arte aristocrática e teocrática, justamente o oposto das tendências modernas, de nossas necessidades, de nossa filosofia, e da revelação do homem manifestando sua individualidade e sua independência física e moral. Hoje, numa época em que a democracia deve reger todas as coisas, seria ilógico a arte, que conduz o mundo, ficar para trás na revolução que está ocorrendo agora na França.

Para alcançar esse objetivo, discutiremos em uma assembléia de artistas os planos, projetos e idéias que nos serão submetidos, no intuito de realizar uma nova reorganização da arte e de seus interesses materiais.

Não há dúvidas que o governo não deve tomar a dianteira em questões públicas, pois não é capaz de carregar em seu interior o espírito de uma nação; consequentemente, qualquer proteção será em si mesma prejudicial. As academias e o Instituto, que apenas promovem a arte convencional e banal, para que sejam julgados por seus integrantes, opõem-se necessária e sistematicamente a novas criações da mente humana e infligem a morte de mártires em todos os homens inventivos e talentosos, em detrimento de uma nação e para a glória de uma tradição e doutrina estéreis.

Vejam, por exemplo, o caso deplorável da École des Beaux-Arts, favorecida e subsidiada pelo governo. Essa escola não apenas desvia nossos jovens, mas nos priva da arte francesa, com suas finas procedências, favorecendo, sobretudo, a tradição túrgida e religiosa italiana, que vai de encontro ao espírito da nossa nação. Essas condições podem apenas perpetuar a arte pela arte e a produção de trabalhos estéreis, sem caráter ou convicção, enquanto nos privam de nossa própria história e espírito sem qualquer compensação.

Portanto, para tomarmos decisões sobre bases mais racionais e mais adequadas aos nossos interesses comuns, no intuito de abolir os privilégios, as falsas distinções que estabelecem entre nós hierarquias perniciosas e ilusórias, é desejável que os artistas (como nas províncias e em todos os países vizinhos) definam seu próprio curso. Deixe que eles determinem como farão as exposições; deixe que definam a composição dos comitês; deixe que obtenham o local onde será a próxima exposição. Isso pode ser resolvido até 15 de maio, pois é urgente que todos os franceses comecem a ajudar o país a se salvar de um imenso cataclismo.

É impossível que qualquer artista não tenha um ou dois trabalhos que ainda não tenham sido exibidos. Para os demais, chamaremos artistas estrangeiros. Excluiremos, certamente, os artistas alemães, mesmo que isso seja contrário aos princípios da descentralização e solidariedade. Mas os alemães, após terem se beneficiado de aquisições francesas e comissões por tanto tempo sem reciprocidade, nos obrigam, por sua traição e espionagem, a tomar tal atitude nesse momento.

O local de encontro será anunciado em breve, bem com o as propostas a serem submetidas aos artistas.

Saudações fraternais,

G. Courbet”

 

casi sin vos, mostré los dientes…

[ter] 14 de outubro de 2014

MANIFESTO DA TARDE:

quando cê substitui o humor por dor é mais ou menos nisso que dá: tristeza e comprimidos.

e ontem, voltando… às vezes nas segundas-feira é como se eu voltasse à vida. são os dias em que há algum tipo de comunicação com os outros. sensação bem inversa da tarde, antes de ir trabalhar… era uma vontade de nada. de quedar só. mais ou menos a sensação de hoje.

«Y ves que esta tristeza no puede ser, que algo mejor tiene que haber algo por donde salir a andar» . Todo Pasa, Los Piojos.

incidental:

