Archive for the '09' Category

você tem a alma de um colecionador

[qua] 9 de agosto de 2017

“Seu cérebro não armazena memória. Seu cérebro é memória. São as experiências, segundo cientistas, que disparam mudanças nas moléculas dos neurônios e redefinem a maneira como eles se conectam. A memória, portanto, forma e reforma o cérebro continuamente, definição corrente na ciência há décadas. Agora, um novo estudo vai além. Afirma que as células cerebrais ‘quebram’ experiências e as distribuem em diferentes ‘janelas de tempo’. Transitando entre elas, os neurônios seriam como viajantes que voltam ao passado e, simultaneamente, exploram-no para ajustes futuros de comportamento. Os cientistas, enfim, propõem que o grande trunfo não está no armazenamento de memórias, mas, sim, na capacidade do cérebro de ‘dominar’ o conceito de tempo”. www.canalmeio.com.br

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“O relativismo cultural é, antes de mais nada e sobretudo, um procedimento antropológico interpretativo – ou seja, metodológico. Ele não consiste no argumento moral de que qualquer cultura ou costume é tão bom quanto qualquer outro, se não melhor. O relativismo é simples prescrição de que, para que possam tornar-se inteligíveis, as práticas e ideais de outras pessoas devem ser ressituadas em seus contextos históricos e compreendidas como valores posicionais no campo de suas próprias relações culturais, antes de serem submetidas a juízos morais e categóricos de nossa própria lavra. A relatividade é a suspensão provisória dos próprios juízos de modo a situar as práticas em pauta na ordem cultural e histórica que as tornou possíveis. Afora isso, não se trata de forma alguma de uma questão de advocacia.”
Marshall Sahlins, Esperando Foucault, ainda. São Paulo: Cosac Naif, 2004.

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Boaventura de Sousa Santos Direitos Humanos ou Democratizar a Democracia

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gastei 4 horas ontem percorrendo as publicações de @hirodots e hoje mais umas duas.

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recebi declaração de admiração inesperada na sexta. respondi hoje, com o que pude: contente pelo recado, e sem palavras. admiração recíproca.

é… as vezes eu não me reconheço.

sábado, mordi duas pessoas. voltei dez anos atrás. vou aturar zoeira até final do ano…

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Lua em Virgem, na Casa IV. 24° 52′.

Aspectos da lua
Lua Conjunção Mercúrio orbe + 4 ° 29 ‘
Quadrado lua de Netuno orbe -0 ° 31 ‘
Lua Sextil esfera Urano + 5 ° 4

On the day and at the time of your birth, the Moon was in the sign of Virgo. You have a strong need for security and your constant concern is to keep your intimate environment under control. You treasure and you protect all the things that make you feel comfortable. You have no exaggerated ambitions, no grandiose and boundless dreams. You only strive to organize all the elements of your everyday life, to find a place for each thing and to improve yourself. You can relax only if your habits are not disturbed by external events. You are selective in your intimate sphere and with your attachments, you are perfectly organized and in line with the self-set rules you establish as time goes by. For you, life is a puzzle composed of human pieces, a chessboard where you move according to an obvious logic. Daily landmarks and well-known items are important to you. You have the soul of a collector.
Moon in House IV
The Moon is in the 4th House. Feeling fine means enjoying at will the privacy of your family cell, your clan, or a protective world. Your intense desire for tranquillity often prompts you to escape the world, and to let your imagination wander without having your well-being disturbed by external issues. Your family, or the few close friends who make up your second family, if any, constitutes the haven which is necessary for your balance.

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buguei.

to fudido… pegar busão as 7h…  para 3 aulas (das 8h até 10h15) + mais 4 (das 13h30 até 17h30) + ainda mais 4 na maratona tripla (das 19h até 22h20), chegar em casa 23h30…

mas para isto acordar as 6h. e agora são 3h10. vai ser longo e exaustivo.

desacelera vagner

[qui] 9 de fevereiro de 2017

desacelera vagner… te acalma.

é muita coisa ao mesmo tempo. pessoas novas, reencontrar amigos, novo trabalho, expectativas… acalma ai.

sobretudo, desacelera… engole essa empolgação, respira fundo.

porque pessoas interessantes me excitam. esses seres humanos que sonham e querer transformar as coisas me encantam e me deixam super excitado… fico eu viajando alto, sonhando com mil projetos possíveis. mas eu preciso desacelerar… é preciso pés nos chão pra poder voar.

senta essa bunda ai, respirar… abre um editor de texto e começa a digitar. mas respira… presta atenção nas palavras…

pois o teclado, a tela, as nuvens não vão sair voando por ai.

e amanhã vai ser mais longo.

the next generation…

[seg] 9 de janeiro de 2017

dieta do dia: antibióticos, uma dose de oito em oito horas.

recomendação: evite o sol, evite esforços… e procure, urgente, o seu implantodontista.

e na tela… episódio 8, temporada 3, da série star trek – the next generation.

e lá fora: um calor dos infernos.

e no mais… contas pagas.

a velha toupeira

[qua] 9 de novembro de 2016

trump vence por lá.

por cá, o golpe a galope.

 

 

 

mas a primavera estudantil

inspira, ocupa,

‘inda faz-me respirar…

todavia a revolta

não é revolução…

e nessa noite escura

a rebelião juvenil

é fagulha…

 

de uma outra coisa

quiça um outro mundo possível.

 

 

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https://comunism0.wordpress.com/

http://revolucoes.org.br/v1/seminario/emir-sader/anjo-torto

 

 

o suícidio

[sex] 9 de setembro de 2016

quarta-feira assisti Chatô, o Rei do Brasil (2015) do cineasta brasileiro  Guilherme Fontes.

caminhe pela manhã. ventava. fotografei o mar e as ondas…

Ouça o barulho bravio das ondas que batem…” (porque amo lenine)

O barulho do mar é melodia.” (lembrado pela gi, e ao ouvir, a memória me jogou lá para 2002. como o tempo voa…)

participei do ato cívido na escola, e ao regressar, almocei com a filha, a sobrinha e meu pai. e dormi pela tarde e noite inteira.

quinta-feira, acordei cedo, 2h30. vi mais dois de woody allen. o interessante Cassandra’s Dream (2007) e re-vi Scoop (2006).

pela tarde fiz uma escada, limpei o quinta. plantei flores…

hoje, terei aula logo mais… preparar material (que relação há entre o suícidio e a sociologia). cinco turmas, aplicar prova em duas turmas, corrigir as já aplicadas em outras duas e finalizar conteúdo sobre gramsci nos segundos.

trilha sonora: drexler…

e pela manhã.. lagarteei enquanto mateava solito.

ha maz an

[ter] 9 de agosto de 2016

dos interesses aleatórios de hoje, quando eu deveria estar remontando uma aula de direitos humanos, que darei hoje… estou aqui pesquisando sobre as amazonas aos citas, do budismo ao hiragana e katakana, sem esquecer os kanjis.

abaixo um texto [para ler, estudar, meditar e não esquecer] extraído de um sítio excelente: PortaldoBudismo.org

***

Doze princípios básicos do Budismo

1 – A auto-salvação é uma tarefa urgente para qualquer homem. Se um homem cai ferido por uma flecha envenenada, ele não atrasará a sua extracção para pedir detalhes a respeito de quem a atirou ou do comprimento e fabrico da flecha. Haverá tempo para um entendimento crescente do ensinamento. Por enquanto, comecemos encarando a vida como ela é, aprendendo sempre pela experiência directa e pessoal.

2 – O primeiro facto da existência é a lei da mudança ou impermanencia. Tudo o que existe, de uma mancha a uma montanha, de um pensamento a um império, passa pelo mesmo ciclo de existência; a saber: nascimento, crescimento, decadência e morte. só a vida é continua, ainda que buscando auto-expressão em novas formas. “A vida é uma ponte, não construas casas sobre ela”. A vida é um processo de fluxo e aquele que apega-se a qualquer forma, por mais esplêndida que seja, irá sofrer por estar resistindo ao fluxo.

3 – A lei da mudança aplica-se igualmente a “alma”. Não existe nenhum principio nos indivíduos que seja imortal e imutável. somente “Aquilo que não tem nome”, a Realidade Última, está alem da mudança e todas as formas de vida, o homem inclusive, são manifestações dessa Realidade. Ninguém é nunca o dono da vida que flui em si, assim como a lâmpada eléctrica não é dona da corrente que a faz brilhar.

