Archive for the '06' Category

minha lua negra em capricórnio… e uma social hangover

[dom] 6 de agosto de 2017
«Os seres humanos têm mil facetas e mil máscaras que usam de acordo com as circunstâncias e as fortunas do jogo da vida… e às vezes nem a gente mesmo conhece quem a gente é na lua.»

só queria deixar registrado que fiz um monte de coisas sem pensar nas consequências; e mais uma vez agi de forma totalmente impulsiva e aleatória, e não queria entrar em parafuso tentando equacionar: o que outros vão pensar; e como eu vou pensar e agir a partir de como eu gostaria (minha expectativa ideal), deveria (a expectativa social) e poderei concretamente a partir do que foi experimentado, e seus efeitos colaterais provocados ora inimagináveis.

eu estou exausto. exagerei. fui além do que deveria. e agora? três garrafas de vinho é muito. meu corpo sente o efeito até o momento. e se você para pensar na loucura, que é agir como um garoto sem noção, você enlouquecerá. sentir-se vivo é bom, mas o que é feito é feito e o que virá… há de vir e isto é tudo.

aceite o imponderável, e apenas não simule afeição e afetação.

cara, seja honesto consigo. seja franco e olhe dentro de suas contradições… tu é isto, essa anarquia violenta, esse buraco negro, esse canibal mastigando gente… e cedo ou tarde tu vai estragar tudo.

zera e segue… amanhã é segunda. amanhã a gente se vê e ri das insanidades.

e publica isso e vai lavar a louça.

 

 

ser mais que uma besta de carga

[qui] 6 de abril de 2017

11h04 só para registro:

dormi mal. o corpo não aguentou e desmaiou… acordei todo quebrado e um pouco cansado. acordei tarde. derrubei o pote de moedas antigas. quase furei o olho na bomba do mate. percebi que o vencimento de duas contas não era hoje, como eu imaginava… foi ontem, pagavéis somente na caixa, que merda. não fechou nem a primeira semana do mês e já estou devendo pra umbando de gente. triste.

sem contar as 5oo avaliações sobre a mesa me esperando…

***

14h42 outras notas:

mateei, almocei, organizei os papeis por turma… carai… é muita coisa. mas não toquei em nada. sigo me enrolando… deixando as horas passarem. tirei essa citação abaixo da timeline do didi

«O tempo é o campo do desenvolvimento humano. O homem que não disponha de nenhum tempo livre, cuja vida – afora as interrupções puramente físicas, do sono, das refeições etc. – esteja toda ela absorvida pelo seu trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e brutalizada intelectualmente, para produzir riqueza para outrem. E, no entanto, toda a história da indústria moderna revela que o capital, se não tiver um freio, tudo fará, implacavelmente e sem contemplações, para conduzir toda a classe operária a esse nível de extrema degradação». “Trabalho assalariado e capital & salário, preço e lucro” de K. Marx (Ed. Expressão Popular)

23h32 nota final.

numa noite debatendo sobre avaliação (e nos insurgindo contra a normativa do governo), mas que no frigir dos ovos… não tocamos em nenhum ponto dessa fala abaixo, lida por acaso, por agora (pra ser honestos, passamos muito longe – anoto para o dia em que eu ressuscitar):

Diz que numa aula não se aprende nada, que os exames são o método mais falível que existe, que chumbar é a prova que a escola não funciona. O que pode ser diferente? Como se avalia um aluno?
A afirmação é radical. Mas toda a regra tem exceção. Aprendi Francês escutando aula, porque me apaixonei pela professora. A aprendizagem é antropofágica. Não se aprende o que o outro diz, apreendemos o outro. Um professor não ensina aquilo que diz, transmite aquilo que é. Poderá acontecer aprendizagem em sala de aula, se forem criados vínculos e esses vínculos não são apenas afetivos, também são do domínio da emoção, da ética, da estética… O que dizer da avaliação? Que quase não existe, nas escolas. Um ministro de má memória introduziu mais exames no sistema. Mais exames não melhoram o sistema, porque não é a preocupação com o termómetro que faz baixar a temperatura. O teste é o instrumento de avaliação mais falível que existe. Conceber itens de teste, garantir fidelidade e tudo mais é um exercício extremamente rigoroso, assim como assegurar que as condições são as mesmas para todos quando se aplica o teste. Além disso, corrigir o teste também introduz uma subjetividade enorme. Esses instrumentos de avaliação apenas «provam» a capacidade de acumulação cognitiva, de armazenamento de informação em memória de curto prazo, para debitar no exame e esquecer.

Qual é então o modelo de avaliação que preconiza?
A avaliação praticada na Ponte e no Projeto Âncora é aquela que a lei estabelece: avaliação formativa, contínua e sistemática. Em muitas escolas aplica-se o teste e dá-se uma nota sem saber o que se faz. Há quem confunda avaliação com classificação e dê a nota a partir dos resultados dos testes.

extraída de:  José Pacheco: «Procurem nas escolas professores que ainda não tenham morrido». disponível em: http://www.noticiasmagazine.pt/2017/jose-pacheco/

janaína é passageira…

[seg] 6 de março de 2017

«Janaína é passageira, passa as horas do seu dia em trens lotados, filas de supermercados, bancos e repartições que repartem sua vida. Mas ela diz que apesar de tudo ela tem sonhos… Ela diz que um dia a gente há de ser feliz» Janaína. Biquini Cavadão.

***

Ando a esquecer coisas pela vida. esqueci objetos e parte significativa de mim por aí, o dia todo. foi um dia longo. estressante. cansativo. e ausente. o trabalho pedagógico, excetuando os 3 terceiros da manhã, foi uma bosta durante a tarde e a noite. me desentendi com 2 turmas (a ultima da tarde e a primeira da noite), e joguei a toalha em outras 7 turmas. não foi um bom dia.

ocupei espaços. não houve aula pela tarde e pela noite, apenas… apenas tentativa em algumas turmas e nas outras… contei o tempo.

você acorda as 5:30. chega em casa as 23:30.

it’s not good. it’s not enough.

checklist do retorno às escolas

[seg] 6 de fevereiro de 2017

ou a minha lista de verificações do retorno para mais um ano letivo.

1h00 – expectativa: estar dormindo. realidade:nada ainda – estou muito acelerado. obs. não durmo há 32 horas. desde sábado à tarde.

6h30 – expectativa: acordar. realidade: após cochilos leves, as 4h30 acordei. não consigo dormir. misto de ansiedade, e outros sentimentos difusos. possíveis causas: #1 medo de perder a hora no meu primeiro dia na escola nova #2 tem revirada a montanha de coisas anotadas, poemas, notas diárias, dos últimos dez anos. [ps: eu parei um tempo naquele poema que fiz pra ti. pensei ter ouvido a sua voz pela sacada de minha casa, aqui no meio das árvores, no alto desta montanha… parei um tempo tentando decifrar o que falavam, onde era a festa. misturei as coisas.]

7h10 – expectativa: sair de casa e pegar o busão de 7h15. realidade… sai era 7h20 e poucos. perdi o horário do ônibus.

8h00 – expectativa: estar na escola. horário marcada da reunião de apresentação. realidade:andei 3km. estou derretendo. o sol está cozinhando meus miolos. nem cheguei no terminal ainda. cheguei na escola era 8h40. a reunião começou 9h30. tomei café e socializei. mas o sono, os olhos doendo, a camisa encharcada, o corpo todo suado…

***

escola nova. novo passo. muitas pessoas novas. duas coisas [ou a síntese do turbilhão de coisas que passaram pela minha mente quando rolava na cama, quando caminha, quando estava no meio das pessoas….]:

  1. sou um cara que ainda sente uma irresistivel atração pelo isolamento. eventos sociais são desconfortáveis. me sinto estrangeiro. dolorosamente prefiro a solidão. é um hábito emocional. um tic social… sou o cara calado e esquisito. minha mente delira… e as pessoas no geral me dão tédio.
  2. pretendo mudar alguns hábitos. mas sozinho é tão dificil. as vezes o mundo não parece o buraco de um poço. as vezes o mundo é um poço, e agente segue em queda livre. lembrete importante: recuperar o lema: paciência e coragem. e buscar ajuda especializada.
  3. reencontrei o fábio, seremos companheiros de escola. vai ser bom ter a companhia dele, de sabrina, de ed. escola nova, mas pessoas próximas.

 

 

trebuchet de hashi

[ter] 6 de setembro de 2016

não. não há um manual aqui para a construção de um trebuchet, ou de um trabuco mesmo. hoje foi dia de feira cultural na escola… e entre os tantos trabalhos, a sonoridade, deste trebuchet de hashi, me soou interessante… fiquei um tanto decepcionado quando descobri que era apenas a miniatura, feita com hashis, de um trabuco. o trabalhinho foi interessante, bem explicado e tal…

mas confesso que fiquei um bom tempo tentando decifrar o que seria um trebuchet de hashi…

ps: se quiseres fazer um trebuchet de hashi para assaltar alguns castelos por aí… é só consultar o manual do mundo, que o Iberê Thenório te ensina.

***

no mais…

acordei cedo, apensar da cerveja de ontem. as 7h já estava acordado.

terminei de ler sobre Jean-Baptiste Bernadotte... interessante.

estou a reler «CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.»

para as aulas de sociologia que estou a ministrar neste bimestre.

lembrar que peguei este livro emprestado em 2008. e até hoje não devolvi. há cerca de 10 livros nesta condição por cá… mas tenho bem mais do que isto perdidos por ai…

***

durante o final de semana (e até hoje) sumi, e não fui ver amigos que estavam na cidade… agora o que escrever em resposta? que fiquei em casa trancado vendo filmes de woody allen, dormindo, organizando minhas aulas?!

***

não fui nos atos fora temer. agora o desafio é como trabalhar de forma mais satisfatória isto em sala de aula.

***

 

e o rabisco de hoje…

entre as palavras, conceitos, orações

teu cabelo negro percorreu a página

meus olhos se perderam do resto do mundo

apenas teu pelo era o fio, a linha, o sentido…

[voltar e trabalhar isto]

 

 

 

 

 

dodó & zezé

[seg] 6 de junho de 2016

https://www.youtube.com/watch?v=9hxs4hdEBYU

(1974 Tom Zé & Odair Cabeça de Poeta)

– E por que é que a gente tem que ser marginal ou cidadão?
Diga, Zezé.
É pra ter a ilusão de que pode escolher, viu, Dodó?
– E por que é que a gente tem que ter um medo danado de tudo na vida? Diga, Zezé.
É pra aprender que o medo é o nosso melhor conselheiro, viu, Dodó?
– Sorrisos, creme dental e tudo. E por que é que a felicidade anda me bombardeando? Diga, Zezé.
– Anda o que, Dodó?
– Anda me bombardeando.
Ah! É pra provar que ninguém mais tem o direito de ser infeliz, viu, Dodó?
– E por que é que um Zé qualquer de vez em quando tem que dar sete sopapos na mulher? Diga, Zezé.
Ah! Isso é pra no outro dia de manhã cedinho vender muito jornal, viu, Dodó?
– E por que é, e por que é, e por que é, e por que é? Diga, Zezé.
– É purque purque, purque purque, purque purque, purque purque,
viu, Dodó?

***

finalizando a exibição do documentário criança, a alma do negócio, do maria farinha filmes, para as turmas de primeiro ano. está interessante… muito interessante.

PS: e tenho mais sorte que juízo. terça haverá obmep nas escolas.

reboot

[qua] 6 de abril de 2016

formatei… acabou. zero passado digital… ops, alguma coisa ficou na nuvem. mas a lição maior é… aquelas horas e horas organizando a minha vida agora não fazem o menor sentido porque o que havia já não há.

e da série: pensamentos estranhos de ontem

#1 me sinto um alienígena as vezes perto de meus parentes e familiares. como se fossemos de mundos diferentes… como pode ninguém saber desligar um computador?

#2 ali. no fundo da sala, observando aquelas pessoas se apresentando, estudantes, expondo-se, demonstrando sua personalidade perante um coletivo de expectadores, nem todos tão interessados, e eu observando, avaliando… e por uns instante, me desfazendo do papel de professor, internamente, estranhei tudo. vieram pensamentos bons e outros nem tanto… as velhas questões sobre educação e sociedade…e o que eu posso fazer com isto.

nine out of ten

[sáb] 6 de fevereiro de 2016

14h01… Caetano cantando na radio que as estrelas lhe fazem chorar e que ele segue muito vivo… estamos vivos? E eu aqui, acordando as 13h30 depois de uma longa ressaca. A cabeça ainda assolada por monstros do tamanho de camundongos. Mas calma lá… ansiedade por cousas que não se resolveram agora é perda de tempo e de energia. Vou mexer o esqueleto… e fazer pequenas coisas. O segredo nessa hora é não pensar muito. Não pensar em nada.

evaporar

[qua] 6 de janeiro de 2016

Tempo a gente tem / Quanto a gente dá / Corre o que correr / Custa o que custar / Tempo a gente dá / Quanto a gente tem / Custa o que correr / Corre o que custarO tempo que eu perdi / Só agora eu sei / Aprender a dar / Foi o que ganhei / E ando ainda atrás / Desse tempo ter / Pude não correr / Dele me encontrar / Ah não se mexeu / Beija-flor no ar // O rio fica lá / A água é que correu / Chega na maré / Ele vira mar / Como se morrer / Fosse desaguar / Derramar no céu / Se purificar / Ah deixa pra trás / Sais e minerais, evaporar! / Rodrigo Amarante.

porque tudo que anotei até agora esperará para brotar numa postagem futura-passada, daquelas que nascem amanhã, mas são de ontem… porque não tenho monitor, internet e eu estou uma bagunça.

sputnik planum

[dom] 6 de dezembro de 2015

e o ano chegou ao fim.

adriano recuou, conversamos amigavelmente, nos abraçamos e tiramos encaminhamentos… vou atrás de assessoria jurídica para avançar na troca registral de paternidade… e agora o registro de izabel ganha nova fase. avanço mais um momento nesta história de ser pai.

e ontem, cedo, soube que andré, meu aluno, se matou poucas horas antes… e ficou tanta coisa passando pela minha cabeça. quantas vezes eu quase cheguei lá… mas ainda estou aqui. não morri. e izabel é dos laços que me prendem neste plano… sem ela talvez eu estivesse como andré… noutro plano. vá em paz andré.

eu não consigo dormir cedo.

estou todo embaralhado…

preciso mudar um monte de coisas na minha vida… reagir. mas nestes dias as coisas não tem sido práticas… sinto vontade de escrever, dizer ao mundo, que me sinto chocado com tanta estupidez ao redor…

queria ir para sputnik planum.

a dor…

[seg] 6 de julho de 2015

minha avó… a única que tive contato.

acabou de falecer.

e meu irmãozinho entrará em operatório em menos de doze horas para retirar uma calcificação no cérebro…

o dia, que começa por agora, é doloroso e angustiante. e é preciso ser forte… minha dor maior é ver o estado de minha mãezinha.

