exercícios sobre as faltas e o excesso de ausências

[qua] 11 de maio de 2016

o mundo é uma tempestade pesada
e incrivelmente cinza que se achega
é ventania que vem arrastando folhas,
árvores, marés e todos os corpos frágeis pela frente
é uma tormenta encharcando meu corpo exausto…

e as palavras dela, olho no olho,
mistura de canto, lamento e berros
vão cravando… ecoam aos gritos
no meu ouvido mudo e incapaz

quem sabe eu acorde
deste sono profundo
quem sabe eu escape
deste buraco fundo
quem sabe eu mude
e desvista-me dessas rimas baratas
desse adiamento de paixões raras
dessa salmora de medos e desculpas
desse lamento cínico e plástico

o mundo visto pela minha janela
é um tempestade pesada
e de chumbo que me leva para tão fundo
é ventania que rasga e despedaça
é tormenta que afunda
palavras que cortam
olhos em pranto
eu, um bocado dela
sangro…

e é tudo ao mesmo tempo
e falta algo…

***
apenas
não sou constante
não consigo.
prefiro,
ferir-me,
na solidão
empoeirada
das estantes.

e o poema não tinha
consigo
qualquer arma
apenas armava…

a falta e o excesso de ausências.

%d blogueiros gostam disto: