Archive for the '05' Category

das chuvas de junho

[seg] 5 de junho de 2017

Escrevi antes de te ver… Inspirado pelo curta e pelas obras de anish kapoor. Escrevi depois, mas mesmo depois ainda era antes de saber de seu novo endereço… De sua gramática, de suas canções… Você me mantém em carne viva. Saber que tens alguém… No fundo é intuir que alguém te cuida como jamais pude, sempre exausto em minha loucura.

Eu preciso não pensar demais. Estou aqui fritando por pensar demais.

 2h11 não consigo dormir… Tenho aula o dia inteiro… Preciso estar desperto as 5h30. Mais uma semana exausto. 

Até alguns dias atrás eu andava cortejando a morte… Não faz duas semanas isso. Estava submerso na rotina de pensamentos tristes e mórbidos. Me peguei sentindo raiva das pessoas… E tive um estalo… É preciso lutar. A vida está uma bosta, mas estou vivo… Preciso falar sobre isso, preciso de apoio, preciso fazer terapia… Sei que há um lapso enorme de tempo entre pensar isso e ir. Mas entre o cara que jogou a toalha e o que está apanhado há uma diferença substancial. 

E agora estou numa ansiedade monstro e amanhã numa tristeza mórbida… É preciso dosar essa porra… Sem cair na indiferença.

Me sinto castrado. Impotente. Estou nessa prisão há seis anos… Sete… 

Mas olhando atentamente… Viver nunca foi fácil. E viver só é como estar sem estar…  É estar desatado. A trama me alimenta… Os desenlaces me matam. Eu quero viver… Tecer uma trama…. Aprender a viver com esse medo. só por hoje… 

3h32  corpo cansou… Digitar nesse celular é enervante…  A chuva não para. Preciso aprender a falar/ler em inglês. 

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[dom] 5 de março de 2017

conexão. a necessidade de estar com outros. é isso. eureka

abrir a porta, e dialogar com as vozes no vento. não só com seus próprios pensamentos. ir para lugares não pensados. perder-se em labirintos. ouvir os gritos e as gargalhadas. rir junto. caminhar, como quem caminha de mãos dadas. estar aqui, ouvindo você. jogar sonhos como quem joga pedras na água… para ver as ondas, a energia gerada.

***

«Antes de retornar à cultura, constato que o mundo tem fome e que não se preocupa com a cultura; e que é de um modo artificial que se pretende dirigir para a cultura pensamentos voltados apenas para a fome. O mais urgente não me parece tanto defender uma cultura cuja existência nunca salvou qualquer ser humano de ter fome e da preocupação de viver melhor, mas extrair, daquilo que se chama cultura, idéias cuja força viva é idêntica à da fome. Acima de tudo precisamos viver e acreditar no que nos faz viver e em que alguma coisa nos faz viver – e aquilo que sai do interior misterioso de nós mesmos…» Prefácio: O teatro e a cultura. In: O Teatro e Seu Duplo, de Antonin Artaud

***

NOTAS DE RODAPÉ (DO PAPO DE HOJE):

 

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***
Sofrimento

A importância da Verdade do Sofrimento (dukkha-satya, dukkha-sacca) é a necessidade primordial de ver a realidade como é. Em termos do absoluto, o relativo é incompleto, repleto de contaminações e sofrimentos.

Há oito espécies de sofrimento: nascimento, velhice, doença, morte, contato com o que detestamos, separação do que amamos, objetivos inalcançáveis e o sofrimento inerente ao apego aos cinco agregados (elementos psicofísicos: forma – rupa, sentimentos – vedana, percepção – samjna, sanna, constituintes mentais – samskara, sankhaara e consciência – vijnana, vinnana. Coletivamente são chamados de numa (nome) e rupa (forma). Assim o composto de nome-forma é um sinônimo dos cinco agregados. Tanto os agregados físicos como mentais são caracterizados pela impermanência, sofrimento e não-eu.

Causa do Sofrimento

Na Verdade da Causa do Sofrimento (samudaya-satya, samudaya-sacca) a palavra da Índia traduzida como “causa” significa “vir junto, formar-se conjuntamente e surgir, aparecer”. O Sutra considera apego como a causa do sofrimento. Há três tipos de apegos:

Apegos sensuais, dos cinco desejos ou seja, dos desejos resultantes dos objetos dos cinco sentidos. Apego mundano.

Apego por existência se refere a existência superior, nos níveis celestiais, de renascimento nesses estados. É ainda um aspecto egoista.

Apego à não-existência é o desejo pelo nada, como condição de paz interior, considerado egoísta. Alguns traduzem não existência como apego à prosperidade desde que a palavra Vibhara também pode ter esse sentido. Os comentários tradicionais interpretam como não-existência e é nesse sentido que aqui interpretamos. Fragmento de texto extraído de http://www.monjacoen.com.br/textos/textos-da-monja-coen/137-quatro-nobres-verdades

paleocircuits

[sáb] 4 de março de 2017

e ai tu pode ir dormir. ou tomar uma água. ou escolher um daqueles 50 filmes interessantes que estão na tua lista de espera na netflix… ou acessar algum canal de comentaristas no youtube… ou mesmo fazer um chá, ou abrir um daqueles 100 livros que esperam a sua leitura… ou terminar aquele do saramago… ou colar aqui as anotações sobre barthes, ou ainda por em dia o desafio de publicar um poeta por dia (um poema de um poeta que nasceu no dia, sendo um por dia)… ou fazer um café… ou um chocolate quente… ou um lanche agora…

ou editar e publicar as rascunhos de alguns dias atrás que esperam pela publicação/registro…

ou estudar para as aulas da semana/recortar as imagens e resumos/preencher os conteúdos das aulas já dadas/ou editar o plano de ensino…

ou comentar sobre o almoço muito bacana que tu fez hoje, para almoçar com sua filha, ou sobre o fim de noite de sexta, em casa, quando sua filha narrou seu dia na escola e tivemos um excelente bate papo sobre a vida, as amizades, e conversamos sobre poemas/poesias… e mergulhamos em leminski, vinicius, drummond, cruz e sousa, neruda… enfim. tu poderia fazer inúmeras coisas.

mas um sensação de tédio te leva a não querer nada.

tá tudo certo… há um deserto. ia bem sair pela rua… tomar um porre, estar uma festa, sentir teu suor no suor de um amontoado de gente. tua pele na pele de outra… derreter-se, numa transa,  dar um pegas, uns beijos demorados, a dois, a três, uma suruba… em casa ou na rua mesmo, na adrenalina de a qualquer momento ser pego.

ou ir, fazer uma trilha… caminhar horas… sentir aquele momento em que o corpo desiste, a mente entra em estado de fluidez… e tu só vai, porque não tem como voltar ou chegar é em outro lugar bem distante. tu tá em gozo constante dentro do barato de estar ali indo, sem ter que pensar sobre, sem racionalizar isso ou aquilo… acho que é isso, e hoje fiz um pedal. tirei um cochilo. aproveitei o dia para estar livre. mas não era isso, não era esse tipo de liberdade à esmo… e tudo que sinto é que nada do que tenho algo me satisfaz. nesse exato instante padeço do descontentamento… de querer nem sei o quê, nem sei onde, nem sei quem. porque o que talvez falte é aquela sensação, quase como uma droga, de estar em transe.

***

acho que a última saída será injetar açúcar direto na corrente sanguinea e fritar pela madrugada racionalizando masturbatoriamente essa sensação de ausência de prazer.

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Tristeza (litografia de Vincent van Gogh, 1882).

guillemet

[dom] 5 de fevereiro de 2017

domingo. último dia.

dia de arrumar tudo que não arrumei até agora.

e a jornada começou… tenho planos, tenhos sonhos.

e para mentalizar “paciência e coragem”.

***

fiz horta. podei planta. plantei algumas. organizar as categorias/tags deste blogue. coloquei em dia #umpoetaumpoemapordia. reavivei blogues e páginas que andavam soltas. visitei meus poemas. conheci novos poetas.

***

lista do que foi visto: wbqbr9rrhfs033isu4dudvdpv64-zebzous6wpxzl31

05/02/17 Até o Fim (2013 ‧ Drama/Ação ‧ 1h 47m – Direção: J.C. Chandor). aquele filme que você vai vendo enquanto faz outras coisas… mas em algumas momentos te dá uma agonia profunda.
01/02/17 Adaptação (2002 ‧ Filme policial/Drama ‧ 1h 54m – Direção: Spike Jonze e Roteiro: Charlie Kaufman). Que puta filme. Dez. Daqueles que dá vontade ver mais de uma vez.
31/01/17 La Vida Inmoral de la Pareja Ideal (2016 ‧ Comédia/Drama/Romance ‧ 1h 31min – Direção: Manolo Caro). Película mexicana interessante, levemente engraçada e um pouquinho sedutora.
31/01/17 iBOY  (2017 ‧ Sci-Fi/Ação/Crime ‧  1h 30min – Direção: Adam Randall). Uma bosta.  Perdi meu tempo.

***

trilha de fundo: Jason Mraz – 93 Million Miles

«Every road is a slippery slope / But there is always a hand that you can hold on to / Looking deeper through the telescope / You can see that your home’s inside of you / Just know, that wherever you go / No, you’re never alone / You will always get back home / Home…»

***

pesquisa derivada – guillemets ‹ ›  « »

In Windows: 
« Alt + 0171 Alt + 7598 Alt + 174 Alt + 686
» Alt + 0187 Alt + 7599 Alt + 175 Alt + 687

melância

[qui] 5 de janeiro de 2017

ir “e voltar, não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar…”, com uma pequena adaptação… vamos aos rabiscos.

eu preciso voltar dois dias no tempo e registrar alguns sentimentos.

