Archive for the '07' Category

how to be happy in warsaw

[seg] 7 de agosto de 2017

diário de notas abertas pelo dia

#12h09 não me resolvendo com as aulas de hoje. cabeça em redemoinho. sentindo vertigens. efeitos do porre triplo.

#12h37 depois de uma caminhada no quintal. percorrendo essa geografia torta que é minha vida. depois de vinte e cinco anos vejo a casa de meu irmão, que um dia foi minha também, na infância e adolescência, em desconstrução… sem telhado. as pancadas da manhã era dali, desse nosso eterno movimento de destruir.

#12h40 o despertador toca. avisando que há comida na geladeira da escola… essas anacronias.

#13h10 o tempo passa e me perco em conversas…

#18h35 não sei onde enfiar minha cara… não sei o que falar. apenas rir. vão me zoar pelo resto da vida… ou do ano.

ps: o título do posto é de uma passagem do livro «opisanie šwiata», de veronica stigger. e há outros livros da cosac que comprei… mas demora pra ler tudo, a lista é enorme.

papéis e valores

[sex] 7 de abril de 2017

revisando as aulas de hoje… todos estão falando de poder, dessa coisa que leva os individuos a permenecerem coesos e/ou em conflito. que leva a gente a agir…

a coerção social produzida pelos fatos sociais e o estado de anomia; o poder que emana da autoridade legitima ou da dominação não legítima; e a ideologia, a consciência de classe e a alienação.

 

***

estava tentando definir esse aperto, essa revolta… ESTOU ANGUSTIADO.

chega, desisto. essa escola que está ai não foi feita para aula expositiva. eu não fui feito para aula expositiva. volte aquelas estratégias lá do começo, use tua intuição bicho, não se deixe cooptar. o governo quer cinquenta avaliações para os cinquenta estudantes por turma das cinquentas turmas que tu tem… faça-as. mas do seu jeito.

coisa para abolir: nota do caderno e aulas expositivas-impositivas. coisas para adotar: estratégias de trabalho coletivo/grupo. outra coisa importante… fugir da sala, ocupar outros espaços da escola, dar autonomia ao processo… deixá-los mais soltos… ser menos fiscal de obra e mais orientador do processo, respeitando as diferenças… parar de nivelar por baixo – e ainda assim excluir uma penca. buscar a empatia, buscar a cumplicidade… buscar o respeito. te auto respeitar para poder respeitá-los. voltar a gostar de estar em determinadas turmas… não senti-los como um fardo ou estorvo.

pra isso: planejamento bichinho… nada de improvisos, se improvisar… que seja sobre o planejado já.

in spaceships, they won’t understand

[sáb] 7 de janeiro de 2017

e o sábado já começou.

«… / last night she said / oh, baby, don’t feel so down / oh it turns me off / when i feel left out. / so i, i turned ‘round / oh, baby, i’m gonna be all right / it was a great big lie / ‘Cuz i left that night, yeah / and, people they don’t understand / no, girlfriends, they won’t understand / in spaceships, they won’t understand / and me, i ain’t never gonna understand / …»

Last Nite / Composição Julian Casablancas

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aproveitando o sol na casa oito, e a lua na casa doze.

tsundoku

[sex] 7 de outubro de 2016

«O hábito de comprar livros que nunca serão lidos e acumulá-los em pilhas é familiar para quem gosta de ler. E há uma única palavra, em japonês, para designar a prática: tsundoku. Na verdade, o substantivo é um jogo de palavras. “Tsundoku” corresponde à forma oral do verbo “tsunde oku”, que quer dizer “empilhar e deixar de lado por um tempo”.  Mas “doku”, palavra expressa por um ideograma, corresponde ao verbo ler. Assim, criou-se uma nova palavra, cujo sentido é a aquisição de materiais de leitura que acabam empilhados, sem nunca serem lidos.» Disponível em: nexojornal.com.br

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sexta-feira. conselho de classe do terceiro bimestre terminou. o quarto sinaliza-se interessante… estou a construir o I Seminário de Ciências Humanas : Democracia, direitos e participação na escola… Com a possibilidade de trabalho em parceria com o prof de geo e noutro projeto com o prof de filosofia…

deu uma vontade de repensar o programa, deu uma vontade de estudar e mudar as coisas… deu uma vontade de deixar de reproduzir apenas e construir algo.

agora dormir

e logo mais, quando acordar…

pratique rapaz.

tarefa: ligar, organizar participantes.

ler sobre conselho

produzir cartilha

organizar aulas da sexta

corrigir trabalhos

 

autómata

[qui] 7 de abril de 2016

#2h21 o que fazer quando você percebe que todos os seus planejamentos, vídeos, materiais de apoio, pdfs, livros digitais… tudo que não havia sido salvo ainda evaporou e tu precisa para as aulas… argh… é aos poucos que a dimensão do estrago vai se apresentando… quinta-feira será um dia longo. e agora ‘bora dormir umas duas horas… se der.

o despertar da força…

[qui] 7 de janeiro de 2016

estou a quase quinze dias revirando as coisas… turvei as coisas. deixei as matérias em suspensão. estou todo desfocado…

mas hoje, com o sol na casa oito, e a lua também… fui curtir minha solidão no cinema. às sete horas do dia sete assistia ao sétimo star wars.

tok tok tok

[seg] 7 de dezembro de 2015

me senti um bosta hoje. e fiquei duvidando de mim. não queria brigar… queria só ficar em silêncio.

voltar à escola, assim, em clima de luto, é desolador. há qualquer coisa na ordem da não fala, da melancolia, da angustia silente. mas furar com a gurizada do grêmio também não me fez bem… mas eu só não posso ir além, as vezes. eu sou assim, sempre preso nos meus próprios novelos.

e entre o cru e o cozido, o homem nu.

os livros chegaram…

e corrigi as avaliações, e agora aguardando apenas o sistema ficar online… para digitar tudo no professoronline, fazer avaliações finais e tirar férias. mas é preciso mudar… porque ficar em casa fazendo nada, me mata.

e na caixa sonora… tok tok tok, uma jazz/soul band alemã formada por Tokunbo Akinro e  Morten Klein entre 1998-2013; e também por Christian Flohr, Jens Gebel e Matthias Meusel (2006-2009).

вставай, Эрнесто!

[seg] 7 de setembro de 2015

há tantas notas para hoje:

comecemos de frente para trás:

#1. a poesia da irmã (munirah lopes) pernambucana de paulo fukuta.

O amor não se vê.
Você não pode ver agora que eu choro por você.
Não de tristeza ou algo que o valha.
Choro porque você está sempre comigo.
Choro por tentar imaginar seu amor por mim e não conseguir.
Choro porque não posso ver seu amor por mim
mas é tão real que me comove.
Choro porque sempre penso que não é amor,
mas pode ser.
E eu amo você mesmo quando eu tenho medo
e por dentro tremo, hesito e duvido
e desisto de amar você
por covardia.
Eu amo você mesmo quando tudo me faz sentir culpa
e por dentro me arrependo, não mereço,
e me crucico para expiar os pecados
que eu nunca cometi.
Eu amo você mesmo quando tudo pesa como a morte
e já não consigo sorrir
e por dentro não acredito mais em nada
e nada faz sentido.
Eu amo você.
Eu também já não sei andar só pelos caminhos.»
#2. a orchestra de che, a banda ucraniana.
«а у Эрнесто затянулась сиеста
а я выдвигаю ноту протеста

вставай, Эрнесто!»

há várias músicas boas… mas vídeo youtube só este: Bom dia, MayakovskyMúsica de Vivaldi
#3. o meu exercício poético do dia
a cólera entre os dentes
a coleira do presente
o cão imundo já não é bicho
e o pássaro disforme vira o lixo

e este poema era pra ser
sobre as coisas findas da manhã,
estes destroços que narram
que até o belo não passa de entulho.

e que a voz caso não corte
o tecido da normalidade
será apenas um grunido,
um grito surdo de um vida estéril…

e cada verbo refugiado
atravessa ileso a incomunicabilidade
dos seres alheios…
traduz dos silêncio esses nós

e estes que vão são tristes
e estes que vem são feios
e todos os homens são nojentos
e os olhos são presas
os cães andarilhos
o sol amargo
a névoa gélida
e o destino
passageiro…
(no subsolo
de um navio negreiro).

