não se mate, e eis…

[qua] 22 de abril de 2015

começou a chover! E anoto duas notas desta jovem madrugada. uma ouvida, e que me faz sentido; e a outra, achada, pela minha dificuldade de grafar as palavras…

NOTA #1 – Poema de Carlos Drummond de Andrade

Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam, .
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

ANDRADE, Carlos Drummond de. “Brejo das almas”. In:_____. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

*

NOTA #2 – Fragmento de Clarice Lispector, por Wagner Moura.

***

NOTA DE RODA PÉ: E eis que a vida me chama… Pessoas deixam recados… Uns pedem ajuda, outros me convidam… Outros apenas necessitam conversar… E  chegadeficarenrolandosenapropriacaudacomoumcaosemdonoesemsaidaousemdestinoperdidoemsimesmo.

Amanhã/logo mais/ haverão compromissos. Ir na escola, ir no ato, participar do comando… voltar a ser coletivo. Vamos, sr. Vagner, não se mate! Se distribua, como puder e da forma que puder.

ps: lista para leituras futuras: grande sertão veredas e o homem revoltado.

 

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