 

kalu

[sáb] 6 de junho de 2015

sabe quando você demora para dormir porque tua cabeça está girando sem parar em muitos pensamentos… coisas que não deviam estar lá as três da manhã… algo do tipo que caminho seguir? como dizer as palavras? se sigo em silêncio ou se aceno?

***

e ai pela manhã, cedo, tu é acordado pelo toque do telefone. alguém te acordou e não foi teu despertador. você estragou tudo. você ferrou o dia… os planos, os compromissos. você se desencontrou de alguém. você dormiu demais no ponto. você perdeu. e desapontou… você furou algo que poderia ter sido bacana… certamente seria.

***

e então, de forma indolor, pragmática… já que não vou sair mais. e terei mesmo que pedir desculpas pessoalmente mais tarde. não vou ficar na fossa por cá não. vou é escrever este textinho, registrar isto. ter claro… que, as vezes, por querer ou não, eu sou esse cara que deixa as pessoas na mão… em furadas. mas sem me apenar… vou tirar para mim este dia, e por tudo em ordem… tudo que deixei de lado nestes tempos de greve. e tentar fazer desse dia algo mais pragmático e menos sonhador…

mesmo que minha cabeça insista em ficar girando e haja esse monte de coisas engasgadas aqui que precisam ser ditas…

***

tentei encontrar aquele trecho em que chico buarque canta humberto teixeira… para falar sobre as coisas tácitas, sobre nossas palavras ditas, não ditas, esperadas, e por serem ditas…

Kalu /// Composição: Humberto Teixeira // Kalu, Kalu / Tira o verde desses óios di riba d’eu / Não me tente se você já me esqueceu / Kalu, Kalu / Esse oiá despois do que se assucedeu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu / Com franqueza só não tendo coração / Fazê tar judiação / Você tá mangando di eu /.

e lembrei desta canção aqui também: Que Nem Kalu.

ps: vou ali fora dar um giro no mundo… e quando voltar termino as notas que ficaram por publicar. e cada verbo encapsulado dentro de uma garrafa lançarei ao mar, desde esta ilha de única árvore, e seguirão, os verbos engarrafados rumo ao desconhecido… para o diálogo futuro com os seres de outros mares, doutras ilhas…

***

o sobre o diálogo gatuno {que tem me instigado um bocado}:

O GATO, poema de Mário Quintana

«O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara…hesita…avança…

Fita-me.
Fitamo-nos.

Olhos nos olhos…
Quase com terror!

Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.»

ODA AL GATO, poema de Pablo Neruda

«Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.

El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpiente quisiera tener alas,
el perro es un león desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.

No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.

Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.

Oh fiera independiente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundísimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y perteneces
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
propietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.

Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.»

***

e os próximos poemas?

estabelecidos e outsider

[sex] 6 de fevereiro de 2015

“Las personas no son extranjeras em sí mismas
sino para alguém o alguno que así as definen”
Olga Sabido Ramos

segue transcrição¹:

preciso escrever… porque hoje foi um dia longo, de esperas e reencontros. abaixo os fragmentos do dia:

0h00 [ou mais ou menos isso] – eu e luiza. ela com seus 9 anos e eu com meus quase 33. conversamos sobre coisa da vida e tivemos um pouco de paz². [nessas férias fui seu segundo pai. o cara que fica cuidando dela até a vó dela chegar em casa…]

1h00 [ou…] ela dorme no sofá. e ronca a criatura. sentirei falta dela quando ela for embora. ela bem parceira para jardinagem, caminhadas, contação de histórias, jogos…

1h30 [ou…] na teve passa moscou.

«eu quero ir para moscou…

(…) eu preciso saber da sua vida (…) razão de minha paz já esquecida (…) / peço alguém pra me contar sobre o seu dia (…) / como vai você? / que já modificou a minha vida / razão de minha paz já esquecida / (…) anoiteceu e preciso só saber / vem que a sede de te amar me faz melhor / eu quero amanhecer ao seu redor / preciso tanto me fazer feliz / vem que tempo pode afastar nos dois / não deixe tanta vida pra depois / eu só preciso saber… como vai você?»

[moscou, documentário de eduardo coutinho, ano 2009. grupo galpão, peça três irmãs, de tcherkhov; música de antônio marcos e mario marcos]

2h00 [ou..] dona ica, minha mãe chega, e sou dispensado do posto de adulto responsável pelos cuidados de luiza. vou para casa e tento dormir.

8h30 [ou…] era para o despertador ter tocado…

9h30 [ou…] era para eu ter levantado…

11h50 [ou…] era para eu ter pego o ônibus…

12h20 [ou…] era para eu ter chego. mas não cheguei. estou aqui cozinhando neste calor infernal. 3km andados e nenhuma carona.

13h00 [ou…] cheguei. era para eu ter dito algo mais ou menos assim: te trouxe a coisa mais bonita que posso te dar hoje: eu estar aqui de coração aberto para te amar. mas como sou rapaz tímido, só lhe dei uma abraço e trocamos algumas palavras. essa intimidade é um processo. esse é meu jeito. sou assim.. arrisco, arredio… no primeiro contato. mas sei que já fomos mais fundos.

14h00 [ou…] você iria ao boca, eu pagaria as contas de outros, regularizaria pendências contratuais e compraria a erva que falta.

16h00 [ou…] eu havia traçado planos… a) ingenuamente eu iria com você no bloco, se você fosse naquela hora, e realizaria meu corres antes de ir para escola, em alguma hora; b) nos despediríamos, momentaneamente, em sua casa, eu correria, e nos reencontraríamos no centro; c) eu partiria, faria meus corres e compraria um smartphone e um tênis [coisas que ando precisando]; mas nenhum plano deu certo. e estou neste momento d: estou tonto, cumprindo tarefas… mas meu perdido, assim, mais que barata tonta. ando para lá e para cá indeciso… me atordoei e estou lento – talvez eu devesse ter almoçado. e um parêntese aqui: sair de casa e de si mesmo permite a nós o reencontro com algo bonito. eu cumprimento amigos e pessoas estranhas. e levo comigo uma face tranquila e feliz, e acredito que esse rosto iluminado, contente, encoraja as pessoas a retribuir. é bonito isto… esse vínculo com o mundo… que quase sempre é tão impessoal. o mais bonito disto tudo é tua existência e esse sentimento que tenho por ti. sentimento este que me faz ser melhor quando me permito vive-lo e viver-me.

18h00 [ou…] eu deveria estar indo para escola…

19h00 [ou…] já deveria estar na escola… essas filas me roubam um pedaço da vida. mas eu roubo de volta… eu leio. quase sempre. e no momento é sobre “os estabelecidos e os outsiders” de norbert elias. já pensando nesse próximo ano letivo.

22h00 [ou…] já deveria estar em casa. mas estou aqui neste translado… andando quilômetros… a lua está cheia e linda; descobri a poesia de d. w. cavalcanti [que não encontrei nenhum link na rede. ps: encontrei, é que havia invertido o w. d.] e música de makalister renton [que achei que fosse mais bacana, mas não gostei não. ao menos não por agora.]

22h45. agora… já deveria ter terminado de escrever isto aqui. termino agora.

 

 

anotar escrito no texto.

eu sou bonito. não esquecer. não tenha vergonha de ser quem és. de demonstrar francamente. e de errar. não queira agradar.

«mon triste cœur bave à la poupe…» ou rimbaud e cortázar

[qui] 6 de novembro de 2014

«Agora sabemos que Arthur Rimbaud é um ponto de partida, uma das fontes por onde se lança ao espaço a árvore líquida da nossa Poesia. (…) Acontece que Rimbaud (e daí sua diferença básica com Mallarmé) é antes de mais nada um homem. Seu problema não foi um problema poético, e sim o de uma ambiciosa realização humana, da qual o Poema, a Obra, deviam constituir as chaves. Isto o aproxima mais que qualquer outra coisa de nós, que vemos na Poesia uma espécie de desenfreamento total do ser, sua apresentação absoluta, sua enteléquia. E além disso intuímos nessa conquista uma recompensa transcendente, uma graça que responde à necessidade inevitável de uns poucos corações humanos. (…)  Há uma diferença nem sempre notada entre o Rimbaud que escreve a ‘Lettre du Voyant’ e o Rimbaud dos anos posteriores, até a hora do silêncio. Toda reflexão de ordem estética, todo método explicitamente revelado, transmutam-se diretamente em Obra. Nem sempre esta corresponde àqueles. É como se ele, mesmo possuindo a chave, se lançasse pela janela. Os poemas, a partir de então, são diários de viagem. E que viagem! Não me parece, contra a opinião de  Marítain e outros, que Rimbaud buscasse um absoluto de Poesia. Sempre pensei que sua descida aos infernos — “Je me crois en enfer, donc j’y suis” — era uma tentativa de encontrar a Vida que sua natureza lhe exigia. O desespero, o insulto, a amargura, tudo o que o faz rebelar-se diante da existência burguesa que é obrigado a suportar são provas de que há nele um homem ansioso por viver; do contrário, teria adotado um procedimento eliminatório ou estóico, a retirada e o silêncio desdenhoso. Tudo isso desmorona no dia em que uma crise moral — elemento até então deliberadamente desprezado por ele, e que de repente vai à forra — leva-o a escrever ‘Uma temporada no inferno’, cuja leitura seria muito mais proveitosa que este ensaio para medir a profundidade  de uma alma e o fracasso de uma ambição. Findo esse dilacerante resumo de viagem, Rimbaud irá despertar para a sua nova existência de derrotado que admitiu a necessidade da resignação. Por que Rimbaud não se matou? É que, na verdade, ele se matou. O que resta dele é um costume de viver, de viajar; uma lembrança corporizada, um retrato vivo. Mas Arthur Rimbaud, poeta, havia morrido em seu quartinho de Roche, com suas últimas linhas: “et il me sera loisible de posséder la verité dans une âme et un corps”. Este paradoxal otimismo que resulta do balanço final não passa de um estímulo necessário para prosseguir a caminhada. (…)  O homem continua a sua passagem, mas agora é o homem à medida das coisas; não o ‘homem Rimbaud’ que ele, em sua boêmia tormentosa, alguma vez sonhou com o nariz grudado na janela, a mão mergulhada no cabelo rebelde e o “perfeito rosto de anjo no exílio” contraído num ricto de colérica esperança. (…) A aventura de Rimbaud é um ponto de partida para a dilacerada poesia do nosso tempo, que supera em consciência de si mesma qualquer outro momento da história espiritual; agora, sendo mais modestos, somos ao mesmo tempo mais ambiciosos; agora conhecemos a grandeza e a miséria dessa Poesia, intuímos suas fontes e buscamos suas camadas. Somos, neste sentido, os ‘voyants’ que ele reclamava. Será que o homem deixa por isso de correr o risco de ícaro? Não creio. Em todo poeta há uma fatalidade que o arrasta, uma “mania”. E se a tentativa nesta ordem está destinada a fracassar, se o absoluto não lhe pode ser dado, se o conhecimento poético, como o místico, é inexprimível, sua passagem nunca será vã.» Denis, Julio (pseudônimo). 1. Rimbaud (1945). In: Cortázar, Julio. Obra crítica, volume 2 / Julio Cortázar; organização de Jaime Alazraki; tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. – Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1999. p.13-20.

***

LE CŒUR SUPPLICIÉ

Mon triste cœur bave à la poupe…

A. R.

democratizar a democracia

[sáb] 6 de setembro de 2014

http://www.ces.uc.pt/publicacoes/res/1/1.php

rayuela

[ter] 6 de maio de 2014

«En ese segundo, con la omnisciencia del semisueño, medí el horror de lo que tanto maravilla y encanta a las religiones: la perfección eterna del cosmos, la revolución inacabable del globo sobre su eje. Náusea, sensación insoportable de coacción. Estoy obligado a tolerar que el sol salga todos los días. Es monstruoso. Es inhumano. Antes de volver a dormirme imaginé (vi) un universo plástico, cambiante, lleno de maravilloso azar, un cielo elástico, un sol que de pronto falta o se queda fijo o cambia de forma.
Ansié la dispersión de las duras constelaciones, esa sucia propaganda luminosa del Trust Divino Relojero.»

JULIO CORTÁZAR, RAYUELA.

*

PARA DIAS NÃO PRÁTICOS, A PRÁTICA DA POESIA.

exercício ansioso

e aqui: enquanto entro em becos sem saída e sem saber, tateando a escuridão e sentindo o trator humanoide da ansiedade globalizada zunir no interior de meus ouvidos cósmicos e revoltar cada espaçotempo de minhas vísceras… e onde o dormir e o não-dormir caem no mais do mesmo, posto que tudo é tão mensurado que não me resta chão para o não-ser. terrivelmente delimitado, tudo é anti-poético, o estar acordado e o não-estar-acordado. e neste estado já não cabe o uni-verso… e vai… vem… volta, mas…

Diga que eu não sei de nada
Nem posso saber

a caderneta do poeta e suas contradições

[dom] 6 de abril de 2014

Trilha sonora desta postagem…

Comecei com isto: Bolívia de Drexler com Caetano Veloso, um bela canção de seu novo album Bailar en la cueva… E me perdi por estas bandas… Blue (de Lisandro Aristimuño) por Lisandro e Paulinho Moska; e  Sueño Con Serpientes  de Silvio Rodriguez; Un Vestido Y Un Amor (Te Vi) de Fito Páez; Canción de amor de Lisandro Aristimuño; Como La Cigarra (composição de María Elena Walsh) por Pedro Aznar; A Primera Vista (Pedro Aznar e Chico César) por Pedro Aznar; Carta a Francia de Fernando Delgadillo; Quien FueraTe Doy Una Canción e Ojalá, todas de Silvio Rodriguez; La cancion mas hermosa del mundo e Contigo (de Joaquin Sabina e Pancho Varona) por joaquin sabina…

 

Abaixo um fragmento (páginas 428-429) sobre o poeta:

«Mas o ano de 1927 em nada ameaçava Maiakovski. Apesar do cansaço acumulado, ele tinha que batalhar em duas frentes, porém o trabalho o absorvia por inteiro e ele redodobrava as forças.. Umas das frentes era a Revolução, seus ideais (poemas “Bom!”, “À nossa juventude”, “A voz da Praça Vermelha”, “Pelas cidades da URSS”, “Os primeiros comissários”, “Lenin está conosco!”), a segunda frente era a sátira, os golpes nos costumes pequeno-burgueses e na burocracia. Parafraseando o próprio Maiakovski, ao falar do poema “Os doze” de Blok, pode-se concluir que em tudo o que ele escreveu durantes estes anos, de um lado, estava a glória à Revolução, e do outro, a sátira sobre a sua continuação. Ainda voltaremos a essa trágica bifurcação da consciência de Maiakovski. O mundo realmente, como afimar Heine, partiu-se em duas matades e a rachadura atravessou o coração do poeta. Diante dele surge de forma mais crítica a questão: em quem acreditar?
Sobre a mesa do escritório, bastava levantar a cabeça, estava a fotografia de Lenin, que continuava a personificar para Maiakovski o ideal de líder e de ser humano, a sua crença. Nos corredores do poder Maiakovski encontra pessoas bajuladoras, burocratas, corruptas e pomposas. A elas o poeta contrapõe a imagem ideak e pura do revolucionário. O poeta se orienta e se apoia em Lenin na sua luta com as mazelas do cotidiano “Soviético”. Olha o retrato e revive a imagem: milhões de pessoas passando diante dele, um mar de bandeiras, as mãos erguidas…. Apesar do difícil cotidiano do Estado – extração de carvão e minério, a luta contra a pobreza, contra os burocratas, os bajuladores, os sectários e os bêbados, seus poemas tem força lírica. Em seus versos agrega à figura de Lenin a figura de Dzerjinski, e a de Teodor Nette, que morreu no seu posto do corpo diplomático (“Quero encontrar a minha morte como a encontrou o companheiro Nette”)… É muito significativo que associe o seu ideal somente àqueles que já estão mortos e a nenhum dos vivos.
Mas entre os vivos está o camarada Ivanov, que se intromete “em tudo e em todos os lugares”, “ensaboado com o sabonete escorregadio dos bajuladores”. Mas está vivo o “mosqueteiro do partido”, o jovem que decorou manuais do comunismo e “acabou para sempre com as ideias do comunismo”. Está vivo o “todo pomposo cidadão soviético” que pensa que “para sempre poderá protelar e mandar”, já que é membro do Comitê Central. Está vivo o companheiro Popov, que acredita que a “crítica vinda de baixo era veneno. Vinda de cima era remédio!” E isso era o “pilar” do sistema. Estão vivos o “lambujeiro”, o “fofoqueiro” – uma galeria inteira de tipos que terminava como o companheiro Podebonosikov, da peça Os banhos, uma galeria de anti-heróis.
E se enfileirarmos todos os poemas satíricos de Maiakovski sobre temas internos e acrescentarmos a eles as peças O percevejo e Os banhos, o quadro é completamente triste. Nenhum poema e nenhum verso de propaganda, como em “Monumento aos operários de Kursk” ou “Conto do fundidor Ivan Kozirev sobre a mudança para o apartamento novo”, ou o trecho final do poema “Bom!”, esclarecem o cenário da realidade soviética dos anos 1920. Quase tudo é positivo, tudo deve ser expressado como realização do sonho revolucionário, e o poeta expressou em declarações, em palavras de ordem e em lemas. Sobre isso nos dizem também os títulos dos poemas “Produza pão!”, “Prepare-se! Pare! Construa!”, “Companheiros administradores!”, “Pra frente, Komsomol!”, “Produza automóveis!”, Crave a autocrítica!”, “Votamos pela não-interrupção!”, “Produza a base material!”, “A marcha das brigadas de vanguarda!” etc.
Por um lado, o momento político pouco atraente e que acabaca com as esperanças, por outro – Produza! Pra frente! Construa! E as estes lemas, palavras de ordem e marchas animadas…. Qual era o caminho de volta? Era bem diferente daquele que o impaciente Maiakovski desejava.
Seria possível construir o comunismo com os companheiros Ivanov, Petrov, Prisipkin, Pobedonosikov? Provavelmente, Maiakovski já se fazia esta pergunta. Mas ele não podia renunciar a seus ideiais, não podia viver sem a crença que praticamente o pregava aos jornais de propaganda: já que era um contato direto com as massas. Vãs esperanças, auto-ilusão futurística e crença na força das palavras….”
Nessa fenda, nessa “rachadura” entre as crenças (“Produza!”) e a decepção (“Abaixo!”) podia ter surgido a crise espiritual como premissa da tragédia. Tal crise cresceu gradativamente e já pudemos observar como deprimia o poeta…»

***

Leituras extras: O Amor, Maiakóvski, Morin, Caetano e PicassoO Suicídio de Maiakovsky – Leão Trotsky

***

Um dia” vou morar fora… Aprender Russo [para ler toda literatura e poesia] ou espanhol [para viver em uruguay o por latinoamerica]… Nestes últimos anos, vivo por cá “meio a contragosto“. São esses imperativos morais – ser pai, ser filho, ser trabalhador que se sustenta… É uma mescla de impotência para o delírio profundo e transmutador, e um sentido manso de dever e abnegação – mas acho que já escrevi sobre isto e não vou me repetir.

Dentes, línguas, pedras e poemas me aguardam – antes de minha morte…

Um dia hei de engendrá-los em mim…

E fiquei pensando no seu projeto – nesses sonhos que tive, e ainda aqui, lá no fundo, tenho – que me fez ver o quanto ainda estou pequeno e tudo em mim é tão mínimo por enquanto… ando tão preso neste momento e tão distante deste  “um dia“… ando tentando ser prático, mesmo que isto me afaste da práxis revolucionária, daquela rebeldia contra esse mundo, e o partido-coletivo é apenas uma imagem, algo distante de minha prática cotidiana.  Hoje, as aspirações são um cadinho “pequenos burguesas” de estabilidade, de “fazer minha casa”, de melhorar as condições de minha família, da filha, dos pais… E vou conciliando as limitações econômicas, as exigências familiares, buscando um lugar no espaço/tempo deste mundo que não me deprima tanto, que não alimente essa sensação-suicida-crônica que era constante… busco tanto ter paciência e coragem para prosseguir… sobreviver… enquanto guardo este sonho com carinho de um dia ir-me… virar-me do avesso, curar as cicatrizes… mas por hoje continuo, por cá, com mais um chá, envolvo-me nestes meus deveres de professor-aprendiz, de pai-aprendiz, de homem que sonha solitário, distante de sua classe e da utopia revolucionária. Minhas contradições… Estas minhas algemas, algemas de elefante. Isto que me faz tão distante e tão menor, de todo o amor que sangra neste peito.

abaixo, alguns fragmentos de poesia da semana:

exercício sobre o chá

esquece
e evapora
o líquido
que aquece.

embora,
lírico,
espera…

um chá
um chão,
pés líquidos,
uma hora,
um vão
na nuvem…

pero,
lírico,
emperra
e espera…

o que aquece
o que esquece
o que evapora
o que embora
lírico ainda é um poema
perro.

entre 4-6/abril/2014.

***

exercício sobre as palavras de izabel

o céu é vazio
azul e vazio
eu sou o céu
vazio e azul

e isto é poesia izabel.

3/abril/2014.

***

e agora fico devendo o poema sobre o tema-desenho que recebi de lucas, filho do meu primo. Todos os sábados ele traz os filhos, já que está morando temporariamente por aqui. E então e aquela correria de crianças pela casa… o tema-desenho é uma árvore verde com um fruto em forma de interrogação.

