Archive for the '08' Category

o guia pervertido da ideologia

[ter] 8 de agosto de 2017

#00h52 hora de dormir? ou ligar o pc?

#05h16 chega… desliga e vai dormir.

#10h12 a cama te expulsa. lembra do horário?

pesquisar e baixar:

https://www.youtube.com/watch?v=H56zR0SzTB8




#12h15… vazar.

pequeno sarau familiar

[qua] 8 de fevereiro de 2017

comecei um poema novo.

*

agora tenho 4 blogues online (esse diário pessoal, outro como um index, outro de sociologia e outro para os poemas meus)

*

ontem fizemos um pequeno sarau familiar.
minha filha lia poemas do livro que andava a ler,
eu lia os meus
e minha mãe os dela.

foi bacana.

*

a inflamação no meu corpo continua. resolver isto urgente.

*

acabei de mudar os planos da tarde.
vou pra escola não.
vou ficar em casa e finalizar meu projeto de plano de ensino,
e arrumar meu quarto.

vou só pela noite.
*

noites e velas…

[qui] 8 de dezembro de 2016

domingo, parte de segunda, terça, quarta e pedaço da quinta sem energia elétrica.

agora voltou. agora tem que corrigir e digitar notas… preparar conteúdos e provas. hoje vai ser longo… tomará que com energia elétrica… e um banho quente.

fiz uns poemas nestes dias. anoterei depois.

ampliei minha carga horária, mas naquela… sempre atravessado… mas vai dar tudo certo. no mínimo terei 16 aulas (no mesmo colégio). no máximo 25 (em dois colégios – naquele que eu podia ter escolhido… mas dai tu pondera… eu não tinha maturidade emocional naquele momento para escolher aquele colégio… )

fiquei pensando… tu poderia ser mais assertivo, decidido… direto, prático. mas não… tu é essa confusão ambulante, mistura de ilusão com nervos expostos…

ps: nem parece oito de dezembro…

retroativo

[ter] 8 de novembro de 2016

Leia o poema de Adélia Prado

“Explicação de Poesia Sem Ninguém Pedir”.

“Um trem- de- ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.”

***

retroativo…

#umpoetaumpoemapordia #003

Lindolf Bell
(Timbó, 2 de novembro de 1938 – Blumenau, 10 de dezembro de 1998)

PROCURO A PALAVRA PALAVRA

Não é a palavra fácil
que procuro.
Nem a difícil sentença,
aquela da morte,
a da fértil e definitiva solitude.
A que antecede este caminho sempre de repente.
Onde me esgueiro, me soletro,
em fantasias de pássaro, homem, serpente.

Procuro a palavra fóssil.
A palavra antes da palavra.

Procuro a palavra palavra.
Esta que me antecede
E se antecede na aurora
De na origem do homem

Procuro desenhos
dentro da palavra.
Sonoros desenhos, tácteis,
Cheiros, desencantos e sombras.
Esquecidos traços. Laços.
Escritos, encantos re-escritos.
Na área dos atritos.

Dos detritos.
Em ritos ardidos da carne
e ritmos do verbo.
Em becos metafísicos sem saída.

Sinais, vendavais, silêncios.
Na palavra enigmam restos, rastos de animais,
Minerais da insensatez.
Distâncias, circunstâncias, soluços,
Desterro.

Palavras são seda, aço.
Cinza onde faço poemas, me refaço.

Uso raciocínio.
Procuro na razão.
Mas o que se revela, arcaico, pungente,
eterno e para sempre, vivo,
vem do buril do coração.

#umpoetaumpoemapordia #004
Oodgeroo Noonuccal
(3 November 1920 – 16 September 1993)

Aboriginal Charter Of Rights¹

We want hope, not racialism,
Brotherhood, not ostracism,
Black advance, not white ascendance:
Make us equals, not dependants.
We need help, not exploitation,
We want freedom, not frustration;
Not control, but self-reliance,
Independence, not compliance,
Not rebuff, but education,
Self-respect, not resignation.
Free us from a mean subjection,
From a bureaucrat Protection.
Let’s forget the old-time slavers:
Give us fellowship, not favours;
Encouragement, not prohibitions,
Homes, not settlements and missions.
We need love, not overlordship,
Grip of hand, not whip-hand wardship;
Opportunity that places
White and black on equal basis.
You dishearten, not defend us,
Circumscribe, who should befriend us.
Give us welcome, not aversion,
Give us choice, not cold coercion,
tatus, not discrimination,
Human rights, not segregation.
You the law, like Roman Pontius,
Make us proud, not colour-conscious;
Give the deal you still deny us,
Give goodwill, not bigot bias;
Give ambition, not prevention,
Confidence, not condescension;
Give incentive, not restriction,
Give us Christ, not crucifixion.
Though baptized and blessed and Bibled
We are still tabooed and libelled.
You devout Salvation-sellers,
Make us neighbours, not fringe-dwellers;
Make us mates, not poor relations,
Citizens, not serfs on stations.
Must we native Old Australians
In our land rank as aliens?
Banish bans and conquer caste,
Then we’ll win our own at last.

Nota 1: This poem was prepared for and presented to the 5th Annual General Meeting of the Federal Council for the Advancement of Aborigines and Torres Strait Islanders, held in Adelaide, Easter 1962.

more poems in http://www.poetrylibrary.edu.au/po…/noonuccal-oodgeroo/poems

#umpoetaumpoemapordia #005
Nico Fagundes
Antonio Augusto da Silva Fagundes (Alegrete, 4 de novembro de 1934 – Porto Alegre, 24 de junho de 2015)

Canto Alegretense

Não me perguntes onde fica o alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão
Pra quem chega de rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no rio Ibirapuitã

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduí

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão

Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduí

https://www.youtube.com/watch?v=S0IsJO61Tns

#umpoetaumpoemapordia #006
Ella Wheeler Wilcox
(Johnstown, Wisconsin, 5 de novembro de 1850 – 30 de outubro de 1919)

THE SPEECH OF SILENCE
The solemn Sea of Silence lies between us;
I know thou livest, and thou lovest me;
And yet I wish some white ship would come sailing
Across the ocean, bearing word from thee.

The dead-calm awes me with its awful stillness.
No anxious doubts or fears disturb my breast;
I only ask some little wave of language,
To stir this vast infinitude of rest.

I am oppressed with this great sense of loving;
So much I give, so much receive from thee,
Like subtle incense, rising from a censer,
So floats the fragrance of thy love round me.

All speech is poor, and written words unmeaning;
Yet such I ask, blown hither by some wind,
To give relief to this too perfect knowledge,
The Silence so impresses on my mind.

How poor the love that needeth word or message,
To banish doubt or nourish tenderness;
I ask them but to temper love’s convictions
The Silence all too fully doth express.

Too deep the language which the spirit utters;
Too vast the knowledge which my soul hath stirred.
Send some white ship across the Sea of Silence,
And interrupt its utterance with a word.