4 – O Universo é a expressão da lei. todos os efeitos tem causas e a alma ou o carácter do homem é a soma total dos seus pensamentos e acções anteriores. O Karma, que significa acção e reacção, governa toda a existência e o homem é o único criador de suas circunstâncias: A sua reacção a elas, cria a sua condição futura e o seu destino final. Através do pensamento e da acção correctos, ele pode gradualmente purificar a sua natureza interior e assim, através da auto-realização, atingir em tempo a libertação.

5 – A vida é una e indivisível, ainda que as suas formas que sempre mudam sejam inumeráveis e perecíveis. Na realidade não há morte, embora todas as formas devam morrer. Do entendimento da unidade da vida brota a compaixão, um sentimento de identidade com a vida em outras formas, a compaixão é descrita como a “lei das Leis – eterna harmonia”, e aquele que quebra essa harmonia sofrerá proporcionalmente a sua acção e retardará a sua iluminação.

6 – Sendo a vida Una, os interesses da parte serão os interesses do todo. Em sua ignorância, o homem pensa poder batalhar com sucesso pelos seus próprios interesses e essa energia de egoísmo, voltada para a direcção errada, produz o sofrimento. A parte do seu sofrimento, ele aprende a reduzir e finalmente a eliminar a sua causa. Buda ensinou as quatro Nobres Verdade: a) A Omnipresença do sofrimento; b) A sua causa, o desejo voltando para a direcção errada; c) A sua cura, a remoção da causa; d) o Nobre Óctuplo Caminho de auto-desenvolvimento, que conduz ao fim do sofrimento.

7 – O Caminho Óctuplo consiste em: Visão Correcta ou compreensão preliminar, Objectivos ou Motivos Correctos, Palavras Correctas, Acções Correctas, Vida Correcta, Esforço Correcto, Concentração ou Desenvolvimento Mental Correcto e, finalmente, “Samandhi” (Meditação) Correcto, que conduz a Iluminação completa. Assim como o Budismo é um Caminho de vida e não meramente uma teoria da vida, o percorrr desse Caminho é essencial para a auto-libertação “Cessar de fazer o mal, aprender a fazer o bem, purificar a sua própria mente: esse é o ensinamento dos Budas”.

8 – A Realidade é indescritível e um deus com atributos não é a Realidade final. Mas o Buda, um ser humano, tornou-se o Totalmente Iluminado, e o propósito da vida é o atingido da Iluminação. Esse estado de Consciência, o Nirvana, a extinção das limitações do ego, é atingível na terra. Todos os homens e todas as outras formas de vida contem a potencialidade da Iluminação e o processo consiste, portanto, em tornar-se naquilo que é: “Olha para dentro: tu és Buda”.

9 – Entre a Iluminação potencial e a verdadeira fica o “Caminho do Meio, o Caminho Óctuplo” do desejo à paz, um processo de auto-desenvolvimento entre os “opostos”, evitando os extremos. Buda percorreu esse caminho até o fim e a única fé requerida no Budismo é a crença razoável de que houve um Guia que fez esse Caminho e que vale a pena que nós o façamos. O Caminho deve ser feito pelo homem inteiro e não apenas pelo que há de melhor nele. Coração e mente devem ser igualmente desenvolvidos. Buda foi o Todo Compassivo, ao mesmo tempo que foi o Iluminado.

10 – O Budismo insiste grandemente na necessidade da concentração e da meditação interiores, que conduzem em tempo ao desenvolvimento das faculdades espirituais interiores. A vida interior é tão importante quanto o corre-corre quotidiano e períodos de quietude para a actividade interior são essenciais para uma vida equilibrada. O Budista deve estar atento e consciente de si em todas as horas, guardando-se do apego mental e emocional ao “espectáculo que passa”. Esta vigilante e crescente atitude em relação às circunstancias, que ele sabe serem a sua própria criação, ajuda-o a manter sua reacção a elas sempre sob controlo.

11 – Buda disse: “Trabalha para a tua própria salvação, com diligência”. O Budismo não conhece qualquer autoridade, salvo a intuição do indivíduo e essa autoridade é apenas para esse indivíduo sozinho. Cada homem sofre as consequências dos seus próprios actos e com isso aprende, enquanto ajuda o seu semelhante, a alcançar a mesma libertação. Não se reza ao Buda ou a qualquer deus para impedir que efeito se produza a partir de determinadas causas. Os monges Budistas são mestres e exemplos, e de nenhuma maneira intermediários entre a Realidade e o indivíduo. A máxima tolerância é praticada em relação à todas as religiões e filosofias, pois nenhum homem tem o direito de interferir na caminhada do seu vizinho para a Meta.

12 – O budismo não é nem pessimista nem “escapista”, nem nega a existência de Deus e da alma, embora ele empreste um significado especial a esses termos. Ele é, pelo contrário, um sistema de pensamento, uma religião, uma ciência espiritual e um caminho de vida, que é razoável, pratico e abrange todas as coisas. Por mais de dois milénios satisfez as necessidades espirituais de cerca de um terço da humanidade. Atrai o Ocidente porque não tem dogmas, satisfaz igualmente a razão e o coração, insiste na auto-confiança aliada à tolerância para com outros pontos de vista, abrange ciência, religião, filosofia, psicologia, ética e arte, e insiste no homem sozinho como único criador da sua vida presente e determinante para o seu destino.

a cultura é a faca que pressiona o futuro

[seg] 9 de maio de 2016

«admitamos: hoje mais sentimos do que sabemos. e temos dificuldade em admitir que o poder, isto é, a capacidade de fazer coisas, foi cruelmente separado da política, isto é, a capacidade de decidir quais coisas precisam ser feitas e priorizadas». zygmut bauman em entrevista ao estadão. 30 de abril de 2011.

triste traiçoeiro

[sáb] 9 de abril de 2016

“Na vida tenho muito que dançar / Para aguentar o peso / Pra parar de pensar no erro”

e eu já me perdi…

o restinho dessa manhã será de otto.

 

 

eu sou mais do que isso

[qua] 9 de março de 2016

duas horas e onze. quarta-feira chegou. a ilusão de um respiro no meio da semana… e o pensamento é: eu sou mais do que isso.

mas para isto aparecer é necessário tempo para respirar.

sobre o que se quebra e o que não se parte

[sáb] 9 de janeiro de 2016

as vezes sobra um t, as vezes quebra-se uma cuia. as vezes falta uma palavra… as vezes se aceita o que se pode ser. as vezes fica-se triste por ser só. as vezes nem se pensa na solidão.

as vezes é isso… esse quase alguma coisa.

la notte

[dom] 9 de agosto de 2015

«Palavras não bastam, não dá pra entender
E esse medo que cresce não para»

«Né vincitori né vinti
Si esce sconfitti a metà»

tiê e giuseppe anastasi.

assim encerra o domingo.

dia ao avesso… avesso do homem tresvirado*, e transfigurado, de olheiras e ar cansado antes mesmo do sol nascer… um homem que dorme no centro do dia. e leva no peito o peso de um estrondo, e quando a noite chega, ateia fogo em si sob a garoa morna… desfaz-se e arde clarão no meio da floresta. é um homem em chamas, feito de silêncios e amarras.

e uma dor invisível ao olho nu.

[ps: * tresvirado não encontrei essa palavra nos dicionários consultados, e partindo de duas outras, trespassado e tresvariado… desenvolvi essa palavra, que numa busca mais intensa poderá aparecer em algum outro lugar e tempo. aqui ela tem um sentido, mais informal, que o da palavra tresnoitado… ou seja, virei (passei, atravessei) a noite, e madrugada inclusa, acordado- ontem, já hoje.

il rosso… i negri

[qui] 9 de abril de 2015

embaralhou. enquanto o mundo lá fora vive, eu me perco nos labirintos de minotauro. e por n motivos as coisas chegaram onde estão. e o que era para ser não é – como a insistência deste teclado em não acentuar as palavras. me perdi e como se estivesse numa passado atemporal encontrei-me nesta foto aqui: boniermitão do sambaqui. e eu não deveria ter dúvidas. deveria estar certo. mas não sou assim. e as vezes eu preciso ficar escondido em mim, ali bem dentro em algum lugar que ninguém há de chegar. não é bipolaridade não… é o necessário mergulho nas profundezas, escuridão do homem.

música de abertura: sereníssima.

«Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E cê vai logo ver o que acontece
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido, mas existem possibilidades
Tínhamos a ideia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Já passou, já passou – quem sabe outro dia

Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade

Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar

Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo».

música de fundo:

«Estes são dias desleais… […]

III

É a verdade o que assombra
O descaso que condena
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes… […]

Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV

– Tudo passa, tudo passará

E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz… »

ps: mas agora chega… amanhã é dia de luta.

 

 

todavía

[ter] 10 de fevereiro de 2015

hoje.

Uma pausa do trabalho diário. Hoje, distante dos alunos… Com a cabeça submersa em ideias e planos. Amarrando as pontas soltas… Calculando os desdobramentos e imaginando avaliações. Lembrei de Deleuze – para cinco minutos de inspiração… horas e horas, dias… de preparação.

Foi um bom dia offline. Fiz almoço e almocei com Izabel. Luiza foi embora pela manhã. E os parte do planos do dia… Ir ao mercado, e seus desdobramentos, não se realizou. Farei compras em pleno sábado de carnaval – é o que anotei na lista de tarefas.

Agora retrocedo as anotações… Porque os dois últimos dias foram de uma intensidade tremenda. Pero, antes… para ti:

Todavía – Mario Benedetti

No lo creo todavía
estás llegando a mi lado
y la noche es un puñado
de estrellas y de alegría.

Palpo, gusto, escucho y veo
tu rostro, tu paso largo,
tus manos y sin embargo
todavía no lo creo.

Tu regreso tiene tanto
que ver contigo y conmigo
que por cábala lo digo
y por las dudas lo canto.

Nadie nunca te reemplaza
y las cosas más triviales
se vuelven fundamentales
porque estás llegando a casa.

Sin embargo todavía
dudo de esta buena suerte
porque el cielo de tenerte
me parece fantasía.

Pero venís y es seguro
y venís con tu mirada
y por eso tu llegada
hace mágico el futuro

y aunque no siempre he entendido
mis culpas y mis fracasos
en cambio sé que en tus brazos
el mundo tiene sentido

y si beso la osadía
y el misterio de tus labios
no habrá dudas ni resabios
te querré más
todavía.

**

dia 8/2.

«o sabor dos teus lábios ainda está em mim… teu olhar nos meus olhos eu não esqueci. teu sorriso iluminava o meu caminho e ao falar eu sentia todo o teu carinho… ».

ela é coloninha,
eu mais duro que uma pedra.
ela é livre…
eu sou algum tipo de hera.

ela é uma nau
em busca da felicidade…
eu sou um porto
quase sempre no mesmo posto.

ela sonha e age,
transforma-se em liberdade…
eu atravesso todos os sambas,
surdo
à
rítmica
marcação.

ela é poesia, revolução
eu,
um verbo, um fragmento.
ela é um samba de bloco cheia de ardor…
eu sou algo como uma quarta-feira de cinzas.

*
e desde a infância ela adora jambolão…
e eu, tão velho, ainda subo em árvores –
é dela este dom:
eu ainda tenho
um coração de criança.
e ela tem os dedos pequeninhos
assim como eu…
e quando entrelaça-os aos meus…
o mundo torna-se
um lugar bonito.
e ela,
só ela, com seu amor,
ilumina minha escuridão…
e tudo que eu era…
era meta, metade…
um ontem perdido na vastidão.
com ela… verso ao avesso
busco no fundo do peito
esse sentimento do mundo
essas mãos dadas,
aceito o que me é imperfeito,
e rumo, aceso por dentro,
nessa humana
e mágica jornada que somos:
eu e ela em construção.

pi

 

 

 

 

 

 

 

 

Exercícios em construção sobre eu e ela .

**

dia 9/2.

primeiro dia de aula. síntese: longo, intenso e exaustivo. positivo foi o reencontro. e os contras são: como é longe a escola, tão fora de mão… tantas horas de busão. e como ainda é verão… tudo é tão quente. que quase derreti, e antes de entrar em sala já estava encharcado. como já conheço a escola… o sentimento é diferente dos anos anteriores: no lugar da apreensão sobre as gentes e a casa… vou o sentimento bom de rever velhos amigos. e fora minhas mancadas, esquecer dos nomes e das não muito preparadas aulas… foi bom. e ainda bem que terça há um brecha para realinhar a direção e clarear o mapa de navegação.

 

 

 

 

na mesma barca…

[seg] 8 de dezembro de 2014

Do povo buscamos a força

Jorge Rebelo (poema, frequentemente, atribuído a Agostinho Neto)

Não basta que seja pura e justa
a nossa causa
É necessário que a pureza e a justiça
existam dentro de nós.

Dos que vieram
e conosco se aliaram
muitos traziam sombras no olhar
intenções estranhas.

Para alguns deles a razão da luta
era só ódio: um ódio antigo
centrado e surdo
como uma lança.

Para alguns outros era uma bolsa
bolsa vazia (queriam enchê-la)
queriam enchê-la com coisas sujas
inconfessáveis.

Outros viemos.
Lutar pra nós é ver aquilo
que o Povo quer
realizado.
É ter a terra onde nascemos.
É sermos livres pra trabalhar.
É ter pra nós o que criamos
Lutar pra nós é um destino –
é uma ponte entre a descrença
e a certeza do mundo novo.

Na mesma barca nos encontramos.
Todos concordam – vamos lutar.

Lutar pra quê?
Pra dar vazão ao ódio antigo?
ou pra ganharmos a liberdade
e ter pra nós o que criamos?

Na mesma barca nos encontramos
Quem há-de ser o timoneiro?
Ah as tramas que eles teceram!
Ah as lutas que aí travamos!

Mantivemo-nos firmes: no povo
buscáramos a força
e a razão

Inexoravelmente
como uma onda que ninguém trava
vencemos.
O Povo tomou a direção da barca.

Mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa
a nossa causa
É necessário que a pureza e a justiça
existam dentro de nós.

notas de rodapé: poema extraído deste sítio , indicado por este , e que levou a este outro , que aguarda leitura, ora pois.

corrandes de la parella estable

[ter] 9 de setembro de 2014

não sou eu que estou fora de moda.
é a moda. disse deus minutos atrás.

acelerei… errei. calma rapaz… assim ‘cê mete os pés pelas mãos e acaba nisto, nem foi e já acabou o gás.

e sempre essa lava ardendo em fogo vivo… ou essa rocha gélida e mineral. oscilo demais. mas nem tudo esta perdido… desanima não ‘ssor… errar é o próprio caminho e dias assim repletos de questões são positivos – não são?

“jo sóc un home avorrit” e a trilha sonora da ida e da volta.

***

e a pergunta agora é como democratizar a sala de aula? perdido estou.

a solidão me gela demais…

 

o cano furado vaza

[ter] 8 de julho de 2014

hoje (8/7) na derrota da seleção brasileira de futebol… fiquei pensando… preciso escrever. é que, as vezes, quando não jogamos bem, não realizamos o que poderíamos realizar, a realidade trágica vem e cobra o seu preço. fique pensado no primeiro bimestre e as palavras duras que ouvi… naquela vontade que senti de morrer – porque foi injusto… eu não merecia – ninguém merece sofrer. mas no fim a avaliação foi trágica… e como isto conduziu a esse distanciamento… essa apatia… essa vontade de voltar para um lugar mais ou menos seguro – solitário e sufocante por inúmeras vezes, mas aparentemente seguro – ou nem seguro seria, mas apenas o que aprendi a fazer a vida inteira… me recolher e calar a dor, até ela fazer de conta que some, mas ela nunca some – eu sei. e este segundo bimestre que vai terminando com uma sensação amarga, como se estes três meses tivessem sido vazios – e foram… distante dos alunos, dos demais professores, da escola, do estudo, das leituras.. de tudo. e fico buscando as palavras para escrever aqui, algo tentando justificar ou explicar porque dessa rotina processual… quando voltava da escola na sexta-feira passada, pensava em algo como preciso caminhar, fazer atividade física e ser mais rigoroso com meus horários, ser disciplinado, para não ficar nessa angustia depressivo-ansiosa… nesse desconforto por não ver sentido em nada do que faço ou sentido aquela sensação de o que faço é tudo falso, fingido… como se fosse outro e não eu que estivesse ali vivendo… mas olho para o lado e está tudo uma bagunça, olha para dentro e está tudo uma bagunça… olha para trás e para frente e só vejo bagunça – colecionando dores e desamores. e como aqueles acumuladores que diante de tanta tralha emocional juntada nesta vida não conseguem força suficiente para romper a inércia, dar o primeiro passo… romper com o maldito vicio de anular-se. as vezes penso que é medo, as vezes não sei… as vezes carregamos aquela nuvem escura e pesada dentro do peito que encobre toda a possibilidade de luz.. há tanto sofrimento no entorno, e somos submetidos tanto a isto, que se aprende a sofrer e reproduzir sofrimentos. e aprender a amar a vida é tão difícil – amar é sentir-se um alienígena. para mim é como se tivesse que virar a minha pele do avesso, é ficar exposto em carne crua… dói que é um inferno… não sei fazer isto, não aprendi… e lembro-me todos os minúsculos passos que dei em direção ao sol e como queimei-me… sei como é sublime e mágico tentar amar-se, amar a vida, amar alguém, mas ao mesmo tempo sei que carrego aquela dúvida existencial… aquela música do lenine, aquela música dos los hermanos… ah, eu resmungo. da minha exaustão só brota mágoa. e da mágoa só exaustão.