 

***

E hoje eu precisava tanto ficar só. Submerso no meu vazio interior. Ontem foi tão cheio de gente e tão longo o dia, as crianças acordam cedo – eu também tenho acordado todo dia cedo – e para fechar a noite izabel dormiu aqui em casa, porque a mãe dela saiu para namorar… E eu fui dormir tarde e num colchão tão duro… Ah, eu me cansei demais. Quintas e domingos são os dias mais tranquilos, onde estou mais em paz. O restante da semana é tão trabalhoso… Dias de semana são dias de trabalho e no Sábado são de izabel… E sempre são tantos humores e tantas cobranças que me consomem tanta energia espiritual e física – tenho andado sempre um tanto exausto.

 

este é um novo tempo, e aberto…

[qui] 6 de março de 2014

quinta-feira. acabou o feriado. e tenho 24 horas para colocar o mundo atrasado em dia… mas a vontade de ficar sentado estudando é quase nula. a vontade é sair ali fora e mexer pra lá e para cá nestas coisas que envolvem limpar, cortar, construir e plantar. mas isto vai, deve, esperar. hoje é dia de ler e escrever, mesmo que o sol ali fora diga, vem, vamos sair…

e ontem, ah, ontem… tão curto o tempo… e conheci tieta preta. reconheci tantas coisas… vi os bicos-de-lacre, o flamboiã, a paredes de angelim, as tuas estantes… tudo que até então eram apenas fotografias. e roubei o teu descanso e provei de tua comida… e me senti tão bem estando em tua companhia, ainda tímido, sempre tímido, mas nítido que não somos uma volta no tempo… este é um novo tempo, e aberto.

e assim, com aquela expectativa, que mexe com o estômago, fui… e me propus lhe dar uma muda de árvore, um presente para uma vida, a árvore não havia ‘lá nas coisas de plantas’, um tal de garden center – por enquanto. então lhe dou uma muda de flor… e uma muda exige o preparo do solo, o momento adequado de transplante, o cuidado para que ela pegue, cresça e floresça… e destas coisas de tempo, semente, mudas e plantas eu quero aprender mais…

bom dia!

resolução 110/2013… ou madera de deriva

[ter] 1 de outubro de 2013

RESOLUÇÃO: Este blogue está chato demais. mas bem na verdade devo ser eu que estou chateado/r. lembrete/resolução: ESCREVER POST NOVO AQUI SÓ QUANDO TIVER COISAS GENIAIS E INTERESSANTES (ou quase). ‘té.

As rotinas seguem cá para te perderes enquanto me procuro:

Dia #1 a origem da palavra; madera de deriva, sala de aula me anima; Dia #2 letra bastão, faço uso dela desde 1995, guardando a cursiva para dias de provas de concursos/vestibulares apenas – e repara que minha letra cursiva não tão feia não; estou [quase] de veisalgia, ontem foi uma sobredose de the pillars of the earth; Dia #3 “é muito provável que o patronímico ibérico -ez seja um fóssil lingüístico.”; Dia #4 após um dia inteiro dormindo… um chá de camomila e mais um pouco de word without end… um mergulho na inglaterra do séc. xiv – guildas, peste negra e guerra dos cem anos… “quão amabilíssimo me eras mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres“; e pela noite, batendo ponto, em reunião com o professorado sobre os alunos, a avaliação dos educandos é uníssono: “ele é legal [eu], mas é difícil acompanhar o seu raciocínio… muita coisa ao mesmo tempo”, ou seja, traduzo aqui: “está uma zona”, usando uma expressão apropriada – mas essa bagunça na exposição dos temas, na organização deles, da sala já é sabida e digo mais… é da vida, da casa, da rotina, do próprio ser… esse cara que muda de ideia a cada dez minuto, não se decide nunca e tudo o cansa muito rápido.  e no final da noite eu não sabia bem o que me abatia, se era estar no meio das pessoas – e festas são rituais que me deixam desconfortável – ou estar sem rumo e ao lado de pessoas estranhas – porque insisto em mantê-las estranhas. Enfim… volto sozinho sempre porque é difícil abrir este peito repleto de cicatrizes profundas. Dia #5 foi assim assim… livre para lavar louça, roupa e fabricar um canteiro, transplantar grama e construir uma escadinha com pedras. Dia #6 O texto é esse: “Certamente a gente só encanta quando se encanta. Se eu não estiver encantado com o meu objeto de conhecimento, eu não posso encantar o outro. No sentido não de fetiche, mas de sedução gnoseológica. Há um jogo de sedução, mas só é sedutor quem já está seduzido. Ou seja, há tanto mais charme quanto mais charme eu achar que há.”  de Mario Sergio Cortella – Nos labirintos da Moral. e cá… Indeciso. Dia #7 Sol da porra, dia lindo, e eu dormindo até o meio-dia. Ouço mais música… tom zé, cartola, jorge drexler, manel, orquestra che são as vozes ecoando neste crânio… Não recebo bem críticas, racionalmente as entendo, mas emocionalmente é mais difícil de lidar com elas, de um lado a compreensão, a analise, do outro o medo e revolta nas entranhas. E hoje, recebo um retorno positivo, um elogio, de um texto que sei que ficou assim assim por ter deixando para o ultimo segundo do ultimo tempo da prorrogação. Talvez meus padrões sejam exagerados e meu animo diminuto… Mas animou-me, o retorno, e é como se precisasse ainda de um reforço externo que chancelasse o meu potencial. Potência ignorada por estar tão descrente de mim e de tudo. É nisto que tenho pensado muito ultimamente… E cambiando de assunto totalmente pergunto como é possível que eu escreva aislado num texto em português, que mania essa de inventar leis próprias e desconsiderar convenções? E cambiando mais e mais… isto aqui é bacana e isto também. 8 horas e 43 minutos para entregar (segundo prazo) a tarefa… e eu nem li nada, vou sair e volto só lá pela oito, vai ser corrido. Hein? /// Ela disse nego / Nunca me deixe só / Mas eu fiz de conta / Que não ouvi, Hein? // Ela disse: – orgulhoso / Tu inda vai virar pó / Mais eu insisti / Dizendo Hein? // Ela arrepiou / E pulou e gritou / Este teu – Hein? – moleque / Já me deu – Hein? – desgosto / Odioso – Hein? com jeito / Eu te pego – Ui! bem feito / Prá rua – sai! – sujeito / Que eu não quero mais te ver // Eu dei casa e comida / O nego ficou besta / Tá querendo explorar / Quer me judiar / Me desacatar /// Compositor: Tom Zé – Vicente Barreto.  Agora são 21:32 e faltam apenas 2 horas e 22 minutos – contagem regressiva – prazo final… E depois narro os encontros-desencontros de hoje, com direito a abraços e olhares, e do final de tarde bonito demais, e da lua nova no céu aberto, e dos olhares – quase – constrangidos, em fuga, e dos olhos perscrutadores. E Ufa [23:54’46]! menos 14 segundos e eu não conseguiria entregar… Dia #8 eu gosto de horóscopo. eu não narrarei os encontros-desencontros de ontem, apenas digo que foi um dia bonito. E as segundas eram de Maiakovski, é bom reencontra-lo. [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado diariamente com anotações diversas – cumprindo assim sua função de ser um weblog, um caderno de apuntamentos, um bloco de notas – enquanto aguardo o momento…]; …

khadji-murát e os nossos três russos

[sex] 6 de setembro de 2013

acordo cedo. ainda incomodado pelas coisas de ontem. bebo meu mate. leio algumas coisas. e estudo isto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=WSI8jjdXi20

distraio-me. a manhã se (es)vai.

publico. e retorno. reedito, corrijo os erros – por exemplo, a oração é pensada da seguinte forma:  1) “tomo meu mate”; e como ela se materializa no ecrã é da seguinte forma: 2) “tome meu mate”; publico a forma 2, crente que estou publicando a forma 1. é no mínimo bizarro. cometo estes erros o tempo todo.

e acrescento ao estudo, a leitura disto: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-47/questoes-literarias/nossos-tres-russos

é que ando empolgado com a leitura da biografia de maiakóvski, que até adquiri o livro poemas de maiakóvski e o poesia russa moderna, livros que li no primeiro ano da graduação nas inúmeras horas que passava na biblioteca universitária.

come fa un’onda

[qua] 6 de março de 2013
“Niente di ciò che verrà domani sará com’è già stato ieri. Tutto passa tutto sempre passerà.
La vita, come un’onda come il mare in un va e viene infinito. Quel che poi vedremo è diverso da ciò che abbiamo visto ieri, tutto cambia, il tempo tutto nel mondo… Non serve a niente fuggire nè mentire a se stesso. Amore, se hai ancora un posto nel cuore mi ci tuffo dentro… Come fa un’onda del mare”
Ando estudando muito, lendo todos os dias, preparando aulas… e o tempo para a vida evapora. O tempo para isto aqui também. e os pensamentos vem e vão… são apenas pensamentos. E aos poucos, bem aos poucos… vou colocando a vida em ordem, médicos, dentistas, dietas, rotinas, contas… e chove. só, chove.

uma estrela fugaz

[sex] 6 de julho de 2012

mergulhei e a canoa ficou só. o fundo do mar me deixou sem ar e não pude escrever nas nuvens quando flutuava… apenas pensei, pensei tanto. e são tantas as dúvidas cotidianas… e uma certa certeza… seguindo as estações… numa remada atrás de outra.

“estava pensando… pela janela daquele bar olhando o povo ir e vir… e juraria que te vi”

a hibernar

[qua] 6 de julho de 2011

ciao. é frio. meu pc pifou. uso hoje o de paulo – que está viajando e me permitiu este momento. conclui a leitura de um livro em junho e ando as voltas com outro – saramago. curti pouco o fam. a grana é muito curta. vou ao cine um pouco. bebo mais vinho. e terapeuticamente vivo este tempo jardinando. sozinho. não tenho respostas. as questões são poucas. e digo para os amigos que vou bem. quando o pc voltar completo com as anotações semanais [futuras postagens retroagidas] que faço no diário de campo com minha torta letra. estou aislado – algo como um auto-exílio de outros papéis e identidades. vivo em família por enquanto. fim deste telegrama. adeus.

histórias orais

[qua] 6 de abril de 2011

Ah! Chega. Dois dias trancado dentro desta casa em frente a esta computadora transcrevendo depoimento colhido outrora – A metodologia da História Oral é fascinante, mas pode ser tão cansativa algumas vezes. E constato que: sou um péssimo entrevistador (ainda); e que minha voz quando gravada fica menor, fica in. Mas também me distrai bastante entre um trecho e outro da transcrição nestes dias. Porque é necessário um tempo para o mate. Bem como para o caldo de peixe com legumes ao vapor ou para as conversas soltas ou para os exercícios poéticos ou para leituras de periódicos ou para os pequenos afazeres domésticos de um homem solteiro. Ou mesmo, e sobretudo mesmo, para o planejamento de amanhã: uma dia inteiro no Parque da Lagoinha do Leste.

E queria por aqui um trecho do texto ‘Griots, os guardiões da história oral‘. Mas não o encontrei na rede.

a montanha [mágica]

[dom] 6 de março de 2011

rápido – enquanto mofo e acúmulo forças para por meu bloco na rua – só para constar: este é o último carnaval que trabalho assim dessa forma estúpida e alienada. secos e molhados ontem saíram do playlist e mergulhei na legião urbana – estou retro e sentimental, como se fosse dez, ou mais, anos atrás. paulo passa os dias de carnaval cá em casa – e talvez se ele não viesse eu ficasse por cá sem ir para a rua. estou desacostumado a estar no fervo da folia… ontem excetuando o reencontro e o prazer de estar com querido amigos todo o resto foi uma profunda nostalgia – saudade de tantas coisas desta vida. meu corpo anda muito reto e é preciso errar. e… tem hoje e segunda e terça ainda.

mas algo é mais ou menos assim quase sempre esse duelo permanente entre o desejo de isolar-se em si mesmo e o desejo de envolver-se nos outros…

está chegando a hora de virar a o barco e ir à alguma outra direção.

e duas canções porque as ouço agora.

YOU’VE LOST THAT LOVIN’ FEELIN’ /// you never close your eyes anymore when I kiss your lips. / and there’s no tenderness like before in your fingertips. / you’re trying hard not to show it, (baby). / but baby, can’t you see that I know it… // you’ve lost that lovin’ feeling, / whoa, that lovin’ feeling, / you’ve lost that lovin’ feeling, / now it’s gone… gone… gone… wooooooh. // now there’s no welcome look in your eyes when I reach out for you. / and now your’re starting to critisize every little things I try to do. / It makes me just feel like crying, (baby). / ‘cause baby, something beautiful is dying. // You lost that lovin’ feeling, / Whoa, that lovin’ feeling, / And you’ve lost that lovin’ feeling, / Now it’s gone… gone… gone… woooooah // Baby, baby, I get down on my knees for you, I do it for you.  // If you would only love me like you used to do, yeah. / Somebody help me now. // We had a love…a love…a love you don’t find everyday. // So don’t…don’t…don’t… oh don’t take’n away. // Baby (baby), baby (baby), wooooooh baby (baby). / I need your love (I need your love), I need your love (I need your love), / I need your love, girl (I need your love), I need your love (I need your love). / Come on, bring it on back (bring it on back), bring it on back (bring it on back), / Bring it on back now (bring it on back), bring it on back (bring it on back). // Bring back that lovin’ feeling, / Whoa, that lovin’ feeling / I need that lovin’ feeling, / Girl it’s gone… gone… gone, woooooah // Baby, baby, I’ve down on my knees for you, nobody do it for you. // If you would only love me like you used to do, yeah. / I can make it alright. // We had a love…a love…a love you don’t find everyday. // So don’t…don’t…don’t… oh don’t take’n away. // I say baby (baby), baby (baby), wooooooh (wooooooh) baby (baby). / I  need your love (I need your love), I need your love (I need your love), / I need your love now (I need your love), I need your love (I need your love). / Come on, bring it on back (bring it on back), bring it on home (bring it on home), / Bring it on back now (bring it on back), bring it on back (bring it on back). // Oh bring back that lovin’ feeling, / Whoa, that lovin’ feeling / I need that lovin’ feeling, / Girl it’s gone…gone…gone and I can’t go on, woooooah / Woooooah / Woooooah / Woooooah / Woooooah // You never close your eyes.. /// JOHNNY RIVERS

TICKET TO RIDE /// I think I’m gonna be sad. / I think it’s today. / Yeah. / The girl that’s drivin’ me mad / Is goin’ away. // She’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to ride, / But she don’t care. // She said that livin’ with me / Was bringin’ her down. / Yeah. / She would never be free / When I was around. // She’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to Tide, / But she don’t care. // I don’t know why she’s ridin’ so high. / She oughtta think twice. / She oughtta do right by me. / Before she gets to sayin’ goodbye, / She oughtta think twice. / She oughtta do right by me. // I think I’m gonna be sad. / I think it’s today. / Yeah. / The girl that’s drivin’ me mad / Is goin’ away. / Yeah. // Ah, she’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to ride, / But she don’t care. // I don’t know why she’s ridin’ so high. / She oughtta think twice. / She oughtta do right by me. / Before she gets to sayin’ goodbye, / She oughtta think twice. / She oughtta do right by me. // She said that livin’ with me / Was bringin’ her down. / Yeah. / She would never be free / When I was around. // Ah, she’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to ride. / She’s got a ticket to ride, / But she don’t care. // My baby don’t care. / My baby don’t care. / My baby don’t care. / My baby don’t care. / My baby don’t care. /// JOHN LENNON / PAUL MCCARTNEY

ipê-amarelo

[sáb] 6 de novembro de 2010

hoje. plantei cedo um pé de ipê na frente da casa nova. e ela está quase pronta. só faltam os vidros, o piso da sala, a pintura por dentro e por fora, as louças do banheiro. é, falta pouco. e acredito que em menos de um mês terminaremos ela e adentro meu ninho.

ontem. foi um dia bom. acordei cedo. fui a aula. almocei no ru. visitei a área da botânica, no meio de imensas árvores. depois dormi uma hora no ca. e as três fui ouvir o sérgio ferro falar sobre arte e trabalho livre no teixeirão. atividade esta organizada pelo pessoal do cala. gosto do povo da arq. e pensar que se eu tivesse terminado edificações, teria um dia pensado em entrar na arq. e voltando o tempo foi fechando e choveu tanto e de tal forma que foi lindo de ver – chovia de cima para baixo e de baixo para cima e de todos os lados. cheguei cedo, antes das seis, em casa e dormi muito. estou tão acostumado ao meu quarto e a tv que dias assim repletos de gente e conversas me cansam.

agora. na casa nova não haverá tv, serei eu e uns 100 livros por serem lidos. vou vender minha força de trabalho, agora.

 

plano de navegação

[qua] 6 de outubro de 2010

uma máquina fotográfica. uma aula sobre arnold van gennep, e seus ritos de passagem.

plano: fotografar o passado, viver o presente e sonhar o futuro. e no fim, conversamos quase uma hora sobre o que é política para ti e para mim, sobre nossas relações, nossos pais, nossos amores… e a minha (nossa) crise com a universidade e o discurso acadêmico, ou mais precisamente, o conflito entre discurso e a ação nesse mundo do cão. como é dificil buscar a prática que realize, ou busque realizar, o que os discursos apontam. somos tão presos, a maioria de nós, a convenções e preconceitos estúpidos, que nos amarram, e por vezes, nos amputam, da possibilidade de contestação do que nos violenta.

e sinto que está chegando a hora de desvestir esta armadura da criança violentada e do menino rejeitado e observar o meio com olhos sensíveis [recuperar aquele cara que está aqui em algum lugar].

imagens do dia

observando o mar de todo dia

e à noite, enquanto matava parte da aula, registrando o passado.
um sofá

LISBON REVISITED
(1923)
Não: não quero nada
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
1923
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). – 247.
1ª publ. in Contemporânea, nº 8. Lisboa: 1923.

[Tanta Guerra, Tanto Engano…]

No mar tanta tormenta e tento dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?

Os Lusíadas [I, 106] Camões

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

anotações aleatórias da aula de antropologia - ritos de passagens de arnold von gennep

tanto mar

[qua] 6 de outubro de 2010

um pássaro sobre um galho. hibiscos vermelhos e vários tons de verde. até chegar o mar, de uma azul não tão claro da manhã. e no seu meio, um barco só. vejo algumas luzes acessas ainda no centro de florianópolis. na baia norte há nuvens altas. e sobre o morro da cruz rompe um raio de luz que ilumina todo o estreito e a parte continental para além da ponte hercílio luz. as nuvens estão mil metros acima do nível do mar, mal cobrem o pico do cambirela. cena bela. silêncio em sambaqui. e pergunto-me se depois de vinte anos já não é hora de abandonar todo este verde, estes pássaros, este mar ali na frente… e buscar o mundo?! ando escrevendo demais aqui porque não tenho feito outra coisa. nada me acorda. agora, minutos depois raiou o dia.

ouça chico quando acordar.

esses olhos. que falta eles fazem.

[qua] 6 de outubro de 2010
mil perdões: quatro e meia, quase. e seria eu um engodo?
olho para os lados, vejo em seus rostos uma certa velhice. esta que vai estampada na minha cara também. mais. vejo um certo tipo de mágoa, ou angústia, ou falta. vejo em vocês, um pouco disto tudo que carrego para lá e para cá e me faz não encontrar lugar no mundo, ou no coração. estou aqui me perguntando se aceito o convite dela e me permito errar mundo afora e coração adentro, ou fico cá, trancado nesta dor em suspensão. dor de décadas. as minhas. as tuas minha mãe. as tuas também meu pai. as do meu irmão. e as das novas crianças que parimos. que bicho é esse que nos faz tão tristes e calados. donos de uma certa distância tamanha que nos faz tão iguais nisto tudo.
pus chico a cantarolar repetidamente aqui. quem sabe faça sentido, pequena. quem sabe… talvez… eu descubra a hora de partir.
Te perdôo / Por fazeres mil perguntas / Que em vidas que andam juntas / Ninguém faz / Te perdôo / Por pedires perdão / Por me amares demais / Te perdôo / Te perdôo por ligares / Pra todos os lugares / De onde eu vim / Te perdôo / Por ergueres a mão / Por bateres em mim / Te perdôo / Quando anseio pelo instante de sair / E rodar exuberante / E me perder de ti / Te perdôo / Por quereres me ver / Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir) / Te perdôo / Por contares minhas horas / Nas minhas demoras por aí / Te perdôo / Te perdôo porque choras / Quando eu choro de rir / Te perdôo / Por te trair / [Chico Buarque / Mil Perdões]

Julio Cortázar. Conducta de los espejos en la isla de Pascua. in: Historias de cronopios y de famas. (Punto de lectura. 2007. p. 66)
Cuando se pone un espejo al oeste de la isla de Pascua, atrasa. Cuando se pone un espejo al este de la isla de Pascua, adelanta. Con delicadas mediciones puede encontrarse el punto en que ese espejo estará en hora, pero el punto que sirve para este espejo no es garantía de que sirva para otro, pues los espejos adolecen de distintos materiales y reaccionan según les da la real gana. Así Salomón Lemos, el antropólogo becado por la Fundación Guggenheim, se vio a sí mismo muerto de tifus al mirar el espejo de afeitarse, todo ello al este de la isla. Y al mismo tiempo un espejito que había olvidado al oeste de la isla de Pascua reflejaba para nadie (estaba tirado entre las piedras) a Salomón Lemos desnudo en una bañadera, jabonado entusiastamente por su papá y su mamá; después, a Salomón Lemos diciendo ajó para emoción de su tía Remeditos en una estancia del partido de Trenque Lauquen.

lá vai o trem…

[seg] 6 de setembro de 2010

as marias adoraram.

“Minha janela
vira cinema
uma vez por semana”
mariana zanetti

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