sil e a outrospecção

[seg] 9 de outubro de 2017

me enrolo. me atraso. não me faço poema.

***

perdi o busão. andei… por do sol bonito.

***

quinze minutos atrasado… não preparei nada efetivamente. apenas enrolo.

***

ela me fala de seus medos. da solidão. eu apenas digo que tenho medo. pensamos em caminhar.

***

passei o dia estando e não estando. o corpo estava ali, já o pensamento… distante.

***

Fernando Pessoa – Quem passa e me olha ou me conhece mal sabe
Quem passa e me olha ou me conhece mal sabe
Vendo-me apenas um cansado e triste
O que em mim há distante disto tudo!
Como é que a negra e lúcida verdade
Pode chegar às almas
Que na luz concebem? Tudo o que vive
Ao sol deste existir e quer o sol
Brilhe sem nuvens, anuviado seja
Ou (…) — vive à luz
E não suspeita o que é a escuridão
Das cavernas da alma, esquecida
De luz e vida, e onde a existência íntima
Tem outra forma, outro ser e outro (…)
s.d.

Fausto – Tragédia Subjectiva . Fernando Pessoa. (Texto estabelecido por Teresa Sobral Cunha. Prefácio de Eduardo Lourenço.) Lisboa: Presença, 1988.

Fernando Pessoa – III – De quem é o olhar
De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
Por que caminhos seguem,
Não os meus tristes passos,
Mas a realidade
De eu ter passos comigo?
Às vezes, na penumbra
Do meu quarto, quando eu
Para mim próprio mesmo
Em alma mal existo,
Toma um outro sentido
Em mim o Universo —
É uma nódoa esbatida
De eu ser consciente sobre
Minha ideia das coisas.
Se acenderem as velas
E não houver apenas
A vaga luz de fora —
Não sei que candeeiro
Aceso onde na rua —
Terei foscos desejos
De nunca haver mais nada
No Universo e na Vida
De que o obscuro momento
Que é minha vida agora.
Um momento afluente
Dum rio sempre a ir
Esquecer-se de ser,
Espaço misterioso
Entre espaços desertos
Cujo sentido é nulo
E sem ser nada a nada.
E assim a hora passa
Metafisicamente.
s. d.
«Episódios – A Múmia». Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). – 64.
1ª publ. in Portugal Futurista , nº 1. Lisboa: 1917.

***

e de quebra…

Narcisismo e depressão: “o olhar do outro define quem eu sou” | Teresa Pinheiro

 

The Empathy Museum

***

A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo Roman Krznaric. Da introspecção à “outrospecção

***

SERRES, Michel. Polegarzinha. (Trad. Jorge Bastos). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013. 96p.

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