montevideo

[seg] 5 de outubro de 2015

e disto tudo abaixo: eu não me sinto saudável. há dias de profunda melancolia, que não me deixa levantar. há dias de raiva do mundo… ai é uma vontade danada de matar ou morrer. e entre eles, há alguns instantes… que tento resistir.

hoje eu tive medo. ontem eu chorei.

***

«El mar que me trajo hasta aquí,
el puerto en que habré de zarpar,
un día pensando en volver,
un día volviendo a escapar.

Un día cualquiera me iré
dejando su lágrima atrás
la pena que me haga partir
la misma me hará regresar.» Jorge Drexler

***

e se eu te pedir desculpa, será que alivia minha dor?
e se eu disser me perdoa, será que espia minha culpa?

e se eu disser: não deu?

o que eu era já não sou eu.

ou o que sempre fui foi só essa dor?

e este meu monstro, que cala a boca – que se esconde, mas está aqui, vivo.

ou esse bicho acoado sem saber ser.

e assim, algumas torturas são tão profundas que te tornam o sujeito/objeto reprodutor de todas estas formas de estupidez.

e as vezes não cabe falar nada… porque não tem como apagar o erro de se ser quem se é. e mesmo que eu esqueça, ou ouse, dedicar minha jornada nesta vida em busca de um mundo melhor, e sobretudo, eu ser um ser melhor… viver é só uma desculpa para fugir deste monstro que encontro diariamente.

hoje tive tanto medo, que não consegui nem pensar. apenas arranquei um pedaço grande de mim… misturei tudo: sangue, lágrimas e aquela baba quem vem quando temos muita raiva.

***

algumas lágrimas, olhos vermelhos… ontem, sábado, lá pelas seis e pouco da manhã, perdido em um terminal gelado, enquanto tocava aquela canção:

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