Archive for the '01' Category

«é que andei levando a vida quase morto…»

[dom] 1 de abril de 2018

ñ penso. canto.

enquanto a procrastinação é absoluta… paulinho embala a maré da tarde.

e eu sou o meu avesso/meu antagonista/um antipaulinho.

deixei a música tocar livre… não consegui mover um dedo… vontade de sair correndo, dar um tempo, dizer chega. ficar quieto… e dos cinco quilos que perdi no ultimo mês, devorei tudo hoje. ando a explodir.

Karina Buhr - O patrão nosso de cada dia e outras...
Paulinho da viola - Meu Mundo é hoje (Eu sou assim) e outras...

e preciso fazer o resumo dos livros de literatura portuguesa. preciso corrigir as duas dezenas de trabalhos. preciso finalizar o planejamento anual… preciso estudar para a prova de quarta-feira… mas…

estou aqui me achando um incompetente para qualquer coisa (com medo da prova, com medo de dar passos, com dificuldade de respirar). argh… de tanto me achar, vou me encontrar num enorme zero, cão sem dono, mordendo a própria coda. incompetente para amar, para viver, para ter coragem.

e aquilo que estava divertido… virou essa coisa. mas engraçado, que de coisas simples, faço virar essas coisas, que dão nó e angustiam tanto. bosta.

bem que podia ser só esse meu sol em oposição à lua natal, quem derá.

há 12 anos (e fish, the cat)

[qui] 1 de fevereiro de 2018
«Feliz aniversário com o WordPress.com!
Você registrou-se no WordPress.com há 12 anos!
Obrigado por nos escolher. Continue assim!»
Via Láctea foi a primeira postagem. 3/2/2006.
 ***
o que tudo que há de anterior a isto é fruto da coleta de outros blogues (desde 2000) e textos manuscritos que mantive desde 1998/9.
***
aproximações dos anos anteriores>>
sobre as palavras 3/2/2007; 
ainda os lençóis 3/2/2008;
um monólogo 5/2/2009;
pedra do sono 3/2/2010;
sete dias 7/2/2011;
act 11/2/2012;
instruções para chorar 1/2/2013;
lembrete 12/2/2014;
ainda há tempo 3/2/2015;
o homem que não foi 4/2/2016;
guillemet 5/2/2017;
 ***
fish, the cat
hoje chegou o gato novo. hoje fui levar a filha para tomar vacina. hoje chegaram os materiais para construção… a janela se aperta… logo mais começarão as aulas e a nem a laje conseguimos concretar… isso vai demorar.

ressaca

[seg] 1 de janeiro de 2018

misturando o restinho da taragui com a union (para provar). replicando/estudando no tabuleiro o jogo (para android, emulado no windows) twilight struggle (para aprender os movimentos básicos, as regras… e um pouco de tática). feliz pelo fim das férias, já que janeiro é construir casa nova (terminar).

vi por esses dias «o jovem marx», um filme de raoul peck. fiquei com vontade de ver as continuações… images

***

comecei a desmontar. amanhã continua…

e não há resoluções de ano novo…

apenas seguir em frente… com mais paciência e coragem. e o que pintar… é lucro.

scoop

[sex] 1 de dezembro de 2017

Enquanto o texto de ontem, fica na aba dos rascunhos, por eu não ter conseguido terminar a pesquisa iniciada e por ontem e hoje, estar exausto… das leituras da manhã anoto cá

CITAÇÕES QUASE ALEATÓRIAS

“No nível social, às revoluções e rebeliões recorrentes seguiram-se contra-revoluções e restaurações. Das revoltas de escravos no mundo antigo à revolução social do nosso tempo, a luta dos oprimidos terminou no estabelecimento de um novo e melhor sistema de dominação; o progresso teve lugar através do aperfeiçoamento da cadeia de controle. Cada revolução foi o esforço consciente para substituir um grupo dominante por outro, mas cada revolução desencadeou também forças que ‘ultrapassaram a meta’ (…) em todas as revoluções parece ter havido um momento histórico em que a luta contra a dominação poderia ter sido vitoriosa… mas o momento passou. Nesse sentido, todas as revoluções foram revoluções traídas” (MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização. R. de Janeiro: Zahar Editores, 1981, p.92).

«A semântica dos tempos históricos parece, então, ter sido substituída pela ubiquidade da vida em rede, a epistemologia histórica parece ter perdido a sua eficácia explicativa sobre o tempo presente uma vez que este tornou-se identificável com o timeless time. A cultura suportada digitalmente é, todavia, a nova e necessária condição de apropriação simbólica e política da história na qual estamos mergulhados (a nossa história). O mundo inteiro é um hotspot, razão pela qual nos podemos mergulhar nele e interessarmo-nos à sua concretude, complexidade e opacidade, sem a preocupação de ficarmos desconectados. Se qualquer vetor temporal parece remeter para o presente, então podemos afirmar que também o futuro é agora, resgatando assim aquela dimensão antropológica da presença analisada por Émile Benveniste: a etimologia de praesens refere-se a “o que está em frente de mim”, e portanto o significado da preposição prae remeteria para o “iminente”, o “urgente”, o “imediato”.²⁶
Isso não significa cair no frenesim da antecipação constante dos acontecimentos futuros (sondagens, scoops jornalísticos ou científicos, projeções de ranking ou guerras preventivas…), mas cair na realidade para recuperar o sentido da prudência. É esta (a possibilidade de cair), de fato, uma outra raiz conceitual do termo presente, que remete diretamente para a condição corpórea e para o andamento físico do ser humano, como sintetizada na dialética entre o estar e o proceder: pôr em prática uma determinada ação ou tarefa, principiar a fazer alguma coisa e continuar, mas também comportar-se ou conduzir-se. Caminhar, dar passos, vem de pro-cedere (evitar a caída, precaver e reequilibrar uma tendência natural em cair pela frente), atitude psicomotora que Hans Blumenberg aponta como ética necessária para não se deixar andar levianamente e não precipitar (càdere). ²⁷» (BALDI, Vania. Humanidade Aumentada? Os desafios da hipercultura na era da sua enfática desintermediação. In book: Estudos Culturais e Interfaces. Objetos, Metodologia e Desenhos de Investigação, Edition: UFSM, Publisher: Universidade Federal de Santa Maria – Universidade de Aveiro, Editors: Flavi Ferreira Lisboa Filho, Maria Manuel Baptista, p.133)

²⁶ Problèmes de linguistique générale, Paris, Gallimard, 1966.
²⁷ Hans Blumenberg, Die Sorge geht uber den Fluss, Berlin, Suhrkamp, 1987.