mas eu sei, eu preciso voltar a envolver-me neste mundo. e se hoje foi bom… atenção ao pai, à mãe e a filha. mas essa ilha, que as vezes me acalma, não me realiza. sinto como se cotidianamente abandonasse oportunidades… aqueles ventos que chegam e podem nos levar ao imaginado, além do imaginado. e resmungo sem parar… essas palavras, ou meu silêncio cotidiano, são resmungos. argh. não quero perder todas as partidas de minha vida… mas para isto preciso descer deste mundo imaginário, onde simulo para mim mesmo que não estou jogando, e voltar a jogar na vida.

ps: cinco horas depois, de um texto todo feito e refeito, mas nada apagado neste post, anoto uma última nota, um fragmento de outro dia em que me espantei comigo mesmo: o contexto era relação pai-filha, e quando em dificuldades de fazer izabel entender algumas coisas que são necessárias e, internamente fiquei naquele dilema de como explicar e convencer aquele indivíduo da necessidade de tal procedimento… sofrendo por um possível confronto… como um arroto ou uma ânsia senti o quanto sou triste por dentro, e como existe uma montanha de dor e vontade de morte cá dentro… como essa minha superfície “calma”, desde a adolescência, esconde aquela fúria/revolta constante lá da infância… enfim, senti uma vontade tão grande de cessar toda dor, de sumir, de não enfrentar nada… e fiquei tão espantado como naquele momento, como caminho nessa borda tão rente do precipício… flertando com uma morte trágica, mas morrendo diariamente na solidão mais absurda e profunda – solidão de si. mas enfim, ela entendeu o que expliquei, e depois do meu autoespanto senti uma gratidão por ela estar ali… por devolver aquele gesto amigo… senti como ando desproporcional… lembrei da ultima frase deste texto : «a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor»

chega de fazer de conta que estou morto, ainda respiro. e que mal há em não saber andar? só haverá se eu não quiser andar…

mas falar – ou escrever, porque quem iria me ouvir se insisto em viver ilhado em mim mesmo? – sobre tudo isto me deixa desconfortável, envergonhado… por sentir tanto medo cá e não conseguir encontrar força em lugar algum para modificar coisas tão pequenas… e falar para quê? falar não muda quase nada. talvez, e apenas talvez, ajude a vazar… nessa espécie de autoespantar-se, e assim, acredito, evitar, que eu me exploda… neste meu vício de sofrer calado.

pas de problème

[seg] 9 de junho de 2014

3:30 por que esse ofício? a escolha é um abismo. e são tantas dúvidas… tantas questões. e cadê as citações do marshall sahlins? e o texto do pierre clastres? e aquela passagem perdida de saramago sobre a pele? e no plano pragmático falta a grana… e opera-se assim no negativo. e nesse turbilhão oscilante, às vezes, quase o tempo todo, o mundo e as escolhas aparentam uma “absurdidade”, aleatórias, caóticas.

*

«e não existe problema que não tenha solução e se não tiver solução não é problema» sotigui kouyaté.

***

14:08 agora, horas depois do texto acima. identificando que tenho pelo menos dois cistos sinoviais, que o pelos brancos diários já sinalizam juba a fora, e fico cá a pensar: e se me faltassem as mãos ou os olhos? se me faltasse o que suponho ter? e lá do fundo da memória me salta a ideia de um potlach… e no meio do caminho da tarde à deriva um poema [exercício de ser criança] de manoel de barros.

«No aeroporto o menino perguntou:
– E se o avião tropicar num passarinho?
O pai ficou torto e não respondeu.
O menino perguntou de novo:
– E se o avião tropicar num passarinho triste?
A mãe teve ternuras e pensou:
Será que os absurdos não são as maiores virtudes da poesia?
Será que os despropósitos não são mais
carregados de poesia do que o bom senso?
Ao sair do sufoco o pai refletiu:
Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças.
E ficou sendo.» BARROS, Manoel de. Exercícios de Ser Criança. Rio de Janeiro: Salamandra, 1999.

o rei vagabundo em 2048

[qua] 9 de abril de 2014

no modo repetir indefinidamente…

FALA MANGUEIRA! – CARLOS CACHAÇA, CARTOLA, CLEMENTINA DE JESUS, NELSON CAVAQUINHO e ODETE AMARAL. 1968 Odeon

Rei vagabundo Ouvir (J. Ribeiro, Nelson Cavaquinho)

Todos têm o direito
De sorrir neste mundo
Só eu choro porque
Sou um rei vagabundo

Meu reinado
É cheio de ilusão
E niguem de mim tem
Compaixao, meu irmao

A Mangueira me chama (Nelson Cavaquinho, B. A. Soares, J. Ribeiro)

A Mangueira me chama, eu vou
Sempre fui o seu defensor
Sou um filho fiel
Á Mangueira eu tenho amor

Foi a Mangueira quem me deu apoio e fama
Até hoje ela me ama
Agora vieram me dizer
Que a Mangueira me quer ver quer me ver

Sempre Mangueira (Nelson Cavaquinho, G. Queiroz)

Mangueira é celeiro
De bambas como eu
Portela também teve
O Paulo que morreu

Mas o sambista vive eternamente
No coração da gente
Mas o sambista vive eternamente
No coração da gente

Os versos de Mangueira são modestos
Mas há sempre força de expressão
Nossos barracos são castelos
Em nossa imaginação
Ôh, ôh, ôh, ôh!
Foi Mangueira quem chegou
Ôh, ôh, ôh, ôh!
Foi Mangueira quem chegou

***

1 Enquanto houver Mangueira Ouvir
(Roberto Roberti, A. Marques Junior)
Lá em Mangueira (Heitor dos Prazeres, Herivelto Martins)
Mundo de zinco (Antônio Nássara, Wilson Batista)

2 Tempos idos Ouvir
(Carlos Cachaça, Cartola)
Ao amanhecer (Cartola)
Alvorada no morro (Carlos Cachaça, Cartola, Hermínio Bello de Carvalho)
Quem me vê sorrindo (Carlos Cachaça, Cartola)
Alegria (Cartola)

3 Lacrimário Ouvir
(Carlos Cachaça)
4 Saudosa Mangueira Ouvir
(Herivelto Martins)
5 Sei lá, Mangueira Ouvir
(Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola)
6 Rei vagabundo Ouvir
(J. Ribeiro, Nelson Cavaquinho)
A Mangueira me chama (Nelson Cavaquinho, B. A. Soares, J. Ribeiro)
Sempre Mangueira (Nelson Cavaquinho, G. Queiroz)
Folhas caídas (Nelson Cavaquinho, Cesar Brasil)
Eu e as flores (Nelson Cavaquinho, Jair do Cavaquinho)

7 Sabiá de Mangueira Ouvir
(Frazão, Benedito Lacerda)

***

e para distrair: 2048

***

ps: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

terapia

[dom] 9 de março de 2014

E antes da cama virar e os dias nascerem e noite findar. cá, cansado e submerso num tumulto interior percorro o tempo-espaço e me recordo de Guimarães… o velho guimarães e seus fabricos… sabemos, tu e eu, velho guimarães, nenhum de nós dois… não fomos terminados… apenas afinamos e desafinamos nesta travessia, e é preciso coragem para estar nu no tempo.

e deixo uma canção… que o amanhã será longo.

l’homme qui plantait des arbres

[dom] 9 de março de 2014

hoje (9/3) : uma sugestão de jacinto noé kahler caro. O homem que plantava árvores ( “L’homme qui plantait des arbres”, de 1987), vencedor do Oscar de Melhor Animação de 1988. Baseado em um conto do romancista francês Jean Giono, de 1953, e dirigido por Fréderic Back, o desenho conta a história de Elzéard Bouffier, um pastor de ovelhas silencioso e persistente.

ontem (8/3) 20h55. enfim chega o ônibus que faz a linha córrego grande no ponto que estou, refugiando-me desta chuva fina que esperou que eu cumprisse todo o ritual/roteiro e chegasse ao ponto – o começo do retorno à solidão comunitária.

e na viagem, retomo a leitura – interrompida por quase um mês – de antes de nascer o mundo. livro que me levou à extremos, do riso ao choro, do contentamento à angústia, do fascínio ao estado de perplexidade…

abaixo um fragmento…

«Para atravessar contigo o deserto do mundo / Para enfrentarmos juntos o terror da morte / 
Para ver a verdade para perder o medo / Ao lado dos teus passos caminhei / Por ti deixei meu reino meu segredo / Minha rápida noite meu silêncio / Minha pérola redonda e seu oriente / Meu espelho minha vida minha imagem / E abandonei os jardins do paraíso / Cá fora à luz sem véu do dia duro / Sem os espelhos vi que estava nua / E ao descampado se chamava tempo / Por isso com teus gestos me vestiste / E aprendi a viver em pleno vento / Sophia de Mello Breyner Andersen [página 227]

[poema que abre o  antepenúltimo capítulo desta história de Mwanito, Marta, Silvestre, Dordalma e outros] […] E durante semanas, todos os dias à mesma hora, conduzi meu pai à escadaria da igreja, momentos antes das afinadas vozes subirem aos céus. De cada vez que fiz questão em me retirar, o seu braço me segurava. Calado e sem mover um dedo, queria partilhar aquele momento comigo. Queria refazer a varanda onde deitávamos o nosso silêncio. Até que, um dia, percebi que ele balbuciava as palavras dos hinos. Mesmo sem voz, Silvestre fazia coro com os cantantes. Sem que ninguém mais desse conta, as palavras de Vitalício subiam ao céu. Era um céu rasteiro, sem fôlego. Mas era o início de um infinito. *** Despertei com o ruído de vozes femininas. Pela janela espreitei. Dezenas de pessoas enchiam a rua e [página 232] paralisavam o trânsito. Gritavam palavras de ordem, empunhavam cartazes em que se lia: “Parem com a violência contra a mulher!”. Entre a multidão, vislumbrei Zacaria Kalash que abria caminho para se aproximar da nossa residência. Abri a porta e ele, sem pausa para licença, irrompeu casa adentro, como se buscasse abrigo. – O barulho que essas gajas fazem! Noci está lá, toda agitada. […] [página 233] […] Passaram-se dias em que não fui mais do que pai de meu pai. Cuidava dele, o conduzia por lugares para os quais ele sempre respondia como um cego. Até que um dia recebi um envelope. Reconheci a letra de Marta. Era a primeira carta que alguém, alguma vez, havia escrito para mim. [ página 237] […] [penúltimo capítulo] Escrevo-te esta carta, caro Mwanito, para que a nossa despedida se faça sem nenhum adeus.  No último dia em que estivemos juntos contaste-me o sonho em que o teu pai me salvava de morrer afogada no rio. Se pensarmos que a vida é um rio, o teu sonho é verdadeiro. Eu fui salva em Jesusalém. Silvestre me ensinou a encontrar Marcelo vivo em tudo o que nasce. […] Noci ofereceu-me essas fotos preto e branco. Não eram, como pensava, imagens de garças e paisagens. Era a reportagem do seu próprio fim, um diário pctórico da sua decadência. Por [ página 239] esse registro percebemos que ele desejava alonjar-se de si mesmo. Primeiro, andando desgrenhado e sem roupas. Depois cada vez mais próximo dos bichos, bebendo água de poças, comento carne crua. Quando abateram, Marcelo foi tomado por um animal bravio. Não foram os da guerra que o mataram. Foram caçadores. O meu homem, caro Mwanito, escolheu essas espécie de suicídio. Quando a morte chegasse ele já teria deixado de ser pessoas. E assim se sentiria morrer menos. Não foi um continente que engoliu Marcelo. Foram os seus demónios interiores que o devoraram. Esses demónios arderam quando, momentos antes do regresso a Lisbia, queimei todas as fotografias que Noci me tinha dado. *** A vida só sucede quando deixamos de entender. Nos últimos tempos, meu querido Mwanito, estou longe de qualquer entendimento. Nunca imaginei viajando para África. Agora, não sei como regressar à Europa. Quero voltar para Lisboa, sim, mas sem memória de alguma vez já ter vivido. Não me apetece reconhecer nem gente, nem lugares, nem sequer a língua que nos dá acesso aos outros. É por isso que me dei tão bem em Jesusalém: tudo era estranho e não prestava contas sobre quem era, nem que destino devia escolher. Em Jesusalém, a minha alma se tornava leve, desossada, irmã das garças. [página 240] Tudo isto devo a teu pai, Silvestre Vitalício. Condenei-o por ele vos ter arrastado para um deserto. A verdade, todavia, é que ele inaugurou o seu próprio território. Ntunzi responderia que Jesusalém se fundava num logro criado por um doente. Era mentira, sim. Porém, se temos que viver na mentira que seja na nossa própria mentira. Afinal, o velho Silvestre não mentia assim tanto na sua visão apocalíptica. Porque ele tinha razão: o mundo termina quando já não somos capazes de o amar. [grifos meus] E a loucura nem sempre é uma doença. Por vezes, é um acto de coragem. O teu pai, caro Mwanito, teve essa coragem que nos falta a nós. Quando tudo estava perdido, ele começou tudo de novo. Mesmo que esse tudo aos outros parecesse nada. Eis a lição que aprendi em Jesusalém: a vida não foi feita para ser pouca e breve. E o mundo não foi feito para ter medida. *** […] [página 241] […] Quem ama, ama para sempre. Nunca faças nada para sempre. Excepto amar. Contudo, não é para falar de mim que te escrevo. Mas de tu mãe Dordalma. Falei com Aproximado, com Zacaria, com Noci, com os vizinhos. Todos me contaram pedaços de uma história. É meu dever devolver-te esse passado que te foi roubado. Dizem que a história de uma vida se esgota no relato de sua morte. Esta é a história dos dias finais de Dordalma. De como ela perdeu a vida, depois de se ter perdido da vida. *** Era uma quarta-feira. Nessa manhã, Dordalma saiu de casa como nunca o fez em sua vida: para ser olhada e invejada. O vestido era de cegar um mortal e o decote era de fazer um cego ver o céu. Estava vistosa que poucos deram conta da pequena mala que transportava com o mesmo desamparo de uma criança no primeiro dia de escola. Começo assim porque tu, Mwanito, não fazes ideia de como a tua mãe era linda. Não era o rosto, nem a cintura, nem as pernas ágeis e torneadas. Era ela, toda inteira. Em casa, Dordalma nunca era mais do que cinza, apagada e fria. Os anos de solidão e descrença a habilitaram a ser ninguém, simples indígena do silêncio. Infinitas vezes, porém, em frente ao espelho ela se vingava. E ali, na penteadeira, se enchia de aparências. Parecia, sei lá, um cubo de gelo num copo. Disputando [página 242] a superfície, reinando no cimeiro lugar até o tempo voltar a ser água. E regresso aos inícios: nessa quarta-feira, a tua mãe saiu de casa, vestida para semear devaneios. Os olhares da vizinhança não eram de cumprimentos perante a beleza. E suspiravam: de inveja, as mulheres; de desejo, os homens. Raiavam nas pupilas dos machos as mesmas dilatadas veias que enchem os olhos dos predadores. Eis os factos, nus e crus. Nessas manhã a tua mãe entrou no chapa-cem e espremeu-se entre os homens que enchiam a viatura. O autocarro partiu, entre fumos, animado de estranha pressa. O chapa não seguiu o rumo habitual. O motorista desconduziu-se, distraído, quem sabe, pelo espelho que lhe entregava as retrovisões da bela passageira. Por fim, o autocarro parou num esconso e escuro baldio. O que se passou a seguir até me dói escrever. […] [página 243] […] [último capítulo] […] – Quero que procures uma caixa que está na minha bolsa. Trouxe essa caixa para ti. Entrei, a medo. Noci estava-se limpando na toalha e eu podia entrever ora o seu peito ora as suas longas pernas. Retirei uma caixa de metal e ergui, tremendo. Ela entendeu o meu gesto. – É essa mesma. Lá dentro está dinheiro. É todo teu. E ela foi explicando a origem daquele pequeno tesouro. Noci fazia parte de uma associação de mulheres que lutava contra a violência doméstica. Há uns meses silvestre interrompeu uma dessas sessões e atravessou a sala, em silêncio. – Foi muito estranho o que ele fez – lembrou Noci. – Não leve a mal – acudi eu. – Meu pai sempre teve uma ideia negativa sobre as mulheres, peço que lhe perdoe… – Ao contrário, eu… aliás, todas nós ficámos muito gratas. O que sucedera fora o seguinte: Silvestre curzara a sala e deixara sobre a mesa uma caixa com dinheiro. Era a sua contribuição para a causa daquelas mulheres. A associação, entretanto, fechara. Ameaças diversas semearam o medo entre as associadas. O que Noci fazia era devolver o gesto solidário de meu pai. […] [página 260] […] – quem te ensinou a amar as mulheres? Devia ter respondido: foi a falta de amor. Mas nenhuma palavra me acudiu. Desarmado, vi Noci abotoando o vestido em preparos de despedida. No último botão ela se deteve e disse: – Quando nos entregou a caixa de dinheiro o teu pai não sabia que, no meio das notas, havia um bilhete com ordens. – Ordens? De quem? – De tua mãe. Meu pai nunca percebera mas a falecida esposa deixara um bilhete explicando a origem e o propósito daquele dinheiro. Eram poupanças de Dordalma e ela legava essa herança para que nada faltasse aos seus filhos. – Foi a tua mãe. Foi ela quem te ensinou a amar. Dordalma esteve sempre aqui. E a sua mão aberta pousou sobre o meu peito. […][ página 261] »

E me faltaram sete páginas para terminar o livro. Ficará para amanhã. Em vários momentos do livro fiquei com aquele gosto de encantamento… É muito poética a escrita de Mia Couto. Mas em outros momentos é como se eu sentisse um nó no peito, um engasgo, um soco no estômago… Pelo sentimentos narrados… por serem tão próximos… por senti-los, cá. Um lágrima brotou da leitura de hoje, e me fez recordar uma canção que estava cantarolando na semana anterior a do carnaval…. A canção é Clarisse, Legião Urbana, e o trecho é este «Clarisse sabe que a loucura está presente / E sente a essência estranha do que é a morte / Mas esse vazio ela conhece muito bem / De quando em quando é um novo tratamento / Mas o mundo continua sempre o mesmo / O medo de voltar p’rá casa à noite / Os homens que se esfregam nojentos / No caminho de ida e volta da escola / A falta de esperança e o tormento / De saber que nada é justo e pouco é certo / De que estamos destruindo o futuro / E que a maldade anda sempre aqui por perto / A violência e a injustiça que existe / Contra todas as meninas e mulheres / Um mundo onde a verdade é o avesso / E a alegria já não tem mais endereço […] »

20h25. a chuva começa. chego no ponto. vejo o relógio. anoto teu endereço. e espero.

20h20 aproximadamente. tieta-preta me lambe, me late, num misto de felicidade e ferocidade. não decifro ela… talvez ela meu queira [ou a rua, que tenho] que chega a beira da loucura/revolta. mas enfim… te chamo.. uma, duas, três vezes… tudo fechado. de deixo um cartinha. é, eu ando bem enferrujado… pois foi por ti que meu coração bateu pela ultima vez… depois ele hibernou, me recolhi, me guardei para o futuro. aprendi a viver na solidão. mas viver muito tempo na solidão nos vai distanciando das coisas do mundo… vamos nos amalgamando ao silêncio dos seres sós, vamos afinando os silêncios

[No ínterim]«só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Te deixo meu número. Espero tua chamada. E narro um trecho do livro que tenho lido… «A família, a escola, os outros, todos elegem em nós uma centelha promissora, um território em que poderemos brilhar. Uns nasceram para cantar, outros para dançar, outros nasceram simplesmente para serem outros . Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silêncio. E todo o silêncio é música em estado de gravidez. Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhando, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios. – Venha, meu filho, venha ajudar-me a ficar calado. Ao fim do dia, o velho se recostava na cadeira da varanda. E era assim todas as noites: me sentava a seus pés, olhando as estrelas no alto do escuro. Meu pai fechava os olhos, a cabeça meneando para cá e para lá, como se um compasso guiasse aquele sossego. Depois, ele inspirava fundo e dizia: – Este é o silêncio mais bonito que escutei até hoje. Lhe agradeço, Mwanito. Ficar devidamente calado requer anos de prática. Em mim, era um dom natural, herança de algum antepassado. Talvez fosse legado de minha mãe, Dona Dordalma, quem podia ter a certeza? De tão calada, ela deixara de existir e nem se notara que já não vivia entre nós, os vigentes viventes.»

Talvez eu queira dizer que sou cria dos silêncios, mas que tua existência, tua força [desde lá… 2005], tua presença, foram e são fundamentais.. tua mãozinha e teu coraçãozão contribuíram  na modelagem deste homem-barro que sou… tão próximo daquele rapaz que eu era, mas ao mesmo passo tão distante, tão mais velho… assim, como imagino, talvez não tão docemente, eu tenha contribuído um cadinho… e me recordo da canção de caetano… somos e já não somos os mesmos de antes. e o novo é o aventura de nos descobrirmos… de praticarmos o carinho, de não deixarmos o mundo terminar – como dizia o texto de mia couto. enfim, lhe quero.

17h01. estou a 20 passos de sua casa. e recebo um telefonema [o que sempre é extraordinário, no meu caso] e suspeito que seja tu, mas não é… é o cara da loja de árvores avisando que ela chegou… que posso passar hoje ou segunda… quero te contar isto. tudo fechado. chamo… nada. eu demorei. eu sempre demoro. eu sou lento e atravessado nesta vida… mas vou dar uma volta e depois te deixo um recado.

polaco loco paca…

[seg] 11 de novembro de 2013

DIA 9/11. vem disto aqui… http://www.youtube.com/watch?v=vUUfmF7fUgY

que é profundo pacas…

“A linguagem dá um barato fundamental no ser humano. Não é preciso justificar isto a luz de nada. Isso ai que é fundamental, as outras coisas é que têm que ser justificadas”.

DIA 11/11 Eu pretendia publicar isto dia 9, mas a internet ‘tá uma bosta (é que agora eu compartilho o wifi e o custo dela, positivo isto, negativo é o modem ficar tão longe, mas é a tática nesta minha luta para sobreviver com menos de um salário mínimo). Mas não faz mal… Caminho lentamente para um refazer-me, e me desfaço da tevê, minimizo a vida por cá (no espaço virtual), e sobra mais tempo para leituras (aquela  pilha enorme de livros esperando que eu vá pôr em alguma aleatória ordem… cá em minha cuca), e sobra mais tempo para meus projetos de escavações e empilhamentos de pedras (eta hôme besta! o sol ali fora e tu com a cara metida dentro da terra feito avestruz)… sobra mais tempo para finalizar o preenchimento dos diários de classe e encerrar minhas aulas de 2013¹ (que tem sido um misto de doce e amargo) e reaprender xadrez (e jogar com izabel… mas ela é toda séria, trágica, dolorosa, e um cadinho triste… não puxou toda de mim, já que peguei ela a meio caminho andado… mas acredito que esse pé na dor é daqueles que compartilham cedo os sofrimentos desta vida) e ouvir música… NO VOLUME MAIS ALTO QUE SE POSSA IMAGINAR (mas calma, moro no mato, e além, as músicas têm qualidades agradáveis…)

Mas eu pretendia publicar… e não é por nada disto acima que não publiquei… é que fiquei matutando um poema, e das 20 folhas rabiscas saiu nada definitivo… tudo ainda é um rascunho, apenas isto aqui é certo:

DIA 9/11

Calo este silêncio todo

Que estronda meu oco

Calo este silêncio todo

E te ouço, polaco loco!

DIA 11/11 nota de rodapé

¹ hoje, passei umas duas aulas num ótimo bate-papo tete à tete com um estudante (que estava matando aula de outros dois professores), e quando chego em casa, recebo recado de um outro estudante, aluno de 2012, um dos mais críticos e engajado que já conheci, dizendo que sente saudades de minhas nossas aulas críticas e sensatas (agora a professora de sociologia parece ser conservadora). E são momentos assim, porque prefiro mais o papo com os estudantes (aqueles poucos que a gente consegue sensibilizar, tocar com o argumento sociológico) do que com os professores, quase todos cheios de seus moralismos. eu acho a escola tão chata, tão absurdamente sufocante, que os poucos momentos de lucidez em sala que conseguimos ter são tão intensos, e isto é o doce, mas são tão raros, e isto é o amargo… como a juventude pode sonhar se todos os adultos referenciais vão zumbizando. E também, muitas vezes me sinto como se estivesse falseando, me sinto capenga nos meus desenvolvimentos… como abordar coerentemente e criticamente conteúdos, temas, tópicos, conceitos se me distancio deles, se na minha prática política me distancio do movimento real? como posso desarticular tanto assim teoria e prática? isto me leva a questionamentos se o que estou fazendo tem algum sentido, e são nessas conversas ou alguns momentos em algumas aulas ou recados e mensagens como esta do gui, que me dizem que há algum sentido, que não está tudo perdido… que a minha existência e meu ofício faz uma mínima diferença… mas o ponto correto, e sei disto, não é questionar a docência e sim a ausência de militância. mas minha cabeça é tão torta… preciso bater mais um pouquinho ela no chão para ver se os parafusos de acertam. animo meu rapaz, animo. lembra do mantra: paciência e coragem, paciência e coragem. Levanta essa bunda e vai lá…

ramphastos vitellinus ariel

[qua] 9 de outubro de 2013

resoluções caducam… e enquanto esperava nenhum poema veio bater à porta. e aos olhos o mundo ainda é triste e solitário, e sem poesia, porque houverem outros tempos onde o mundo era triste e solitário, e ainda assim haviam poemas de revolta ou de melancolia, mas agora… agora é momento de secura.

mas não foi isto que me fez sentar cá e escrever algumas ideias… foi sim observar [agorinha] um tucano em minha janela, é um privilégio ter tucanos na janela, pica-paus bicando a casa, gralhas azuis grasnando endoidecidas, saracuras e toda sorte de pássaros miúdos… é privilégio viver momentos como ontem, e sentir aquela sensação de profundo carinho pelas pessoas, colegas alunxs, sentir que as coisas fazem sentido neste caos absurdo que é a humanidade…. estou envolto por uma sensação boa, e ela parte do âmago.

ps: meu peito ainda é vermelho.

a negação do outro e de si mesmo

[seg] 9 de setembro de 2013

trecho 1 – hoje tive medo. você já viu um homem com medo? pois hoje eu tive medo. foi tanta tensão que dói até agora. mas vamos ver o lado bom da coisa – aconteça o que acontecer não volto lá. e na pior das hipóteses, podem me demitir por abandono e eu ter que trabalhar como empacotador ou jardineiro (o que não seria má ideia).

trecho 2 – A banalidade do mal é, portanto, uma característica de uma cultura carente de pensamento crítico, em que qualquer um – seja judeu, cristão, alemão, brasileiro, mulher, homem, não importa – pode exercer a negação do outro e de si mesmo.

trecho 3 – e para finalizar com um passatempo meio besta, descontraindo essa tensão angustiante que cercou o dia inteiro, e de certa forma a semana, desde quinta-feira, esse textinho sobre a minha introversão: 23 sinais inconfundíveis de uma pessoa introvertida. estes abaixo encaixam assustadoramente como uma luva no meu modus operandi. Esse sou eu, posso passar uma semana inteiro, sem falar com ninguém, fazendo coisas aparentemente inúteis, e não ficar entediado comigo mesmo. as pessoas, as festas, os eventos, os ambientes sociais, me entediam muito rápido. acho tudo isso um saco. é sempre uma aventura colossal me aventurar numa social.

#O lazer não é improdutivoUma tarde a sós, decorrida com nada mais que uma bebida e, digamos, uma série de televisão, não é considerada entre os introvertidos uma perda de tempo, pelo contrário, é vista como uma necessidade para juntar energia para voltar ao mundo.

#Ignoram chamadas telefônicas, inclusive de amigosO celular toca, olha para ver quem é e, ao final, escolhe ignorar a chamada, ao menos até que esteja verdadeiramente com vontade de falar.

#O monólogo interior não cessaOs introvertidos pensam mais do que falam, e talvez por isso precisam pensar bem antes de poder dizer algo.

#Escrevem muitoUns dos hábitos mais comuns entre introvertidos é a escrita, esse meio que permite se comunicar sem estabelecer um contato imediato e pessoal, além de que, por sua natureza, requer da solidão, o silêncio, a introspecção e outras condições afins.

trecho 4 – TRILHA SONORA DISTO TUDO AQUI: “(…) / Ah! Mas que sujeito chato sou eu / Que não acha nada engraçado / Macaco praia, carro, jornal, tobogã / Eu acho tudo isso um saco // É você olhar no espelho / Se sentir um grandessíssimo idiota / Saber que é humano, ridículo, limitado / Que só usa dez por cento de sua / Cabeça animal / E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial / Que está contribuindo com sua parte / Para nosso belo quadro social / (…)

trecho 5 – “Eis uma de suas hipocrisias: as correrias na escada os risos as vozes maravilhadas. Qual o sentido de se ficar deslumbrado em data fixa em hora fixa porque mudou o calendário? Toda a minha vida isso me enojou esse gênero de histeria.” p. 69. Monólogo, Simone de Beauvoir.

posparanorma…

[sex] 9 de agosto de 2013

Amanheci, cansado e assustado, e com a vontade de narrar meus dilemas existências e sociais. “Autista social”!? “Não-pertencimento”?!

Mas o certo é que despertar com o despertador até despertei, mas era cansaço demais e fiz assim… dorme, que tudo depois vai se encaminhar. E não fui. Não fui. Fiquei. Acordei meio de ressaca, daquelas que ficamos quando damos o bolo em um compromisso, quando dizemos que vamos e não vamos… e ficamos. Eu fico muito.

Mas essa é uma dificuldade antiga, difícil de ser rompida… e já perdi a conta neste ano quantas vezes estive nessa mesma situação e disse para mim mesmo: amanhã farei tudo diferente. E dias após dia, vou eu mansamente faltando aqui e ali, e furando este e aquele compromisso, postergando… Nessa viciante lerdeza, nesse acurrucamento comigo mesmo. E não é o isolamento físico apenas… É um isolamento sentimental, aquilo que quando adolescente eu chamava de capsula de auto-sobrevivência, meu exoesqueleto anti-social, minha concha de ouriço do mar. Mas isto não exclusividade minha. Há milhões de seres compartilhando comigo esse padrão de comportamento social.

Há pessoas com facilidade na interação, e para mim tudo é um dilema, um esforço colossal… E eu, vou bem, obrigado, na solidão… Sentido-me perdido e triste, as vezes, mas tranquilo com a situação em boa parte do tempo – as vezes me pego pensando… E lá quando a velhice chegar, ainda estarei só?!

O difícil é frustar os compromissos assumidos, é dizer que farei A e realizar B. Mas será que é difícil mesmo?! Será que não há um recompensa (inversa) nesse processo? Um certo prazer (doentio) na frustração das expectativas (suas e dos outros)? Uma visão distorcida de si mesmo… Uma estimativa de sim mesmo extremamente baixa? uma fragilidade imobilizadora? Se fosse isto uma hipótese; e na analise empírica, da prática cotidiana, teria uma certa validade.

Gosto da imagem (positiva, carinhosa, fraterna) que fazem de mim e me narram, e muitas vezes, acho até surreal, porque aqui dentro não consigo entender… Porque aqui dentro, sabe, há um buraco maior que o mundo… Uma dor tão grande e um puta medo de tudo e todos, que essa sabotagem, vista dentro desta perspectiva não é mais uma falta, um erro, e sim o modo normal de tratar/realizar essa auto-imagem. Raramente sinto-me digno do querido camarada, do querido amigo, do querido amante, que os demais me trazem.

Fugir, faltar, esquecer é um (maldito) reencontro com essa imagem interna. Uma tentativa (estupida) de negar a possibilidade de ser bom, ou feliz, sei lá… UM HOMEM PADRÃO!

Quando fazia terapia 2010/2011 haviam alguns exercício, e não importava saber qual era a origem deste comportamento/sensação pois foram as inúmeras violências e violações de ordem simbólicas e físicas sofridas ao longo do meu desenvolvimento enquanto ser humano, a solidariedade-prisional com o sofrimento/neurose dos próximos…  Enfim, os exercícios ajudavam, mas foi a época que eu mais chorava nessa vida, porque tudo ia à flor da pele… E no fim, aprendemos que não há cura, para o vício da auto-mutilação, porque o meio social é um ambiente no geral deformador, nos amoldando num sentimento mesquinho de frustração e apatia.

Há umas cinco correspondência de pessoas queridas, que nem responder eu fiz, abri, li, e continua ali… esperando a resposta. e aqui na terra do nunca.

ps: este texto começou a ser escrito lá pelas 11 horas e foi abandonado, editado, excluído, reescrito… editado, abandonado, excluído… reescrito. e agora depois de 4 deu vontade de passar mais um dia sem escrever nada. Mas tenho um compromisso agora, e seria importante marcar essa reflexão na luta contra continuar fazendo mais do mesmo cá na terra do nunca.