#4 as indicações de leitura, notas da conversa de hoje com o camarada messias, e das reflexões sobre o processo pedagógico… afinal o sete de setembro valeu para alguma coisa.
#5 a fotografia do caminhão destruído, feita pelo paulo. anotar comentário…
mas está trovejando lá fora, vou desligar o computador… assim vou publicar isto da forma que está e os complementos ficam para outra época.

sai do play: game over!

[sex] 7 de agosto de 2015

deu. acabou.

modo ataque… chamar todo mundo para fazer um bloco pressão/incentivo ao cara para ele parar de ficar pirando o cabeção dia sim dia não. e é assim ou ele para de cheirar e aceita ajuda que ofereço. ou ele vaza da minha casa e que se foda. mas quando se pressiona fica a questão: até o onde o outro vai? o que tu ganha com isto?

e a porra que perdi o sono e não confio mais no cara [mas calma, respira fundo].

a montanha que devemos conquistar…

[dom] 7 de junho de 2015

o signo é de uns goles de vinho na noite de ontem. e o cinema se fez sozinho… ou não foi bem assim: houve companhia ocasional e inesperada no meio da jornada. e tomei decisão: refazer-me em improvisação… soltar os freios, de pé e de mão… e misturar-me na multidão desavisada desse deserto. e nestes dias a cabeça anda longe… planeja coisas e mais coisas… para esta e para outras dimensões, desde uma moto até homéricos porres. mas vamos com calma… esse cinco anos de incubação não serão superados em cinco meses…

e o coração tumultua tudo… e digo assim, meu irmão… esse negócio de ficar se batendo e embrulhando o estômago não ajuda não, calma rapaz. tudo vai se encontrar nesta jornada furiosa e maluca em busca de alguma redenção.

sábado foi um dia longo. misturou-se frustração, reflexão, solidão, coragem, camaradagem…

e hoje. fiz quase nada do que deveria ser feito… parte boa foi para refazer-me da ressaca… e o que era para ser arrumado, não arrumei. amanhã já tem sala de aula… e até agora não tive nenhuma sacada. fiquei pensando no que me disse o marcelo [lá de laguna e da ocupaalesc] sobre a improvisação… e sobre o diálogo e reflexões a cerca das nossas aulas de sociologia…. as mais bacanas envolveram um bom processo de improvisação. foi um papo parecido com o que tive com ana rita mayer, e mais profundamente com o daniel [geo].

mas se ainda penso no como… o que eu vou abordar já tenho claro. só falta ainda rever onde parei exatamente com cada turma.

de ontem: livro adquirido: A montanha que devemos conquistar. reflexões acerca do Estado. István Mészáros

e um blockbuster bem interessante…

 

 

dialética da ocupação…

[qui] 7 de maio de 2015

 

Desocupei. Depois de uma semana mergulhado na ocupação, tirei um dia para repor as minhas forças. E cumprir alguns compromissos. Amanhã é retornar para ocupação e ver como vai tudo lá…

e além da solidariedade, das camaradagens, do trabalho pesado, da articulação política e das tarefas práticas… foi uma semana de profundo amadurecimento pessoal e político. algumas facetas adormecidas acordaram… E posso dizer que só me sinto vivo quando me movimento… e no exercício de análise diário da conjuntura, do movimento, tenho percebido vários furos, erros, mas algumas intuições e parte da análise tem se mostrada muito correta. vamos nos ferrar muito, enquanto categoria, mas há um acúmulo de força interessante, enquanto professores em luta, no cenário.

*

hoje também foi dia de ir ao emaj e dar inicio ao processo de inclusão no meu nome no registro civil de nascimento de maria izabel. de conversar com o adriano e de apaziguar certas coisas passadas. e me sinto como fechando um ciclo…

que foi de recuo, iniciado em 2009. de isolamento, de solidão… e que chega a um momento novo. voltar a militar de forma centralizada, registar minha filha… e me abrir a casa para o que vier.

*

colo abaixo, o texto que está aqui na prancheta perto do computador… que fala sobre  «as características do movimento matéria, ou seja, da dialética materialista. Por Wilham Reich.

1) “O princípio materialista trata da relação de determinação, a dialética é a essência do método, trata do movimento, da lógica sobre a qual o pensamento se estrutura para buscar compreender um fenômeno. O que interessa é captar o movimento: era, é… tende, a ser. Analisar objetivamente este movimento, suas passagens, como uma forma foi superada por outra que já anuncia a nova que virá de seu desenvolvimento. O importante desta analise objetiva é que a dialética não deve ser imposta ao fenômeno dialético, não é o pensador dialético que torna o fenômeno dialético, devemos buscar como o movimento próprio da coisa estudada evidencia a dialética.

2) “Toda forma traz em si mesma uma contradição, é uma união de contrários, amadurecem dentro desta forma até que o conflito entre os pólos da contradição não possa mais ser resolvido dentro dela”. A contradição interna destrói a forma antiga e gera uma nova.

3) “A nova forma não elimina a contradição, gera uma nova”. Tudo que nasce já traz em si o germe de sua própria superação. Por isso nada é eterno, só o movimento, tudo que nasce tende a desaparecer. O novo já traz em si o novíssimo, o “é” já traz o “tende a ser”.

4) “As contradições não são absolutas”. Dois pólos que se opõem como contrários estão numa relação de identidade. Um aspecto é ao mesmo tempo também o outro (causa/efeito, ação/reação, alto/baixo, qualidade/quantidade, etc.). Por este motivo num determinado ponto do processo uma coisa pode transforma-se no seu contrario.

5) “A forma como se resolve uma contradição, destruindo uma velha forma e gerando uma nova, não é boa nem má, mas sim necessária”. Como uma contradição era composta e como esta contradição se desenvolveu necessariamente até a superação evidencia, deve ser vista além de juízos valorativos. Mesmo porque aquilo que possibilitou o movimento pode vir a paralisá-lo.

6) O amadurecimento interno da contradição se dá progressivamente, mas se resolve por uma ruptura, um salto de qualidade. A contradição germina silenciosa e imperceptível e aflora abruptamente numa quebra de continuidade.

7) “Todo movimento, sucessão de formas, evidencia uma dupla negação, uma negação da negação. A primeira forma é negada pela segunda que é negada pela terceira gerando assim a aparente volta a primeira. No entanto nada retorna ao que era. A terceira forma reapresenta traços da primeira, mas traz em si também traços da segunda forma superada. Já não é mais nem uma, nem outra. O novo traz traços do velho, o velho já anuncia elementos do novo. A impressão de circularidade é apenas aparente, pois a última forma sempre reapresenta a primeira num patamar “ superior”. O movimento não é circular, mas em espiral”.»

cores de almodóvar, cores de frida kahlo…

[ter] 7 de abril de 2015

PRIMEIRO BLOCO

notas rápidas:

#1. estou repleto de notas e fragmentos de poesia desde ontem. tudo me inspira… como se houvesse encontrado uma mina ao acaso e da lá brotam sem parar ideias e a necessidade de comunicá-las. estou a perder o controle.

#2. tenho uma dificuldade anárquica de me centralizar. marginalizo tudo… é minha indisciplina crônica, minha concepção caótica do universo. eu, síntese de multíplas determinações em movimento… contradição viva. um provisório.

#3. um sintese da beleza e do caos: hippie gengis cã / hálito de gengibre / pele de avelã.

#4. estou a socializar a guerra. aprendendo e ensinando outros a jogar war.

#5. «cores de almodóvar, cores de frida kahlo…». o cimento queimado agora é vermelho. e meu barraco ficou quente.

SEGUNDO BLOCO

indo agora para ato do magistério na alesc.

 

cidade imaginária

[sáb] 7 de fevereiro de 2015

cheguei em casa ontem e as crianças brincavam de organizar o bloco de carnaval.

convidei-as para pular a catraca, ir ao bloco, talvez depois um cinema. elas não quiseram. minha ida ao bloco miou.

novamente fico cuidando de luiza até as duas horas da manhã.

então, cedo… o adulto que ficará responsável por elas sou eu… vamos tentar aproveitar o melhor do dia. fizemos, eu e luiza [porque izabel não quis] uma caminhada com as cadelas pela rua… e aqui até a gata nos acompanha. fui tomando meu mate e fomos proseando.

e pela tarde, estudando, montando planos de aula… porque todo ano resolvo modificar conteúdos. e entre um momento e outros… alguns trabalhos manuais.

agora, noite. continuo o estudos e encontro isto: cidade imaginária, que me leva ao o que eu andei, que me leva ao porte folio de viajante curioso, todos blogs, muito bons por sinal, de João Bonifácio Serra.

e sugestão de paulo fukuta: https://www.facebook.com/escolabasicadaponte?fref=ts

***

e você está aqui.

 

 

estive cansado e faço colagens na tarde ensolarada…

[ter] 7 de outubro de 2014

primeiro… há várias citações aguardando serem colocadas por cá – por este blogue serve para isto… guardar coisas, memórias, intenções… momentos vividos. mas elas vão ter que esperar porque eu me sinto cansado – e quando pensei nesta palavra, traduzindo essa sensação, minha memória afetiva remeteu-me a esta canção… até deu vontade de ouvir…

«Soul Parsifal // Renato Russo // Legião Urbana // Ninguém vai me dizer o que sentirMeu coração está desperto / É sereno nosso amor e santo este lugar / Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom / Eu tive o teu veneno / E o sopro leve do luar / Porque foi calma a tempestade / E tua lembrança, a estrela a me guiar / Da alfazema fiz um bordado / Vem, meu amor, é hora de acordar / Tenho anis / Tenho hortelã / Tenho um cesto de flores / Eu tenho um jardim e uma canção / Vivo feliz, tenho amor / Eu tenho um desejo e um coração / Tenho coragem e sei quem eu sou / Eu tenho um segredo e uma oração / Vê que a minha força é quase santa / Como foi santo o meu penar / Pecado é provocar desejo / E depois renunciar / Estive cansado / Meu orgulho me deixou cansado / Meu egoísmo me deixou cansado / Minha vaidade me deixou cansado / Não falo pelos outros / Só falo por mim / Ninguém vai me dizer o que sentir / Tenho jasmim tenho hortelã / Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã / Com a saudade teci uma prece / E preparei erva-cidreira no café da manhã / Ninguém vai me dizer o que sentir / E eu vou cantar uma canção p’rá mim.»

não sei o que me deixou cansado assim… se foram todos esses pensamentos pós-eleição ou tudo mais… às vezes penso que sou sensível demais e há toda uma sensação angustiante – as vezes de leve – quase o tempo todo. ver tanta gente de direita, tanto preconceito, tanta violência e tanta ignorância me sufocam. me sinto um estranho neste mundo e sinto tanta falta dos meus… sozinho é tão fácil enlouquecer.

***

mas intuo que há um pouco deste frio na barriga diante do salto… que quando breco – e paralisado pela excitação/medo danado de ir [e vai que é para gente ser feliz?!] eu acabo ficando aqui nesta zona cinzenta¹. é a contradição que mata. só o amor liberta. eu me enoso – mesmo que eu não tenha encontrado o verbo enosar. e quedo triste. o mundo gira ali fora, queria ficar um cadinho mais por cá, dentro. ‘bora andar de ônibus para poder pensar…

***

1. Abaixo extrai o texto do blogue [http://zonacinzenta.blog.terra.com.br/] que sumiu… recordo-me que já havia posto um link para lá em outro momento/postagem nesta vida. «Zona Cinzenta é uma expressão literária para descrever a indescritível experiência de Auschwitz, empregada por Primo Levi, escritor italiano e sobrevivente do Holocausto. Também é uma releitura feita por Giorgio Agamben, pensador italiano e teórico do Estado de Exceção e do Homo Sacer, feita com propriedade para os tempos atuais, uma espécie de experiência moderna do holocausto produzida por técnicas de poder mais sutis e não menos inumanas. Para Agamben, a Zona Cinzenta é o espaço onde acontece o cruzamento de fundamentos dos saberes e das leis para fundar uma nova experiência política que tem a função de matar para gerir a vida e gerir a vida para matar – a Biopolítica. Entre sistemas de exclusão dos direitos políticos, racismo, indeterminação entre oprimidos e opressores, práticas de extermínio da vida, a Biopolítica, como dizia Foucault, legitima-se sob os fundamentos do racismo – no qual se uma raça quer viver, deve matar a mais fraca (seja no sentido mais literal da expressão, seja no sentido político dela). Racismo que se torna válido nas prescrições científicas dos saberes (medicina social, sociologia, etc) e que corrobora sua prática, principalmente, nos produtos que essas técnicas discursivas alinham para o perfeito funcionamento de seu sistema: na distinção, qualificação e hierarquização das raças, para garantir o modo de vida, combate e domínio do bando soberano. Esse é um blog que se destina a reunir apontamentos, observações e investigações de temas que se conectam à Zona cinzenta. É mais um diário de pensamentos e anotações que farei das minhas leituras e releituras de Foucault, Deleuze, Agamben, Kafka, Maurice Blanchot, entre outros. Mais para além de um diário virtual que tenta descrever os fatídicos fatos corriqueiros de uma vida que quer se tornar privada-pública. Uma guerrilha cultural, talvez. E para aqueles que crêem que o racismo é apenas uma balela, um lembrete do maravilhoso psicanalista Jacques Lacan – “O futuro do mundo é o racismo”. Não quero ser voz na multidão, nem luz na escuridão. Mais que ser negra como a noite ou claro como o dia, essas palavras serão cinzas como a fumaça dos corpos queimados que sobe aos céus. André Campos»

já quase faço parte do mobiliário…

[dom] 7 de setembro de 2014

Da leitura de então:

“Somos por uma ‘escola aberta’ […] mas, na prática, o que se tem feito com os nossos alunos, para que aconteça abertura, criatividade?”[p. 74]

“Sinto muito o isolamento. Vou-me desmoralizando, vou deixando andar… Perdi iniciativa […] Reconheço que num trabalho de grupo trabalharia melhor […] já quase faço parte do mobiliário. Estou quase todo o tempo sozinha. [p.77]

narrativas de professor@s portugues@s que aparece no livro de Pacheco sobre as dificuldades de ensinagem e contradições da escola tradicional…

PACHECO, José. Escola da Ponte: Formação e transformação na educação. Petrópolis, RJ: 3ª ed. Vozes, 2010.

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“Desempenhei as minhas tarefas nos limites de minha posição política e de minha orientação socialista, deixando escrupulosamente essa condição muito clara, desde a primeira aula até a última. De outro lado, o estudante não é um ‘recipiente vazio’. Ele é um ser humano maduro e crítico. Pode compartilhar ou rejeitar o que lhe é oferecido nas salas de aula: um ensino totalmente livre e democrático não deve, portanto, fechar-se sobre a ‘neutralidade institucional’, que só é neutra do ponto de vista da irradiação das ideias e das ideologias consagradas pelas estruturas de dominação vigentes.”
Florestan Fernandes em A natureza sociológica da sociologia, 1980, p. 10.

o sujeito impermeável

[seg] 7 de julho de 2014

 

“gente grande de verdade sabe que é pequena”

“não há fracasso no erro, o fracasso esta na desesperança”.

Uma Aula Espetáculo de Teatro de Louis Jouvet

Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam

constatações óbvias

[qua] 7 de maio de 2014

meu humor é cínico. um tanto ácido… e o suco que regurgito em cada palavra vomitada às vezes me queima.

são 15 para 2 e eu nunca vou conseguir terminar a tempo e a contento o que preciso fazer para hoje. arghhh

 

fin de fiesta

[seg] 7 de abril de 2014

febril e exausto. só quero ficar na cama… mas vamos lá… há que se trabalhar. ao fundo… kevin johansen, seus amigos, o forte sotaque portenho, e a bonita canção “fin de fiesta“.

hoje foi um dia contrariado

[sex] 7 de março de 2014

exausto… e nem terminei de começar. pela primeira vez na história estou a sistematizar meus planos de aula… buscando honestamente ter um plano de ensino mais claro, estruturado… e aff… já é sexta, estou acordado há 17 horas, e tenho uma pilha de material para avaliar, ler e finalizar as aulas de logo mais… é, eu… funciono, só, sobre pressão e acho que consigo colocar em dia, mas a dores nas costas e na cabeça são grande…  muitas horas aqui debruçado sobre leituras e escrituras… e além disto tudo, dessa pressão pessoal  (por fazer algo bem feito) e institucional (prazos para ontem e formalidades inúmeras) há a minha vontade… e se fosse possível me valer dela hoje, eu  quereria era estar noutro lugar com outra pessoa fazendo outra coisa.

hoje foi um dia contrariado. produtivo, mas contrariado. e agora cama, pois a cabeça está dando tiltiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

aos alecrins

[qui] 7 de novembro de 2013

TEXTOS DO FIM. Garimpados e Fabricados lá pelas 6h30 do dia.

texto incidental o guardador de rebanhos (parte ix) / sou um guardador de rebanhos / o rebanho é os meus pensamentos / e os meus pensamentos são todos sensações. / penso com os olhos e com os ouvidos / E com as mãos e os pés / e com o nariz e a boca. // pensar uma flor é vê-la e cheirá-la / e comer um fruto é saber-lhe o sentido. / por isso quando num dia de calor / me sinto triste de gozá-lo tanto. / e me deito ao comprido na erva, / e fecho os olhos quentes, / sinto todo o meu corpo deitado na realidade, / sei a verdade e sou feliz. / alberto caeiro – heterônimo de fernando pessoa.

***

texto dois que deveria ser o um. pensei em tanta coisa, mas uns goles de vinho me tiraram a certeza da palavra escrita, e sobrou apenas um pensamento passado, uma madruga perdida e um amanhecer mais inspirado. já escrevi aqui inúmeras vezes avaliações sobre este momento que vivo – os dilemas, as limitações, as contradições, as referências, os desencontros, as dores, a certeza sobre estar certo e ao mesmo tempo a profunda angústia de estar errado, da imobilidade em que me encontro. momento que  manifesta uma necessidade de auto-proteção, mesmo que seja em relação à projeções superdimensionadas, fruto de minhas neuroses e carências, enfim, desta dificuldade de lidar com afetividade – e irônico nisto tudo é que trato disto numa boa no plano da análise, tenho consciência de como se processa, quais suas origens e seus desdobramentos… mas –  contraditoriamente, este mesmo momento manifesta-se como uma certa prisão, como um viciado melodramático não consigo romper o ciclo vicioso do cotidiano que me leva à um exílio, um auto-exílio, que só não é total porque conservadoramente e comunalmente nesta família, onde todos moram sozinhos em suas casas, mas no mesmo pedaço de terra. O fato de ter izabel vivendo tão perto e passar quase todos os dias algumas horas com ela, e ter me vestido desta «paternidade», que me ensina bastante, e me dá, de certa forma, um chão, já que por ela tenho feito algumas concessões… é por ela, mas também é por mim, já que projeto nessa relação, o outro modelo concreto de relação parental pai-filho que vivi, a minha própria com meu velho, e percebo que apesar de ser tão idêntico nas limitações, eu consigo romper este profundos grilhões repressivos, e  mesmo não sendo o super-homem, e ainda causando dores por minhas faltas, sou um «pai» mais aberto e franco, talvez não o pai que eu gostaria de ter, mas o que consigo ser neste meu mar de neuroses… eu não deveria editar todo este texto, como estou fazendo agora, e quem já 0 leu, se um dia voltar a ler, perceberá, mas quem é que lê isto por cá? mas em síntese: por não saber lidar com certas situações e sentimentos, ou mesmo por não conseguir lidar com eles e com a projeção que eles trazem, é que nestes últimos três anos recuei, estabeleci um projeto mínimo, sobreviver, acompanhar izabel crescer, concluir meu teto… e recuando politicamente, socialmente, afetivamente de todas as possibilidades de enfrentamento, transformação e superação destas minhas velhas debilidades, destas minhas amputações ‘invisíveis’. e talvez não seja o melhor caminho a seguir, mas quase tudo vai conspirando para esse recuo, o salário baixo, a incerteza de trabalho, as contas, a falta de vontade de trabalhar ou de voltar a estudar ou militar social e politicamente… quase tudo ao meu redor parece incerto.

no peito há gentes e a dor e a dor pela dor do peito causar dor no peito destas gentes. mas nesta semana deu uma vontade de subir para respirar, sair do silêncio, mexer os músculos, olhar para toda essa quantidade de dor e começar a desfaze-la… e tomará que eu consiga avançar para além desta semana, avante, contra os moinhos de vento…

***

texto um que é o dois. perguntas aos alecrins. alecrim, alecrim, tu és uma planta bela e cheirosa. e aqui em casa és já dois pés. e sendo dois, vocês hão de crescer e me alimentar em chás e pratos diversos. alecrins… o que cês me dizem quando tudo parece estar à deriva, desde minha aparente profissão à república francesa, alastrando-se pelas águas radio-atômicas de fucuxima. seriam muitos derivados e derivativos para toda essa estória? a sociologia explica, interpreta, compreende como todo o sistema funciona, mas não me anima… é carlitos, falta ação. tu me diria: e esse cara aí sobre o muro, o que mira? o que sente? qual o gosto que leva na boca? que vermelho é este entre estes dentes carcomidos e ausentes? e nos olhos? e na cabeça? e esse doce-amargo das raras aulas semanais? do civilizatório mínimo trabalho alienado? do produtivo máximo não-trabalho? do esperar as vidas passarem?