E UMA LISTA DE DESEJO, DE LEITURAS E RELEITURAS:

O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco / Todos do Marcuse / Todos de Adorno / Antropologia do Cinema: do Mito à Indústria Cultural, por Massimo Canevacci
***
E MESMO QUE NÃO SEJA UM DIA LINDO… QUE SEJA BOM. HASTA.

sem controle

[sáb] 1 de julho de 2017

Quando ela disse aquilo, pensei comigo… Estamos mais ou menos no mesmo fosso. Por que somos assim?

Parte de mim quis buscar abrigo, desaguar toda minha correnteza na profundidade daquele ser imenso, apesar de sua pequenez, ali diante de mim. Quis estender a mão, perdido que estava… Quem sabe sair da escuridão.

Parte queria apenas um corpo quente, um pouco de pele, o sal do suor na língua, sentir o abraço de alguém querendo me engolir, me devorar, me mastigar inteiro… E os espasmos…

Mas uma voz gritava lá de dentro: tu é a escuridão sem fim…

Escapei. Em silêncio. Não disse palavra alguma, apenas sangrei em silêncio. Sou esse homem duro. Sem laço. Sem afeto. Sou a noite. Fui embora, só.

Não misture sua solidão com a solidão nos olhos dos outros. Pois na sua loucura há dor demais. E ela sempre machucará alguém. Esteja só. Siga sua jornada no exílio.

Vi o filme

Sem Controle

2007 ‧ Thriller/Drama ‧ 1h 30m

gallos, noches y quintales

[seg] 1 de maio de 2017

. palavras desconectadas, lamento… um canto torto.

***

não terminei o que deveria ter terminado sábado. eu não fiz nada. qualquer coisa pesa demais. me sinto esmagado.

***

tentei traduzir, porque não encontrei a tradução. há alguns erros, mas que fique ai, para registro e para quando tiver tempo e estiver mais afiado:

No cante victoria tan trempano, no. / No mande flores al lugar de lo enemigo, / las lágrimas de los jóvenes / Son fuertes como un secreto: / Se puede resucitar un mal antiguo. // Y todo debería haber cambiado, sí, / Por el trabajo que hicimos tú y yo. / Mas el dinero es cruel y un viento fuerte / llevo los amigos muy lejos de las marchas y de las ruedas de boliche / y aquella esperanza de jóvenes no se cumplio, / y aquella esperanza de jóvenes no se cumplio, no, no. // Nuestra cancion aun siegue siendo nuestro modo de vivir / Y el destino se ha hecho siempre por mi mano. / Te vi, converse con amigos alrededor de mi mesa / sin dejar que a mi cigarro lo apagara la tristeza. / – Siempre día de ironia en mi corazón. / – Siempre día de ironia en mi corazón. // Estuvo conversando com mi novia e dije así: / – Dificil de saber qué va a pasar. / Doi gracias a la vida / A lo enemigo lo conozco ./ Sé su nombre, su ……., se donde vive, su residencia / La voz resiste. El canto insiste: Usted escucharan / La voz resiste. El canto insiste: que viven lo verá¹

***

ESCREVER MAIS AQUI. EDITAR.

_________________________________________________________notas de rodapé.

¹O Disco Eldorado foi gravado em 1992 com Eduardo Larbanois e Mario Carrero, dois grandes músicos da Música Popular Uruguaia.

01 – La vida es sueño
02 – 1992
03 – No lleve flores
04 – Donde esta mi corazón
05 – Gallos, noches y quintales
06 – La hora del almuerzo
07 – Como nuestros padres
08 – Ouro de tolo
09 – Ploft
10 – Beijo molhado
11 – Tudo outra vez
12 – Comentário a respeito de Jhon
13 – A palo seco
14 – Apenaz um rapaz latino americano

***

e quanto mais ouço belchior…

mas minha dor fica grave…

Eu tenho medo e medo está por fora / O medo anda por dentro do teu coração / Eu tenho medo de que chegue a hora / Em que eu precise entrar no avião / Eu tenho medo de abrir a porta / Que dá pro sertão da minha solidão / Apertar o botão: cidade morta / Placa torta indicando a contramão / Faca de ponta e meu punhal que corta / E o fantasma escondido no porão / Medo, medo. medo, medo, medo, medo. // Pequeno Mapa do Tempo // Belchior

 

sobre exílios íntimos e outras ideias

[qua] 1 de março de 2017

a água do mate esquentou.

a arrumação de ontem trouxe uma inesgotável ranheira…

dormi as 4h30 (ou algo assim, porque acordei no meio disso com um grilo alucinando dentro do meu ouvido, literalmente). acordei era quase 8hoo. assim, pra começar o ano bem.

colo passagens minhas e alheias:

«Um homem que não teve seus silêncios,
o que teve na vida? É preciso
ter estado entre os outros, sozinho.» —  Geraldino Brasil

«Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.”  — João Guimarães Rosa, no livro “Grande Sertão: veredas» . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988

***

«No piloto automático… olheiras nas aulas… dormindo em qualquer ônibus… precisando respirar… isso de 5 terceiros anos, 6 segundos e 11 primeiros vai me exigir um bocado. E a segunda semana de aula nem começou direito ainda…»   — Eu, há exatos um ano.

***

«O território é primeiramente a distância crítica entre dois seres de mesma espécie: marcar suas distâncias. O que é meu é primeiramente minha distância. Não possuo senão distâncias. Não quero que me toquem, vou grunhir se entrarem em meu território, coloco placas. A distância crítica é uma relação que decorre das matérias de expressão. Trata-se de manter à distância as forças do caos que batem à porta.»   — (DELEUZE, p. 127, 1997)

***

«Fixou o olhar em uma diminuta mancha escura na ponta dos dedos que tesouravam um cigarro. Deu um generoso trago aspirando a fumaça para os pulmões e lentamente a expirou, ainda olhando para os dedos: – Se vai continuar fotografando a minha vida, é preciso saber que eu estava feliz naquele quartinho. Porque, na verdade, eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.»  (Mario Quintana em entrevista)

***

tarefas para logo mais: fixar porta e janela, limpar o outro quarto. // dar fim nos resíduos não orgânicos // peladar // preparar as aulas de logo mais // preencher professoronline? // …

qual avezinha no ar…

[qui] 1 de dezembro de 2016

atividade do dia: reunião dos articuladores – consciência negra. local iee.

muita coisa para ser feita ainda. muito para se pensar…

duas canções:

Banzo negro /
Negro clama liberdade,
Negro clama liberdade,
Negro clama liberdade,
Negro não sabe o que é dor!
Negro não tem alma não,
Assim, dizia o feitor…
Com seu chicote na mão,
Malvado banzo me mata,
Quero a Pátria voltar,
Na minha terra sou livre,
Qual avezinha no ar.
Negro, negrooooooo!

Negro, negrooooooo!

Terra Seca / Composição: Ary Barroso
O nêgo tá, moiado de suó
Trabáia, trabáia, nêgo Trábaia, trabáia nêgo
As mãos do nêgo tá que é calo só
Trabáia, trabáia nêgo Trabáia, trabáia, nêgo
Ai “meu sinhô”nêgo tá véio
Não agüenta !
Essa terra tão dura, tão seca, poeirenta…
Trabáia, trabáia nêgo Trabáia, trabáia, nêgo
O nêgo pede licença prá falá
Trabáia, trabáia, nêgo
O nêgo não pode mais trabaiá
Quando o nêgo chegou por aqui
Era mais vivo e ligeiro que o saci
Varava estes rios, estas matas, estes campos sem fim
Nêgo era moço, e a vida, um brinquedo prá mim
Mas o tempo passou
Essa terra secou …ô ô
A velhice chegou e o brinquedo quebrou ….
Sinhô, nêgo véio tem pena de têr-se acabado
Sinhô, nêgo véio carrega este
corpo cansado

i have seen their smiles full of teeth

[ter] 1 de novembro de 2016
nas contradições da vida…
e pra deixar o dia mais boni.to e elegante…
deixa itamar cantarolar solto na vitrola…
 
***

#umpoetaumpoemapordia #002
Ezra Pound (1885-1972)*

SALUTATION

O generation of the thoroughly smug
and thoroughly uncomfortable,
I have seen fishermen picnicking in the sun,
I have seen them with untidy families,
I have seen their smiles full of teeth
and heard ungainly laughter.
And I am happier than you are,
And they were happier than I am;
And the fish swim in the lake
and do not even own clothing.

e duas traduções, a primeira de Marina Della Valle e a segunda de Mário Faustino

SAUDAÇÃO

Ó geração de afetados completos
e completamente deslocados,
Eu vi pescadores em piqueniques ao sol,
Eu os vi com suas famílias em farrapos,
Eu vi seus sorrisos cheios de dentes
e ouvi gargalhadas infrenes.
E eu sou mais feliz do que vocês,
E eles eram mais felizes do que eu;
E os peixes nadam no lago

(tradução de Marina Della Valle)

**
SAUDAÇÃO

Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,
Tenho visto pescadores em piqueniques ao sol,
Tenho-os visto, com suas famílias mal-amanhadas,
Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.
E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;
E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir.
(tradução de Mário Faustino)

*Ezra Pound (Hailey, 30 de outubro de 1885 — Veneza, 1 de novembro de 1972).

referências: http://www.culturapara.art.br/opoema/ezrapound/ezrapound.htm

http://acervo.revistabula.com/posts/traducao/a-entrevista-historica-de-ezra-pound

https://laboratoriodesensibilidades.wordpress.com/2013/12/19/pasoline-entrevista-ezra-pound-e-le-o-poema-abaixo-7-minutos-com-legendas/

https://pedroluso-decarvalho.blogspot.com.br/2010/04/sobre-o-poeta-ezra-pound.html

enquanto somos jovens…

[qui] 1 de setembro de 2016

notas do dia:

#dialivre

#metas #acordarcedo #atividadefisica #respirar #novarotina

#citação 1 – manhã – extraída do filme: While We’re Young [ps: ultima cena é interessantíssima, escrever sobre isto. a citação abaixo é a intro do filme, lembrar de ver o filme/peça]

«SOLNESS: The funny thing is that I’ve become so disturbed by younger people! HILDE: What? Younger people? SOLNESS: Yes, they upset me so much that I’ve sort of closed my doors here and locked myself in. Because I’m afraid they’re going to come here, and they’re going to knock on the door, and then they’re going to break in. HILDE: Well, I think maybe you should open the door and let them in. SOLNESS: Open the door? HILDE: Yes – so that they can just gently and quietly come inside, and it can be something good for you. . . SOLNESS: Open the door? — from Wallace Shawn’s adaptation of Henrik Ibsen’s “The Master Builder”»

#citação 2 – tarde

«O golpe de Estado é uma prática regular exercida por meio de institucionalização de exceções. O impeachment da presidente eleita é um golpe de Estado. E é legal. O Estado cria a devida exceção quando as forças dominantes do jogo político o desejam e querem. O Estado é o golpe full time sobre qualquer pessoa livre. O Estado é golpe.» flecheira libertária, n. 447, 30 de agosto de 2016

vivre et laisser vivre

[seg] 1 de agosto de 2016

22h02… uma coisa é certa, quanto mais longe das coisas mundo… mais vontade tenho de ficar comigo mesmo. fora do mundo.

abaixo citações que não li e expressões que nunca usei.

 

“Estou tão determinado a viver depressa e intensamente que não tenho tempo de escrever nem essas notas fragmentadas” – Henry Miller, Trópico de Câncer

“Qual é, então, a ‘saída sutil’? Acreditar, não em outro mundo, mas no liame do homem e do mundo, no amor ou na vida, acreditar nisso como no impossível, no impensável, que, no entanto, só pode ser pensado: ‘algo possível, senão sufoco'” – Deleuze, A Imagem-Tempo, p. 221

“Talvez acreditar no mundo, nesta vida, tenha devindo nossa tarefa mais difícil, ou a tarefa de um modo de existência por descobrir” – Deleuze, O que é a Filosofia, p. 73

“Se sou inumano é porque meu mundo transbordou das fronteiras humanas, porque ser humano parece uma coisa pobre, triste, miserável, limitada pelos sentidos, restrita pela moral e a lei, definida pelos lugares-comuns e pelos ismos” – Henry Miller, Trópico de Câncer, p. 236

“por ser capaz de entender seus afetos, o homem é capaz de uma existência ética. Espinosa procura pequenos pontos de apoio, pequenos pontos minimamente fixos para dar um norte, para garantir um empuxo. Por que o homem luta por sua servidão imaginando lutar por sua liberdade? Pergunta clínica, resposta espinosista: porque não conhece de quais afetos é capaz, porque faz escolhas confusas, porque não se conhece, o conhecimento é o mais potente dos afetos!” – Espinosa – o que é psicologia?

“Quanto mais cada um busca o que lhe é útil, isto é, quanto mais se esforça por conservar o seu ser, e é capaz disso, tanto mais é dotado de virtude; e, inversamente, à medida que se descuida de conservar o seu ser, é impotente” – Espinosa, Ética IV, prop. 20

“Mas se uma formiga, se uma abelha – pelo milagre de uma ideia ou por uma tentação de singularidade – se isolasse do formigueiro ou do enxame, se contemplasse de fora o espetáculo de suas penas, persistiria ainda em seu trabalho?” – Breviário da Decomposição (Emil M. Cioran)

“Ich wünschte sehr der Menge zu behagen, Besonders weil sie lebt und leben läßt”. Johann Wolfgang von Goethe. Faust – Vorspiel auf dem Theater

ragnarr loðbrók

[seg] 1 de agosto de 2016

ooh42 há duas horas entre episódios de vikings… e digitando notas e faltas lá do segundo bimestre no prof. online.

série interessantíssima, por sinal.

