dialética da ocupação…

[qui] 7 de maio de 2015

 

Desocupei. Depois de uma semana mergulhado na ocupação, tirei um dia para repor as minhas forças. E cumprir alguns compromissos. Amanhã é retornar para ocupação e ver como vai tudo lá…

e além da solidariedade, das camaradagens, do trabalho pesado, da articulação política e das tarefas práticas… foi uma semana de profundo amadurecimento pessoal e político. algumas facetas adormecidas acordaram… E posso dizer que só me sinto vivo quando me movimento… e no exercício de análise diário da conjuntura, do movimento, tenho percebido vários furos, erros, mas algumas intuições e parte da análise tem se mostrada muito correta. vamos nos ferrar muito, enquanto categoria, mas há um acúmulo de força interessante, enquanto professores em luta, no cenário.

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hoje também foi dia de ir ao emaj e dar inicio ao processo de inclusão no meu nome no registro civil de nascimento de maria izabel. de conversar com o adriano e de apaziguar certas coisas passadas. e me sinto como fechando um ciclo…

que foi de recuo, iniciado em 2009. de isolamento, de solidão… e que chega a um momento novo. voltar a militar de forma centralizada, registar minha filha… e me abrir a casa para o que vier.

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colo abaixo, o texto que está aqui na prancheta perto do computador… que fala sobre  «as características do movimento matéria, ou seja, da dialética materialista. Por Wilham Reich.

1) “O princípio materialista trata da relação de determinação, a dialética é a essência do método, trata do movimento, da lógica sobre a qual o pensamento se estrutura para buscar compreender um fenômeno. O que interessa é captar o movimento: era, é… tende, a ser. Analisar objetivamente este movimento, suas passagens, como uma forma foi superada por outra que já anuncia a nova que virá de seu desenvolvimento. O importante desta analise objetiva é que a dialética não deve ser imposta ao fenômeno dialético, não é o pensador dialético que torna o fenômeno dialético, devemos buscar como o movimento próprio da coisa estudada evidencia a dialética.

2) “Toda forma traz em si mesma uma contradição, é uma união de contrários, amadurecem dentro desta forma até que o conflito entre os pólos da contradição não possa mais ser resolvido dentro dela”. A contradição interna destrói a forma antiga e gera uma nova.

3) “A nova forma não elimina a contradição, gera uma nova”. Tudo que nasce já traz em si o germe de sua própria superação. Por isso nada é eterno, só o movimento, tudo que nasce tende a desaparecer. O novo já traz em si o novíssimo, o “é” já traz o “tende a ser”.

4) “As contradições não são absolutas”. Dois pólos que se opõem como contrários estão numa relação de identidade. Um aspecto é ao mesmo tempo também o outro (causa/efeito, ação/reação, alto/baixo, qualidade/quantidade, etc.). Por este motivo num determinado ponto do processo uma coisa pode transforma-se no seu contrario.

5) “A forma como se resolve uma contradição, destruindo uma velha forma e gerando uma nova, não é boa nem má, mas sim necessária”. Como uma contradição era composta e como esta contradição se desenvolveu necessariamente até a superação evidencia, deve ser vista além de juízos valorativos. Mesmo porque aquilo que possibilitou o movimento pode vir a paralisá-lo.

6) O amadurecimento interno da contradição se dá progressivamente, mas se resolve por uma ruptura, um salto de qualidade. A contradição germina silenciosa e imperceptível e aflora abruptamente numa quebra de continuidade.

7) “Todo movimento, sucessão de formas, evidencia uma dupla negação, uma negação da negação. A primeira forma é negada pela segunda que é negada pela terceira gerando assim a aparente volta a primeira. No entanto nada retorna ao que era. A terceira forma reapresenta traços da primeira, mas traz em si também traços da segunda forma superada. Já não é mais nem uma, nem outra. O novo traz traços do velho, o velho já anuncia elementos do novo. A impressão de circularidade é apenas aparente, pois a última forma sempre reapresenta a primeira num patamar “ superior”. O movimento não é circular, mas em espiral”.»

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