a passagem das horas – “trago dentro do meu coração, / como num cofre que se não pode fechar de cheio, / todos os lugares onde estive, / todos os portos a que cheguei, / todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, / ou de tombadilhos, sonhando, / e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. // (…) // viajei por mais terras do que aquelas em que toquei… / vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos… / experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti, / porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir / e a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz. // a certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me, / penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge, / desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso, / desta turbulência tranquila de sensações desencontradas, / desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada, / deste desassossego no fundo de todos os cálices, / desta angústia no fundo de todos os prazeres, / desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas, / (…). // não sei se a vida é pouco ou demais para mim. / não sei se sinto de mais ou de menos, não sei / se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, / consanguinidade com o mistério das coisas, choque / aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, / ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz. // seja o que for, era melhor não ter nascido, / porque, de tão interessante que é a todos os momentos, / a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, / a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair / para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, / e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, / entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, / e tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso, / com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida. // cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços, / é preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas… / por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro, / tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca… / que há de ser de mim? que há de ser de mim? // correram o bobo a chicote do palácio, sem razão, / fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra. / bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos. / oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir… / tão decadente, tão decadente, tão decadente… / só estou bem quando ouço música, e nem então. (…) // como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo, / a tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai. // (…) assim fico, fico… eu sou o que sempre quer partir, / e fica sempre, fica sempre, fica sempre, / até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica… / torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito. / só humanitariamente é que se pode viver. / só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos, / só assim – ai de mim! -, só assim se pode viver. / só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim! // vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo, / mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri. / vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos, / e fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. / amei e odiei como toda gente, / mas para toda a gente isso foi normal e instintivo, / e para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo. // (…) sinto na minha cabeça a velocidade de giro da terra, / e todos os países e todas as pessoas giram dentro de mim, / centrífuga ânsia, raiva de ir por os ares até aos astros / bate pancadas de encontro ao interior do meu crânio, / põe-me alfinetes vendados por toda a consciência do meu corpo, / faz-me levantar-me mil vezes e dirigir-me para Abstrato, / para inencontrável, Ali sem restrições nenhumas, / a Meta invisível — todos os pontos onde eu não estou — e ao mesmo tempo… // (…) // (…) eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis, / que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou. // (…) // meu ser elástico, mola, agulha, trepidação /// álvaro de campos, in “poemas”. heterônimo de fernando pessoa.

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TEXTOS DO MEIO. Garimpados e fabricados lá pelas 18h30 do dia.

Lista do dia.

Fiz um texto e não consegui publicar. tendo passado doze horas fico pensado se devo publica-lo (e que se publique) já que  “a medida em que havíamos atingido nosso fim principal: ver claro em nós mesmos.

Ouço sem parar Secos & Molhados. Por que? Porque Izabel insiste em ouvi-lo. Porque troquei uma Tevê um aparelho de som. Porque assim posso desafinar e mexer o corpo desorganizadamente. As tardes são assim…

Coisas pesquisadas por agora: http://www.protecto.com.br/artigos/reparo3.htm ; http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/engenhariacivil/attachments/article/125/corrosao_concreto_armado.pdf ; http://www.texsa.com.br/Livro%2007.htm ;

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TEXTOS DE DEPOIS DO FIM… Lá pelas 22h00. Tanto mar, porque o alecrim além do gosto e do cheiro é sonoro e pode ser trabalhado num contexto histórico-sociológico, pá.  “(…) // Sei que há léguas a nos separar / Tanto mar, tanto mar / Sei também quanto é preciso, pá / Navegar, navegar //(…)”

resolução 110/2013… ou madera de deriva

[ter] 1 de outubro de 2013

RESOLUÇÃO: Este blogue está chato demais. mas bem na verdade devo ser eu que estou chateado/r. lembrete/resolução: ESCREVER POST NOVO AQUI SÓ QUANDO TIVER COISAS GENIAIS E INTERESSANTES (ou quase). ‘té.

As rotinas seguem cá para te perderes enquanto me procuro:

Dia #1 a origem da palavra; madera de deriva, sala de aula me anima; Dia #2 letra bastão, faço uso dela desde 1995, guardando a cursiva para dias de provas de concursos/vestibulares apenas – e repara que minha letra cursiva não tão feia não; estou [quase] de veisalgia, ontem foi uma sobredose de the pillars of the earth; Dia #3 “é muito provável que o patronímico ibérico -ez seja um fóssil lingüístico.”; Dia #4 após um dia inteiro dormindo… um chá de camomila e mais um pouco de word without end… um mergulho na inglaterra do séc. xiv – guildas, peste negra e guerra dos cem anos… “quão amabilíssimo me eras mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres“; e pela noite, batendo ponto, em reunião com o professorado sobre os alunos, a avaliação dos educandos é uníssono: “ele é legal [eu], mas é difícil acompanhar o seu raciocínio… muita coisa ao mesmo tempo”, ou seja, traduzo aqui: “está uma zona”, usando uma expressão apropriada – mas essa bagunça na exposição dos temas, na organização deles, da sala já é sabida e digo mais… é da vida, da casa, da rotina, do próprio ser… esse cara que muda de ideia a cada dez minuto, não se decide nunca e tudo o cansa muito rápido.  e no final da noite eu não sabia bem o que me abatia, se era estar no meio das pessoas – e festas são rituais que me deixam desconfortável – ou estar sem rumo e ao lado de pessoas estranhas – porque insisto em mantê-las estranhas. Enfim… volto sozinho sempre porque é difícil abrir este peito repleto de cicatrizes profundas. Dia #5 foi assim assim… livre para lavar louça, roupa e fabricar um canteiro, transplantar grama e construir uma escadinha com pedras. Dia #6 O texto é esse: “Certamente a gente só encanta quando se encanta. Se eu não estiver encantado com o meu objeto de conhecimento, eu não posso encantar o outro. No sentido não de fetiche, mas de sedução gnoseológica. Há um jogo de sedução, mas só é sedutor quem já está seduzido. Ou seja, há tanto mais charme quanto mais charme eu achar que há.”  de Mario Sergio Cortella – Nos labirintos da Moral. e cá… Indeciso. Dia #7 Sol da porra, dia lindo, e eu dormindo até o meio-dia. Ouço mais música… tom zé, cartola, jorge drexler, manel, orquestra che são as vozes ecoando neste crânio… Não recebo bem críticas, racionalmente as entendo, mas emocionalmente é mais difícil de lidar com elas, de um lado a compreensão, a analise, do outro o medo e revolta nas entranhas. E hoje, recebo um retorno positivo, um elogio, de um texto que sei que ficou assim assim por ter deixando para o ultimo segundo do ultimo tempo da prorrogação. Talvez meus padrões sejam exagerados e meu animo diminuto… Mas animou-me, o retorno, e é como se precisasse ainda de um reforço externo que chancelasse o meu potencial. Potência ignorada por estar tão descrente de mim e de tudo. É nisto que tenho pensado muito ultimamente… E cambiando de assunto totalmente pergunto como é possível que eu escreva aislado num texto em português, que mania essa de inventar leis próprias e desconsiderar convenções? E cambiando mais e mais… isto aqui é bacana e isto também. 8 horas e 43 minutos para entregar (segundo prazo) a tarefa… e eu nem li nada, vou sair e volto só lá pela oito, vai ser corrido. Hein? /// Ela disse nego / Nunca me deixe só / Mas eu fiz de conta / Que não ouvi, Hein? // Ela disse: – orgulhoso / Tu inda vai virar pó / Mais eu insisti / Dizendo Hein? // Ela arrepiou / E pulou e gritou / Este teu – Hein? – moleque / Já me deu – Hein? – desgosto / Odioso – Hein? com jeito / Eu te pego – Ui! bem feito / Prá rua – sai! – sujeito / Que eu não quero mais te ver // Eu dei casa e comida / O nego ficou besta / Tá querendo explorar / Quer me judiar / Me desacatar /// Compositor: Tom Zé – Vicente Barreto.  Agora são 21:32 e faltam apenas 2 horas e 22 minutos – contagem regressiva – prazo final… E depois narro os encontros-desencontros de hoje, com direito a abraços e olhares, e do final de tarde bonito demais, e da lua nova no céu aberto, e dos olhares – quase – constrangidos, em fuga, e dos olhos perscrutadores. E Ufa [23:54’46]! menos 14 segundos e eu não conseguiria entregar… Dia #8 eu gosto de horóscopo. eu não narrarei os encontros-desencontros de ontem, apenas digo que foi um dia bonito. E as segundas eram de Maiakovski, é bom reencontra-lo. [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado diariamente com anotações diversas – cumprindo assim sua função de ser um weblog, um caderno de apuntamentos, um bloco de notas – enquanto aguardo o momento…]; …