#1 meu velho precisava de ajuda num de seus trampos, porque meu irmão, o seu ajudante, está trampando direto neste temporada, e eu como eu ando a não fazer nada por estes dias de férias… ele pediu, e eu aceitei, fui ajudá-lo. mas está ai algo que eu preciso trabalhar melhor… servir de ajudante de obra não é e nem deveria ser demérito, mas essa situação me joga 25-20 anos atrás, era garoto, 10-15 anos, e ajudando o velho… engraçado, como em algumas horas, se você não estiver atento acabas enlaçado por sentimentos que estão, ali, no sotão, bem guardados há 20 anos. as contradições do velho/e parte de minha revolta/ como ele era extremamente rígido, psicologicamente abusivo muitas vezes comigo, com meu irmão, com minha mãe… mas ali, na situação de operário-patrão ele se coloca um posição tão dócil, tão submissa… e quando eu era garoto, isto me causava uma revolta maior ainda… não só a de sofrer a agressão, de forma desmedida, mas de vê-lo naquele situação de submissão. era um misto de vergonha e raiva. desde 2012, depois de fazer terapia, estabeleci para mim mesmo que nunca mais iria trabalhar pra ele, posso sim, se ele precisar em algum momento, ir no auxilio dele, retribuir a ajuda cotidiana que recebo dele. mas não como subalterno, para não reviver essas emoções. mas engraçado, mesmo querendo não ir, nesse dia fui, três horas de auxilio, coisas básica, porque as vezes é dificil dizer não, e até foi tudo tranquilo… era uma obra na casa da mãe de uma ex-aluna minha, e isso me incomodou um pouco… e fiquei refletindo sobre isto neste ultimos dias… porque me incomodou? será porque parte de mim tenta desesperadamente fugir dessa situação de garoto, de submissão ao velho, dessa situação de vergonha e raiva? a profissão que tenho hoje – que mal me sustenta, e que tenho mil duvidas se é a mais acertada pra mim, é um fuga dessa realidade… é a racionalidade… o estudo, a liberdade, a não submissão, o status. e estar lá, naquele dia, foi como ser pego de calças curtas… racionalmente estava tudo tranquilo, mas emocionalmente, de um instante pra o outro fui lançado 20 anos no tempo, e me sentido novamente como aquele garoto, e odiei a sensação, meu orgulho doia… sei que não é algo que tenho que lidar com os outros ou com meu pai… é algo que tenho que lidar comigo, aquele garoto continua ali.

#a primeira reação foi, como dizer não. e eu não consegui dizer não. apenas fiquei dormindo, o máximo que pude.

#depois de dois dia inteiros sem conseguir racionalizar tudo… um dormindo e outro me mexendo… veio esse insight, como um motor… preciso sair desse lugar que me meti. chega desse auto-exílio, dessa espera por nada, desse sumir para lugar nenhum, dessa solidão crônica, dessa falta de relações afetivas além do emprego-família…

wake up dead man… é preciso se apaixonar rapaz. por vc mesmo, gostar um bocado mais de ti e dos teus sonhos… acreditar… se encantar, e daí é um pulo quase imperceptível… que é encantar o mundo. porque nestes últimos 7 anos, tenho tido apenas soluços, espasmódicos e imprevisíveis, de encantamento. são soluços tão efêmeros. oscilo entre uma apatia crônica quase constante, alguns raros lampejos de criatividade e paixão pelas coisas, mas seguidos por momentos agudos de frustação e desejos de morte, como disse o poeta… chega de sofrer de antemão.

Vou chorar sem medo. Vou lembrar do tempo. De onde eu via o mundo azul.

coisas imediatas pra serem feitas:

semana #01 (1-7/01)- faxina na casa, pintar o que falta, organizar os cômodos.

semana #02 (8-14/01) – resolver questões de saúde – médico, dentista, e um tênis para caminhar.

semana #03 (15-21/01) – desenvolver um projeto de estudos para o ano. (com caminhadas, terapia, e muito estudo)

***

e das aleatoriedades dos dia… uma listinha do que já fiz na vida, para marcar o começo do ano, para não esquecer do que já fiz… e do que devo/quero/preciso fazer:

Morar sozinho

Comprar carro
Comprar moto
Casar
Se apaixonar
Ver alguém nascer
Ver alguém morrer
Visitar o Nordeste
Conhecer o Sudeste
Conhecer Paris (ou Montevidéu ou Buenos Aires)
Conhecer Londres (Ou qualquer outra cidade fora do Brasil)
Aparecer na TV
Aparecer em um filme
Se apresentar numa peça de teatro
Fazer uma faculdade
Dançar na chuva
Tocar violão
Cantar no karaokê
Ver neve caindo
Chorar de tanto rir
Andar em uma ambulância
Chorar de soluçar até as lágrimas secarem
Realizar um sonho
Tomar um porre
Ter um filho
Plantar uma árvore
Escrever um livro
Ter um animal doméstico
Curtir a praia olhando o pôr do sol
Ver o sol nascer sentado na areia
Nadar sem roupa
Andar de moto
Saltar de bungee jump
Assistir um filme em um drive-in
Andar a camelo
Andar a cavalo
Aparecer no jornal
Aparecer em revistas
Fazer uma cirurgia
Ficar internado
Achar que ia morrer
Sofrer algum acidente
Andar de helicóptero/saltar de paraquedas
Doar sangue
Ir ao cinema sozinho
Por um piercing 
Fazer uma tatuagem
Dirigir um carro automático
Viajar sozinho
Ficar na parte de trás do carro de polícia
Ganhar multa por excesso de velocidade️
Ter um osso quebrado
Ter pontos em algum lugar do corpo
Mudar de cidade
Ganhar na mega sena
Ganhar um prêmio em um bingo
Virar noite acordado

E a sua cidadão de agora?

***

ps: e o título da bagaça é porque eu gosto de melância e estou comendo uma deliciosa fatia agora, as 4h da manhã.

a perspectiva sociológica

[seg] 5 de setembro de 2016

“Todo papel na sociedade acarreta uma certa identidade. […] Essas diferenças na facilidade ou dificuldade com que se muda de papel não deve obscurecer o fato de que até mesmo as identidades que julgamos constituir a essência de nossas personalidades foram atribuídas socialmente. […]

As identidades são atribuídas pela sociedade. É preciso ainda que a sociedade as sustente e com bastante regularidade. Uma pessoa não pode ser humana sozinha e, aparentemente, não pode apegar-se a qualquer identidade sem o amparo da sociedade.” Peter Berger. Perspectivas sociológicas, uma visão humanística. 1986.

mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado

[ter] 5 de julho de 2016

00:50 –

#1 há uma lista de coisas esperando na sala dos rascunhos… coisas até interessantes.

#2 nestes últimos dias dou-me conta desta estranha sensação que me acompanha há uns bons meses… não consigo verbaliza-lá. tudo está aparentemente tranquilo, no seu devido lugar, imóvel. já não há aquele sufoco e nervosismos dos primeiros meses… tudo virou uma calmaria e eu sinto um vazio imenso…
e talvez seja deste ponto que parte essa vontade de fugir dos compromissos e das tarefas mais banais – e tudo mais. talvez parta deste ponto essa desistência do mundo.

#3 é que tentei escrever sobre como as coisas estão bem, e como eu devia estar contente, agradecido… mas engasguei.

00:51

exercícios sobre o cansaço e a rotina

[qui] 5 de maio de 2016

arremesso a pedra
sobre a água
a poesia é pesada.

***

rotina do dia
poesia de pedra
manhã pesada.

***

quando a gravidade
arca o corpo
e o peso da vida
torna tudo quase morto

a poesia desaparece,
intangível,
como um sonho
que só existe
quando habita,
o sono imemorial.

exercício sobre as cores de alice

[ter] 5 de abril de 2016

sob um certo céu blue / antes do sol nascer / e o cor de rosa das nuvens / esvanecer // a lua sorri / como aquele gato cinematográfico / e alice passar por mim / com seus olhos de vidro / e sua boca de mangá // tudo nesta banda me devora / linha, curva, desenho / quadro em quadro / tua imagem desenhada / teu corpo indo / a saudade ficando / neste estar / efêmero e fatal // amanhece / se aproximam grandes nuvens de chumbo / e a grafia final / deste poema atemporal.

dois exercícios

[sáb] 5 de março de 2016

exercício sobre o espelho

imerso na massa de sonâmbulos / quando acordava tudo que via / era espelho.

exercício sobre o gato preto

a solidão do meu preto bonito / é um cordão perdido / deste novelo de pelos.

 

 

e se eu me estrepei?

[sex] 5 de fevereiro de 2016

se o passo foi mal dado? e se eu me estrepei. e se o que era dado por certo já não é mais e terei que me reinventar?

um ser humano deve aprender a viver com o que o cerca. a precariedade é parte do processo.

do que eu fujo? a perfeição é uma ilusão.

que demônios são estes que me devoram por dentro?

é preciso voltar para a civilização…

 

19h45. Eu que queria ampliar, não fui nem completar. Agora falta uma turma para eu conseguir manter as minhas 20 horas. 99% de chance de me reduzirem a carga horária… por enquanto não enviaram as aulas… mas ficou aquele gosto azedo… o que eu vou fazer? Se rolar apenas 10 horas eu não vou conseguir sobreviver. Preciso arrumar um segundo emprego/renda.

Estou tentando pensar positivo… já passei por situações piores. Mas neste momento esta difícil. Tudo confuso.

Outro ponto é o ego. Dificuldade lidar com essa situação material precária de dependência. Mas parte do que sou agora é resultado desse processo de auto defesa egotica, uma parte positiva porque me fez crescer intelectualmente e emocionalmente em alguns aspectos mas ainda é um processo reativo de camuflagem, de esconder o lado mais frágil… Como diz a música “o tempo todo estou tentando me defender” e isto um pouco triste e negativo.

Retomando o pensamento de outro dia sobre como é importante para mim ter pessoas fortes e interessantes perto porque a presença delas me faz um tanto exibicionistamente querer ir além do que eu faria sozinho… e neste “me mostrar” me transformo. Isto não é tão negativo como eu havia pensado antes, como algo vazio e egocêntrico de amoldar-me ao outro, de sentir como se não houvesse um fundo, e fosse eu apenas um ator na peça alheia. Mas há uma busca profunda ai… quando indivíduos e coletivos tem qualidades que eu admiro e gostaria de expressar… essa busca por ser parte disto é algo positivo… e sim este ser que vez ou outra aparece e é admirável e sensível, forte e honesto, singelo e humilde, sonhador e apaixonado… É parte de mim, por mais que eu passe quase o tempo todo duvidando de mim. Talvez ai esteja a resposta… lembrei de minha terapeuta seis anos atrás… minha imperfeição, minhas fraquezas, minha incapacidade momentânea para algumas coisas, minha precariedade… são partes de um todo, não é o todo. Não mergulhe nos seus medos… não queira sumir… não desista de você mesmo senhor. Acorda homem.

Sim, mergulhar nessa minha reforma foi um pouco disto, contraditoriamente, com um casa mais bonitinha posso receber visitas, mas confesso que parte era ter obsessivamente um desculpa concreta para não sair e ficar preso esperando o momento certo… a promessa do momento passou, e no fim… apenas este habito adquirido de isolar me. E de duas uma, posso passar o resto do tempo angustiado e num misto de pena e raiva de mim mesmo ficar chorando pela cagada que eu fiz… oi me reinventar… que venha o frio na barriga e os enjoos e ânsias pela ansiedade de um algo novo. As coisas vão dar certo. Há males que vem para bem.

Parte desse texto é narrado pelo Google Now como agora

E parte foi digitado.

20h31 aqui iria um link para o bersuit vergarabat com sua canção sencillamente

exercício em sambaqui: do mirante ao profundo mar

[sáb] 5 de dezembro de 2015

porque eu não estou afim de ver ninguém não… vontade de ficar em silêncio e ser consumido pela melancolia, o que dela vira poesia. tarde cinza, linda, encrespada, fria, solitária.

 

exercício em sambaqui: do mirante ao profundo mar

desço a ladeira
como quem houve um sax
suave e rouco
ao longe
passo a passo
sem moldura
o mar encrespa
a canoa segue ancorada,
sem saber onde ir,
balança

e eu me demoro
nesta tarde que desliza
sob o céu pesado
por uma frota nebular
que invade a paisagem…

as árvores, insanas, acenam
ao vento que me pede pra ficar
suspenso, em seus braços invisíveis
e se eu tivesse a força necessária
seria tua tempestade:
suave e fatal.

mas me deixo
ladeira abaixo
como quem houve um sax
e segue amargo
distante
passo a passo
sem doçura
pressentindo a partida
um encouraçado vazio
sem saber onde ir,
que dentro de si
naufraga.

4-5/12.15. Sambaqui/floripa.

trilha de fundo: barulho do mar, do vento nas árvores… e embalado pela suavidade de tok tok tok.

como quem aquece a água sem deixar ferver…

[sáb] 7 de novembro de 2015

5h55. Como quem aquece a água sem deixar ferver…

paulo vanzolini

[seg] 5 de outubro de 2015

achado / dica do dia

warsaw

[qua] 5 de agosto de 2015

[16:47] alergia em modo super. no resto eu estou em modo im… implosão em contagem regressiva… .. . dói a cabeça, o peito e a consciência. preciso de tempo. vontade de nada. cansado dessa gente toda.

[17:25] na segunda atualizei o windows para o w10. bonito, interessante… mas desde então, vez ou outra, o sistema vai atualizando os drivers, programas e app… e neste exato instante em que utilizo a impressora e o escâner, a epson resolve baixar e realizar uma atualização que me trava tudo. e ai bate aquele desespero, porque tu já estás atrasado (se sair agora já não pega a primeira aula inteira), e se passar um minuto a mais irás perder o horário do ônibus, nem na segunda aula chegas. e ai surge aquela lampada, e num instalo você decide: FODA-SE TUDO.

[17:50] decisão tomada. estou pacífico agora. faz uma semana ou mais que eu não quero ir trabalhar… estou com vontade de ficar longe da escola por esses dias. estou estressado com tudo isso… não exatamente com o excesso de trabalho, mas com a falta de sentido deste. o sistema, o governo, a direção, os alunos… todo mundo quer de mim apenas dados, horas, notas… burocracia. e a educação para resistência e transformação?! não se vê. é tanto descaso e tanta corrupção, nos minutos tirado, na aula [pseudo]adiantada… a escola não educa… não sei o que se faz na escola… ou melhor, sei muito bem. e diante disto tudo, e da minha incapacidade neste momento de sentir animo e lutar, que pra mim é mais saudável faltar do que estar lá frustado. aproveito e me drogo, tomo uma baga de dexclorfeniramina, que segundo o wiki, é um isômero dextrôgiro do maleato de clorfeniramina. Pertence ao grupo farmacológico dos antagonistas dos receptadores H1 da histamina, atuando na prevenção e alívio de manifestações alérgicas1 . e caso eu não capote de sono… vou tentar limpar essa zona que está meu barraco. porque a madona, antes de partir, andou dormindo perto da casa e até dentro da casa até, nos momentos de maior crise, e ela estava com pulgas… e deixou uns hospedes indesejados. e o que desencadeou essa minha alergia foi o excesso de veneno que passei na ultima semana.

[23:50] limpei. lavei. estou me sentindo melhor. lista: terapia voltar. bike consertar. sair. pintar casa de amarelo ouro. comprar ferro e cimento. indicação do fukuta: 

e outras referências fuçando no fb

http://calendariofloripa.com/board/8-1-0-3865

e de fundo, na itapema

cowboy junkies cantando u2.

e tiago iorc, numa bela interpretação de uma da legião.

unobtainium

[dom] 5 de julho de 2015

crash – no limite.

as coisas acontecem mais ou menos como se espera… se improvisa tudo nesta vida. até a vida. e o sábado não foi tão duro… porque alguns seres humanos são interessantíssimos… e as aulas de sábado foram, no mínimo, interessantes. se todos as aulas que consigo desenvolver com 15 a 20 estudantes em sala… eu conseguisse com 35 ou 40. entretanto não é apenas o número de estudantes…

Mas é sintomático quando apenas 10% (os que vieram no sábado repor aula, que são os mesmos que em sala, participam das aulas…)

e os outros 90%?

***

unobtainium.

«A intimidade, v a g a r o s a m e n t e construída, vai permitir que se vislumbre a beira desse abismo, à semelhança de quem chega ao cume de uma montanha, e ao contemplar sua imensidão compreende que toda a intimidade possível consiste tão-somente em tocar por um instante sua superfície. Quem somos e do que somos capazes é um segredo desconcertante. A intimidade talvez seja uma equação impossível.  Algo impossível de se obter.Unobtainable. Unobtainium.» Excerto do texto de , extraído deste blogue coletivo: suamaenaovaivoltar.wordpress.com

***

memórias e apropriações.

timthumb

O artista José Rufino chega aos 30 anos de carreira cada vez mais interessado em tratar dos esquecimentos coletivos.” Ver texto e vídeo completo em: arte 1 em movimento.

ps: este fragmento complementa esta postagem aqui: configurações de esquecimento. agora eu sei o nome do artista…

***

e agora, 19:07, ao acaso, decido qual será minha próxima leitura: o estrangeiro, de albert camus.

***

coleção de frases soltas… #1 realidade natural é sempre formada por sistemas complexos. os sistemas simples, nessas perspectiva, são sempre abstrações…. #2 catching sunbeams…

olóomi ayé s’óromon fée s’oròodò

[sex] 5 de junho de 2015

Mar de Sophia – Faixas

#1 Canto de Oxum // Compositores: Pedro Amorim e Paulo Cesar Pinheiro

«Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar» Sophia De Mello Breyner

Yèyé e yèyé s’oròodò, yèyé o yèyé s’oròodò / Olóomi ayé s’óromon fée s’oròodò [Nhem-nhem-nhem / Nhem-nhem ô xorodô / Nhem-nhem-nhem / Nhem-nhem ô xorodô / É o mar, é o mar / Fé-fé xorodô] / Oxum era rainha, / Na mão direita tinha / O seu espelho onde vivia á se mirar //

#2.1 Yemanjá Rainha do Mar. // Composição: Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro

Quanto nome tem a Rainha do Mar? / Quanto nome tem a Rainha do Mar? / Dandalunda, Janaína, / Marabô, Princesa de Aiocá, Inaê, Sereia, Mucunã, / Maria, Dona Iemanjá. / Onde ela vive? / Onde ela mora? / Nas águas, / Na loca de pedra, / Num palácio encantado,/ No fundo do mar. / O que ela gosta? / O que ela adora?/ Perfume,/ Flor, espelho e pente / Toda sorte de presente / Pra ela se enfeitar. / Como se saúda a Rainha do Mar? / Como se saúda a Rainha do Mar? / Alodê, Odofiaba, / Minha-mãe, Mãe-d’água, / Odoyá! / Qual é seu dia, / Nossa Senhora? / É dia dois de fevereiro/ Quando na beira da praia / Eu vou me abençoar./ O que ela canta?/ Por que ela chora?/ Só canta cantiga bonita / Chora quando fica aflita / Se você chorar./ Quem é que já viu a Rainha do Mar?/ Quem é que já viu a Rainha do Mar?/ Pescador e marinheiro / que escuta a sereia cantar./ É com povo que é praieiro que Dona Iemanjá/ quer se casar. //

#2.2 Beira-Mar // Composição: Roberto Mendes / Capinan

Dentro do mar tem rio… / Dentro de mim tem o quê? / Vento, raio, trovão / As águas do meu querer /Dentro do mar tem rio… / Lágrima, chuva, aguaceiro / Dentro do rio tem um terreiro / Dentro do terreiro tem o quê? /Dentro do raio trovão / E o raio logo se vê / Depois da dor se acende / Tua ausência na canção /Deságua em mim a paixão / No coração de um berreiro / Dentro de você o quê? / Chamas de amor em vão /Um mar de sim e de não / Dentro do mar tem rio / É calmaria e trovão / Dentro de mim tem o quê? /Dentro da dor a canção / Dentro do guerreiro flor / Dama de espada na mão / Dentro de mim tem você /Beira-mar / Beira-mar / Ê ê beiramar / Cheguei agora / Ê ê beira-mar / Beira-mar beira de rio / Ê ê beira-mar //

#3.1 Marinheiro Só // Composição: Clementina de Jesus

Eu não sou daqui / Marinheiro só / Eu não tenho amor / Marinheiro só / Eu sou da bahia/ Marinheiro só/ De são salvador / Marinheiro só/ Lá vem, lá vem / Marinheiro só / Como ele vem faceiro/ Marinheiro só / Todo de branco/ Marinheiro só / Com o seu bonezinho / Marinheiro só/ Ô, marinheiro marinheiro / Marinheiro só / Ô, quem te ensinou a nadar / Marinheiro só / Ou foi o tombo do navio / Marinheiro só / Ou foi o balanço do mar/ Marinheiro só //

#3.2 O Marujo Português // Composição: Linhares Barbosa & Arthur Ribeiro

«Vem do mar azul o marinheiro
Vem tranquilo ritmado inteiro
Perfeito como um deus,
Alheio às ruas.» Sophia de Mello Breyner Andresen

Quando ele passa, o marujo português / Não anda, passa a bailar, como ao sabor das marés / Quando se ginga, faz tal jeito, tem tal proa / Só pra que se não distinga / Se é corpo humano ou canoa /Chega a Lisboa, salta do barco e num saltoVai parar à Madragoa ou então ao Bairro Alto / Entra em Alfama e faz de Alfama um convés / Há sempre um Vasco da Gama num marujo português /Quando ele passa com seu alcache vistoso / Traz sempre pedras de sal, no olhar malicioso / Põe com malícia a sua boina marujaMas se inventa uma carícia, não há mulher que lhe fuja /Uma madeixa de cabelo descomposta / Pode até ser a fateixa de que uma varina gosta / Quando ele passa, o marujo portuguêsPassa o mar numa ameaça de carinhosas marés //

#4 Poema Azul //Composição: Sérgio Ricardo

O mar beijando a areia / O céu e a lua cheiaQue cai no marQue abraça a areiaQue mostra o céuE a lua cheiaQue prateia os cabelos do meu bemQue olha o mar beijando a areiaE uma estrelinha solta no céuQue cai no marQue abraça a areiaQue mostra o céu e a lua cheiaum beijo meu //

«Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim, / A tua beleza aumenta quando estamos sós / E tão fundo intimamente a tua voz / Segue o mais secreto bailar do meu sonho, / Que momentos há em que eu suponho / Seres um milagre criado só para mim.» Sophia de Mello Breyner Andresen

#5 Kirimurê // Composição: Jota Velloso

Espelho virado ao céu / Espelho do mar de mim/ Iara índia de mel / Dos rios que correm aqui / Rendeira da beira da terra / Com a espuma da esperança / Kirimurê linda varanda / De águas salgadas mansas / De águas salgadas mansas / Que mergulham dentro de mim / Meu Deus deixou de lembrança / Na história dos sambaquis / Na fome da minha gente / E nos traços que eu guardo em mim / Minha voz é flecha ardente / Nos catimbós que vivem aqui / Eira e beira / Onde era mata hoje é Bonfim / De onde meu povo espreitava baleias / É farol que desnorteia a mim / Eira e beira / Um caboclo não é Serafim / Salve as folhas brasileiras / Oh salvem as folhas pra mim / Se me der a folha certa / E eu cantar como aprendi / Vou livrar a Terra inteira / De tudo que é ruim / Eu sou o dono da terra / Eu sou o caboclo daqui / Eu sou o dono da terra / Eu sou o caboclo daqui /Eu sou Tupinambá que vigiaEu sou o caboclo daqui / Eu sou Tupinambá que vigia / Eu sou o caboclo daqui / Eu sou o dono da terra / Eu sou o caboclo daqui //

#6 Grão de Mar  // Composição: Márcio Arantes e Chico César

«Através do teu coração passou um barco / Que não para de seguir sem ti o seu caminho» Sophia De Mello Breyner

Lá no meu sertão plantei / Sementes de mar / Grãos de navegar / Partir / Só de imaginar, eu vi / Água de aguardar / Onda a me levar / E eu quase fui feliz /Mas nos longes onde andei / Nada de achar / Mar que semeei, perdi / A flor do sertão caiu / Pedra de plantar / Rosa que não há / Não dáNão dói, nem diz /E o mar ficou lá no sertão / E o meu sertão em nenhum lugar / Como o amor que eu nunca encontrei / Mas existe em mimMas nos longes onde andei / Nada de achar / Mar que semeei,perdi / A flor do sertão caiu / Pedra de plantar / Rosa que não há / Não dá / Não dói, nem dizE o mar ficou lá no sertão / E o meu sertão em nenhum lugar / Como o amor que eu nunca encontrei / Mas existe em mim //

 #7.1 Quadrinha: O Mundo é Grande // Autor: Carlos Drummond de Andrade

O mundo é grande e cabe / nesta janela sobre o mar. / O mar é grande e cabe / na cama e no colchão de amar. / O amor é grande e cabe / no breve espaço de beijar //

«O mar azul e branco e as luzidias/ Pedras – O arfado espaço / Onde o que está lavado se relava / Para o rito do espanto e do começo / Onde sou a mim mesma devolvida / Em sal espuma e concha regressada / À praia inicial da minha vida.» SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in MAR [Antologia organizada por Maria Andresen de Sousa Tavares] (Ed. Caminho 1.ª ed., 2001, 7ª ed., 2009)

#7.2 Cirandas // Autora: Sueli Costa / Domínio Público

Cavalo marino / Dança no terreiro / Que a dona da casa / Tem muito dinheiro / Cavalo marinho / Dança na calçada / Que a dona da casa / Tem galinha assada // Peixinho marinho / Quem te ensinou a nadar? / Peixinho marinho / Quem te ensinou a nadar? / Foi foi foi minha mãe  / A sereia do mar //A maré encheu / A maré vazou / Os cabelos da morena / O riacho carregou // Vadeia Dois-Dois / Vadeia no mar / A casa é sua Dois-Dois / Eu quero ver vadiar // O vapor de Cachoeira não navega mais no mar / O vapor de Cachoeira não navega mais no mar / Arriba a prancha toca o búzio / Nós queremos navegar / Ai ai ai ai / Nós queremos navegar //

#8.1 Debaixo D´água / Agora // Autores: Arnaldo Antunes – Tony Bellotto/Charles Gavin/Branco Mello/Nando Reis/Marcelo Fromer

Debaixo d’água tudo era mais bonito / Mais azul, mais colorido / Só faltava respirar / Mas tinha que respirar // Debaixo d’água se formando como um feto / Sereno, confortável, amado, completo / Sem / chão, sem teto, sem contato com o ar / Mas tinha que respirar / Todo dia / Todo dia, todo dia / Todo dia / Todo dia, todo dia // Debaixo d’água por encanto sem sorriso e sem pranto / Sem lamento e sem saber o quanto / Esse momento poderia durar // Mas tinha que respirar / Debaixo d’água ficaria para sempre, ficaria contente / Longe de toda gente, para sempre no fundo do mar / Mas tinha que respirar / Todo dia / Todo dia, todo dia / todo dia / Todo dia, todo dia // Debaixo d’água, protegido, salvo, fora de perigo / Aliviado, sem perdão e sem pecado / Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar / Mas tinha que respirar / Debaixo d’água tudo era mais bonito / Mais azul, mais colorido / Só faltava respirar / Mas tinha que respirar / Todo dia / Agora que agora é nunca / Agora posso recuar / Agora sinto minha tumba / Agora o peito a retumbar / Agora a última resposta / Agora quartos de hospitais / Agora abrem uma porta / Agora não se chora mais / Agora a chuva evapora / Agora ainda não choveu / Agora tenho mais memória / Agora tenho o que foi meu / Agora passa a paisagem / Agora não me despedi / Agora compro uma passagem / Agora ainda estou aqui / Agora sinto muita sede / Agora já é madrugada / Agora diante da parede / Agora falta uma palavra / Agora o vento no cabelo / Agora toda minha roupa / Agora volta pro novelo / Agora a língua em minha boca / Agora meu avô já vive / Agora meu filho nasceu / Agora o filho que não tive / Agora a criança sou eu / Agora sinto um gosto doce / Agora vejo a cor azul / Agora a mão de quem me trouxe / Agora é só meu corpo nu / Agora eu nasço lá de fora / Agora minha mãe é o ar / Agora eu vivo na barriga / Agora eu brigo pra voltar / Agora / Agora / Agora //

#9 Memórias do Mar // Composição: Vevé Calazans / Jorge Portugal

A água do mar na beira do cais / Vai e volta volta e meia vem e vai /A água do mar na beira do cais / Vai e volta volta e meia vem e vai / Quem um dia foi marinheiro audaz / Relembra histórias / Que feito ondas não voltam mais /Velhos marinheiros do mar da Bahia / O mundo é o mar / Maré de lembranças / Lembranças de tantas voltas que o mundo dá /Tempestades e ventos / Tufões violentos / E arrebentação / Hoje é calmaria / que dorme dentro do coração /Velhos marinheiros do mar da Bahia / O mundo é aqui / Maré mansa e morna / De Plataforma ou de Peri-PeriVelhos marinheiros do mar da Bahia / O mundo é o mar / Maré de lembranças / Lembranças de tantas voltas que o mundo dá //

#10 As Praias Desertas //Composição: Antonio Carlos Jobim

«Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo. / Mal de te amar neste lugar de imperfeição / Onde tudo nos quebra e emudece / Onde tudo nos mente e nos separa.» /Sophia de Mello Breyner Andresen / in ‘Poemas escolhidos’ 2004

As praias desertas continuam / Esperando por nós dois / A este encontro eu não devo faltar / O mar que brinca na areia / Está sempre a chamar / Agora eu sei que não posso faltar / O vento que venta lá fora / O mato onde não vai ninguém / Tudo me diz / Não podes mais fingir / Porque tudo na vida há de ser sempre assim / Se eu gosto de você / E você gosta de mim / As praias desertas continuam / Esperando por nós dois //

#11.1 O Vento // Composição: Dorival Caymmi

Vamos chamar o vento / Vamos chamar o vento / (Vento que dá na vela / Vela que leva o barco / Barco que leva a gente / Gente que leva o peixe / Peixe que dá dinheiro, Curimã / Curimã ê, Curimã lambaio / Curimã ê, Curimã lambaio / Curimã / Curimã ê, Curimã lambaio / Curimã ê, Curimã lambaio / Curimã / Vamos chamar o vento / Vamos chamar o vento / Vento que dá na vela / Vento que vira o barco / Barco que leva a gente / Gente que leva o peixe / Peixe que dá dinheiro, Curimã) / Vamos chamar o vento / Vamos chamar o vento //

«É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firme e certa como bala

As suas asas empresta
à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente

Ela não busca a rocha o cabo o cais
Mas faz da insegurança a sua força
E do risco de morrer seu alimento

Por isso me parece imagem justa
Para quem vive e canta no mau tempo» Procelária (In.: Geografia, de Sophia Andresen)

#11.2 A Dona do Raio e do Vento // Composição: Paulo César Pinheiro

O raio de Iansã sou eu / Cegando o aço das armas de quem guerreia / E o vento de Iansã também sou eu / Que Santa Bárbara é santa que me clareia / A minha voz é o vento de maio / Cruzando os ares, os mares e o chão / E meu olhar tem a força do raio / que vem de dentro do meu coração / O raio de Iansã sou eu / Cegando o aço das armas de quem guerreia / E o vento de Iansã também sou eu / Que Santa Bárbara é santa que me clareia / Eu não conheço rajada de vento / Mais poderosa que a minha paixão / E quando o amor relampeia aqui dentro / Vira um corisco esse meu coração / Eu sou a casa do raio e do vento / Por onde eu passo é zunido é clarão / Porque Iansã desde o meu nascimento / Tornou-se a dona do meu coração / O raio de Iansã sou eu / Cegando o aço das armas de quem guerreia / E o vento de Iansã também sou eu / Que Santa Bárbara é santa que me clareia / O raio de Iansã sou eu / E o vento de Iansã também sou eu / O raio de Iansã sou eu //

#12 Lágrima // Composição: Roque Ferreira

Lágrima por lágrima hei de te cobrar / Todos os meus sonhos que tu carregaste, hás de me pagar / A flor dos meus anos, meus olhos insanos de te esperar / Os meus sacrifícios, meus medos, meus vícios, hei de te cobrar / Cada ruga que trouxer no rosto, cada verso triste que a dor me ensinar / Cada vez que no meu coração, morrer uma ilusão, hás de me pagar / Toda festa que adiei, tesouros que entreguei, a imensidão do mar / As noites que encarei sem Deus, na cruz do teu adeus, hei de te cobrar / A flor dos meus anos, meus olhos insanos, de te esperar / Os meus sacrifícios, meus medos, meus vícios, hei de te cobrar / Cada ruga que eu trouxer no rosto, cada verso triste que a dor me ensinar / Cada vez que no meu coração morrer uma ilusão, hás de me pagar / Toda festa que adiei, tesouros que entreguei, a imensidão do mar / As noites que encarei sem Deus, na cruz do teu adeus, hei de te cobrar… / Lágrima por lágrima.

#13.1 Noiva: Cantiga da Noiva // Composição: Dorival Caymmi

É tão triste ver / Partir alguém / Que a gente quer / Com tanto amor / E suportar / A agonia / De esperar voltar… / Viver olhando / O céu e o mar / A incerteza / A torturar / A gente fica só / Tão só / A gente fica só / Tão só… / É triste esperar.

#13.2 Floresta do Amazonas // Composição: Heitor Villa Lobos

Sonhar na tarde azul / Do teu amor ausente / Suportar a dor cruel / Com esta mágoa crescente / O tempo em mim / Agrava o meu tormento, amor / Tão longe assim de ti / Vencida pela dor / Na triste solidão / Procuro ainda te encontrar / Ah amor, meu amor….

«Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.» Pirata – Sophia de Mello Breyner Andresen

#14 Portela: Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite //Composição: David Corrêa e Jorge Macedo

«O teu destino deveria ter passado neste porto
Onde tudo se torna impessoal e livre
Onde tudo é divino como convém ao real» Sophia de Mello Breyner Andersen, «Dual» in Obra Poética III, Lisboa, Caminho, 1999, 4.ª ed.

Deixa-me encantar / Com tudo teu e revelar la, ra,ra / O que vai acontecer / Nesta noite de esplendor / O mar subiu na linha do horizonte / Desaguando como fonte / Ao vento a ilusão teceu / O mar, ô o mar! / Por onde andei mareou, mareou! / Rolou na dança das ondas / No verso do cantador / Dança quem tá na roda / Roda de brincar / Prosa na boca do vento / E vem marear (BIS) / Eis o cortejo irreal / Com as maravilhas do mar / Fazendo o meu carnaval / É a vida a brincar / A luz raiou pra clarear a poesia / Num sentimento que desperta na folia / Amor! Amor! / Amor sorria, ô ô ô / Um novo dia, despertou / E lá vou eu, e lá vou eu / Pela imensidão do mar / Esta onda que borda a avenida de espuma / Me arrasta a sambar (BIS) /