20h59 em casa. não fui pra escola, fui pra upa. amanhã é encaminhar de vez e marcar logo essa cantoplastia. não terminei de corrigir todas as avaliações dos primeiros, segundos e terceiros. a ideia é fazer isto agora.

durante o dia, dormi pouco. agendei veterinário para o gato preto. ajudei a limpar o quarto que o edson estava alugando. mandei ele embora na semana passada… volto novamente a morar sozinha nessa casa, sem inquilinos. pensei em escrever sobre isso, hoje.

foi um dia estressante. permaneci irritado, quase o dia inteiro. não sei bem ao certo de onde em essa sensação angustiante. refletir e refletir mais sobre…

aprendi um pouco mais sobre os sete reinos, os normandos, os bretões, os anglo-saxões… os daneses…

e nessas viagens de busão… twilight struggle.

 

what’s up? what’s going on?

[qua] 1 de junho de 2016

5h07min

twenty-five years and my life is still / trying to get up that great big hill of hopefor a destination / i realized quickly when i knew i should / that the world was made up of this / brotherhood of man / for whatever that means / and so i cry sometimeswhen i’m lying in bed just to get it all out / what’s in my head / and i, i am feeling a little peculiar / and so iwake in the morning / and i step outside / and i take a deep breath and i get real high / and i scream from the top of my lungswhat’s going on? / and i say: hey! yeah yeaah, hey yeah yea / i said hey, what’s going on? /and i try, oh my god do i try / i try all the time, in these institution / and i pray, oh my god do i pray / i pray every single day / for a revolution /// what’s up // four non blondes

**

5h36 «a impossibilidade está a um beijo da realidade»

8h30 e eu que deveria estar dormindo e acordando por agora, ainda aqui imerso nessa maratona estou… e

«no final, todos sermos julgados pela coragem de nossos corações – é uma fala idiota de um filme idiota. hernando, por favor!».

os quatros episódios da primeira temporada ficaram para outro dia.

18h44. fiz o desenho base para montar o material de apoio para a aula, pesquisa teórica e iconográfica… agora só falta montar. mas cadê o animo? resolvi procrastinar e mergulhar nos quatro últimos episódio de sense8. que puta seriado… curtindo. ps1: vontade que a greve do transporte público dure mais um dia. ps2: ver até quando vai o meu contrato das 22 aulas na escola dois… se é começo de junho ou vai até o final do ano.

são tantas cenas profundas… e derramei lágrimas em várias… assim como nessa fala de nomi para lito – no museu diego rivera:

 «i quit trying to fit in, trying to be one of them. i knew i never would be. but more importantly, i didn’t want to be. their violence… was petty and ignorant, but ultimately, it was tru to who they were. the real violence… the violence that i realized was unforgivable… is the violence that we do to ourselves, whe we’re too afraid to be who we really are. »

**

20h47 Episódio 10 – S01E10 – What Is Human? Piano Concerto No. 5 in E-Flat Major, Op. 73 -“Emperor”: I. Allegro – Alfred Brendel, Bernard Haitink & London Philharmonic Orchestra 

 21h31 The Who – Baba O’Riley
https://www.youtube.com/watch?v=gY5rztWa1TM

«… / Don’t cry / Don’t raise your eye / It’s only teenage wasteland / Sally, take my hand / Travel south cross land / Put out the fire / And don’t look past my shoulder / The exodus is here / The happy ones are near / Let’s get together / Before we get much older / Teenage wasteland / It’s only teenage wasteland / … » Pete Townshend

primeiro de maio

[dom] 1 de maio de 2016

Sem trabalho eu não sou nada / Não tenho dignidade / Não sinto o meu valor / Não tenho identidade / Mas o que eu tenho / É só um emprego / E um salário miserável / Eu tenho o meu ofício / Que me cansa de verdade / Tem gente que não tem nada / E outros que tem mais do que precisam / Tem gente que não quer saber de trabalhar / E quando chega o fim do dia / Eu só penso em descansar / E voltar pra casa pros teus braços / Quem sabe esquecer um pouco / De todo o meu cansaço / Nossa vida não é boa / E nem podemos reclamar / Sei que existe injustiça / Eu sei o que acontece / Tenho medo da polícia / Eu sei o que acontece / Se você não segue as ordens / Se você não obedece / E não suporta o sofrimento / Está destinado a miséria / Mas isso eu não aceito / Eu sei o que acontece / Mas isso eu não aceito / Eu sei o que acontece / E quando chega o fim do dia / Eu só penso em descansar / E voltar pra casa pros teus braços / Quem sabe esquecer um pouco / Do pouco que não temos / Quem sabe esquecer um pouco / De tudo que não sabemos

e a segunda semana de aula nem começou direito ainda

[ter] 1 de março de 2016

em algum terminal, via facebook, um inofensivo depoimento (que estranhamente rendeu 134 curtidas, gentis 18 comentários e bizarramente um compartilhamento):

no piloto automático… olheiras nas aulas… dormindo em qualquer ônibus… precisando respirar… isso de 5 terceiros anos, 6 segundos e 11 primeiros vai me exigir um bocado. E a segunda semana de aula nem começou direito ainda…

warhol, basquiat e abe lincoln

[sex] 1 de janeiro de 2016

dois fragmentos do documentário visto warhol, basquiat and me – a primeira e a última frase. e um excerto de um seriado, citando abraham lincoln.

e que o ano comece…

«não tenho memória. cada dia é um novo dia, pois não me lembro do dia anterior. e cada minuto é como o primeiro minuto da minha vida. tento lembrar, mas não consigo. por isso casei com meu gravador. por isso ando com pessoas que tem mente de gravador.» Andy Warhol, 1978.

«alguns críticos me chamam de ‘o nada me pessoa’, e isso não ajudou minha noção de existência. então percebi que a existência em si não é nada, e me senti melhor. mas continuo obcecado com a ideia de me olhar no espelho e não ver ninguém. nada.» Andy Warhol, sem data.

e

«as empresas tem sido entronizadas e uma era de corrupção nos lugares mais altos se seguirá. o poder monetário do país se esforçará para prolongar o seu reinado, manipulando os preconceitos do povo, até que toda a riqueza esteja agregada nas mãos de poucos e a república esteja destruída.» Abraham Lincoln

mitológicas… o fetiche.

