sob o signo de cam

[qui] 15 de setembro de 2016

fazendo leituras e organizando minhas aulas de hoje. dia de repor aulas não dadas.

ontem pensava sobre isto de dar aulas… como nessa semana estou mais disposto, mais vivo… interessado. em vários momentos deste ano eu estive tão cansado que deliberadamente não quis ir para escola. mas não era só um cansaço fisico e mental.. era um cansaço moral, de saber que não havia preparado o material de forma adequada e precisava cumprir aquela carga horária… que seriam horas inúteis. e que seria uma carga.

dar aula não é, e nem pode ser, algo mecânico. é necessário paixão, encantamento, é necessário algo mágico… é necessário certa emoção em uma aula, sobretudo eu, enquanto professor e pessoa, preciso estar amando o que estou fazendo para poder irradiar e encantar, tocar, atingir, enlaçar outros nestas aulas… sem emoção a razão desaba e torna-se mera formalidade – e isto é um tanto inócuo.

 

temáticas de hoje: (202) ideologia, hegemonia e industria cultural; (301, 302 e 303) cidadania e direitos humanos no brasil.

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El Abecedario de Gilles Deleuze – P de Profesor

«SOB O SIGNO DE CAM (pp. 246-72) (1) O original de Heine pertence ao ciclo Gedichte, 1853-54. Os parênteses com sic são do tradutor brasileiro. Comenta Augusto Meyer comparando o texto de Heine, primeiro com “Les nègres et les marionettes” de Béranger, e depois com o poema de Castro Alves: “Heine tratou o tema com uma objetividade realista que não se observa nos outros. Para ele a questão do escravo integrava-se na questão das relações de classe e da estrutura econômica do capitalismo. Já num escrito de 1832, coligido em Franzõsische Zustade, ao criticar o liberalismo inócuo de certos círculos da nobreza alemã, representados no caso pelo conde Moltkc, dizia o poeta: “O conde Moltke certamente considera a escravidão o grande escândalo da nossa época, e uma aberta monstruosidade. Mas, na opinião de Myn Heer van der Null, traficante de Rotterdam, o comércio de escravos é uma atividade natural, justificada; o que, pelo contrário, lhe parece monstruoso, são os privilégios da aristocracia, os títulos e bens de herança, o absurdo preconceito da nobreza de sangue” (A. Meycr, “Os três navios negreiros”, in Correio da Manhã, 19/8/67). Agradeço a Marcus Vinícius Mazzari a gentileza de ter-me obtido a tradução e o artigo de Augusto Meycr.» Nota de rodapé. Alfredo Bosi. Dialética da Colonização. 

«A religião dos filhos de Cam” era uma das terminologias empregadas para caracterizar as práticas religiosas dos africanos e seus descendentes no Brasil no período da Colônia e Império, quando a religião oficial era a Católica Apostólica Romana. A partir da República, houve a liberdade de culto, embora o Código Penal (1890), anterior à Constituição republicana (1891), continuasse a criminalizar o Espiritismo, o curandeirismo, e a capoeiragem, dentre outras práticas culturais e religiosas praticadas pelos descendentes dos escravos e ex-escravos. As perseguições deram-se de diversas formas durante todo o regime republicano: sob a égide da higienização, da ciência médica (combate às doenças mentais), do combate ao charlatanismo etc. No tempo presente, notamos que o grupo que mais persegue e discrimina as práticas religiosas de matriz africana no Brasil são os denominados evangélicos pentecostais. Tal perseguição exige intervenções jurídicas do Estado Brasileiro e a organização dos vitimados por tais práticas.» José Silva. Sob o signo de Cam: as lutas da tradição religiosa de matriz africana contra a intolerância no Brasil republicano.

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