devemos tomar consciência do processo…

[sáb] 31 de janeiro de 2015

ei rapaz, ouça: eu sou você. e eu achei que tivesse um plano. eu não tenho um plano. eu estou completamente perdido. todos os planos até agora apenas tentam camuflar essa minha cronica falta de planos. e se tivesse que começar do zero hoje, eu começava. sinto tremores no meu estômago, daqueles quando estamos profundamente nervosos de ansiedade diante de algo novo e grande. eu tenho pensado em não fugir de ninguém mais… as vezes você se afasta, física e/ou emocionalmente, de todo mundo pensando que assim será mais fácil… que controlando e/ou catatonicamente levando a vida é possível viver. aí você acorda e percebe, que o seus medos sempre vão estar ali, que as feridas só aumentam, que a distância borra os sonhos e o real… que tuas palavras não fazem sentido, que só te sobra o vazio da insignificância. e o mais perigoso é quando você não significa nada para você – é como olhar no espelho e não haver ninguém. não há como escrever poemas de amor ou sobre a dor. as palavras calam. você seca por dentro, e só te sobre aquela aparência plástica por fora. você se torna um manneken.

e voltar é difícil. reatar ou cicatrizar feridas não é algo que se faz por decreto… você precisa aprender a se reconhecer e como uma criança que começa a andar… corre o risco de cair. mas você precisa levantar agora, secar esse pranto e ir-se… e, mesmo que as vezes a gente acha que sabe o mapa, quando se coloca a ir… o caminho vai se refazendo e nada é como a um instante antes. a vida cambia. e ficar preso na terra pode nos fazer apodrecer. é preciso ir. pois dias desses você faz trinta e três e mirando tudo podes ver que você aprendeu tanto… você viu, viveu e fez coisas tão bonitas. e você teve medo demais e fugiu tanto sem saber para onde e porque. você caiu aqui, neste ponto, neste monólogo. você precisa reaprender a não ser mais só… você precisa aprender a vomitar todas essas dores e esses medos engasgados e reatar vínculos… buscar amigos, coisas novas, aquecer seu coração e sentir tremores no estômago e os pelos arrepiarem-se e aquela sensação de transbordar o peito de forma incontida e descontrolada… você precisa abrir uma fresta, a janela, a porta, as paredes e teto todo para a vida… você não pode ter medo de ter medo… e mesmo com medo, se jogue… você precisa permitir-se…

permita-se rapaz.

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trilha de fundo: drexler e seu álbum: amar la trama.

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