#15 Canto de Nanã // Composição: Dorival Caymmi

Ê de noite ê / De noite até de manhã – iê / Ouvi cantá pra Nanã

lá em casa ás árvores…

[dom] 5 de abril de 2015

Ao Vivo Lá Em Casa
Arnaldo Antunes
Estilo: Pop
Gravadora: Rosa Celeste
Ano: 2010

1. A Casa é Sua // 5’04” // Compositor: Arnaldo Antunes e Ortinho (Wharton Gonçalves Filho) // não me falta cadeira / não me falta sofá / só falta você sentada na sala / só falta você estar // não me falta parede / e nela uma porta pra você entrar / não me falta tapete / só falta o seu pé descalço pra pisar // não me falta cama / só falta você deitar / não me falta o sol da manhã / só falta você acordar // pra as janelas se abrirem pra mim / e o vento brincar no quintal / embalando as flores do jardim / balançando as cores no varal // a casa é sua / por que não chega agora? / até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora // a casa é sua / por que não chega logo? / nem o prego aguenta mais o peso desse relógio // não me falta banheiro quarto / abajur, sala de jantar / não me falta cozinha / só falta a campainha tocar // não me falta cachorro / uivando só porque você não está / parece até que está pedindo socorro / como tudo aqui nesse lugar // não me falta casa / só falta ela ser um lar / não me falta o tempo que passa / só não dá mais para tanto esperar // para os pássaros voltarem a cantar / e a nuvem desenhar um coração flechado / para o chão voltar a se deitar / e a chuva batucar no telhado // a casa é sua / por que não chega agora? / até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora // a casa é sua / por que não chega logo / nem o prego aguenta mais o peso desse relógio /// 2. Essa Mulher  // 3’05” //  Compositor: Arnaldo Antunes //   ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher //  ela goza com o sabonete / não precisa de você / ela goza com a mão / não precisa do seu pau //  ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher //  que não sente a sua falta / e quando você chega em casa ela não sente a sua presença / ela tem um travesseiro mais macio do que o seu braço / e um acolchoado muito mais quente que o seu abraço //  ela quer viver sozinha / sem a sua companhia / e você ainda quer essa mulher /// 3.  Americana  // 3’32” //  Compositor: Arnaldo Antunes //  Ela é americana da América do Sul / Ela é americana da América do Sul / Eu amo uma americana / Ela é bacana e linda pra chuchu / Quando eu tô na pior / Ela está na melhor / Ela me dá tutu // Com ela não tem cara feia / Tudo é limpeza / Tudo está legal / Com ela não tem dedo-duro / Nada de furo / Ela é genial // Gosta de uma maluquice / Mas de caretice ela tem horror / Gosto da Americana / Não me fale dela / Eu lhe peço por favor //Tô gamado nela / Vou me casar com ela / Não tem deduração / Vou fazer com ela uma transação /// 4.  Consumado // 4’11” // Composição: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte //  Tô louco pra fazer / Um rock prá você / Tô punk de gritar / Seu nome sem parar… // Primeiro eu fiz um blues / Não era tão feliz / E de um samba-canção / Até baião eu fiz… // Tentei o tchá tchá tchá / Tentei um yê yê yê / Tô louco prá fazer / Um funk prá você… // E tá consumado / Tá consumado / Tá consumado / Tá consumado… // Fiz uma chanson d’amour / Fiz um love song for you / Fiz una canzone per te / Para impressionar você… // Prá todo mundo usar / Prá todo mundo ouvir / Prá quem quiser chorar / Prá quem quiser sorrir… // Na rádio e sem jabá / Na pista e sem cair / Um samba prá você / Um rock and roll to me… // E tá consumido / Tá consumido / Tá consumido / Tá consumido… // Fiz uma chanson d’amour / Fiz um love song for you / Fiz una canzone per te / Para impressionar você… /// 5. Sou Uma Criança, Não Entendo Nada // 3’26” // Composição: Erasmo Carlos // Antigamente quando eu me excedia / Ou fazia alguma coisa errada / Naturalmente minha mãe dizia: / “Ele é uma criança, não entende nada”… // Por dentro eu ria / Satisfeito e mudo / Eu era um homem / E entendia tudo… // Hoje só com meus problemas / Rezo muito, mas eu não me iludo / Sempre me dizem quando fico sério: / “Ele é um homem e entende tudo”… // Por dentro com / A alma tarantada / Sou uma criança / Não entendo nada…  /// 6. As Melhores Coisas // 3’24” // Composição: Arnaldo Antunes // Entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida / Você estava atrás do sétimo, oitavo lugar / Depois do violão, do irmão, do gibi, da bebida / Entre a luz do fim da tarde e o azul do mar / Quando se afastou de mim depois daquela intriga / Nem sei em que lugar da lista você foi parar / Nunca imaginei você não sendo minha amiga / Nem também sonhei que eu fosse me apaixonar // Mas mudou, você veio / Derrubando o mundo inteiro / Demorou, mas veio / Com a hora do recreio // Entre as dez ou mais de mil melhores coisas da vida / Tem a bike, a night, o Nike antes de você / Mas comecei a te querer depois da despedida / Isso professor nenhum explica porque / Agora fico te esperando na hora da saída / Tenho dez ou mais de mil segredos pra contar / De tudo que tem você a coisa preferida / Você finalmente chegou ao primeiro lugar // Seu blusão vermelho / O incenso do seu cheiro / Sua mão, seu cabelo / No meu travesseiro // Agora o tempo pode passar (3x) / Você já é primeiro lugar / Agora o tempo pode passar / Você já é primeiro lugar  /// 7. Envelhecer // 4’22” // Composição: Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho (Wharton Gonçalves Filho)  // A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer / A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer / Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer / Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer // Não quero morrer pois quero ver / Como será que deve ser envelhecer / Eu quero é viver pra ver qual é / E dizer venha pra o que vai acontecer // Eu quero que o tapete voe / No meio da sala de estar / Eu quero que a panela de pressão pressione / E que a pia comece a pingar / Eu quero que a sirene soe / E me faça levantar do sofá / Eu quero pôr Rita Pavone / No ringtone do meu celular / Eu quero estar no meio do ciclone / Pra poder aproveitar / E quando eu esquecer meu próprio nome / Que me chamem de velho gagá // Pois ser eternamente adolescente nada é mais demodé / Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer / Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender / Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr // (…)   /// 8. Pra Aquietar // 2’55” // Composição: Luiz Melodia // O sol vermelho é o clarão do dia / Da ilha longa de paquetá / Domingo santo ou qualquer dia / Pra aquietar, pra aquietar / Os novos velhos tempos de férias / Cinema a atração que sumiu / Machismo, elegância paterna / Pra aquietar, pra aquietar / A noite é a brincadeira do dia / O dia é a brincadeira do mar / O mar é a brincadeira da vida / Pra aquietar, pra aquietar / Não posso pra lá paraguaio pára / Menino de cá faço o tempo parar / Eu posso acalmar qualquer hora posso / Um dia todo posso acalmar / Coral é natural, café da capital / Da ilha longa nova de lá  / Coral é natural, café da capital /// 9. As Árvores // 6’50” // Composição: Arnaldo Antunes, Jorge Ben Jor // As árvores são fáceis de achar / Ficam plantadas no chão / Mamam do sol pelas folhas / E pela terra / Também bebem água / Cantam no vento / E recebem a chuva de galhos abertos / Há as que dão frutas / E as que dão frutos / As de copa larga / E as que habitam esquilos / As que chovem depois da chuva / As cabeludas, as mais jovens mudas / As árvores ficam paradas / Uma a uma enfileiradas / Na alameda / Crescem pra cima como as pessoas / Mas nunca se deitam / O céu aceitam / Crescem como as pessoas / Mas não são soltas nos passos / São maiores, mas / Ocupam menos espaço / Árvore da vida / Árvore querida / Perdão pelo coração / Que eu desenhei em você / Com o nome do meu amor. /// 10. Meu Coração // 6’05” // Composição: Arnaldo Antunes // Meu coração bate sem saber / Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender / Meu coração bate sem saber / Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender // Quem sente agora está ausente / Quem chora agora está por fora / Quem ama agora está na cama doente / Só corre nunca chega na frente / Se chega é pra dizer vou embora / Sorriso não me deixa contente //E todas as pessoas que falam pra me consolar / Parecem um bocado de bocas se abrindo e fechando / Sem ninguém pra dublar / Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar / Não sirvo pra quem dá conselho / Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar /// 11. Cachimbo // 2’34” // Composição: Edvaldo Santana // Sou a madeira que sempre fico na bera / Perfume de sarro e cera / Que dança no seu beicinho / É evidente que sou preso pelos dentes / Chaminé dos inocentes / Embebedo de mansinho // Sou pau de boca de saci a magistrado / Desejado e adorado / Alimentado pelo fumo / Mata cachorro bem capacho distraído / Carimbado e mau vestido / Que eu num sei qual é meu rumo // Sou a birita mescla de cachaça e mel / Cabeça seca pelo céu / Pela chama do atrito // No meu fornilho se deita qualquer tabaco / A chupada me faz fraco / Sou um verdadeiro pito // Seu pensador vê se decifra para mim / Eu já passei por tanto horror / Porque é que não morri? / Será que é só pra manter o combinado / Que pra ter um chupador / Ter que nascer um já chupado? // Tá assustado? / Tá assustado? / Tá assustado? /// 12. Quando Você Decidir // 3’23” // Composição: Odair José // Quando você decidir / Dar pra mim / Só pra mim / O seu amor // Eu vou estar sempre aqui / Perto daqui / Chame por mim / Por favor // Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor // Quando você decidir / Dar pra mim / Só pra mim / O seu carinho // Pegue seu telefone / Disque o meu número / Chame o meu nome / Por favor // Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor / Lembre que eu existo, meu amor /// 13. Vou Festejar // 3’37” // Composição: João Bosco, Dida, Neoci // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar / Pode chorar, pode chorar(2x) // Ah, o seu castigo / Brigou comigo / Sem ter porquê // Eu, / vou festejar, vou festejar / O seu sofrer, o seu penar // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar // Chora, não vou ligar / Chegou a hora / Vai me pagar / Pode chorar, pode chorar // Ah, o seu castigo / Brigou comigo / Sem ter porquê // Eu, / Vou festejar, vou festejar / O seu sofrer, o seu penar // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão (4x) // Você pagou… // Você pagou com traição / A quem sempre lhe deu a mão!/// 14. Já Fui Uma Brasa // 3’37” // Composição: Adoniran Barbosa // Eu também um dia fui uma brasa / E acendi muita lenha no fogão / E hoje o que é que eu sou? / Quem sabe de mim é meu violão / Mas lembro que o rádio que hoje toca iê-iê-iê o dia inteiro, / Tocava saudosa maloca // Eu gosto dos meninos destes tal de iê-iê-iê, porque com eles, / Canta a voz do povo / E eu que já fui uma brasa, / Se assoprarem posso acender de novo // (declamado): / É negrão… eu ia passando, o broto olhou pra mim e disse: é uma cinza, mora? / Sim, mas se assoprarem debaixo desta cinza tem muita lenha pra queimar.

***

ps: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

ouvir também: Ninguém – Arnaldo Antunes

***

e alguns exercícios:

título: meu último poema de amor

meu último poema de amor

meu último poema de amor
é uma página nua
onde caberá o que há de vir
onde versos se farão futuro
como frutos
semeados
e fundos, brotarão
rompendo o que há
de obscuro úmido
e húmus desta vida
em busca da luz
da lua cheia
e do ardor solar

meu último poema de amor
é uma intenção,
tensa,
tesão,
ansioso pelos versos
que fruirão boca em boca…
e que decifrarão
os códigos, tatos, afetos
e o verbo
por ser dito
pela língua tua.

meu último poema de amor
durará toda a minha vida
e será de riso aberto
e de dura dor – pois confesso,
sou um tanto triste.

meu último poema de amor
conterá meu peito
ensanguentado, salgado e vermelho vivo,
submerso até a última gota na jornada
pelo novo que há neste mundo velho.

meu último poema de amor
te espera.

*

e outros rascunhos… ao som de Mallu Magalhães – Pitanga Completo e Clarice Falcão – Monomania Completo.

todos os caminhos e a visão lateral

[qui] 5 de março de 2015

tantas coisas nestes dias…

e ao mesmo tempo que o tempo passa tão veloz pelos encontros e diálogos vivenciados nestes dias… sinto cá dentro uma vontade de ficar em silêncio observando todos esses sentimentos… mensurando, ponderando e/ou apenas sentindo-os.

sentindo como viver faz bem… como bom é nadar no meio desta multidão… me sinto mais bonito e vivo sendo povo. mas eu sou destes que precisa de, tempos em tempos, mergulhar fundo na imensidão azul e ficar sozinho, um respiro, por lá…

e as vezes temos planos, mas a vida gira, e nestes momentos é necessário apenas deixar o caminho nos mostrar para onde e como ir, ir meio que a deriva ao sabor do vento… e nestes dias não importa tanto o destino… e sim o navegar.

e eu não vou falar da assembleia do professores (3/3) que foi importante, nem da greve que virá (10/3), nem da lua crescente ou cheia que tem me deixado como um lobo solitário e uivante… nem da saudade de alguém, tampouco dos projetos, e da bagunça da casa em construção… e dos medos, e das vontades… e deste mundo misturado. não vou falar nada, apenas sentir tudo isto acontecendo ao mesmo tempo.

e abaixo um canção… como não encontrei a letra, transcrevi aqui o que entendi: «o que se esconde? o que não vi? em que planeta? em que país? em um instante felicidade pode seguir… pela cidade, uma paisagem atrás daquela outra por vir, perto da pele, alguém chegando da para sentir… e quando sol se poe… pela janela se vê além do meu jardim… deixa que o céu se demore para te receber. fico daqui, vejo passar você. devo 

5.mar.15h40m

missing enough to feel alright

[qui] 5 de fevereiro de 2015

16h01min.

e falta uma hora para sair. falta tanta coisa por ser feita. fiz tão pouco hoje.

e ontem não foi imenso… pois eu não a vi.

ontem foi exaustivo… cansei. foi o primeiro dia na escola.

não sei se foi o dormir pouco, ler muito, preparar texto, expor para os demais, e alimentar-se mal… e ficar tanto tempo focado em uma coisa… mas ontem cheguei tão cansado em casa que a vontade foi de dormir e avancei hoje um bocado.

o diferente é: trabalharemos com temáticas buscando uma interdisciplinaridade… e na área de ciências humanas estamos em migração.

