loop

[seg] 27 de março de 2017

não se perca nesse emaranhado de medos. em algum ponto há de encontrar a palavra precisa. até lá são seus dentes, seus dedos, sua mente, sua confusão diária, essa espera presente de algo que não se sabe exatamente o que é. aceite o tempo da cura… aceite que as coisas são imponderáveis, apesar dos planos. mas certos dias não é recomendável escrever. há algo de cólera, como o corpo espinhado, um animal acoado e feroz.

***

acalma o peito, inspira, espera, expira…

***

nessas ultimas semanas tenho sentido dores, tanto físicas quanto emocionais.

comecei um poema que fala sobre isso… sobre como o som dos outros são como cortes em mim, como essa pressão do tempo me esgota… como me perco nas brechas, nas pequenas fugas, mas nunca escapo.

***

e sobre a greve, e outras relações, eu andei confuso, a mente racionalizando sobre o distanciamento, sobre como não tocar em certos assuntos, como ficar frio como um caco de gelo… como fazer de conta que não se está ali, não respirar. e ao mesmo tempo, os outros ali, te mostrando como viver, como fazer para ser livre…

andei sentido vergonha de mim, por querer ser tão triste assim… por muitas vezes, mesmo atento, errar e cair nesse looping… nessa tristeza por ser triste.

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lembrar do mantra: paciência e coragem. paciência para aceitar o que há em você. coragem para acordar, levantar e respirar.

***

mas a tristura de quando o garapuvu partiu-se com a queda do ingá amenizou, porque o garapuvu apesar de ter-se partido ao meio, resolveu brotar… resolveu viver (irromperam três brotos no topo do toco da árvore). ai reside o mistério… o lapso entre a morte e a vida. você pode se partir ao meio, se quebrar todo, mas ainda algo ai dentro de ti, resiste, vive… segue.

***

ainda sigo triste, e confuso, pelo estado das coisas ao meu redor. por esse modo de espera em que me pus. por esse abandono cotidiano. ainda sigo distraído, impaciente e indeciso.

***

mas é daí, deste ponto, de dentro de mim, que a vida deve brotar. porque não importa quantas cores habitem o mundo se eu insisto em ver tudo cinza. mas tão pouco adianta querer me devorar, me cortar, me rasgar por não ter forças para respirar, ao menos agora.

deixa o silêncio do tempo fazer seu caminho, deixa as coisas brotarem em paz…

e te concentra no aqui e agora.

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