exercício sobre o delírio

[qui] 3 de agosto de 2017

quando meu ser ecoa
noutros seres, sinto-me
rebelde com’o vento que vem do sul,
e crespo como esse mar ao sabor da viração.
tenho os lábios roxos como as flores do ipê
que tingem o jardim terroso.
e tal qual um gato que mira
borboletas amarelas,
estou com olhos atentos,
ao riscos de aguarela
no papiro, nas cascas da árvore,
no plástico ou couro ou tela.
eu risco os muros da cidadela
e ando soltando delírios pela boca.
faminto.
desafiando a gravidade…
dando leves saltos
acima do chão duro da normalidade.
estou como as nuvens de chumbo
que se desmancham ao sabor do sol
vermelho e dourado gravitando a terra.
sou o arco-íris vergando o espaço,
sendo ponte entre o sonho e o sonho,
aproximando olhares, sendo desejo…
de ser gente com a gente.
e desintegrar-se estando em todos,
e neste instante e lugar
e livre,
com asas em rimas
grafites e verbos.
delirando os verbos…

***

andei uns dias olhando a paisagem. tudo lindo, fantástico, belo. e eu seco. e do nada brota esse poema ai… um imagem-síntese do que vi e vivi nestes últimos dias.

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