o escafandro e a borboleta

[qua] 27 de julho de 2016

maratona de game of thrones finalizada… agora é esperar 2017. vou evoluindo bem no marvel future fight…

os litros de vinho foram rápidos…

e maldita unha continua encravada.

fiz a barba…

e…

me recolho.

***

«através da cortina limitada um tênue brilho anuncia o raiar do dia. meus calcanhares doem, minha cabeça pesa uma tonelada, todo o meu corpo está encerrado em uma espécie de escafandro. minha tarefa agora é escrever as inertes anotações de viagem de um náufrago nas praias da solidão. originalmente este hospital naval foi uma casa para crianças com tuberculose. no corredor principal tem um busto de mármore branco da imperatriz eugénie, esposa de napoleão iii. ela era a patrona do hospital e o visitava com frequência. havia uma vasta fazendo, uma escola, e um lugar onde, supostamente, o grande diaghilev ensaiou seus balés russos. dizem que foi aqui que nijinsky deu seu famoso salto, erguendo-se a 3 metros do chão. ninguém mais salta aqui, hoje em dia, só há velhos e fracos, ou, como eu, estáticos e mudos. um batalhão de aleijados. gosto que me levem a um lugar que apelidei de cinecittà, um terreçao deserto que dá para uma paisagem da qual emana um charme poético e deslocado dos cenários de cinema. embaixo das dunas, algumas construções evocam uma cidade fantasma do velho oeste. eu gosto de ver os subúrbios de berck. parecem a maquete para um trem elétrico. e a espuma do mar é tão branco que parece efeitos especiais. mas a minha visão favorita é o farol. alto, robusto e tranquilizador, com suas listras vermelhas e brancas. eu me coloco sob seu símbolo fraternal, protegendo não só marinheiros, mas os enfermos, cujo destino os deixou à margem da vida.» trecho do filme le scaphandre et le papillon, de 2007, do diretor julian schnabel, que conta a história de jean-dominique bauby.

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