exercício sobre a segunda-feira

[ter] 28 de junho de 2016

se eu não tivesse perdido
você, hoje,
nessa segunda-feira,
jamais saberia
das coisas agridoces,
do vento frio na face,
da brisa sobre as árvores
do balé do bando que avoa
da arrevoada dos pássaros
da coreografia dos doces cães
das cores quentes
que banham o céu
quando da morte do sol.

se eu não tivesse perdido
jamais saberia
da caminhada solitária
descalço pela praia
sal pela barba áspera
e mar de folhas ocres
escondendo as pedras no chão.

se eu não tivesse perdido
jamais saberia
que em mim há
uma lenta necessidade
de deixar-se qual nuvem a esvaecer
pela noite que envolve toda a vida…

e que não há fogo
que me ascenda
ou frio que me congele.
apenas me é doce
essa morte, sem você,
em plena segunda-feira.

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