uma semana mensurando o silêncio…

[sáb] 11 de julho de 2015

Meu último texto foi feito na segunda. minha vó faleceu as 23:45 de domingo. Após tudo isto houve um turbilhão de sentimentos…

Logo depois do meu texto, comuniquei minha mãe. É doloroso ver sua mãe perder a mãe dela. E lá pelas 3:00 estava, eu, já na estrada… e foram 250 Km de estrada e volante, para chegar até Arroio do Silva.

Foi um dia de dor e de reencontros. Não me recordava quando foi meu último velório. Ela estava serena.  Pensei muito na transitoriedade da vida… E lembrei de momentos bons. Enterro às 17:00, e pé na estrada…

Mais 250 Km de estrada.

Enquanto tudo isto rolava, estava meu irmão no centro cirúrgico, extraindo um fragmento de seu cérebro.

Na terça-feira, meu irmão já estava saindo da UTI.

Na quarta-feira, ainda no hospital, mas já sem o dreno.

Na quinta-feira, ele teve alta. Foi dia de andar por mais de 10 farmácias atrás de medicamento. Eu, vestido com roupa de mexer na terra, toda surrada, e com as unhas com terra, já exausto de tanto dirigir, na última farmácia, e a atendente da farmácia flertou comigo – para registro, achei aquilo muito engraçado. Eu estava sujo, desarrumado, exausto, com pressa… e a mulher ali na minha frente brincando comigo… Surreal. Neste dia andei mais de 50 Km.

Na sexta-feira, tirei o dia para mim. E fui fazer as podas… Plantar grama. Enfim, reencontrar parte de mim.

Hoje, sábado. Estou a subir fotos ao flickr, e fui limpar o arquivo morto do gmail… E voltei mais uma vez no tempo. Há tanta história lá que o tempo vai borrando… Pessoas, momentos, situações, projetos, amores e desamores, brigas, reencontros e desencontros, atas, projetos, fichamentos, viagens e algumas fotos. Me descolei do tempo presente e senti saudade de parte de mim, e de um futuro que talvez eu nem venha a viver…

O certo, é hoje me sobram umas 10 horas, e amanhã será domingo, momento chave para por o trabalho e a cabeça no lugar.

E o pensamento é: algumas mortes são repentinas, outras lentas. algumas são jovens, outras bem vividas. algumas são inevitáveis, outras inexplicáveis. algumas mortes cerram a ponte repentinamente… outras guardam-se como promessa de algo que passou e a gente ainda não entendeu…

que essa vida é mais complexa do que nos parece. e há uma determinada aleatoriedade que somos incapazes de apreender na sua totalidade.

%d blogueiros gostam disto: