sentimento do mundo

[qua] 16 de março de 2016

há um cansaço indizível.

uma vontade de fuga…

nem as janelas da semana me libertam. nem os planos traçados… pois isto que sinto é de outra ordem… mistura a dor do corpo inflamado e doente ao sonho dilacerado e impotente. estou quase triste, meio morto: exausto.

apenas colo um poema do camarada drummond,

de carlos drummond de andrade, sentimento do mundo, poema homônimo ao seu livro de 1940.

«Sentimento do mundo Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio de escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor. Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes. Os camaradas não disseram que havia uma guerra e era necessário trazer fogo e alimento. Sinto-me disperso, anterior a fronteiras, humildemente vos peço que me perdoeis. Quando os corpos passarem, eu ficarei sozinho desafiando a recordação do sineiro, da viúva e do microscopista que habitavam a barraca e não foram encontrados ao amanhecer esse amanhecer mais que a noite.»

 

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