E sobre a semana, primeira de aula, depois do recesso… Foi boa, segunda, terça e quarta normal, cansativa na quinta-feira depois de uma madruga de quartaparaquinta sem dormir e trabalhar das 8h00 até 20h00. É meio óbvio que eu não daria conta de ir no curso sexta-feira de manhã, ‘tava ferrado de sono e cansaço.

os naufrágios/os navegantes/o navio-ó-versa

[ter] 9 de julho de 2013

O estouro…

achei interessante ter recebido uma visita da bélgica, outra da austrália, fora outras particularidades, como alguém do banco central ter acessado meu blogue.  e fui contar… ontem acessaram 35 brasileiros, mas a média anual é de 5 por dia. ontem um(a) portuga esteve por cá, sendo portugal o segundo maior visitante com 3 perdidos por mês. nenhum yankee apareceu ontem, mas é o terceiro em visitas, média de um por mês. do méxico foram 8 perdidos em um ano. da espanha  média é um visitante por bimestre. e do chile, argentina e uruguay, são 5 cada um por ano. a frança vem é nona com a média de 1 visitante por trimestre. da guatemala e da colombia partiram 3 visitas cada um no ano. moçambique, alemanha e costa rica, com a média de 1 visita por semestre. e canada, equador, reino unido, belgica, autrália, italia e timor-leste com uma visita anual de média. este blogue não é divulgado e esse povo vem desembarcar por cá… um ficam e vão mergulhando pelas páginas-ilhas… outros só passam e vão embora sem ficar. E raios… me pergunto, o que esse povo vem fazer aqui.

Na corrida…

“Vivemos numa civilização do clichê (e não da imagem)”: “todos os poderes têm interesse em nos encobrir as imagens, não forçosamente em nos encobrir a mesma coisa, mas em encobrir alguma coisa na imagem.” (Deleuze, A Imagem-Tempo, . 32).

http://www.fapesp.br/publicacoes/anita/index.html

Que chega ao fim…

e no mar, na rede, o que se pesca por estas águas são estes:

https://garapuvu.wordpress.com/category/estrene/

https://garapuvu.wordpress.com/2003/02/07/prefacio-interessantissimo-trechos

https://garapuvu.wordpress.com/2010/04/22/trechosproeminencia/

https://garapuvu.wordpress.com/2010/02/05/walter-benjamin-para-uma-nova-etica-da-memoria/

https://garapuvu.wordpress.com/2010/02/05/florio/

https://garapuvu.wordpress.com/dossiemayakovski/

https://garapuvu.wordpress.com/nasrudin/

https://garapuvu.wordpress.com/2009/01/26/rayuela/

https://garapuvu.wordpress.com/instrucoes-para-subir-uma-escada/

https://garapuvu.wordpress.com/2001/09/17/capitulo-7/

https://garapuvu.wordpress.com/2002/11/07/adieu/

https://garapuvu.wordpress.com/2006/02/12/lasbruja/

https://garapuvu.wordpress.com/2006/05/18/teus-olhos-incredulos/

https://garapuvu.wordpress.com/2007/11/03/a-extraordinaria-aventura-vivida-por-vladimir-v-maiakovski-no-verao-na-datcha%C2%B9/

https://garapuvu.wordpress.com/2007/10/26/ogro/

https://garapuvu.wordpress.com/2010/11/29/livreassociacao/

https://garapuvu.wordpress.com/berna-2-de-janeiro-de-1947/

intertextual

[dom] 9 de junho de 2013

último ponto:
o pensamento é mais rápido que meus músculos.
e o pensado é morto,
o que vive é o pensado
sobre o pensado.
e a natura se refaz
mesmo diante da morte mais atroz.

primeiro ponto:
vocês não foram tão justos e sensatos quão imaginam.
suas loucuras, suas frustações, seus medos e suas limitações
foram a marca em tudo o que tentaram.

e a marca é isto ai mesmo:
não exatamente o que é correto ou necessário,
é o que é possível.

quando vislumbrei isto,
e percebi que era hora de escapar desta ilusão,
não para um mundo sem ilusão,
mas digamos, para outra ilusão,
e outra, e outra, todas um tanto mais libertadora
que esta que vocês inventaram para tentar me convencer.

E foi neste instante que percebi
que de lançamento eu já partia
todo errado [ver chico, ver carlos].

e viver sob esta culpa primordial
– que nem era minha de fato
e tampouco deveria ser culpa,
posto que era produto de determinantes
e sobredeterminante de caráter histórico-social [ver marx] –
enfim, viver sob aquela culpa não era viver,
era padecer – ser moribundamente.

deste ponto em diante
todas aquelas pequenas
transgressões já não eram defeitos,
eram feitos… eu me desculpará.
e errar era possível e tão necessário.

outro ponto:
“sai para caminhar com eu pai,
conversamos sobre coisas da vida,
tivemos um momento de paz”

entrepontos:
“o mundo esta repleto de loucuras”

bis später, max!

[sáb] 9 de fevereiro de 2013

Bis Später, Max!

Programação do dia: Cinema e talvez, só talvez, o carnaval, porque é caminho.

Tem sido um hábito ir ao cinema sozinho. Tem sido um hábito estar sozinho. É um momento interessante. É um recuo para um zona emocional mais tranquila, ao menos na superfície. É recuo, porque lidar com as emoções é sempre algo muito difícil. Uma bolha, uma capsula, neste momento ajuda a cumprir certas metas … Mas é tolice pensar que é algo momentâneo apenas já que convivo comigo há trinta anos e sei bem todos os transtornos e neuroses que carrego. Talvez eu morra só. Talvez uma capsula, talvez um mergulho do vigésimo quinto andar… Talvez eu viva até os 82 e tenha ainda amores. Talvez amanhã eu resolva sair do luto do último amor partido ou que parti e abra as portas deste coração para o povo fazer ninho e voltarmos a sorrir. Mas hoje não, mesmo que lágrimas no espelho venham me avisar que ainda vivo… Hoje não, mesmo que haja uma vontade danada de ir sem saber quando e como e onde chegar… Hoje não. Vou ficar aqui, só, deste lado da rua, sem ir ai te abraçar, esperei o próximo carnaval dobrar a esquina… e se eu ainda estiver por cá, ai sim… o bloco sambará.

Cinco días sin nora

Viudas

Bis Später, Max!

E NO FUNDO MUSICAL UM ANTI-TEMA PARA ESTES DIAS … 

afrouxa

[seg] 9 de janeiro de 2012

gripei.

‘tá combinado.

registre seu livro.

blurb é uma idéia.

AFROUXA /// Para subir a ladeira, rá rá / Pra ver mais um por do sol nascer / Embora pra beira do mar / Pra ver a sereia vir a ser / Iemanja beijou iansã / E nãnã a chuva beijou o mar / Eva deu um beijo na maçã / E nanã adão também quis provar / Afrouxa e me dá sossego amor / Também quero provar desse manjar / Mais vale o desapego amor / Espera a flor desabrochar / De manhã, ainda é cedo. / De tardinha, amor, ainda é cedo também. // Arnaldo Antunes / Betão Aguiar

ENVELHECER /// A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer / A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer / Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer / Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer // Não quero morrer pois quero ver / Como será que deve ser envelhecer / Eu quero é viver pra ver qual é / E dizer venha pra o que vai acontecer // Eu quero que o tapete voe no meio da sala de estar / Eu quero que a panela de pressão pressione / E que a pia comece a pingar / Eu quero que a sirene soe / E me faça levantar do sofá / Eu quero pôr Rita Pavone no ringtone do meu celular / Eu quero estar no meio do ciclone pra poder aproveitar / E quando eu esquecer meu próprio nome / Que me chamem de velho gagá / Pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé // Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer / Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender / Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr // Arnaldo Antunes

HOMEM VELHO.

e outras idéias e sensações que noutro dia comento. adieu.

a viagem do elefante

[seg] 9 de maio de 2011

ontem, desde a hora que acordei até ir morrer na cama, os poucos momentos em que não fiquei em pé foram nos tantos minutos para umas cervejas e nas duas horas e pouco em que me encantava com josé e pilar.

foi um dia agitado. dia corrido assim escapando de mim. cheio destes pequenos aflitos. e que terminou num bom e longo passeio pela orla de santo antonio de lisboa à sambaqui sob a lua, e a lucidez de josé e a paixão de pilar.

«é uma metáfora da vida humana» «O “elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena, morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas» «Quando uma pessoa se põe a pensar no destino do elefante (…) no fundo, é a vida de todos nós. Nós acabamos, morremos, em circunstâncias que são diferentes umas das outras, mas no fundo tudo se resume a isso» josé saramago.

e hoje: foi um dia pensativo. onde o meu único compromisso foi estar bem comigo e com os estão próximos. houve tempo até para escrever aqui. que sigamos assim… fazendo da vida um pouco mais do que a própria vida já é.

manel

[sáb] 9 de abril de 2011

e se sobrar tempo, falar sobre: manel e fito.

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