as faces de jano

[dom] 30 de agosto de 2015

«está tudo destroçado, mas quem sabe tudo ficará bem?!»

há algo, alguma relação, para além do nome do personagem-título do filme de anna mastro com o filosofo… mas fica para outro dia. estou numa fase de leituras sobre a escola de frankfurt, revendo leituras anteriores e aprofundando, com novos textos de walter benjamin, adorno e marcuse.

mas por agora tenho um poema inacabado (rabiscado entre quinta-feira quando voltada das aulas e hoje… ainda está inacabado).

lavrador da escuridão
minerador de pensamentos,
por dentro
não sabe-se
pedra
ou suor.

o homem cava
o fragmento,
um gozo no silêncio
do tumulto interno…
é desejo da mina,
da profundidade de carvão.

o homem nu,
por dentro
desfigurado,
um bicho oco
um coração opaco,
e da boca morna
e muda…
o minério do não,

quiça, um sim.

e toda saliva,
e todo verbo,
e toda língua,
e todo atrito,
cruzam a noite,
trepam delírios
mas não suportam
os olhos vazios
que não se tocam na luz…

o profundo sexo dela
deseja o gosto
que transcende
a superfície arenosa,
isto que existe e exige
que tua picareta pudesse
lavrar o sol,
a luz e o carvão.

mas o homem
lavrador da escuridão
minerador de pensamentos,
por dentro
não sabe-se
pedra
ou suor.

e…

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