Poems of Passion by Ella Wheeler
Chicago : Belford, Clarke & Co, 1883.
http://www.ellawheelerwilcox.org/pindex.htm

#umpoetaumpoemapordia #007
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Porto, 6 de novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004)

Navegavam sem o mapa que faziam

(Atrás deixando conluios e conversas
Intrigas surdas de bordéis e paços)

Os homens sábios tinham concluído
Que só podia haver o já sabido:
Para a frente era só o inavegável
Sob o clamor de um sol inabitável

Indecifrada escrita de outros astros
No silêncio das zonas nebulosas
Trémula a bússola tacteava espaços

Depois surgiram as costas luminosas
Silêncios e palmares frescor ardente
E o brilho do visível frente a frente

[“As ilhas”, VI, Navegações]
https://www.youtube.com/watch?v=V4C5IiL1QxM
http://purl.pt/19841/1/galeria/indice-poemas.html

#umpoetaumpoemapordia #008
Cecília Meireles
(Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…

– mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…

– palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

– que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…

– e um dia me acabarei

http://www.escritas.org/pt/t/1727/timidez

#umpoetaumpoemapordia #009
Teófilo Dias (Caxias, 8 de novembro de 1854 — São Paulo, 29 de março de 1889)

Aspiração

No espaço, em cada ser, que um centro atraia e prenda,
Há sempre o despontar de uma asa, que o suspenda.
Ascender! Ascender! — dizem todas as cousas,
As estrelas nos céus, os vermes sobre as lousas.
É o hino, que tudo, em sôfregos suspiros,
Canta: — férvida a fonte, em sinuosos giros,
Sobre pedras quebrando o trépido carinho,
A ave, inquieta e meiga, em volta do seu ninho,
O ninho sob o ramo, o ramo sob as flores,
As flores no perfume, — e a gruta nos vapores
Que em frouxas espirais às amplidões alteia.
A vida não se esgota, e vai perpetuamente
Do esboço às perfeições, harmônica, ascendente.
O imóvel não existe. A floresta pompeia
O luxo exuberante, a gala festival,
A verdura febril, do mundo vegetal.
Fixo? Não. Ei-lo em flor; — e em êxtases secretos
Dispersa-se em aroma, e voa nos insetos.
Enfim, por toda parte há íntimos palpites,
Ímpetos de romper barreiras e limites.

Fatal gravitação tolha-me embora os pés.
Hei de também subir dos mundos através,
Hei de também transpor os tempos e os espaços,
Na esperança de além colher-te nos meus braços,
A ti, que és para mim a força ascensional,
Oh Glória! — A aspiração! O porvir! O ideal!

Publicado no livro Fanfarras (1882). Poema integrante da série Flores Funestas.

In: DIAS, Teófilo. Poesias escolhidas. Sel. introd. e notas Antonio Candido. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 196

http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/autores/?id=385

de bob dylan a bob marley

[sex] 8 de julho de 2016

as vezes dá uma vontade de ir embora… e ficar no mundo da fantasia. ontem, olhando para trás, quem puxou o papo fui eu.  porque não habito outros outros me habitam. as vezes do seu lado eu fico mudo. a presença de algumas pessoas me constrange de uma tal forma que eu desapareço. estranha sensação. talvez porque eu as desejo, e desejar é habitar o terreno da esperança e do medo. há muralhas no terreno do desejo e do medo. desejar, pensando agora, algo que não sei dizer claramente, há algo como percepção da perda da totalidade, e queda num território inóspito, onde o outro, da ordem do imponderável, tem e/ou terá algum atração gravitacional que tira-me de uma órbita ignorada. sou tímido, profundamente tímido.

***

Rainha das cabeças
(Douglas Germano / Kiko Dinucci)

Awoió ori dori re
Iyemanjá cuidou
Ade, ala, beijou
E encheu o ori de mar

Iya olori
Mojuba Olodumaré

Ela é filha de Olokun
É iya kekerê

Iya olori
Mojuba Olodumaré

Carregou uma cabeça
Sobre o adirê
Iya olori
Mojuba Olodumaré
Iya olori

***

e para ler mais: teoria das esferas de Peter Sloterdijk

e ouvir:

e para ver: metáforas visuais

in a sentimental mood e o exercício à mulher amuada

[dom] 8 de maio de 2016

exercício à mulher amuada

amuada,
tua boca romã
narra em silêncio
a distância
dos meus lábios mudos.

amuada,
teu olhar noir,
distraído,
contrasta co’a
tua língua árabe intocada.

amuada,
metade do mundo é negra
como nossos pelos cacheados,
a outra metade é triste
com’a solidão em nossa pele.

Vai-se meu corachón de mib:
ai, Rab, si se me tornard?
Tan mal me dóled li’l-habib;
Enfermo yed, quando sunarád?*
(Lírica dos Moçárabes, 1040)

jarcha 9

tema de fundo:

oro omi maio apado aieieo aaaa oxum ora-ieieo

[ter] 8 de dezembro de 2015

8h11 https://www.youtube.com/watch?v=vIU2cf61Ibc

É D’Oxum – Rita Ribeiro // Oro omi maio, oro omi maio / oro omi maio apado Aieieo / Aaaa Oxum Ore Yeyé ô / Nessa Cidade Todo Mundo É d’Oxum / Homem, Menino, Menina, Mulher / Toda Essa Gente Irradia Magia / Presente Na Água Doce / Presente n’água Salgada / E Toda Cidade Brilha / Seja Tenente Ou Filho De Pescador / Ou Importante Desembargador / Se Der Presente É Tudo Uma Coisa Só / A Força Que Mora n’água / Não Faz Distinção De Cor / E Toda A Cidade É d’Oxum / É d’Oxum, É d’Oxum, É d’Oxum / Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar / Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar / Emo orio, Emo orio, Emo orio / Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar / Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar / Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar / Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar / Eu Vou Navegar, Eu Vou Navegar / Nas Ondas Do Mar, Eu Vou Navegar / Oro omi maio, oro omi maio / oro omi maio apado Aieieo / Aaaa Oxum Ora-ieieo // Compositores: Gerônimo e Vevé Calazans

doidos e doídos

[ter] 17 de novembro de 2015

7h19…

uma dor no peito
uma angustia
um sensação de que algo acontecerá
e não se sabe o que é.

nível de estresse e ansiedade: monstro.

***
há dias em que me canso deste mundo.
nesta semana… estive cansado.
e é apenas uma terça, pela manhã.
que vontade de chorar… que vontade de desistir de tudo.

deste tudo que é o pouco que me sobrou. mas no fundo é isso. é só isso mesmo. esse pouco… que as vezes basta. que noutras não. que as vezes parece uma corrida cega para lugar nenhum… noutras é a paisagem do momento. no fundo é isso… é só isso mesmo. esse pouco. esse quase nada.

essa porção de solidão que transita por ai, e que não se entrega. o peito vai com defeito.

8h38…

entre um espirro pela alergia dessa vida, o amargo do mate… a lista das coisas por fazer no dia… na vitrola, trocando likes, um cadinho de iorc.

“E só o tempo só
Pra descobrir
Se a liberdade
É só solidão
E só o tempo
Só o tempo”

 ***

20h35 editando…

dor de cabeça, antialérgico… cama.

e na vitrola:

um haikai sobre a grade e outros poemas…

[dom] 8 de novembro de 2015

o anti abrigo da grade
abriga o pássaro
sem árvore.

santo antônio de lisboa 7.11.2015

***

ps: quando encontrar a folha que pus os outros poemas, transcrevo para cá.

piedra y camino

[sáb] 8 de agosto de 2015

[este é a postagem 1331] deixei algumas coisas anotadas para escrever esta postagem quando retornasse da escola e de mais um dia: eu estou muito estressado, sensível demais. aqui dentro vai um turbilhão e é como se a qualquer momento eu fosse desabar em pranto sem saber explicar porque… estou estressado. eu e minhas contradições… parte de mim, de forma indignada e rebelde quer o mundo mais justo e amoroso. outra, se curva ao medo… covarde. e nestes momentos eu não me aguento… não consigo me perdoar e tenho nojo de mim mesmo. dias assim você pensa em morrer, e ai corre o perigo… esse desfazer-se dos nós, que nos atam à vida. hoje, renata, a moça dos abraços mais lentos  e apertados dados ao longo de minha graduação, me deixou um recado: dizia ela que ouviu uma canção, alfonsina y el mar, cantada por marcedes sosa, e recordou de mim. a canção é de uma melancolia… nessa hora eu quase chorei.

«Te vas Alfonsina con tu soledad, ¿qué poemas nuevos fuiste a buscar?»

pensei também nesse sentimento (muitas vez, quase sempre não é verdadeiro) de que estou em falta com as pessoas. ela se recorda de mim com pensamentos bons. eu, nessa hora de agora, sinto que sempre sou apenas falta… mas isto é como se eu precisasse dar mais… como se eu sempre estivesse em falta. como se eu fosse uma falta ambulante. [como eu gostaria de ter alguém para desabafar todo esse nó e essa tristeza dentro do peito ou apenas poder abraçar forte e lentamente]. saber de onde partem esses sentimentos não necessariamente barram seu retorno. oscilamos, entre nossas trevas invernais e dias de sóis. eu hoje apenas tenho vontade de chorar. abaixo um belo álbum de mercedes sosa, cantando atahualpa yupanqui… de onde saquei o título desta postagem… isto me faz recordar que preciso me desaprisionar e voltar no tempo, naqueles tempos de liberdade… PIEDRA Y CAMINO¹ http://www.youtube.com/watch?v=XC5WUCNFK6Q

1. Piedra y camino // Del cerro vengo bajando / Camino y piedra / Traigo enredada en el alma, viday / Una tristeza. / Me acusas de no quererte / No digas eso / Tal vez no comprendas nunca, viday / Porque me alejo. / Es mi destino / Piedra y camino / De un sueño lejano y bello, viday / Soy peregrino. / Por más que la dicha busco, / Vivo penando / Y cuando debo quedarme, viday / Me voy andando. / A veces soy como el río / Llego cantando / Y sin que nadie lo sepa, viday / Me voy llorando. / Es mi destino, / Piedra y camino / De un sueño lejano y bello, viday / Soy peregrino. 

2. Guitarra, dímelo tú // Si yo le pregunto al mundo, / el mundo me ha de engañar, / cada cual cree que no cambia,/ y que cambian los demás. /Y paso las madrugadas, / buscando un rayo de luz,/ ¿ porqué la noche es tan larga ¿. / Guitarra, dímelo tú. / Se vuelve cruda mentira, / lo que ayer fue tierna verdad,/ y hasta la tierra fecunda,/ se convierte en arenal. /Y paso las madrugadas, / buscando un rayo de luz,/ ¿ porqué la noche es tan larga ¿. / Guitarra, dímelo tú. / Los hombres son dioses muertos,/ de un tiempo ya derrumbao, / ni sus sueños se salvaron, / sólo la sombra ha quedao. /Y yo le pregunto al mundo, / y el mundo me ha de engañar,/ cada cual cree que no cambia, / y que cambian los demás./ Y paso las madrugadas,/ buscando un rayo de luz, / ¿ porqué la noche es tan larga ¿. / Guitarra, dímelo tú.

3. Chacarera de las piedras // Aqui canta un caminante / Que muy mucho ha caminado / Y ahora vive tranquilo / Y en el cerro colorado. / Largo mis coplas al viento / Por donde quiera que voy / Soy arbol lleno de frutos / Como plantita ‘e mistol. / Cuando ensillo mi caballo / Me largo por las arenas / Y en la mitad del camino / Ya me he olvidado de las penas. / Caminiaga, santa elena, / El churqui, rayo cortado. / No hay pago como mi pago / Viva el cerro colorado. / A la sombra de unos talas / Yo ‘y sentido de un repente / A una moza que decia: / Sosiegue, que viene gente … / Te voy a dar un remedio / Que es muy bueno pa’ las penas / Grasitas de iguana macho / Mezclaita con yerba buena. / Chacarera de las piedras / Criollita como ninguna /  No te metas en los montes /  Si no ha salido la luna / 

4. Tú que puedes, vuélvete // Soñe que el rio me hablaba/ Con voz de nieve cumbreña/ Y dulce, me recordaba/ Las cosas de mi querencia./ Tu que puedes, vuelvete…/ Me dijo el rio llorando./ Los cerros que tanto quieres,me dijo-/ Alla te estan esperando./Es cosa triste ser rio/ Quien pudiera ser laguna…/ Oir el silbo del junco/ Cuando lo besa la luna…/ Que cosas mas parecidas/ Son tu destino y el mio:/ Vivir cantando y penando/ Por esos largos caminos./ Tu que puedes, vuelvete…/ Me dijo el rio llorando./ Los cerros que tanto quieres,/ -me dijo-/ Alla te estan esperando./Tu que puedes, vuelvete…/ Tu que puedes, vuelvete…

5. La viajerita // Desde los cerros,/ viene esta zambita,/ por eso la llamo yo, / la viajerita, palomita, / por eso la llamo yo,/ la viajerita, palomita./ Sendas de arena, / talco florido, / y un corazón que pena,/ por un olvido, palomita, / y un corazón que pena, / por un olvido, palomita. / ¡ Ay viajerita ¡, el alba asoma, / trayendo de los cerros, / frescor y aroma, palomita, / trayendo de los cerros, / frescor y aroma, palomita. / Yo soy de arriba, / soy del Cochuna, / ranchito sobre el río, / soles y luna, palomita, /ranchito sobre el río, /  soles y luna, palomita. / Hasta Alpachiri, voy los domingos, / y por la noche al cerro, / vuelvo solito, palomita, / y por la noche al cerro, / vuelvo solito, palomita. / ¡ Ay viajerita ¡, el alba asoma, / trayendo de los cerros, / frescor y aroma, palomita, / trayendo de los cerros, / frescor y aroma, palomita.

6. Los hermanos // Yo tengo tantos hermanos / Que no los puedo contar / En el valle, la montaña / En la pampa y en el mar / Cada cual con sus trabajos / Con sus sueños, cada cual / Con la esperanza adelante / Con los recuerdos detrás / Yo tengo tantos hermanos / Que no los puedo contar / Gente de mano caliente / Por eso de la amistad / Con uno lloro, pa llorarlo / Con un rezo pa rezar / Con un horizonte abierto / Que siempre está más allá / Y esa fuerza pa buscarlo / Con tesón y voluntad / Cuando parece más cerca / Es cuando se aleja más / Yo tengo tantos hermanos / Que no los puedo contar / Y así seguimos andando / Curtidos de soledad / Nos perdemos por el mundo / Nos volvemos a encontrar / Y así nos reconocemos / Por el lejano mirar / Por la copla que mordemos / Semilla de inmensidad / Y así, seguimos andando / Curtidos de soledad / Y en nosotros nuestros muertos / Pa que nadie quede atrás / Yo tengo tantos hermanos / Que no los puedo contar / Y una novia muy hermosa / Que se llama ¡libertad! /

7. Criollita santiagueña // Criollita santiagueña / Morena linda / Por ti cantan los changos / Sus vidalitas santiagueña /Criollita de mi pago / Negras pestañas/ Flor de las chañarales / En las mañanas santiagueña /Otros han de alabar / A las donosas de la ciudad / Guarmicita del campo / Para tus tardes te quiero dar/ Esta zambita linda / Como tus ojos santiagueña /Cuando vas a traer agua / De la represa/ Endulzas con tu canto/ Toda la siesta santiagueña /Criollita santiagueña / Morena linda / Por ti cantan los changos/ Sus vidalitas santiagueña

8. La alabanza // Viejo canto de mis pagos, / viejo corno el salitral; / alabanza chacarera, / te quiero cantar. / Amuykayman dice el bombo, / cuando suena allá en Maylín; / por ahí anda Don Gallito / tocando el violín. /En Loreto bailo zamba, / el escondido en Beltrán, /pa’ bailar un buen remedio / hay Suncho Corral. /Ñoqa Salavinamanta, / de ande llaman el Troncal; / alabanza, chacarera, / te quiero cantar. /Ashpaj Sumaj la alabanza, / bailada en el quebrachal. / Mesmo como si dijeran: / -vengan a rezar / Zapatea por lo parejo; / no lo enojes al tierral. / Poquito, cepilla melo / la chacarera. / Ya va saliendo la luna /  brillando en el salitral; / / engualichando guitarras / con su claridad./ Ñoqa Salavinamanta, /de ande llaman el Troncal; / alabanza, chacarera, / te quiero cantar.

9. La arribeña // Zambita arribeña,/ ¡de dónde vendrás…!/ Quién sabe qué ausencias y qué nostalgias  / llorarás… / Allá en las quebradas  / y en el pajonal  / se estira tu canto como un lamento  / del piegral. / Por esos cerros se llevan los vientos  / los tristes acentos de mi soledad…/ A veces, el llanto  / se vuelve canto  / en el andar… / ¡aura!/A veces, el llanto  / se vuelve canto  / en el andar. / /Zambita arribeña,  / tal vez un amor  / te dió tristeza que en estos tiempos  / sufro yo./Caminos andando  / quien sabe por que… / Igual que la zamba,con un recuerdo  / viviré. / / Por esos cerros se llevan los vientos  / los tristes acentos de mi soledad… / ¡aura! / A veces, el llanto  / se vuelve canto  / en el andar.

10. Duerme, negrito (Kelo Palacios) // Duerme, duerme, negrito,  / que tu mamá está en el campo,  / negrito…  / Te va a traer  / codornices para ti.  / Te va a traer  / rica fruta para ti.  / Te va a traer  / carne de cerdo para ti.  / Te va a traer  / muchas cosas para ti  / Y si el negro no se duerme,  / viene el diablo blanco  / y ¡zas! Le come la patita,  / ¡chacapumba!  / Duerme, duerme, negrito,  / que tu mamá está en el campo,  / negrito…  / Trabajando,  / trabajando duramente,  / trabajando sí.  / Trabajando y no le pagan,  / trabajando sí.  / Trabajando y va tosiendo,  / trabajando, sí.  / Trabajando y va de luto,  / trabajando sí.  / Para el negrito chiquitito,  / trabajando, sí.  / Duramente, sí.  / Va tosiendo, sí.  / Va de luto, sí.  / Duramente, sí  / Duerme, duerme, negrito,  / que tu mama está en el campo,  / negrito…

11. Zambita de los pobres // Cuando llega el domingo,  / Hasta la villa bajando voy  / Y se queda mi rancho,  / Como diciendo “qué sólo estoy”.  / Bajo de un algarrobo  / Esta zambita siento cantar  / Y el rasguido parece  / Que me dijera “vení, bailá”.  / Zambita de los pobres,  / Flor de los valles, luz de amistad,  / Alajito es tu canto,  / En los domingos del tucumán.  / Cariñito del cerro,  / Mi criolla buena, ¿dónde andará?  / Hoy te canto la zamba  / De tus domingos, palomitay.  / Empochada de niebla,  / Fuiste camino de la ciudad.  / Mi zambita te espera,  / Criollita linda, “vení, bailá”.  / 

12. El alazán // Era una cinta de fuego,  / galopando, galopando. / Crin revuelta en llamaradas,  / mi alazán te estoy nombrando. / Trepo las sierras con luna,  / cruzó los valles nevando. / Cien caminos anduvimos,  / mi alazán te estoy nombrando. / ¿ Qué oscuro lazo de nieve  / te pialó junto al barranco ¿.  / ¿ Cómo fue que no lo viste ¿,  / ¿ Qué estrella andabas buscando ¿. / En el fondo del abismo,  / ni una voz para nombrarlo.  / Solito se fue muriendo,  / mi caballo, mi caballo. / En una horqueta de un tala  / hay un morral solitario,  / y hay un corral sin relinchos,  / mi alazán te estoy nombrando. / Si es como dicen algunos,  / que hay cielos pal’ buen caballo,  / por ahí andará mi flete,  / galopando, galopando. / Oscuro lazo de nieve  / te pialó junto al barranco.  / ¿ Cómo fue que no lo viste ¿,  / ¿ QUÉ estrella andabas buscando ¿. / En el fondo del abismo,  / ni una voz para nombrarlo.  / Solito se fue muriendo,  / mi caballo, mi caballo. / 

*** http://www.youtube.com/watch?v=eU1Hpc_iqL8

Por la blanda arena que lame el mar su pequeña huella no vuelve más, un sendero solo de pena y silencio llegó hasta el agua profunda. Un sendero solo de penas mudas llegó hasta la espuma.

Sabe Dios qué angustia te acompañó qué dolores viejos, calló tu voz para recostarte arrullada en el canto de las caracolas marinas. La canción que canta en el fondo oscuro del mar la caracola.

Te vas Alfonsina con tu soledad, ¿qué poemas nuevos fuiste a buscar? Una voz antigua de viento y de sal te requiebra el alma y la está llevando y te vas hacia allá como en sueños, dormida, Alfonsina, vestida de mar.

Cinco sirenitas te llevarán por caminos de algas y de coral y fosforescentes caballos marinos harán una ronda a tu lado. Y los habitantes del agua van a jugar pronto a tu lado.

Bájame la lámpara un poco más, déjame que duerma nodriza en paz y si llama él no le digas que estoy dile que Alfonsina no vuelve. Y si llama él no le digas nunca que estoy, di que me he ido.

Alfonsina Storni fue una poetisa y escritora argentina. mais aqui: Historia de la cancion “Alfonsina y el mar”

*** ps: desde a morte de minha vozinha – há um mês atrás – eu não havia chorado. hoje, chorei… porque aqui dentro está tudo por um triz… à flor da pele.

oito de junho

[seg] 8 de junho de 2015

cabelo e barba cortados no sábado. parte de mim fica acanhado com os elogios, outra percebe a carga de preconceito cultural que há nas pessoas… barba e cabelo cortados para muita gente é sinônimo de respeitabilidade – eu discordo. e o retorno às aulas foi bom, mas tudo anda muito acelerado… e amanhã tem curso o dia inteiro e não vou poder dormir quase nada. arghhh…

tieta sumiu.

tudo está de pernas para o ar…

todavía

[ter] 10 de fevereiro de 2015

hoje.

Uma pausa do trabalho diário. Hoje, distante dos alunos… Com a cabeça submersa em ideias e planos. Amarrando as pontas soltas… Calculando os desdobramentos e imaginando avaliações. Lembrei de Deleuze – para cinco minutos de inspiração… horas e horas, dias… de preparação.

Foi um bom dia offline. Fiz almoço e almocei com Izabel. Luiza foi embora pela manhã. E os parte do planos do dia… Ir ao mercado, e seus desdobramentos, não se realizou. Farei compras em pleno sábado de carnaval – é o que anotei na lista de tarefas.

Agora retrocedo as anotações… Porque os dois últimos dias foram de uma intensidade tremenda. Pero, antes… para ti:

Todavía – Mario Benedetti

No lo creo todavía
estás llegando a mi lado
y la noche es un puñado
de estrellas y de alegría.

Palpo, gusto, escucho y veo
tu rostro, tu paso largo,
tus manos y sin embargo
todavía no lo creo.

Tu regreso tiene tanto
que ver contigo y conmigo
que por cábala lo digo
y por las dudas lo canto.

Nadie nunca te reemplaza
y las cosas más triviales
se vuelven fundamentales
porque estás llegando a casa.

Sin embargo todavía
dudo de esta buena suerte
porque el cielo de tenerte
me parece fantasía.

Pero venís y es seguro
y venís con tu mirada
y por eso tu llegada
hace mágico el futuro

y aunque no siempre he entendido
mis culpas y mis fracasos
en cambio sé que en tus brazos
el mundo tiene sentido

y si beso la osadía
y el misterio de tus labios
no habrá dudas ni resabios
te querré más
todavía.

**

dia 8/2.

«o sabor dos teus lábios ainda está em mim… teu olhar nos meus olhos eu não esqueci. teu sorriso iluminava o meu caminho e ao falar eu sentia todo o teu carinho… ».

ela é coloninha,
eu mais duro que uma pedra.
ela é livre…
eu sou algum tipo de hera.

ela é uma nau
em busca da felicidade…
eu sou um porto
quase sempre no mesmo posto.

ela sonha e age,
transforma-se em liberdade…
eu atravesso todos os sambas,
surdo
à
rítmica
marcação.

ela é poesia, revolução
eu,
um verbo, um fragmento.
ela é um samba de bloco cheia de ardor…
eu sou algo como uma quarta-feira de cinzas.

*
e desde a infância ela adora jambolão…
e eu, tão velho, ainda subo em árvores –
é dela este dom:
eu ainda tenho
um coração de criança.
e ela tem os dedos pequeninhos
assim como eu…
e quando entrelaça-os aos meus…
o mundo torna-se
um lugar bonito.
e ela,
só ela, com seu amor,
ilumina minha escuridão…
e tudo que eu era…
era meta, metade…
um ontem perdido na vastidão.
com ela… verso ao avesso
busco no fundo do peito
esse sentimento do mundo
essas mãos dadas,
aceito o que me é imperfeito,
e rumo, aceso por dentro,
nessa humana
e mágica jornada que somos:
eu e ela em construção.

pi

 

 

 

 

 

 

 

 

Exercícios em construção sobre eu e ela .

**

dia 9/2.

primeiro dia de aula. síntese: longo, intenso e exaustivo. positivo foi o reencontro. e os contras são: como é longe a escola, tão fora de mão… tantas horas de busão. e como ainda é verão… tudo é tão quente. que quase derreti, e antes de entrar em sala já estava encharcado. como já conheço a escola… o sentimento é diferente dos anos anteriores: no lugar da apreensão sobre as gentes e a casa… vou o sentimento bom de rever velhos amigos. e fora minhas mancadas, esquecer dos nomes e das não muito preparadas aulas… foi bom. e ainda bem que terça há um brecha para realinhar a direção e clarear o mapa de navegação.

 

 

 

 

do útero à cova – capitalismo e reificação

[seg] 8 de dezembro de 2014

aqui me preparando para configurar o exame final para aqueles que ficaram em “segunda época” em sociologia… entre os trezentos e poucos estudantes cem estão neste estado. e ainda há de finalizar os diários para entregar hoje… no próximo ano tudo será online [há questões positivas e negativas nesta história].

fiz algumas anotações de leituras para registrar por cá, mas isto terá que esperar…

por enquanto compartilho este trecho de josé paulo netto: “[…] a manipulação desborda a esfera da produção, domina a circulação e consumo e articula uma indução comportamental que penetra a totalidade da existência dos agentes sociais particulares – é o inteiro cotidiano dos indivíduos que se torna administrado, um difuso terrorismo psico-social se destila de todos os poros da vida e se instila em todas as manifestações anímicas e todas as instâncias que outrora o indivíduo podia reservar-se como áreas de autonomia (a constelação familiar, a organização doméstica, a fruição estética, o erotismo, a criação dos imaginários, a gratuidade do ócio, etc) convertem-se em limbos programáveis. […] Sob o regime do salariato não se encontra mais apenas a classe operária, mas a esmagadora maioria dos homens; a rígida e extrema divisão social do trabalho subordina todas as atividades ‘produtivas’ e ‘improdutivas’; a disciplina burocrática transcende o domínio do trabalho para regular a vida inteira de quase todos os homens, do útero à cova”. (Netto, 1981, p.81-82).

pantograficamente

[qua] 8 de outubro de 2014

O poema não é meu. Ele é de uma Educadora em crise. Ele foi retirado de seu diário. Que encontrei nas derivações da leitura/pesquisa para aula de hoje sobre democracia, reforma política e eleições. Segue abaixo o poema:

Pantograficamente

Há pessoas que resumem sua vida ao emprego.
Há pessoas que resumem sua vida ao relacionamento.
Há pessoas que resumem sua vida ao time favorito.
Há pessoas que resumem sua vida a igreja que frequentam.
Há pessoas que resumem sua vida ao partido que seguem.

Ou seja,

Há pessoas que resumem a vida.
Há pessoas que se resumem, diante da vida,
Esse inteiro recheado de mistérios e multiplicidades.

***

A canção não é minha. Ela foi descoberta em algum momento desta nossa vida… É de Lenine. Ela, a canção, tem andado a rodar ininterruptamente, repetindo-se, durante este três últimos dias…

Todos Os Caminhos // Intérprete: Lenine // Compositor: Lenine – Dudu Falcão  // Eu já me perguntei / Se o tempo poderá / Realizar meus sonhos e desejos / Será que eu já não sei / Por onde procurar / Ou todos os caminhos dão no mesmo / E o certo é que eu não sei o que virá / Só posso te pedir que nunca / Se leve tão a sério, nunca / Se deixe levar, que a vida / É parte do mistério / É tanta coisa pra se desvendar / Por tudo que eu andei / E o tanto que faltar / Não dá pra se prever nem o futuro / O escuro que se vê / Quem sabe pode iluminar / Os corações perdidos sobre o muro / E o certo que eu não sei o que virá / Só posso te pedir que nunca / Se leve tão a sério, nunca / Se deixe levar que a vida / A nossa vida passa / E não há tempo pra desperdiçar.

 

***

a argumento não é meu. Ele foi lido de forma fragmentada entre tantas leituras…

O princípio da comunidade é “o mais bem colocado para instaurar uma dialética positiva com o pilar da emancipação” (Santos, 2000, p. 75). Duas são as dimensões fundamentais deste princípio: participação e solidariedade. Em função da colonização através do princípio científico, a participação ficou restrita a uma noção de esfera política entendida a partir da concepção hegemônica da democracia: a democracia representativa liberal. O welfare state foi o resultado da colonização do princípio da solidariedade.

A racionalidade estético-expressiva foi a que mais ficou fora do alcance da colonização. Assim como a colonização do prazer se deu através do controle das formas de lazer e dos tempos livres, o autor sustenta que:

“fora do alcance da colonização, manteve-se a irredutível individualidade intersubjetiva do homo ludens, capaz daquilo a que Barthes chamou jouissance, o prazer que resiste ao enclausuramento e difunde o jogo entre os seres humanos. Foi no campo da racionalidade estético-expressiva que o prazer, apesar de semi-enclausurado, se pode imaginar utopicamente mais do que semiliberto”(Santos, 2000, p. 76).

***

e o que se é… é dúbio, turvo, precário, estorvo… é um dedo sangrando pela batida na quina da parede na noite escura.

 

 

overture

[seg] 8 de setembro de 2014

e os dias voam… a tarde se perde enquanto anoiteço ao som de Louis Armstrong & Ella Fitzgerald.

***

«Em um livro de arquitetura, Gregory Caicco escreve que 2001: A Space Odyssey ilustra como nossa busca pelo espaço é motivada por dois desejos contraditórios, um “desejo pelo sublime” caracterizado pela necessidade de encontrar algo totalmente outro do que nós mesmo—”algo numinoso”—e o desejo conflitante por uma beleza que não nos faz mais sentir “perdidos no espaço”, porém em casa. Caicco, Gregory. Architecture, Ethics, and the Personhood of Place. [S.l.]: UPNE, 2007. p. 137. ISBN 1-584-65653-0» via wikipedia

***

tá tudo padronizado

[qui] 8 de maio de 2014

hoje o dia seria ótimo. eu terminaria todas as avaliações, fecharia todas as notas, daria uma passada no colégio no conselho escolar e a noite seria bonita e bacana. mas não foi… você até concorda em parte com a crítica, faz uma mea culpa, entende de onde ela parte, como é importante que ela venha… mas lá no fundo fica um gosto amargo de incompreensão. sinto que atrapalhei, porque eles não entenderam nada – e ai eu não fui claro, sei…

respirar. tudo sufoca.

e o dia que seria ó…  no fim da noite sentei e chorei sozinho. não vou reclamar de ninguém. eu apenas, nesta minha desordem interior, não consigo ser claro para ninguém – a começar por mim.

e já não era mais uma noite bacana… era uma procura desorientada… e eu precisava andar para aplacar aquele nó que apertava o peito, aquela incompreensão egoística, aquele não pertencimento. buscava me encontrar no riso ou num latir do peito alheio, a cura para minhas feridas sempre abertas… e andei… fui, mirei as ventanas cerradas, continuei a percorrer o caminho esperando esbarrar num raio de sol em plena noite gelada – alguém que me tirasse desta loucura de estar rodeado de gente e ser o ser mais só. defrontei-me ao mundaréu de pessoas, com seus odores e ruídos… hesitei. ponderei. recuei. liguei. silenciei. me fechei. voltei. sentei-me, empedrando, mas ainda meio orgânico, em espasmos, lagrimei. ninguém há de me tirar daqui.

e nada se resolve. eu não me resolvo. eu me atrapalho. eu estou me sentido desorientado. e é nestas que eu mais me fecho.

tá tudo padronizado nesse mundo.

cambio. fim.

exercício as duas da tarde

[ter] 8 de abril de 2014

exercício as duas da tarde

as duas vi que perdia o dia
enredado…
vi que partia à deriva
e ao cabo,
só,
um enjoo de mar,
de desamar
sombrio.

as duas vi que a tarde era
noite sem estrela,
nau sem oriente,
ensimesmada,
um mal quisto,
severa a mar.

as duas vi que a tormenta
perduraria por dentro
até a terra distante,

que, oxalá,
há de abrigar nautas libertos
deste brigue plúmbeo
que arrasta-me em suas entranhas desde as duas…

quando vi que partia-me
e perdia o dia…

 

Sambaqui, hoje, entre 13:58 e 14:58.

trilha de fundo – club tonight, por jorge drexler. ps: a trilha é aleatória. casou de iniciar o poema/tema sob esta sonoridade paradoxal ao sentimento que me abriga neste instante e me deságua nesse texto acima.

sou estúpido como estúpida é a dor

[ter] 8 de abril de 2014

Às vezes, quando miro Izabel, eu perco toda a esperança na humanidade… E nem é por ela, por sua existência, porque sei que ela com o calejar do tempo irá se reinventar e sanará as feridas espirituais na medida do lhe for possível – o tempo sempre nos ensina. De forma mais ou menos dolorosa, ensina…

O que me faz perder a esperança no mundo é ver nela – como num espelho – o meu abismo… As profundezas de minhas dores e limitações. E por mais que eu tente diariamente escapar do abismo que há em meu peito, e ao redor, vejo me enredado a cada passo nessa vertigem que é desabar sem fim na escuridão da dor, das violências sofridas e perpetradas. Sou estúpido como estúpida é toda dor. Toda a razão e toda sensibilidade ainda não são suficientes diante da dor adquirida, com muito sofrimento, que carrego por esta vida…

Não consegui escapar às armadilhas e tornei a manhã um inferno. Como o magma que irrompe como lava, que aquece, funde e petrifica o peito. Estou, estanque, nesta pedra estúpida no meio do caminho.

assim assim

[sáb] 8 de março de 2014

Depois de uma semana, o retorno às aulas – não foi um daqueles dias mágicos… mas também não foi um dia daqueles infernais… Foi um dia assim assim, bem mais ou menos… Deve ser esse ritmo de recesso de carnaval. Mas enfim, é um dia ganho, um ponto batido, e mais um momento na minha história. O que importa é que plano de ensino vai no quase 100%, planos de aula dos primeiros anos bem adiantados e dos segundos em processo de finalização – nada que em umas duas horas eu não termine. Mas a conclusão é que esse negócio de planejar e organizar consome tempo… E muito tempo parado… Minha cabeça, e pescoço e costas estão doendo tanto… Mas com o prazo  para entrega de planejamento acabando o negócio é acelerar e recuperar os momentos perdidos.

E tem gente que acha que professor não trabalha. Mas enfim, sexta acabou e sábado chegou, e depois deste sono que vou tirar agora… tudo vai ser mais bonito. estou livre… ao menos por um dia..

domingo

[dom] 8 de dezembro de 2013

e não é que chegou o próximo domingo. chegou assim, cheio de pensamentos que me enchem e não me deixam escapar… enquanto cantarolo desafinadamente aquelas canção titânica «e antes que eu esqueça aonde estou, antes que eu esqueça aonde estou, aonde estou com a cabeça? (…) domingo eu quero ver o domingo passar… domingo eu quero ver o domingo acabar.»

eu apareci aqui várias vezes… tentei alguns textos que ficaram para rascunho e nada saía além de um autodescontentamento, uma dificuldade de imprimir ações enquanto tudo é apenas expectativa e postergação… porque eu miro este ano que passou e vejo que houve avanços, mas no geral tudo parece tão igual… tudo desolado, tudo abandonado, tudo adiado para um certo dia em que não se adiará nada… mas o meu ácido gástrico não me deixa ver assim de forma tão romântica tudo isto que tenho feito, ou não feito, como queiram. por isto, por não encontrar o equilíbrio diante destes movimentos contrários e contraditórios, que não consegui escrever uma linha que valesse… a minha cabeça, hoje, cheio de pensamentos que me desassossegam me permitiu somente uma lista aleatória de canções titanicamente dominicais…

Titãs – Domingo; Por Onde Andei – Nando Reis; Titas – Querem Meu Sangue; Não vou me adaptar- Arnaldo Antunes e Nando Reis (Ao vivo no estúdi 2007); Titãs – Nem 5 minutos guardados; Titãs – Senhora e senhor; Titãs – Toda Cor; Titãs – Caras como eu; Titãs – Insensível; Titãs – Anjo Exterminador; Titãs – O Inferno São os Outros; Titãs – Clipe “Quanto Tempo”; Titãs – Antes De Você; Titãs – Sua impossível Chance; Titãs – Clipe “Porque Eu Sei Que É Amor”; Titãs – Pelo Avesso:

«Vamos deixar que entrem / Que invadam o seu lar / Pedir que quebrem / Que acabem com seu bem-estar / Vamos pedir que quebrem / O que eu construí pra mim / Que joguem lixo / Que destruam o meu jardim // Eu quero o mesmo inferno / A mesma cela de prisão – a falta de futuro / Eu quero a mesma humilhação – a falta de futuro // Vamos deixar que entrem / Que invadam o meu quintal / Que sujem a casa / E rasguem as roupas no varal / Vamos pedir que quebrem / Sua sala de jantar / Que quebrem os móveis / E queimem tudo o que restar // Eu quero o mesmo inferno / A mesma cela de prisão – a falta de futuro / Eu quero a mesma humilhação – a falta de futuro / Eu quero o mesmo inferno / A mesma cela de prisão – a falta de futuro / O mesmo desespero // Vamos deixar que entrem / Como uma interrogação / Até os inocentes / Aqui já não tem perdão / Vamos pedir que quebrem / Destruir qualquer certeza / Até o que é mesmo belo / Aqui já não tem beleza / Vamos deixar que entrem / E fiquem com o que você tem / Até o que é de todos / Já não é de ninguém / Pedir que quebrem / Mendigar pelas esquinas / Até o que é novo / Já esta em ruínas / Vamos deixar que entrem / Nada é como você pensa / Pedir que sentem / Aos que entraram sem licença / Pedir que quebrem / Que derrubem o meu muro / Atrás de tantas cercas / Quem é que pode estar seguro? // Eu quero o mesmo inferno / A mesma cela de prisão – a falta de futuro / Eu quero a mesma humilhação – a falta de futuro // Eu quero o mesmo inferno / A mesma cela de prisão – a falta de futuro / O mesmo desespero»  // Sérgio Britto.

Agora eu arrumar essa casa, esse quarto. e mais tarde vou caminhar nesta chuva enquanto as nuvens estiverem por cá.

monólogo/monomania

[dom] 8 de setembro de 2013

novidades: nada. apenas o gosto amargo da cerveja ou o prolongamento do vinho – beber é algo diário. dediquei dois dias à jardinagem. fiz escada, cortei o mato, me enchi de espinhos nos dedos, separei terra para os futuros garapuvus – as árvores me deixam em paz, um dia eu largo essas gentes e vou me entocar bem lá dentro do mato. e na tv, peguei por acaso o cisne negro, puta filme, a perfeição. e meus planos de corrigir provas, organizar diários, preparar projetos… nada, tudo vai meio embrulhado após quinta-feira. é quase uma ânsia, é quase o vômito saindo quando penso em tudo isto. receber uma advertência não era o que eu queria. não era o que eu queria, isso, pra mim. mas isto é para a gente perceber que não deve se distanciar em demasia.

e das cotidianidades: a leitura de simone beauvoir segue animada. as datas estão na mesa: ifsc/ufsc. dentista, médico, bicicleta de izabel, tudo segue o mínimo, mais ou menos planejado. esperar paciente o plano se desenrolar no seu devido tempo. tempo lento. “é, babe, ainda me sinto mutilado, como se faltasse um pedaço, que não é tu que vai preencher, sacas. isto depende de mim eou do tempo, deste tempo lento. por enquanto somente exaustão e o desejo de estar só.”

Tudo se compõe, e se decompõe Tudo se compõe, e se decompõe Tudo se compõe, e se decompõe Tudo se compõe, e se decompõe (…) E assim Viajando pelo mundo sem fim O silêncio planta seu jardim” Paulinho Moska

e clarice falcão. toda.

assinado eu

[sex] 8 de fevereiro de 2013

duas horas escrevendo isto cá…

okei, primeira semana passando… um turbilhão de coisas acontecendo e uma leve expectativa pela próxima quinta, o primeiro dia de aula. das 16 aulas de então aumentei mais cinco sendo agora 21. 9 no paulo fontes (segundas e quintas pela noite) e mais 12 no jurema (quinta pela manhã e tarde, e mais uma noite ainda não definida). vai sobrar um tempinho bacana para o planejamento detalhado de cada aula, coisa que não tive tanto ano passado naquele turbilhão de tudo novo e carga lotada com 40 aulas em sala… coisa insana. este ano vou mais de  leve…

e bateu um solidão funda hoje. mas fazer o que… enquanto eu deixar as janelas fechadas o sol não vai entrar. e quando será a hora?! quando a lista de cuidados se encerrará? quantos dias e meses ainda vou ter que me esperar? será que vale? o que fazer? para onde ir?

as vezes fico tão perdido… as vezes sinto falta de casa (esse lugar que eu ainda não encontrei… já que por cá, tudo é tão frio). mas vamos lá, quando os trinta e um chegarem eu abro tudo e tudo vai ser melhor, mais alegre… mais claro, sem isto de ficar guardando os nós lá dentro para ninguém perceber que por trás dessa indiferença toda… há alguém que as vezes tem medo e outras não. faltou ar. faltou ar. faltou ar… e foi pra lá.

trilha de fundo. tiê.

maru

[dom] 8 de julho de 2012

os pés sentem o frio. os dedos sentem o frio. o corpo está só. os pelos crescem. os dentes desgastam. o dentes não rasgam mais a carne… o corpo segue só. os olhos envelhecem. os dedos não escrevem. o corpo seco. o corpo envelhece. os hábitos sempre os mesmos. os pés sentem o frio. o frio é sempre o mesmo. os dedos sentem falta. o corpo só. os pelos crescem. os dentes caem. os dentes mordem cada letra. o corpo, um nó. os olhos sem…

os papéis amontoam-se. ignoro. vinho-me. e nada é… apenas espera, dente após dente, rir-se. os papéis avolumam-se sobre as roupas usadas, as teias, os dias, a biomassa verde que flora e não cessa de viver… plantas brotam por todos os lados.

e… «I guess that I don’t need that though Now you’re just somebody that I used to know».

. E sábado foi assim aguentando o frio. sexta foi indo à festa e sentindo aquela velha sensação de estar entre todos e sentir uma certa sozinhez… quinta foi encerrando mais uma turma, quarta também… terça me despedindo… e sacando que a vida vai numa espera com ou sem vagas.

cordas de aço

[dom] 8 de janeiro de 2012

hoje colhi a segunda abóbora. o primeiro tomate. plantei o milho, o tomate cereja, o porongo, o feijão, o melão gaúcho, e mais mamão. depois de amanhã minha vó irá embora. ontem passei a tarde a toa. estou sentindo uma leve dor na garganta hoje. consegui adiantar uma prestação da casa, e de nove faltaram somente sete. as coisas caminham.

a ela passou, fez psiu, me olhou pela porta, e disse, pelo que entendi, que ia passar por aqui… fiz o gesto de quem diz ah, não vai não fica um pouco mais…

e hoje nem parece domingo.

a trilha sonora da tarde foi composta por esses três álbuns ininterruptamente repetindo-se: 12 Segundos de Oscuridad e Amar la Trama de Jorge Drexler e  Ney Matogrosso interpreta Cartola.

improviso

[dom] 8 de maio de 2011

férias da graduação. leituras, cinema e vinho. e um pouco de trabalho e um pouco de companhias – porque o mundo é feito de carne e de osso. e assim a semana foi boa. foi tranquila, sem atritos insuportáveis ou desencontros. talvez porque fora toda de improviso… gostoso improviso. mas já está passando… os planos e delírios começam a retornar e a mente vai se entupindo de projetos, contas, metas e blah blah blah blah…

mas o importante desta vida toda é que fico mais leve – apesar dos cem quilos – , mais experiente – no alto destes um e oitenta e sete – e mais gostoso.

o dia vai claro

[ter] 8 de fevereiro de 2011

Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar // Yansã penteia os seus cabelos macios / Quando a luz da lua cheia clareia as águas do rio / Ogum sonhava com a filha de Nanã / E pensava que as estrelas eram os olhos de Yansã / Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Na terra dos orixás, o amor se dividia // Entre um deus que era de paz / E outro deus que combatia / Como a luta só termina quando existe um vencedor // Yansã virou rainha da coroa de Xangô // Mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar / mas Yansã, cadê Ogum? Foi pro mar /// A DEUSA DOS ORIXÁS // Composição de Romildo e Toninho // CLARA NUNES

acordei. vamos lá…

o mundo um moinho

[ter] 8 de fevereiro de 2011

começar por aqui: O mundo é um moinho /// Ainda é cedo, amor / Mal começaste a conhecer a vida / Já anuncias a hora de partida / Sem saber mesmo o rumo que irás tomar / Preste atenção, querida / Embora eu saiba que estás resolvida / Em cada esquina cai um pouco a tua vida / Em pouco tempo não serás mais o que és / Ouça-me bem, amor / Preste atenção, o mundo é um moinho / Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho. / Vai reduzir as ilusões a pó / Preste atenção, querida / De cada amor tu herdarás só o cinismo / Quando notares estás à beira do abismo / Abismo que cavaste com os teus pés // Cartola.

porque dormi domingo ouvindo e acordei segunda-feira com cartola pela casa cantarolando nossos amores e nossas dores. cartola me remete à outro tempo. e deu saudade danada. mas a vida segue… e quem sabe não é chegado a hora de começar a escrever aqui para dizer coisas ou simplesmente para encontrar qualquer ordem para o tumulto deste peito, desta cuca, destes dias. talvez calar. talvez logo mais voltar cá. talvez não. fim. acontece.

mas há um milhão de coisas que dia desses escrevo por aqui. sei que agora vou mais ou menos tranquilo desorganizando o organizado e desatando os nós dados. entretido ora mexendo na terra ora vendendo minha força de trabalho ora flanando por qualquer lugar. mas confesso cá que não vejo hora de março chegar e tudo o que há por fazer agora já feito… tive sim.

 

ps: e agora entendo. aquela necessidade toda de escrever algo evaporou quando me pus aqui e comecei a traçar as linhas acima porque o que me faltava era esse tempo só para mim… relaxei, posso dormir agora.

nesta quase terça-feira

[seg] 8 de novembro de 2010

força de trabalho vendida, por míseros trocados, e cá estou – nesta quase terça-feira. e meus finais de semana voltaram a ser assim, um bagaço fico após um dia de trabalho. e nem é pelo trabalho realizado, que este não é tão pesado assim. mas é pelo ter que ficar lá fazendo hora, aguentando hora, suportando hora, por algo que não… sei lá. mas é assim, te deixa um bagaço essa alienação, esse trabalho-alienado e alienante. o fato é que preciso da grana, tenho projetos e necessidades e enquanto arquiteto e executo meu presente-futuro… e até é bom ver as pessoas, não isolar-se aqui em cima. acomodo-me fácil demais nessa vida e isto não é bom. e já que este texto vai nesse sentido, de escrever o que brota da cachola, sigo… os sapos, vizinhos, coaxam. encontraram eles a piscina do vizinho que abandonou isto aqui e vive agora em algum outro lado do mundo. depois de domingo, tirei segunda-feira para relaxar. cancelei compromissos pré-acordados [transferi a consulta, adiei a reunião e não li nada até agora] e dormi até as onze. pela tarde delirei bastante e trabalhei um pouco na casa – colocando mata-juntas que faltavam e carregando alguns carrinhos de areia. sábado começo a pintá-la [se tudo der certo]. estou ansioso por dezembro. mas voltando para o dia bonito de segunda… projetei uma cerca de bambu, reguei o ipê, e fiz o buraco para o ipê-branco que plantarei nesta quase terça-feira. pensei bastante, senti falta de dona izabel [é estranho saber disto] e de dona ica [que segue sua sina]. conversei amistosamente com o seu nei, o mano e e a dona ana. e cantarolei, no balanço, com dona luiza a nossa canção [que aprendo quando ensino]… e inventamos sons e barulhinhos [crianças são mágicas].

***

… ô mada o me pei perce que o ma é uma go compara ao pran me… ê fi cer que quan o no amo disper lo o so se desespe e se escon la na se ê madalê o que é me não se divi nem tão pou se admi que do no amo duvi… até a lua se arrisca num palpite que o nosso amor existe forte ou fraco alegre ou triste… ê… cá estou, tranquilo e contente – e um pouco morno. conquistando um dia de cada vez, para que chegues logo – que só arderei quando estiveres cá.

terra

[sex] 8 de outubro de 2010

terra.

vamos lá. tomei uma porção de decisões. e me sinto forte e desperto. fiz um plano de navegação, ou simplesmente uns planos. e estou cá diante do mar [dos sentimentos] amanhecendo para este sol que chegará. a casa chegou. e joguei o projeto complicado e distante fora. e vai ser tudo simples e bacana. bonito é ver o contentamento do pai. e algo me diz que, ou sinto que, preciso organizar o povo aqui antes de partir, e se der tudo certo começo o ano que vem aberto, profissional e poético. o plano é mais ou menos algo assim como tirá-los, e dessa forma, arrancar-me, desse movimento familiar de “prá que mexer na dor. se podemos passar a vida nos lamentando nessa nossa escuridão“. para mim sempre foi, e ainda é em certa medida, difícil de lidar com essa incapacidade de abraçar e dizer que ama que ambos tem [pai e mãe], manifestando apenas ressentimento e dor. penso que isto influenciou e ainda influência muito meu comportamente social e meu aprendizado emocional. esse isolamento, esse silêncio [que diz tantas coisas], essa dificuldade de estabelecer [abrir-se] ao contato, ao diálogo, ao que é sentido pelo peito e permitir-se… essa sensação, quase sempre presente, de dualidade e de não-pertencimento ao meio é cruel. enfim. desde que me conheço por gente sempre manifestei que não importava o dinheiro, o conforto etc. e sim o carinho, a aceitação – eu necessitava era disto. e hoje entendo esse caminho que ambos fizeram, de enfiar a cara no trabalho, era muito mais pelas limitações que ambos detinham em manifestar seus sentimentos, dores, frustrações e contentamentos, do que qualquer outra coisa. e engraçado, hoje percebo que isto, o carinho e a auto-aceitação, é o que mais preciso, mas que carrego a dificuldade que ambos manifestaram de demonstrar amor, admiração, carinho, respeito etc. mas chega de falar nisto [tenho que estudar e é hora de parar de escrever aqui um pouco]… vou fazer meu caminho e ele será luminoso como um poema da manhã, vou rir de mim meu bem. e quem sabe me permita amar-te, como te amei hoje, e ontem, e antes de ontem… o amor não é algo pronto e dado, é um movimento de permitir-se mergulhar na terra, no mar. no mundo.

exercício sobre o ensaio

[qua] 8 de setembro de 2010

livro aberto, ensaio de leitura. atenção torta, não minto. as imagens contidas nas letras são um labirinto, ou seriam labirintos?! sem eles não sinto equilibrio. ou seria a profundidade e dimensão desta ilusão de estar e ser movido… por dádivas, por “as três obrigações” desta página 234. dar, receber, retribuir. enquanto aguardo, queda-se suspensa a leitura deste verso, e de suas imagens. livro fechado. por enquanto fim.

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