[ter] 1 de dezembro de 2015

#1 por estes dias vários textos quase vazaram por cá… foram pensados, rascunhados em algum outro lugar, mas nenhum teve a consistência ou o mobilizou-me o suficiente para fazê-lo brotar desta terra arrasada rumando para o ar sem fim. meus dias vão puxados… entre a pressão da responsa e o vicio cego quase insano de fuga… ontem quase joguei a toalha… pois esse negócio de ser responsável, às vezes, cansa. eu vivo cansado…

#2 noutro dia o japonês me disse algo que faz sentido – ou ao menos me fez ficar pensando uma cara… até agora – eu não tenho foco. porra… eu não tenho foco. tudo ao meu redor é uma bagunça… e eu vivo bagunçando…

#3 os poemas me escapam… não há dor ou paixão ou contemplação suficiente para encontrá-los… meus últimos cinco poemas perderam-se em algum canto da casa… dessa minha casa abandonada. eu vivo abandonando os mais belos poemas pelos cantos do meu mundo…

***

#4 queria um tempo dessa família, mãe, pai, filha… e pessoas aqui dessa família-comunidade. queria dar um tempo nessa rotina… queria era apenas viajar e ler… ler os tantos livros que me esperam na estante. queria parar o mundo e só ficar suspenso, sem nada pesar. eu vivo nesse sufoco entre altos e baixos e só queria um dia sem sentido…

#5 comprei mais um peso para estante (vol. 1 e vol. 4). mas sabe… nem vou pensar que devo um ano de trabalho, que meus planos para casa não se realizam, ou são no modo conta gotas! mas apenas que tenho mais um peso para estante! 🙂 realizo esse processo alienante! [ps: emoticon é uma ‘autoironia’?

***

[editado às 16h22min.] #6 tudo que foi escrito antes era madrugada. agora é tarde… e eu não fiz nada do que eu pensei pra hoje… joguei pra amanhã.

e me pus a matear e admirar as lagartas que giram incessantes na base da parreira…

vampiro

[ter] 1 de setembro de 2015

Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder / E quando você vem para o meu lado, ai, as lágrimas começam a correr / E eu sinto aquela coisa no meu peito / Eu sinto aquela grande confusão / Eu sei que eu sou um vampiro que nunca vai ter paz no coração / Às vezes eu fico pensando porque é que eu faço as coisas assim / E a noite de verão ela vai passando, com aquele seu cheiro louco de jasmim / E eu fico embriagado de você / Eu fico embriagado de paixão / No meu corpo o sangue não corre, não, corre fogo e lava de vulcão / Eu fiz uma canção cantando todo o amor que eu sinto por você / Você ficava escutando impassível e eu cantando do teu lado a morrer / E ainda teve a cara de pau / De dizer naquele tom tão educado / “Oh! pero que letra más hermosa, que habla de un corazón apasionado” /  Por isso é que eu sou um vampiro e com meu cavalo negro eu apronto / E vou sugando o sangue dos meninos e das meninas que eu encontro / Por isso é bom não se aproximar / Muito perto dos meus olhos / Senão eu te dou uma mordida que deixa na sua carne aquela ferida / Na minha boca eu sinto a saliva que já secou / De tanto esperar aquele beijo, ai, aquele beijo que nunca chegou / Você é uma loucura em minha vida / Você é uma navalha para os meus olhos / Você é o estandarte da agonia que tem a lua e o sol do meio-dia / Jorge Mautner  // Vampiro.

E lontano, lontano nel tempo / Qualche cosa negli occhi di un altro / Ti far… ripensare ai miei occhi, / I miei occhi che t’amavano tanto. / E lontano, lontano nel mondo / In un sorriso sulle labbra di un altro / Troverai questa mia timidezza / Per cui tu mi prendevi un po’ in giro / E lontano lontano nel tempo / L’espressione di un volto per caso / Ti far… ricordare il mio volto, / L’aria triste che tu amavi tanto. / E lontano, lontano nel mondo / Una sera sarai con un altro / E ad un tratto chiss… come e perchè / Ti troverai a parlargli di me / Di un amore ormai troppo lontano // Luigi Tenco // Lontano Lontano.

***

e eu aqui com essa vontade de… esconder-me. com infecção nas cordas vocais, dor na testa e desanimo existencial. arghh… tudo passa. tudo passará e nossa…

quadro crônico

[ter] 1 de setembro de 2015

notas do dia:

quadro crônico (desde ocupação) de catarro. urgente ir ao médico.

no tecido do hipertexto… uma distância tão enorme que não pode medir-se a gritos.

[qua] 1 de julho de 2015

quarta-feira,

esse dia que me escapa. é dia de bolo de rolo de goiaba direto de recife. é dia de adiar tudo… até o horário do despertador. e ando sentindo um desejo de escrever. abaixo, dois exercícios (o primeiro, feito de madrugada para apresentar o blogue – é, não ficou tudo aquilo… vou guardá-lo e dia desses volto para ver se ele ainda sobrevive. o segundo me levou mais de quatro horas de fabrico; o mote que nasceu nestas viagens intermináveis pela ilha tinha o seguinte fundo: ‘os cabelos vermelhos da moça que ficou me olhando um bom pedaço’; e foi este: “teu pelo de cobre derrete meus nervos de aço”. e gostei do resultado final… e da grata surpresa de encontrar-me com joão cabral e fernando.

Exercício sobre o blogue 

garapuvu, uma árvore de grande porte,
fabaceae cheia de história,
ficheira, semente da memória…
das aulas de antropologia,
o saber ameríndio,
que traduz sua morte
em nova via,
da árvore viva
nasce a nau da poesia.
é árvore símbolo desta ilha,
desterro, minha terra,
de onde parto, na palavra-canoa…
eu, poeta, minha própria ilha,
e tu, estranha/estranho, outra terra,
e entre nós, a nau da tradução,
a árvore que brota do chão,
a palavra-canoa,
a metáfora, o discurso,
a árvore, o curso…
o blogue,
o fragmento do texto
a identidade,
os apontamentos,
os pretextos,
a poesia.

Exercício de mineração

Mina,
Teu pelo de cobre
Derrete meus nervos de aço
E ardo.
Metal fluido,
Vazo dessa fundição!

E dessa liga
Grafito o teu fito
Rubro,
E feito ferro forjado
De nossos pelos e nervos faço
Poema encarnado.

 

*

«Existe a grande diferença
do ferro forjado ao fundido:
é uma distância tão enorme
que não pode medir-se a gritos.» Fragmento de “O ferrageiro de Carmona”, poema de João Cabral de Melo Neto

**

«Fito-te
E o teu silêncio é uma cegueira minha…» Fragmento de “HORA ABSURDA”, poema de Fernando Pessoa.