cadê a barba

[seg] 8 de julho de 2013

esses humores, essas dores… na segunda-feira, na terça-feira e na quarta-feira cansei tanto que toda a reserva de humor para encarar a vida evaporou. pega isto tudo e coloca uma porção de dor na coluna, que vai e volta, e uma pitada de dente que inflamado; e lá vou eu entupir-me de drogas. e disto tudo deu uma vontade ficar guardado tão grande que só na sexta voltei a viver. estou ainda de ressaca por andar faltando tanto e não ter tesão algum para tocar as coisas básicas.

fora isto, ainda há o desprazer de ver  que a vizinha mandou o jardineiro limpar o seu terreno, dela, e uma parte do meu verde sumiu… os pássaros fugiram, o sol chegou, a tranquilidade de jade virou um cemitério de galhos e folhas mortas. e agora é uma casa toda vidrada, quase um edifício, um farol, olhando para minha toca todo dia… não gostei.

andei faltando bastante ao trabalho e fico me pergunto: qualé?! porque isto?! não é de hoje que faço isto, na graduação quando estava em crise andei faltando um tanto… mas a pergunta é: que crise é essa? e se o negócio for não ser professor… ser o quê carapálida? acho que é um pouco isto… porque o hoje sem olhar para o horizonte fica muito hoje e isto tudo é muito pesado.

fiz a barba porque estava cansado de olhar para a mesma cara cheia de pelos no espelho. o povo até apostou – ele tira ou não tira… dois anos sem raspar os pelos.

e viu.. nada de sentimentos do azul profundo, apenas a superfície metalizada deste homem lata. leio graciliano ramos e uma biografia sobre  volodia mayak.

este texto todo ‘tá uma bosta. o relógio já vai virar…

atualizei isto aqui ~~~~~~

e aquele projeto amiúde: como tantos outros que começo e abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono para começar outros que abandono  para começar outros… já era – está em modo apagand…

ps: antes de deletar lá, copio e colo cá: já terminei um, avancei bastante outros dois e os demais… empoeirados.

LISTA DE {re}LEITURAS NO MOMENTO [11/06/2013]:

#1. Mikhailov, Aleksandr Alekseevitch,  1905-1988. Maiakóvski — O Poeta da Revolucão. tradução Zoia Prestes. Rio de Janeiro: Record, 2008. 559 p. /estou na página 42.

#2. Saffioti, Heleieth Iara Bongiovani, 1934-2010. Gênero, patriarcado, violência. 1ºed. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004.  152 p. (Coleção Brasil Urgente). / estou na página 52.

#3. Lênin, Vladimir Ilitch, 1870-1924. Imperialismo, estágio superior do capitalismo: ensaio popular. 1ª ed. – São Paulo: Expressão Popular, 2012. 176 p. / estou na página 14.

#4. Galeano, Eduardo H. 1940- . As veias abertas da América Latina. tradução de Sérgio Faraco. Porto Alegre, RS: L&PM, 2012. 400 p.; 18 cm (Coleção L&PM POCKET; v.900).  / estou na página 229.

#5. Peloso, Ranulfo (org.). Trabalho de base: seleção de roteiros organizados pelo CEPIS. São Paulo: Expressão Popular, 2012. 152 p. / estou na página 25.

#6. Novack, George, 1905-1992. Introdução à lógica marxista. tradução de Anderson R. Féliz. São Paulo: Editora Instituto José Luis e Rosa Sundermann, 2005. 120 p. / estou na página 40.

#7. Ramos, Graciliano, 1892-1953. Angústia. São Paulo: Folha de S.Paulo, 2003. 220 p. / estou na página 47.

#8. Fernandes, Florestan, 1920-1995. Nós e o marxismo. São Paulo: Expressão popular, 2009. 64 p. / estou na página 48.

depois que eu me encontrar…

[qui] 7 de fevereiro de 2013

Deixe me ir preciso andar. Vou por ai a procurar. Rir para não chorar (…)
Quero assistir ao sol nascer. Ver as águas dos rios correr. Ouvir os pássaros cantar. Eu quero nascer, quero viver
Se alguém por mim preguntar. Diga que eu só vou voltar quando eu me encontrar

Depois que eu me encontrar …

Preciso me Encontrar
Letra: Candeia
Música: Cartola
Album: Cartola (1976)

Se eu pudesse ficar em casa. Só. Mas lá vou eu trabalhar… E um tanto atrasado na vida. Há um nó aqui (canoas ficando para trás… e rumos novos pela frente).

eu era um lobis…

[qua] 7 de novembro de 2012

Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo…

O que você vai ser,
Quando você crescer?

níquel náusea de fernando gonsales

 

 

 

 

 

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Se o mundo é mesmo
Parecido com o que vejo
Prefiro acreditar
No mundo do meu jeito
E você estava
Esperando voar
Mas como chegar
Até as nuvens
Com os pés no chão…

AGORA PEGAR O ÔNIBUS E IR… LÁ PAGAR AS INSCRIÇÕES.

o colecionador de pedras perdidas

[qui] 7 de abril de 2011

coleciono pedras perdidas. as encontro perdidas e as guardo. as perco e as guardo, enfim, na minha coleção de pedras perdidas.

e poderia dizer do dia lindo que foi e do prazer de estar percorrendo tal caminho. mas não seria de todo honesto se deixasse de mencionar que lá no fundo, e de forma covarde, torci para que atrasasses, e que algo nos separasse e que os sexos não se encontrassem.

quis por tantas vezes qualquer coisa cômoda como um caminho só ou qual esta cadeira e estas teclas que escorrem e falseiam. mas a vida é feita de pedras, de lodo, de altos e baixos, de areia, de sal, de barulho, de mar, de vísceras, de passos, de cansaço. a vida é feita desses dias tão azuis sem nuvens. a vida não desfaz tão rápido as cucas nubladas: é preciso mais vida. porque a vida é feita de passagens. a vida são essas pedras sempre perdidas – mesmo até quando alguém, aleatoriamente, tenta coleciona-lás.

sete dias

[seg] 7 de fevereiro de 2011

ela / a dona da casa.

/ matheus voltou hoje / até quinta ele mudará / e ai só rigoberta e eu nesta casa. / extrai dois cisos quinta / minha boca ainda está desconfortável / sábado descobri que trabalharei todos os dias das 18h até 1h. / exceto nas sextas-feiras. / isto sinaliza mudanças nos planos / menos rua, mais casa. / comecei a construir isto. / e um tanque de evapotranspiração / e… / sem muito animo para escrever… / me sinto bem, mas um pouco desconfortável. / agora chove… / sem sono. / ela dorme do meu lado.

educação para a contestação e para a resistência…

[ter] 7 de dezembro de 2010

Poderia escrever tantas coisas. mas… que boníssimo poente, hoje, nesta ilha, neste dia de chuva e tranquilidade. bonito. bonita. e sobre as leituras e sacadas [dias assim nos fazem sentir que a estupidez civilizada não é presente o tempo todo. #twitter]… será?!

