burn burn burn

[dom] 18 de setembro de 2016

sugestões e citações d@s camaradas

«Interessante passagem de Angela Davis, em seu livro “Mulheres, raça e classe” (Boitempo), na qual ela mostra como desde o nascimento do capitalismo, nos EUA, as questões de gênero, escravidão e classe se misturam de forma contraditória.

“Na época em que começaram as primeiras tentativas de industrialização no Sul, antes da Guerra Civil, o trabalho escravo complementava o trabalho livre – e frequentemente competia com ele. Industriais que possuíam escravos empregavam homens, mulheres e crianças da mesma maneira, e quando os proprietários de terras e fazendeiros arrendavam a força de trabalho de suas escravas e escravos, percebiam que as mulheres e as crianças eram tão solicitadas quanto os homens.

As mulheres não eram ‘femininas’ demais para o trabalho nas minas de carvão e nas fundições de ferro, tampouco para o corte de lenha e a abertura de valas. (…) [p. 22-23]

Quando as tentativas pré-Guerra Civil de estabelecer o sistema fabril nos Estados Unidos deram espaço a uma aposta agressiva na industrialização, a experiência de realizar um trabalho produtivo foi roubada de muitas mulheres brancas. As fábricas têxteis tornaram obsoletas suas máquinas de fiar. A parafernália que usavam para fazer velas se tornou acervo de museu, assim como várias outras ferramentas que as ajudavam a produzir os artigos necessários à sobrevivência de sua família. À medida que a ideologia da feminilidade – um subproduto da industrialização – se popularizou e se disseminou por meio das novas revistas femininas e dos romances, as mulheres brancas passaram a ser vistas como habitantes de uma esfera totalmente separada do mundo do trabalho produtivo. A clivagem entre economia doméstica e economia pública, provocada pelo capitalismo industrial, instituiu a inferioridade das mulheres com mais força do que nunca. Na propaganda vigente, ‘mulher’ se tornou sinônimo de ‘mãe’ e ‘dona de casa’, termos que carregavam a marca fatal da inferioridade. Mas, entre as mulheres negras escravas, esse vocabulário não se fazia presente. Os arranjos econômicos da escravidão contradiziam os papéis sexuais hierárquicos incorporados na nova ideologia. Em consequência disso, as relações homem-mulher no interior da comunidade escrava não podiam corresponder aos padrões da ideologia dominante.” [p. 24-25].»

Sugestão de filme:

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filmes vistos no final de semana:

domingo

Burn, Burn, Burn  (2015) Direção: Chanya Button

sábado

The Words (2012) Direção: Brian Klugman , Lee Sternthal

Six Degrees of Separation (1993) Direção: Fred Schepisi
Thanks for Sharing (2012) Direção: Stuart Blumberg

In My Dreams  (2014) Direção: Kenny Leon

 

e dia 13/9 – terça-feira

Up in the Air (2014) Direção: Jason Reitman

 

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