****

zett2

Zett, Victor Vasarely

texto:

Configurando uma “outra” textualidade, por Maria Helena Pereira Dias

«Vale salientar, também, que, para a história da escrita e conseqüentemente para a história da leitura, o relacionamento entre os conjuntos de mutações ocorridos nas técnicas de produzir textos como a passagem da forma manuscrita para a impressa, a substituição do livro em rolo (volumen) pelo livro em cadernos (codex), por exemplo, tem se mostrado fundamental para o entendimento do significado da expressão “cultura”, tanto no sentido de “obras e gestos que numa dada sociedade justificam a apreensão estética e intelectual” como no sentido de “práticas comuns que exprimem a maneira através da qual uma comunidade vive e pensa a sua relação com o mundo, com os outros e com ela mesma”(Chartier, 1998, pág. 9).»

 

onda vaga…

[seg] 1 de junho de 2015

04:28 primeira intervenção do dia: Onda Vaga – Rendición

[editar aqui ao longo do dia para acrescentar coisas…]

23:22 o dia não foi nada do esperado. me atravessei… dormi muito, joguei war com as marias… vi tevê. e só.

latitutes: https://youtu.be/muCcy4nSO4c?t=3396

estou irritadiço hoje.

duas conclusões: sou muito enrolado. e um tanto conciliador…

nota de rodapé

[NOTA ADICIONAL – FEITA 11/4/2018 – MOTIVO: EXCLUSÃO DA PÁGINA BONIGARAPUVUPOESIAS – REGISTRO DOS COMENTÁRIOS/MENSAGENS AFETIVAMENTE RELEVANTES:  {c.m. luz} Bom te ver :)]

devastado

[qua] 1 de abril de 2015

cambio. sigo vivo.

e escrevo

só porque acordei agora assim no meio do nada.

só porque o wi fi resolveu fluir

só porque passei quase 36 horas offline.

e eu sinto tanta saudade do futuro.

e não é que as coisas deram certo na segunda-feira (30/3)… liguei para um monte de gente pela tarde, pintei um faixa gigante [e eu não pintava faixas já faziam uns bons seis anos], falei em público e comandei parte da assembleia [é como se eu tivesse voltado lá para 2007, 2008… de intensa articulação e crescimento político e moral] e foi tudo “tranquilo”.

exceto por estar sentindo fisicamente que o corpo diante de tanto estresse cansou… garganta, nariz e cabeça em colapso. dor em tudo.

e o dia 31 foi de cama, chá e remédios. dormi muito e dei tempo ao corpo… afinal vários dias dormindo bem pouco, muita chuva, e essa absurda ansiedade… afetiva e política. como será que está o mundo ali fora? para onde é a esquerda? como está pi? como estamos? como foi na alesc hoje? e na escola, após a assembleia? tantas questões.. e logo mais, se o corpo permitir: ato no centro – é o que nos dizem os últimos informes.

ps: pensar a proposta da aluna sobre o grupo/oficina de rap na escola. ver como é possível articular com o professor de artes para pensar no grafite/muros da escola… e quando a gente pensa que a escola é árida… surge vida no meio de tantos escombros. cambio. desligo.

convoque seu buda

[dom] 1 de fevereiro de 2015

1h46′ e… criolo é interessante. já havia ouvido falar do seu álbum novo, mas não havia tirado um tempo para ouvi-lo. ao ler esta entrevista: convoque seu buda! – deu vontade de conhecer esse novo de criolo.

um excerto: «Criolo: Você falar, isso é um soco na cabeça, porque joga uma leveza, mas também uma responsabilidade do que faz com seu tempo. Você deu um belo ippon (golpe perfeito, nas artes marciais japonesas). Mas tem outro lado: a gente tá ficando e o tempo tá indo e rindo da nossa cara… Não estamos indo junto com a natureza porque a nossa soberba não deixa.
Monja Coen: O tempo rapidamente se vai e a oportunidade se perde. Cada um de nós deve se esforçar para o acordar e despertar. Isso a gente fala antes de dormir. O tempo da vida humana é limitado. Não aproveitar o potencial é desperdiçar a vida.
Criolo: É, quem está em movimento não vai acumular a poeira. Está tudo em movimento
Monja Coen: A vida assim como ela é. E não é! Vamos melhorando devagarinho.
Criolo: Para fazer o chá tem que esquentar a água. Vamos tomar um chá?
Monja Coen: Vamos!»

então vamos ouvir: convoque seu buda!

***

encerro a noite esperando um chá, um almoço talvez…. um café da tarde. algo novo. encerro por enquanto este texto, e espero.

para meditar: não fique ansioso demais.

***

8h30′. o mate acabou ontem. dormi pouco, após ver o ufc. o despertador, a vontade de acordar e as visitas em casa – e crianças são crianças – não me permitem ficar deitado no meu tatame. levanto, enrolo, guardo-o. é preciso tirar o pó da casa, o que falta, e preparar café… enfim… o mundo é bão sebastião. o mundo é vasto raimundo...

trilha itapema da manhã:

a primeira canção é: u2 – every breaking wave e aleatoriamente a voz envolvente de george ezra (que desconhecia) em  listen to the man;

20:47. esperei, cochilei, vi casa por casa serem invadidas por muita gente… e não sobrou nenhum espaço para eu ficar sozinho, mas sozinho ou em silêncio esperei. lutei para não ficar ansioso. até pensei em ligar, mas no novo celular não há número. optei por não deixar mensagem alguma… e quando chegares esterei. mas o bom dessa espera, é que se pensa muito, e avancei um bocado de páginas de ‘os prêmios’. cortázar é incrível…

e entre espaços descansei o corpo… curti o documentário dirigido por eduardo escorel: paulo moura – alma brasileira; adormeci no sofá quando havia sofá, e na cadeira de leitura quando já não havia sofá… e quando cansei-me de estar aislado, brinquei com as crianças… e mesmo assim, depois, quando estar ali com aquelas pessoas já não fazia sentido… eu, apenas fui… andei, avistei um belo final de dia numa praia distante… e um passo após outro fiz um caminho diferente.

e entre tantos pensamentos, destaco dois, quando voltava, o primeiro fruto de um confronto com um gato e outro não me recordo o estalo sináptico:

o exercício sobre os gatos amarelos

os gatos amarelos são todos iguais
espreitam, interrogam, perscrutam-nos:

como será o nosso peso?
e quais seriam nossos gestos?
e quanto temos deste odor marinho?

*

os gatos amarelos são todos amarelos
de mesma calda, de mesmo pelo,
de mesma barba, de um mesmo novelo.

**

os gatos amarelos me lembram
daquele gato amarelo…

o único gato amarelo,

que houve.

