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[sex] 15 de agosto de 2014

«Chama-se suicídio todo o caso de morte que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado». Émile Durkheim. O suicídio, 1897.

«No campo da formação ainda são escassos os estudos que incidam em efetivas transformações.O drama dos pesquisadores tem sido esse: a quem vive o quotidiano da escola, a quem investiga a todo o momento, não sobra tempo para fazer registros. Os que estudam ‘sobre’ as práticas observam, captam o supérfluo e generalizam-no. As conclusões de muitos estudos refletem a origem dos pesquisadores, raramente a realidade dos investigados. Mesmo quando são professores a conduzir os estudos, são professores com experiência de uma escola ‘tradicional’ fazendo, quase sempre, leituras que as suas representações permitem.
O drama dos que estão ‘dentro’ consiste em tudo parecer já ter sido dito pelos especialistas sobre a formação. No irônico contraponto com o real é extremamente difícil assumir a humildade curiosa de quem compreende que na formação contínua não existe ainda um edifício teórico coerente. Muitas pesquisas limitam-se à recolha de sequencias práticas, nem continuidade. Assentam em conclusões estáticas, produtos de modelos explicativos construídos a priori, ou (o que é ainda pior) são meras teorizações de teorias que legitimam-se umas às outras. Se a investigação sobre (ou na) formação não serve à transformação das práticas, para que serve?
Muita formação esgota-se em si mesma, é repositório de receitas avulsas debitadas sobre auditórios passivos. Os formadores são, em muitos casos, incapazes de concretizar em seus locais de trabalho as propostas que recomendam. Fazem apelo teórico à prática de ‘metodologias ativas’, mas a metodologia efetivamente utilizada não é, talvez, a mais importante, mas não poderá ser alienada. É inconcebível pois, que haja quem não tenha alguma vez passado por uma sala de aula e oriente formação de professores em domínios tão sensíveis como a alfabetização.
Manifestações como os círculos de estudo são, regra geral, remetidas para a periferia do sistema e assumem-se até elas próprias como marginais. Permanecem ignoradas, sem que delas se tome conhecimento, ou sobre elas se reflita. Não constituem novidade, pois estiveram presentes na gênese de grande parte dos movimentos pedagógicos nas três últimas décadas. Não são dispositivos redentores dos sortilégios dos modelos tradicionais de formação. ‘A autoformação ultrapassa os quadros sociais de vida. Ela parece ser a expressão de um processo de antropogênese que extravasa as estratificações sociais e educativas tradicionais. Compreender e trabalhar este processo obriga-nos a apoiar a reflexão sobre a autoformação […] nas ciências emergentes da autonomização». Págs. 36,37 e 38. PACHECO, José. Escola da Ponte: Formação e transformação na educação.

«às vezes acredito em mim mas às vezes não / às vezes tiro o meu destino da minha mão » Arnaldo Antunes. Acústico MTV.

 ps: fazer um poema sobre a ferrugem. outro sobre o cubo.

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