homo infimus

[qui] 23 de junho de 2016

a poesia:

Homo Infimus – Augusto dos Anjos
Homem, carne sem luz, criatura cega,
Realidade geográfica infeliz,
O Universo calado te renega
E a tua própria boca te maldiz!
O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o omega
Amarguram-te. Hebdômadas hostis
Passam… Teu coração se desagrega,
Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!
Fruto injustificável dentre os frutos,
Montão de estercorária argila preta,
Excrescência de terra singular.
Deixa a tua alegria aos seres brutos,
Porque, na superfície do planeta,
Tu só tens um direito: – o de chorar!

Vencido
No auge de atordoadora e ávida sanha
Leu tudo, desde o mais prístino mito,
Por exemplo: o do boi Ápis do Egito
Ao velho Niebelungen da Alemanha.
Acometido de uma febre estranha
Sem o escândalo fônico de um grito,
Mergulhou a cabeça no Infinito,
Arrancou os cabelos na montanha!
Desceu depois à gleba mais bastarda,
Pondo a áurea insígnia heráldica da farda
A vontade do vômito plebeu…
E ao vir-lhe o cuspo diário à boca fria
O vencido pensava que cuspia
Na célula infeliz de onde nasceu

Breve olhar sobre a poética de Augusto dos Anjos, por Fábio Rolim

e outra referência é esta postagem aqui – plano de navegação – que fiz em 2010.

a pesquisa:

Retratos de Família | Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso

A Evolução da Família | Joel Birman

Familia e educação na sociedade de consumo – Direção de Flora Lahuerta e Luanda Baldijão

 

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