* e para ela uma canção: nando reis e andréa martins – Luz Dos Olhos. e vou pensar positivo. para a vida ficar mais clara e viva. tomará que ela não desista de mim, eu não desisti. e que possamos nos reencontrar.

hy-brasil

[seg] 5 de janeiro de 2015

#1 onze e quarenta e cinco: por que escrever?

izabel chegou e perguntou, naquele tom todo seu e tão pouco, ou nada, sutil que eu amo tanto [há uma leve ironia aqui]: o que faço tão cedo em frente ao computador?

eu leio?! eu escrevo num blogue… que um dia irás ler [e no futuro… estás lendo isto aqui… e nem lembras do que te falei agora… lembrou?].

e enquanto escrevo este texto rola na itapema o programa soul vintage

#2 onze e cinquenta e nove: enquanto ela toma café, eu tomo meu mate e o dia está lindo… ensolarado e com uma leve brisa… e explico para ela porque ela deve até sua casa e abrir as janelas. mostro a minha e como todas as janelas e portas estão abertas e desta forma a casa é ventilada… ela parte, sem reclamar… e mais sobre ela para não esquecer que entre os dias dezoitovinte e oito do mês passado, em algum hora que não me recordo qual, me peguei mirando izabel e pensando como aquele ser ali, hoje, tão familiar e querido há quatro ou cinco anos atrás era tão estranho… estrangeira... e assim são os vínculos que se fazem no cotidiano, na relação repleta de erros e acertos. hoje tenho uma filha, e a meta deste ano é registrá-la. e eu sei… sou lento… mas cada um dá seu passo no seu tempo… e ai eu cresço um bocado depois deste passo.

e enquanto escrevo isto aqui toca na itapema o comentário do pedro leite falando da interpretação de billy swan – don’t be cruel.

#3 doze e treze: e é dois mil e quinze… uau… que esse tempo danado voa. final e começo de ano foram exaustivo… e andei doente.

e o título «o’brazil» ou «hy breasil» desta postagem, que motivou escrever por cá algumas linhas, vem da leitura do livro taipas – origem do homem do contestado – o caboclo de otacílio schüler. leitura segue bem interessante… ele articula fatos que eu ignorava… e a tese dele é interessante… desde a formação ibérica com a influencia dos maragatos, mouriscos, moçárabes… até os adelantados del rio de la plata, passando pelo caminho de peabiru… e ilha mítica flutuante hy-brasil. estou na metade do livro.

Abaixo, via wikipédia:

A origem da palavra gaélica O’Brazil é o celta Hy Breasil, que significa descendentes do vermelho, ou os do vermelho, onde o s é igual ao z (de onde Hy Breazil), do celta breasil, breazil para vermelho. Ressalte-se que o s do celta breasil só foi transliterado pelo s latino por manifesto erro de interpretação gráfica.

Neste contexto o vocábulo O’Brazil, os do vermelho, passou a constituir uma referência aos gregos e fenícios, os quais ao deixarem de comerciar o cinábrio com os celtas como que desapareceram nas brumas do Atlântico, tornando-se um povo mítico e afortunado, que nunca voltou à Irlanda, porque vivia feliz na misteriosa e paradisíaca ilha do Brazil. Esta ilha do Brazil foi depois incorporada no contexto mais vasto das ilhas míticas, ligando-se à grande tradição atlântica das ilhas de São Brandão.

lembrete: buscar poema O’Brasil do poeta irlandês Moore.

a dialética na distância entre intenção e gesto

[qua] 5 de novembro de 2014

Leitura do busão… de ontem anotada hoje e que será postada amanhã [quinta-feira]

«O Ponto de partida, para Marx, está no fato de que entre as ideias e o mundo objetivo, externo à consciência, se desdobra uma intensa mediação que tem no trabalho a sua categoria fundante. Tipicamente, é pelo trabalho que os projetos ideias são convertidos em produtos objetivos, isto é, que passam a existir fora da consciência. E, do mesmo modo tipicamente, é reconhecendo as novas necessidades e possibilidades objetivas abertas pelo desenvolvimento material que a consciência pode formular projetos ideais que orientam os atos de trabalho. Realidade objetiva e realidade subjetiva são, assim, dois momentos distintos, mas sempre necessariamente articulados, do mundo dos seres humanos.
Essa relação entre consciência e objetividade é muito complexa, tão complexa como o mundo dos seres humanos. O que nos interessa, agora, é que nessa relação intervém uma determinação fundamental: como o futuro é o desdobramento causal do presente, com todas as mediações e acasos possíveis, ele não é jamais uma decorrência direta e imediata da situação atual. Por isso – ou seja, como o futuro ainda não aconteceu – a consciência pode antecipar apenas parcialmente as consequências futuras de nossas ações. Há, por isso, tipicamente, sempre uma distância entre ‘intenção e gesto’. As consequências dos atos humanos tendem a divergir, em algum grau, da finalidade que está nas suas bases, gerando novas necessidades e possibilidades e, desse modo, obrigando-nos a uma nova ação para atuar sobre as consequências dos nossos atos. Essa situação é caracterizada, por Lukács, como aquele ‘período de consequências’ no qual o ato retroage sobre a consciência por meio dos efeitos que provoca.» O conhecimento, em Introdução à filosofia de Marx. De Sérgio Lessa e Ivo Tonet.

***

da escola hoje: grupo de teatro – extracurricular; o preço do amanhã nos primeiros anos; e último dia para o projeto ‘tema livre’ com os segundos anos.

eleições 2014

[dom] 5 de outubro de 2014

Abrindo o voto, porque “é preciso mudar, radical e profundamente, nosso modo de vida. Não há solução sob a forma capitalista, a economia mercantil e a sociedade burguesa. Não há saída reformista que dê jeito”. É necessário ir além do voto, é necessário construir o poder popular!

Deputada Estadual – Elisa A. Ferreira 50300
Deputada Federal – Gabriela Santetti 1616
Senador – Amauri Soares 500
Governador – Gilmar Salgado Dos Santos 16
Presidente – Mauro Iasi 21

tangente

[sex] 5 de setembro de 2014

“Assim como Deus – coincidência de contrários (isto é: encruzilhada, intersecção de linhas, bifurcação de trajetórias, plataforma ou terreno baldio onde se cruzam todos os transeuntes) – pôde ser patafisicamente definido como “ponto tangente do zero e do infinito”, encontra-se entre os inúmeros fatos que constituem nosso universo certa espécie de nós ou pontos críticos que poderíamos geometricamente representar como lugares onde o homem tangencia o mundo e a si mesmo.” Michel Leiris

a fantástica história dos gatos na terra mágica da bruxa vó ica

[ter] 5 de agosto de 2014

DO PAPO DOIDO DA MANHÃ. O QUE FAZER PARA PASSAR O TEMPO…

a fantástica história dos gatos nas terras mágicas da bruxa vó ica

contadores: boni, izabel e luiza.

mote: narrar a origem dos três gatos.

personagens principais: a gata princesa mima; o gato uiu gordo de ioiô de iaiá; o gato princípe fedór

personagens secundários: leão caçador; bruxa vó ica, aprendiz de bruxa, bruxinha lu, bruxinha bel, urso gordo, piolhinha guerreira, bruxa anciã dona maria, o fotógrafo japonês.

* importante: todos os animais com pelagem preta e branca serão príncipes e princesas.

sinopse primeiro capitulo
na ilha/terra dos leões comilões surgiu uma gata que era diferente dos leões. e estes, por ela ser diferente, queriam acabar com ela. o leão caçador então se compromete a “dar fim” na gata. só que não… ele leva ela até a terra mágica da bruxa vó ica. por que? porque há uma história de fundo/um flashback: o leão caçador há muito tempo perdido descobriu-se por estas terras mágicas e uma velha bruxa o salvou, plantando em seu coração uma semente da amor; ele também encantou-se por uma das aprendizes de bruxa, e do amor destes dois nasceu a bruxinha luiza, então o leão que iria matar a gata salva-a levando-a para a terra mágica pois nela independente de quem sejas todos são amados e bem vindos. ao chegar na terra mágica, a bruxa vó ica, identifica a gata como pertencendo ao gatos príncipes e a anciã maria chama a de mima. assim nasce a gata princesa mima. companheira de bruxinha luiza.

sinopse segundo capítulo
nas terras de seu timóteo, um velho pescador, após um naufrágio, no rochedo, com frio e perdida, há uma bola de pelo alaranjada que mia na noite. perdera seus pais no naufrágio. quem a encontra é o um urso gordo, quem vem da terra de ioiô de iaiá. urso recém saído de mais um longo período de hibernação, percorria estas terras na companhia de uma piolhinha guerreira, e ao encontrar a bola gorda de pelo laranjada e solitária, resolve salvá-la e a leva para as terras mágicas da bruxa vó ica. lá chegando, bola gorda de pelo encanta-se pela princesa e resolve transforma-se em um gato. recebe o nome uiu gordo de ioiô de iaiá, sendo adotado pelo povo solidário e surreal da terra mágica.

sinopse terceiro capítulo
a chegado do príncipe fedór – aquele que fedia.

sinopse quarto capítulo

iridescente

[dom] 6 de julho de 2014

reunindo as notas do dia:

#1. orion, o cão pitbull do vizinho, sentido-se só, veio visitar-nos duas vezes hoje. na primeira, acompanhei-no até sua casa, abri o portão e ele entrou. então, na segunda vez, até a frente do portão ele foi. mas não quis entrar não. nem cães gostam de solidão.

#2. flipped. pela estrutura narrativa, com alternância entre os dois narradores. e pela árvore: sicômoro. e pela seguinte passagem, dita pelo avô chat ao neto bryce: «Some of us get dipped in flat, some in satin, some in gloss… But every once in a while you find someone who’s iridescent, and when you do, nothing will ever compare.»

#3. os olhos de modigliani.Amedeo Modigliani - Man_s Head _aka Portrait of a Poet_

 

 

relatório, porque há poesias esperando…

[sáb] 5 de abril de 2014

nada novo. nenhum poema… para ser honesto, alguns rascunhos… mas nada para cá. pois estou mergulhado nas 300 provas, nos 300 cadernos de campo, nos 400 fichamentos, nas apresentações e relatórios dos 15 grupos sobre movimentos sociais, no desenvolvimento do trabalho dos 50 grupos sobre instituições sociais… aff… e há aquele curso que eu nem comecei e estou um mês atrasado – será que farei? , ainda não desisti, mas não respondi nenhum email da tutora… sou dado a estes silêncios sem fim… e o conselho escolar, me candidatei… vamos ver… e o convites para reuniões do movimento sindical – vou dar uma de perdido… recuo, retrocedo… pois sem disciplina revolucionária camarada não há… e a caixa de gordura que me espera para sua limpeza, mas a chuva não vai deixar… e a área de trabalho lotada de textos por serem lindos e organizados vão todos esperar o hd entupir… e eu pensando que tudo isso bem que podia esperar… bem que podia.

porque há poesias…

[lembrar de anotar aquela passagem sobre Maiakovski  cá]. Mas voltando para o mundico, o desfio agora é conseguir o empréstimo no banco e morrer até o final do ano pagando a dívida. Mas eu não estou triste… as coisas, no movimento da lesma, andam… e tudo que não posso é ficar parado. Vamos… dormir é preciso.

resolução 110/2013… ou madera de deriva

[ter] 1 de outubro de 2013

RESOLUÇÃO: Este blogue está chato demais. mas bem na verdade devo ser eu que estou chateado/r. lembrete/resolução: ESCREVER POST NOVO AQUI SÓ QUANDO TIVER COISAS GENIAIS E INTERESSANTES (ou quase). ‘té.

As rotinas seguem cá para te perderes enquanto me procuro:

Dia #1 a origem da palavra; madera de deriva, sala de aula me anima; Dia #2 letra bastão, faço uso dela desde 1995, guardando a cursiva para dias de provas de concursos/vestibulares apenas – e repara que minha letra cursiva não tão feia não; estou [quase] de veisalgia, ontem foi uma sobredose de the pillars of the earth; Dia #3 “é muito provável que o patronímico ibérico -ez seja um fóssil lingüístico.”; Dia #4 após um dia inteiro dormindo… um chá de camomila e mais um pouco de word without end… um mergulho na inglaterra do séc. xiv – guildas, peste negra e guerra dos cem anos… “quão amabilíssimo me eras mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres“; e pela noite, batendo ponto, em reunião com o professorado sobre os alunos, a avaliação dos educandos é uníssono: “ele é legal [eu], mas é difícil acompanhar o seu raciocínio… muita coisa ao mesmo tempo”, ou seja, traduzo aqui: “está uma zona”, usando uma expressão apropriada – mas essa bagunça na exposição dos temas, na organização deles, da sala já é sabida e digo mais… é da vida, da casa, da rotina, do próprio ser… esse cara que muda de ideia a cada dez minuto, não se decide nunca e tudo o cansa muito rápido.  e no final da noite eu não sabia bem o que me abatia, se era estar no meio das pessoas – e festas são rituais que me deixam desconfortável – ou estar sem rumo e ao lado de pessoas estranhas – porque insisto em mantê-las estranhas. Enfim… volto sozinho sempre porque é difícil abrir este peito repleto de cicatrizes profundas. Dia #5 foi assim assim… livre para lavar louça, roupa e fabricar um canteiro, transplantar grama e construir uma escadinha com pedras. Dia #6 O texto é esse: “Certamente a gente só encanta quando se encanta. Se eu não estiver encantado com o meu objeto de conhecimento, eu não posso encantar o outro. No sentido não de fetiche, mas de sedução gnoseológica. Há um jogo de sedução, mas só é sedutor quem já está seduzido. Ou seja, há tanto mais charme quanto mais charme eu achar que há.”  de Mario Sergio Cortella – Nos labirintos da Moral. e cá… Indeciso. Dia #7 Sol da porra, dia lindo, e eu dormindo até o meio-dia. Ouço mais música… tom zé, cartola, jorge drexler, manel, orquestra che são as vozes ecoando neste crânio… Não recebo bem críticas, racionalmente as entendo, mas emocionalmente é mais difícil de lidar com elas, de um lado a compreensão, a analise, do outro o medo e revolta nas entranhas. E hoje, recebo um retorno positivo, um elogio, de um texto que sei que ficou assim assim por ter deixando para o ultimo segundo do ultimo tempo da prorrogação. Talvez meus padrões sejam exagerados e meu animo diminuto… Mas animou-me, o retorno, e é como se precisasse ainda de um reforço externo que chancelasse o meu potencial. Potência ignorada por estar tão descrente de mim e de tudo. É nisto que tenho pensado muito ultimamente… E cambiando de assunto totalmente pergunto como é possível que eu escreva aislado num texto em português, que mania essa de inventar leis próprias e desconsiderar convenções? E cambiando mais e mais… isto aqui é bacana e isto também. 8 horas e 43 minutos para entregar (segundo prazo) a tarefa… e eu nem li nada, vou sair e volto só lá pela oito, vai ser corrido. Hein? /// Ela disse nego / Nunca me deixe só / Mas eu fiz de conta / Que não ouvi, Hein? // Ela disse: – orgulhoso / Tu inda vai virar pó / Mais eu insisti / Dizendo Hein? // Ela arrepiou / E pulou e gritou / Este teu – Hein? – moleque / Já me deu – Hein? – desgosto / Odioso – Hein? com jeito / Eu te pego – Ui! bem feito / Prá rua – sai! – sujeito / Que eu não quero mais te ver // Eu dei casa e comida / O nego ficou besta / Tá querendo explorar / Quer me judiar / Me desacatar /// Compositor: Tom Zé – Vicente Barreto.  Agora são 21:32 e faltam apenas 2 horas e 22 minutos – contagem regressiva – prazo final… E depois narro os encontros-desencontros de hoje, com direito a abraços e olhares, e do final de tarde bonito demais, e da lua nova no céu aberto, e dos olhares – quase – constrangidos, em fuga, e dos olhos perscrutadores. E Ufa [23:54’46]! menos 14 segundos e eu não conseguiria entregar… Dia #8 eu gosto de horóscopo. eu não narrarei os encontros-desencontros de ontem, apenas digo que foi um dia bonito. E as segundas eram de Maiakovski, é bom reencontra-lo. [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado diariamente com anotações diversas – cumprindo assim sua função de ser um weblog, um caderno de apuntamentos, um bloco de notas – enquanto aguardo o momento…]; …

negligência

[qui] 5 de setembro de 2013

alguma
dúvida?

sabe quando você fica escondidinho torcendo para que todo mundo passe e não perceba que estás ali? você mesmo faz de conta que não está ali, você ignora tudo e todos, e até o seus pensamentos. e tudo vai passando, as pessoas que amam, as pessoas que se ligam, as pessoas que estão ali, a pessoa que há em você, as pessoas em geral, todos e tudo vai passando… mas enfim, na esquina tu tropeça, tu se (des)liga, e “dá uma merda muito grande“, destas que podem botar o mínimo do mínimo a perder, e tu percebe que de ti não podes sumir, que ao menos para ti (o que não queres) tu ainda existe, tu ainda sente, tu ainda convive com aquele velho medo. o mínimo do mínimo  ainda não é seguro. e ai é a porta fechada te dizendo: sem saída. senta e aguarda a bronca, as consequências da “cagada” que tu fez.

constatações diante do ocorrido:

#1) o que aconteceu comigo? porque fui tão indiferente diante da situação? porque tanta negligência? há quanto tempo faço isto e vinha passando despercebido?

#2) posso transferir este “caso” para outros “campos” da minha rotina existencial? abandono, indiferença, negligência com pessoas e situações próximas?

#3) acho que é mais ou menos assim, “o tempo todo estou tentado me defender” desta possibilidade inevitável de sofrer, resultando disto um tom apático, distante, indiferente, negligente diante das situações e das gentes. não tomar atitude já é a própria atitude. a percepção de existência, concreta e dolorosa, advém do choque/trombadas provocados por fatores externos (pessoas, casos), são os outros que provocam as ondas “na superfície do meu lago parado”, e somente aí é que ouso olhar para além da superfície que tenta espelhar o mundo ao seu redor… somente neste ponto dou-me conta que há uma profundidade, onde a gravidade é maior, a densidade é maior. ah, um dia eu chego no fundo de mim. ah, cresce bicho! wake-up dead man! bosta! vou rir para não chorar, porque seria tudo patético demais. é muito foda sentir essa angustia no peito, é nessa hora que eu lembro porque me escondo tanto. tudo dói demais, amar, socializar, militar, viver. porque é mexer com coisas que não sabemos fazer, e nessa hora eu vejo que sou absurdamente hipócrita por falar da ação, do exercício… e na coisa básica eu não faço. as contradições do se faz e do que se diz. mas talvez reduzir essa contradição pela via do não fazer nada afim de não ser contraditório não seja uma boa. mas é a escolha agora. e também não posso generalizar… não sou um zumbi o tempo todo, faço umas coisinhas bacanas às vezes. chega… dormir é preciso.

fragmentos poéticos

[…]

o homem não tem uma perna
o poeta tinha pedras no coração
[…]
e falta sono sobra sono
e é um tempo de medo
e é um tempo de exaustão
e falta pulsofirmelimite sobra solidão
[…]
não se sabe se se sofre
não se sabe se dorme
não sabe.
[…]
a falta, a indiferença, a negligência
o nó, o frustado, o improvável
a dor de todo mundo.
[…]
enquanto circula por ai,
olhando para a dor,
como se ela fosse alheia,
e o poeta fosse imune,
imune e alheio a ela,
a dor dela, a dor dele,
a dor de todo mundo.
[…]

sono… sono… sono…

[qua] 5 de setembro de 2012

domingo para segunda: três horas de sono. (média); segunda tarde: cochilo de meia hora (média); segunda para terça: quatro horas de sono; terça tarde: uma hora e meia de cochilo; terça para quarta: quatro horas de sono; quarta para quinta: quatro horas de sono… destruído, exausto, cansado, irritado, desanimado… quinta tarde: três horas de cochilo; quinta para sexta: dez horas de sono; sexta para sábado: dez horas de sono; sábado para domingo: oito horas de sono.

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