a linha fria do horizonte

[qua] 4 de novembro de 2015

2h44 depois de três dias sem fazer absolutamente nada. deixando o tempo se amontoar pelos papeis no chão, sobre a mesa, na pilha de roupa suja, no desarrumar da cama, na solidão diária das madrugadas sem dormir e dos dias dormidos que passam diretos… eu não fiz nada, nem sequer cogitei pensar – vegetei, da cama para tv para o pc para cama. e agora, ouvindo victor ramil e marcos suzano, e diante de mais uma madrugada acordado… já pressentindo aquela pressão que amanhã chegara com aquela angustia de sentir que falta tempo para fazer tudo que é preciso… eu anoto qualquer coisa aqui… porque do silêncio, em que vivi, e vivo, é necessário fazer um tempo e logo mais será preciso falar qualquer coisas que faça sentido… mas sabe, disso tudo… a constatação que oscilo, assustadoramente, entre crer na possibilidade de mudar o mundo, e, sobretudo, a mim mesmo… amar, lutar, resistir… e estes dias assim… que não creio em nada… e a gente pergunta: por que se vive? para quê? nestes dias o mundo é pesado demais que nem consigo respirar. meu silêncio vem dessa impotência.

e a poesia minha dessa era glacial, congela(-me)-se.

ouço victor ramil.

01 – Livro Aberto (00:00)
02 – Invento (04:58)
03 – Viajei (08:15)
04 – Que Horas Não São? (12:43)
05 – O Copo e a Tempestade (16:33)
06 – A Zero por Hora (18:41)
07 – 12 Segundos de Oscuridad (22:25)
08 – A Ilusão da Casa (25:43)
09 – Café da Manhã (29:58)
10 – A Word Is Dead (34:52)
11 – Astronauta Lírico (36:23)

14h36 Acordei as 10h… Não levantei. Esperei Izabel aparecer, levantei, fiz almoço… Almoçamos, eu e minha filha. Ela foi para escola e voltei para cama. As duas tomei coragem e levantei… Fiz meu mate e agora, relutante, tomo coragem para começar a preparar as aulas e materiais de hoje. Paulo falou que vem de visita, talvez hoje… Preciso limpar isto aqui… E essa chuva… E esses dias. E, veio um pensamento positivo… Em vários momentos, depois de dias assim de tédio, a escola me anima… É só sair, movimentar, andar, encontrar pessoas, trocar ideias… As coisas melhoram. E esse cinza não fica tão cinza assim. E agora um canção de Lenine para refletir sobre a vida:

Do alto da arrogância qualquer homem
Se imagina muito mais do que consegue ser
É que vendo lá de cima, ilusão que lhe domina
Diz que pode muito antes de querer
Querer não é questão, não justifica o fim
Pra quê complicação, é simples assim

Focado no seu mundo qualquer homem
Imagina muito menos do que pode ver
No escuro do seu quarto ignoro o céu lá fora
E fica claro que ele não quer perceber
Viver é uma questão de inicio, meio e fim
Pra quê a solidão, é simples assim

É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
É simples assim
E a vida continua surpreendentemente bela
Mesmo quando nada nos sorri
E a gente ainda insiste em ter alguma confiança
Num futuro que ainda está por vir
Viver é uma paixão do inicio, meio ao fim

Pra quê complicação, é simples assim
É, eu ando em busca dessa tal simplicidade
É, não deve ser tão complicado assim
É, se eu acredito, é minha verdade
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê a solidão, é simples assim
Eu vivo essa paixão do inicio, meio ao fim
Pra quê complicação, é simples assim

Compositor: Lenine, Dudu Falcão

16h05 … a vida bruxólica…

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