Pessoas que se enquadram cegamente no coletivo fazem de si mesmas meros objetos materiais, anulando-se como sujeitos dotados de motivação própria […] Inclui-se aí a postura de tratar os outros como uma amorfa. Uma democracia não deve apenas funcionar, mas sobretudo trabalhar o seu conceito, e para isso exige pessoas emancipadas. Só é possível imaginar a verdadeira democracia como uma sociedade de emancipados. […] A única concretização efetiva da emancipação consiste em que aquelas poucas pessoas interessadas nesta direção orientem toda a sua energia para que a educação seja uma educação para a contestação e para a resistência.” [Excerto do texto ‘Educação após Auschwitz’, contido na contra-capa do livro ‘Educação e Emancipação’ de Theodor W. Adorno]

Adorno tem me feito refletir tanto. E transa tanto este meu momento de reflexão e ardente desejo de superar este ‘coração mudo‘, enquanto individuo e enquanto ser social, porque isto é indissociável. Tantos poemas e idéias e desejos e lágrimas e medos e dor fazem todo sentido, ou melhor, são esclarecidos. E a culpa [e em certo sentido o sentimento de não-emancipação ou não-autonomia] – já disse isto aqui antes – seja a culpa internalizada em si,  e para si, promovendo toda sorte doenças; ou exteriorizada no outro, na ‘fronteira’; enfim, a culpa perde totalmente o sentido.  O sentido é outro, algo próximo a uma dor funda, mais funda que o canto de um pássaro em morte, mas também libertadora porque havendo a dor e medo, sem máscaras e recalques, há o direito de conquistar algo que não seja dor – o amor, talvez. E a cada dia que passa me acerco mais da seguinte reflexão… 1) Não importa tanto o que dizemos, e sim o que fazemos, ou seja, a ação, de amor ou de ódio, produz muito mais do que o discurso abstrato [que a Acadêmia vai cheia…]. Em si, o próprio discurso é expressão da ação, é uma ação, em sentido profundo.  2) Quase sempre o que dizemos, ou pensamos que estamos dizendo, não confere com o que fazemos. Ignoramos, deliberadamente, nossa estupidez cotidiana e civilizada.

Tendências de regressão – ou seja, pessoas com traços sádicos reprimidos – são produzidas por toda parte pela tendência social geral. Nessa medida quero lembrar a relação perturbadora e patogênica com o corpo que Horkheimer e eu descrevemos na ‘Dialética do esclarecimento’. Em cada situação em que a consciência é mutilada, isto se reflete sobre o corpo e a esfera corporal de uma forma não-livre e que é propícia à violência. Basta prestar atenção em um certo tipo de pessoa inculta como até mesmo a sua linguagem – principalmente quando algo é criticado ou exigido – se torna ameaçadora, como se os gestos da fala fossem de uma violência corporal quase incontrolada. […] Tudo isso tem a ver com um pretenso ideal que desempenha um papel relevante na educação tradicional em geral: a severidade. Esta pode até mesmo remeter a uma afirmativa de Nietzsche, por mais humilhante que seja e embora ele na verdade pensasse em outra coisa. Lembro que durante o processo sobre Auschwitz, em um de seus acessos, o terrível Boger culminou num elogio à educação baseada na força e voltada à disciplina. Ela seria necessária para constituir o tipo de homem que lhe parecia adequado. Essa idéia educacional da severidade, em que irrefletidamente muito podem até acreditar, é totalmente equivocada. A idéia de que a virilidade consiste num grau máximo de capacidade de suportar dor de há muito se converteu em fachada de um masoquismo que – como mostrou a psicologia – se identifica com muita facilidade ao sadismo. O elogiado objetivo de ‘ser duro’ de uma tal educação significa indiferença contra a dor do outro e a dor de si próprio. Quem é severo consigo mesmo adquire o direito de ser severo também com os outro, vingando-se da dor cujas manifestações precisou ocultar e reprimir. Tanto é necessário tornar consciente esse mecanismo quanto se impõe a promoção de uma educação que não premia a dor e a capacidade de suportá-la, como acontecia antigamente. Dito de outro modo: a educação precisa levar a sério o que já de há muito é do conhecimento da filosofia: que o medo não deve ser reprimido. Quando o medo não é reprimido, quando nos permitimos ter realmente tanto medo quanto esta realidade exige, então justamente por essa via desaparecerá provavelmente grande parte dos efeitos deletérios do medo inconsciente e reprimido. [Idem, pp. 126-129.]

***

HOJE, e outros dias, pela manhã, e por outras horas, li isto e colo abaixo:

O historiador comprometido com as lutas populares perante a história oficial

Aos intelectuais comprometidos cabe a missão de contribuir para a formação tanto de militantes combativos quanto de lideranças

Não existe História neutra ou História que seja uma mera reprodução dos fatos ocorridos em determinado momento histórico. O fato histórico é sempre uma escolha do historiador, um recorte feito por ele e que reflete sua subjetividade, seu posicionamento diante do mundo e daquela realidade que está sendo por ele descrita. Não há duas narrativas de um mesmo acontecimento que sejam iguais ou coincidentes. A História é uma construção, construção esta que pode ter maior ou menor compromisso com a evidência, mas na qual existe sempre uma carga indiscutível de subjetividade. Numa sociedade atravessada, e movida, por conflitos sociais, ou seja, numa sociedade onde há explorados e exploradores, onde há, portanto, classes antagônicas, a História é sempre uma construção que reflete os interesses dos grupos sociais dominantes, que controlam os meios de comunicação. Em outras palavras, a História é uma construção das classes sociais que detém o poder e os meios de comunicação. E isso é verdade, mesmo quando tal situação é mascarada, não estando explicitada, quando não é evidente. Por isso mesmo, o historiador, aquele que se propõe a compreender e explicar os fenômenos que têm lugar nas sociedades humanas, precisa ser um questionador, uma vez que ele, sendo um personagem do seu tempo, inserido em determinada sociedade de uma determinada época, não é nem pode ser neutro. No máximo, conseguirá manter uma neutralidade aparente. Nos dias de hoje, a luta ideológica é a principal forma da luta de classes, que não deixará de existir enquanto perdurarem o capitalismo e a exploração do homem pelo homem. As classes dominantes buscam a hegemonia através do consenso. Mas, quando necessário, apelam para a coerção. Eis a razão por que a elaboração da História Oficial adquire uma importância crescente nas sociedades contemporâneas. Trata-se de proclamar e difundir as vitórias e os sucessos alcançados pelos donos do poder, de hoje e do passado, nos permanentes conflitos sociais presentes na história mundial. Trata-se de consagrar o capitalismo. Em contrapartida, os ideais e as lutas dos setores, que não obtiveram êxito em seus propósitos revolucionários e transformadores e, muitas vezes, sofreram duras derrotas, são, segundo a lógica da História Oficial, esquecidos, silenciados, deturpados e combatidos. Em nossas sociedades contemporâneas, são os intelectuais comprometidos com a burguesia que cumprem a função de produzir tal História Oficial. Dessa forma, são consagradas inúmeras deformações históricas, inúmeras inverdades históricas e silenciados numerosos acontecimentos que não são do interesse dos setores dominantes que sejam do conhecimento da grande maioria das pessoas e, em particular, das novas gerações. Entretanto, a hegemonia das classes dominantes nunca é absoluta, pois a exploração capitalista e o agravamento dos conflitos sociais levam ao surgimento de intelectuais comprometidos com os interesses dos trabalhadores, dos explorados e dos oprimidos. Observação fundamental para quem, como nós, quer contribuir para a construção de uma outra História, uma História comprometida com a evidência, uma História que possa, portanto, ajudar na elaboração de propostas libertadoras e de emancipação da grande maioria dos homens e mulheres explorados, oprimidos e subordinados na sociedade capitalista em que vivemos. O historiador comprometido com tal proposta – e também o professor de História, responsável pela formação das novas gerações – poderá transformar-se num intelectual a serviço dos interesses populares, dos interesses da maioria do povo brasileiro, se estiver atento para a postura militante que deve assumir diante da História Oficial, produzida pelos intelectuais comprometidos com a burguesia. Nesse esforço, parece-me importante resgatar a memória daqueles que lutaram por justiça social, mas não conseguiram alcançar a vitória, deixando, entretanto um legado importante para as gerações subsequentes. A respeito, gostaria de citar dois autores – o poeta francês e resistente durante a ocupação nazista da França, Paul Eluard e o intelectual inglês do final do séc. 19, William Morris.