Dancing Mood – Groovin High

Thelonious Monk – Straight, No Chaser

Las Pastillas del Abuelo

MANIFESTO DA NOITE: Ai ‘cê vai para escola quase descrente do que virá deste novo conselho de classe… alardado que não seria o o mais do mesmo já que deveríamos levar propostas, mas que de logo depois já foi boicotado posto que foi marcado para o mesmo dia um inofensivo churrasco… ou seja, a velha tática estica-puxa… na fala ébria e mansa aprovasse todos os ‘coitados’ e ‘malandros’ que não querem nada com nada – há ironia, o sistema exige, todos culpam todos e nada se modifica. então, eu, descrente porque esperava ao menos que se mantivesse a cena e ao menos fosse elencado algumas propostas, mesmo que sem um efeito prático para o final do ano, mas que pudesse dar uma luz ao ano seguinte… nem isso. começasse desorganizadamente com informes burocráticos e todos falam aos mesmo tempo… ah, se nossos alunos pudessem nos ver… ficariam encabulados porque nem nos seus melhores momentos conseguem bagunçar uma sala como os professores reunidos conseguem. é sintomático quando uma criança de dois anos de idade pede para sair porque a sala está muito bagunçada. e para fechar… os informes e todos se mandarem para o churrasco – menos eu – é proposto finalizar as notas do ‘show de talentos’ – interessante em alguns aspectos – a manifestação cultural do jovem – e oportunista em outros – gerar até dois pontos na média para aprovação do aluno… sou obrigado a ficar com o dedo levantado esperando que todos se toquem e permitam a fala… e com entranhas dando voltas sou obrigado a perguntar qual é o critério? porque das três apresentações de dança, duas tradicionalistas, mereceram pontuação máxima e elogios… e a apresentação de duas meninas, uma lésbica e outra negra, dançando música urbana merecem menos? o critério é o primeiro comentário manifestado pelo professor de matemática: “se o shorts fosse menos ganhava dois”? que gerou risos em quase todos os demais professores, principalmente os homens? ou é o critério secundário manifesto pela professora de história – que depois admitiu que nem viu apresentação – que “isso elas fazem todos os dias… não é nada demais”? PORRA… ELAS ELABORARAM UMA COREOGRAFIA, DESENVOLVERAM EM SINCRONIA, APRESENTARAM-SE DIANTE DOS COLEGAS, FORAM APLAUDIDAS PELA EXCELENTE EXECUÇÃO… Eu só posso justificar a pontuação menor pelo machismo, ou pelo preconceito cultural, ou racial, ou homofóbico… ou tudo isto junto. Ninguém tem contra-argumentos, todos tem pressa, dá se dois e não se discute… Mas o professor de física, ofendido, sai destilando que é por posturas assim que a escola está cheia de marginais… Eu olho para os professores e sinto tanto nojo. Vão todos felizes beber e destilarem seus preconceitos diários e “inofensivos”. Eu vou para casa.

don’t be a victim

[seg] 14 de julho de 2014

uma e dezoito desta madruga plena de um breu intenso e apenas a voz densa de uma pedra habita meus ouvidos. há tantas canções e poemas gloriosos, iluminados, ensolarados… mas aqui dentro, e no entorno, há apenas um frio que quebra os ossos e sopra leve, o suficiente, para não deixar nenhuma faísca vingar. a boca não ousa cantar canção alguma – das belas e alegres não sente-se digna, das tristes sente-se patética por demais, então sobra apenas silenciar [vai que o mundo esquece o que é amar… e todos ficam frios]

uma e vinte e seis e a «self-pity is easily the most destructive of the nonpharmaceutical narcotics».

e das série de anotações para uma micro-histórica… dia 13 a alemanha ganhou a copa, e enfim ela acabou. chega de enrolar… é hora de mudar. nem que seja ao menos essa rotina de procrastinação, mas talvez seja isso mesmo… a rotina. e é fim de bimestre, pilhas de notas por produzir em provas por aplicar nesta segunda e terça, e disto pilhas de notas e médias por produzir, e o lado positivo é que não há nenhuma aula expositiva à vista até dia 31. chega a hora de arrumar a bagunça, desfazer essa letargia… cumprir os tramites pedagógicos e burocráticos até dia vinte e pouco… e começar um terceiro bimestre positivo em agosto. estudar para começar novos projetos, focar no trabalho, praticar atividades físicas, reconstruir relações afetivas… fazer parte de alguma coisa, qualquer coisa… fazer parte…

porque por agora… esse jogar a toalha cotidiano, essa sensação que ferra, de que não estou fazendo o certo, não estou tendo a coragem para mergulhar neste profundo mar… estou perdendo… estou fugindo… estou enfraquecendo-me… definhando… matando-me de medo. e nem pena de mim posso ter… só eu posso… será que posso? não tenho essa força vital porque não tenho a fé?… ou a fé é inexistente porque no fundo não há esse suposta força para transformar esse mundo caduco?!

mas viver de faz de conta é coisa para garoto. preciso crescer – isto parecem meus textos de dez anos atrás -, mas do que vale deixar isto registrado cá… e amanhã continuar no mesmo ponto?! perdido no espaço-tempo sem saber para onde ir e como desfazer esses nós cá dentro.

uma e quarenta… «and if your heart is locked and you can’t find the key». é hora de dormir. porque essa semana vai ser pesada e não esqueça meu caro: «don’t let the future blow your mind».

duas e dez. canção após canção. verso após verso, como balas que perfuram sem se poder desviar-se, não sendo o escolhido e, sim, apenas um corpo ferido, que insiste em sobreviver vazando essa condição mortal…  quando perder é a regra quebrar a banca não faz parte do jogo. «i know we’re only human, only made with flesh and blood, i shouldn’t have such expectations».

duas e vinte e três. os pés estão congelando. e a sensação que se erra é mais presente que há um minuto atrás. ousar não é parte do habitus. e estas páginas, e a virtualidade alimentam o hábito de ser um pretender. e nesse mergulho neste emaranhado, it’s got me trapped, relembrando as sessões de terapia… percebo que eu ainda não entendi este filme aqui.

«ele se apresentava imune à dor e com a resistência de uma bactéria, sendo visto como um “extra” terrestre. sua presença causava estranhamento e repugnância. era como se pertencesse a outra realidade; ficava ausente para as pessoas e objetos que o cercavam e que, para ele, eram como que transparentes, desprovidos de sentido.»

pear-tree-1903

Gustav Klimt pear-tree-1903

três e um. ir. dormir. acordar as sete.

o barco do amor espatifou-se na rotina.

[seg] 14 de abril de 2014

«A todos
De minha morte não acusem ninguém, por favor, não façam fofocas. O defunto odiava isso.
Mãe, irmãs e companheiros, me desculpem, este não é o melhor método (não recomendo a ninguém), mas não tenho saída.
Lília, ame-me.
Ao governo: minha família são Lília Brik, minha mãe, minhas irmãs e Verônica Vitoldovna Polonskaia.
Caso torne a vida delas suportável, obrigado.
Os poemas inacabados entreguem aos Brik, eles saberão o que fazer.

Como dizem:
……………….. caso encerrado,
o barco do amor
……………….. espatifou-se na rotina.
Acertei as contas com a vida
……………….. …….inútil a lista
de dores,
………….desgraças
………………..  ……. e mágoas mútuas.

Felicidade para quem fica.
V L A D I M I R     M A I A K O V S K I
12/IV – 30.

“Companheiros da VAPP, não me considerem covarde.
É sério, não há o que fazer.
Lembranças.
Digam a Ermilov que foi uma pena ter retirado o lema, tinha que terminar a briga.
Em minha mesa tem 2.000 rublos, paguem o imposto.
O restante recebam do GIZ.
V.M.»

inditoso

[sáb] 14 de dezembro de 2013

enfiou-se no menor dos potes e lá se fechou.

lágrimas pretas de piche

[qua] 14 de agosto de 2013

Amiúdes: Não editei o Jornalzine Sociológico #1 ainda. Lavei roupa. Não lavei a louça. Terminei a leitura de Graciliano Ramos. Não organizei os papéis. Limpei a sala. Não marquei médico. Estou cá a escrever…

Angústia – Graciliano Ramos. [o primeiro livro finalizado do ano]

“Preciso da condescendência dos outros? Sou alguma criança? Porque tinha ele suspendido a leitura e esbugalhava para mim aqueles olhos de mal-assombrado? Seria melhor destampar logo e declarar francamente que as paredes não necessitavam limpeza. De qualquer modo seria fácil um rompimento entre nós. Cada qual para o seu lado, cada qual com as suas idéias. Moisés levantava-se, despedia-se. Eu escondia as mãos nas cobertas, enrolava o pano debaixo do queixo e tremia, pedia-lhe com os olhos que não me deixasse só entre aquelas paredes horríveis. Agora Moisés me havia abandonado, e eu batia os dentes como um caititu. As paredes cobriam-se de letreiros incendiários, de lágrimas pretas de piche. As letras moviam-se deixavam espaços que eram preenchidos. Estava ali um tipógrafo emendando composição. E o piche corria, derramava-se no tijolo. Ameaças de greves, pedaços da Internacional. Um, dois… Impossível contar as legendas subversivas. Havia umas enormes, que iam de um ao outro lado do quarto; umas pequeninas, que se torciam como cobras, arregaçavam os olhinhos de cobras mostravam a língua e chocalhavam a cauda. As letras tinham cara de gente e arregaçavam os beiços com ferocidade. A mulher que lava garrafas e o homem que enche dornas agitavam-se na parede como borboletas espetadas e formavam letreiros com outras pessoas que lavavam garrafas, enchiam dornas e faziam coisas diferentes.” p. 220

walachai

[dom] 14 de julho de 2013

notas curtas:

ando perdendo muito tempo nessa mania de coletar informações, tentar organizá-las e não utilizá-las. desafio: limpar hd de todos os artigos em pdf arquivados, criando uma referência temática com resumo no blogue específico de sociologia.

hoje passeio o dia organizando a sala, a estante improvisada, os livros empoeirados, trocando a tv de posição {e os cabos, que trabalho}.

hoje senti a necessidade de fazer umas colagens.

li sua mensagem, não respondi. fiquei pensando e a melhor resposta é ir.

e passei uma hora e meia na tarde de hoje assistindo ao seguinte filme de Rejane Zilles: walachai.

sufixos

[ter] 14 de maio de 2013

ouvi isto outro dia e gostei: esperança, estado de quem espera; criança, estado de quem cria; confiança, estado de quem confia…

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porque estou bagunçando demais as coisas e ‘tá na hora de tentar organizar alguma coisa. essa vida de esperança as vezes cansa. ser mais cronópio e menos esperanza.

