um poema, umas notas… algumas canções.

[dom] 21 de junho de 2015

o poema obscuro
mira-me no espelho.
uma miragem,
uma imagem
captada ao acaso:
a forja da palavra,
a dura lavra.

o poema
é uma passagem:
uma rocha
amorfa e muda,
um vegetal retorcido,
um verbo seco,
um instante ao vento.

o poema é nada além
de um desejo cego,
um corte, um rasgo,
uma dor surda,
uma dúvida latente.

o poema é
o que foi dito
e o devir,
desde o mais
profundo de teu ser

o poema
está entre
o imperceptível
e o que de nós,
possamos traduzir.
***

o mote do poema era: “dificuldade de escrever. estar seco neste vento frio”. e ao escrever e reescrever as imagens foram se sobrepondo e o poema tornou-se um poema. das pesquisas ao longo da escrita cai nesta citação, que faz todo o sentido:

«O verdadeiro poeta é aquele que encontra a ideia enquanto forja o verso.»
Émile-Auguste Chartier Alain

***

e abaixo, algumas notas de coisas que li pela rede que achei interessantíssimas – essas coisas me tocam profundamente, alguma coisa delas me habita.

tanto a citação, de Caio Fernando Abreu, e a imagem, de Courtney Wirthit, compõe uma bela postagem, “das coisas inexplicáveis, necessárias” encontrada num interessantíssimo blogue: A PARTE E O TODO DE MIM

«Tento me concentrar numa daquelas sensações antigas
como alegria ou fé ou esperança.
Mas só fico aqui parado, sem sentir nada,
sem pedir nada, sem querer nada.» Caio Fernando Abreu

l**

e das redes sociais… abaixo uma canção de caetano, o genial caetano.

«Disse que vinha, e veio, lá do Norte / O mar nos olhos / Era noite sem vento e eu nem cri na minha sorte / Houve curiosidade, um calmo susto, alguma palidez / Por trás do ouro do seu rosto / Quero ser justo / Mesmo que não pudéssemos manter a lua cheia acesa / Ou não, ainda, nem no seu nem no meu coração / Eu vi você / Uma das coisas mais lindas da natureza / E da civilização»

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gradell imagem de daniel alonso, da revista Photographize.

**

e umas canções:

 

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