Paul Eluard: “Ainda que não tivesse tido, em toda minha vida, mais do que um único momento de esperança, teria travado este combate. Inclusive, se hei de perdê-lo, outros o ganharão. Todos os outros.”

William Morris: “A Comuna de Paris não é senão um elo na luta que teve lugar ao longo da história dos oprimidos contra os opressores; e, sem todas as derrotas do passado, não teríamos a esperança de uma vitória final.”

Finalmente, gostaria de destacar o papel dos intelectuais – e, em particular, dos historiadores e professores de História – junto aos movimentos populares, mas principalmente nas escolas, nas salas de aula e no trabalho de pesquisa histórica, no sentido de formar jovens questionadores, cidadãos que não aceitem o consenso dominante, que estejam dispostos a se contrapor à hegemonia dos setores dominantes. Aos intelectuais comprometidos com as lutas populares cabe a missão de contribuir para a formação tanto de militantes combativos quanto de lideranças orientadas para uma perspectiva de elaboração de uma alternativa de emancipação social para nosso povo, perspectiva que, a meu ver, só poderá ser socialista. Mas um socialismo que não seja “nem cópia nem decalque, mas sim criação heroica” do nosso povo, nas palavras de um grande revolucionário latino-americano – José Carlos Mariátegui. Anita Leocádia Prestes.

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É por ação que os homens se definem” Caio Prado Jr.

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NÃO TENHA MEDO // Tenha medo não, tenha medo não, tenha medo não. / Nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo. / Nem um não, nem um sinal, nem um ladrão, nem uma escuridão, nada é pior do que tudo que você já tem no seu coração mudo… / Tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo. / Nem um cão, nem um dragão, nem um avião, nenhuma assombração. / Nada é pior do que tudo que você já tem no seu coração mudo… / Tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não. / Nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo. / Nem um chão, nem um porão, nem uma prisão, nem uma solidão… / Nada é pior do que tudo que você já tem no seu coração mudo… / Tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo… / Não tenha medo não, tenha medo não, tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo, nada é pior do que tudo… / Não tenha medo não, tenha medo não, não tenha medo não, tenha medo não, nada é pior do que tudo… // Caetano Veloso.

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O homem e o boi – Editorial da Folha de São Paulo de terça-feira, 30 de novembro de 2010.

Depois da crise econômica, a Europa agora conhece a crise social. Um após o outro, os países europeus caem.
Antigos modelos de desenvolvimento até então vendidos como exemplo de sucesso, como a Irlanda (o “tigre celta”), expõem a olhos nus o apodrecimento de seu sistema financeiro. Outros, como Portugal, mostram claramente como não tinham nenhuma margem de manobra para se contrapor à “desconfiança do mercado”. Países como o Reino Unido anunciam a supressão de 400 mil empregos no serviço público e o fim efetivo da educação pública universitária. A França parte para a milésima reforma da sua previdência social.
Diante de tal situação de catástrofe que parece nunca terminar, todos os países europeus conhecem só uma resposta: “plano de austeridade”. A escolha da palavra é uma pérola. Afinal, quem poderia ser contra a retidão moral da austeridade a não ser crianças mimadas, acostumadas ao desperdício e àquilo que um ministro britânico teve a coragem de chamar de “cultura da dependência”, produzida, segundo ele, pelo Estado do bem-estar social?
Mas é engraçado ver como nos escondemos atrás das palavras. Se quiséssemos realmente respeitá-las, “austeridade” deveria significar ser austero e duro contra aqueles que produziram tal crise, ou seja, o sistema financeiro.
Significaria não instaurar um verdadeiro “capitalismo de espoliação”, no interior do qual o sistema financeiro espolia o Estado chantageando-o com a ameaça da propagação de uma crise que, no fundo, já se propagou. Significaria não pegar dinheiro do povo para pagar “stock-options” de executivos especialistas em maquiar balanços. Melhor seria decretar moratória, controle estrito de capitais e, se necessário, quebra de contratos.
Mas os governos europeus preferem transformar a “austeridade” em uma cortina de fumaça que visa esconder o mais brutal processo de pauperização social e de desmantelamento de redes de assistência que o continente conheceu. Tudo isso embalado em uma xenofobia cínica, que tenta fazer acreditar que o problema está na fronteira, quando ele está no coração da City.
Contra isso, vemos as populações europeias radicalizando sua insatisfação através de greves gerais e manifestações constantes.
Certamente, este é apenas o começo. A era das mobilizações volta paulatinamente.
Porque logo os europeus aprenderão a beleza da poesia de Torquato Neto, o mesmo que escreveu: “Leve um homem e um boi ao matadouro; aquele que berrar é o homem.
Mesmo que seja o boi”.
O que faz do homem um homem é sua capacidade de gritar quando quem o governa lhe oferece a pura e simples imagem do matadouro.
[Vladimir Safatle]

 

el despertar de la historia

[dom] 7 de novembro de 2010

camisa amarela

[qui] 7 de outubro de 2010

hoje, pela janela do quarto.

o mar e a gaivota, num domingo de setembro.

e ary barroso porque é bonito e aviva o peito com saudades suas.

Camisa Amarela

Composição: Ary Barroso

Encontrei o meu pedaço na avenida de camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Convidei-o a voltar pra casa em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
Desapareceu no turbilhão da galeria

Não estava nada bom, o meu pedaço na verdade
Estava bem mamado, bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando se acabando num cordão
Com um reco-reco na mão

Depois o encontrei num café zurrapa do Largo da Lapa
Folião de raça bebendo o quinto gole de cachaça
Isso não é chalaça!

Voltou às quatro horas da manhã mas só na quarta-feira
Cantando “A jardineira”, oi, “A jardineira”
Me pediu ainda zonzo um copo d’água com bicarbonato
Meu pedaço estava ruim de fato pois caiu na cama e não tirou nem o sapato

Roncou uma semana
Despertou mal-humorado
Quis brigar comigo
Que perigo, mas não ligo!

O meu pedaço me domina
Me fascina, ele é o tal
Por isso não levo mal
Pegou a camisa, a camisa Amarela botou fogo nela
Gosto dele assim
Passou a brincadeira e ele é pra mim, meu senhor do bomfim

Gosto dele assim
Passou a brincadeira e ele é pra mim

7 de agosto

[sáb] 7 de agosto de 2010

ando sentindo muita raiva.
ps. não guarda-la dentro de mim.

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