um ponto de fuga qualquer para o olhar

[seg] 30 de janeiro de 2017

7h36 já na hora de sair é que o sono chega. mas vai ter que esperar. por alguns poucos e sofridos minutos na viagem do ônibus lotado.

9h41 após uma hora embalada por uns três ou quatros cochilos pontuais de mais ou menos dez minutos… teus olhos estão vermelhos. e isto é o máximo que poderás dormir neste dia morno. hoje é um dia morno e cinza. e você abre a janela na esperança que qualquer brisa bata de leve e amenize… mas o que sufoca a cara é um bafo morno, que te coze de lufada em lufada… e em poucos instantes, teu corpo transborda… verte suor de regiões inimagináveis. síntese – morto de sono e encharcado de suor.

10h12 ali, deitado, com a boca escancarada, salivando, tu busca um ponto de fuga para o olhar, para esquecer a violência e o carinho de ter alguém mexendo em sua boca. um ponto de fuga qualquer para o olhar, e no teto branco daquela sala há um ponto escuro, e ao redor mais pontos obscuros… há uma constelação de micro pontos escuros. tu esquece do holofote, da boca, da saliva, de alguém mexendo dentro de você e te perdes naqueles pontos… vã é a tentativa de identificar a origem daquelas marcas. nos tetos brancos habitam porções de morte e de vida deixadas ao acaso, apenas isto.

11h46 O prazer do texto. Roland Barthes.

 

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