**

e faz uns cinco anos que não choro… aquele choro convulso onde nos viramos ao avesso. é como se a dor houvesse secado as lágrimas. e se entristeço, me calo mais ainda, emudeço. é preciso qualquer coisa profunda que rompa essa armadura.. porque no fundo não são as pessoas que faltam ou que estão. talvez seja o modo como nos distanciamos delas…

***

e apaziguei meu espírito – ou o que foi possível. pois se é o que sé. mas há que se caminhar um trecho novo por cada dia e, as vezes, voltar é necessário e percorrer o mesmo caminho até uma nova oportunidade de trilhar um novo caminho. mas tudo isto não é muito claro.

e para fechar a noite: belas ideias as do ator e diretor ricardo darín no programa sangue latino do canal brasil. especial, 18’18”.

e de juan gelman

poema xxxiii

basta
no quiero más de muerte
no quiero más de dolor o sombras basta
mi corazón es espléndido como la palabra

mi corazón se ha vuelto bello como el sol
que sale vuela canta mi corazón
es de temprano un pajarito
y después es tu nombre

tu nombre sube todas las mañanas
calienta el mundo y se pone
solo en mi corazón
sol en mi corazón

***

corpo cansado, cama, cambio, fim.

mude, mas mude devagar…

[seg] 1 de setembro de 2014

AS 3:36 ESTUDANDO… e é como se o mundo brotasse diante de mim… há um frio danado na barriga… mas é preciso se reinventar. Há um caminhão de ideias, mas é preciso ir devagar… devagarinho.

Jorge Ben - Negro É Lindo

piscine molitor patel

[sex] 1 de agosto de 2014

monótonos e intensos são os dias. tudo é cotidiano. há menos de uma hora atrás estava dormindo no sofá… agora aqui, escrevendo. passos curtos, passos diários… hoje foi dia de limpeza e poda, ontem foi dia de sessão cinema com as marias e hospital pela noite – mais uma queda/convulsão de meu irmão – e a vida é tão frágil…

nesta semana minha mãe viajou para cuidar de sua irmã, que está no hospital. e eu tenho feito almoço e cuidado das meninas (filha e sobrinha)… e foram dias tão puxados – essa história de ser pai, adulto responsável, etc. – mas tão bons. e isto, de família é uma dádiva desta vida tão torta… mas ainda me faltam palavras, certas coragens… ainda necessito crescer mais antes de partir.

e repartir-me. por cá tudo é ainda porto seguro – destes que anestesiam a consciência sobre a dor/delícia de se ser o que se é.

*

ps: e foram vários os filmes. mas o mais bonito e triste foi este do título desta postagem.

[ter] 1 de abril de 2014

acordei mal. estou mal há dias. não sei se é essa inflamação, se esse cansaço, se essa rotina, se são estas pessoas e este mundo. mas eu ando numa profunda irritação que a sensação é que estou um suicida ambulante. sãos essas minhas inconstâncias que me ferram… e para arrematar, acabou-se erva antes do dia primeiro, ontem, assim como o salário que recebi anteontem. fim.

estou naqueles dias em que eu choro por nada e sozinho. se eu fosse uma mulher, poderia até entender e atribuir à tpm esse humores. mas… quem sabe drexler me acalme, porque preciso trabalhar e não machucar os poucos que ainda se importam comigo.

**

e da rápida zapeada pelas redes sociais alguns coisas pescadas:

“Sou composta por urgências:
minhas alegrias são intensas;
minhas tristezas, absolutas.
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos. 
Eu não caibo no estreito,
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve,
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte!

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente…
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender
não é uma questão de inteligência
e sim de sentir,
de entrar em contato…
Ou toca, ou não toca.”

Clarisse Lispector

*

Billie Holiday : Fine and mellow (1957)

*

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo”.( Hermann Hesse)

*

Para entender o Golpe, vale dar uma olhada na cronologia produzida pela EBC…

Por memória, verdade e justiça!

don’t worry

[sex] 1 de novembro de 2013

sonhava e acordei imerso em tantos delírios, fragmentos de sonhos, tentando me desvencilhar do que era fantasia e do que era real – mas a conclusão deste momento é que tanto o mais real da lucidez quanto o mais fantástico de nossos sonhos são conexões aleatórias, fragmentos deste delírio de estar vivo e [aparentemente] consciente.

hoje é dia de mudança – alguns dias sem internet e longos dias sem tv. anoto e listo todas as tarefas pra logo mais deixa-las listas, prontas. faço inscrições, planejo, e surpreendentemente sinto-me aberto para dar um passo fora da dança monótona – mas sempre provocado pelo outro. pondero, e pondero, e sinto que devo agir, mas esse sentir não tem o peso de um sentir imperativo e heroico, apenas sinto, consciente da contradição entre o sentir e agir, mas talvez a contradição seja o imperativo trágico. alienado.

sei lá… não vejo profundidade nesta filosofia e decupando a cena, toda e qualquer posição que tome dentro de qualquer projeto ainda e sempre será apenas uma variável aleatória dentro do plano maior do qual me escapa.

enquanto isto…

«rise up this mornin’, smiled with the risin’ sun, three little birds pitch by my doorstep singin’ sweet songs»… «everybody’s got a thing but some don’t know how to handle it always reachin’ out in vain just taking the things not worth havin’»… «when you’re worried your face will frown, and that will bring everybody down. don’t worry, be happy»… «don’t worry about a thing ‘cause nothing’s gonna be alright… nothing’s gonna be alright»

 

resolução 110/2013… ou madera de deriva

[ter] 1 de outubro de 2013

RESOLUÇÃO: Este blogue está chato demais. mas bem na verdade devo ser eu que estou chateado/r. lembrete/resolução: ESCREVER POST NOVO AQUI SÓ QUANDO TIVER COISAS GENIAIS E INTERESSANTES (ou quase). ‘té.

As rotinas seguem cá para te perderes enquanto me procuro:

