paleocircuits

[sáb] 4 de março de 2017

e ai tu pode ir dormir. ou tomar uma água. ou escolher um daqueles 50 filmes interessantes que estão na tua lista de espera na netflix… ou acessar algum canal de comentaristas no youtube… ou mesmo fazer um chá, ou abrir um daqueles 100 livros que esperam a sua leitura… ou terminar aquele do saramago… ou colar aqui as anotações sobre barthes, ou ainda por em dia o desafio de publicar um poeta por dia (um poema de um poeta que nasceu no dia, sendo um por dia)… ou fazer um café… ou um chocolate quente… ou um lanche agora…

ou editar e publicar as rascunhos de alguns dias atrás que esperam pela publicação/registro…

ou estudar para as aulas da semana/recortar as imagens e resumos/preencher os conteúdos das aulas já dadas/ou editar o plano de ensino…

ou comentar sobre o almoço muito bacana que tu fez hoje, para almoçar com sua filha, ou sobre o fim de noite de sexta, em casa, quando sua filha narrou seu dia na escola e tivemos um excelente bate papo sobre a vida, as amizades, e conversamos sobre poemas/poesias… e mergulhamos em leminski, vinicius, drummond, cruz e sousa, neruda… enfim. tu poderia fazer inúmeras coisas.

mas um sensação de tédio te leva a não querer nada.

tá tudo certo… há um deserto. ia bem sair pela rua… tomar um porre, estar uma festa, sentir teu suor no suor de um amontoado de gente. tua pele na pele de outra… derreter-se, numa transa,  dar um pegas, uns beijos demorados, a dois, a três, uma suruba… em casa ou na rua mesmo, na adrenalina de a qualquer momento ser pego.

ou ir, fazer uma trilha… caminhar horas… sentir aquele momento em que o corpo desiste, a mente entra em estado de fluidez… e tu só vai, porque não tem como voltar ou chegar é em outro lugar bem distante. tu tá em gozo constante dentro do barato de estar ali indo, sem ter que pensar sobre, sem racionalizar isso ou aquilo… acho que é isso, e hoje fiz um pedal. tirei um cochilo. aproveitei o dia para estar livre. mas não era isso, não era esse tipo de liberdade à esmo… e tudo que sinto é que nada do que tenho algo me satisfaz. nesse exato instante padeço do descontentamento… de querer nem sei o quê, nem sei onde, nem sei quem. porque o que talvez falte é aquela sensação, quase como uma droga, de estar em transe.

***

acho que a última saída será injetar açúcar direto na corrente sanguinea e fritar pela madrugada racionalizando masturbatoriamente essa sensação de ausência de prazer.

vincent_van_gogh_-_sorrow_-_f929_jh129

 

Tristeza (litografia de Vincent van Gogh, 1882).

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