convoque seu buda

[dom] 1 de fevereiro de 2015

1h46′ e… criolo é interessante. já havia ouvido falar do seu álbum novo, mas não havia tirado um tempo para ouvi-lo. ao ler esta entrevista: convoque seu buda! – deu vontade de conhecer esse novo de criolo.

um excerto: «Criolo: Você falar, isso é um soco na cabeça, porque joga uma leveza, mas também uma responsabilidade do que faz com seu tempo. Você deu um belo ippon (golpe perfeito, nas artes marciais japonesas). Mas tem outro lado: a gente tá ficando e o tempo tá indo e rindo da nossa cara… Não estamos indo junto com a natureza porque a nossa soberba não deixa.
Monja Coen: O tempo rapidamente se vai e a oportunidade se perde. Cada um de nós deve se esforçar para o acordar e despertar. Isso a gente fala antes de dormir. O tempo da vida humana é limitado. Não aproveitar o potencial é desperdiçar a vida.
Criolo: É, quem está em movimento não vai acumular a poeira. Está tudo em movimento
Monja Coen: A vida assim como ela é. E não é! Vamos melhorando devagarinho.
Criolo: Para fazer o chá tem que esquentar a água. Vamos tomar um chá?
Monja Coen: Vamos!»

então vamos ouvir: convoque seu buda!

***

encerro a noite esperando um chá, um almoço talvez…. um café da tarde. algo novo. encerro por enquanto este texto, e espero.

para meditar: não fique ansioso demais.

***

8h30′. o mate acabou ontem. dormi pouco, após ver o ufc. o despertador, a vontade de acordar e as visitas em casa – e crianças são crianças – não me permitem ficar deitado no meu tatame. levanto, enrolo, guardo-o. é preciso tirar o pó da casa, o que falta, e preparar café… enfim… o mundo é bão sebastião. o mundo é vasto raimundo...

trilha itapema da manhã:

a primeira canção é: u2 – every breaking wave e aleatoriamente a voz envolvente de george ezra (que desconhecia) em  listen to the man;

20:47. esperei, cochilei, vi casa por casa serem invadidas por muita gente… e não sobrou nenhum espaço para eu ficar sozinho, mas sozinho ou em silêncio esperei. lutei para não ficar ansioso. até pensei em ligar, mas no novo celular não há número. optei por não deixar mensagem alguma… e quando chegares esterei. mas o bom dessa espera, é que se pensa muito, e avancei um bocado de páginas de ‘os prêmios’. cortázar é incrível…

e entre espaços descansei o corpo… curti o documentário dirigido por eduardo escorel: paulo moura – alma brasileira; adormeci no sofá quando havia sofá, e na cadeira de leitura quando já não havia sofá… e quando cansei-me de estar aislado, brinquei com as crianças… e mesmo assim, depois, quando estar ali com aquelas pessoas já não fazia sentido… eu, apenas fui… andei, avistei um belo final de dia numa praia distante… e um passo após outro fiz um caminho diferente.

e entre tantos pensamentos, destaco dois, quando voltava, o primeiro fruto de um confronto com um gato e outro não me recordo o estalo sináptico:

o exercício sobre os gatos amarelos

os gatos amarelos são todos iguais
espreitam, interrogam, perscrutam-nos:

como será o nosso peso?
e quais seriam nossos gestos?
e quanto temos deste odor marinho?

*

os gatos amarelos são todos amarelos
de mesma calda, de mesmo pelo,
de mesma barba, de um mesmo novelo.

**

os gatos amarelos me lembram
daquele gato amarelo…

o único gato amarelo,

que houve.

**

e faz uns cinco anos que não choro… aquele choro convulso onde nos viramos ao avesso. é como se a dor houvesse secado as lágrimas. e se entristeço, me calo mais ainda, emudeço. é preciso qualquer coisa profunda que rompa essa armadura.. porque no fundo não são as pessoas que faltam ou que estão. talvez seja o modo como nos distanciamos delas…

***

e apaziguei meu espírito – ou o que foi possível. pois se é o que sé. mas há que se caminhar um trecho novo por cada dia e, as vezes, voltar é necessário e percorrer o mesmo caminho até uma nova oportunidade de trilhar um novo caminho. mas tudo isto não é muito claro.

e para fechar a noite: belas ideias as do ator e diretor ricardo darín no programa sangue latino do canal brasil. especial, 18’18”.

e de juan gelman

poema xxxiii

basta
no quiero más de muerte
no quiero más de dolor o sombras basta
mi corazón es espléndido como la palabra

mi corazón se ha vuelto bello como el sol
que sale vuela canta mi corazón
es de temprano un pajarito
y después es tu nombre

tu nombre sube todas las mañanas
calienta el mundo y se pone
solo en mi corazón
sol en mi corazón

***

corpo cansado, cama, cambio, fim.

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