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preciso beber mais água. preciso ir mais ao ar livre… preciso pintar a casa. preciso escrever poemas na parede da casa e mostra-los por ai. preciso organizar meu tempo de forma que eu pare de apenas imaginar e faça –  faça sentido. essa mania de ler 8 livros ao mesmo tempo e não terminar nunca nenhum tem que parar… essa mania de deixar para planejar a aula horas antes de ir… essa mania de deixar tudo para amanhã e não fazer nada hoje tem que parar. sabe, porque se ficar assim essa vontade que tenho sentido nestes últimos dois meses de ficar só em casa aumentará…

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fontes: http://www.usp.br/gmhp/publ/LacD.pdf

o elefante

[sex] 14 de dezembro de 2012

o eu lírico¹ não veio. ele ficou na porta vendo a festa passar… a banda passar… a passeata passar… o povo passar… as coisas passarem… sua coragem dissipar… o eu lírico definitivamente não veio. ele ficou submerso na montanha de papéis, na bagunça do quarto, na desorganização da casa e da cuca, nas desculpas inúteis, nos pensamentos não profundos… o eu lírico não veio. não sabe ele disto aqui. não sabe. e sufocaria-se… o eu lírico é elefante de circo.

¹ O fato é que poetas conseguem escrever sobre sentimentos que nunca sentiram, ou que sentiram a muito. Isto porque, tendo um caráter de atemporalidade, a poesia não precisa corresponder a fatos temporais. A verdade ou sentimento que o poeta tenta passar não se restringe a um fato concreto. Antes, é um ideal eterno, que pode ser lido e compreendido em qualquer contexto. E para alcançar este grau de abstração, o poeta necessita de um “narrador” eterno e abstrato, que personifique uma pessoa ideal experimentando um sentimento ideal: o eu lírico.

milonga

[qua] 14 de novembro de 2012

9:18 (…) Yo miro a mi guitarra, busco en las grietas del corazón. Como estaré de solo que estoy hablándole a una canción. (…) Pasa un segundo, como pasa una página en blanco que no estrené. Paso la vida buscando un verso que nunca encontraré. (…) Cuando me quede solo varado y lejos del mar, yo sé, que aunque no tenga nada, tendré a esta copla esperándome. (…) Abre tus brazos y suéltate el pelo que vengo buscándote, milonga paraguaya prima lejana de Mangoré. Jorge Drexler. [E  a mania agora é ficar ouvindo uma canção repetindo infinitamente… essa tem me acompanhado desde segunda-feira.

e na segunda o cronograma feito foi até o momento do sono… e acordei aos gritos de todas as marias em desespero buscando socorro ao meu irmão que caíra e não respirava… susto danado, sensação horrível, uma angústia, uma impotência… uma pancada na cabeça, uns minutos sem respirar e acabou tudo, como pode, e somos assim… tão frágeis… quase tão voláteis quanto os gases. meu irmão está bem, não foi desta vez.

faltei a aula segunda-feira à noite. e em compensação terça-feira o dia foi longo…

e hoje.. vou trabalhar.

semtítulo

[sex] 14 de setembro de 2012

noutro dia escrevi um poema. não escrevi. pensei. pensei meio poema.

e o vento levou-o. as coisas ordinárias me levam e as extraordinárias ficam no vento. e ele leva.

bié. garapuvu. ipê. os pássaros voam. setembro voa.

essa rotina me mata.

tua batata da perna moderna

[sáb] 14 de janeiro de 2012

SÁBADO

caderno madeira no sítio monumenta

SEXTA-FEIRA

tua batata da perna moderna

QUINTA-FEIRA

em casa de nóe, pela manhã-tarde: Café do Sítio Vale da Biodiversidade com Milho Criolo.  Uma boa conversa e muito aprendizado. Uns canteiros-ninhos agroflorestais feitos, uma clerodendron thomsonae vista, e três mudas de aloe vera de presente.

em casa na madrugada: http://www.projetojucara.org.br/

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