concreto e cromo suave

[sex] 15 de janeiro de 2016

#um

de repente bateu aquela sensação que a vida não espera… que o tempo gasto à toa – aquele que o cão gasta dando circulo antes de deitar – passa, nem sempre como os passarinhos. e como se eu precisasse ficar preso, enredado nestes cabos soltos, para suportar tudo que não se é aqui e agora – pensei esta mesma ideia de diversas formas por alguns dias… e o que fiz foi: troquei as flores de lugar; cortei projeto de árvores; podei o chuchuzeiro e o pé de maracujá. fiz uma ponte para lugar nenhum; criei uma sala vazia… e um quartel inacabado que pintarei de concreto e cromo suave.

#dois

enterrei a minha mão ressecada e cheia de cortes na terra úmida esperando brotar em mim aquela viscosidade que há na vida, em todas as suas formas… deixei minha mão em algum canto do quintal. vá que da terra, após a morte, brote um poema em forma de caracol ou flor.

#três

«El hombre es el animal que pregunta. El día en que verdaderamente sepamos preguntar, habrá diálogo. Por ahora las preguntas nos alejan vertiginosamente de las respuestas.» Cortázar.

#quatro

e manhã acabou. e o dia começou…

 

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