no dia seguinte, como continua o mundo?

[sex] 14 de novembro de 2014

é tarde/madrugada. publico o que estava privado.

há vento sul. e estou exausto… pois há poucas horas, na noite de quinta, foi dia de passeio com as marias. agora que luiza deixou as rodinhas de lado e se arrisca a pedalar na rua… e izabel, já mais consciente, ajuda-me a cuidar da maria menor, nós nos aventuramos até a ponta: destino: beira d’água. objetivo: pastel, coca-cola e batata-frita. desejo: encontrar amig@s. foi assim… é bonita vê-las… brincando, divertindo-se… e pensar que daqui uns dois ou três anos estarão namorando… essa vida passa voando.

envelheço. meu corpo me entrega: o pedal de hoje e as duas horas intensas de ontem, de dança e improviso, na oficina de teatro… e mais as andadas pela estrada – porque sempre estou atrasado e perdendo os horários, as chances, o busão… Sorte que há sempre alguém que aceita o meu convite à generosidade e me dá uma carona. ontem, pensava sobre isto… quando peço carona, estou a oferecer as pessoas a oportunidade de serem solidárias. algumas ficam constrangidas… não se permitem… e ai ando um bocado, mas sempre alguém, aceita meu pedido de carona e sinto que faço bem as pessoas. me sinto bem.

***

das coisas coletadas hoje:

Carta aos Artistas de Paris ///Gustave Courbet/// Comuna de Paris. Originalmente publicada em “Le Rappel”, em 19 de março de 1871:

“Paris, 18 de março de 1871

Meus queridos companheiros artistas,

Vocês me deram a honra, em sua reunião, de me indicar seu presidente. Eu os estou convocando aqui, em nome do comitê que foi designado a auxiliar-me, para reportar-lhes sobre nossas fiscalizações e nossas ações. Aproveitaremos também esse encontro para apresentar diversas idéias que surgiram durante o exercício de nossas atividades, em uma proposta para uma nova reorganização da Administração das Belas Artes, que tem como objetivo promover a Exposição e os interesses das artes e dos artistas.

As administrações anteriores que governaram a França quase destruíram a arte sob sua proteção, ao suprimir sua espontaneidade. Essa abordagem feudal, sustentada por um governo despótico e discricionário, não produziu nada além de arte aristocrática e teocrática, justamente o oposto das tendências modernas, de nossas necessidades, de nossa filosofia, e da revelação do homem manifestando sua individualidade e sua independência física e moral. Hoje, numa época em que a democracia deve reger todas as coisas, seria ilógico a arte, que conduz o mundo, ficar para trás na revolução que está ocorrendo agora na França.

Para alcançar esse objetivo, discutiremos em uma assembléia de artistas os planos, projetos e idéias que nos serão submetidos, no intuito de realizar uma nova reorganização da arte e de seus interesses materiais.

Não há dúvidas que o governo não deve tomar a dianteira em questões públicas, pois não é capaz de carregar em seu interior o espírito de uma nação; consequentemente, qualquer proteção será em si mesma prejudicial. As academias e o Instituto, que apenas promovem a arte convencional e banal, para que sejam julgados por seus integrantes, opõem-se necessária e sistematicamente a novas criações da mente humana e infligem a morte de mártires em todos os homens inventivos e talentosos, em detrimento de uma nação e para a glória de uma tradição e doutrina estéreis.

Vejam, por exemplo, o caso deplorável da École des Beaux-Arts, favorecida e subsidiada pelo governo. Essa escola não apenas desvia nossos jovens, mas nos priva da arte francesa, com suas finas procedências, favorecendo, sobretudo, a tradição túrgida e religiosa italiana, que vai de encontro ao espírito da nossa nação. Essas condições podem apenas perpetuar a arte pela arte e a produção de trabalhos estéreis, sem caráter ou convicção, enquanto nos privam de nossa própria história e espírito sem qualquer compensação.

Portanto, para tomarmos decisões sobre bases mais racionais e mais adequadas aos nossos interesses comuns, no intuito de abolir os privilégios, as falsas distinções que estabelecem entre nós hierarquias perniciosas e ilusórias, é desejável que os artistas (como nas províncias e em todos os países vizinhos) definam seu próprio curso. Deixe que eles determinem como farão as exposições; deixe que definam a composição dos comitês; deixe que obtenham o local onde será a próxima exposição. Isso pode ser resolvido até 15 de maio, pois é urgente que todos os franceses comecem a ajudar o país a se salvar de um imenso cataclismo.

É impossível que qualquer artista não tenha um ou dois trabalhos que ainda não tenham sido exibidos. Para os demais, chamaremos artistas estrangeiros. Excluiremos, certamente, os artistas alemães, mesmo que isso seja contrário aos princípios da descentralização e solidariedade. Mas os alemães, após terem se beneficiado de aquisições francesas e comissões por tanto tempo sem reciprocidade, nos obrigam, por sua traição e espionagem, a tomar tal atitude nesse momento.

O local de encontro será anunciado em breve, bem com o as propostas a serem submetidas aos artistas.

Saudações fraternais,

G. Courbet”

 

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