Dia #1 a origem da palavra; madera de deriva, sala de aula me anima; Dia #2 letra bastão, faço uso dela desde 1995, guardando a cursiva para dias de provas de concursos/vestibulares apenas – e repara que minha letra cursiva não tão feia não; estou [quase] de veisalgia, ontem foi uma sobredose de the pillars of the earth; Dia #3 “é muito provável que o patronímico ibérico -ez seja um fóssil lingüístico.”; Dia #4 após um dia inteiro dormindo… um chá de camomila e mais um pouco de word without end… um mergulho na inglaterra do séc. xiv – guildas, peste negra e guerra dos cem anos… “quão amabilíssimo me eras mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres“; e pela noite, batendo ponto, em reunião com o professorado sobre os alunos, a avaliação dos educandos é uníssono: “ele é legal [eu], mas é difícil acompanhar o seu raciocínio… muita coisa ao mesmo tempo”, ou seja, traduzo aqui: “está uma zona”, usando uma expressão apropriada – mas essa bagunça na exposição dos temas, na organização deles, da sala já é sabida e digo mais… é da vida, da casa, da rotina, do próprio ser… esse cara que muda de ideia a cada dez minuto, não se decide nunca e tudo o cansa muito rápido.  e no final da noite eu não sabia bem o que me abatia, se era estar no meio das pessoas – e festas são rituais que me deixam desconfortável – ou estar sem rumo e ao lado de pessoas estranhas – porque insisto em mantê-las estranhas. Enfim… volto sozinho sempre porque é difícil abrir este peito repleto de cicatrizes profundas. Dia #5 foi assim assim… livre para lavar louça, roupa e fabricar um canteiro, transplantar grama e construir uma escadinha com pedras. Dia #6 O texto é esse: “Certamente a gente só encanta quando se encanta. Se eu não estiver encantado com o meu objeto de conhecimento, eu não posso encantar o outro. No sentido não de fetiche, mas de sedução gnoseológica. Há um jogo de sedução, mas só é sedutor quem já está seduzido. Ou seja, há tanto mais charme quanto mais charme eu achar que há.”  de Mario Sergio Cortella – Nos labirintos da Moral. e cá… Indeciso. Dia #7 Sol da porra, dia lindo, e eu dormindo até o meio-dia. Ouço mais música… tom zé, cartola, jorge drexler, manel, orquestra che são as vozes ecoando neste crânio… Não recebo bem críticas, racionalmente as entendo, mas emocionalmente é mais difícil de lidar com elas, de um lado a compreensão, a analise, do outro o medo e revolta nas entranhas. E hoje, recebo um retorno positivo, um elogio, de um texto que sei que ficou assim assim por ter deixando para o ultimo segundo do ultimo tempo da prorrogação. Talvez meus padrões sejam exagerados e meu animo diminuto… Mas animou-me, o retorno, e é como se precisasse ainda de um reforço externo que chancelasse o meu potencial. Potência ignorada por estar tão descrente de mim e de tudo. É nisto que tenho pensado muito ultimamente… E cambiando de assunto totalmente pergunto como é possível que eu escreva aislado num texto em português, que mania essa de inventar leis próprias e desconsiderar convenções? E cambiando mais e mais… isto aqui é bacana e isto também. 8 horas e 43 minutos para entregar (segundo prazo) a tarefa… e eu nem li nada, vou sair e volto só lá pela oito, vai ser corrido. Hein? /// Ela disse nego / Nunca me deixe só / Mas eu fiz de conta / Que não ouvi, Hein? // Ela disse: – orgulhoso / Tu inda vai virar pó / Mais eu insisti / Dizendo Hein? // Ela arrepiou / E pulou e gritou / Este teu – Hein? – moleque / Já me deu – Hein? – desgosto / Odioso – Hein? com jeito / Eu te pego – Ui! bem feito / Prá rua – sai! – sujeito / Que eu não quero mais te ver // Eu dei casa e comida / O nego ficou besta / Tá querendo explorar / Quer me judiar / Me desacatar /// Compositor: Tom Zé – Vicente Barreto.  Agora são 21:32 e faltam apenas 2 horas e 22 minutos – contagem regressiva – prazo final… E depois narro os encontros-desencontros de hoje, com direito a abraços e olhares, e do final de tarde bonito demais, e da lua nova no céu aberto, e dos olhares – quase – constrangidos, em fuga, e dos olhos perscrutadores. E Ufa [23:54’46]! menos 14 segundos e eu não conseguiria entregar… Dia #8 eu gosto de horóscopo. eu não narrarei os encontros-desencontros de ontem, apenas digo que foi um dia bonito. E as segundas eram de Maiakovski, é bom reencontra-lo. [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado]; [editado];  [editado]; [editado]; [editado]; [editado diariamente com anotações diversas – cumprindo assim sua função de ser um weblog, um caderno de apuntamentos, um bloco de notas – enquanto aguardo o momento…]; …

o tempo em que ele era capaz de andar dez milhas para apreciar uma boa armadura

[dom] 1 de setembro de 2013

hoje encontrei papéis de 2000. como eu era tão tolo e infantil. não mudei quase nada. entre a estupidez apaixonada e problemática do momento juvenil alterno com momentos senis de apatia e indiferença. estou mais velho que todos os velhos deste mundo – enrodilhado nas minhas minúsculas seguranças imobilizadoras. na vitrola, ouço mordida, beirut e manel. hoje mais manel que qualquer outra coisa. e minha visão periférica vê vultos, coisas se deslocando no ambiente. por vezes levo sustos, fico apreensivo, e quando busco identificar o que seria, percebo que são apenas meus olhos atraiçoando-me. meus olhos fingem. o ambiente é sempre vazio.

[e suprimi um bocado de texto que escrevi por aqui pois entendi que muitas vezes sem perceber meu umbigo fica maior que o universo. e isto é triste. inventar devaneios não adianta. é sempre apenas um solidário medo de se ir…].

citações da leitura diária [andré me soa familiar]: 

“Durante o dia todo pensei em André e, por momentos, qualquer coisa vacilava em minha cabeça. Como quando se recebe um choque no crânio, que a visão fica turva e que o mundo aparece em duas imagens, com alturas diferentes, sem se poder situar a de cima e a debaixo. As duas imagens que eu tinha de André, a do passado e a do presente não se ajustavam. Algo estava errado. Este instante mentia: não era ele, não era eu, essa história se desenrolava em outro lugar. Ou então, o passado era miragem, eu me enganara sobre André. Nem uma coisa nem outra, eu me dizia quando via claro. A verdade é que ele tinha mudado. Envelhecido. Não dava mais muita importância às coisas. (…) Antes, ele não teria manobrado às minhas costas, não me teria mentido. Sua sensibilidade, sua moral, se embotaram. Vai prosseguir nessa descida? Cada vez mais indiferente… Eu não quero. Eles chamam indulgência, sabedoria, a essa inércia do coração: é a morte que se instala. “ p. 33-34. A mulher desiludida. Simone Beauvoir.

Passado o primeiro espanto eu me senti leve. A vida a dois exige decisões. “A que hora a refeição? O que desejaria comer?” Os projetos se formulam. Na solidão, os atos se sucedem sem premeditação, é repousante. Eu me levantava tarde, ficava enrodilhada na mornidão das cobertas, tentando apanhar em seu voo fiapos de meus sonhos. (…) Entre minhas horas de trabalho, vadiava.”  p. 42. A mulher desiludida. Simone Beauvoir.

___

drão.

 

errare humanum est

[seg] 1 de julho de 2013

nota um: jorge ben. nota dois: o provérbio. dias frios. os livros estão fechados. a tv lá na sala segue sozinha falando ao vento. cá, submerso nas redes sociais navego à deriva. e sei lá… chega de ficar enrolando e vamos começar a trabalhar porque logo mais tem aula.

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